Trabalhos maçônicos.

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225 respostas para Trabalhos maçônicos.

  1. redecolmeia disse:

    No princípio, Deus criou os céus e a terra.
    A terra era informe e vazia, As trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus movia-Se sobre a superfície das águas. Deus disse: “Faça-se a luz”. E a luz foi feita.
    Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia a luz e às trevas noite.
    Assim surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia.
    Deus disse: “Haja um firmamento entre as águas para as manter separadas umas das outras”. Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento. E assim aconteceu. Deus chamou céus ao firmamento. Assim surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia.
    Deus disse: “Reunam-se as águas que estão debaixo dos céus num único lugar, afim aparecer a terra seca”. E assim aconteceu. Deus, à parte sólida, chamou terra, e, mar, ao conjunto das águas; E Deus viu que isto era bom.
    Deus disse: “Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que dêem frutos sobre a terra, segundo suas espécies, e contendo semente”. E assim aconteceu. A terra produziu verdura, erva com semente, segundo sua espécie, e árvores de fruto, segundo as suas espécies, com as respectivas sementes. Deus viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e. em seguida, a manhã: foi o terceiro dia.
    Deus disse: “Haja luzeiros no firmamento dos céus para diferenciarem o dia da noite e servirem de sinais, determinando estações, os dias e os anos; servirão, também de luzeiros no firmamento dos céus para iluminarem a terra”. E assim aconteceu. Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir o dia, e o menor para presidir a noite; fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento dos céus para iluminarem a terra, para presidirem ao dia e a noite, e para separarem a luz das trevas. E Deus, viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia.
    Deus disse: “Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, e que na terra voem aves, sob o firmamento dos céus”. Deus criou, segundo as suas espécies, os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves aladas, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom. Deus abençoou-os, dizendo: “Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas do mar e, multipliquem-se as aves sobre a terra”. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia.
    Deus disse: “Que a terra produza seres vivos, segundo suas espécies, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo suas espécies”. E assim aconteceu. Deus fez os animais ferozes, segundo as suas espécies; os animais domésticos, segundo suas espécies; e todos os répteis da terra, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom.
    O homem: Deus, a seguir, disse: ” Façamos o homem à Nossa imagem, à Nossa semelhança, para que domine, sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”. Deus criou o homem à Sua imagem, criou à imagem de Deus; Ele criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai, sobre os peixes do mar, sobre as aves do céus e sobre todos os animais que se movem na terra”. Deus disse: “Também vos dou todas as ervas com sementes que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. E todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a todos os seres vivos que sobre a terra existem e se movem, igualmente dou por alimento toda a erva verde que a terra produzir”. E assim aconteceu. Deus, vendo toda Sua obra, considerou-a muito boa.

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    Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia.
    Foram assim terminados os céus e a terra e todo o seu conjunto. Concluída, no sétimo dia, toda a obra que havia feito, Deus repousou, no sétimo dia do trabalho por Ele realizado. Abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Deus repousou de toda a obra da criação. Esta é a origem e a história da criação dos céus e da terra.

    TRABALHO COMO EVOLUÇÃO

    O homem aparece como a cúpula da criação. O homem é a imagem de Deus sobre a terra. Não uma imagem de pedra ou barro, mas uma imagem viva. A sua semelhança com Deus, do ponto de vista bíblico, está na sua vocação de dominar e transformar o mundo.
    Na linguagem cotidiana a palavra trabalho tem muitos significados, embora pareça compreensível como uma das formas elementares de ação dos homens, o conteúdo oscila. As vezes, carregada de emoção, lembra dor, tortura, suor do rosto, fadiga. Noutras, mais que aflição e fardo, designa a operação humana de transformação da matéria natural em objeto. É o homem em ação para sobreviver e realizar-se.
    Em quase todas as línguas da cultura européia, trabalhar tem mais de um significado. O grego tem uma palavra para fabricação e outra para esforço, oposto ao ócio; por outro lado, também apresenta pena, que é próxima da fadiga. O latim distingue entre “laborare”, a ação do trabalho e, “operare”, o verbo que corresponde a obra. Em francês é possível reconhecer pelo menos a diferença entre “travailler” e “ouvrer”. Assim também “lavorare” e “operare” em italiano; e, “trabajar” e “obrar”, em espanhol. No inglês, salta aos olhos a distinção entre “laour” e “work”, como no alemão entre “werk” e “abeit”. “work” como “werk”, contém a ativa criação da obra, que está também em “schaffen”, criar, enquanto em “labour” e “arbeit” se acentuam os conteúdos de sofrimento e cansaço.
    Em português, apesar de haver “labor” e “trabalho”, é possível achar na mesma palavra “trabalho” ambas as significações: a de realizar uma obra que te expresse, que dê conhecimento social e permaneça além da vida; e a de esforço rotineiro e repetitivo, sem liberdade, de resultado consumível e incomodo inevitável.
    Em nossa língua a palavra “trabalho” se origina do latim “tripalium”, embora outras hipóteses a associem a “trabaculum”. “Tripalium” era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo e as espigas de milho. A maioria dos dicionários, contudo, registra “tripalium” apenas como instrumento de tortura, o que teria sido originariamente, ou se tornado depois.
    O trabalho já foi pressuposto, em uma forma que o caracteriza como exclusivamente humano. O trabalho do homem tem uma qualidade específica, distinta do mero labor animal. Se uma aranha leva a cabo operações que lembram as de um tecelão, e uma abelha deixa envergonhado muitos arquitetos, quando da construção de sua colmeia, contudo essa agitação ainda não é trabalho do mesmo. O que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto ergue a construção em sua mente antes de erguer na realidade. Esta é a grande diferença do trabalho do homem, o projeto e a visão antecipada do produto de sua mente.
    Nos primórdios dos tempos, o trabalho era visto como punição para o pecado. A Bíblia apresenta como castigo: por haver
    perdido a inocência original do paraíso, Adão é condenado a ganhar o seu pão com o suor de seu rosto. Para o catolicismo em geral o trabalho pode ser digno e edificante, porque é uma forma de ordenação a Deus.

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    Com os protestantes o trabalho sofre uma reavaliação, dentro do cristianismo. Para Lutero o trabalho aparece como a base da vida. Embora continuando a afirmar que o trabalho era uma conseqüência, Lutero, repetindo São Paulo, acrescentava que todo aquele capacitado ao trabalho tinha o dever de trabalhar. O ócio era uma evasão anti-natural e perniciosa.
    A moderna visão do trabalho se apresenta como a maneira de satisfazer desejos e uma complementação do espírito, portanto um processo de transformação do homem.
    Um relato do oriente nos diz, que quando um sábio saia da cidade, o povo inteiro o cercou, e todos estavam chamando seu nome numa só voz. Os anciãos da cidade aproximaram e disseram: “não nos deixe ainda. Fostes um meio-dia em nosso crepúsculo, e tua juventude deu-nos sonhos para sonhar. Tu não és um estranho ou hóspede entre nós, mas nosso filho e nosso bem amado. Não condenes ainda nosso olhar a sofrer a fome de tua face”.
    E os sacerdotes e sacerdotisas disseram-lhe: “não consintas que as ondas do mar nos separem já, e os anos que entre nós passaste se torne uma lembrança. Andaste entre nós como espírito, e tua imagem tem sido uma luz que iluminou nossas faces”. Foram interrompidos por uma vidente que disse: “sábio de Deus em procura do infinito, quantas vezes sondastes as distância, à espera de seu navio. Agora ele chegou, és tu que deves partir? Uma coisa porém te pedimos, antes de nos deixares, fala-nos algo de tua verdade”.
    Algumas perguntas foram feitas, dentre elas a de um lavrador. “Fala-nos do trabalho”. E ele respondeu.
    “Vós trabalhais para acompanhar o ritmo da terra, e da alma da terra.
    Porque ser indolente é tornar-se um estranho às estações e afastar-se do cortejo da vida, que avança com majestade e orgulhosa submissão rumo ao infinito.
    Quando trabalhais, sois uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em melodia.
    Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo, quando tudo o mais canta uníssono?
    Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição; e o labor uma desgraça.
    Mas vos digo que, quando trabalhais, realizais parte do sonho mais longínquo da terra; desempenhando assim uma missão que vos foi designada, quando esse sonho nasceu.
    E, apegando-vos ao trabalho, estais na verdade amando a vida. E quem ama a vida através do trabalho, partilha do segredo mais íntimo da vida.
    Mas se, em vossas dores, chamais o nascimento uma aflição e a necessidade de suportar a carne, uma maldição inscrita na vossa fronte, então eu vos direi que só o suor de vossa fronte lavará esse estigma.
    Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram.
    E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.
    E todo impulso é cego, exceto quando há saber.
    E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.
    E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.
    E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros, e a Deus.
    E o que é trabalhar com amor?
    É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado fosse usar esse tecido.
    É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado tivesse que habitar esta casa.
    É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse comer-lhe os frutos.
    É pôr em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma.
    E saber que todos os abençoados mortos vos rodeiam e vos observa. Folha03/04

    Muitas vezes ouvi-vos dizer como se estivésseis falando em sonho: ‘aquele que trabalha no mármore e encontra na pedra a forma de sua alma, é mais nobre do que aquele que lavra a terra. E aquele que agarra o arco-íris e o estende na tela em formas humanas, é superior àquele que confecciona sandálias para vossos pés’.
    Porém eu vos digo, não em sono, mas em pleno despertar do meio-dia, que o vento não fala com maior doçura aos carvalhos gigantes do que à menor das folhas da relva;
    E grande é somente aquele que transforma o ulular do vento numa canção tornada mais suave pelo próprio amor.
    O trabalho é o amor feito visível.
    E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria.
    Pois se cozerdes o pão com indiferença, cozereis um pão amargo, que satisfaz somente a metade da fome do homem.
    E se espremerdes a uva de má vontade, vossa má vontade se destilará no vinho como veneno.
    E ainda que canteis como os anjos, se não tiverdes amor ao canto, tapais os ouvidos do homem às vozes do dia e às vozes da noite”.
    Este é o relato! Podemos notar que como o diamante, o trabalho pode ser exercido à alta temperatura e pressão.
    O diamante é a pedra mais dura e bela do planeta. Se você tropeçar em um diamante ainda bruto, largado, provavelmente não ira reconhece-lo. Antes de virar um anel, o diamante parece um cristal sujo e cheio de caroços. Pode variar de branco ao amarelo-canário e do marrom ao negro. Os diamantes são formados principalmente a partir de minerais como o ferro e o magnésio. Não se encontram vários diamantes em uma rocha de kimberlitos. Presa abaixo da superfície da terra, a lava esfria devagar, a grande pressão. Essa combinação faz com que os átomos de carbono no kimberlito se cristalizem em pedaços de diamantes.
    O que faz o diamante tão duro é sua construção. Pense nas pirâmides egípcias – aqueles triângulos robustos pregados no meio do deserto. Diferente de uma construção retangular, uma pirâmide não oscila, nem cai. Diamantes são feitos de pirâmides. Pirâmides entrelaçadas de átomos de carbono. Cada átomo de carbono está ligado fortemente a outros quatro átomos de carbono. Os cinco átomos juntos formam uma pirâmide. Um diamante é o conjunto de várias dessas pirâmides, porque os átomos em suas extremidades fazem ponta uns com os outros – ligadas como em um jogo de Leggo.
    Que belo trabalho da Natureza.
    O trabalho é como uma prova de atletismo: você vence e tem a glória, ou usa seu aprendizado para corrigir sua falha para a próxima competição.
    Trabalhe, o reconhecimento virá!
    Ele olhou a mesa, pensando no melhor símbolo de sua passagem pela Terra. Tinha diante de si as romãs da Galiléia, as especiarias dos desertos do Sul, as frutas secas da Síria, as tâmaras do Egito. Deve ter estendido Sua mão para consagrar uma dessas coisas – quando, de repente, lembrou que a mensagem que trazia era para todos os homens, em todos os lugares. E talvez as romãs e tâmaras não existissem em determinadas partes do mundo. Tornou a olhar a Sua volta e, outro pensamento lhe ocorreu: nas romãs, nas tâmaras, nas frutas, o milagre da Criação se manifestava por si mesmo – sem qualquer interferência do ser humano.
    Então Ele pegou o pão, deu graças, partiu-o e deu aos seus discípulos dizendo: “tomai e comei todos vós, porque isto é o Meu corpo”. Do mesmo modo, tomou o cálice e disse: “este cálice é a nova aliança”.
    Será que não era por que o pão e o vinho era fruto do TRABALHO DO HOMEM? MARCO ANTONIO PERES – 18/06/95 folha 04/04

    • MARCOS CASTILHO ALEXANDRE disse:

      O verdadeiro Segredo Maçônico…
      É um segredo de vida
      e não de ritual
      e do que se lhe relaciona.
      Os Graus Maçônicos comunicam àqueles que os recebem,
      sabendo como recebe-los,
      um certo espírito,
      uma certa aceleração da vida
      do entendimento
      e da intuição,
      que atua como uma espécie
      de chave mágica dos próprios símbolos,
      e dos símbolos
      e rituais não maçônicos,
      e da própria vida.
      É um espírito,
      um sopro posto na Alma,
      e, por conseguinte,
      pela sua natureza,

      …incomunicável.

      Marcos Castilho Alexandre
      ARLS Fraternidade I de Piritba

      • luís audir lemos de andrade disse:

        boa noite sr. sou admirador da maçonaria, e procuro sempre aprender, conto com grandes amigos que fazem parte da grande ordem, paricipo de religião espiritualista a mais de 20 anos e sempre estudo para me aprimorar e descobrir masi conhecimento. abraço.

    • tadeu campanini disse:

      aos nobres participantes deste blog deixo um fraternal abraço e que G.A.D.U. sempre esclareça nossas duvidas e ilumine nossos caminhos
      T.F.A

  2. redecolmeia disse:

    S.’. M.’.?

    Só me lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui?

    O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

    Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim. Contudo, não
    tinha coragem da aborda-las. Mas espere, que grupo seria aquele unido e de terno preto? Lógico ! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia é tão comum pessoas irem ao velório com roupa preta.

    É claro, são Irmãos. Aproximei-me do grupo. Ao me verem chegar interromperam a conversa.

    Discretamente executei o Sinal de Aprendiz, obtendo de imediato a resposta. Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo. Respondera-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?
    – Estão bem não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.

    Ainda assustado, indaguei os motivos de suas vestes.

    – Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico, foi a resposta.
    – Templo Maçônico, vocês tem um?
    – Sim , claro. Por que não?

    Senti-me mais à vontade, afinal de contas sou um Grande Inspetor Geral da Ordem e com certeza receberei as honrar devidas ao meu elevado Grau. Pedi para acompanha-los, no que fui atendido.

    Ao fim da pequena caminhada, divisei o templo. Confesso que fiquei abismado. Sua imponência era enorme. As Colunas do pórtico, majestosas. Nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos. Caminhamos em silêncio. Ao chegar ao salão de entrada verifiquei grupo de Irmãos conversando animadamente, porém em tom respeitoso.

    O que parecia o Líder do grupo que acompanhava chamou a um Irmão que estava adiante.

    – Irmão Experto: Acompanhai o Irmão recém-chegado e com ele aguarde.

    Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para o grau 33 não se poderia esperar nada diferente.
    Verifiquei que os Irmãos formavam o corteja para a entrada ao Templo. A distância, não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos. Adentraram silenciosamente no Templo.

    Comigo ficou o Irmão Experto. De tanta emoção não conseguia dizer nada. O Tempo passou ……. não pude medir quanto. A porta do Templo se entreabriu e o Irmão M.’.C.’. encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendas
    não estavam desleixadas e caminhei com ele. Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância?

    Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo. Estranho …… Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riquezas. Verifiquei rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vindo não sei de onde iluminava o ambiente. Cumprimentei o Venerável Mestre e os Vigilantes na forma do ritual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos. Não sabia o que fazer… Aguardava ordens …. e elas vinham na voz firme do Venerável:

    – S.’.M.’.?

    Reconhecendo a necessidade do trolhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo:

    – M.’. I.’.C.’.T.’.M.’.R.’.
    Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.’.M.’. dirigindo-se aos presentes, perguntou?

    – Os Irmãos aqui presentes, o reconhecem como Maçom?
    Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? – O silêncio foi total. E dirigindo-se à mim, o Venerável emendou :

    – Mas caro Irmão visitante, os Irmãos aqui presentes não o reconheceram como Maçom.
    – Como não! Disse eu.
    – Não vêem minhas insígnias? Não verificaram meus documentos e comendas?
    – Sim caro Irmão, retrucou o Venerável. Contudo não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas, insígnias e comendas. Para ser Maçom é preciso antes de tudo, ter construído o seu Templo Interior, mas verificamos que tal não ocorreu com o Irmão. Observamos ainda que, apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter o maior dos Graus, não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.
    – Como efêmera? Vocês que tudo sabem são observaram minhas atitudes fraternas?

    Fui interrompido.

    – Irmãos, vejamos então sua defesa.

    Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa detelevisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de irmãos tecendo comentários desrespeitosos contra a Administração de minha Loja. Era verdade. Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos.
    Lembrei-me então de minhas ações beneficentes, indaguei-os sobre tal. Mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tronco de Beneficência. Era fato, costumeiramente, o fazia por achar que o óbolo não seria bem usado. Por não ter o que argumentar, calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me aos olhos. Decidi a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Venerável:

    – Meu Irmão. Reconhecemos suas falhas, quando o orbe terrestre e na Maçonaria.
    Contudo, reconhecemos também, que o Irmão foi iniciado em nossos Augustos Mistérios. Prometemos em suas iniciações protege-lo e o faremos. O Irmão terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal todos nós aqui presentes já cometemos um dia. Descanse neste Plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a Ordem Maçônica, sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.

    Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado. Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha pedra Bruta.
    Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado. Levantei-me assustado mas com certa alegria no peito. Havia sonhado?? Dirigi-me ao guarda-roupa. Meu terno ali estava.
    Instintivamente retirei do meu paletó as medalhas, insígnias e comendas, guardando-as numa caixa.

    Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa,com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria envolvente retirei o Ritual de Aprendiz – Maçom.

    No dia seguinte ao dirigir-me à minha Loja, somente levei o Avental de Aprendiz e humildemente sentei-me ao fundo da Coluna do Norte.

    • OSVALDIR PEREIRA DE ALMEIDA disse:

      Meu amado e sábio Irmão. Sempre leio boas publicações, mas, esta é uma das mensagens que mais me tocaram. Meus parabéns. Continue a nos brindar com tão belas palavras e, com certeza tiraremos belas lições, aumentando nossa sensibilidade ao que é belo e justo.

      OSVALDIR – PORTO VELHO-RO

    • Meus cumprimentos Poderoso Mestre, por está excelente peça de arquitetura. Há Senhor meu “DEUS”,sou muito grato por tê e dado o merecimento de ser aceito na “Ordem”.
      Saudações, com T…F…A, com as bênção G.A.D U…
      Heliomar Pilro de Almeida, Oriente de Vitória ES, Loja Maçnica Domingos Martins 1439 do “Grande Oriente do Brasil.

  3. Fernando disse:

    Meus Irmãos a Ousadia é melhor que a omissão, não importa a dosagem.
    E isso me faz refletir profundamente no texto de um dos maiores homens que viveu em nosso Planeta.
    Proferido no final do filme O grande Ditador, é um dos mais belos textos pacifistas já escrito, um legado para todas as gerações. Não ficou preso a um contexto social ou político, nem ficou parado no tempo.
    Nós continuamos a luta pela paz, pela esperança. Nós ainda queremos um mundo melhor para os nossos filhos… Mas nos acomodamos nas trincheiras dos sentidos. Por que amar, se é mais fácil odiar? Por que ajudar, se é mais fácil ignorar? Por que lutar, se podemos aguardar em nossos bunkers que o bombardeio acabe e não sobre mais nada a ser destruído?

    A mensagem de Chaplin é uma convocação á luta. Sim, uma convocação à boa luta, como disse Paulo de Tarso em Timóteo 4:7, e como fez Gandhi, durante toda a sua vida pública. Lutemos, pois!

    “Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio … Negros … Brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

    O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem… Levantou no mundo as muralhas do ódio … E tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

    A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… Um apelo à fraternidade universal … à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas … vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis!” A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… Da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

    Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… Que vos desprezam … Que vos escravizam … Que arregimentam as vossas vidas … Que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… Os que não se fazem amar e os inumanos.

    Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… De fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… Um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

    É Pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

    Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!”

  4. Fernando disse:

    ESTRANHA MULHER

    Maria Ivone Corrêa Dias
    Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás

    http://www.masonic.com.br/trabalho/estranhamulher.htm

    Eu sei que ela existe,
    (embora eu nunca a veja…)
    mulher estranha de mãos imensas,
    semeando esmolas, misteriosamente,
    cercada de respeito, de lendas e de temor
    as mãos dessa mulher tem forma de amor
    mãos que ninam os berços da orfandade,
    mãos que põem luz na noite da viuvez,
    mãos que cortam o erro, como espadas
    mãos que abençoam, que denunciam crime
    e que trazem, no gesto que redime,
    toda a unção das próprias mãos de Deus.

    Essa mulher tem a graça das Acácias,
    a ternura que consola a dor alheia,
    o bem que ela faz gravando só na areia,
    vem a onda e o leva ao seio do grande Artista
    que vala sobre o triste, o fraco e o oprimido.

    Essa mulher, se escuta algum gemido,
    se pressente a dor, a injustiça, a queda,
    como o vento desloca-se flecha ousada e firme
    na pressa de salvar, servir e se esconder.

    Ela está de pé às portas da miséria…

    Junto ao incapaz, ela é o braço potente,
    amparo ela o é ao lado do indigente
    arrimo da velhice, luz da juventude,
    e ante a própria morte, aos pés do ataúde,
    essa mulher é esteio, é força e segurança.

    Seus braços, quais colunas talhadas na rocha,
    já sacudiram tronos, muralhas e cidadelas,
    já libertaram escravos e enriqueceram os pobres,
    já ergueram nações sobre cinzas de impérios…

    Ela já viu morrer os filhos em prol da liberdade,
    e, embora chorando sobre seus tristes restos,
    seu braço ergueu, em sagrado protesto,
    a bandeira santa do amor universal.

    De sua mesa farta, tal como em família,
    reparte ela o pão da graça feminina,
    sem humilhar aquele a quem sobrou pobreza,
    e sua mão direita, segundo o evangelho,
    jamais presenciou o que a esquerda fez.

    A ordem do Senhor: “Amai-vos uns aos outros”
    à frente do seu Templo essa mulher gravou,
    e como irmãos se tratam milhões de filhos seus,
    homens predestinados, cidadãos benditos
    que não se envergonham – oh não – de crer em Deus.

    Essa mulher estranha, sem jóias e sem fraqueza
    essa mulher estranha, temida e venerada,
    mil vezes perseguida, vencendo com galhardia,
    é cidadã do mundo, é MAÇONARIA.

    Escute a mensagem.

    http://www.masonic.com.br/trabalho/estranhamulher.htm

  5. Fernando disse:

    À MINHA LOJA MÃE DE LAHORE

    Rudyard Kipling

    E havia Hundle, o chefe da estação;

    Baseley, o das estradas e dos trabalhadores;

    Black, o sargento da turma de conservação,

    Que foi nosso Venerável por duas vezes.

    E ainda o velho Frank Eduljee,

    Proprietário da casa As Miudezas da Europa.

    E então, ao chegar, dizíamos:

    Sargento, Senhor, Salut, Salam…

    todos eram “Meus Irmãos”,

    E não se fazia mal a ninguém,

    Nós nos encontrávamos sobre o nível,

    E nos despedíamos sob o esquadro.

    Eu era o Segundo Experto dessa Loja.

    Lá em baixo….

    Havia ainda Bola Nath, o contador;

    Saul, judeu de Aden;

    Din Mohamed, da seção de cadastro;

    O senhor Babu Chuckerbutty,

    Amir Singh, o sique,

    E Castro, o da oficina de reparos,

    Um verdadeiro católico romano.

    A decoração do nosso templo não era rica,

    Ele era até um pouco velho e simples,

    Mas nós conhecíamos os Deveres Antigos,

    E os tínhamos de cor.

    Quando eu me lembro deste tempo,

    Percebo a inexistência dos chamados infiéis,

    Salvo alguns de nós próprios.

    Uma vez por mês, após os trabalhos

    Reuníamo-nos para conversar e fumar

    Pois não fazíamos ágapes,

    Para não constranger os Irmãos de outras crenças.

    E de coração aberto falávamos de religião,

    Entre outras coisas, cada um referindo-se à sua.

    Um após outro, os irmãos pediam a palavra,

    E ninguém brigava até que a aurora nos separasse,

    Ou quando os pássaros acordavam cantando.

    E voltávamos para casa, a pé ou a cavalo,

    Com Maomé, Deus, e Shiva,

    Brincando estranhamente em nossos pensamentos.

    Viajando a serviço,

    Eu levava saudações fraternais

    Às Lojas ao Oriente e ao Ocidente de Lahore,

    Conforme fosse a Kohart ou a Singapura.

    Mas sempre voltava para rever meus irmãos.

    Os da minha Loja Mãe.

    Lá de baixo…

    Como gostaria de rever aqueles velhos irmãos,

    Negros e morenos,

    E sentir o perfume dos seus cigarros nativos,

    Após a circulação do tronco,

    E do malhete ter marcado o fim dos trabalhos,

    Ah! Como eu desejaria voltar a ser um perfeito maçom,

    Novamente, naquela Loja antiga.

    Diria então Sargento, Senhor,

    Salut, Salam…

    Pois seriam todos meus irmãos,

    E ali não se faria mal a ninguém

    E nos encontraríamos sobre o nível,

    E nos despediríamos sob o esquadro,

    Eu seria o Segundo Experto da minha Loja,

    Ficaria lá em baixo.

  6. Fernando disse:

    CATEDRAL

    Certa vez, ao visitar uma enorme construção, uma pessoa parou diante de um operário e perguntou-lhe o que estava fazendo. O trabalhador respondeu: “Estou assentando tijolos”. Continuando seu passeio, o visitante fez a mesma pergunta a um segundo operário, recebendo como resposta: “Uma parede”. Mais adiante, inquirindo um terceiro trabalhador (a fazer a mesma coisa que os dois primeiros), teve como resposta: “Estou construindo uma catedral”.

    Por que nossos sonhos não se tornam realidade? A estória acima nos ajuda a entender um pouco esta questão. Aquele que está fazendo uma parede não tem sonhos, simplesmente está juntando tijolos e argamassa e, para seu suplício, isto vai se repetir dia após dia. O primeiro, que está somente assentando tijolos, está em situação ainda pior, não sabendo se os tijolos vão constituir uma parede curta ou longa, alta ou baixa. Nem quantos são os tijolos…

    O terceiro trabalhador, todavia, está construindo uma catedral. Em sua mente, ao trabalhar, vê, com clareza, a imponência do edifício e antevê as solenidades que ali ocorrerão, trazendo multidões. Com esta imagem precisa, certamente suas forças e seu interesse se multiplicarão. Terá imenso cuidado e incontida alegria a cada tijolo acrescentado; parará, por vezes, para mirar com admiração e orgulho o seu trabalho já feito e para imaginá-lo já concluído. Nada será capaz de tirá-lo ou desviá-lo de seu objetivo. Suportará e vencerá os obstáculos.

    E por que? Porque tem um sonho, que se traduz em um objetivo, em uma razão fortíssima para estar ali, como os demais, assentando tijolo por tijolo, parede após parede mas, diferentemente dos demais, persegue um RESULTADO: a catedral pronta, em festa, cheia de pessoas rezando a seu Deus.

    E nós? O que estamos fazendo? Assentando tijolos, fazendo paredes ou construindo uma catedral?

    Parece que, na maioria das organizações, desvirtuadas ao longo do tempo, estamos assentando tijolos. Isto é, não temos um sonho que, na linguagem das organizações, pode ser chamado de OBJETIVO. Estamos, é certo, fazendo muitas coisas, o dia todo, o ano inteiro, estamos desempenhando tarefas, muito bem, por sinal. Mas, e os resultados?

    Não sabemos o que estamos fazendo numa dimensão maior. E, se não sabemos, não estamos nos dedicando convenientemente a “construir a catedral”, a alcançar resultados, a fazer coisas grandes. E, com isto, todos perdemos, nós e as organizações às quais pertencemos. Não nos permitimos crescer. Condenamo-nos a sermos pequenos.

    E esta constatação nos deixa frustrados, incompletos.

    Certamente é muito pouco fazer as tarefas que nos determinam cumprir, mecânica e automaticamente, por hábito, como robôs. “Cumprimos o dever”, “fazemos certinho as coisas”, seguimos a rotina …

    Mas, e a catedral?

    Sonhemos! Nossos sonhos vão nos permitir estabelecer objetivos. Os objetivos vão se constituir em alvos que perseguiremos com ânsia e com garra. Seremos inflexíveis nesta jornada. Estaremos movidos por uma visão clara do que queremos como pessoas e como membros de uma organização.

  7. Fernando disse:

    A BELEZA DE NOSSA LOJA!

    O bom Venerável não pensa em reeleição. Prepara uma Loja melhor para seu substituto!

    A beleza de nossa Loja não é dizer que tem um Deus que zela por ela, é sim dizer que ela tem um grande Deus.
    A beleza de nossa Loja não está só em nós, seus obreiros, trabalharmos para a construção da Sociedade Humana, mas se quisermos realmente mudar o mundo, comecemos por mudar uma pequena parcela dele: esta parcela que chamamos de “Eu”, ou seja, começar por nós mesmos. E ainda que a nossa pretensão não seja essa, mas tão somente a de manter a paz e a serenidade em nossos corações, o caminho é o mesmo: procurar tais recursos dentro de nós. Se pensássemos menos em disputas e mais em compartilhar, viveríamos em um mundo bem melhor, construído por nós mesmos. Nós não precisamos de muita coisa, só precisamos uns dos outros, pois somos a soma das nossas decisões. Consideremos o que nos ensinou Charles Chaplin: “cuidado com as palavras pronunciadas em discussões e brigas, que revelem sentimentos e pensamentos que na realidade você não sente e não pensa… Pois minutos depois, quando a raiva passar, você delas não se lembrará mais… Porém, aquele a quem tais palavras foram dirigidas, jamais as esquecerá”
    As palavras nunca ofendem, o que ofende é o tom com que elas são ditas. As pessoas esquecerão do que foi dito, esquecerão do que foi feito, mas nunca esquecerão do que sentiram. Sejam quais forem as suas raivas contra um Irmão, ao invés de esmerar-se em criticá-lo, farejando defeitos, apedrejando-o, rasgando sua reputação, continue a vê-lo e amá-lo.
    Aprendamos com as cordas do violão, que são independentes, mas cada uma fazendo a sua parte, juntas constroem as mais belas melodias.
    Os Irmãos se completam não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida! Por isso nunca nos dispersemos.
    A beleza de nossa Loja está na maturidade de cada Irmão falar “eu errei”. E ter a ousadia para dizer: “perdoe-me”. E ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. E ter a capacidade de dizer: “eu o amo meu Irmão”.
    A beleza de nossa Loja não está na fachada de seu templo, nem no esplendor de seu interior, nem em sua ornamentação, ou na grandeza de sua Sala dos PP\PP\, nem mesmo em seu espaçoso Átrio.
    A beleza de nossa Loja não está no seu quadro de obreiros cultos, pois nem sempre um homem culto é um homem sábio. Cultura são conhecimentos adquiridos. Sabedoria são as experiências vividas. Mesmo poucos ou muitos, ricos, grandes ou sábios, o importante é que sejamos honrados, estejamos sempre unidos, um ao lado do outro, apesar das diferenças, os obstáculos sempre foram transpostos, tanto nos momentos de dificuldade como nos momentos de esforço maior.
    .
    A beleza de nossa Loja se realiza quando os Irmãos mais idosos, mesmo não tendo mais a força da juventude, oferecem sua simpatia à dor e seus ombros para apoiar a cabeça de um Irmão quando ele chora. Todos precisam de um ombro para chorar em algum momento da vida.
    Com os anos não se fica mais culto ou mais sábio: fica-se mais simples. E na simplicidade são obtidas sínteses significantes da visão do mundo. A sabedoria não está no que pensamos saber e sim naquilo que ainda não sabemos. Existirá sempre algo para aprendermos. Somos Aprendizes, alunos em formação.
    A beleza de nossa Loja não está em não poder realizar grandes coisas, está apenas em fazer dia a dia, pequenas coisas com um grande amor, gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão. Cada Irmão põe quanto é no mínimo que faz, porque assim a Loja brilha acima de cada um. O todo é maior que a soma das partes.
    A maior beleza do Aprendiz de nossa Loja, não está só nas Instruções do Ritual que os tornam infinitamente melhores, mas no caminho que percorre e nos momentos que compartilha com os verdadeiros Irmãos, nos ingredientes que vão além da amizade, na confiança, na alegria de “estar junto”, no respeito, na admiração, na tranqüilidade.
    Para que o desabrochar da dignidade de cada um possa tornar-se uma realidade viva e completa, “antes de jurar silêncio sobre tudo quanto se passou”, se houver alguma coisa para enterrar (esquecer) sejam as palavras ásperas que disse, os gestos solidários que não fez, os preconceitos que externou, porque, ao julgar os outros, colocamos em nossas críticas o amargor de nossos próprios fracassos. Em nossas necessidades, sempre seguimos as três abençoadas regras: “Corrigir em nós o que nos desagrada nos outros; Amparar-nos mutuamente; Amar-nos uns aos outros.
    Agradeço a Deus, ter me concedido a alegria de ao ter deixado meu veneralato e ter sido promovido a obreiro comum, falar mais uma vez dos laços que nos unem, porque não é sem razão que nos encontramos, nos reunimos e irmanados no mesmo trabalho e ideal, fundamos nossa Loja. E como um círculo, não tem começo e fim.
    Reitero, aqui, meu agradecimento comovido e sincero a todos. Vale a pena trabalhar para um fim, quando não se está só.
    E quando lá fora o mundo se prepara para as lutas mais dolorosas e mais rudes devemos agradecer ao Grande Arquiteto do Universo a felicidade de nos conservarmos em paz em nossa Oficina, sob a égide do Seu divino amor.
    Permita-nos SENHOR continuarmos por Vós guiados e abençoados, conservando a tranqüilidade sagrada em nossos lares e corações e que também cubra de bênçãos, de vida abundante, feliz, repleta de Luz, Beleza, Bondade e Amor, toda a Humanidade.
    Assim, esperamos em Sua infinita misericórdia, criar um mundo sem exploração do homem pelo homem, sem as contundentes diferenças de classes sociais e de compreensão, bondade, paz, harmonia, belezas e de amor com que tanto sonhamos.

    Valdemar Sansão – M\M
    ARLS\ Arnaldo Alexandre Pereira, n° 636 (GLESP)

  8. redecolmeia disse:

    Peças de Arquitetura do Grau de Aprendiz Maçom

    MAIS DE 750 TRABALHOS, DE DIVERSOS IRMÃOS E GRAUS, PARA PESQUISAR.

    Dividimos em quatro, as listas com os títulos dos trabalhos, para facilitar a pesquisa dos Irmãos. Você poderá pesquisar de um a um ou ir direto a cada uma das listas e clicar no título que mais lhe interessar
    LISTA DE TITULOS NÚMERO 2 LISTA DE TITULOS NÚMERO 3 LISTA DE TITULOS NÚMERO 4

    http://brasilmacom.com.br/pecas_arq/indexpecas.htm

    Envie seu trabalho via E-mail. Nós o publicaremos nesta página.
    webmaster@brasilmacom.com.br

  9. ADILSON M SOUZA disse:

    Ao Venerável Mestre Serafim Rocha
    S.F.U
    Trabalho Grau do Aprendiz Franco Maçom
    Trabalho impressões sobre minha iniciação
    Câmara das reflexões

    Elaborado por: Adilson Moreira de Souza CIM/ID-233562
    Loja: Humanidade – SALTO – SP

    1) Introdução
    O que significa a Maçonaria aos olhos do Profano? Posso afirmar que já me passaram varias versões, diferentes desde uma associação voltada a filantropia até uma sociedade voltada ao culto ao Demônio. Versão esta como sabem sustentada por muitos.
    A vida, me levou por motivos que desconheço a nunca ter conhecido um Maçon, até minha primeira oportunidade foi quando apresentei-me na entrada desta loja ao IIr. Olavo, expressando a minha vontade em entrar para este grupo.
    O que me levou a este ato? Talvez um pouco de curiosidade, por analisar as contradições existentes entre o mundo e o mapa de mundo que a sociedade como um todo nos apresenta. Talvez por um impulso interno de origem desconhecida que me fez acreditar na existência de algo novo e bom por detrás da realidade que o mundo me apresenta a todos.
    2) Das Impressões iniciais Sessão Magma

    Não vou negar que, o que encontrei na maçonaria é muito mais do que esperava o IIr. Olavo ao comunicar-me que tinha sido aceito o meu ingresso nesta augusta e respeitável loja, me avisou que a Maçonaria é como uma escola onde o aluno entra e progride a medida que alcança maiores conhecimentos.

    No dia de minha iniciação ao chegar o IIr. Olvavo veio me receber e informou que se daria inicio a cerimônia de iniciação e que tudo que acontecesse era simbólico e que mais tarde entenderia o seu real significado.

    Realmente da cerimônia inteira na ocasião não vou negar, pouco consegui guardar analisar e refletir sobre o que me foi apresentado naquele momento.

    Hoje vejo que cada passo, cada etapa, cada gesto realizado é um símbolo com muitos significados. Significados que só uma pessoa que esteja aberta ao aprendizado conseguira entender, o significado de cada símbolo, de cada lição, de cada ato.

    Lições estas que abrem a mente levando cada um de nós, a uma maior compreensão do mundo. Levantando duvidas, questões que fazem com que analisemos o nosso mapa de mundo buscando identificar as incoerências, na busca da verdade pessoal.
    Ou seja a verdade analisada, questionada, identificada e refletida, Verdade esta nunca imposta, mas gerada por cada um de nós da pura reflexão sobre os valores pessoais e do papel de cada pessoa com sigo própria, com sua família, com sua pátria, com a humanidade e com Deus.

    Podemos afirmar que pessoas que tiveram este tipo de postura, alteraram com o exemplo de suas vidas, de suas lutas, de seus valores, o destino da humanidade.

    Sobre as pessoas que tem o conhecimento paira uma grande responsabilidade!

    Pois quando o homem adquire conhecimento ele adquire poder!

    “Praticamente qualquer um pode suportar a adversidade, mas se quer testar o caráter de alguém, dê-lhe poder ! (Abraham Lincoln)”

    Por isso da exigência preliminar na admissão de qualquer novo Maçon. Que este seja Livre e de Bons Costumes.

    • Livre para poder apreender.

    • E de bons costumes para que este utilize o seu aprendizado para o bem da humanidade e de cada um de seus semelhantes.

    Como surge um Macon? O Maçon já nasce feito?, Ou seja por algum motivo especial, este ira procurar até alcançar o conhecimento que o libertará de suas algemas e o fará livre ?

    Particularmente acredito que o Grande Arquiteto do Universo deixou uma mensagem clara a todos nós, que verdade é verdade em qualquer lugar!

    A busca desta verdade inicia-se no nascimento e desde então cada pessoa esta procurando-a incansavelmente de forma consciente ou inconsciente!

    Hoje eu vejo que parte desta verdade me foi revelada na Câmara de reflexões e nas demais provas que seguiram a cerimônia de iniciação. Naturalmente o conhecimento de todo o seu contesto e significado só será entendido plenamente com o tempo, estudo e na busca do aperfeiçoamento continuo.
    3) Câmara das reflexões

    Lembro que ao me deixarem só trancado em um quarto todo pintado de preto comecei analisar o sentido do que estava sendo me apresentado a pequena mesa, a caveira, os escritos, o testamento o questionário, senti neste momento que cada objeto ali apresentado tinha o seu significado simbólico.

    • O QUARTO ESCURO

    Conta-se uma historia: “Em que existia uma caverna onde as pessoas eram acorrentadas e deixadas-la, os únicos conhecimentos que tinham se resumiam ao pouco que enxergavam, ou seja, praticamente nada. O tempo se passou e as pessoas desta caverna passaram a acreditar que seu mundo era composto simplesmente da realidade que conheciam e se recusavam em acreditar na existência de um mundo mais amplo.

    Até que um dia uma das pessoas que estavam presas conseguiu se soltar e sair fora da caverna, e viu pela primeira vez a luz do dia! Seus olhos naturalmente não se adaptaram a esta mudança tão brusca, porem aos poucos ela foi enxergando uma nova realidade completamente diferente que estava acostumada e viu como tudo isso era bom. Lembrou-se rapidamente dos amigos que estavam presos e retornou para contar-lhes o que tinha descoberto.
    Grande foi sua surpresa quando verificou que seus amigos não acreditavam no que ele dizia, e viam que ele tinha voltado pior falando coisas estranhas e que não faziam sentido na realidade que o grupo conhecia”.

    Vejo que este também é o significado simbólico colocado pela câmera das reflexões com suas paredes pretas com pouca luz, simboliza o mundo que me encontrava naquele momento o de escuridão o de falta de conhecimento e de falsas crenças o mundo que a maioria das pessoas enxergam como seu mundo.

    • AS MENSAGENS ESCRITAS

    O homem tem utilizado da escrita dos desenhos, dos símbolos como forma de passar uma mensagem, um conhecimento que muitas vezes faladas não estariam demonstrando o seu real significado.

    Porem a escrita é uma poderosa forma de comunicação e conscientização das pessoas e um dos pontos que me chamou especial atenção enquanto estive na câmara das reflexões foi um texto que dizia “Se queres entender o significado da vida pense na morte” esta faze nos leva direto a questões que a humanidade vem procurando solucionar desde o inicio dos tempos

    De onde viemos?, Porque vivemos?, Para onde vamos?

    No meu caso especificamente me levou a pensar. Que mensagem estarei deixando de legado sobre minha existência, as pessoas que amo? O que direi a Deus quando este me perguntar. Filho meu que fizestes da vida que lhe concedi?

    • O GRÃO DE TRIGO

    O grão de trigo, também simboliza uma característica existente em cada pessoa em cada ser humano, ele simboliza a semente geradora da vida. Ou seja dentro de cada pessoa existe uma força enorme dada pelo Grande Arquiteto do Universo, a capacidade de crescer e se desenvolver e de aprender !. Porem muitas sementes são lançadas em solo ruim sem água, com outras plantas que impedem o seu desenvolvimento pois roubam-lhe a luz e o calor.

    Desta forma a semente não consegue se desenvolver pois lhe é negada as condições mínimas para o seu crescimento.

    • O PÃO E A ÁGUA

    São elementos básicos para a sobrevivência do ser humano, sem alimento e água homem perece.
    O símbolo do pão tem vários significadas históricos e religiosos, simboliza a transformação da matéria prima, da semente do trigo que nasceu, cresceu, deu frutos se multiplicou e desta forma permitiu que de seus grãos se transformassem em uma nova substancia, em algo importante que garante a preservação do ciclo da vida.

    O símbolo da água é um dos principais fatores que promove a sustentação da vida a Substancia Mãe que permite o crescimento e o desenvolvimento de tudo que é vivo

    • O SAL E O ENXOFRE

    Assim como o Trigo, o Pão e a Água simbolizam a substancia e sua capacidade de crescimento o Sal e o Enxofre simbolizam a energia que interage no processo permitindo que o crescimento ocorra, esta energia deve ser dosada, deve buscar o ponto de equilíbrio. O mundo criado pelo Grande Arquiteto do Universo é um exemplo vivo deste equilíbrio de forças existentes onde vemos o papel desta energia fundamental que permite a transformação das substancias em novas substancias.

    Quando uma destas forças é alterada o mundo sente e sofre as conseqüências desta alteração ira se refletir em todos os seres vivos de uma forma maior ou menor, mas afetará a todos.

    • O MERCÚRIO VITAL

    O Mercúrio vital, simboliza todo o processo de transformação do homem, é o seu refinamento a retirada das impurezas até que se obtenha o produto final sem impurezas um elemento precioso! Este elemento precioso para o homem é a sabedoria nascida da transmutação por meio da sublimação e refinamento da ignorância, do erro, do temor e da ilusão.

    Este produto raro e precioso é o que transforma os humanos em pessoas especiais! Especiais não para elas, mas especiais para o mundo!

    “Vós sois o sal da terra e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo: não se pode esconder uma cidade sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
    Mateus 5,13-15”

    • O TESTAMENTO (Ordinário / Profano)

    O testamento Profano simboliza a Morte, o fim da existência da pessoa.As suas ultimas vontades e aspirações desta.

    Já o Testamento Ordinário, trata-se de um testamento iniciático um testamento simbólico é uma preparação para uma nova vida, um novo estagio de consciência e de liberdade a que o iniciante se propõem alcançar.

    Para isso ele é levado a meditar e responder questões que possivelmente nunca tenha formulado para si próprio, questões simples porem de um significado enorme!

    a) Quais são os vossos deveres com Deus?
    b) Quais são os vossos deveres com a Humanidade?
    c) Quais são os vossos deveres com a Pátria?
    d) Quais são os vossos deveres com a Família?
    e) Quais são os vossos deveres com sigo mesmo?

    O homem é uma manifestação concreta de seu pensamento consciente e subconsciente, sua maneira de ser, sua atividade e seus valores pessoais.

    As respostas deste questionário não simbolizam o final e sim o começo da construção do pensamento.

    Podemos abrir uma semelhança com a simbologia da Pedra Bruta, que a medida que trabalhamos, aprendemos, vamos tornando-a mais lisa, assim também ocorre com relação aos pensamentos, atividades e valores pessoais.
    4) Conclusão

    A sessão Magma, coloca para o Iniciante, muitos conceitos simbólicos que só serão entendidos com a dedicação, estudo e trabalho! De nada adianta termos as informações que nunca foram utilizadas, ou seja, nunca se transformaram em conhecimento efetivo ! De nada adianta o conhecimento se não o multiplicarmos com as demais pessoas pois ele acabará morrendo dentro de nós !

    Um texto de Berthold Brecht nos coloca o seguinte pensamento:

    Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor de nosso jardim
    e não fazemos nada!
    Na segunda noite já não se escondem, pisam nas flores,
    matam o nosso cão e não fazemos nada!
    Até que um dia,
    O mais frágil deles
    Entra sozinho em nossa casa,
    Rouba-nos a Luz e
    Conhecendo o nosso medo,
    Arranca nossa voz da garganta
    E já não podemos fazer mais nada !

    5) Bibliografia

    • Manual do Aprendiz Maçon
    • Ritual do Primeiro Grau do Aprendiz (2001)

  10. ADILSON M SOUZA disse:

    Ao Venerável Mestre Amauri
    S.F.U
    Trabalho Grau do Aprendiz Franco Maçom
    Trabalho A Caridade

    Elaborado por: Adilson Moreira de Souza CIM/ID-233562
    Loja: Humanidade – SALTO – SP

    1) Introdução

    Qual o significado da palavra Caridade ?

    Se procurarmos a definição nos dicionários da língua portuguesa podemos encontrar as seguintes definições:

    Caridade [Do lat. caritate.]

    Substantivo feminino.

    1.No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus; ágape, amor-caridade.
    2.Benevolência, complacência, compaixão.
    3.Beneficência, benefício; esmola.

    Esta palavra sempre esteve relacionada a maioria das religiões como uma das virtudes mais importantes a ser exercida pelo ser humano na busca de seu encontro pessoal com o Divino.

    Neste ponto podemos perguntar se a caridade é uma característica nata do ser humano ou esta deve ser desenvolvida em busca de um aperfeiçoamento pessoal e com isto alcançar uma aproximação com o Divino?

    Dificilmente conseguiremos chegar a uma conclusão se não buscarmos mais a fundo a origem da Caridade e principalmente identificar se a Caridade é Causa ou Efeito ?

    O homem por ser caridoso se aproxima de Deus ? ou O homem ao que se aproximar de Deus se torna caridoso ?

    Acredito que para encontrarmos a resposta desta pergunta devemos buscar identificar o significado dos símbolos e da própria filosofia maçônica manifestada através dos mesmos.
    2) O principio da Unidade do Todo
    A Primeira Lei ou Princípio, cujo reconhecimento caracteriza e distingue constantemente ao Verdadeiro filósofo iniciado, é a da Unidade do Todo ou, como diziam os antigos: “En to Pan” – “Uno o Todo”. O Todo é Uno em sua Realidade, em sua Essência e Substância íntima e fundamental; tudo vem da Unidade; tudo está contido e sustentado pela Unidade; tudo se conserva, vive, é e existe na Unidade; tudo se dissolve e desaparece na Unidade.
    A Unidade está simbolizada naturalmente pelo ponto, origem da linha reta, do círculo e de toda figura geométrica (o ponto superior que refletindo-se em seu aspecto dual, representado pelos dois pontos inferiores, forma os três pontos ( que caracterizam os maçons).
    O Ponto, enquanto simboliza a Unidade, é um centro, o Centro do Todo, o Centro Onipresente, no qual estão contidos, em sua totalidade e unidade, o espaço, o tempo e todas as coisas existentes. Não tem lugar onde não se encontre e que não seja uma manifestação ou aspecto parcial desta Sublime Unidade que constitui a Eternidade e o Reino do Absoluto.
    Este Todo, é evidentemente, o ser, isto é, o que é Ego aqui a definição da Realidade que constitui o Grande Todo, a Essência e Substância de todas as coisas, potencialmente contido em todo “ser” e parcialmente manifestado em toda existência, e no qual vivemos, nos movemos e temos nosso ser.
    O conhecimento do Uno (um conhecimento que para ser tal deve superar a ilusão da dualidade, entre “sujeito conhecedor” e “objeto conhecido”, que é a base de todo conhecimento ordinário) é o objeto supremo de toda filosofia e de toda religião: todo conhecimento relativo que se funde neste reconhecimento da Unidade do Primeiro Princípio que tem sua base na Realidade; toda ciência ou conhecimento que dele se descuidar, não será a verdadeira ciência nem o verdadeiro conhecimento, uma vez que descansa fundamentalmente na ilusão.
    Conhecer a Unidade do Todo, é pois, conhecer a Realidade, “o que é” verdadeiramente; e não reconhecê-la, ou admitir implicitamente que pode haver dois princípios fundamentais e antinômicos, ou que não há unidade e identidade fundamental entre duas coisas ou objetos em aparência diferentes, significa viver ainda no Reino da Ilusão ou na aparência das coisas e não saber discernir entre o real e o ilusório.
    A Luz Maçônica consiste neste discernimento fundamental, que nos faz progredir constantemente em inteligência desde o Ocidente, que é o Reino da Ilusão, da Multiplicidade e da Aparência, em direção ao Oriente, que é o Reino do Real, da Unidade e do Ser. No Ocidente vemos o Uno manifestado na diversidade de seres e coisas diversas, sem aparentes laços ou relações entre si, enquanto que no Oriente reconhecemos a Unidade na multiplicidade (Unidade essencial, substancial e imanente, numa multiplicidade aparente, contingente e transitória) e o laço ou relação interior que unifica a multiplicidade exterior.
    3) A Linha Reta
    A linha reta, produzida pelo movimento do ponto de um a outro extremo , é o emblema da vida individualizada, nascida da Unidade do Ser, assim como de todo movimento ou passo do ponto numa infinita sucessão de pontos, que caracterizam o Espaço, ou a Eternidade na infinita sucessão de momentos que formam o Tempo, tal como o conhecemos.
    Finalmente, a linha reta representa uma relação ininterrupta entre os dois infinitos que marcam seus limites extremos, isto é, entre os dois aspectos antinômicos e complementares da Unidade Mãe, fazendo-nos ver uma vez mais, a unidade fundamental da Dualidade Aparente no mundo manifestado.
    4) A dualidade da manifestação

    O mundo está imerso na dualidade do ser e existir, encontramos opostos em tudo o que fazemos, sentimos, vemos, tocamos.

    A dualidade é reflexo do principio criador ao qual chamamos de G.´. A.´. D.´. U.´. (Deus)

    O principio criador que se manifesta em tudo que existe é força que se manifesta através dos opostos que se completam, Dia, Noite, Bem, Mal, Felicidade, Tristeza, Amor , Ódio são exemplos desta força que vemos, sentimos e não compreendemos.

    Dentro da dualidade está o principio da criação o Pai e a Mãe da existência, a perfeição só encontrada em Deus

    Na dualidade encontramos a substancia e forma, a matéria e a energia que juntas possibilitam as constantes transformações identificamos em tudo desde aos princípios mais elementares da natureza até o aperfeiçoamento moral e ético do ser humano.

    É esta dualidade que simbolicamente nós Maçons vemos na figura do Sal e do Enxofre.
    5) O tríplice sentido

    Ao identificarmos na dualidade o Pai e Mãe de tudo que existe, notamos a manifestação da terceira força, o filho o resultado da fusão da substancia e da forma, da matéria e da energia.

    Desta interação surge a criação, o filho, o resultado da criação a evolução. Evolução esta que se reflete em tudo que existe de forma perfeita e harmoniosa.

    Porem o pleno entendimento desta terceira força,só pode ser alcançado pelas pessoas através da razão, neste ponto não podemos deixar as paixões e crenças nos levarem a um entendimento distorcido da realidade.

    O entendimento desta realidade através da razão é a ferramenta que o G.´. A.´. D.´. U.´. fornece a cada pessoa que busca entender o mundo que se apresenta a todos.

    Sócrates acreditava que a principal diferença que diferenciava o homem dos animais é a capacidade de pensar de utilizar a razão a voz interior que cada pessoa tem dentro de si que o liga ao principio criador.

    E esta ligação com o principio criador, que para nós Maçons permite que entre o Sal e o Enxofre extraia-se o Mercúrio Vital produto que simboliza, pureza, sabedoria nascida da transmutação por meio da sublimação e refinamento da ignorância, do erro, do temor e da ilusão.
    6) O Angulo
    O ângulo, no qual duas linhas diferentes partem de um único ponto originário, divergindo ao prolongar-se à medida em que se afastam de sua origem, representa outra imagem característica da dualidade, proveniente de uma unidade preantinômica e imanente, na qual está sua origem e sua raiz.
    O ponto central no qual se unem e do qual partem as duas linhas divergentes, corresponde ao Oriente, o Mundo da Realidade, no qual tudo permanece no estado da Unidade Indiferenciada e Indivisível. A parte oposta corresponde ao Ocidente, o domínio da realidade sensível, na qual a própria Realidade Transcendente aparece dividida ou separada nos dois princípios simbolizados pelas duas colunas.
    Enquanto a manifestação flui constantemente do Oriente para o Ocidente, ou seja, do domínio da Realidade ao da aparência, da Essência à Substância, do Ser à forma e do Espírito à matéria, o conhecimento ou progresso iniciático, representado pela Luz Maçônica, caminha em sentido contrário, do Ocidente ao Oriente ou seja, desde os extremos do ângulo em direção à sua origem.
    7) O Binário

    O mundo está imerso na dualidade do ser e existir, encontramos opostos em tudo o que fazemos, sentimos, vemos, tocamos.

    A dualidade é reflexo do principio criador ao qual chamamos de G.´. A.´. D.´. U.´. (Deus)

    O principio criador que se manifesta em tudo que existe é força que se manifesta através dos opostos que se completam, Dia, Noite, Bem, Mal, Felicidade, Tristeza, Amor , Ódio são exemplos desta força que vemos, sentimos e não compreendemos.

    Dentro da dualidade está o principio da criação o Pai e a Mãe da existência, a perfeição só encontrada em Deus

    Na dualidade encontramos a substancia e forma, a matéria e a energia que juntas possibilitam as constantes transformações identificamos em tudo desde aos princípios mais elementares da natureza até o aperfeiçoamento moral e ético do ser humano.
    8) O Ternário
    Todo par de elementos ou princípios opostos e complementares encontra um terceiro elemento, o intermediário equilibrante ou Princípio de Harmonia, reflexo no mundo do relativo da Unidade Preantinômica originária.
    Assim cessa o conflito dos dois opostos (Sal e Enxofre) e a dualidade faz-se fecunda e se resolve em impulso evolutivo, construtivo e progressista (Mercúrio Vital).
    Platão diria que entre a forma (Alma) e a Substancia (Matéria), surge o produto !, Nós somos o produto desta grande obra realizada pelo G.´. A.´. D.´. U.´. (Deus)
    9) Liberdade, Igualdade e Fraternidade
    9.1) Liberdade
    A nossa constituição, a Declaração de Direitos Humanos entre outras leis reconhecidas por todas as nações do planeta, fala da Liberdade!
    Porem esta liberdade leva ao homem a uma escravidão ligadas ao vicio e a paixão. A real liberdade deve ser alcançada com a aquisição, interior, fundamentalmente independente da liberdade externa que pode ser outorgada pelas leis e as circunstancias da vida. É a liberdade que se adquire buscando a Verdade e é forçando-se do erro e da ilusão, e dominando as tendências viciosas, hábitos negativos e paixões destrutivas.
    É a liberdade que encontramos, e que sempre nos é dado conservar quando agimos de acordo com nossos princípios, ideais e convicções íntimas, buscando o que seja melhor em si e por si, melhor que buscando nosso guia inspirador nas aparências externas, modificando e regrando segundo estas, nossa linha de conduta e nossas ações.
    9.2) Igualdade
    A igualdade, do mesmo modo baseia-se na consciência da identidade fundamental de todos os seres, de todas as manifestações do Espírito ou Suprema Realidade, por cima e por trás de todas as diferenças exteriores de direção e grau de desenvolvimento. Esta igualdade, é a que nos proporciona uma justa e reta norma de conduta com todos nossos semelhantes, e nos atribui e nos faz ocupar o lugar que nos pertence no edifício da sociedade, e em qualquer outro edifício particular ao qual tivermos sido chamados a trabalhar.
    Interiormente a Igualdade é a capacidade de nos sentirmos iguais em todas as circunstâncias e condições exteriores, e em todo posto ou lugar que possamos temporariamente ocupar: é a igualdade que devemos tratar de cultivar em nossos sentimentos para com os demais, independentemente de suas palavras e ações para conosco, e com uma igual serenidade nas condições favoráveis como nas adversas, na fortuna e na desgraça, no êxito e no fracasso, na perda e no ganho, ou seja, diante de todos os pares de opostos.
    9.3) Fraternidade
    A fraternidade, deve considerar-se como a soma e o complemento da liberdade individual e da igualdade espiritual, das que constitui a adaptação prática, sendo como a base do triângulo formado por essas duas linhas divergentes. A Fraternidade é pois, tolerância com relação à liberdade, e compreensão com relação à igualdade, manifestada na desigualdade.
    Praticamente a Fraternidade pode, entretanto, estabelecer seus laços unicamente entre os que se sentem Irmãos, ou seja, efetivamente filhos de um mesmo Pai, o Princípio Universal da Vida ou Ser Supremo, e de uma mesma Mãe, a Natureza, que a todos igualmente deu origem, sustentando-nos e nos alimentando. Com esse reconhecimento a Fraternidade faz-se efetiva, e segundo se generalize, chegará a espalhar-se sobre toda a terra e todos serão, como deveria e como deve ser, a relação normal entre todos os homens e povos.
    10) Conclusão

    Após analisarmos todos os princípios acima descritos chegamos a conclusão que a caridade, não é causa se não efeito de uma conduta que busca alcançar a integridade do ser humano. Não se baseia somente no tronco da beneficência, que tem como finalidade o auxiliar as pessoas que se encontram em dificuldade.

    A verdadeira caridade surge quando vemos em cada pessoa um irmão. Irmão este de deve desfrutar da mesma Liberdade sendo ele perante você e qualquer outro Igual em todos os aspectos independentes de cor, raça, credo, sexo, etc…

    A caridade desta forma é reflexo da fraternidade que surge do encontro da Liberdade e da Igualdade entre todas as pessoas de modo que cada um se veja refletido no outro.

    É um estagio de consciência que estamos longe de alcançar, ainda estamos impregnados pela omissão que nos faz permanecermos reclusos em nosso mundo pessoal, e não buscar a transformação da realidade.

    E por que ficamos reclusos em nosso pequeno mundo outorgando a outras pessoas a responsabilidade de resolver os problemas como se a responsabilidade pelos mesmos não fosse nossa.

    Neste ponto nós maçons buscamos através do estudo a visualização da verdadeira realidade, buscando sair da caverna e alcançar a luz e através desta luz contagiar as pessoas.

    Porem quando nos acomodamos nesta situação é como se aos poucos uma nova caverna se formasse ao nosso redor e novamente as correntes da escravidão se fecham e novamente retornamos a situação de escravos.

    Desta forma o nosso trabalho reflete uma evolução constante. Esta evolução só é possível a medida que as interações entre o Oriente e o Ocidente aumentam e com isto criamos uma nova manifestação da realidade que é superior e mais próxima da verdadeira realidade que vem do eterno oriente.

    A Fé consiste em Crer para Ver, porem a maioria de Nós só cremos quando vemos. Algumas pessoas de nossa historia tiveram tanta Fé no que faziam que conseguiram mesmo a custa de suas vidas transformar o mundo.

    Oração de Madre Teresa de Calcutá

    Muitas vezes o povo é egocêntrico, ilógico e insensato,
    Perdoe-o assim mesmo.

    Se você é gentil, o povo pode acusá-lo de egoísta e interesseiro.
    Seja gentil assim mesmo.

    Se você for um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
    Vença assim mesmo.

    Se você é honesto e franco, o povo pode enganá-lo.
    Seja honesto e franco assim mesmo.

    O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
    Construa assim mesmo.

    Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja.
    Seja feliz assim mesmo.

    O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã.
    Faça o bem assim mesmo.

    Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
    Dê o melhor de você assim mesmo.

    Veja você que, no fim das contas, é entre VOCÊ E DEUS.
    Nunca foi entre você e o povo.

    – Madre Teresa de Calcutá –
    11) Bibliografia
    • Manual do Aprendiz Maçon
    • Ritual do Primeiro Grau do Aprendiz (2001)

  11. ADILSON M SOUZA disse:

    Ao Venerável Mestre Amauri
    S.´.F.´.U.´.
    Trabalho Grau do Aprendiz Franco Maçom

    Ferramentas do Grau
    Elaborado por: Adilson Moreira de Souza CIM/ID-233562
    Loja: Humanidade – SALTO – SP

    1) Introdução
    Hoje as vezes me sinto perdido dentro de um mundo em constante transformação, nossos pais não nos prepararam para a realidade que hoje nos apresenta, os consultórios dos psicanalistas nunca estiveram tão lotados as doenças da mente estão cada vez mais presentes, surgindo novas síndromes a cada dia. Sem duvida estes problemas surgem pelo despreparo do espírito para enfrentar a realidade que hoje nos é apresentado.

    A Maçonaria Operativa era responsável pela construção de templos trabalho este penoso e que muito exigia de seus obreiros. Hoje a Maçonaria de hoje nos apresenta um trabalho muito mais pesado que é a construção do templo dentro de cada um de nós.

    Este templo é que ira nos sustentar nas constantes mudanças do mundo e nos fortalecer na Obra do G.´.A.´.D.´.U.´. de construir um mundo de Liberdade Fraternidade e Igualdade

    Este trabalho é baseado na utilização da Matéria Prima (Pedra Bruta) e de ferramentas que nos auxiliaram na construção do Templo (Esquadro, Compasso, Nível, Prumo, Maço, Régua, Cinzel)

    2) Esquadro

    Nos estudos desenvolvidos muitas interpretações simbólicas são dadas a esta ferramenta. Poder intuir desta forma que ela nos será útil para a realização de muitos trabalhos que vão nos auxiliar na construção de nosso templo.

    A Base desta construção sem duvida é a qualidade da matéria prima que estamos empregando nesta atividade (Pedra Bruta) corretamente desbastada e preparada para a construção do templo.

    O esquadro nos apresenta a necessidade de sermos corretos rígidos com relação aos nossos princípios morais ou éticos, pois somente desta forma conseguiremos desbastar a pedra Bruta e deixa-la no formato adequado a sua utilização.

    O esquadro também nos apresenta em seu ângulo formado de 90 graus que é a 4 parte da circunferência sendo a Circunferência completa que representa a unidade dentro do circulo da continuidade.

    Ou seja deste mundo nada levamos, viemos do pó e ao pó retornaremos e acredito que esta seja realmente a vontade do G.´. A.´. D.´. U.´. ao nos enviar para este trabalho. Pois o resultado deste trabalho é nosso legado as gerações futuras que vão nos suceder, assim tem sido desde o inicio dos tempos e assim temos verificado na historia da Maçonaria e de seus grandes trabalhos desenvolvidos.

    Outro ponto que podemos verificar ao analisar a simbologia do esquadro que ao dividir a circunferência em quatro partes, esta divisão formula o caminho que devemos trilhar buscando alcançar a sabedoria interior, lutando contra os contrates oposições que reinam no mundo material e devem ser enfrentadas com harmonia que provem do reconhecimento da unidade interior

    3) Compasso

    No simbolismo maçônico esses dois instrumentos (Esquadro e Compasso) estão sempre associados, o Esquadro como vimos, cuja propriedade e tornar os corpos quadrados, com ele seria impossível fazer um corpo redondo.

    O Compasso ele se compõe essencialmente de dois braços articulados e ligados por um eixo, e o símbolo do espírito e descreve círculos cujo centro ele indica nitidamente, assim como os raios e o diâmetro. Intelectualmente o compasso é a imagem do pensamento nos diversos círculos que ele percorre, o afastamento de seus braços e sua aproximação representam os diferentes modos do raciocínio que, de acordo com as circunstancia devem ser abundantes e amplos, ou precisos e estreitos, mas sempre claros e persuasivos . O compasso e o símbolo do relativo, lembra uma figura humana, tem uma cabeça e dois braços, que se afastam a vontade, eles medem o domínio que o gênio humano pode atingir o conhecimento.
    4) Nível

    O nível instrumento fundamental para a edificação das catedrais e templos mil construídos pelos antigos Maçons operativos também é um instrumento importante que nos auxilia na construção do nosso templo interior, nos guiando para que este seja construído na mais perfeita reta.

    A reta que simboliza o caminho a ser trilhado e nos afasta dos vícios e das ilusões que se existem no mundo material. É um instrumento que possibilita que os tijolos sejam colocados um a um em perfeito alinhamento, edificando desta forma o templo dentro dos princípios mais elevados para a gloria do G.´.A.´. D.´.U.´.
    5) Prumo

    Assim como o nível o prumo é a ferramenta que guia os nossos esforços e aspirações para realizar o que há de mais elevado em nossas potencialidades latentes, garante que este esforço em sentido oposto á gravidade dos instintos permita ao Maçon alcançar o aperfeiçoamento espiritual, construindo desta forma em cada palavra e ação a edificação do templo interior que ao mesmo tempo reflete no mundo exterior provocando desta forma a alteração do ambiente e aproximando a humanidade gradativamente na ao plano do G.´.A.´.D.´.U.´. que é a construção do templo dentro do coração da humanidade como um todo.
    6) Maço

    O Maço (Martelo) é a ferramenta que os Maçons Operativos utilizavam em conjunto com o Cinzel para desbastar a Pedra Bruta deixando-a apta para a edificação do templo. Esta ferramenta de trabalho utilizada pelos Aprendizes simboliza a canalização dos esforços de maneira produtiva para que o esforço no desenvolvimento não seja inútil. Simboliza pois a inteligência, o conhecimento, que o aprendiz deve buscar incansavelmente de forma a possibilitar o crescimento espiritual e a conseqüente edificação de nosso templo interior.

    Na Maçonaria o Maço também é simbolizado pelo Primeiro Vigilante pois este representa a força da construção garantindo desta forma a energia para que o trabalho seja executado com perfeição.

    Nota-se porem que o Maço também pode ser utilizado para trabalhos destrutivos, pois esta força se não for orientada pela inteligência não conseguira realizar o trabalho para que se destina.

    7) Régua
    A régua por sua vez traça o caminho que deve o trabalho deve ser realizado sendo também um guia que orienta a sua execução. A régua desta forma é uma ferramenta essencial na edificação do templo, isto parece particularmente certo nos levantamentos históricos realizados com respeito à Grande Pirâmide do Egito. Suas medidas e proporções calculadas escrupulosamente têm revelado que seus padrões arquitetônicos conhecimentos geográficos, astronômicos e matemáticos, não são menos exatos que os que se consideram exclusiva conquista dos nossos tempos.
    É suficiente dizer que a unidade de medida testa pirâmide, o côvado sagrado (que pode ser identificado com a régua maçônica de 24 polegadas) é exatamente a décima milionésima parte do raio polar terrestre, uma medida mais justa e mais exatamente determinada que o metro, base de nossos sistema. Seu perímetro revela um conhecimento perfeito da duração do ano; sua altura, a exata distância da Terra ao Sol, e o paralelo e o meridiano que se cruzam em sua base constituem o paralelo e o meridiano ideais, uma vez que atravessam a maior parte das terras.
    Por outro lado, a precisão com a qual estão cortados e dispostos os enormes blocos de pedra de que se compõem, daria muito o que pensar a um engenheiro moderno que quisesse imitar estas obras.

    Por este motivo temos na régua o símbolo de medida e precisão que orienta nós Maçons no trabalho de lapidarmos a Pedra Bruta, esta guiando as ações que são realizadas na construção do templo cujo o trabalho deseja-se que seja justo e perfeito.
    8) Cinzel
    O cinzel é um instrumento utilizado para trabalhos que exijam apuro e precisão, formado por uma haste de metal em que um de seus lados é perfuro-cortante e o outro apresenta uma cabeça chata própria para receber o impacto de uma ferramenta contundente.
    O nome correto do cinzel considerando a sua função, seria “escopro”, do latim “scalprum”, derivando a palavra “esculpir”.
    O cinzel é a ferramenta que impulsionada pelo maço fere a Pedra produzindo a emergia propagadora necessária para a transformação da Matéria Prima, essa energia o Aprendiz também recebe quando é atingido pelo cinzel e maço impulsionado pelo G.´.A.´.D.´.U.´..

    O cinzel recebe o impacto do maço, dirigindo a força recebida de forma útil e ordenada, simbolizando o discernimento, a inteligência que dirige a força de vontade. O que representa o cinzel? Corresponde ao 2º vigilante, porque como este representa o elemento da beleza, o cinzel é o instrumento com que o maçom cinzela a pedra bruta, nela criando linhas superficiais e molduras para o embelezamento da construção.

    Simbolicamente, modela o espírito e a alma de acordo com os mandamentos da sabedoria milenar, representa as nossas faculdades morais e espirituais, subordinadas ao nosso saber e à nossa prudência.

    8) Conclusão

    A maçonaria como uma instituição simbólica e filosófica instituiu uma serie de símbolos no decorrer de sua existência procurando demonstrar ao homem a relatividade de seu conhecimento. Sócrates a milhares de ano definiu este conhecimento com a frase conhecida “Tudo que sei é que nada sei” ou seja o conhecimento de toda a humanidade não passa de um grão de areia, neste vasto universo criado pelo G.´.A.´.D.´.U.´., Porem nos é confiado pelo G.´.A.´.D.´.U.´. uma missão, trabalhar incansavelmente pela evolução, tendo como princípios básicos a exaltação da virtude e o combate ao vicio.

    Para garantir que estes trabalho seja realizado de maneira justa e perfeita a maçonaria busca, através de sua simbologia e das ferramentas por ela utilizada a identificação da verdade, dos valores pessoais, trabalhando par torna-los adequados ao trabalho de edificação do templo e com isso contribuindo para que as gerações seguintes continuem o trabalho realizado pelos seus antepassados, ou seja a construção do grande templo universal, fundamentado em três pilares mestres: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

    9) Bibliografia
    • Manual do Aprendiz Maçon
    • Ritual do Primeiro Grau do Aprendiz (2001)
    • Trabalho o maço e o cinzel – Ir. Adriano Miessi

  12. ADILSON M SOUZA disse:

    Ao Venerável Mestre Amauri
    S.´.F.´.U.´.
    Trabalho Grau do Aprendiz Franco Maçom

    SIMBOLISMO
    Elaborado por: Adilson Moreira de Souza CIM/ID-233562
    Loja: Humanidade II – SALTO – SP

    1) Introdução

    O que é Maçonaria? Quais os seus reais princípios, o que os Maçons buscam alcançar? Estas e outras questões são formuladas muitas vezes pelos profanos e inúmeras respostas são dadas, algumas coerentes e muitas sem o menor valor criadas pela pura imaginação ou mesmo pelo espírito de maldade, buscando desqualifica-la aos olhos de todos.

    Porem notamos que mesmo com todas as perseguições, que a Maçonaria sofreu no passar dos tempos ela continua refletindo os mais altos ideais humanos voltados pela causa da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

    O simbolismo tem tido papel fundamental para garantir a passagem dos ensinamentos para as novas gerações de modo a garantir a continuidade da grande obra que é a construção do Templo Universal, projetada pelo G.´. A.´.D.´.U.´. e que os maçons se dedicam em sua edificação desde o inicio dos tempos.

    2) O SIMBOLISMO E A MAÇONARIA
    ]
    O ser humano sempre buscou identificar formas de se passar o conhecimento, um dos meios mais antigos utilizados é através da utilização do simbolismo.

    O simbolismo é mais antigo que a escrita e sempre foi importante ferramenta para se passar o conhecimento iniciatico. Esta ferramenta era utilizada pois possibilitava a passagem de vários conhecimentos através do símbolo dependendo do ângulo que a pessoa o analisa.

    Podemos dizer que os símbolos podem ser divididos em duas sub-categorias:

    a) Os símbolos naturais
    b) Os símbolos artificiais

    Os símbolos naturais tem como característica sugerirem a nossa mente a sua natureza, idéias e conceitos. São produtos da sugestão e associação. Uma nuvem escura é um símbolo natural que sugere tudo aquilo que relaciona a tempestade.

    O símbolos artificiais, entretanto são criados por um homem ou um determinado grupo, para representarem suas próprias idéias. Tais símbolos tem significado somente para os membros deste grupo nada significando para outros grupos.

    Só podemos considerar símbolo aquele que reúne em si as seguintes características:

    • Polissignificabilidade
    • Polisimbolicabilidade
    • Gradatividade
    • Fusionabilidade
    • Singulariedade
    • Universalidade
    • Função Simbólica

    A maçonaria operativa cansada e saturada por séculos de guerras político-religiosas desiludida das religiões e do caos moral, Os Maçons especulativos surgidos a partir do século XVIII, voltaram suas vistas para o simbolismo das religiões da antiguidade, tentando redescobrir os símbolos dom passado e o seu conteúdo doutrinário deturpado e desfigurado.

    Em conseqüência dos estudos empreendidos pelos estudiosos. Formou-se a simbologia maçônica, nela são compreendidos símbolos das mais variadas origens e procedências, que podem ser divididos em cinco classes principais:

    • Símbolos místicos e religiosos tradicionais
    • Símbolos tirados da arte da construção
    • Símbolos Alquímicos
    • Símbolos possuindo um significado particular
    • Outros símbolos

    O Símbolo na Iniciação

    Ao adquirir seu aspecto iniciatico a partir do século XVIII, A singela recepção das Lojas Operativas, foi transformando-se o ritual, enriquecendo-se e complicando-se a liturgia. Durante todo o século XIX até chegar á iniciação maçônica atual com seu brilhante cortejo simbólico.

    Pretende-se através da iniciação é passar ao iniciado a consciência de uma responsabilidade maior não somente com o ser humano, com a vida espiritual, mas também como homem e cidadão. É isto que os antigos faziam por meio dos ritos iniciaticos, submetendo os aprendizes a exercícios mentais, intelectuais e pela meditação permitindo desta forma a eles alcançarem o despertar de uma vida interior intensa e, assim, a uma compreensão melhor da vida.

    O silêncio

    O silencio é exigido aos iniciados desde a mais alta antiguidade, tão grande era o valor que os antigos davam a esta virtude, que a divinizaram sob a forma de uma criança com os dedos sobre os lábios, como se ela recomendasse não falar.

    Neste ponto verificamos novamente a sabedoria antiga valorizando um dos aspectos menos encontrado hoje no mundo em que vivemos. O homem está tendo pouco tempo para escutar e meditar, estamos agindo por impulso sem analisarmos o verdadeiro significado dos problemas que o G.´.A.´.D.´.U.´. no apresenta. Com isto constantemente erramos as nossas medidas e com isto falhamos na construção do templo, necessitando por muitas vezes re-começar. Este esforço poderia ser evitado se dedicássemos um tempo a escuta e meditação, buscando alcançar a sabedoria interior que o G.´.A.´.D.´.U.´. nos concedeu a fim que fossemos capazes de realizar a sua obra justa e perfeita.
    Outro ponto importante para analisarmos é a relação entre o Segredo e o Silencio, inseparáveis nos antigos mistérios como em todos os cultos. Achava Aristóteles que as coisas mais difíceis de serem realizadas eram:

    • Guardar um segredo
    • Manter silencio

    Por isto também, o silencio foi exaltado em todas as escolas iniciaticas como eterno dever do homem.

    Pitágoras, por exemplo, submetia os seus discípulos a uma prova de silencio que durava anos. Pelo domínio de si mesmo e pela reforma de seu caráter, o iniciado deve procurar aperfeiçoar sua personalidade e com isto adquirir uma firmeza serena que lhe a de facilitar o discernimento da verdade objetivo final do iniciado.

    3) ESTUDO SOBRE OS TRÊS PONTOS MAÇÔNICOS

    Origem do Sinal

    O ponto, de pungere, é originalmente um sinal ou mancha semelhante ao que deixa uma picada de agulha. Euclides o definia como “O que não tem dimensão alguma” , sendo, em geometria, a origem de toda linha, como também o lugar onde duas linhas se encontram.

    Ou seja sugeri o inicio, e ao mesmo tempo o encontro de duas vertentes dois pensamentos diferentes, duas ações, duas forças que em algum momento se encontram e se tornam neste ponto únicos.

    Os maçons usam colocar depois de letras três pontos em forma triangular (.´.). Tais letras são geralmente as iniciais de um titulo ou de um termo técnico maçônico, como, por exemplo: G.´.G.´. que significa Grão-Mestre, G.´.O.´., Grande Oriente, etc… Esta maneira de pontuar foi chamada tri pontuada e foi utilizada pelos maçons como abreviatura de certas palavras muito conhecidas.

    Havendo possibilidade de confusão é preferível usar-se a primeira silaba ou as primeiras letras do vocábulo, escrevendo, por exemplo: Ap.´. para evitar confusão com outras palavras como Altar, Arquiteto, etc…

    O plural de uma palavra faz-se dobrando-se a primeira letra. Ex; escreve-se MM.´. para Mestres, e AAp.´. para Aprendizes, etc.

    Os três pontos usados pelos maçons em seus documentos e impressos tem, portanto, sua origem nas abreviaturas, tradição antiqüíssima que a maçonaria trouxe até nós.

    Origem dos três pontos da Maçonaria

    O uso dos três pontos teve inicio na França, onde foram utilizados como abreviatura em documentos maçônicos. Embora não fosse admitido pelos maçons ingleses, o costume foi adotado espalhando-se gradativamente a muitos paises, inclusive os Estados Unidos

    Porem existe vários estudos feitos por estudiosos sérios que remetem estas utilização não só como abreviatura, mas também como símbolo esotérico.

    Outro significado dado aos três pontos é que eles foram utilizados nas abreviaturas dos escritos maçons como ferramentas para desvirtuar o seu significado ante a curiosidade profana. O significado que na realidade se trata de expressar. Com isto constitui um escudo que a maçonaria utiliza para despistar, defender e manter o segredo dos mistérios que só em lojas é possível dar a conhecer.

    Os três pontos tornaram-se pois, um símbolo da discrição o que constantemente é trazido a lembrança dos maçons no momento em que põem sua assinatura. Acredita-se, entretanto, que a idéia de transformar os três pontos em símbolo foi provavelmente sugerida pelo caráter sagrado que o numero Três foi revestido em todos os tempos, relacionando-os com asa tríades, as trilogias, trindade, etc. e daí os simbolistas os associarem ao Delta Luminoso, unidade abstrata que se encontra na base de todas as religiões.

    Interpretações simbólicas dos três pontos

    Para muitos, os três pontos representam a divisa maçônica: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Para outros grandes mestres do simbolismo significam, passado, presente e futuro e Outros ainda vêem nos Três pontos uma figuração da Tese, isto é, da idéia que se defende da antítese, ou seja, da oposição que lhe é feita e da síntese, isto é, da harmonia conseguida entre duas idéias opostas.
    4) O CIRCULO COM UM PONTO CENTRAL

    A Maçonaria anglo-saxonica adota um símbolo esquecido pela Maçonaria Brasileira. Trata-se do símbolo que os maçons de língua inglesa denominam “O ponto dentro de um Circulo”, e que é visto nos painéis das lojas.

    Em muitos rituais do Primeiro Grau, editados no Brasil, existe o desenho de um Painel de Aprendiz, no qual são vistos as três colunas arquitetônicas, o Sol, a Lua, a Estrela Flamejante no alto da escada de Jacó e em baixo desta, um altar quadrado repousando sobre um pavimento mosaico. No meio deste altar nota-se um circulo. Comparando-se, entretanto este desenho com a pintura original, observam-se varias diferenças. O desenho Original mostra o símbolo completo. O Circulo tem um ponto central e duas linhas verticais paralelas tangenciando a circunferência.

    O circulo com um ponto central e seu simbolismo

    O Circulo com um Ponto Central é, inegavelmente um símbolo místico e remonta a mais alta antiguidade. Ele faz parte até das cerimônias e ritos de adoração ao sol predominante entre os antigos

    Este símbolo foi interpretado de varias maneiras, simbolizou: O Sol, O Universo, Deus e o Todo, a Unidade e o Zero, a Unidade – Principio (O ponto) no centro da eternidade (O circulo linha sem inicio e fim), sempre porem relacionados a Deus e a criação.

    5) O TEMPLO MAÇÔNICO

    O Templo Material e o Templo Espiritual

    Os trabalhos de uma Loja moderna, regularmente constituída, deve-se realizar-se em local adequado, especialmente construído para tal fim, ou devidamente adaptado. Este lugar, onde os Maçons se reúnem para celebrar as suas assembléias, chama-se Templo. Ornamentado de acordo com as prescrições de um ritual ele é previamente consagrado segundo um ritual especial.

    Através do simbolismo maçônico, o templo de Salomão tornou-se o arquétipo da Loja, não se entendendo, entretanto que ela deva ser fiel reprodução do Templo de Jerusalém. Trata-se simplesmente de uma alegoria.

    Os maçons operativos foram os antecessores dos maçons modernos e dedicaram-se a edificação de catedrais. Sabe-se que a historia lendária da Maçonaria se refere aos construtores do templo de Salomão. Contudo, os maçons especulativos não praticam mais a arte operativa e seu trabalho hoje é simplesmente simbólico, dedicando-se a construção do Templo espiritual.

    Este Templo é construído no coração dos maçons para servir de residência do G.´.A.´.D.´.U.´..

    Por isto os maçons dedicam-se a preparação desta moradia, expulsando dela paixões, fraquezas e limpando-a de vícios e de maus pensamentos, da mesma forma que antigamente eram excluídos do santuário Judaico os pecadores e os gentios. Por isso, cada maçom, individualmente, é considerado um Templo espiritual.

    6) AS COLUNAS B.´. E J.´. NO SIMBOLISMO MAÇÔNICO.

    Entre os símbolos que adornam e enriquecem uma Loja maçônica. Um dos mais notáveis é, o das colunas B e J. Pela opulência de seu significado simbólico, pela grande variedade de suas interpretações, pelo desconhecimento quase geral de suas verdadeiras origens e, pela diferente colocação que lhe é dada dentro dos templos maçônicos, este símbolo tornou-se motivo de acalorados debates, quando não de discussões veementes.

    A medição do templo entre os antigos

    Em todas as idades a medição do templo assumiu para os homens caráter da maior importância e despertou-lhes o maior interesse. Sabiam os primitivos que, ao voltar ao mesmo ponto do céu, o sol determinava o momento exato em que o ano morria. E em que se iniciava um ano novo.

    Origem das colunas

    A idéia primitiva foi o emprego das colunas como suportes dos telhados, e esta idéia parece derivar da árvore e era tão simples que ela pode ser encontrada na arquitetura de todos os povos.

    Na antiguidade perpetuavam os grandes acontecimentos pela ereção de colunas, sendo usado o mesmo sistema como demonstração de gratidão por favores recebidos de maneira providencial. Eis o motivo porque os povos antigos dedicaram tantas colunas aos seus deuses.

    Na Bíblia existem muitas referencias a colunas. Nos tempos antediluvianos, segundo os historiadores judeus, a posteridade de Sete erigia colunas para que as suas invenções não se pudessem perder antes de serem suficientemente conhecidas, segundo a profecia de Adão, de que o mundo seria destruído pela força do fogo e pela violência da água, foram feitas duas colunas, uma de terracota e outra de pedra.

    Jacó erigiu uma coluna em Betel para comemorar a sua visão de Deus prometendo-lhe a terra de Canaã e outra em Gallad como lembrança de sua aliança.

    Desconhecendo a doutrina da gravidade e não podendo imaginar como a Terra se sustentava em seu lugar, os antigos imaginaram que fosse por meio de colunas. Há inúmeras referencias deste fato na Bíblia. Está idéia passou para os cristãos e todos os escritores antigos a ela se referiam.

    Outro entendimento dos simbolistas com relação as colunas B e J é que elas simbolizam o sinal de Deus que guiou o povo escolhido para Canaã. De noite uma coluna de fogo iluminava seus caminhos e os guiavam na travessia do deserto, de dia uma nuvem os protegia do ardor solar.

    Muitos simbolistas entendiam que as duas colunas existentes no pórtico do templo de Salomão fossem uma alusão a este fato. Bíblico.

    As colunas do Templo de Salomão

    As colunas mais notáveis, principalmente para nós Maçons, são aquelas que o Rei Salomão mandou construir na entrada do templo de Jerusalém. O trabalho foi executado por Hiram Abif, filho de uma viúva da tribo de Neftali, e que a Bíblia chama Hiram, o artífice de Tiro.

    O Antigo testamento em I Reis, VII, 15 a 22 trata dessas colunas.

    “15 – Formou duas colunas de bronze; a altura de cada uma era de dezoito côvados, e um fio de doze côvados era a medida de sua circunferência.

    16 – Também fez dois capitéis de fundição de bronze para por sobre o alto das colunas; de cinco côvados era a a altura de cada um deles.

    17 – Havia obra de rede, e ornamentos torcidos em forma de cadeia para os capitéis que estavam sobre o alto das colunas; sete pare um capitel e sete para outro

    18 – Fez também romãs em duas fileiras por cima de uma das obras de rede para cobrir o capitel no alto da coluna; o mesmo fez com outro capitel.

    19 – Os capitéis que estavam no alto das colunas eram de obra de lírios, como na sala do trono, e de quatro côvados.

    20 – Perto do bojo, próximo á obra de rede, os capitéis que estavam no alto das duas colunas tinham duzentas romãs, dispostas em redor, sobre um outro capitel.

    21 – Depois, levantou as colunas no pórtico do templo, tendo levantado a coluna esquerda, chamou-lhe Jakin; e tendo levantado a coluna esquerda chamou-lhe Boaz.

    22 – No alto das colunas estava a obra de lírios. E assim acabou a obra das colunas.”

    Significado das palavras Jakin e Boas

    A palavra Jakin é o nome da coluna da direita, frente ao Oriente (isto é ao sul), que esteve no pórtico do Templo de Salomão. É derivado de duas palavras hebaicas jah “Deus” e iachin “estabelecerá” sendo chamado o “pilar do estabelecimento” ou seja o pilar responsável pela estabilidade da obra.

    A palavra Boaz , significa em hebraico “na força” ou “nele a força”.

    Juntando-se ambos os significados temos “Deus estabelece na força, solidamente, o templo e a religião dos quais Ele é o centro”.
    7) OS TRÊS PILARES E AS ORDENS ARQUITETÔNICAS
    Os três pilares que sustentam as Lojas são chamados de Dórico (Força), Jônico (Sabedoria) e Corintio (Beleza).
    O Venerável Mestre, representante do pilar Jônico (Sabedoria), pois ensina os obreiros a se comportarem de maneira conveniente em seu trabalho e com harmonia.
    O Primeiro Vigilante representa o pilar Dórico (Força), pois esta representa a força necessária para a realização do trabalho sendo responsável em pagar os obreiros, o que constitui a força e o sustentáculo de toda ocupação.

    O Segundo Vigilante representa o pilar Corintio (Beleza), pois estando colocado no Sul ao meio-dia em ponto, que é a beleza do dia, chama os obreiros ao trabalho e os manda á recreação, vigiando para voltem novamente no devido tempo.

    A Loja é sustentada por estes três grandes pilares pois são as executoras de todos os trabalhos, e ninguém sem elas pode leva-los adiante, visto que a Sabedoria inventa, a Força sustenta e a Beleza ornamenta.

    8) O AVENTAL MAÇÔNICO

    O avental entre os Primitivos

    Desde a tanga do selvagem de todas as latitudes, até os aventais anterior e posterior do índio norte-americano, o Avental tem sido uma das peças mais antigas do vestuário humano não somente para encobrir e proteger, mas também para enfeitar. Nos tempos primitivos, as vestes do vencido constituíam-se em troféu do triunfador, e o vestuário chegou a diferenciar as classes sociais.

    Entre os povos primitivos, os guerreiros constituíam-se numa sociedade secreta, da qual eram afastados os fracos, os escravos, as mulheres e as crianças, isto é os não combatentes, que formavam por assim dizer, a classe dos profanos. Na época da puberdade, todos os povos primitivos realizavam cerimônias de iniciação, depois das quais os jovens tornavam-se guerreiros. Nestas iniciações havia provas de resistência realmente bárbaras, e o avental ou a tanga constituíam-se em símbolo do iniciado.
    O avental dos Maçons Operativos

    O avental constitui desde a origem dos tempos uma parte do vestuário sacerdotal. Cintas ou aventais, de couro ou de linho, eram usados pelos sacerdotes israelitas.

    Já para os maçons operativos o avental era uma peça que servia, naturalmente, para proteger o vestuário do artífice, ao mesmo tempo que lhe proporcionava um meio conveniente para carregar as suas ferramentas. O avental não é, porem, uma peça de uso exclusivo do pedreiro, pois é usado em muitas profissões.

    Serviu muitas vezes como uniforme, variando de formas e cores, de acordo com cada profissão, sendo mesmo visto outrora, como insígnia e emblema de grande significação. O seu uso é muito remoto e remonta a milhares de anos da nossa era.

    O Avental usado pelos maçons operativos era de pele ou lona.

    O avental dos Maçons Especulativos

    O avental é pois, um legado que a Maçonaria Especulativa recebeu da Maçonaria Operativa. Esta peça, que foi de tanta utilidade para o Maçom operativo já que lhe protegia a roupa, transformou-se para o especulativo numa alfaia simbolizando o trabalho Maçom.

    Sabe-se que o avental usado nos princípios da Maçonaria especulativa não passava de uma simples e desalinhada pele de cordeiro branca sem forro, segura por cordões que passavam pelos ombros e pelo pescoço.

    É uma prova de que o avental branco, hoje exclusivo dos aprendizes e dos companheiros, era usado, outrora por todos os Maçons.

    Entretanto, esta pele de cordeiro curtida que protegia a grosseira roupa do canteiro ou do trabalhador de pedra. Prejudicava, ao contrario, as roupas mais finas dos maçons especulativos. A parte áspera interna inutilizava as peças do vestuário de cetim ou de casimira dos aristocratas que tinham invadido as Lojas maçônicas em princípios do século XVIII.
    9) Conclusão

    Ao analisar superficialmente os símbolos existentes dentro da Maçonaria pude verificar a quantidade e a riqueza deste símbolos que são sem duvida para os Maçons importante ferramenta de aprendizado. Podemos estudar um símbolo anos a fim e ainda assim descobrirmos novas interpretações e significados.

    Acredito que na verdade este símbolo tem como principal tarefa auxiliar os Maçons em seu duro trabalho diária de edificadores de Templos, lutando contra os vícios e vaidades e enaltecendo as virtudes.

    Porem o principal aprendizado que devemos tirar deles é a necessidade de estarmos sempre prontos para o trabalho, nossa missão preparar o caminho para os que viram depois de nós para que estes consigam realizar os seus trabalhos com perfeição e ordem.
    9) Bibliografia
    • Manual do Aprendiz Maçon
    • Ritual do Primeiro Grau do Aprendiz (2001)
    • Estudos Maçônicos sobre simbolismo – Nicola Aslan

  13. ADILSON M SOUZA disse:

    Ao Venerável Mestre Amauri

    S.´.F.´.U.´.

    Trabalho Grau do Aprendiz Franco Maçom

    O PAPEL DA MAÇONARIA NA INDEPENDENCIA DO BRASIL
    Elaborado por: Adilson Moreira de Souza CIM/ID-233562
    Loja: Humanidade II – SALTO – SP

    1) INTRODUÇÃO

    A Maçonaria sempre foi reconhecida pela sua atuação nas principais que a historia nos mostra. Porem muito de sua real participação não chega ao conhecimento do mundo profano, seja dificuldade de acesso a documentos que comprovem esta participação ou pela própria característica da Maçonaria em ser uma sociedade discreta.

    O estudo porem da historia da Maçonaria e dos seus trabalhos se mostra de fundamental importância para todos os Maçons, pois somente conhecendo o nosso passado conseguiremos continuar trabalhando pela construção da grande obra, planejada pelo G.´.A.´.D.´.U.´., baseados em seus princípios fundamentais Liberdade, Igualdade e Fraternidade

    2) AS ORIGENS DA MAÇONARIA

    A definição mais aceita e mais divulgada da Maçonaria é a seguinte: “Instituição educativa, filantrópica e filosófica que tem por objetivo os aperfeiçoamentos morais, sociais e intelectuais do Homem por meio do culto inflexível do Dever, da prática desinteressada da Beneficência e da investigação constante da verdade”

    ORGANIZAÇÕES DE OFICIO

    Foi no Império Romano do Ocidente, da Roma conquistadora, que, em função da própria atividade bélica, surgiu, no século VI a.c., a primeira associação organizada de construtores os COLLEGIA FABRORUM. Como a conquista das vastas regiões da Europa, da Ásia e do Norte da África levava a destruição, os COLLEGIATI acompanhavam as legiões romanas, para reconstruir o que fosse sendo destruído pela Guerra. Dotada de forte caráter religioso, essa organização dava, ao trabalho, o cunho sagrado de um culto as divindades. De inicio politeísta, tornou-se, com a expansão do cristianismo, monoteísta.

    MAÇONARIA OPERATIVA

    Na idade média é que iria florescer, através do grande poder da época da igreja, a hoje chamada Maçonaria Operativa, ou Maçonaria de Oficio, para a preservação da Arte Real entre os mestres construtores da Europa. Assim, a partir do século VI, as Associações Monásticas, formadas principalmente, por clérigos, dominavam o segredo da arte de construir, que ficou restrita aos conventos, já que, naquela época de barbárie, quando a Europa estava em ruínas, graças ás sucessivas invasões dos bárbaros, e quando as guerras, os roubos e os saques eram freqüentes e até encarados como fatos normais, os artistas e arqueiros encontraram refugio seguro nos conventos.

    É dessa época aquela que é considerada a primeira reunião organizada de operários construtores: A convenção de York, ocorrida em 926 e convocada por EDWIN, filho do rei Atheltan, para reparar os prejuízos que as associações haviam tido com as sucessivas guerras e invasões. Nessa reunião, foi apresentada, para apreciação e aprovação, um estatuto, que dali em diante deveria servir como lei suprema da confraria e que é, geralmente, chamado de Carta de York.

    GUILDAS

    Quase naquela época surgiriam associações simplesmente religiosas, que a partir do Século XII, formaram corpos profissionais: as Guildas. A elas se deve o primeiro documento em que é mencionada a palavra “Loja”, para designar uma corporação e o seu local de trabalho.

    As Guildas caracterizavam-se por três finalidades principais: auxilio mutuo, reuniões em banquetes e atuação por reformas políticas e sociais. Introduzidas na Inglaterra, por reis saxões, elas foram modificadas por influencia do cristianismo, mas mesmo assim não eram bem aceitas pela igreja, que não via com bons olhos a pratica do banquete, por suas origens pagãs, e a pretensão de reformas políticas e sociais que pudessem eventualmente, contribui para diminuir os privilégios da igreja.

    Assim para evitar a hostilidade da Igreja, cada guilda era organizada sob a égide de um monarca, ou sob o nome de um santo protetor.

    FRANCO MAÇONARIA

    No Século XII, também, iria florescer a associação considerada a mais importante desse período operativo: Os Ofícios Francos (ou Franco Maçonaria), formados por artesões privilegiados, com liberdade de locomoção e isentos das obrigações e impostos reais, feudais e eclesiásticos. Tratava-se portanto, de uma organização de construtores categorizados, diferentes dos operários servos, que ficavam presos a uma mesma região, a um mesmo feudo. Á disposição de seus amos. Na idade média, a palavra Franco designava não só o que era livre, em oposição ao que era servil, mas também, todos os indivíduos e todos os bens que escapavam as servidões e aos direitos senhorais, esses artesões privilegiados eram, então, os pedreiros-livres, franco – maçons para os franceses ou freemasons, para os ingleses.

    COMPAGNONNAGE (COMPANHERISMOS)

    No século XIV, começava, também, a atuação do COMPAGNONNAGE (Companheirismo), criado pelos cavaleiros templários. Os membros dessa organização construíram, no Oriente Médio formidáveis cidadelas, adquirindo certo numero de métodos de trabalho herdados da Antiguidade e Constituindo, durante as Cruzadas, verdadeiras oficinas itinerantes, para a construção de obras de defesa militar, pontes e santuários. Retornando a Europa, eles tiveram a oportunidade de exercer o seu oficio construindo catedrais, igrejas, obras publicas e monumentos civis.

    A ORDEM DOS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO E DO TEMPLO DE SALOMÃO, ou Ordem dos Templários, foi uma ordem religiosa e militar criada em 1118, com estatutos elaborados pelo Abade Clairvaux (São Bernardo). Adquirindo prestigio e riqueza, a ordem excitaria a cobiça do rei francês FELIPE IV, cognominado “o Belo”, que com a conivência do papa CLEMENTE V, conseguiu a sua extinção, em 1312, seguida da execução, na fogueira, de seu Grão Mestre, JACQUES DE MOLAY, em 1314. Antes da extinção, necessitando, em suas distantes cominatórias do Oriente, de trabalhadores cristãos, os templários organizaram o COMPAGNONNAGE, dando-lhe um estatuto chamado, Santo Dever, de acordo com sua própria filosofia.

    MAÇONARIA DOS ACEITOS ou MAÇONARIA ESPECULATIVA

    No final do Século XVI, INIGO JONES introduzia, na Inglaterra, o estilo renascentista, sepultando o estilo gótico e apresando a decadência das corporações de Franco-Maçons ingleses. Estas perdendo o seu objetivo inicial e transformando-se em Sociedade de auxilio mutuo, resolveram então, permitir a entrada de homens não ligados a arte de construir, não profissionais que eram, então chamados de Maçons Aceitos.

    Como na época não existiam templos maçônicos, o primeiro só seria inaugurado em 1776, os Maçons reuniam-se em tabernas, cervejarias e hospedarias desse tempo, principalmente na Inglaterra, tinham uma função social muito grande, como local de reunião e de troca de idéias de intelectuais, artífices, obreiros do mesmo oficio, etc,

    A 07 de fevereiro de 1717, DESAGULIERS, conseguia reunir quatro lojas metropolitanas para traçar planos referentes a alteração da estrutura maçônica. Nessa Ocasião, foi convocada uma reunião geral dessas quatro lojas existentes em Londres, para o dia 24 de Junho daquele ano. Essa reunião foi realizada na Taberna a Macieira, e as Lojas presentes foram, alem da própria A Macieira, a Cervejaria A Coroa, A Taberna O Copázio e as Uvas e a Taberna o Ganso e a Grelha.

    Sendo criada ma data de 24 de junho de 1717 a Primeira Grande Loja em Londres.

    A única referencia a esse fato está em um relatório do pastor JAMES ANDERSON, publicado na edição de 1738 da Constituição que ele elaborara.

    3) A MAÇONARIA NA POLÍTICA BRASILEIRA

    OS PRIMORDIOS DA MAÇONARIA NO BRASIL

    Especula-se, há muito tempo, sobre qual teria sido a primeira Loja maçônica do Brasil. Baseados nos escritos de BORGES DE BARROS, que foi diretor do Arquivo Histórico da Bahia, acredita-se que havia sido criada a Loja “Cavaleiros da Luz”, na povoação da Barra, em Salvador, no estado da Bahia e que suas primeiras reuniões teriam sido realizadas a bordo a fragata “LA PRENEUSE”, que no inicio de 1797, ancorara na Bahia, sob o comando de monsieur LARCHER; teriam, então existido encontros e entendimentos entre os homens mas esclarecidos da terra, como CYPRIANO BARATA, JOSE DA SILVA LISBOA, IGNACIO BULCÃO, JOSE BORGES DE BARROS, DOMINGOS DA SILVA LISBOA e tenente HERMÓGENES AGUIAR PANTOJA que a, 14 de julho de 1797, teriam fundado a Loja.

    Estudos recentes – de uns 20 anos para cá, já publicados em jornais maçônicos da Bahia, mostram que a fragata “LA PRENEUSE” não esteve ancorada na Bahia, naquela época. Isso, todavia, não invalida a hipótese dela ter existido, embora não existam documentos comprobatórios.

    A Loja documentada como a mais antiga do Brasil, mesmo é a “REUNIÃO”, do RIO DE JANEIRO, fundada em 1801. De acordo com o manifesto de 1832, do GRÃO MESTRE JOSÉ BONIFACIO DE ANDRADA E SILVA., referente a reinstalação do Grande Oriente do Brasil, essa Loja era filiada ao Oriente de Ille de France, representada pelo cavaleiro LAURENT, que presidira á sua instalação. Dois anos depois, segundo o mesmo manifesto, o Grande Oriente Lusitano, desejando propagar no Brasil, a verdadeira doutrina Maçônica, nomeou, para este fim, três delegados, com plenos poderes para criar lojas regulares no Rio de Janeiro, filiadas aquele Grande Oriente. Foram criadas, então, as Lojas “Constancia”, e “Filantropia”, as quais junto com a “Reunião”, serviram de centro comum para todos os Maçons existentes no RIO DE JANEIRO.
    Após a fundação das três primeiras Lojas “oficiais”, espalharam-se nos primeiros anos do século XIX, lojas nas províncias da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, livres, ou sob a égide do Grande Oriente Lusitano e do da França.

    A CONJURAÇÃO MINEIRA

    A PARTICIPAÇÃO QUE NÃO HOUVE

    Muito se especula sobre uma eventual participação maçônica na Conjuração Mineira de 1789. Alguns autores, sem qualquer lastro de documentação histórica, chegam a confirmar essa participação, citando a iniciação maçônica, na Europa, de estudantes brasileiros, que, posteriormente, viriam a ser próceres do movimento surgido em Minas Gerais. Não Existe, porem, nenhum documento e nenhum indicio que indique a veracidade da afirmação.

    O INICIO, NA EUROPA

    O desenrolar da ação teria se iniciado com estudantes brasileiros que estudavam nas universidades européias, de Coimbra e de Montpellier – destacando-se, entre eles JOSE JOAQUIM DA MAIA, JOSE ALVARES MACIEL e DOMINGOS VIDAL BARBOSA, os quais são tidos, por alguns autores, como Maçons, embora, sem qualquer base documental.

    Iniciados os entendimentos da revolta, em 1788, três grupos podiam ser notados entre os conjurados:

    a) – O grupo dos Ativistas

    b) – O grupo dos Ideólogos

    c) – O grupo dos aproveitadores, que eram os contratantes

    CONJURADOS ENDIVIDADOS

    Todos os homens que se reuniam na casa do tenente-coronel FREIRE DE ANDRADE, em dezembro de 1788, tinham interesses pessoais em jogo:

    O pai de Maciel, capitão-mor de Vila Rica, tornara-se grande devedor da Fazenda Real. Freire de Andrade, que era filho ilegítimo do conde de Bobadela e casado com Isabel de Oliveira, irmã de Álvares Maciel, também seria afetado se o sogro perdesse os seus bens.

    Alvarenga Peixoto estava profundamente endividado e era bastante critica a sua situação, em 1788, com o fracasso das onerosas instalações hidráulicas de suas lavras auríferas.

    O padre Rolim, Filho do principal tesoureiro de diamantes, era conhecido fraudador, envolvido no escândalo do contrabando de diamantes, que era feito com a conivência dos Dragões de Minas.

    O padre Toledo era um grande latifundiário, com muitos escravos trabalhando em sua lavouras e na mineração. Constava do relatório de Martinho de Castro como um dos típicos vigários de paróquia, os quais, a pretexto de direitos paroquiais, oprimiam e extorquiam o povo.

    Tiradentes foi um caso a parte, diferente dos seus companheiros que eram abonados, embora em sua maioria, ilegalmente. Ele não tinha posses e, mesmo possuindo uma cultura acima da media, tinha uma atividade profissional considerada secundaria. Tendo perdido sua propriedades por dividas e depois de tentar, sem sucesso, o comercio varejista, ingressou nos Dragões como alferes, o posto mais baixo, em 1755, não tendo progredido em posto e nem em soldo, até a época da conjura, tendo sido, varias vezes preterido nas promoções da carreira. Isso fez com que ele se tornasse um revoltado, queixando-se, sempre, de que só eram promovidos os que tinham parentes influentes no meio político-financeiro (o que era uma realidade).

    Por trás dos ativistas, existiam homens respeitáveis como o ex-ouvidor Thomaz Antonio Gonzaga, o poeta hipocondríaco Cláudio Manoel da Costa e o humanista e historiador cônego Luis Vieira da Silva. A missão desses homens era a de elaborar as leis e organizar a constituição do Estado independente, tentando armar uma justificativa ideológica para a ruptura dos vínculos com a metrópole portuguesa.

    Já no terceiro grupo surgiram, novamente, os interesses financeiros da parte de homens que ficavam na sombra, pouco arriscando, no caso de um fracasso do movimento, mas que teriam muito a lucrar no caso de sucesso. Nesse grupo estavam os grandes contratantes. Esse era o grupo que maior influencia exercia no levante, apesar de atuar, geralmente, apenas na retaguarda. Eram os magnatas aproveitando-se de uma situação, para alcançar os seus objetivos pessoais, sob a capa de um levante popular.

    Pouco, portanto, havia de desprendimento e de objetivos altruísticos e libertários.

    HIPOLITO JOSÉ DA COSTA

    MAÇON DE TRÊS CONTINENTES

    Hipólito da Costa, alem de ter tido atuação na política brasileira – na campanha pela independência e pelas reformas de base no pais – na portuguesa, na inglesa e na norte-americana, teve, também um papel decisivo nos primórdios da Maçonaria Portuguesa.

    Embora a Maçonaria, em Portugal tenha se iniciado, provavelmente em 1735, quando algumas lojas teriam sido instaladas pela Grande Loja de Londres – fundada a 24 de junho de 1717 – ela só teve, realmente, a sua concretização nos últimos anos do Século XVIII e nos primeiros do Século XIX, quando foi criada a primeira Obediência nacional.

    Para essa relativa estagnação, durante tanto tempo, muito concorreu o trabalho da inquisição portuguesa, que conseguiu persuadir o rei D.JOÃO V de que os Maçons eram, alem de hereges, inimigos do Estado. Graças a isso, o movimento maçônico foi, praticamente exterminado, só renascendo a partir de 1762, durante o reinado de JOSÉ I, que tinha, como ministro, o MARQUES DE POMBAL, Novo golpe, todavia, seria dado sobre ele, no ultimo quartel do Século XVIII, com a ascensão, ao trono português, de D.MARIA I que, manobrada pelos frades da inquisição, permitiu uma verdadeira “caça as bruxas” , que redundou na prisão e no degredo de muitos Maçons, entre os quais FELIX JOSÉ DÁVELLAR BROTERO – que veio para o Brasil – cujo o filho, FREDERICO DÁBNEY DE AVELLAR BROTERO (o conselheiro Brotero) foi Maçom da Loja “Amizade” – fundada a 13 de maio de 1832, em São Paulo – iniciado nos primeiros anos de atividade da Loja. Toda esta perseguição aos Maçons, contava com a decisiva participação do intendente geral da policia, DIOGO IGNACIO DE PINA MANIQUE, tristemente celebre.

    Tão grande era o ódio de Pina aos Maçons, que ele chegou a dizer “Ardo em sede e esta sede só pode ser mitigada em rios de sangue dos pedreiros livres”. Apesar disso tudo, porem, as Lojas continuavam com os seus trabalhos, embora em muito segredo e com muita cautela e sempre em locais diferentes, para despistar a policia. Foi nessa época e nessa situação que se iniciou a atividade de HIPOLITO na Maçonaria Portuguesa.

    HIPOLITO JOSÉ DA COSTA (1774-1823), foi o mais autentico dos intelectuais brasileiros da chamada “época das luzes”, alem de grande vulto da campanha da independência do Brasil. Diplomado em Coimbra, com apenas 24 anos de idade, em 1798, foi, nesse mesmo ano, encarregado de importante missão nos Estados Unidos da América, para estudar questões econômicas relacionadas ao desenvolvimento material do Brasil.

    Dos contatos com os principais próceres da Maçonaria portuguesa e sendo um homem acatado, pela sua posição e sua cultura, é que Hipólito partiu para Londres, em abril de 1802, com a finalidade de negociar, com a Grande Loja inglesa, o reconhecimento de uma Grande Loja em Portugal, colocando em pratica a idéia de regularizar a situação anômala das Lojas portuguesas, surgida em uma assembléia geral, em 1801.

    Sua mais importante obra, todavia, foi a criação, em 1808 do CORREIO BRASILIENSE, ou ARMAZEM LITERARIO, cuja publicação só seria interrompida em 1823. Este jornal não foi apenas o primeiro órgão da imprensa brasileira, ,ainda que publicado no Exterior, mas, principalmente o mais completo veiculo de informação e analise da situação política e social de Portugal e do Brasil, naquela época, com a preconização de uma verdadeira reforma de base para o nosso pais.

    A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

    Movimento revolucionário de tendência nacionalista no sentido de implantar a republica em Pernambuco, a Revolução Pernambucana de 1817 foi realizada sob a inspiração do ,líder maçônico DOMINGOS JOSÉ MARTINS.

    Nascido em Itapemirim, no Espírito Santo, em 1781 Domingos estabeleceu-se em Recife, com uma firma importadora e exportadora denominada BARROSO, DOURADO & CARVALHO. Viajando, constantemente, a negócios, para a Inglaterra, entrou em contato com o meio maçônico local, sendo iniciado na Maçonaria, levado pelas mãos de Hipólito José da Costa, o “Patriarca da Imprensa Brasileira”

    Participando da fornalha insurrecional ateada na “Grande Reunião Americana”, em beneficio da independência das colônias hispano-americanas e em contato com as idéias de Hipólito que fazia de seu “Correio Brasiliense”, não apenas o primeiro órgão da imprensa brasileira, mas principalmente o mais completo veiculo de informação e analise da situação política e social de Portugal e do Brasil, Martins, iniciado na Maçonaria em 1812, tornar-se-ia o chefe natural do movimento revolucionário.

    Reunindo nos conspiradores em sua casa, no Recife, e em seu engenho, no Cabo, ele veria, com o apoio popular, a Revolução triunfante, embora esse triunfo fosse efêmero. Deposto o governador CAETANO PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO, foi instalado o governo republicano, a 08 de março de 1817.

    Não tardou, a reação articulada pelo então governador da Bahia, o conde dos Arcos – MARCOS DE NORONHA E BRITO, oitavo conde dos Arcos e ultimo vice-reis do Brasil, de 1806 a 1808. Este procedeu ao bloqueio do Recife, com um contingente de 1500 homens, sob o comando do marechal COGOMINHO DE LACERDA, os revolucionários resistiram com bravura, mas as tropas contrarias iriam dominar a situação a 20 de maio do mesmo ano.

    A INDEPENDENCIA

    O INICIO DO PROCESSO EMANCIPADOR

    A obra máxima da Maçonaria Brasileira e a única de que ela participou de fato, como Instituição, foi a independência do Brasil, em 1822, no mesmo ano em que os Maçons brasileiros criavam a primeira Obediência nacional, o Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano, que posteriormente viria a ser o Grande Oriente do Brasil

    O bonachão e sonolento D. João, com um tino extraordinário, já previra a marcha dos acontecimentos, sabendo que a partir do estabelecimento da corte no Rio de Janeiro e da revolta das colônias espanholas, era impraticável o retorno do Brasil ao estado primitivo; dessa maneira, ele previu bem a situação posterior: ele e D. Pedro deveriam empalmar os tronos de Portugal e do Brasil garantindo-os para a Casa de Bragança.

    Em carta de 12 de maio de 1822, D. João repete ao seu filho os conselhos que lhe havia dado antes de partir; em resposta, a 11 de junho, D. Pedro lembra as recomendações paternas acrescentando:

    “Foi chegado o momento da quase separação e, estribando eu nas eloqüentes e singelas palavras expressas por Vossa Majestade, tenho marchado adiante do Brasil, que tanto me tem honrado”.

    Foi assim feita a independência com o pleno conhecimento de D.João e com a participação efetiva de D. Pedro, escorado pelo trabalho da maçonaria, que se tornara na época, uma forte corrente política.

    Após o fracasso da Revolução de 1817 e com a expedição do Alvará de 30 de março de 1818, proibindo o funcionamento das Sociedades secretas, A Maçonaria entrou, oficialmente, em recesso, continuando todavia, a trabalhar secretamente, no Clube da Resistência, fundado por JOSÉ JOAQUIM DA ROCHA, em sua própria casa.

    O DIA DO FICO

    O Clube da resistência foi a fornalha da insurreição até 02 de junho de 1821, quando a Loja “Comercio e Artes” foi reinstalada na casa do comandante DOMINGOS DE ATAIDE MONCORVO, na rua São Joaquim, eqüina da rua do Fogo, voltando a aberta atividade política em prol da Independência, tendo decisiva participação no “Fico” de 09 de janeiro de 1822.

    O episodio do “Fico” foi feito sob a liderança dos Maçons José Joaquim da Rocha e Jose Clemente Pereira. Três representações, feitas sob inspiração maçônica e lideradas por Maçons, foram encaminhadas ao príncipe, rogando sua permanência no Brasil e o descumprimento aos Decretos n. 124 e 125 das Cortes Portuguesas: a dos Paulistas redigida por JOSÉ BONIFACIO DE ANDRADA E SILVA, a dos fluminenses, redigida pelo frei FRANCISCO DE SANTA TEREZA DE JESUS SAMPAIO, orador da Loja “Comercio e Artes” e a dos mineiros, liderada por PEDRO DIAS PAES LEME. Na cela do frei Sampaio, no Convento da Ajuda, reuniam-se os principais lideres do movimento.

    D. Pedro, já nesse episódio, não ignorava a força e a influencia da Maçonaria, explicita através da fala de JOSÉ CLEMENTE PEREIRA, nesse 09 de janeiro:

    “Será possível que Vossa Alteza Real ignore que um partido republicano, mais ou menos forte, existe semeando aqui e ali em muitas províncias do Brasil, por não dizer todas elas?”

    O processo continuaria, logo depois, quando a Maçonaria, sob a liderança de JOAQUIM GONÇALVES LEDO, resolvia a 13 de maio de 1822, por proposta do brigadeiro DOMINGOS ALVES BRANCO MUNIZ BARRETO, outorgar ao príncipe o titulo de “Defensor Perpétuo do Brasil”, em uma cartada política importantíssima da Loja “Comercio e Artes”.

    Porem existia uma sombra de duvida, uma luta ideológica entre os grupos de JOSÉ BONIFACIO e de LEDO. Enquanto o primeiro defendia a independência dentro de uma união brasílico-lusa – perfeitamente exeqüível – o segundo pretendia o rompimento total com a metrópole portuguesa, o que poderia tornar difícil a transição para o pais independente. Essa luta não era limitada, evidentemente, as paredes das lojas maçônicas, assumindo caráter publico e se estendendo, inclusive, através da imprensa.

    A INICIAÇÃO DE D. PEDRO

    A indicação de D.PEDRO a iniciação maçônica não deixou de ser, também um ato político, o qual serviu aos interesses de ambos os lados: Os Maçons, porque tendo o regente entre eles, melhor poderiam influencia-lo, no caminho da emancipação política do pais, e D. Pedro, porque, estando entre os Maçons melhor poderia Influencia-los no caminho de uma solução monárquica para o pais, afastando-os de possíveis inclinações para um regime diferente.

    Por indicação de JOSÉ BONIFACIO, D. Pedro foi iniciado na Loja “Comercio e Artes”, no dia 13 do 5 mês da verdadeira luz de 5822, ou seja, de acordo com o calendário maçônico adotado na época, 02 de agosto de 1822. D. Pedro, cumprindo o costume da época, adotou o nome histórico de GUATIMOZIN, nome do ultimo imperador asteca de Anahuac (região atual do México), o qual defendeu o seu império contra os invasores espanhóis de Cortez, tendo sido morto e supliciado, em 1522, deitado sobre brasas.

    Três dias depois de iniciado, ou seja a 5 de agosto, D. Pedro tornava-se Mestre Maçom. O curioso é que existem autores tendenciosos que afirmam que JOSÉ BONIFACIO foi contrario á iniciação do príncipe, quando na verdade foi ele quem o indicou; e isso está nas atas do Grande Oriente Brasílico.

    JOSÉ BONIFACIO, D. PEDRO E LEDO

    Os acontecimentos de 07 de setembro de 1822 foram, comprovadamente, premeditados e conduzidos por JOSÉ BONIFACIO, Em suas “Memórias”, ANTONIO DE MENEZES, emissário da Maçonaria nas províncias de Pernambuco e da Bahia, de onde regressara no final de agosto de 1822, relata o seguinte:

    “José Bonifácio havia também naquele dia ou na véspera, recebido novas de Lisboa e jutas estas com aquelas que eu trazia julgava conveniente acabar com os paliativos e proclamar a independência… “

    “O príncipe já estava em S.Paulo e se a ocasião não fosse aproveitada quem sabe se outra se poderia proporcionar tão cedo.. “

    José Bonifácio enviou ao Príncipe no pico do Ipiranga quatro cartas: uma de D. João a seu filho, carta da princesa D. Leopoldina, carta de CHAMBERLAN, agente secreto do príncipe, com instruções das Cortes, exigindo o imediato regresso do príncipe e a prisão e processo de Jose Bonifácio – já que era o personagem mais importante do movimento emancipador e uma de José Bonifácio, onde ele dizia:

    “Senhor, as Cortes ordenaram a minha prisão por minha obidiencia a V. Alteza. E no ódio imenso de perseguição atingiram também aquele que se preza em o servir com lealdade e dedicação do mais fiel amigo e súbdito. O momento não comporta mais delongas ou condescendências…”

    Nessa luta, não se pode ser negada a grande participação também de LEDO, líder dos Maçons. Ainda em 1821, o intendente de policia informava ao ministro de D. João:

    “Permita v.ex. que diga ser impossível agir sem tropas fieis, pois as que temos estão na maioria filiadas aos conspiradores, sendo conveniente mandar vir outras do Reino de Portugal, pois o movimento da independência é por demasia generalizado pela obra maldita dos Maçons astuciosos, com a chefia de Gonçalves Ledo.”

    Cabe aqui um parêntese para repor a verdade histórica. Muitos Maçons desinformados e muitos historiógrafos afoitos afirmam que a Independência do Brasil foi, realmente proclamada a 20 de agosto de 1822, em sessão do Grande Oriente, quando Ledo aclamava D.PEDRO rei do Brasil, acatando em seguida a emenda de Domingos Alves Branco que propunha o titulo de imperador.

    Isso não é verdade, em relação ao dia, pois no dia 20 de agosto não houve sessão no Grande Oriente.; tal falsa afirmação parte como muitas outras, do já apontado erro de interpretação do calendário maçônico. A ata do Grande Oriente em que consta esse fato, tem data do 20 dia do 6 mês do ano maçônico da verdadeira luz de 5822; como o ano maçônico com base no calendário religioso hebraico, iniciava-se no dia 21 de março e não no dia 1. Assim sendo, o 6 mês começava no dia 21 de agosto e portanto o seu 20 dia era na verdade, o dia 09 de setembro, dois dias após o “Grito do Ipiranga” .

    Nota-se que, diante do desconhecimento dos fatos ocorridos ás margens do Ipiranga, a Maçonaria resolveu, no dia 09, realmente, proclamar D.Pedro imperador do Brasil; todavia, em atenção a verdade histórica, não se pode afirmar que o Grande Oriente proclamou a emancipação no dia 20 de agosto, tendo D.Pedro se limitado apenas a referendá-lo no dia 07 de setembro. Este é um engano que originou até o “Dia do Maçom”, a 20 de agosto que é uma data que não representa, realmente nada.

    4) CONCLUSÃO

    É certo que a maçonaria desempenhou muitas outras ações que não estão descritas neste breve relato, sem sombras de duvidas é um terreno que os apaixonados pela historiam, encontraram um terreno fértil para novas descobertas da atuação de nossa nobre instituição.

    Também seria possível dar continuidade a este trabalho e avançar entre muitos outros temas que a maçonaria teve papel fundamental na luta pela preservação da dignidade humana.

    É de fundamental importância para o Maçom o conhecimento de seu passado, pois ele é a sustentação que nossos antepassados nos deixaram como legado, e nossa obrigação é dar continuidade a esta obra que eles desempenharam com tão grande capacidade.

    Peço ao grande G.´.A.´.D.´.U.´. que inspire o meu coração, para que possa ser digno no meu trabalho e que quando este seja terminado e que o Grande Arquiteto me chame para o eterno oriente eu, não me sinta envergonhado e que quando ao Venerável Mestre me perguntar “Sois Maçon ? eu possa responder M.´. IIr.´. C.´. T.´. M.´. R.´.

    5) Bibliografia

    José Castrellani – Ação secreta da maçonaria na política mundial

  14. Luciano A V Rio disse:

    Faz muito tempo que nasci. Nasci quando os homens começavam a acreditar em um Deus único. Fui combatida, vilipendiada e até fizeram troça do meu ritualismo e doutrina mas, através dos tempos foram reconhecendo minha seriedade e princípios, acabei sendo reconhecida como uma entidade íntegra que congrega homens íntegros.As encruzilhadas do mundo ostentam catedrais e templos que atestam a habilidade de meus antepassados.
    Eu me empenho pela beleza das coisas, pela simetria, pelo que é justo e pelo que é perfeito. Espalho coragem, sabedoria e força para aqueles que as solicitam. Para comprovar a seriedade de meus princípios, sobre meus altares está o Livro Sagrado, a Bíblia, e minhas preces são dirigidas a um só Deus Onipotente.
    Meus filhos trabalham juntos, sem dinstinções hierárquicas, quer seja em público, quer seja em recintos fechados, em perfeita união e harmonia.
    Por sinais e por símbolos, eles ensinam as lições da vida e da morte, as relações do homem para com Deus e dos homens para com os homens. Estou sempre pronta para receber aqueles que tiverem atingido a idade legal e que sejam possuídos de dotes morais e reputação acima de qualquer reparo, me procuram espontaneamente, pois, não faço proselitismo nem campanha para angariar adeptos.
    Eu acolho esses homens e procuro ensiná-los a utilizar meus utensílios de trabalho, todos voltados para construir uma sociedade melhor. Eu ergo os caídos e conforto os doentes. Compadeço-me do choro de um órfão, das lágrimas de uma viúva e da dor dos carentes.
    Não sou uma igreja nem um partido político, mas meus filhos têm uma grande soma de responsabilidade para com Deus, para com a Pátria, para com seus vizinhos, para com a comunidade em geral. Não obstante são homens intransigentes na defesa de suas liberdades e de sua consciência.
    Propago a imortalidade da alma porque acredito ser por demais pequena uma só vida no imenso universo em que vivemos. Enfim, sou uma maneira de viver.
    Eu sou a Maçonaria.
    ( O Fraterno – Julho)

  15. laquilaromana disse:

    Ensinam os Mestres

    O COMPASSO – Da mesma maneira como na Maçonaria Operativa, o compasso é usado para a medição dos planos do arquiteto, e para facilitar-lhe dar as proporções exatas que assegurem a leveza bem como a estabilidade de sua obra; assim, na Maçonaria Especulativa ele é um fator simbolicamente importante para um modo uniforme de conduta, de uma tendência para a retidão que é a única que pode dar a felicidade na terra e também para o futuro. Portanto os compassos são os emblema mais proeminente da virtude, a única e verdadeira medida da vida do Maçom e de sua conduta. Do mesmo modo que a Bíblia nos dá a luz para os nossos deveres com Deus, e como o esquadro ilustra nossos deveres para com próximo e irmãos, assim o compasso nos dá essa luz adicional que nos instrui nos deveres que temos conosco – o grande e imperativo dever de controlar nossas paixões e manter nossos desejos dentro dos limites. “Está prescrito”, afirma o filósofo Burke, “na constituição eterna das coisas, que os homens de paixões desenfreadas forjam não podem ser livres; suas paixões forjam suas algemas”. Os irmãos que se deleitam em ver em nossos emblemas uma origem astronômica, encontram no compasso o símbolo do sol, onde o pólo circular representa o núcleo do luzeiro e seus braços como seus raios divergentes.
    Nos rituais primitivos do século passado (18), os compassos eram descritos como partes dos utensílios de uma Loja, que como se diz correspondem ao Mestre. Há uma certa mudança do conceito nos rituais atuais.

    Tradução J.N.Guimarães

    Próxima edição O Esquadro COLECIONE

    Ensinam os Mestres

    O ESQUADRO – Este é um dos símbolos mais importantes e significativos da Maçonaria. Como tal, é conveniente que se conserve sua verdadeira forma. Os maçons franceses o apresentam quase universalmente com um dos braços mais comprido, com a finalidade de lhe dar a forma do esquadro de carpinteiro. Porém, os maçons americanos, talvez para seguir o modelo incorreto de Jeremy L. Cross, mantém geralmente a igualdade dos braços, marcando desnecessariamente sua superfície com polegadas, adaptando-o a um instrumento para medir a largura e a altura das coisas, o que não é a sua finalidade.
    É simplesmente o esquadro de prova do pedreiro, motivo pelo que tem a superfície lisa, com seus braços ou extremidades formando um ângulo de noventa graus, e seu objeto é unicamente provar a exatidão dos lados da pedra, e constatar que os artifícios observam o mesmo ângulo.
    Na Maçonaria é o símbolo da moralidade. Esse é o seu significado geral e se aplica sob várias formas: 1a.É apresentado ao neófito como uma das três grandes luzes; 2a.Ao companheiro como uma de suas ferramentas; 3a. Ao mestre como o emblema oficial do Venerável da Loja. De todas as maneiras e de qualquer forma, inculca a mesma lição de moralidade, de lealdade, de honestidade. É tão universalmente aceito este simbolismo, que até se disseminou como fora da Ordem, e se encontra no linguajar familiar, comunicando a mesma idéia. A palavra quadrado ou esquadria, diz Halliwell, significa honesto, eqüitativo, como sendo o “procedimento honrado”. “Agir com honestidade” quer dizer proverbialmente proceder honradamente.
    Como símbolo maçônico é de data muito antiga, e era familiar entre os Pedreiros Operativos. No ano de 1830, o arquiteto, ao reconstruir uma ponte muito antiga, chamada de Ponte de Baal, que se encontra perto de Limerick, na Irlanda, encontrou sob a pedra fundamental um antigo esquadro de bronze, corroído pelo tempo, contendo num dos braços a seguinte inscrição: Serei fiel à verdade, que é o que represento e em tudo em que me baseio é a exatidão, isso no ano de 1517. Os Pedreiros de profissão, modernos, reconhecerão facilmente a idéia do lema de viver sobre o nível e o esquadro. Essa descoberta prova, se é que a prova seja necessária, pois a idéia familiar foi recebida dos nossos irmãos antigos, dos primeiros tempos.
    Da mesma maneira, o esquadro, como símbolo da Maçonaria Especulativa, surge desde o princípio da restauração. Num dos catecismos do principio do século passado (XVII), no ano de 1725, encontramos a resposta à pergunta: “Quantos formam uma Loja? Ela se forma com Deus e o Esquadro, com cinco ou sete maçons dignos e perfeitos”. Deus e o esquadro quer dizer que Deus e a moralidade devem estar presentes em todas as Lojas, como princípios diretores. Os sinais, nesses tempos, se faziam por meio de esquadrias, e os moveis da loja eram a Bíblia, o Compasso e o Esquadro.
    Em todos os ritos e em todos os idiomas onde existe a Maçonaria, o esquadro sempre conservou seu significado primitivo, como símbolo da moralidade.

    Tradução J.N.Guimarães

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  16. AURÉLIO AGOSTINHO

    Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354

    NO CAMINHO DA CONVERSÃO – Por esta época, Agostinho já andava desiludido com o maniqueísmo, começava a perceber as suas imperfeições e disparates.

    Em Milão, atraído pelo dom de oratória do Bispo Ambrósio, foi algumas vezes à Igreja para ouvir suas homilias. Aquela maneira de falar tão cativante, amistosa e paternal de Santo Ambrósio, levou-o a procurá-lo diversas vezes para conversarem sobre religião, ensejando-lhe ouvir os argumentos do prelado sobre temas que intimamente lhe perturbavam. Estava assim, numa fase de transição, querendo saber qual era a verdade e sentia que no seu cérebro havia uma torrente caudalosa de conceitos e teorias, que confundiam sua razão, deixando-o desorientado, não lhe permitindo enxergar a realidade dos fatos.

    E justamente, esta foi a primeira noticia boa que Mônica teve, logo que chegou. Sem dúvida, uma noticia alvissareira, porque relacionada com o seu principal objetivo, que era converter Agostinho e por isso, ficou emocionada com os olhos brilhando de satisfação.

    Por isso mesmo, assim que encontrou seu filho e “matou” as saudades, foi procurar o Bispo, com quem conversou longamente sobre a pessoa de Agostinho. O prelado ficou admirado com o fervor daquela mulher, em querer por todas as maneiras possíveis, recuperá-lo e reconduzi-lo ao cristianismo, fazendo reviver em seu coração a chama verdadeira do amor divino. E por isso dispôs a ajudá-la no que fosse necessário, a fim de que ela conseguisse êxito em seu objetivo.

    Dessa forma, nas oportunidades que surgiam, propositalmente Mônica deixava o filho em companhia do Bispo. Os diálogos animados que aconteciam, alegrava-o e também ia satisfazendo o seu desejo pessoal de conhecer a verdade. Entretanto, muito vaidoso pela posição de Reitor que ocupava na Faculdade, às vezes permanecia na expectativa, ansiando receber de Dom Ambrósio um elogio sobre a sua excelente conduta na Escola. Mas o Santo prelado, que lia o seu coração e via aquele desejo estampado, com habilidade procurava remover aquela fraqueza de seu caráter, agindo de maneira indireta, tecendo sinceros e merecidos elogios à sua mãe, ressaltando sua piedade cristã e sobretudo, revelando com ênfase, o imenso carinho que ela tinha por ele.

    Nas Missas que Agostinho tinha voltado a freqüentar, para ouvir os sermões do Bispo, começaram a despertar-lhe uma atração cada vez maior pela grandeza do conteúdo que encerra o mistério eucarístico, que aos poucos ia gravando em seu coração e desmoronando os últimos baluartes que continham guardadas aquelas falsas e errôneas idéias sobre o cristianismo.

    Mas o retorno teria que ser total, não havia condições para meio termo. Foi assim que a razão começou sobrepujar a matéria e a definir os rumos de sua vida.

    A situação podia ser apresentada como num polígono de quatro ângulos, no qual em cada ângulo estava um protagonista: Agostinho, Mônica, a amante e Adeodato, que necessitavam de urgente solução para as suas vidas a fim de definir a posição de cada um. Do estudo e entendimento entre eles, teria que sair a solução para o problema. O matrimônio de Agostinho com a amante, legalizando a vida em comum, tornou-se impossível por uma infinidade de motivos: ela era uma mulher pagã, de princípios e por ações; representava um passado vivo que tinha que ser esquecido, pois ambos praticaram o maniqueísmo, seguindo regularmente os preceitos da seita, a qual ela ainda estava ligada. A união de ambos também não atendia ao conceito tradicional de família e vida conjugal cristã. Por isso Mônica não estava animada em sugerir uma legalização da união, principalmente agora, quando seu filho começava a vislumbrar as luzes do verdadeiro caminho que conduz a DEUS, à medida que pesquisava e estudava os fundamentos da religião. Mas a par com tudo isto, havia o lado humano da questão, que tornava a separação dolorida e repleta de tristezas. Assim, depois de muitas palavras veio o ajuste final. Ele ficou com o filho Adeodato e a mulher voltou sozinha para Cartago.

    Foi um drama a separação, que lhe causou angústias e aflições. E no meio de uma terrível luta íntima, revelou ser um grande homem, pois se humilhou com decisão, reconhecendo seus erros e sua insensatez optando definitivamente pelo correto. Sofreu conscientemente, porque reconhecia que aquela era a única solução.

    Com o passar das semanas, as chagas foram cicatrizando-se e a paz lentamente veio chegando a seu coração. Mas ainda os dias eram muitos negros. Na sua mente a volúpia passou a operar intensamente, despertando desejos proibidos que lhe corroíam a alma. Era a lembrança do mal, sempre presente, que lhe incitava e fustigava seu íntimo, sem que ele pudesse, apesar de toda a sua erudição, conseguir uma maneira de vencer a tentação diabólica. A concupiscência era muito forte, dilacerava suas entranhas, enfraquecia sua vontade, entorpecia sua mente e confundia-lhe o raciocínio, produzindo uma cruel insegurança e uma vergonha que até transformava sua fisionomia.

    Certo dia, na ausência do Bispo, procurou o Padre Simpliciano que viera de Roma para ser o diretor espiritual de Ambrósio. Simpliciano era como um pai para o Bispo, pois o tratava com desvelo e com todos os cuidados de um atencioso protetor.

    Agostinho abriu o coração e contou ao Padre sua vida. O prelado silenciosamente ouviu o relato sem nada comentar. Porém, quando Agostinho falou que tinha lido uns livros platônicos traduzidos para o latim por Vitorino, o Padre quebrou o mutismo e deu-lhe os parabéns pelo fato de os ter lido e não se ter enveredado por escritos de outros filósofos menos escrupulosos e cheios de engano.

    Padre Simpliciano conheceu Mario Vitorino pessoalmente e sabia que ele era um filósofo muito respeitado. Dada a sua projeção intelectual, teve uma estátua no Fórum de Trajano, em Roma, como homenagem aos seus grandes conhecimentos e a sua obra. Entre outras, traduziu para o latim a Isagoge de Porfírio, a Eneida de Plotino e as Categorias de Aristóteles. Escrevia sobre filosofia, retórica e religião, mas seus conceitos religiosos deixavam muito a desejar, porque estavam impregnados de heresia, oriundas de pesquisas mal orientadas. Mas Vitorino converteu-se com a ajuda do Padre Simpliciano e tornou-se um valente cristão, sendo inclusive memoravelmente batizado na Catedral de Milão.

    Para aqueles que tinham muita fama, ou que tinham pouco desembaraço, ficando acanhados no momento da cerimônia, a Igreja permitia que fizessem reservadamente o voto de fé. Mas Vitorino tinha pregado abertamente a heresia contra a doutrina cristã, usado de todos os seus conhecimentos e da sua inteligência para apontar erros na religião católica. Por este motivo, resolveu professar publicamente a Doutrina de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, que agora, ele estava plenamente convicto de que era a certa, desculpando-se assim, de seu passado cheio de equívocos e inverdades.

    O exemplo de Vitorino, revelando uma decidida coragem na busca da “verdade fundamental”, sensibilizou Agostinho e foi calar bem no fundo de seu coração, que ardeu de desejos em imitá-lo, apesar de naqueles tempos, ainda viver com uma terrível dúvida, sem saber qual o caminho que deveria seguir.

    E nesta guerra intima, certo dia em que se encontrava com o espírito extremamente exaltado e com o coração torturado por um turbilhão de dúvidas, ouviu uma voz de criança vinda da casa ao lado. Não pode verificar se era de um menino ou de uma menina. A criança apenas cantava e repetia: “toma e lê”, “toma e lê”.

    Que significava aquilo? Seria o refrão de uma música? Certo é que olhando com atenção para a sua pessoa, observou que na pequena mesa em que se encontrava, bem a sua frente, estava um livro com as Epístolas de São Paulo. Abrindo-o ao acaso, as palavras que seus olhos viram, foram:

    “Como de dia andemos decentemente; não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do SENHOR JESUS CRISTO e não procureis satisfazer os desejos da carne”. (Rm 13, 13-14)

    Alípio, seu inseparável amigo, estava junto e admirado presenciou a forte comoção que ele sentiu.

    Não leu mais nada. Fechou o livro, abaixou os olhos e assentou-se numa cadeira próxima. Uma sensação de paz interior apossou de seu corpo. Finalmente, sentiu que tinha conseguido a primeira vitória sobre sua vontade. A palavra de DEUS tranqüilizou sua alma, dominando a sufocante confusão de idéias e maus pensamentos que queriam arrasta-lo de volta para o vício. Era um passo importante na sua conversão.

    Em companhia de Alípio, fez questão de levar este fato ao conhecimento de sua dedicada mãe, ela que sacrificara a vida inteira para tirá-lo do caminho da perdição e ainda lutava com todas as forças, a fim de orientar sua alma para DEUS.

    Agostinho ao vê-la sentiu lágrimas de alegria inundar-lhe os olhos, ao mesmo tempo em que se jogou nos braços dela e sem dizer qualquer palavra, carinhosamente acomodou-se em seu regaço. Mônica compreendeu a transformação, não eram necessárias as palavras. As suas preces tinham sido bem recebidas pelo CRIADOR e agora começava a concretizar o seu ideal tenazmente perseguido por tantos longos anos: a conversão de seu filho.

    Com a maior presteza Agostinho se desfez dos compromissos em Milão, pois sentia a necessidade de ficar só. Queria isolar-se o mais depressa possível, por que desejava organizar sua cabeça e sua vida, assim como, precisava de mais tempo disponível, para estudar a religião e penetrar conscientemente nos mistérios Divinos.

    RETIRO ESPIRITUAL – No meio dos diversos amigos que conquistou na Reitoria teve em Verecundo um sincero companheiro, que conhecendo o seu problema e as suas intenções, emprestou-lhe uma casa de campo em Cassiciaco, não muito distante de Milão.

    Por outro lado, Romaniano, o seu grande protetor ajudou-lhe financeiramente a comprar todo o necessário, a fim de que pudesse passar um longo tempo distante do burburinho da cidade,

    Assim, terminado o ano escolar, em companhia da mãe, do irmão Navígio, do filho Adeodato e de alguns discípulos mais afeiçoados, seguiram para a Quinta de Cassiciaco, onde ficaram desde setembro de 386 a março de 387, durante seis meses, pesquisando, estudando e formando em cada um deles, uma sólida cultura cristã.

    A par com a conscientização e o aprofundamento doutrinário, na tranqüilidade daquela linda região, preparou também o seu espírito, para que pudesse receber dignamente o Sacramento do Batismo.

    Cassiciaco chama-se hoje Cassago de Brianza, situado aproximadamente a 42 quilômetros de Milão, encravado no meio das montanhas. Na colina onde existia a casa de Verecundo, levantaram séculos mais tarde, o palácio do Duque Visconti.

    Naquele recanto aprazível, tudo concorreu de maneira certa e proveitosa, para o aperfeiçoamento espiritual de todos eles.

    Mônica repleta de felicidade, nas folgas de suas ocupações caseiras, observava o desenvolvimento extraordinário do filho. De vez em quando, era solicitada por ele, que também sempre contemplava a santidade dela, porque reconhecia em sua mãe uma admirável experiência e grande sabedoria de vida, para participar das “rodas de fogo”, quando cada pessoa tinha que explicar corretamente uma passagem da Vida de JESUS, ou alguma trecho da moral cristã, ou ainda, um aspecto doutrinário de uma determinada literatura, que era colocada em evidência.

    Agostinho estava tão envolto por um ardentíssimo amor a DEUS, que abrasava seu coração com ímpeto e o levava a exclamar com indizível ternura:

    “O beleza antiga e sempre nova, muito tarde te conheci, muito tarde te amei”…

    Voltando à cidade, foi batizado na Catedral de Milão pelo Bispo Ambrósio. Nesta oportunidade, também foram batizados Adeodato e os discípulos que o acompanhava. Seu irmão Navígio já tinha sido batizado em Tagaste.

    http://www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm

    Paulo Victor de Oliveira Batista
    CIM 129851
    http://www.virtuatradecenter.com.br

  17. SER DESNECESSÁRIO (MAÇONICAMENTE)

    Uma das situações, talvez a mais dolorosa para um homem, é quando ele se conscientiza de que é totalmente desnecessário, seja no ambiente familiar, no trabalho, na comunidade ou, principalmente, para nós maçons, na nossa Instituição.

    Os maçons tornam-se desnecessários:

    Quando decorrido algum tempo de sua Iniciação ao primeiro grau da Ordem, já demonstram desinteresse pelas sessões, faltando constantemente, demonstrando não estarem comprometidos com a Instituição, apesar de terem aceitado a Iniciação e terem feito um juramento solene.

    Quando, durante as sessões, já “enturmados”, ficam impacientes com as instruções, com as palestras ou com a palavras dos Irmãos mais velhos, achando tudo uma chatice, uma bobagem que atrasa o ágape e a esticada.

    Quando, ao tempo da apresentação de trabalho para aumento de salário, não têm a mínima idéia dos assuntos dentre os quais podem escolher os seus temas. Simplesmente copiam alguma coisa de um livro e apresentam-no, pensando que ninguém vai notar.

    Quando, ainda companheiros, começam a participar de grupos para ajudar a eleger o novo Venerável e, não raro, já pensando seriamente em, assim que chegarem a Mestres, começarem a trabalhar para obter o “poder” na Loja.

    Quando Mestres, não aceitarem que ainda não sabem nada a respeito da Ordem e acharem que estudar e comparecer ao máximo de sessões do ano é coisa para a administração, para os companheiros e aprendizes.

    Quando Mestres, ao participarem das eleições como candidatos a algum cargo na Loja, principalmente para o de Venerável, e não forem eleitos, sumirem ou filiarem-se a outra Loja onde poderão ter a “honra” de serem cingidos com o avental de M.: I.:, que é muito mais vistoso do que o de um “simples” Mestre.

    Quando já Mestres e até participando dos graus filosóficos não terem entendido ainda que o essencial para o verdadeiro maçom é o seu crescimento espiritual, a sua regeneração, a sua vitória sobre a vaidade e os vícios, a aceitação da humildade e o bem que possam fazer aos seus semelhantes, e que, a política interna, a proteção mútua, principalmente na parte material, é importante mas não essencial.

    Quando, como Aprendiz, Companheiro ou Mestre, não entenderem que a Loja necessita que suas mensalidades estejam rigorosamente em dia, para que possam fazer frente às despesas que são inevitáveis.

    Quando, como Veneráveis Mestres, deixam o caos se abater sobre a Loja, não sendo firmes o suficiente para exercer sua autoridade; não tendo um calendário com programação pré-definida para um período; não cobrando de seus auxiliares a consecução das tarefas a eles determinadas, e não se importando com a educação maçônica, que é primordial para o aperfeiçoamento dos obreiros.

    Quando, como Vigilantes, não entenderem que, juntamente com o Venerável Mestre, devem constituir uma unidade de pensamento, pois em todas as Lojas nas quais um ou os dois Vigilantes não se entendem entre si e principalmente não se entendem com o Venerável, o resultado da gestão é catastrófico.

    Quando, como Guarda da Lei, nada sabem das leis e regulamentos da Potência e de sua própria Loja, e usam o cargo apenas para discursos ocos e intermináveis.

    Quando, como Secretários, sonegam à Loja as informações dos boletins quinzenais, as correspondências dos Ministérios e, principalmente, os materiais do departamento de cultura, que visam dotar as Lojas de instruções e conhecimentos que normalmente não constam dos rituais, e são importantes para a formação do maçom.

    Quando, como Tesoureiros, não se mostram diligentes com os metais da Loja, não se esforçam para manter as mensalidades dos Irmãos em dia e não se importam com os relatórios obrigatórios e as prestações de contas.

    Quando, como Hospitaleiros, não estão atentos aos problemas de saúde e dificuldades dos Irmãos da Loja. Quando constatamos que em grande número de Lojas, com uma freqüência média de vinte Irmãos, se recolhe um tronco de beneficência de R$ 10,00 (dez reais) em média, todos são desnecessários, pois a benemerência é um dever do maçom.

    Quando, como Chanceleres, não dão importância aos natalícios dos Irmãos, cunhadas, sobrinhos e de outras Lojas. Quando, em desacordo com as leis, adulteram as presenças, beneficiam Irmãos que faltam e não merecem esse obséquio.

    Quando a Instituição programa uma Sessão Magna Branca para homenagear alguém ou alguma entidade pública ou privada, constata-se a presença de um número irrisório de Irmãos, dando aos profanos uma visão negativa da Ordem, deixando constrangidos aqueles que se dedicaram e se esforçaram para realizar o evento à altura da Maçonaria. Todos esses Irmãos indiferentes, que não comparecem habitualmente a essas sessões, são desnecessários à nossa Ordem.

    Muito mais haveria para se dizer em relação aos Irmãos desinteressados da nossa Sublime Instituição. Fiquemos por aqui e imploremos ao Grande Arquiteto do Universo que ilumine cada um de nós, pra que possamos agir na Maçonaria com o verdadeiro Espírito Maçônico e não com o espírito profano, e roguemos ainda, que em nenhuma circunstância, seja na família, no trabalho, na sociedade ou na Arte Real, tornemo-nos desnecessários, pois deve ser muito triste e frustrante para qualquer um sentir-se sem importância e sem utilidade no meio em que se vive.

    FONTE DE CONSULTA: Transcrito da revista O Delta

  18. A sessão de cada dia
    por ser em hora marcada
    primando pela harmonia
    precisa ser preparada.
    II
    P’ra que tudo não demore
    e os ritos sejam cumpridos
    a composição já ocorre
    na sala dos Passos Perdidos.

    III
    Somente terá entrada
    com certa antecipação
    a equipe encarregada
    de fazer a arrumação.

    IV
    O Mestre Arquiteto orienta,
    não deixa nada faltar
    das jóias à paramenta
    disposta sobre o altar.

    v
    O Mestre de Harmonia
    o som já deixa disposto
    com trilha de sinfonia
    selecionada com gosto.

    VI
    P’ras entidades idôneas
    concederem sua unção
    o Mestre de Cerimônias
    faz logo a incensação.

    VII
    O Guarda do Templo em destreza
    com a espada, ponta fria
    orando faz a limpeza
    tirando a má energia.

    VIII
    Os irmãos com parcimônia
    se arrumam para o cortejo
    e o Mestre de cerimônias
    se aproveita do ensejo

    IX
    Concita à consciência humana
    a toda a mente limpar
    para a impureza profana
    ali no átrio deixar.

    ABERTURA RITUALÍSTICA

    X
    Depois de haverem entrado
    e cessados os ruídos
    será de pronto anunciado:
    “os cargos estão preenchidos”

    Xl
    O Venerável que ouvia
    com o malhete nas mãos
    numa batida anuncia
    em loja… meus irmãos!

    XII
    Feitas as verificações
    e, se o templo está coberto,
    pelo sinal… são maçons!
    o trabalho será aberto.

    XIII
    O Orador logo informa
    no diálogo com o Venerável
    o que preciso se torna,
    para um labor apreciável.

    XIV
    Três os mestres dentre sete,
    de insígnias revestidos,
    p’ra o trabalho que acomete
    são os mínimos exigidos.

    XV
    Diz o Secretário a postos
    que há número legal.
    de oficiais pré dispostos
    para seguir com o ritual.

    XVI
    O Venerável quer ver
    se a loja está composta.
    o cerimonial por saber,
    vai logo dando a resposta:

    XII
    Se afirmativo, que informe,
    “os cargos estão preenchidos!”
    “no uso, tudo conforme!”
    “todos estão revestidos!”

    XVIII
    Para as ordens transmitir,
    dois Diáconos são acionados,
    um ao norte, sem transigir,
    outro no oriente. Postados.

    XIX
    O segundo então declina,
    que o respeito observem,
    e com ordem e disciplina
    nas colunas se conservem.

    XX
    O primeiro, cujo malho,
    simboliza sua missão:
    que se execute o trabalho,
    com ordem e perfeição.

    XXI
    Do sul é logo anunciado
    com o sol no meridiano
    que o obreiro é chamado
    ao trabalho não profano.

    XXII
    Será, também consentido,
    se fazer recreação
    após o oficio cumprido
    com ordem e exatidão.

    XXIII
    No ocidente finda o dia,
    e se o irmão foi ordeiro,
    o oficial que vigia,
    fecha a loja. Paga o obreiro.

    XXIV
    O Vigilante então atesta,
    o laborar proficiente.
    despedi-lo é o que resta,
    satisfeito.., e contente.

    XXV
    Do Venerável o momento,
    no oriente o sol se irradia,
    fazendo esclarecimento
    com a luz da sabedoria.

    XXVI
    A missão de a loja abrir
    é da sua competência
    e os trabalhos dirigir
    com a razão e a consciência.

    XXVII
    O Venerável questiona
    p’ra que aqui, nos reunirmos.
    é o que se proporciona
    para os defeitos banirmos.

    XXVIII
    Combater a ignorância,
    os erros, o preconceito,
    e a tirania, com ânsia,
    p’ra isso se tem o jeito.

    XXIX
    Glorificar o direito
    a justiça e a verdade
    para o bem-estar, ser feito,
    da pátria e da humanidade.

    XXX
    Para que tudo isso ocorra,
    e alcance sua plenitude,
    cava-se ao vicio, masmorra,
    e templos, se ergue, á virtude.

    XXXI
    Que é isso tudo então?
    O Chanceler vai dizer,
    respeitar a religião,
    é uma coisa a fazer.

    XXXII
    Também à autoridade
    é preciso respeitar,
    p’ra feliz a humanidade,
    poder então se tornar.

    XXXIII
    Com tolerância, igualdade
    o costume aperfeiçoado,
    e amor à fraternidade,
    assim será confirmado.

    XXXIV
    Não ver fronteira nem raça,
    não podia ser inverso,
    a maçonaria se espaça
    em oficinas no universo.

    XXXV
    Com a palavra sagrada,
    transmitida a preceito,
    no ocidente circulada,
    “tudo está justo e perfeito”.

    XXXVI
    Estando tudo correto
    p’ra abrir o livro sagrado
    o apoio do Arquiteto
    do Universo, é invocado.

    XXX Vll
    Oh! Quão bom e suave é,
    habitarmos em união.
    É como óleo da fé,
    se derramando em unção.

    XXXVIII
    Descendo no agasalho,
    pelas barbas de Araão.
    Tal qual do Hermon o orvalho,
    que escorre o Monte Sião.

    XXXIX
    Desta maneira, serena,
    a profecia é cumprida
    porque ali o Senhor ordena,
    para sempre, bênção e vida.

    XL
    A loja de São João,
    aberta com seu aval,
    trabalhará na razão
    e sã os princípios da moral.

    XLI
    Está iniciada a sessão
    pelo sinal consagrada
    com grande aclamação,
    a abertura é consumada.

    DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS

    XLII
    Para ser assegurado
    que a memória se ilustre
    é decifrado e aprovado,
    o último balaústre.

    XLIII
    Todo o decreto e ato,
    oficio e convocação,
    o Venerável, ao fato
    destina sem discussão

    XLIV
    A bolsa vai circular
    de Propostas e Informações,
    para assim se coletar,
    energia e proposições.

    XLV
    Terminados os expedientes
    segue com a Ordem do Dia,
    dá Instrução aos presentes
    e tudo o mais que previa.

    XLVI
    Tomando a benemerência
    gesto de fraternidade
    circulará na assistência
    o Tronco de Solidariedade.

    XLVII
    O óbolo o irmão deposita
    do que lhe estiver sobrando
    conforme o coração dita,
    as obras vai apoiando.

    XLVIII
    A palavra, circulando,
    A bem da ordem e do quadro,
    os obreiros vão usando,
    com rapidez e no esquadro.

    XLIX
    Após fazer saudações,
    o Orador por direito,
    faz suas declarações:
    trabalho justo e perfeito.

    L
    Concluindo o Venerável,
    complementa se preciso,
    com saber considerável.
    em seus dizeres, conciso!

    ENCERRAMENTO RITUALÍSTICO

    LI
    O livro da lei é fechado
    com o ritual da abertura
    e o trabalho, aclamado
    como prevê a escritura.

    LII
    O silêncio mais profundo,
    sobre o ali transcorrido,
    guardar do profano mundo,
    é jurado e prometido.

    SAÚDO POR TRÊS X TRÊS
    TFA, COM UM APERTO DE MÃO.
    Ir.’. JOSÉ DA SILVA M.’.M.’.
    LÁZARO LUÍS ZAMENHOF Nº 3600 GODF/COB RITO SCHRÖDER

  19. Elementos Introdutórios da Iniciação
    Por Gary L. Stewart, Imperator da CR+C

    A iniciação é o aspecto e a causa essencial da elevação da consciência às sublimes realidades de estados superiores – àquele estado transcendente de percepção, onde o Ser Verdadeiro funciona de acordo com o grau de seu despertamento, num plano de existência que permite o serviço, sem restrições. Ela opera em um dos diversos planos, cada um com sua própria realidade, sua própria criação, que podem ou não ter paralelo com aquelas de um mundo ao qual estamos acostumados. Nosso ponto individual de trabalho depende somente do grau de nosso despertamento e do nível particular de realidade no qual fomos iniciados.

    Até certo ponto, a natureza de nossas iniciações é escolhida por nós mesmos, embora, talvez, não somente como resultado de uma escolha intelectual. É nossa sinceridade interior, nossa atitude e nossa pureza de motivo que determinam em que nível funcionamos. É fácil perceber que nosso intelecto não pode tomar essas decisões por si só; antes, ele serve meramente para nos auxiliar a nos harmonizarmos com o Deus Interior, de onde se origina nosso desabrochar para atingirmos um ponto de verdadeira iniciação de verdadeira escolha.

    A Confraternidade da Rosa+Cruz é uma ordem iniciática e ritualística, em que o Caminho que escolhemos utiliza a técnica esotérica iniciática tradicional, que se desenvolveu a partir do sistema arcano, compreendido no alvorecer da consciência. O sistema Tradicional flui de uma corrente sem começo ou fim. Essa corrente não foi criada; está sempre presente. Nosso processo de iniciação tira o iniciado de sua realidade individual e abre um portal para o estudante, através do qual cada iniciado deve voluntariamente passar, por seu próprio desejo. A manifestação exotérica da iniciação não conferirá a esse iniciado nada além de uma escolha. E tal escolha deve ser feita pelo iniciado de coração. Uma vez que a escolha é feita e o iniciado verdadeiramente começar a fluir com a corrente disponível, a iniciação cumpriu seu propósito. Suas ferramentas não são mais necessárias, e o iniciado deve, então, preparar-se para a próxima iniciação, em sintonia com a corrente escolhida.

    O propósito deste artigo não é o de discutir nossos símbolos ou rituais, ou aquilo que eles devem transmitir. Este artigo é, antes, uma introdução aos elementos da iniciação, na qual as ferramentas do ritual físico tradicional e o mundo psíquico podem ser utilizadas para despertar nosso verdadeiro propósito de espiritualidade.

    Quando dizemos que a CR+C é uma ordem iniciática e ritualística, estamos dizendo que, através de nossa metodologia, reconhecemos o Caminho sempre-presente, o qual é estruturado num sistema hierárquico. Não me refiro a uma hierarquia exotérica de oficiais que lideram a Ordem e guiam seu propósito, mas sim a uma hierarquia esotérica que transcende a personalidade. Se um membro da Ordem ou um de seus oficiais é ou não parte dessa hierarquia é irrelevante. Na verdade, todo o conceito da idéia popular de mestres ou personalidades iluminadas nada mais faz que depreciar o trabalho que idealizam. Por quê? Porque tais mestres nada mais são que a criação e personificação da compreensão limitada das pessoas que os criam.

    Na assim-chamada “Nova Era”, que é referência para nossos tempos, da mesma forma que períodos anteriores foram conhecidos como “A Reforma” e a “Era do Iluminismo”, encontramos muitos que alegam serem canais exclusivos de personalidades de mestres e, pela primeira vez na história da humanidade, estão se revelando a nós com o propósito de salvação. Como isso difere das hostes de santos medievais, trazidas a nós pela igreja? Ou dos deuses dos Gregos e de outros povos? Como pode a humanidade hoje ser tão arrogante, a ponto de pensar que, pela primeira vez na história, seremos salvos pela interação pessoal de mestres, deuses ou santos?

    Não estamos numa “Nova Era”, da mesma forma que nunca realmente estivemos em qualquer outra “era”. Estamos simplesmente numa era que sempre esteve presente. Como em séculos passados, as pessoas estão agora se voltando, com interesse renovado, para ideais mais elevados, mas a maioria delas não está colocando sua fé numa personificação para guiá-las para a iluminação.

    Eis uma cilada que só a iniciação pode ajudar a evitar. É verdade que muitas pessoas hoje estão sinceramente canalizando mestres. Mas estes mestres não são da hierarquia esotérica. O que está sendo canalizado nada mais é que a crença criada, personificada pela consciência coletiva daqueles que acreditam. Aqueles que são proficientes em viajar nos reinos astral ou psíquico comprovarão o fato de que podem encontrar-se face-a-face com o deus Apolo ou com o Mestre Kuthumi. Mas só um iniciado pode verdadeiramente diferenciar entre aquilo que é real e aquilo que é uma manifestação criada. Uma manifestação criada possui vida, personalidade, mas não tem substância espiritual. E tocar a verdadeira hierarquia esotérica requer o reconhecimento dessa substância e a ascensão àquele nível de manifestação.

    O plano astral não é tão diferente do plano físico, exceto que a matéria, como a compreendemos, não está presente. Conseqüentemente, nossa percepção dentro do mundo astral vê uma condição de natureza mais etérea, que é muito mais fácil de gerar em forma visível. Muito daquilo que é de natureza positiva, quando visto neste reino astral, são pessoas materializadas de uma maneira que não pode ser feita no plano físico. Também devemos lutar com traços negativos de medo e ódio, que também se manifestam nesse reino. Juntos, eles formam um mundo paralelo, que ainda contém engano e ilusão. Muitas pessoas acreditam que, ao terem uma experiência nesse reino, conseguiram atingir o que buscavam, por encontrarem suas crenças lá personificadas. Mas se essas pessoas tivessem verdadeiramente experimentado uma iniciação, elas primeiramente ficariam muito desapontadas ao descobrir que aquilo que freqüentemente achavam ter atingido nada mais era que uma parte delas mesmas. Mesmo assim, se foram sinceras, a verdadeira beleza da iniciação desabrocharia e seu desapontamento daria lugar a um estado exaltado de compreensão, ao saber que um véu foi removido, e que a verdadeira hierarquia esotérica dos mestres está um pouco melhor compreendida.

    O problema em nosso mundo hoje, no que diz respeito a assuntos esotéricos, é que a iniciação não está presente como um sistema real na apologia popular à “Nova Era”. Somente a iniciação pode nos levar além das limitações e enganos físicos e psíquicos. Ao mesmo tempo, devemos nos conscientizar que uma iniciação não é física ou psíquica, embora métodos físicos ou psíquicos sejam utilizados. Uma iniciação verdadeira é puramente espiritual. Ela ocorre do interior de cada indivíduo, como um resultado de seu próprio preparo e presteza, sendo inspirada e acelerada por um ritual físico, o qual, às vezes, associa-se a uma experiência psíquica. Vejam as alegações de diferentes organizações e indivíduos. Quantos utilizam o processo iniciático? Não concordamos que, quando nossos olhos estão abertos, a maioria das alegações de espiritualidade são crenças pessoais formadas a partir do intelecto? Mesmo aquelas poucas organizações que declaram utilizar a técnica iniciática criam suas iniciações para adequá-las às suas idéias pré-concebidas.

    É imperativo que nos desliguemos dessas armadilhas. Caso contrário, seremos culpados de dar assistência às forças destrutivas à natureza. Existem hoje apenas algumas poucas estirpes de ordens iniciáticas prontamente disponíveis a todos os estudantes sinceros. Somente o verdadeiro iniciado pode encontrar qualquer uma delas. Mesmo assim, elas estão abertas somente a um número limitado. Há também outras escolas que servem à verdadeira hierarquia esotérica, mas sua técnica difere um pouco da linhagem iniciática; mesmo assim, somente um iniciado as compreenderá e elas também são muito poucas e reclusas.

    Por que este estado de coisas existe? Duas Guerras Mundiais, tecnologia materialista, nacionalismo e intolerância religiosa têm todos sido fatores que para isso contribuem. Mesmo nos “iluminados da Nova Era” encontramos uma atitude predominante, relativa à iniciação, enterrada na filosofia da “Nova Era”. Essa atitude pode ser melhor parafraseada nas palavras de um “místico” moderno ao promover determinada escola dizendo que, de acordo com os mestres, a era das ordens iniciáticas está ultrapassada, que sua técnica não mais se aplica ao mundo de hoje, e que deve ser substituída por uma nova ordem e uma nova técnica que correspondem e vão ao encontro do estado já elevado de consciência atingido pela humanidade.

    Tal declaração é o cúmulo da arrogância e revela a ignorância da corrente iniciática. Fazer tal alegação em nome da hierarquia esotérica é, entre outras coisas, um absurdo. Os iniciados que partiram antes de nós, que transcenderam os planos conhecidos e que nos guiam, através de seus ideais, nunca poderiam fazer tais alegações, porque foi a técnica iniciática que os levou até onde estão hoje. Nicholas Roerich disse uma vez que era possível que um iniciado evoluísse além da escola de pensamento que inicialmente o introduziu aos mistérios. De fato, espera-se que isso venha a acontecer. Mas ele também declarou que o iniciado sempre se lembraria com carinho e reverência daquilo que o guiou no Caminho.

    O que é, então, esta técnica iniciática que é nosso dever proteger? E o que ela ensina? Num estágio elementar, a iniciação é simplesmente um começo, como assim subentende a derivação da palavra latina “initium”. A iniciação é o início de um novo estado ou condição, abrindo-se para um novo caminho. Há três estados tradicionais de iniciação que consideraremos: (1) comum, (2) raro e (3) prejudicial.

    O profano é considerado um prisioneiro cego das trevas, que vagueia pelos diversos reinos do engano, ilusão e erro. Se o profano for sincero, por fim, encontrará uma iniciação que realmente coloca essa pessoa numa nova condição, livre das mentiras e preconceitos. Numa palavra, essa pessoa se torna iluminada e é reconhecida como um iniciado, tornando-se, portanto, mais forte e mais poderoso. Um novo caminho é aberto ao iniciado, e a Verdade Cósmica é revelada através do simbolismo; uma chave a ser usada para desvelar os mistérios ocultos do mundo profano.

    A conseqüência da iniciação é, ao mesmo tempo, uma possibilidade e um dever de utilizar a luz recém adquirida em nome da humanidade – uma possibilidade, no sentido que o iniciado pode se recusar a cruzar o portal; e um dever, no sentido que, se o cruzar, o iniciado deve se tornar um foco da radiação da luz. O iniciado deve se livrar de todo egoísmo e interesses egocêntricos. Se esses grilhões forem quebrados, a emissão de luz torna-se, imediata e simultaneamente, amor, energia e poder.

    A natureza desse poder é uma transmissão, por indução mental, do iniciador para o iniciado, o que cria uma nova condição mental ou percepção. O iniciador pode ser outra pessoa, ou pode ser simplesmente a Natureza; mas o ato da iniciação cria um equilíbrio dentro do iniciado, reconhecido como harmonia. Uma vez atingida a harmonia, o poder torna-se percebido e, portanto, torna-se permanente. Aquilo que é feito não pode ser desfeito. O iniciado percebe que não pode nunca mais voltar para o mundo profano. Mas ao mesmo tempo, não há garantia que o iniciado permanecerá no Caminho. É por isso que é extremamente importante que a ligação com o iniciador original seja mantida e que todas as viagens futuras sejam feitas de forma progressiva. Negar o iniciador original é negar o Trabalho. Desta forma, lembramo-nos das palavras de Roerich, como mencionado previamente.

    A ligação ou linhagem do iniciador ao iniciado é uma transmissão de poder através de uma cadeia ininterrupta de iniciados, que são, essencialmente, veículos humanos da Luz. Geralmente, um ritual especial acompanha tal transmissão, e seu propósito é o de desencadear uma corrente de assistência celestial, causando a harmonização com forças espirituais que ajudam o iniciado a destruir, pelo fogo, suas qualidades profanas. Um verdadeiro ritual de iniciação ultrapassa, em muito, uma simples dramatização. Uma dramatização somente tocará as emoções e o intelecto. O ritual tocará a essência espiritual e trará à existência a assistência espiritual através de um despertamento.

    Quando um verdadeiro ritual de iniciação ocorre, é acompanhado pela responsabilidade do iniciado de manter a transmissão do poder espiritual, através da obrigação do iniciado de irradiá-lo de dentro de seu ser. Também, há a obrigação de cada iniciado certificar-se que a Luz seja perpetuada e transmitida às gerações sucessivas, assim assegurando a continuidade da técnica. No entanto, ainda é possível ao iniciado afastar-se da linhagem e utilizar o poder para fins egoístas. Se isso for feito neste estágio, não estamos lidando com um indivíduo que é simplesmente ignorante sobre a Luz, mas com alguém que conscientemente serve às Forças das Trevas.

    O verdadeiro propósito desse tipo de iniciação é servir à humanidade, para garantir que a Luz seja irradiada em meio às trevas. Podemos ver, de fato, que as obrigações e responsabilidades do iniciado são grandes, e também percebemos que a importância de uma linhagem iniciática continuada e ininterrupta é de suma importância, para que o poder da Luz cresça e transcenda as limitações do iniciado individual. O indivíduo pode dar as costas à Luz, mas a cadeia iniciática e a linhagem centenária de iniciados criam uma condição que supera o indivíduo, pois não pode ser destruída pelos fracassos de uma única pessoa, qualquer que ela seja. Nenhuma pessoa isolada ou grupo pequeno de pessoas têm a força para desfazer o que foi feito. Isso se torna uma força e poder da Luz que não pode ser desviado. Eis porque é tão absurdo ouvir a alegação que as ordens iniciáticas estão obsoletas, e porque é tolice achar que uma criação completamente moderna da “Nova Era” possa substituir um sistema que tem funcionado e prestado um grande serviço por incontáveis séculos.

    O sistema da CR+C é o tipo de cadeia iniciática que acabamos de discutir. O sistema só pode ser tolhido caso a maioria dos iniciados torne-se negligente quanto às suas obrigações e responsabilidades. Mesmo assim, bastaria somente um iniciado verdadeiro para reviver o Trabalho.

    A segunda forma de iniciação é extremamente rara e é talvez a fonte de todas as ordens iniciáticas; em que, o recipiente da iniciação a recebe diretamente, através de uma osmose espiritual, e não através de um iniciador humano. Indivíduos tais como Pitágoras, Raymond Lully e Louis Claude de Saint Martin são exemplos disso. A validade de suas iniciações pode ser provada através de certos sinais, que representam certos segredos Cósmicos, que são revelados por tais indivíduos através de suas obras ou das ordens que iniciaram. A iniciação rara será coberta, em maiores detalhes, num artigo separado.

    O terceiro tipo de iniciação que consideraremos é a iniciação prejudicial ou iniciação negativa. Há dois tipos delas: aquelas criadas pelas influências destrutivas de um humano que usa a técnica iniciática para atingir fins egoístas e, segundo, aquelas iniciações produzidas pelas ações da ignorância e do engano, às quais comumente nos referimos como Forças das Trevas. O iniciado das Forças das Trevas é aquele que se harmoniza com as criações astrais da cobiça e do ódio, portanto nunca adentrando os planos espirituais. São, na verdade, ilusões, mas, ao mesmo tempo, uma força que deve ser levada em consideração em nosso nível de manifestação.

    A Luz Espiritual não conhece as trevas, mas, para receber a Luz, precisamos transcender as trevas e atingir seu nível. Devemos, através da iniciação, deixar as trevas para trás através de nossos próprios esforços. Não podemos levar as trevas conosco ao nos aproximarmos da Luz. A Luz não virá a nós se permitirmos que as trevas estejam presentes. Eis porque os mestres não canalizam através de médiuns em nosso plano de existência.

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    Iniciação Rara
    Por Gary L. Stewart Imperator da CR+C

    Em um artigo anterior intitulado “Elementos Introdutórios da Iniciação”, afirmei que a CR+C é uma ordem iniciática e ritualística e expliquei o que isso significa. Também falei de uma corrente que não possui limites de espaço ou tempo, e que a partir desta corrente ou caminho originou-se a linhagem e o propósito iniciático tradicional da CR+C.

    Além disso, expliquei os três tipos de iniciação — a comum, a rara e a nociva, seguidas de uma explicação um tanto extensa da primeira categoria, e então breves descrições da segunda e terceira categorias. O propósito deste artigo é examinar a segunda categoria — a iniciação rara.

    Primeiramente, devemos compreender, mais a partir do coração do que a partir da mente, que qualquer discussão com relação à iniciação deve ser circular. Em outras palavras, estamos considerando um fluxo ou corrente à qual denominamos caminho, o qual não possui nem começo nem fim. O caminho não é linear em que ele não se relaciona com os conceitos intelectuais de espaço e tempo. Ele não vem de lugar algum, nem tampouco termina em algum local. Ele simplesmente flui. Uma vez que sua natureza é um movimento fluente, por assim dizer, e não possui nem início nem fim, como então esta corrente, ou caminho, pode ser percebido?

    Ao examinar o caminho sob uma perspectiva Linear, nós nos visualizamos como um ponto, e visualizamos o caminho como uma linha. A qualquer dado momento, podemos ingressar nessa corrente, mas isso não necessariamente significa que nós nos fundimos com a corrente e nos tornamos um com ela. Nós afirmamos descritivamente que a corrente flui e que, ao nela ingressarmos, fluímos com a mesma. Entretanto “fluir com a corrente” não significa que temos que ser carregados corrente abaixo pelo movimento. Fazer isso significaria dizer que nós estaríamos simplesmente viajando de um ponto a outro ou, em outras palavras, vagando sem destino em uma direção geral. Fluir é a natureza da corrente, e ao entrar nessa corrente, o fluir deve tornar-se nossa natureza.

    Conseqüentemente, nós não devemos pensar no caminho como uma linha progredindo em uma direção particular, ou pensar em nós mesmos como pontos ao longo da linha, pois isto resultará em pensarmos em termos de medidas e nos perguntarmos questões tais como: “Onde estou no caminho?” ou “Quão evoluído eu sou?” No caminho iniciatório, as medidas não possuem valor intrínseco real além daquele de se atingir uma compreensão intelectual da situação.

    Assim, nos deparamos com um paradoxo. Por um lado nós “entramos no caminho”, o que nos diz que devemos começar em algum “ponto”. Mas se o caminho não possui nem início nem fim, como então pode alguém “entrar” sem perceber uma situação linear? Esta questão pode ser respondida simplesmente afirmando-se que devemos desenvolver versatilidade de mente e coração e, subseqüentemente, mudar nossa perspectiva para visualizarmos a situação não a partir da separação, mas mais exatamente a partir da Unidade. “Eu sou a corrente.”, “Eu sou o caminho.” Porém o “eu” não se refere a mim pessoalmente. É tudo que existe.

    Esta ciência só é atingida através da iniciação, e por nenhum outro meio. Ironicamente, nem sempre estamos cientes da iniciação, ou mesmo cientes deste caminho inerente dentro de nós mesmos. Mas ele lá está. Sempre esteve, e o ato de ingressar na corrente é meramente uma percepção de que já estamos no caminho. Como resultado disso, nossa perspectiva do caminho se modifica. Ele não é mais uma linha reta, mas ao invés disso, é uma substancia que a tudo penetra, que tem a aparência de existir em graus somente em relação à compreensão do indivíduo que o está experimentando. Nossa percepção, então, é um movimento circular e fluente que não conhece pontos. Não é, na verdade, uma forma espiral, porque não possui direção mundana — nem tampouco um sentido de superior ou inferior. Nem, ao mesmo tempo, é ela autocontida, porque é verdadeiramente infinita quando vista a partir de uma perspectiva mais completa de onipotência.

    A iniciação comum, como fora considerada anteriormente, atinge basicamente duas coisas. Primeiro, ela representa — não, ela é um caminho ou uma corrente completa solidificada em um método. Ela possui todos os elementos em sua forma completa contidos em um sistema que é em si e por si mesmo onipotente. Nesse tipo de iniciação, a tradição e a linhagem desse sistema são passadas de um iniciado para outro. Por favor, compreenda que a ciência de consciência expandida, ou de iluminação mística, que a iniciação comum representa e serve, não é necessariamente compreendida conscientemente pelo iniciado que recebe a iniciação. Nem é necessariamente compreendida conscientemente pelo iniciador, aquele que inicia. É importante perceber que uma substância intangível é passada de um para outro através do processo de iniciação comum, uma vez que cada iniciado, independentemente de sua compreensão, prestou um voto de se tornar um veículo de Luz e de verdadeiramente servir o caminho. Não é necessário para o iniciado ou para o iniciador compreender a essência que está sendo passada de um para o outro, contanto que a pureza de motivo e a sinceridade sejam evidentes. Isto se dá simplesmente porque uma pessoa não confere uma iniciação a uma outra pessoa. O iniciador serve a iniciação, e é o iniciado quem recebe o que é servido por um outro e concorda em servir perpetuamente da mesma maneira — assumindo a responsabilidade total de aprender o que ocorreu.

    Em segundo lugar, a iniciação comum inspira e desperta a iniciação rara dormente dentro de cada indivíduo. É importante notar neste ponto que uma iniciação rara não é superior, inferior, ou melhor do que uma iniciação comum ou vice versa. Para que um caminho seja seguido, há um inter-relacionamento imediato entre as duas formas de iniciação que necessita sua inseparabilidade. Este ponto será ilustrado em breve.

    A iniciação rara também pode ser referida como a iniciação verdadeira, apesar deste último termo poder ser enganoso. Definida simplesmente, a iniciação rara ocorre quando um iniciado recebe uma iniciação diretamente através de uma osmose espiritual e não a partir de um iniciador humano. Em outras palavras, há uma fusão completa da natureza do iniciado com a corrente espiritual. O iniciado percebe que ele ou ela não entrou meramente em uma corrente e viaja de um ponto a outro, como mencionado anteriormente, mas mais exatamente, a natureza do iniciado deve se tornar idêntica ao fluxo da corrente. A iniciação rara subentende que o recipiente recebeu uma percepção da iluminação mística. Entretanto, existe muito mais nisto do que nossos olhos podem enxergar.

    Qualquer pessoa pode receber iluminação mística, e não tem que estar em um caminho para assim o fazer. Se este é o caso, deve ser percebido que a natureza da iluminação poderia possivelmente ser sem sentido ou desperdiçada, de certa forma, em alguém que não percebe o seu significado e não a coloca em ação. A iluminação mística em si e por si mesma é comum. O que é extremamente raro é uma pessoa verdadeiramente perceber e participar da experiência, com isso apreciando seu valor por completo. Todos os seres têm o potencial para um despertamento inerente dentro de si. Portanto, a iluminação mística se torna uma simples percepção. Se essa percepção varia em grau de se saber desde como 2 + 2 = 4, até uma consciência expandida do Cósmico, depende da iniciativa e do propósito do indivíduo.

    A importância de uma experiência mística é que ela é noética. A pessoa sabe, sem dúvida nenhuma, que algo é verdade. No exemplo simples 2 + 2 = 4, não é o fato 2 + 2 = 4 que é uma percepção mística, mas mais exatamente, é o saber e o sentir daquela substância intangível que nos faz perceber e, pela primeira vez, nos maravilharmos com espanto que existe tal fato de que verdadeiramente 2 + 2 = 4. Nós todos já tivemos aquela experiência de saber, e esse sentimento é tão difícil de descrever e às vezes tão sutil que pode facilmente passar desapercebido porque nós nos tornamos muito envolvidos com os resultados ou fatos. Mas, na verdade ele lá está! A força de nossa percepção depende de como nós respondemos à energia sutil.

    Nós não conseguimos corretamente qualificar a equação 2 + 2 = 4 como uma iluminação mística ou como o resultado de uma iniciação rara. Porém, é importante saber que é a fonte por detrás da percepção da verdade desta equação que deve ser nutrida.

    Mais uma vez nossa discussão se torna circular. Mencionei anteriormente que existe um inter-relacionamento entre a iniciação rara e a iniciação comum. Este relacionamento tem a ver com o caminho ou corrente.

    Se um indivíduo é o recipiente de uma iniciação rara que resulta num despertamento completo de uma percepção espiritual, podemos presumir que esta pessoa já fora preparada para a experiência. Talvez esse indivíduo ingressou em um caminho e foi preparado por uma série de iniciações comuns durante sua vida. Ou talvez ele ou ela tenha sido preparado durante uma encarnação anterior. Quando o iniciado tem tal experiência, um de três resultados se seguirá. Ou esta pessoa não fará nada, com isso mantendo a experiência para si própria; ou o iniciado agirá e se tornará uma pessoa com propósito, estando assim servindo a iniciação de maneira a compartilhá-la com outros ou servindo a humanidade; ou o iniciado embarcará em um novo caminho.

    No primeiro caso, podemos ter por certo que a iniciação não foi completa, mesmo se ela assim tenha parecido para o indivíduo. As qualidades do serviço estão faltando e os benefícios acabam servindo ao próprio indivíduo. Com isso, a iniciação foi, de certa maneira, desperdiçada, embora comprometimentos menores possam se manifestar.

    No segundo caso, a iniciação foi acompanhada de um sentido de necessidade de servir. Tal serviço irá se manifestar, mais comumente com o indivíduo fazendo um voto e um compromisso silencioso e despretensioso de servir como um veículo de Luz em vias que possam nem parecer místicas em natureza. Tais indivíduos podem trabalhar no desenvolvimento da cultura, na educação ou no serviço à humanidade de alguma outra forma. Geralmente, tais pessoas são altamente consideradas, reconhecidas em seus campos e se destacam entre o resto de seus companheiros de trabalho uma vez que seus propósitos têm um comprometimento muito mais intenso.

    Dos três resultados, o segundo e o terceiro estão mais alinhados com o trabalho e os propósitos das linhagens e Ordens místicas, tais como a CR+C. No segundo resultado, o indivíduo já havia entrado em uma corrente ou caminho e tinha recebido iniciações comuns as quais inspiraram e aceleraram a iniciação rara. A escolha de propósito de tais iniciados então se torna trabalhar inteiramente dentro de seus caminhos escolhidos e acrescentar suas forças de compreensão da iniciação comum para outros indivíduos dentro de sua corrente. O terceiro resultado é começar um novo caminho. Porém, novamente, este terceiro resultado é enganoso, uma vez que o “novo” caminho não é novo, porém meramente um ramo do antigo, e se nós conseguirmos visualizar uma árvore com muitos ramos, nós poderemos ver como tais correntes se inter-relacionam.

    Nós dizemos que existem muitos caminhos, e realmente existem, mas todos eles se originam a partir de uma mesma fonte de base mística e espiritual. Os ramos são desenvolvidos de acordo com a necessidade, e tradicionalmente tais caminhos, como a corrente Rosa-Cruz, tem gerado ramificações místicas e não-místicas, baseadas no ideal espiritual do serviço e na necessidade no momento de sua concepção. No passado a corrente Rosa-Cruz foi responsável por influenciar e formar outros movimentos místicos, ordens e ritos, tanto quanto por contribuir para o desenvolvimento de organizações educacionais e aparentemente não místicas tais como a Royal Society e outros sistemas de pensamentos filosóficos e científicos, para assim guiar e adicionar um maior significado místico a tais movimentos. Hoje em dia, além de nosso trabalho espiritual e esotérico, fazemos o mesmo nos concentrando primariamente na cultura e educação como representações e manifestações mundanas de nosso ideal espiritual. O amanhã será determinado de acordo com a necessidade.

    Em resumo, a iniciação é sempre evidente em buscas espirituais e místicas. Nosso primeiro passo em direção a um caminho é o resultado de uma iniciação que nos ensina a necessidade de saber e fazer mais. Mais tarde, o iniciado irá experimentar uma iniciação comum ou uma iniciação rara. Caso a iniciação rara seja experimentada primeiro, o envolvimento com a iniciação comum se torna uma necessidade. Se alguém começa com a iniciação comum, a consecução de uma iniciação rara se torna uma meta, e a apreciação da iniciação comum subseqüentemente se torna mais evoluída, formando assim um círculo, uma vez que todas as iniciações são um amálgama do Todo.

    Extraido da Confraternidade da Rosa+Cruz do Site http://www.crcsite.org/CRCPortug.htm

  20. http://www.cecae.usp.br/recicla Você Sabia …

    DICAS PRÁTICAS PARA VOCÊ ECONOMIZAR ENERGIA E PROTEGER O PLANETA

    1. TAMPE SUAS PANELAS ENQUANTO COZINHA. Parece obvio, não é? E é mesmo! Ao tampar as panelas enquanto cozinha você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.

    2. USE UMA GARRAFA TÉRMICA COM ÁGUA GELADA. Compre daquelas garrafas térmicas de acampamento, de 2 ou 5 litros. Abasteça-a de água bem gelada com uma bandeja de cubos de gelo pela manhã. Você terá água gelada até a noite e evitará o abre e fecha da geladeira toda vez que alguém quiser beber um copo de água.

    3. APRENDA A COZINHAR EM PANELA DE PRESSÃO. Acredite, dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: Feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc. Muito mais rápido e economizando 70% de gás.

    4. COZINHE COM FOGO MÍNIMO. Se você não faltou às aulas de física no 2º grau você sabe: não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida.

    5. ANTES DE COZINHAR, RETIRE DA GELADEIRA TODOS OS INGREDIENTES DE UMA SÓ VEZ. Evite o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc.

    6. COMA MENOS CARNE VERMELHA. A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Não é piada. Você já sentiu aquele cheiro pavoroso quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? Pois é: É metano, um gás inflamável, poluente, e fedorento. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para você ter uma idéia: Para produzir 1kg de carne vermelha são necessários 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros.

    7. NÃO TROQUE O SEU CELULAR. Já foi tempo que celular era sinal de status. Hoje em dia qualquer Zé mane tem. Trocar por um mais moderno para tirar onda? Ninguém se importa. Fique com o antigo pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Se o problema é a bateria, considere o custo/benefício trocá-la e descartá-la adequadamente, encaminhando-a a postos de coleta. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam de derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias. Além disso, na maioria das vezes sua produção é feita utilizando mão de obra barata em países em desenvolvimento. Utilize seus gadgets até o final da vida útil deles, lembre-se de que eles certamente não foram nada baratos.

    8. COMPRE UM VENTILADOR DE TETO. Nem sempre faz calor suficiente pra ser preciso ligar o ar condicionado. Na maioria das vezes um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente gastando 90% menos energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia. Regule seu ar condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.

    9. USE SOMENTE PILHAS E BATERIAS RECARREGÁVEIS. É certo que são caras, mas ao uso em médio e longo prazo elas se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.

    10. LIMPE OU TROQUE OS FILTROS O SEU AR CONDICIONADO. Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano.

    11. TROQUE SUAS LÂMPADAS INCANDESCENTES POR FLUORESCENTES. Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.

    12. ESCOLHA ELETRODOMÉSTICOS DE BAIXO CONSUMO ENERGÉTICO. Procure por aparelhos com o selo do Procel (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados).

    13. NÃO DEIXE SEUS APARELHOS EM STANDBY. Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de standby de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso.

    14. MUDE SUA GELADEIRA OU FREEZER DE LUGAR. Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!

    15. DESCONGELE GELADEIRAS E FREEZERS ANTIGOS A CADA 15 OU 20 DIAS. O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo.

    16. USE A MÁQUINA DE LAVAR ROUPAS/LOUÇA SÓ QUANDO ESTIVEREM CHEIAS. Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve.

    17. RETIRE IMEDIATAMENTE AS ROUPAS DA MÁQUINA DE LAVAR QUANDO ESTIVEREM LIMPAS. As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica.

    18. TOME BANHO DE CHUVEIRO. E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.

    19. USE MENOS ÁGUA QUENTE. Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.

    20. PENDURE AO INVÉS DE USAR A SECADORA. Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.

    21. NUNCA É DEMAIS LEMBRAR: RECICLE NO TRABALHO E EM CASA. Se a sua cidade ou bairro não tem coleta seletiva, leve o lixo até um posto de coleta. Existem vários na rede Pão de Açúcar. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).

    22. FAÇA COMPOSTAGEM. Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, você terá um jardim saudável e bonito.

    23. REDUZA O USO DE EMBALAGENS. Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. Evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria.

    24. COMPRE PAPEL RECICLADO. Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas.

    25. UTILIZE UMA SACOLA PARA AS COMPRAS. Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.

    26. PLANTE UMA ÁRVORE. Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.

    27. COMPRE ALIMENTOS PRODUZIDOS NA SUA REGIÃO. Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.

    28. COMPRE ALIMENTOS FRESCOS AO INVÉS DE CONGELADOS. Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para
    ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena.

    29. COMPRE ORGÂNICOS. Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros pois a demanda ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agrotóxicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura “tradicional”? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo.

    30. ANDE MENOS DE CARRO. Use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o limpo (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano.

    31. NÃO DEIXE O BAGAGEIRO VAZIO EM CIMA DO CARRO. Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência do ar.

    32. MANTENHA SEU CARRO REGULADO. Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera.

    33. LAVE O CARRO A SECO. Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem. Procure no seu posto de gasolina ou no estacionamento do shopping.

    34. QUANDO FOR TROCAR DE CARRO, ESCOLHA UM MODELO MENOS POLUENTE. Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.

    35. USE O TELEFONE OU A INTERNET. Em quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.

    36. VOE MENOS, REÚNA-SE POR VIDEOCONFERÊNCIA. Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera.

    37. ECONOMIZE CDS E DVDS. CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas.

    38. PROTEJA AS FLORESTAS. Por anos os ambientalistas foram vistos como “eco-chatos”. Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.

    39. CONSIDERE O IMPACTO DE SEUS INVESTIMENTOS. O dinheiro que você investe não rende juro sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente.

    40. INFORME-SE SOBRE A POLÍTICA AMBIENTAL DAS EMPRESAS QUE VOCÊ CONTRATA. Seja o banco onde você investe ou o fabricante do shampoo que utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também a sua margem de lucro alardeada todos os anos. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim?

    41. DESLIGUE O COMPUTADOR. Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos.

    42. CONSIDERE TROCAR SEU MONITOR. O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe as instituições como o Comitê para a Democratização da Informática.

    43. NO ESCRITÓRIO, DESLIGUE O AR CONDICIONADO UMA HORA ANTES DO FINAL DO EXPEDIENTE. Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano. Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.

    44. NÃO PERMITA QUE AS CRIANÇAS BRINQUEM COM ÁGUA.
    Banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de
    brincadeiras com água são sem dúvida divertidas, mas passam a equivocada
    idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais
    precisam de orientação, as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com
    água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso.

    45. NO HOTEL, ECONOMIZE TOALHAS E LENÇOIS. Use o bom senso… Você realmente precisa de uma toalha nova todo dia? Você é tão imundo assim? Em hotéis, o hóspede tem a opção de não ter as toalhas
    trocadas diariamente, para economizar água e energia. Trocar uma vez a cada
    3 dias já está de bom tamanho. O mesmo vale para os lençois, a não ser que
    você mije na cama…

    46. PARTICIPE DE AÇÕES VIRTUAIS. A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!

    47. INSTALE UMA VÁLVULA NA SUA DESCARGA. Instale uma válvula para regular a quantidade de água liberada no seu vaso sanitário: mais quantidade para o número 2, menos para o número 1!

    48. NÃO PEÇA COMIDA PARA VIAGEM. Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar um pouco e curtir sua comida ao invés de pedir para viagem? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.

    49. REGUE AS PLANTAS À NOITE. Ao regar as plantas à noite ou de manhãzinha, você impede que a água se perca na evaporação, e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas.

    50. FREQUENTE RESTAURANTES NATURAIS/ORGÂNICOS. Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.

    51. VÁ DE ESCADA. Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.

    Fonte: ORA – Organização de Renovação Ambiental

    2 ª Simpósio USP Recicla: Gestão de Resíduos na Universidade de São Paulo: da ação cotidiana à política institucional por um campus sustentável· 25/10/2007 – Anfiteatro Prédio Engenharia Mecânica – Escola Politécnica· Inscrições: http://www.inovacao.usp.br/2simposiorecicla FESTIVAL DE BOAS IDÉIAS E PRÁTICAS AMBIENTAISCategorias: frases, projetos, programa de rádio (um minuto) e vídeosTema: Se você possui boas idéias e práticas ambientais que minimizem problemas sócio-ambientais locais e a produção de lixo para implantarmos em nossa comunidade entre em contato: (16) 36023584/ okada@usp.br
    ESTANTE PERMANENTE DE TROCAS E OBJETOS USADOS · Traga seus objetos em bom estado e funcionamento: roupas, sapatos, bijouterias, enfeites, eletrônicos, revistas, etc.· Retire objetos de seu interesse, sempre colocando outro no lugar.· Plantas, animais de estimação e objetos que não se adeqüem a estante podem ser anunciados no quadro de avisos. COMO EDUCADORES, NÓS QUEREMOS SER UMA ESCOLA QUE POSSUI COLETA DE LIXO SELETIVA?Os coletores para papel estão no corredor central do prédio principal da unidade.Participe! Não misture seu lixo reciclável com o lixo comum. Reciclar faz bem para o meio ambiente em que vivemos.

    Comissão Interna USP Recicla
    (Maria Helena, Maria Lucia, Waldir, Liana, Laura, Carlos, Renata, Renilva, Milene, Gabriela, Priscilla e Alessandra)

    recicla@eerp.usp.br

  21. Fernando disse:

    O DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM 22 de fevereiro.
    Não confunda no BR com O DIA Nacional DO MAÇOM 20 de Agosto.

    Nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro de 1.994, realizou-se em Washington, nos Estados Unidos, a Reunião Anual dos Grãos-Mestres das Grandes Lojas da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México).
    Na ocasião, estiveram presentes como Obediências Co-Irmãs (Sister Jurisdictions), a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja Nacional Francesa, a Grande Loja Regular de Portugal, a Grande Loja Regular da Itália, O Grande Oriente da Itália, a Grande Loja Regular da Grécia, a Grande Loja das Filipinas, a Grande Loja do Irã, no exílio; além do Grande Oriente do Brasil, com uma delegação chefiada por seu Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, que ali estava como observador.
    Ao encerramento dos trabalhos, o Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Ir.’. Fernando Paes Coelho Teixeira, apresentou uma sugestão encampada pelos Grãos-Mestres de todas as Grandes Lojas dos Estados Unidos e mais as do México e Canadá, no sentido de fixar o dia 22 de fevereiro como o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM, a ser comemorado por todas as Obediências reconhecidas, o que foi totalmente aprovado.

    E por quê 22 de fevereiro?
    Porque foi no dia 22 de fevereiro de 1.732, em Bridges Creek, Na Virginia (EUA), que nasceu GEORGE WASHINGTON, o principal artífice da independência dos Estados Unidos. Nascido pouco depois do início da Maçonaria nos Estados Unidos – o que ocorreu em 23 de abril de 1.730, no estado de Massachussets – Washington foi iniciado a 4 de novembro de 1.752, na “Loja Fredericksburg nº 4″, de Fredericksburg, no estado da Virginia; elevado ao grau de Companheiro em 1.753, e exaltado a Mestre em 4 de agosto de 1.754.
    Representante da Virginia no 1º Congresso Continental (1.774) e Comandante-geral das forças coloniais (1.775), dirigiu as operações, durante os cinco anos da Guerra de Independência, após a declaração de 1.776. Ao ser firmada a paz em 1.783, renunciou à chefia do Exército, dedicando-se então aos seus afazeres particulares. Em 1.787, reunia-se, em Filadélfia, a Assembléia Constituinte, para redigir a Constituição Federal e Washington, que era um dos Delegados da Virginia, foi eleito, por unanimidade, para presidi-la. E, depois de aprovada a Constituição, havendo a necessidade de se proceder à eleição de um Presidente, figura nova na política norte-americana, Washington, pelo seu passado, pela sua liderança, e pelo prestígio internacional de que desfrutava, era o candidato lógico e foi eleito por unanimidade, embora desejasse retornar à vida privada e dedicar-se às suas propriedades.
    Como Presidente da República norte-americana, nunca olvidou a sua formação maçônica: ao assumir o seu primeiro mandato, em abril de 1.789, prestou o seu juramento constitucional sobre a Bíblia da “Loja Alexandria nº 22″, da qual fora Venerável Mestre em 1.788; em 18 de setembro de 1.783, como Grão-Mestre pro-tempore da Grande Loja de Maryland, colocou a primeira pedra do Capitólio – o Congresso norte-americano – apresentando-se com todos os seus paramentos e insígnias de alto mandatário Maçom. Falecido em 14 de dezembro de 1.799, seu sepultamento ocorreu no dia 18, em sua propriedade de Mount Vernon, numa cerimônia fúnebre Maçônica, dirigida pelo Reverendo James Muir, capelão da “Loja Alexandria nº 22″, e pelo Dr. Elisha C. Dick, Venerável Mestre da mesma Oficina.
    Como se vê, a criação do DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM representou uma homenagem mais do que justa a um grande maçom, além de também ser historicamente pertinente.
    O Grande Oriente do Brasil, através do Decreto nº 003, de 10/02/95, do seu Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, atendeu à recomendação da reunião das mais importantes potências Maçônicas do mundo, e passa a comemorar o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM a 22 de fevereiro, com plenas justificativas maçônicas e históricas.
    No Brasil, comemoram-se também o DIA NACIONAL DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL em dezessete de Junho e, o DIA (NACIONAL) DO MAÇOM, em vinte de agosto.

    BIBLIOGRAFIA
    Revista “O Prumo” nº 84, Artigo do Ir.’. José Castelanni;
    Constituição do G.’. O.’. B.’. de 24/06/90, art. 145 (Das Disposições Transitórias e Finais);
    Lei nº 0026 – Regulamento Geral da Federação – de 23/01/95, art.. 235 (Das disposições Gerais e Transitórias).

  22. Fernando disse:

    Coletânea de Notícias Relacionadas às Ações da Loja “América” em prol da Abolição da Escravatura Publicadas no Jornal “Correio Paulistano” no Período de 12/01/1870 a 02/02/1872

    12/jan/1870 – Noticiario – Loj.۬. América
    “Informa-nos pessoa que tem do facto pleno conhecimento, o seguinte: ‘A Loj.۬. maçonica América, fundada ha pouco mais de um anno nesta capital, nesse curto periodo já tem concorrido com as despezas auxiliares para libertação e manutenção de liberdade de 42 captivos, grande numero das quaes hão sido alforriados ou manutenidos na liberdade por acção judicial.
    Considerando-se que esta officina custeia na capital duas escholas gratuitas de ensino primario, uma das quaes, a nocturna, conta grande numero de alumnos, fazendo portanto avultada despeza: e mais que não se retrahe nunca a qualquer acto de justa beneficencia, é sem duvida para admirar a modesta mas fecunda perseverança com que trabalham seus operarios no empenho duplo de dar a mão aos necessitados e dar a luz do ensino aos analphabetos.
    No bello exemplo que offerecem taes actos deve contar aquella officina gloriosa recompensa para o que há feito até aqui e animador incentivo para continuar na senda trilhada.”

    4/fev/1870
    Annuncios – Causas da liberdade – Américo de Campos e Antonio José Ferreira Braga Jr., advogam gratuitamente questões de liberdade.

    15/fev/1870 – Noticiario – Manutenção de liberdade
    “Foram manumetidos em sua liberdade (…) A manutenção foi requerida e ventilada em juízo pelo sr. Luiz Gama, que, como outras pessoas, acha-se comissionado pela loja maçonica America, de proteger perante os tribunais daquella ordem.
    É mais um titulo que realça os nobres e ferventes esforços daquella officina no caminho da caridade e philantropia.”

    8/abr/1870 – Noticiario – Associação de senhoras
    “(…) A Loj j.˙. maçonica America, sempre a primeira em taes empenhos, nomeou ha poucos dias uma commissão para convidar as senhoras, naquelle propósito, deixando a ellas o encargo de, congregadas, deliberarem de si mesmas sobre os melhores meios de fundar a sociedade.
    A comissão está composta dos seguintes senhores: Dr. Firmo José de Mello, Dr. Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, comendador José Severino Fernandes, tenente-coronel Luiz Soares Viegas, Augusto Lorena, João Ribeiro dos Santos Camargo Junior, Koaquim Roberto de Azevedo Marques. (…)”

    10/abr/1870 – Noticiario – Redemptora de creanças escravas
    Notícia sobre a sociedade emancipadora que estava sendo formada, os membros da comissão da Loj.˙. America dizem que as senhoras tem aderido. Fala sobre a condição da mulher que “(…) não conhece ainda a parte que lhe cabe e deve tomar na vida social (…)”
    Essa iniciativa portanto ajudaria a desenvolver o pensamento emancipacionista e libertaria a mulher do seu “viver estreito e acanhado”.

    Associação Emancipadora – o exemplo da loj.˙. America teve imitação:
    “Presentes 30 pessoas na Loja Amizade installou-se uma associação denominada Fraternisação com o fim de libertar escravos por todos os meios legítimos.
    Foram aclamados: presidente o sr.dr. Joaquim Augusto de Camargo – secretário, o sr. José Machado Pinheiro Lima – thesoureiro o sr. Joaquim José Teixeira de Carvalho Junior.
    Foram mais nomeadas duas comissões, uma para apresentar um projecto de estatutos composta dos srs. Felix de Abreu Pereira Coutinho, Pinheiro Lima e Teixeira de Carvalho Junior, e outra, para agenciar donativos composta dos srs. José Gonçalves Marques, Carlos Teixeira de Carvalho, Guery, Bernardino Monteiro de Abreu, padre Antonio Maria Chaves e Carvalho Pinto Filho.
    Consta-nos que os iniciadores deste bello pensamento na Loja Amizade foram os acadêmicos srs. Machado Lima, Joaquim Carvalho Junior, Gonçalves Marques e o consocio daquella loja sr. Carlos Teixeira de Carvalho.
    São estes senhores dignos dos maiores applausos, bem como aquelles outros maçons da Loja Amizade que acceitaram e vão levar a effeito o magno propósito, hoje posto sob a guarda dos brios brasileiros.”

    8/jun/1870 – Noticiario – Festa Maçonica em Jundiahy
    Foi regularizada pelo Gr.˙. Or.˙. do RJ ao Valle dos Benedictinos, a comissão regularizadora composta pelos Irs.˙. da Loj.˙. America da capital: Américo de Campos, Duarte Pinto e Luiz Gama, este ultimo em falta do sr. F. Nobre da Loj.˙. 7 de Setembro.
    Estiveram presentes outros maçons, a maior parte destas lojas. Oraram: Antonio B. Palhares de Camargo como orador da Lealdade; A. de Miranda da Sete de Setembro; dr. Olympio da Paixão da America; dr. Mesquita que estava como visitante. Falaram das virtudes maçônicas que são “tão ignobilmente calumniadas pelos jesuítas e seus cegos instrumentos”.
    Teve o pedido de uma escrava que precisava de determinada quantia para comprar sua liberdade de um convento de sacerdotes de Christo. Claro que deram o dinheiro, e se opuseram criticamente aos atos da Igreja.
    Os Ir.˙. da America, Americo de Campos e Olympio da Paixão, fizeram discursos que exaltavam as mulheres, essas que a Igreja relegava a um papel passivo e obscuro.

    8/jul/1870 – Noticiario – Associação emancipadora de senhoras
    Notícia de que no próximo domingo se instalará essa associação, e convida as senhoras que foram convidadas pela comissão da Loj.˙. America a irem. O evento se realizará na casa do sr. Commendador Felício Pinto Coelho de Mendonça e Castro.
    Assinam o anúncio: A.C.R. de A. Machado e Silva, F.J. de Mello, J. Severino Fernandes, J.R. de Azevedo Marques, A.J. de Lorena, L.S.Viegas, J.R.Santos Camargo Filho.

    10/jul/1870 – Noticiario – Associação de senhoras
    Noticia que instala hoje a sociedade de senhoras para remir crianças do captiveiro. E que deve-se essa ação à Loj.˙. América. Exalta a mulher como bondosa.

    12/jul/1870 – Noticiario – Associação de senhoras
    Foram poucas senhoras em vista do número das inscritas. Como parte da comissão da Loja America, o dr. Firmo de Mello e o sr. Comendador Severino Fernandes fizeram discursos.
    Como presidente, D. Anna Bemvinda Ribeiro de Andrada, secretária D. Luiza Emilia da Conceição e Azevedo Marques, thesoureira D.Maria das Dores Gomes, adjuntas D. Anna Marcellina de Carvalho e Andrada Machado e D. Carlota de Sampaio e Camera.

    14/jul/1870 – Noticiario – Associação Redemptora
    Ontem reuniram-se, “De nossa parte applaudimos com effusão tão robustas esperanças.”
    Discurso – Apresenta o discurso do dr.Firmo José de Mello na ocasião da instalação da sociedade acima mencionada. Fala da mulher que tem sido prezada, mas que tem um papel essencial. Esta sociedade tem um duplo fim: a redenção da escrava e a emancipação da senhora. Não deve exercer as mesmas funções que os homens, a mulher deve ficar no campo da moral (separada da política).
    (Nesta mesma sessão coloca uma notícia estrangeira sobre a emancipação da mulher.)

    28/ago/1870 – Noticiario – Redemptora
    As senhoras se reunirão na casa do coronel Joaquim Floriano de Toledo.

    17/set/1870
    Annuncios – Loj.˙. America (* repete o anúncio dias 20, 21, 23, 28, 30/set, 01, 12, 21, 22, 28/out)
    Para solenizar o seu aniversário em novembro, a Loja deliberou libertar o maior número de escravos que puder e diz que cada operário corresse uma subscrição para esse fim. Todos devem participar desse propósito, “Todos quantos glorificam se com o titulo de Ir.˙. da Loj.˙. America”.
    José Maria de Azevedo Marques – adj.˙. do secr.˙.

    25/out/1870 – Noticiario – Fraternisação
    Na festa de entrega de diplomas a sócios beneméritos e honorários e de cartas de alforria, estiveram presentes comissões e oradores da Loja América, Sete de Setembro e Amizade. Ferreira de Menezes orou em nome da Loja America.

    8/nov/1870 – Annuncios – Loj.˙. America
    Dia 9 será a sessão magna de seu 2º aniversário. “A sessão não tem caracter maçonico”, convida as associações emancipadoras: Redemptora, Fraternisação Primeira, Fraternisação, Sociedade Beneficente Democrática e as officinas maçônicas.
    A Loja se sentirá honrada com “a visita dos Ir.˙. de qualquer offic.˙. deste ou de estranho Val.˙.”.

    11/nov/1870 – Noticiario – Loj.˙. America
    Notícia sobre a celebração do 2º aniversário da loja. Estiveram presentes comissões da Loj.˙. 7 de Setembro e a associação Fraternisação Primeira, grande número de maçons de várias offic.˙.
    Lista dos alforriados, nomes dos Ir.˙. sr. João Antonio da Cunha – thesoureiro da Loja; Olympio da Paixão – operário da Loja.
    Dão notícia de que foram alforriados aqueles escravizados ilegalmente pelo bispo D.Antonio de Mello.
    Discursaram: orador da Loja, dr. Ferreira de Menezes; o acadêmico e orador da Loja 7 de Setembro, sr. Ferreira Nobre; o acadêmico e orador da Fraternisação Primeira, sr.Oliveira Bello; o acadêmico sr.Campos Carvalho e o dr.Martim Cabral.
    Finalizou a ceremonia o sr.dr.Americo Brasiliense de Almeida Mello, presidente da sessão e venerável da Loja América.

    15/dez/1870 – Noticiario – Acto digno de louvores
    “Foi ha dias apresentada à Loja America a escrava Benedicta, de cor branca, de 8 a 9 annos, pertencendo a Tristão José Lopes.” Essa escrava iria a praça para pagamento de credores de Tristão.
    “A loja nomeou uma commissão para fazer correr uma subscrição, e outra (composta do primeiro vigilante dr. A. de Campos, Penteado e Julio Martin) para entender-se com o sr.Keller, director da companhia de Quadros vivos (…)” para pedir dinheiro. Este se comprometeu a libertar a Benedicta, não precisando a loja se preocupar mais.
    “Dado publicidade ao facto nos é grato reconhecer que torna-se sem duvida merecedor dos maiores elogios e da estima publica esse distincto estrangeiro, que dotado de tão elevados sentimentos de humanidade não se recusa a socorrer aos infelizes, que buscam seu apoio.”

    21/dez/1870 – A Pedido
    Tem uma carta de Tristão José Lopez agradecendo a Loja América por ter ajudado a libertar sua escrava. Agradece especialmente Américo Brasiliense, Luiz Gama e a comissão que tratou com o sr.Keller, composta pelos srs.dr.Americo de Campos, Julio Martin e Penteado.

    10/jan/1871 – Noticiario – Sociedade Redemptora
    Mulher do Américo Brasiliense foi eleita presidente da sociedade, D.Marcelina Lopes Chaves de Mello.

    14/fev/1871 – Noticiario –Libertação judicial
    O juiz, de Santos, declarou livre a preta africana Luiza e seu filho Benedicto, creoulo de 15 anos. “A questão foi proposta e sustentada em juízo pelo sr.Luiz Gama, emissário da loja maçônica América”.
    O advogado do sr. Guilherme Bakhauser foi o conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva.

    19/abr/1871 – A Pedido – Loj.˙. America
    Assinada por Américo Brasiliense como venerável da Loja e Américo de Campos como 1 vigilante; “Propalam nesta capital, e ao que consta também no interior, que a Loj.˙. America emprega meios violentos e criminosos a bem da libertação de escravos nesta provincia .(…)
    Por autorisação e em nome da Loja declaramos que são falsos semelhantes boatos. (…) Sua acção nesse sentido nunca passou do exercício da philantropia. (…) O que a Loja fez foi arrecadar esmolas ou apoiar causas no tribunal.”

    2/fev/1872 – Noticiário Geral – Ordem Maç.˙.
    No RJ teve eleição do Gr.˙. Or.˙. do Brazil ao Val.˙. dos Benedictinos, o que ocorre de 5 em 5 anos, e “Foi reeleito Gr.˙. Mest.˙. e Gran.˙. com.˙. o min.˙. pod.˙. resp.˙. e ill.˙. ir.˙. dr. Joaquim Saldanha Marinho.”
    No relatório lido na sessão de posse “fez-se honrosissima menção da Loj.˙. América, e o Or.˙. de S.Paulo, pela maneira por que tem comprhendido e desempenhado os deveres maç.˙., já em bem da humanidade em geral, já, especialmente, nos esforços empregados na órbita legal em prol da emancipação servil.”

    Pesquisa realizada pela historiadora Luaê Carregari e por Wagner Odri no Arquivo Geral do Estado de São Paulo.

  23. Fernando disse:

    À G\ D\ G\A\D\U\

    O tema de minha fala
    é
    FILOSOFIA & MAÇONARIA

    Antes de tudo quero congratular-me com os Irmãos Marcílio Testa e Fernando Colacioppo Sobrinho pelo interesse por eles demonstrado com relação à cultura maçônica. O momento que a Maçonaria vive no Brasil não é dos melhores por vários motivos sobretudo, porque não é pequeno o número de maçons desinteressados pela leitura, desinteressados, até, quem sabe, em aumentar seus conhecimentos dessa gama de atrativos culturais que a Sublime Instituição põe à nossa disposição, através de uma simbologia filosófica fascinante, capaz de fazer de cada iniciado um verdadeiro maçom.
    De princípio, meus Irmãos, de princípio uma pergunta: Maçonaria! O que é a Maçonaria?
    A Maçonaria é uma Instituição universal e fundamentalmente filosófica.
    Seria realmente necessário despertar o interesse do maçom pela filosofia?
    Por que afirmar ser ela fundamentalmente filosófica? A resposta é simples. O que interessa à Maçonaria é o homem, e somente o homem e não se pode nunca tratar o ser humano, esmiuçar-lhe a alma a não ser por intermédio da filosofia.
    Se me perguntarem, meus Irmãos, se me perguntarem o que é o ser, se me perguntarem o que é o homem, lançarei da mesma resposta dada por Garcia Morente e por muitos outros filósofos: essa pergunta é irrespondível.
    Quando se procura definir o estilo, qual a única resposta possível? Buffon a eternizou: o estilo é o homem.
    Ora, se me é impossível definir o estilo que é algo próprio do homem, como me seria possível definir o homem? Se a pergunta é feita, ela exige de nós uma definição. Mas, seria possível fazê-lo, se para definir algo, supõe-se a necessidade de reduzi-lo a elementos de caráter generalizados.
    Por ventura, pergunta o filósofo, “existe conceito mais geral que o conceito do ser?
    Não, meus Irmãos, não existe.

    É por isso que posso afirmar que nada existe mais salutar, nada mais fascinante do que a discussão de idéias. Sempre que a discussão recai sobre idéias, alguma coisa nova vem adornar a cultura do homem.
    É necessário discutir, é preciso divergir, mas saber divergir. Discutir não significa querer impor as próprias idéias aos outros. De uma discussão honesta, mesmo que haja divergências sérias – o que quase sempre é salutar – de uma discussão honesta, repito, brotam, quase sempre, verdades irrefutáveis.
    Mas, vamos ao que viemos. Não é possível, em uma palestra, abordar, sequer, a milésima parte da doutrina maçônica que se casa inteiramente com a filosofia pura.
    Para começar, vou apontar um tópico que aparece quando da Iniciação. Pergunta-se ao iniciando o que é o vício e o que é a virtude. Tais perguntas se apresentam, no mais das vezes, como grandemente embaraçosas para quem se encontra numa situação até certo ponto de desconforto, sobretudo por causa da dúvida sobre o que vai acontecer. Talvez por isso, a sabedoria maçônica trata de conceituar um e outro e, o que vem escrito nos Rituais, mudando-se, às vezes, as palavras ou a maneira de dizer é o mesmo que nos ensina Aristóteles em “A Ética” de Nicômaco.
    Aliás, o Estagirita deixa bem claro que vício e virtude dependem de convenções sociais, muitas vezes arbitrárias. Ao cabo de contas, a verdade é que é muito difícil estabelecer, com segurança, o que é certo ou errado, bom ou ruim.
    De mais a mais, não se sabe se os termos ética e moral têm, hoje em dia, a mesma significação do ethos e do mores de gregos e romanos. Para nós, maçons, o moralmente bom é o que nos é permitido, e moralmente ruim o que nos é proibido.
    Para alguns maçons o difícil não é saber o que seja bom ou mau, talvez o difícil seja adquirir o hábito de pensar em profundidade sobre o assunto.
    Inegável é que a glória do homem é a sua faculdade de pensar, e a Maçonaria, essa extraordinária Instituição, tantas e tantas vezes perseguida por inimigos gratuitos e tantas e tantas vezes mal-compreendida por muitos de seus filhos, nos fornece todos os meios para que desenvolvamos essa maravilhosa faculdade. Se nos abstivermos de interpretar os símbolos maçônicos, usando nossa inteligência, para simplesmente acompanhar o que dizem os Rituais ou as exegeses feitas nos livros dos bons autores, não estaremos desenvolvendo o nosso pensar; todavia, sempre que buscarmos alguma outra significação nos Símbolos que a Arte Real nos fornece, estaremos, meus Irmãos, estaremos, sem sombra de dúvida, aumentando nossa capacidade de pensar.

    A Maçonaria nos dá inteira liberdade de fazermos a nossa exegese de seus símbolos e alegorias. Se assim não fora, estaríamos todos nós, do mais culto ao menos sábio, à mercê de perigosa lavagem cerebral. Se isto ocorresse, tenho certeza absoluta de que dela não faria parte essa plêiade de maçons inteligentes e cultos que aqui se encontram e que honram não só a Maçonaria de São Paulo, mas honram a Maçonaria do Brasil.
    Costumo dizer e não me cansarei nunca de repetir que é preciso aprender a pensar, porque então, fica muito mais fácil a busca da aprendizagem para que se possa alcançar a gnose.
    No início dos estudos da doutrina maçônica não é possível desfitar os olhos dos ensinamentos de Sócrates. Devemos convencer os nossos Aprendizes e devemos nos convencer a nós mesmos que a luta que o Primeiro Grau nos sugere, é uma luta que não cessará enquanto vivos formos, isto, em se tratando de maçons desejosos de cumprir tudo aquilo que lhes foi proposto pela Sublime Instituição.
    O Primeiro Grau se estereotipa no “conhece-te a ti mesmo”, divisa escolhida por Sócrates para sua pregação filosófica. O grande filósofo ensina ao Aprendiz que a primeira coisa a fazer é aprender a pensar. Por isso mesmo, simbolicamente, a Maçonaria manda que ele ouça e cale.
    Quem aprende a pensar, aprende a conhecer, aprende a discernir, aprende a falar. Foi o que o próprio Sócrates fez. Daí por que a linguagem que ele usa é sempre a linguagem do conhecimento. Aprendendo a pensar, o maçom-Aprendiz encontrará, sem dúvida alguma, meios e modos que lhe facilitem a busca, a procura, a investigação, o ponto exato de chegada.
    Assim, neste vai-e-vem do pensar, neste vai-e-vem da busca, ele, introspectivamente, passará a conhecer-se melhor.
    Sabe-se que o que caracteriza o lº Grau é o trabalho essencialmente iniciático. É necessário, é fundamental que o iniciado morra como profano e renasça com outra visão, buscando, sem esmorecimento, um outro estilo de vida.
    Sócrates quer que o homem mate o que existe de ruim dentro dele e faça viver as virtudes que o elevarão acima das pequenas coisas deste mundo. Para Sócrates, o existir nada mais é que o cotidiano da busca. Ele entende que tudo depende de luta e de trabalho; por este meio, adquire-se a ciência e só assim se alcançará o degrau da virtude.
    Conforme já dissemos, o 1º Grau nos ensina que é preciso adquirir o conhecimento próprio. Conseguindo isto, parte-se para outros conhecimentos.
    Conhece-te a ti mesmo! Isto nos formula uma filosofia ímpar, que nos leva à conclusão de que, se não praticarmos o conhecimento de nós mesmos, se não nos propusermos esmiuçar o nosso espírito com o fito de melhorá-lo,

    com a intenção de aperfeiçoar nosso intelecto, não projetaremos em nós mesmos uma melhoria moral, não conseguiremos desbastar a “Pedra Bruta”.
    É meridianamente claro que quanto mais o indivíduo se conhece a si próprio, mais facilidade terá ele em conhecer os outros. Só o conhecimento próprio, buscado humildemente e sem subterfúgios, é capaz de fazer com que o homem descubra a sua própria ignorância, o que, no entanto, será mais difícil se o espírito já não se houver apossado de algumas idéias filosóficas.
    Buscando-se a si mesmo, o Maçom-Aprendiz, no seu caminhar pelas veredas da vida maçônica, irá despojando-se dos convencionalismos, dos tabus, das superstições e irá adquirindo a pouco e pouco a capacidade de interpretar os símbolos, de compreender as alegorias, de sentir a funcionalidade dos ritos.
    Um outro ponto em que a filosofia de Sócrates muito nos ensina, é aquele em que mostra a obrigação que o maçom tem de submeter-se, conscientemente, mas sem rebaixar-se, à hierarquia da Ordem e da sua Loja.
    O pitagorismo se faz presente no 1º Grau, projetando o silêncio, como primeiro fim, para que se possa melhor ouvir e meditar.
    O estudo, a pesquisa, o trabalho, a luta, tudo gira em torno do homem, em torno do ser. Filosoficamente, sabemos que a existência humana pressupõe a questão do ser. E não nos confinaremos em Parmênides de Eléia ao pensarmos que o SER é e o NÃO-SER não é. Muitos e muitos séculos depois, Tomás de Aquino, o gênio da Igreja, preceitua na sua obra “De potentia”, que ao SER não se pode acrescentar nada que lhe seja estranho, porque nada lhe é estranho, com exceção do Não-Ser, que não pode ser nem forma nem matéria.
    PENSO, LOGO EXISTO! Daí resulta que pensar é ser. Mas o pensamento vai muito mais longe. O pensamento diagnostica o ser. O pensamento não pára no que descobre e transcende a si mesmo e parte em busca de outras metas, de outros conhecimentos; o pensamento adivinha outras belezas que o conhecimento não havia ainda determinado. O pensamento se auto-afirma, se auto-determina no desconhecido que ele busca. E o maçom-Companheiro há de descobrir que o pensamento que busca é Sol derramando luz, esparzindo calor, produzindo vida, consubstanciando riquezas.
    Segundo Grau! Grau do trabalho, Grau sociológico-político! Este grau arrima-se no aforismo do filósofo francês René Descartes: “Se duvido, penso; se penso, existo”. Este é um grau que se situa, filosoficamente, num patamar bem elevado, abjurando definitivamente das superstições, voltando-se para a verdade científica. Neste Grau, podemos fazer uma síntese das filosofias de Pitágoras, de Parmênides, de Sócrates, além de outros.

    Para o mestre Varoli, o Segundo Grau é o principal e o mais histórico da Maçonaria. É dele a afirmação de que não é maçom verdadeiro o iniciado que não conhecer bem o Segundo Grau simbólico, cuja doutrina é a mais perfeita síntese da história da humanidade e a mais completa exposição de que o homem tem passado por iniciações sucessivas.
    A primeira grande influência filosófica do Segundo Grau é dos primeiros pré-socráticos. Eles começam por indagar: “O que somos? O que é que existe? De onde vieram as coisas? Para onde iremos? E se viram diante do grande problema de achar o princípio das coisas existentes. O que desejavam era encontrar uma resposta que se baseasse num ponto de vista lógico ou uma proposição de aspecto geral que permitisse chegar a conclusões concretas, a partir de si mesmas. Era mister descobrir as razões das mudanças, talvez até aparentes, que se sucediam constantemente na natureza. O homem
    ficava deslumbrado diante do fenômeno que consistia em as coisas mudarem, desaparecerem, e a natureza continuar a mesma.
    Pelo que foi dito atrás, chega-se à conclusão de que a vida é um enigma e o maçom, no Segundo Grau, é obrigado a abordar este tema e, assim, não há como fugir da filosofia pura. O que sou eu? O que é a vida? Que estou fazendo aqui? Aí, não há negar, faz-se, obrigatória, a presença da filosofia de Parmênides de Eléia. Vejamos o que ele diz em um dos fragmentos de sua obra que chegou até nós:
    “Mas há no mundo o que importa mais que o mundo: o ser do mundo”.
    Esta afirmação nos leva à conclusão de que o pensar tem sempre o homem como alvo principal. Protágoras, o maior dos sofistas, talvez por conhecer a filosofia parmenídea, afirmou que o homem é a medida de todas as coisas!
    Deste modo, pode-se afirmar que quando se pensa, o ato de pensar estará sempre ligado ao ser.
    O maçom, já conhecendo melhor o seu Eu, chega, através do estudo, da observação do que se passa ao seu redor no dia a dia, ao conhecimento sociológico e passa a ter uma visão segura dos valores sociais e individuais, podendo então praticar a sublime trilogia Igualdade, Liberdade, Fraternidade!
    De Platão, o maçom herdou a realidade ideal. Platão buscou a sua filosofia no quaternário – sabedoria, fortaleza, temperança e justiça – que, eticamente devem ser o apanágio do Companheiro maçom.
    Para mim, e não abro mão deste meu pensar, para mim, o Mestre Maçom é um filósofo, daí a razão por que o Terceiro Grau é o Grau verdadeiramente superior, o Grau excelso. Os Graus que vêm depois servem para que alguns Irmãos busquem um aperfeiçoamento cultural maior; para outros, infelizmente, servem de simples palanque para a exibição de tola vaidade.

    Não nos esqueçamos, porém, e é bom termos sempre isto em mente: chegando ao Terceiro Grau, somos, todos nós, vocês e eu, muito mais Aprendizes do que quando usávamos aquele lindo avental branco, com a abeta levantada.
    Paremos! Coloquemos nosso pensar em ação! Agora somos Mestres… nossa missão é ensinar. Em matéria de aprendizagem – é a gnosiologia quem o afirma – não se pode parar. Parando, retrocedemos.
    É nossa obrigação estar sempre dispostos a ir à busca do conhecer. Heidegger tinha razão ao afirmar que “o mestre, que ensina, ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles, porque deve aprender a deixar aprender”.
    Quem não estuda, corre o sério risco de inventar. Nossa Sublime Instituição não é feita de invenções, não admite invencionices.
    Feliz de quem, meus Irmãos, feliz de quem, pela fé no futuro da Sublime Instituição Maçônica, a antecipa na visão do presente!
    _________________

    palestra Londrina – julho de 2002

    Poderíamos começar esta nossa fala, usando a frase que Mário de Andrade colocou como epílogo de Macunaíma!

    TEM MAIS NÃO!

    Expliquemo-nos… Quem se dedica a transferir aos outros, através de palestras, o pouco que conseguiu amealhar, percorre um caminho que nem sempre está livre de urzes e de espinhos. Mas o palestrante há de estar preparado para enfrentar tudo aquilo que por ventura venha a encontrar, não se amedrontando diante da montanha das dificuldades que se lhes antolhem pela frente. A montanha não há de ser contornada, há de ser transposta.
    Neste dia e nesta hora, nosso coração de maçom pulsa com a mesma veemência de quarenta janeiros, pois esta Londrina acolhedora, capital da cultura maçônica do Brasil, por força do hercúleo trabalho empreendido por Francisco de Assis Carvalho e todos aqueles que com ele mourejam na feitura da Revista e na publicação de livros, esta acolhedora Londrina, nestes dias de julho, recebe carinhosamente a fina flor da cultura da Maçonaria brasileira, num trabalho, meus Irmãos, num trabalho de engrandecimento da Sublime Instituição.
    Fomos incumbido de fazer esta palestra sobre o tema A necessidade de novos paradigmas para escrever sobre Maçonaria.
    Não temos a menor idéia de quem sugeriu fosse este o nosso assunto, pois nada nos foi comunicado diretamente e dele tivemos conhecimento por intermédio de “A Trolha”, através da publicação do programa do evento.
    Talvez, até, isso signifique que alguém confie no que nós dizemos. O certo, é devermos confessar que o autor da idéia acertou em cheio, porque ao
    escrever nossos artigos, ao preparar nossos livros, tivemos sempre na lembrança a afirmativa de Leibniz:
    “O uso da comunicação filosófica é aquele que se deve fazer das palavras para dar noções precisas para exprimir verdades certas em proposições gerais”.
    Em primeiro lugar, deve-se observar que cada escritor tem o seu próprio estilo, que tanto pode ser original ou não. O que é necessário é que aquilo que se deseja dizer seja expressado com clareza; essa clareza que é a exposição lúcida do pensamento, para que o leitor possa compreender o que lhe é passado, sem despender muito esforço e sinta a sensação agradável que está sob os influxos do Belo que, segundo Tomás de Aquino, é o meio adequado à realização de qualquer obra.
    É preciso também que nos voltemos para um outro aspecto que a comunicação escrita pode proporcionar ao leitor: a sensação de que está lendo algo diferente; a leitura lhe está proporcionando um prazer nem sempre encontrado em determinados livros. Aí, meus Irmãos, aí entramos no campo da estética que é o ramo da filosofia que trata da teoria da sensibilidade que, segundo Kant, tem por objetivo o estudo da sensibilidade para que se alcance as formas mais puras do sentimento. Para nós, estética nada mais é que a filosofia da Arte.
    A literatura “engajada”, sectária, jamais poderá alcançar as cumeadas da estética. Podemos até repetir com Gustave Flaubert que disse não haver livros morais ou imorais, o que existe são livros bem ou mal escritos.
    O filósofo, quando escreve, deve ter sempre em mira que, em estética, moram dois elementos que não podem faltar: o objetivo, cuja fundamentação está na coisa exposta, e o subjetivo que se liga ao sujeito.
    Todavia, tudo depende do estilo que, conforme já assinalamos, pode ser original ou não. O estilo não original, normalmente, se agarra à imitação, quando não resvala para o plágio, pura e simplesmente.
    Podemos dizer que o estilo não original é morto, sem colorido, sem relevo, muitas vezes até sem imagem.
    O estilo original surpreende e seduz. A beleza do estilo original reside na maneira do escritor dizer o que tem a dizer, escrevendo com naturalidade, respeitando a sintaxe da língua ou, como dizia o nosso velho mestre Pe. Antônio da Cruz, nas suas aulas de português, no querido e nunca esquecido seminário do Caraça: a naturalidade, dizia o Pe. Cruz, consiste na reprodução exata e fácil da verdade, sem aparato, sem o uso de palavras difíceis, sem requintes. É necessário, é imprescindível, dizia ele, que haja perfeita relação entre as palavras e o pensamento.
    O estilo original tem ritmo, é harmonioso, é musical. Basta nos lembremos da abertura de Iracema, de Alencar:
    “Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba. Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; serenai, verdes mares, alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro, manso, resvale a flor das águas”.
    Isto é prosa, senhores, isto é prosa trescalando a poesia.
    Muito mais do que a prosa, a poesia exige originalidade de estilo, exige musicalidade:
    “Oh! Dias da minha infância!
    Oh! Meu céu de primavera!
    Que doce a vida não era
    Nessa risonha manhã!
    Em vez das mágoas de agora,
    Eu tinha nessas delícias
    De minha mãe as carícias
    E beijos de minha irmã!”
    A poesia de Casimiro José Marques de Abreu, seja ela qual for, é música pura, é pura harmonia.
    “Tem tantas belezas, tantas,
    A minha terra natal,
    Que nem as sonha um poeta,
    E nem as canta um mortal;
    Mimoso jardim de fada,
    Do mundo toda invejada,
    Que o mundo não tem igual”.

    A necessidade de novos paradigmas para escrever sobre Maçonaria. Não sabemos se, realmente, a presença de novos modelos poderia influenciar estruturalmente a literatura maçônica.
    Falar de uma teoria ou de um paradigma, quando se tem em mira a expressão literária em si, talvez seja o nascer de uma excessiva ambição, porque se pode de imediato supor que na arte tudo está na dependência do talento de quem a pratica. Pensamos que nossa tarefa é muito mais simples, se quisermos realmente colher os frutos que por ventura ela produza.
    É preciso que o maçom escritor tenha a coragem de ser ele mesmo, não se intimidando com as idéias novas que lhe possam a cada momento surgir. Se isto ocorrer, examine-as e supondo-as legítimas, transfira-as para o papel, enriquecendo a sua obra.
    Raimundo de Farias Brito, maior filósofo deste país, no fecho de um discurso sobre Filosofia e Poesia, exclama!
    “Há momentos em que um só homem concentra em si a totalidade das emoções que constituem a vida da humanidade: é quando uma grande idéia revoluciona o seu ser!”
    O estudo, meus Irmãos, o estudo que o Maçom deve fazer é abrangente. Estuda-se na escola da Maçonaria – História, Ritualística, Filosofia e Doutrina. Em qualquer desses campos a pesquisa deve ser profunda. Não se pode ficar lambiscando aqui e ali na doce suposição de que, assim, se chegará a adquirir grandes conhecimentos.
    Quem pretenda ensinar, aquele que pretenda escrever, há de ter conhecimentos suficientes para que possa desincumbir-se bem dessas tarefas.
    Não se pode ignorar que há dois tipos de conhecimento: conhecimento intuitivo e conhecimento conceptual. O conhecimento intuitivo é aquele conhecimento de natureza pessoal. Em Maçonaria se aplica perfeitamente o conhecimento intuitivo, uma vez que diante de um mesmo símbolo, dois ou mais maçons podem intuir de maneira diversa, fazendo exegeses completamente diferentes.
    Já o conhecimento conceptual é o chamado conhecimento lógico, que, normalmente, é exercido sobre o conhecimento intuitivo.
    Mestre Ênio da Cunha Tavares pontifica que o conhecimento conceptual é aquele que se adquire pelo esforço, pelo estudo, pela pesquisa honesta, sendo, portanto, de natureza impessoal e universal.
    E isto é verdade porque, ao cabo-de-contas, esse tipo de conhecimento é aquele que adquirimos através dos conhecimentos de outras pessoas, através do que elas escreveram ou disseram. Ninguém nasce sabendo. E nada existe que exija mais disposição, mais força de vontade, que a busca de novos conhecimentos, pelo querer insopitável de alcançar a gnose.
    Para que possam surgir novos paradigmas para escrever sobre Maçonaria é preciso que sejamos senhores de nossa realidade maçônica. Temos dito, e não nos cansaremos de repetir que a Maçonaria nos fornece todos os meios e modos para alcançarmos o saber.

    E a realidade maçônica se consubstancia no aparato filosófico em que se apóia, em que se arrima a própria substância de sua doutrina. A verdade é que nos sentimos envolvidos pela realidade maçônica, antes mesmo de percebermos ou de conceituarmos essa realidade. A realidade maçônica tem o condão de nos
    impressionar e sentindo essa realidade o maçom revela uma dupla face: uma que se volta e se aninha em seu interior e a outra que procura transformá-la a partir do pensamento e da inteligência que a sente.
    Aquele que teve a felicidade de se aperceber da realidade maçônica verifica que ela é muito mais rica e, sobretudo, muitíssimo mais nobre que os conceitos que dela se possam formular.
    O verdadeiro maçom, aquele que percebeu a grandiosidade que se encerra na filosofia da Sublime Instituição, este está inserido definitivamente na realidade agnóstica da Maçonaria.
    Aí, sim, podem surgir novos paradigmas não só para se escrever sobre Maçonaria, mas para que se viva Maçonaria. Instalado na realidade maçônica, o iniciado parte em busca da verdade gnosiológica, ao invés de se perder na busca de conceitos, no mais das vezes ultrapassados. E então, oh! Maravilha das maravilhas! o entendimento cresce e se amplia, amplia-se e cresce de tal maneira que o maçom é obrigado a verificar que é preciso mudar e mudar para melhor!
    E o articulista, e o escritor, e o palestrante chegam a que conclusão?
    Os maçons estudiosos concluem que é necessário transcender a realidade, ao observar que, realidade outra que não a maçônica, não preenche a necessidade do que deve ser escrito, do que deve ser ensinado.
    Meus Irmãos, o caminho é um só! Procuremos inserir-nos na realidade que a Maçonaria nos oferece. Continuemos, sem esmorecimentos, o trabalho, a luta persistente, iniciados por Xico Trolha, há trinta e um anos, com a criação dessa Revista que não é só dele, é nossa, é da Maçonaria brasileira, A TROLHA!

    Cuiabá, 28.8.04
    IX Jornada Maçônica
    SPaulo – 12.9.2004
    Registro – 25.11.04
    S E R M A Ç O M

    À G\D\G\A\D\U\

    Quando o Venerável Mestre pergunta ao Irmão Chanceler o que é a Maçonaria, recebe, em resposta uma explicação. Recebe uma explicação do que seja a Maçonaria, porque Maçonaria não se define, vive-se! Para vivê-la, alguma coisa é exigida: em primeiro lugar é necessário que se tenha sido iniciado sem segundas intenções; faz-se mister que se tenha entrado na Maçonaria com fé, com amor, com vontade de aprender, com a santa gana de melhorar, de crescer em espírito e sabedoria.
    Feliz de quem tenha os olhos do espírito voltados para dentro de si mesmo. Feliz daquele que tenha compreendido a sublimidade dos três passos! Três passos que iniciam uma caminhada que apesar de difícil é gratificante para quem se entrega de corpo e alma ao estudo e à exegese dos símbolos e das alegorias.
    Três passos que são o começo de tudo; três passos que nos levarão ao Templo do amor e da virtude.
    É preciso, meus Irmãos, é preciso que sejamos capazes de partir e de chegar. É importante o partir; importante é o chegar, mas muito mais importante é o que será semeado ao longo dessa caminhada.
    O verdadeiro maçom, o maçom autêntico não resiste à misteriosa chamada que lhe exige novos passos, que não o deixa parar.
    É importante que nos conscientizemos que o caminhar indica fases da existência maçônica, razão por que o maçom não pode parar. O caminhar do maçom indica que ele está na busca dos conhecimentos que a filosofia e os símbolos lhe podem proporcionar. O que queremos dizer é que o que vale na caminhada é a busca da cultura e do aperfeiçoamento moral e espiritual.
    Caminhar é penetrar no âmago do conhecimento que a Arte Real nos pode propiciar, daí por que não é possível parar. Infeliz daquele que não faz a caminhada do amor na busca do aprimoramento pessoal, para, pelo exemplo, contribuir para a melhoria de vida daqueles que o cercam, em casa, nos locais de trabalho, no meio social em que vive. Parando, o maçom arrepia caminho, ou adormece, ou passa a sonhar com a deusa da preguiça mental, ou sonhará com a deusa do fracasso, ou a deusa da mediocridade.
    O maçom que pára, está cometendo uma tremenda injustiça consigo mesmo. E por que é que o maçom não pode parar? Porque enquanto estiver caminhando, a Maçonaria estará fortificando-se.
    Somos todos, meus irmãos, somos todos criaturas humanas e, como tal, temos defeitos e temos virtudes. Defeitos que devem ser extirpados, virtudes que devem ser aperfeiçoadas. A Maçonaria não é forja de santos, a Maçonaria não quer santos, a Maçonaria quer que sejamos homens livres e de bons costumes, a Maçonaria quer que sejamos homens de bem.
    Um dos intuitos maiores de nossa sublime Instituição é “tornar feliz a humanidade”. Nada há mais sublime que esse desejo. Entretanto, se quisermos participar da consecução desse querer maçônico devemos, antes de tudo, tornarmo-nos felizes a nós mesmos e àqueles que nos rodeiam. Em primeira plana, é preciso sejamos a pedra de toque da felicidade de nossas esposas e de nossos filhos. É necessário que o maçom seja leal consigo mesmo e, para tanto, não esmorecer no duro e estafante trabalho de desbastar a pedra bruta.
    Ninguém conseguirá converter aos outros senão pelo exemplo. Daí por que o amor há de se converter em hábito na vida do maçom, há de conviver com ele no seu dia-a-dia. E amor no sentido mais amplo do termo: aquele que tudo dá, sem nada pedir de volta.
    Mas, afinal, meus queridos Irmãos, o que é Maçonaria?
    Maçonaria é Liberdade, Maçonaria é Igualdade, Maçonaria é Fraternidade!
    Antes de mais nada, é preciso analisar essa sagrada trilogia, é preciso, uma vez por todas, entender esses três vocábulos, buscando-lhes a verdadeira significação.
    Liberdade, meus queridos Irmãos, Liberdade talvez seja um dos mais sublimes termos de todos quantos qualquer língua possua.
    Em todos os tempos e em todas as partes do mundo, ontem como hoje, o homem sempre lutou, e sofreu, e não poucas vezes morreu pela
    liberdade. Tiradentes subiu ao patíbulo por ela; o maçom frei Caneca, por ela morreu.
    Maçonaria e Liberdade se confundem; por isso mesmo, Liberdade é palavra mágica; mágica porque incitante e terrivelmente revolucionária.
    Liberdade é coisa que se não define; indefinível porque a tradução literal de sua significação seja em que língua for, assume as formas mais diversas, dependendo mesmo do interesse pessoal de cada indivíduo ou da conceituação que cada qual possa ou dela queira fazer.
    Liberdade não se vende, não se dá, não se outorga; Liberdade conquista-se!
    Maçonaria é Liberdade! Liberdade no sentido filosófico do termo. Daí por que costumamos ensinar que a grandiosidade da filosofia maçônica reside exatamente em ela não possuir conclusões obrigatórias. A Maçonaria defende a Liberdade de consciência e a Liberdade de pensamento. Não existe e não

    existirá nunca determinismos filosóficos, espirituais ou doutrinários no sábio conteúdo da Arte Real.
    Maçonaria é Igualdade! E essa Igualdade há de transformar-se em solidariedade. Solidariedade que é a justa medida que a Maçonaria exige de todos os seus afiliados. Washington era Presidente dos Estados Unidos, e exercia o cargo de Guarda do Templo quando sua Loja tinha como Venerável Mestre um humilde ferreiro. É com essa noção de que todos somos iguais que nossa sublime Ordem pode oferecer tanto a todos e a cada um em particular.
    Maçonaria é Fraternidade, e Fraternidade, meus queridos Irmãos, Fraternidade pressupõe abnegação, desvelo, compreensão e tolerância.
    Em sua monumental Histoire de la Franc-Maçonnerie, Rebol afirma com grande percuciência que “O verdadeiro objetivo da Maçonaria pode resumir-se nestas palavras: desfazer nos homens os preconceitos de casta, as convencionais distinções de cor, origem, opinião e nacionalidade, aniquilar o fanatismo e a superstição, extirpar os ódios de raça e, com eles, o açoite da guerra”.
    Meus Irmãos, a Maçonaria do terceiro milênio não pode continuar com a mesma estrutura do século dezoito. É forçoso reconhecer que o mundo mudou; é forçoso reconhecer que aquilo que era bom ontem, já não o é hoje. É de ver-se que não nos estamos referindo ao conteúdo dos ensinamentos maçônicos. Estes são os mesmos, e devem continuar os mesmos, porque são imutáveis.
    A Maçonaria tem que ser vista como de fato ela é: uma Instituição cujos membros estejam voltados para uma melhoria pessoal, visando a melhoria da sociedade.
    Se existem maçons indignos de carregarem esse nome, o seu número é diminuto e não chega, nem de longe, a ofuscar a beleza que nossa Instituição pode espalhar ao seu redor.
    A verdade, meus queridos Irmãos, a verdade é que a Maçonaria está a exigir de todos nós que nos dediquemos aos estudos com mais ânimo, com mais coragem, com mais amor.
    Nada se poderá fazer se não estivermos conscientes de que só o amor nos dará forças para vencermos as dificuldades que se nos antolham nos caminhos da vida.
    Saibamos cumprir nossos deveres de maçons, procurando ajudar sempre aos que estão encarregados do governo de nossas Potências.
    Meus queridos Irmãos, estamos firmemente convencido de que só o amor poderá fazer que sejamos maçons integrais, desvestidos de vaidades e de inveja. Só o amor nos levará a fazer de nossas vidas um ato de entrega aos nossos deveres de maçons.
    Só o amor, meus queridos Irmãos, só o amor conseguirá fazer de nós homens livres e de bons costumes, isto é, autênticos maçons!
    Finalmente, SER MAÇOM é ser escolhido, é ser predestinado. SER MAÇOM, meus queridos Irmãos, SER MAÇOM é pensar com clareza, falar com inteligência, viver com simplicidade. O maçom deve tudo fazer para tornar-se tranqüilo, calmo, paciente. O MAÇOM não é vaidoso e jamais sente inveja de seu Irmão; ama a vida e não a coloca nunca em perigo; não anda à procura de aplausos; o MAÇOM não aponta defeitos dos outros e nem os critica, porque sabe que o ser humano jamais será perfeito. Ser MAÇOM VERDADEIRO é não ambicionar cargos, é respeitar a verdade acima de tudo, é ser discreto e respeitar sempre o “sigilo” maçônico, é respeitar e obedecer aos Landmarques.SER MAÇOM é conhecer-se a si mesmo, tal qual é, é amar a Sublime Instituição, é confiar sempre no Grande Arquiteto do Universo.
    Parabéns, MAÇONARIA MATOGROSSENSE, parabéns pela grandiosidade deste evento, pelo amor demonstrado por aqueles que te governam pela verdadeira cultura maçônica.
    Que o nosso DEUS, O GRANDE ARQUITETO O UNIVERSO a todos proteja e guarde!

    Furna da Onça

    Discurso Uberlândia
    em 11.6.2004

    Ilustre Acadêmico
    Escritor emérito e insigne poeta,
    Dr. Antônio Severino Muniz!
    Senhores! Senhoras!

    Há momentos na vida do homem que se descortina diante dele um horizonte de luz e de vida!
    Neste instante, estou vivendo este momento. E esta é a razão por que não obedeço ao velho adágio popular que diz que o silêncio é de ouro e o falar é de prata. Talvez, senhores vereadores, talvez a prata do meu falar não tenha o valor do ouro do meu silêncio. Contudo, eu vos afirmo que esta prata, a prata do meu falar, está encastoada na jóia valiosa da amizade verdadeira e da justa admiração.
    De princípio, pensei em vir a esta esplêndida Uberlândia, Capital do Triângulo Mineiro, para assistir as homenagens que esta Colenda Câmara Municipal presta a Antônio Severino Muniz. Não, senhores, saí da minha Paulicéia desvairada e aqui estou, não só para assistir, mas para participar, de corpo alma, com o coração e com a mente desta esplêndida festa. Esplêndida porque justa, esplêndida porque ao dar o título de cidadão uberlandense a Severino Muniz, estais prestando uma homenagem a um homem que vindo, sabe Deus como, lutando pelos caminhos do mundo chega ao ponto que chegou e, talvez, a única pessoa que possa contar a vida toda desta criatura admirável seja o orador que ousa levantar sua voz nas arcadas deste sagrado recinto da Câmara de Uberlândia.
    E por quê Senhores? Por quê Senhores Vereadores?
    Vossas Excelências estão dando o título de cidadão uberlandense a um homem cuja vida acompanho desde quando ele tinha entre quatorze e quinze anos e lhe dei abrigo em minha própria casa, lá na minha querida Uberaba. Vi nele um jovem estudioso, cheio de coragem e com uma vontade extraordinária de querer ser alguém na vida. Prefaciei o seu primeiro livro – RETALHOS DE UMA VIDA – quando

    Severino Muniz tinha apenas dezesseis anos de idade. Livro de sonetos e de trovas. Alguém me perguntou se eu não tinha receio de emprestar o meu nome, prefaciando um livro de “versos” de um pirralho.
    Receio de quê? Eu estava prefaciando o livro de um menino que haveria de ser, não só um grande poeta, mas um escritor de projeção.
    Esta Casa está enriquecendo ainda mais esta maravilhosa cidade de Uberlândia, dando o título de filho desta urbe a um dos homens mais cultos, não só de Minas Gerais, mas de todo o Brasil. Os senhores estão homenageando o maior contista vivo destas plagas; os senhores estão homenageando o romancista extraordinário; os senhores estão homenageando o trovador inigualável; os senhores estão homenageando o jurista condigno; os senhores estão homenageando o chefe de família exemplar; os senhores estão homenageando um homem que ama Uberlândia, como ama o berço onde nasceu.
    Como jurista, Severino Muniz publicou a obra “Procedimento Sumaríssimo”, aí pelos idos de 1983/l984. Logo depois, sua pena produziu obra jurídica de fôlego: “Ações Cominatórias à Luz do Art.187 do C.P.C..
    Antes, por volta de 1968, Severino Muniz lança “FURNA DA ONÇA”, esplêndido romance regionalista, que tem a mesma estatura literária dos romances de Zé Lins do Rego, Eli Brasiliense, de Bernardo Elis, para citar apenas os maiores.
    Numa espécie de apresentação ele nos dá a primeira imagem do romance.
    “Não nos importa”, diz ele, “o pensamento alheio à literatura, mas importa-nos e muito o pensamento alheio a uma cruciante realidade injusta que, infelizmente, ainda impera por estes nossos sertões esquecidos, longe dos olhos de milhões de brasileiros”.
    É o grito de angústia do escritor que sofre com o sofrimento dos párias que habitavam e habitam os sertões deste nosso querido solo pátrio, tão mal governado ontem, e pessimamente governado hoje, em pleno século XXI.
    O romance começa pondo em evidência a vida de “Ciganinho”, cavalo mirrado de carnes, “de baixa estatura, com um arzinho humilde”.

    “Ciganinho” tinha tudo para se julgar infeliz, mas “Ciganinho”, apesar dos pesares, não era infeliz; “Ciganinho” tinha o amigo Benevídio. O negrinho Benevídio aparece logo no início do romance. Tem- se a impressão de que se está diante de um personagem secundário. Puro engano. Benevídio passeia pelas páginas do livro como um personagem que não é caricato. Benevídio é criatura humana. Aliás, uma das grandes virtudes de Severino Muniz é não pintar caricaturas no seu romance e nos seus contos. Os personagens criados pelo romancista – agora uberlandense – são pessoas de carne e osso, com defeitos e com virtudes. Algumas com mais defeitos do que virtudes.
    E Benevídio consegue atravessar toda a história do romance como personagem que centraliza a atenção do leitor.
    As caçadas de capivaras são tão bem descritas que o leitor chega a pensar que toma parte nas mesmas.
    Alguns personagens, tem-se a impressão, são nossos velhos conhecidos.
    Quem morou em pequenas cidades do interior, como eu, tem a impressão de ter conhecido Pedro Besta, andando de bar em bar, bebendo e cuspindo grosso. Seu Rufino e da. Lia, fazendeiros de bons preceitos não mereciam a judiação do fim que tiveram. O fazendeiro Lazico, pesteado, miserento, é igualzinho há muitos que ainda existem por aí nos socavões do Brasil. O romance tem dezenas de personagens. Poucos de gênio bom; a maioria ruins, tão ruins ou mais ruins que praga de mãe. Seu Lazico, fazendeiro explorador do braço nordestino, nojento, falso que só ele; seu Vadico, da farmácia; o fazendeiro Dicão, o Coronel Urzedo, o vaqueiro Jovino, o seu Moreira, da venda, o Salomão, nortista com nome de turco.
    O romance tem uma tessitura tal, que ninguém consegue adivinhar o final da história.
    Quem não se lembra das “capturas” que vez por outra invadiam as pequenas cidades e as fazendas do Triângulo Mineiro? Faziam coisas de tal tamanho que dariam pena a Lampião e a Antônio Silvino. O Sargento Caetano, comandante da “captura”, perverso, mais ruim que peste bubônica. Vá ser ruim assim, no inferno!
    “Furna da Onça” é, realmente, um romance que merece uma nova edição. Não se pense que a história de “Furna da Onça” está ultrapassada. A história ali narrada acontece hoje, está acontecendo agora, em várias regiões do País.
    E saibam os senhores, e saibam as senhoras, que Severino Muniz doou o romance ao Hospital do Pênfigo, de Uberaba, tendo aberto mão de seus direitos autorais em benefício daquela Instituição, que atendia e atende até hoje doentes de todo o Triângulo Mineiro. E saibam que, naqueles tempos, Severino Muniz era pobre, mais pobre do que eu, que sempre fui pobre.
    Eu disse, no início de minha fala, que Severino Muniz é o maior contista vivo de Minas Gerais e, quiçá, do Brasil.
    Seu primeiro livro de contos, “Trilhas Assombradas”, foi publicado em 1968, época em que o autor não tinha mais que vinte e poucos anos.
    O primeiro conto desse livro – Pau-de-Arara – é de densidade tal, só comparável ao “André Louco”, de Bernardo Elis. O conto “Amor de Jagunço” angustia o leitor, quando, no final, o velho marido traído consuma a vingança final. Todos os contos desse livro são verdadeiras obras primas.
    Este livro traz a opinião de grandes nomes das letras sobre o romance “Furna da Onça”.
    Escrevendo sobre o romance Bernardo Elis refere-se a Severino Muniz nestes termos: “Acho-o um dos autores novos mais bem armado para fazer boa literatura. Publique esta obra sem perda de tempo”.
    Victor de Carvalho Ramos escreveu o seguinte: “O livro é muito bom, digno da leitura dos que apreciam a literatura regional. Esse moço, pela mostra que nos dá, irá longe como escritor de talento”. E olhem que esse crítico tinha a mania sádica de falar mal das obras que lhe caíam nas mãos. O meu romance “Riachão” foi reduzido por ele a quintessência do subnitrato de pó de mico.
    Eli Brasiliense, um dos maiores romancistas do Brasil, escreveu: “Li os originais de “Furna da Onça” e achei o livro bom. Grande força descritiva, muito talento em pintar ambientes e apresentar os personagens, que se fixam logo na mente do leitor. Benevídio e Ciganinho – uma bela parelha que você soube conduzir numa história agradável, cheia de cenas atraentes, que impressionam pelo realismo com que são contadas”.
    “Trilhas Assombradas” é dedicado aos parentes do autor. Contudo, antes da dedicatória ao seu pessoal, na página anterior, Severino Muniz escreveu:
    “Aos nordestinos, alugados nas lavouras de
    arroz do Triângulo e de Goiás, homens he-
    róicos e injustiçados”.
    O extraordinário contista de Uberaba, nosso saudoso amigo Edson Prata, deu sua opinião sobre o “Trilhas Assombradas” e, às tantas, escreveu:
    “Este ‘Trilhas Assombradas’ do poeta, contista e romancista Antônio Severino Muniz, da nova geração que desponta nestas Minas Gerais, marcará uma época e deverá ocupar lugar definitivo nas letras mineiras, tal a densidade de vida que traz no seu conteúdo, a firmeza e a segurança da narrativa e, antes de tudo, o estilo limpo, correto e agradável do autor de ‘Furna da Onça’”.
    Em 1976, a Martins Editora de São Paulo publica o “Casas e Taperas”. Na introdução do livro, Edson Prata escreveu:
    “SEVERINO MUNIZ sempre conviveu com o homem do campo, o lavrador, o meeiro, o roceiro enfim. Conhece seus problemas, condói-se dessa gente perdida no sertão brasileiro, carregando angústias centenárias, tantas vezes realçadas, até com tintas fortes, sem que soluções definitivas se concretizem de vez, por numerosos ficcionistas como Mário Palmério, Raimundo Rodrigues, Bernardo Élis, Guimarães Rosa, Afonso Arinos, Monteiro Lobato, etc. O que não se pode deixar de ressaltar nesta obra, que fará época porque agradará tanto ao homem da cidade grande quanto ao vivente do meio rural, é a sua linguagem, toda especial, carregada de beleza inexcedível”.
    Menotti Del Picchia, o grande poeta paulista, autor do “Juca Mulato”, leu “Casas e Taperas. Referindo-se ao mundo onde se movem os personagens criados por Severino Muniz, escreveu o seguinte:
    “… Esse mundo sobrevive ainda por aí a fora. Mostra o autor, em prosa caseira, como nele se agitam as criaturas que o artista vai criando, pacatas umas, violentas outras, oferecendo ao leitor tipos que caracterizam o humilde lavrador caipira espoliado e não raro violentado por algum tipo de fazendeiro retardado, herdeiro do feroz senhor de escravos. Uma nota característica do prosador de “Casas e Taperas”, destaca-a seu crítico Edson G. Prata “o sentimento trágico que invade com freqüência suas estórias. É o retrato de uma época que vai desaparecendo”.
    De “Casas e Taperas” não há como ressaltar este ou aquele conto, uma vez que todos eles são verdadeiras obras-primas.
    O último livro de Severino Muniz, 1ª edição de 1993, intitula-se CANTO DE SAUDADE. Nesta obra, o autor revela toda a força poética que lhe vai n’alma. No prefácio do livro, vem esta grande verdade: Severino Muniz lança mão da trova com surpreendente facilidade. O livro apresenta “rimas” para todos os gostos. Muitas delas
    cairão na boca do povo e correrão mundo: Eu sonhei que nos beijamos/ e fiquei muito feliz: o teu beijo foi a trova/mais bonita que já fiz.
    Todas as trovas deste livro são de primoroso acabamento. Vejamos algumas delas:

    Pelas trilhas da lembrança
    – de nos seguir no presente –
    a saudade não se cansa,
    tal qual a sombra da gente.

    Nos teus olhos, vejo o céu
    sobre uma face corada
    e, na tua boca, eu bebo
    o orvalho da madrugada.

    Um carro de boi cantando,
    nas estradas do sertão,
    vem saudades carregando
    pro meu pobre coração.

    Eu me julgo um sonhador
    e a sonhar sempre me ponho;
    tenho medo que esta vida
    também não passe de um sonho.

    Para encerrar esse cadinho de coisas lindas, vejamos a trova que encerra o livro:
    Quando o “passopreto” canta
    desse jeito… triste assim…
    A saudade se agiganta
    e chora dentro de mim.
    E eu pergunto: é preciso dizer mais?!

    Raimundo Acreano Rodrigues de Albuquerque

  24. A Circum-Ambulação no Templo
    José Geraldo de Lucena Soares, 16°
    Capítulo “Integração e Prudência”- SP

    A expressão “circum” significa “em volta de”, “em redor de” e “ambulação”, de origem latina, tem o sentido de “andar, passear, caminhar”: ambulatio, onis, f. Daí os substantivos “ambulatório, ambulância, ambulante”, etc…
    Juntando as duas palavras temos que é andar, caminhar, em redor de algo que, no caso, é circular no Templo, tendo um ponto de referência que é o Painel do Grau.
    Caminha-se em redor desse referencial mencionado.
    Assim entende-se por circum-ambulação, a conduta de circular corretamente no interior do Templo de conformidade com o rito ali adotado.
    Mas, como andar naquele lugar sagrado, considerando sua forma geralmente retangular?
    O obreiro ao ingressar no Templo fica de frente ao Oriente (Leste), na parte Ocidental (Oeste), tendo ao seu lado esquerdo a Coluna Setentrião (Norte) e à direita, a Coluna do Meio-Dia (Sul).
    Qual caminho deverá seguir? Pela esquerda ou pela direita, seguindo a Coluna Setentrião (Norte) ou pela Coluna do Meio-Dia (Sul)?
    Isso depende do ritual eleito pela Potência ou Obediência que determina o cumprimento às lojas subordinadas.
    O critério pode ser um ou outro. O necessário é a obrigatoriedade da circulação pelo lado escolhido pela Hierarquia Maçônica, esquerda ou direita. Mas uma vez determinado pela Potência, as oficinas filiadas ficam vinculadas ao cumprimento do lado indicado.
    O que é proibido é a faculdade de escolha de cada loja.
    Vige o princípio da Unidade Administrativa da Sublime Ordem que impera como em outros casos similares.
    É preciso comando ditando regras visando continuidade da Instituição sem o qual estaria fadada ao declínio e a anarquia imperaria. Faz-se necessário a ordem para que a disciplina e progresso sejam conservados interna-corporis.
    É a Maçonaria Branca ou Administrativa (33°) de que estamos a falar do REAA.

    SISTEMAS DE CIRCULAÇÃO

    Dois são os sistemas que disciplinam a circulação no interior da Oficina: dextrocêntrico ou solar e sinistrocêntrico, também conhecido por polar.
    O primeiro (dexter, latim=direita), consiste em caminhar pela direita voltada diretamente para o lado interno do ponto de referência que é o Painel do Grau, isto é, a direita fica do lado interior de um círculo imaginário, enquanto a esquerda fica do lado exterior desse círculo que se imagina, obviamente.
    A caminhada, portanto, é no sentido dos ponteiros do relógio ou sentido horário.
    Ao ingressar no Templo, o maçom anda em direção ao Oriente (Leste), estando “entre colunas”, pela esquerda, passando pelo Setentrião (Norte), tendo a sua direita direcionada ao centro desse círculo imaginário, cujo ponto central é o Painel do Grau.
    Retornando do Oriente (Leste) para o Ocidente (Oeste), fará o inverso.
    Terá sua direita voltada para o centro desse círculo imaginado e sua esquerda próxima ou voltada para a coluna do Meio-Dia (Sul).
    Em qualquer parte que se encontre o maçom no Templo, sempre fará o percurso tomando como base a direção dos ponteiros do relógio.
    No Oriente (Leste), entretanto, não se exige qualquer regra de caminhada; pode-se andar da esquerda para a direita ou vice-versa, livremente.
    O outro sistema sinistrocêntrico (latim, sinister=esquerda), é o inverso do dextrocêntrico.
    O obreiro na mesma posição “entre colunas”, de frente para o Oriente (Leste), para reforçar o entendimento, começa seu giro pela direita que corresponde sua esquerda direcionada para o ponto central desse círculo que se imagina. Sua direita volta-se para a coluna do Meio-Dia (Sul), observadas as mesmas regras do dextrocêntrico, como o sinistrocêntrico.
    É que essa faculdade outorgada às Potências não é regulada por Landmarks para a escolha.
    Trata-se de simples discricionariedade conferida às Obediências de conformidade com o entendimento admitido e inspirado em interpretações diversas, inclusive de ocultismo e costumes locais. Vige a legislação maçônica ordinária editada pela Hierarquia Diretiva competente.
    Se a escolha recair sobre o sistema sinistrocêntrico acompanhará as movimentações da Terra em relação ao SOL, isto é, em sentido contrário ao andamento dos ponteiros do relógio: rotação e translação.
    É um modelo que pode justificar essa preferência de sistema da Potência e, nesse caso, todas as unidades maçônicas filiadas ficam obrigadas ao cumprimento, como já assinalamos. O que não pode é ficar ao desejo da loja subordinada eleger o sistema e adotá-lo, repita-se.
    Por outro lado, eleito o Sistema Dextrocêntrico pelas Autoridades da Obediência, o caminho será pela esquerda acompanhando a andança dos ponteiros do relógio ou sentido horário, como vimos
    Qual seria o motivo que autoriza a circulação pelo lado esquerdo?
    Muitas explicações existem, porém a mais aceita ou, pelo menos, razoável, é inspirada nos sentimentos positivos com o G A D U.
    Amor, bondade, caridade, perdão, piedade e compaixão são emoções ligadas à Divindade e, como o coração é tido como o guarda de sentimentos, por uma metáfora, a esquerda nesse aspecto, é eleita para a circulação no Templo.
    Não se deve esquecer que o coração está localizado mais para o lado esquerdo que do centro do abdômen.
    Esta é uma indicação para justificar o sistema dextrocêntrico, baseado no elo do Ser Humano com a Força Suprema Celestial.
    Sentimentos puros e exigidos para a vida com Deus. Aliás, essa alegoria é usada no matrimônio, onde os cônjuges usam a aliança no dedo anular da mão esquerda como sinal que a lembrança de seu bem amado ou amada está guardada no seu coração.
    No Islã, por sua vez, usa-se o sistema sinistrocêntrico na peregrinação a Meca, em redor da C A A B A (cubo) sagrada no ritual religioso.
    Poder-se-ia, entretanto, invocar-se a aparente incoerência do Sistema Dextrocêntrico, pois, sendo marcado pela direita, como sugere sua própria etimologia, a caminhada é pelo lado esquerdo do obreiro no Templo, no sentido dos ponteiros do relógio e aí seria incompatível com essa posição de direita.
    Essa incoerência é, realmente, apenas aparente.
    Foi esclarecido que o centro do Templo é marcado pelo Painel do Grau e este ponto é a referência da circulação do aspecto objetivo.
    O percurso pelo lado esquerdo do maçom na Câmara corresponde seu lado direito ao Painel do Grau, significando dois aspectos da problemática: subjetivo e objetivo.
    Considerando o modelo dextrocêntrico, no sentido dos ponteiros do relógio (Solar), temos o lado esquerdo do caminhante e surge o subjetivismo, eis que se tem em conta sua esquerda. Seu lado direito está direcionado para o Painel do Grau e, nesse caso, quando levamos em conta o ponto referencial que é este Painel do Grau, encontramos o outro critério que é o objetivo.
    Assim, quando falamos que a circulação é pelo lado esquerdo, implicitamente apontamos que é o lado do maçom, surgindo essa qualidade subjetiva.
    Por outro lado, quando se fala do Sistema Sinistrocêntrico (Polar), ao contrário dos ponteiros do relógio, a esquerda do circulante fica do lado do Painel do Grau e sua direita para a coluna do Sul (Meio-Dia) e aí temos a compreensão objetiva.
    Doutrinando sobre a matéria, Jules Boucher prefere a circulação sinistrocêntrica, “mas não nos oporíamos a que uma Loja admita a circulação inversa, com a condição de que exponha bem suas razões e que estas sejam válidas. De qualquer modo, é preciso adotar um dos sentidos e obrigar a sua adoção. É inadmissível que a circulação se faça indiferentemente num sentido ou outro. É necessário, é imprescindível que se adote um sentido ritual de circulação” (autor citado-“A Simbólica Maçônica”- pág.129-Ed. Pensamento). A propósito, o mesmo doutrinador observa que no ritual antigo operativo, “ele foi “polar”; de acordo com esse ritual, aliás, o “Trono de Salomão” era colocado a Ocidente, e não a Oriente, a fim de permitir que seu ocupante “contemplasse o Sol a Nascer”.
    Verificamos assim, a prevalência da marca objetiva do Painel do Grau, pois integra toda substância da Instituição Maçônica, considerada in abstracto , mais importante que seus membros que são efêmeros e irão mais cedo ou mais tarde para o Or . . Et . .
    A Ordem Maçônica é perpétua.
    Portanto, quando se fala da via pelo lado esquerdo do maçom, entendemos o elemento subjetivo. Quando se tem com referência o Painel do Grau, encontramos o critério objetivo.
    São esses os princípios que regem a circulação no Templo Maçônico.
    Obras consultadas:
    – A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – Ed. Pensamento
    – Enciclopédia Esotérica – David Caparelli – Ed. Madras
    – As origens do ritual na Igreja e na Maçonaria- H. P. Blavatsky – Ed. Pensamento
    – Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento

  25. Juscelino Marques disse:

    Gostaria de ter toda essa preciosidade de trabalhos para poder estudar e me aprofundar nos conhecimentos. Um triples e fraterno abraço.
    Juscelino Marques.

  26. “ARTE REAL” – BREVE COMENTÁRIO

    JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES
    ARLS “Fraternidade Judiciária”
    3614 – Gosp – Gob

    A execução dos conhecimentos técnicos e espirituais durante a vivência nos três graus básicos, em sua fase final, é, segundo a boa doutrina maçônica, o que se chama ARTE REAL.
    É, em poucas palavras, a aplicação prática dessa cognição, considerada como um todo.
    Realmente, o obreiro se inicia na aprendizagem, que no passado se familiarizava com a tarefa mais elementar e braçal e, aos poucos ia conquistando progresso profissional, galgando o degrau seguinte de companheiro até atingir o mestrado.
    Toda essa trajetória consumia tempo considerável e dependia também do interesse do artesão que poderia encurtá-lo através de seu mérito demonstrado pelo desempenho aprimorado do trabalho.
    O Mestre já dirigindo o grupo subalterno constituído de companheiros e aprendizes, era considerado um “Dirigente Perfeito” dentro dos padrões da atividade exercida de construções nas diversas áreas que o empreendimento reclamava. Era “o que mais sabia”; o “magister”, no verdadeiro sentido etimológico.
    A chefia que era confiada ao mestrado, exigia de seu titular a qualidade de diretor incontestável, talentoso, competente e dotado de boa psicologia para o comando daquela massa operária.
    A lenda de Hiran Abiff reflete toda essa dinâmica durante a construção do Templo de Salomão.
    O mestre Hiran Abiff sempre norteou sua conduta profissional e pessoal nesse sentido de perfeição – matéria e espírito –, tanto que foi assassinado por não revelar a “senha dos mestres” dos diversos estágios do artesanato à pessoas indignas. O significado dessa alegoria representa a ambição, inveja, ignorância e fanatismo desses malfeitores. São sentimentos malévolos que nenhum Ser Humano deve cultivá-los, especialmente o maçom.
    Esse enfoque de natureza material atinente a ARTE REAL, foi observado por Henri Gray, citado por Jules Boucher (A Simbólica Maçônica – págs. 268 – 11ª. Edição – Editora Pensamento), para explicar sua aparição no mundo da Sublime Ordem: “Os Canteiros” haviam trabalhado para levantar suas obras-primas a mandado dos reis e dos príncipes da Igreja. Por mais privados de instrução que se possa imaginá-los na Idade Média, suas tradições escritas não lhes deixavam ignorar que sempre havia sido assim em todos os tempos e entre todos os povos em que Reis e Padres haviam honrado a Arquitetura. Esse é o motivo pelo qual as palavras “ARTE REAL”, que servem para designar, impropriamente, a Franco-Maçonaria, aplicam-se, na realidade, “Arte de Construir”.
    Todavia, o mesmo Henri Gray, ainda citado por Jules Boucher (mesma obra), sustenta que “Os apreciadores das Ciências ocultas pretendem que essas ciências constituíam monopólio exclusivo dos Reis e Padres da antiguidade, e que foi porque elas encontraram refúgio na Franco-Maçonaria que essa Sociedade merece ser chamada de “ARTE REAL”.
    Vê-se, assim, que a “ARTE REAL”, por uma interpretação histórica surgiu realmente na maçonaria azul, principalmente na época medieval e foi recepcionada pela Franco-Maçonaria que a consolidou através de seu prestígio conquistado a partir do Século XVIII.
    Na verdade, a doutrina que abraça esse entendimento favorável a Franco-Maçonaria, parte do princípio que a intelectualidade e erudição estavam presentes na realeza e no sacerdócio e, assim, eram qualidades dessa elite, propiciando que todos esses movimentos e manifestações de sabedoria tomassem o nome de “ARTE REAL”. Era “ARTE” porquê era Sublime e “REAL” pela origem da Realeza.
    Daí ser considerada a Franco-Maçonaria – ARTE REAL –, estendendo-se esta denominação para os “ALTOS GRAUS”, como conseqüência, no século XVIII.
    É de se lembrar, entretanto, que na Idade Média, o artesanato, além do cultivo da hierarquia maçônica, havia o preparo espiritual de grande dimensão prestigiado pelas guildas. E tanto assim que os grandes monumentos construídos na Europa foram catedrais e castelos financiados pelos Nobres ou a Igreja, cuja convivência com os artesãos era harmônica e perfeita.
    Com o passar dos tempos continuou a maçonaria operativa a desempenhar essas atividades com toda maestria, impulsionada pela crença espiritual com apoio da Igreja cristã. Só em meados do Século XVII é que começaram suas dificuldades de subsistência na Inglaterra.
    A partir daí é que começa lenta e continuamente o que depois veio a ser conhecido como Franco-Maçonaria e aí as atividades da Ordem passaram a ser chamadas de “ARTE REAL”, absorvendo o acervo de grandes realizações da operatividade pretérita.
    O progresso da Especulação foi fator preponderante da transferência do nome “ARTE REAL” para essa Nova Era Maçônica quando foi, na verdade, simples continuação dos ensinamentos da ordem na época medieval.
    Acresce ainda que com a implantação dos “ALTOS GRAUS” no Século XVIII essa novidade fez reforçar esse entendimento, que não correspondia a realidade e consolidou a crença atualmente adotada por expressiva parcela doutrinária.
    Sobre esse enfoque da “ARS REGIA”, é digno de referência o pensamento de Joaquim Gervásio de Figueiredo (Dicionário de Maçonaria – pág. 51/55 – 14ª Edição – Editora Pensamento), quando assinala que “Uns têm remontado a origem dessa denominação ao fato de se basearem seus símbolos em atos do rei Salomão; outros a têm atribuído à circunstância de haver sido ela patrocinada por Carlos II, no Século XVII, que dela se serviu para reconquistar o trono da Inglaterra, e outros ainda, à sua reorganização e proteção, no Século XVIII por parte de Frederico II, rei da Prússia. No entanto, parece-nos mais acertada a justificação apresentada por Gédalge no “Dictionnaire Rhéa”, verb. “Art Royal”: “A prática do processo iniciático tem sido sempre denominada ARTE REAL, sem dúvida porque essa arte faz do iniciado um Rei, ‘um Mestre” (SENHOR) de si e da natureza”. E prossegue: “Teoricamente, autêntico Mestre Maçom, grau 3º, é aquele que possui e pratica todos os segredos da ARTE REAL, isto é, da Maçonaria Azul. Em 27 de dezembro de 1774 o Grande Oriente da França substituiu essa antiga denominação por “ORDEM MAÇÔNICA”.
    A exposição supra, como se observa, demonstra que o termo “ARTE REAL” surgiu nos primórdios da maçonaria, crescendo na Idade Média e consolidando-se no Século XVIII com a Franco-Maçonaria ou Free-Mason, se desejarem.
    O certo é que, como anotado pelo autor citado, desde 27 de dezembro de 1774, o “Grande Oriente da França” substituiu essa antiga denominação por “Ordem Maçônica”. Mas, seja como for, o que importa é que essa aplicação prática das lições maçônicas adquiridas em qualquer fase da vida, sirva para que cada um de nós construa dentro de si um Templo repleto de Bondade e Amor na esperança de aproximação com o G A D U .
    É uma mensagem esotérica, oculta.
    É o que se extrai desse tema maçônico!

    BIBLIOGRAFIA.
    – A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – Ed. Pensamento.
    – Grau de Mestre Maçom e seus Mistérios – Jorge Adorm – Ed. Pensamento.
    – Dicionário da Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento.
    – O Código da Maçonaria – Pedro Silva – Ed. Universo dos Livros.
    – A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento.

  27. Aug.: Resp.: Loj.: Simb.:

    GUARDIÃ DA PAZ

    Federada ao Grande Oriente do Brasil sob o nº 2443

    R.: E.: A.: A.:

    O Papel da Maçonaria na
    Independência do Brasil

    AP.: M.: Alexandre de Oliveira Rizzo

    Templo próprio – Sessões as quintas-feiras
    Rua Eng. Francelino Mota, 777 Cordovil
    Rio de Janeiro – R.J.

    Queridos IIr.: , para poder destacar o “Papel da Maçonaria na Independência do Brasil”, foco deste trabalho, se faz necessário um passeio por datas e fatos Históricos que marcaram época. Porem procurarei ser o mais objetivo possível, visto que durante minhas pesquisas notei que como todo fato Histórico, que envolve política, a nossa Independência não foge a regra, e delega atribuições, pesos e relevâncias diferentes para mesmos personagens de acordo com a afinidade e interpretação dos Autores. Assim me aterei aos personagens principais desta “Epopéia Histórica” ( D. Pedro, José Bonifácio, e Gonçalves Ledo ), sem desmerecer a inúmeros colaboradores, maçons, ativistas que tiveram participações fundamentais no somatório deste contexto, como José Clemente Pereira, Cipriano José Barata, José Joaquim da Rocha, Francisco de Santa Teresa Jesus Sampaio( Frei Sampaio), Januário da Cunha Barbosa( Cônego Januário), Brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto, entre outros.

    Uma pequena apresentação:
    – PEDRO DE ALCANTARA FRANCISCO ANTÔNIO JOÃO CARLOS XAVIER DE PAULA MIGUEL RAFAEL JOAQUIM JOSÉ GONZAGA PASCOAL CIPRIANO SERAFIM DE BRAGANÇA E BOURBON : (Queluz, 12 de outubro de 1798 — Queluz, 24 de setembro de 1834) foi o primeiro imperador do Brasil (de 1822 a 1831) e 28º rei de Portugal (durante sete dias de 1826).
    Recebeu os títulos de infante, grão-prior do Crato, príncipe da Beira, príncipe do Reino Unido de Portugal do Brasil e Algarves, príncipe regente do Reino do Brasil além de primeiro Imperador do Brasil, como D. Pedro I, de 12 de outubro de 1822 a 7 de abril de 1831, e ainda 28º Rei de Portugal (título herdado de seu pai, D. João VI), durante um período de sete dias (entre 26 de abril e 2 de maio de 1826), como D. Pedro IV. Em Portugal é conhecido como O Rei-Soldado, por combater o irmão D. Miguel na Guerra Civil de 1832-34 ou O Rei-Imperador. É também conhecido, de ambos os lados do Oceano Atlântico, como O Libertador — Libertador do Brasil do domínio português e Libertador de Portugal do governo absolutista. D. Pedro I abdicou de ambas as coroas: da portuguesa para a filha D. Maria da Glória e da Brasileira para o filho D. Pedro II. D. Pedro I era o quarto filho (segundo varão) do rei D. João VI e de sua mulher, Carlota Joaquina de Bourbon, princesa de Espanha, primogênita do rei espanhol Carlos IV da Espanha. Tornou-se herdeiro depois da morte do seu irmão mais velho, Francisco (1795 – 1801).

    – JOSÉ BONIFACIO DE ANDRADA E SILVA: (Santos, 13 de junho de 1763 — Niterói, 6 de abril de 1838) foi um naturalista, estadista e poeta brasileiro. É conhecido como “Patriarca da Independência”.
    Pode-se resumir brevemente sua atuação dizendo que foi ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823. De início, colocou-se em apoio à regência de D. Pedro de Alcântara. Proclamada a Independência, organizou a ação militar contra os focos de resistência à separação de Portugal, e comandou uma política centralizadora. Durante os debates da Assembléia Constituinte, deu-se o rompimento dele e de seus irmãos Martim Francisco Ribeiro de Andrada e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva com o imperador. Em 16 de julho de 1823, D. Pedro I demitiu o ministério e José Bonifácio passou à oposição. Após o fechamento da Constituinte, em 11 de novembro de 1823, José Bonifácio foi banido e se exilou na França por seis anos. De volta ao Brasil, e reconciliado com o imperador, assumiu a tutoria de seu filho quando Pedro I abdicou, em 1831. Permaneceu como tutor do futuro imperador até 1833, quando foi demitido pelo governo da Regência.

    – JOAQUIM GONÇALVES LEDO: (Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1781 – Fazenda de Macacu, Sumidouro, 19 de maio de 1847) foi um político e jornalista brasileiro.
    Editor do Revérbero Constitucional Fluminense, jornal lançado por ele e por Januário da Cunha Barbosa em 15 de setembro de 1821, Ledo foi um dos promotores do “Dia do Fico” (9 de janeiro de 1822). No jornal, combatiam os interesses dinásticos portugueses e reivindicavam a constituição de um governo liberal. Ledo foi deputado provincial do Rio de Janeiro até 1835, quando abandonou a política e a Maçonaria para recolher-se em Sumidouro, onde morreria, em sua fazenda, de ataque cardíaco. Foi ferrenho adversário de José Bonifácio de Andrada e Silva tanto na maçonaria quanto na política. Ledo era muito modesto, não gostava de aparecer, trabalhava por seus ideais por amor e não por ambicionar cargos, títulos ou honrarias de qualquer espécie. Neste sentido, existem rumores de que ele tenha incinerado seu arquivo de documentos relacionados a sua participação na Independência do Brasil. Mesmo assim, a história mostrou a grande importância de Joaquim Gonçalves Ledo na Independência do Brasil, há quem diga, que Ledo foi o Grande Articulador da Independência do País.
    (fonte Wikipédia)

    IIr.:, após essa resumida apresentação de nossos principais personagens, traçarei uma linha cronológica, buscando enfocar os principais acontecimentos que marcam o movimento de Independência, evidenciando a ativa e fundamental participação Maçônica.

    Linha dos Fatos rumo a Independência:
    Em 1808, com a invasão das tropas Napoleônicas a Portugal, D. João veio se refugiar no Brasil com toda Família Real. Esta vinda da Corte Portuguesa para o Brasil foi fundamental para o processo de Independência . O Brasil viveu um enorme avanço econômico-social-político-administrativo-cultural, sob a influência Européia. D. João decretou a Abertura dos Portos (fato importantíssimo que tirava de Portugal o monopólio sobre o nosso comércio), e mais tarde (1815) elevou o Brasil Colônia a “Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves”.
    É bom frisar que o desejo de Independência já se fazia presente mesmo antes da vinda da Corte, manifestando-se e gerando revoltas armadas que entraram para História (Inconfidência Mineira (1789), Conjuração Baiana(1798), etc ). Várias Lojas Maçônicas eram fundadas e adormeciam. A Maçonaria Brasileira já existia desde 1787.
    Neste primeiro momento, a influência da Maçonaria já se fez extremamente relevante, pois a “fuga” da Familia Real (que foi fundamental para o processo de independência), foi de fato uma “liberação” concedida e acordada entre o Grande Oriente Francês e o Grande oriente Lusitano .
    Em Portugal, uma série de revoltas acarretaram a expulsão das tropas Inglesas (1821) que haviam expulsado as tropas Francesas (1810), e por esse motivo governavam Portugal com o consentimento da Coroa. A Aristocracia Portuguesa (constituída na sua grande maioria por Maçons) exigiu o retorno de D.João a Portugal, que acatou as exigências com medo de perder a Coroa, e deixou no seu lugar no Brasil o Príncipe Regente D. Pedro com 21 anos de idade em Abril de 1821.
    Com o retorno de D João, a Corte ficou preocupada com as possíveis perdas de riquezas naturais do Brasil, e já imaginavam uma possível emancipação. Em 29 setembro de 1821 editaram dois decretos com intuito de inibir essas manifestações, um devolvia o Reino Unido à situação de Colônia e o outro exigia o retorno de D. Pedro a Portugal, considerando sua permanência aqui desnecessária.
    A partir desses decretos fez-se á urgência de articulações mais coesas e enfáticas em prol da libertação.
    A Loja “Comércio e Artes” já funcionava (Fundada em 1815 e reinstalada em junho 1821), tendo como Venerável Joaquim Gonçalves Ledo, e outros membros Ilustres como Cônego Januário da Cunha Barbosa, José clemente Pereira, Cipriano José Barata entre outros. As articulações visavam formar uma consciência nacionalista e conseguir a adesão do maior número de “soldados” para a causa da Independência. Os Ir.: maçons passam a se reunir dentro do convento de Santo Antônio na cela de Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio (frei Sampaio) e dentro da casa de José Joaquim da Rocha (que funda o Clube da Independência) para driblar a vigilância da Guarda. Foi solicitado ao Ir.: José Clemente Pereira que ele como Presidente do Senado, enviasse emissários aos maçons de Minas e São Paulo para propagar e unir os ideais de independência. Surgiu nessa época o jornal “Revérbero Constitucional Fluminense”, redigido por Gonçalves Ledo e Cônego Januário, que teve um papel extraordinário para o movimento libertador, despertando a Alma da Nacionalidade.
    Em 9 de Janeiro 1822, na sala do trono, o Ir.: José Clemente Pereira, Presidente do Senado, de posse das representações do pensamento geral de fluminenses, Paulistas e Mineiros, antes de passar a leitura, profere um discurso contundente e inflamado pedindo que o príncipe Regente permanecesse no Brasil. Após ouvir atentamente o príncipe pronuncia a frase antológica: “- Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto diga ao povo que Fico”.
    Este episódio, conhecido como Dia do Fico, marcou a adesão de D. Pedro a uma causa Brasileira e demonstrou a força e influência da Maçonaria.
    Os democratas, liderados por Gonçalves Ledo, pressionavam pedindo uma Assembléia Constituinte. Através do Revérbero Constitucional Fluminense procuravam mobilizar a opinião pública, tentando conquistar D. Pedro: “…Não desprezes a glória de ser o fundador de um novo Império… Príncipe, as nações todas têm um momento único, que não torna quando escapa, para estabelecerem os seus governos”.

    Os Aristocratas, liderados por José Bonifácio, que foi nomeado 1ª Ministro, em Janeiro de 1822 (logo após o Dia do Fico), estavam mais interessados em um poder forte, isto é, na superioridade do poder Executivo sobre o Legislativo. Parecia que estavam perdendo terreno para os democratas, mas também lutavam pela adesão do Príncipe.
    Em maio de 1822, D. Pedro, aconselhado por José Bonifácio, determinou que nenhum decreto das Cortes seria cumprido no Brasil sem a sua aprovação (decreto do Cumpra-se). Alguns dias depois, a 13 de maio, os democratas, liderados por Gonçalves Ledo, e por proposta do Brigadeiro Domingos Alves Branco, resolveram conceder ao Príncipe o título de”Regente Constitucional Defensor Perpétuo do Reino Unido do Brasil”. D. Pedro só o aceitou parcialmente, como relata em carta enviada a seu pai, D. João VI: “Honro-me e orgulho-me do título que me confere este povo leal e generoso; mas não o posso aceitar tal como se me oferece. O Brasil não precisa de proteção de ninguém, protege-se a si mesmo. Aceito, porém, o título de” “Defensor Perpétuo”, e juro mostrar-me digno dele enquanto uma gota de sangue correr nas minhas veias.”
    Ainda em maio, no dia 23, Gonçalves Ledo pedia a convocação de uma assembléia constituinte, destacando a importância do poder Legislativo para a soberania do Brasil e para que pudéssemos instituir nossa Independência. Esta assembléia foi convocada no dia 3 de junho (o Ir.: José Clemente pereira leu o discurso redigido por Gonçalves Ledo e Cônego Januário). A Constituinte representava, na verdade, a Independência. Esta convocação contrariava os interesses dos aristocratas, que desejavam um governo fortemente centralizado. Atribui-se a José Bonifácio a frase: “Hei de enforcar esses constitucionais na praça da Constituição”. No entanto, embora contrário à convocação da Constituinte, José Bonifácio acabou por aceitá-la.
    Assim, José Bonifácio apresentou uma proposta de eleição indireta à Assembléia Constituinte, que prevaleceu, contra a posição de Gonçalves Ledo, que defendia a eleição direta pelo avanço da democracia.
    Neste processo de Independência, Gonçalves Ledo sabia que precisava aproximar-se do Príncipe para tê-lo como aliado e diminuir a influência de José Bonifácio, que ara muito grande. Assim em 17 de junho de 1822 – a Loja Maçônica, “Comércio e Artes” em sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e possibilitando a criação do “Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano”, que depois viria a ser denominado de “Grande Oriente do Brasil”. E na mesma assembléia, foi nomeado por aclamação Grão-Mestre José Bonifácio (que não estava presente, só tomando posse 2 dias depois), como 1º Vig.: Gonçalves Ledo e como Grande Orador Cônego Januário.

    Logo após, em sessão do dia 2 de agosto de 1822, foi proposto por José Bonifácio, para ser Iniciado na Loja Comércio e Artes, o profano D. Pedro de Alcântara. A proposta foi aprovada por aplausos, e na mesma data D. Pedro passou a integrar a Maçonaria Brasileira, adotando o nome simbólico Guatimosim (influência do rito Andonhiramita). Na sessão seguinte, em 5 de agosto de 1822, a Loja Comércio e Artes, dirigida por Gonçalves Ledo, exaltou o Aprendiz Pedro de Alcântara ao grau de Mestre Maçom.

    Estes processos de ascensão dentro da ordem Maçônica, e a criação do GOB foi claramente uma manobra política articulada por Ledo na busca de somar poderes à ordem, gerando uma obediência. Se D. Pedro não fosse elevado a Mestre, não poderia ocupar o cargo de Grão-Mestre, assim substituindo José Bonifácio .

    Como o Grão-Mestre não se mostrava presente nas sessões, Ledo, concluindo sua manobra, em sessão presidida pelo 1º vig.: (ele mesmo) em 22 de agosto, aprovou por aclamação o nome de D. Pedro para Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, que estava em viagem a São Paulo.

    Esta manobra muito desagradou a José Bonifácio, e acirrou a rixa entre as duas correntes.
    Democratas e Aristocratas, durante o mês de agosto de 1822, demonstraram por meio de Manifestos Públicos a contradição entre eles.

    No mesmo mês , de agosto, D. Pedro decretou inimigas as tropas de Portugal que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.
    Segundo alguns historiadores, os Manifestos Públicos realizados tanto por Bonifácio quanto por Ledo, podem ser vistos como de independência, apesar de um deles, insistir na união dos dois reinos. À proporção que as Cortes Portuguesas tomavam medidas cerceando a autoridade do Príncipe, a idéia de separação ganhava o sentido de rompimento definitivo e completo. A Independência seria apenas questão de tempo e de oportunidade. Dizem ainda, os historiadores, que a Independência ocorreu de fato no ato de D. Pedro decretando inimigas as tropas Portuguesas.
    Diante de todo este contexto, nossa Epopéia de Independência já estava quase consumada. Neste momento José Bonifácio da o empurrão final para consagrar seu título de Patriarca da Independência. Aproveitando a viagem de D. Pedro a São Paulo para “apaziguar grupos descontentes” (dizem que foi lá só para ver a Marquesa de Santos a qual seria sua amante), o governo interino destinado a Princesa Maria Leopoldina e os últimos decretos chegados de Lisboa, que o atingiam diretamente, pois mandavam prender os Ministros do Príncipe e os signatários de províncias, ambos títulos de Bonifácio; ele convocou o Conselho do Estado (2 de setembro) e em discurso afirmou a necessidade de se proclamar à imediata e completa separação de Portugal (somente quando a corda pairou sobre o seu pescoço pensou em romper com Portugal). Assim sugeriu que fosse escrita uma carta a D.Pedro, sem perda de tempo, mostrando a quão “dolorosa” se mostrava à situação para os Brasileiros. D. Leopoldina chancelou a carta, com endosso de todos os Ministros de Estado, e a encaminhou para D. Pedro. Os mensageiros encontraram-no no Ipiranga, retornando de Santos, em 7 de setembro, então, D. Pedro, ao ler a carta falou à meia voz: “Tanto sacrifício feito por mim e pelo Brasil inteiro, … e não cessam de cavar a nossa ruína!”. “É preciso acabar com isto!”. Desembainhando a espada, grita: “Independência ou Morte!”. “Camaradas! As cortes de Lisboa querem mesmo escravizar o Brasil; cumpre, portanto, declarar já a sua Independência: estamos definitivamente separados de Portugal!”. Estendendo a espada à frente do corpo, repete a toda força: “Independência ou Morte!”.

    Nota Importante:

    No dia 9 de setembro de 1822, em Sessão do Grande Oriente, Gonçalves Ledo, que presidia a Sessão, em memorável discurso, declarou: “… as atuais circunstâncias políticas de nossa pátria, o rico, fértil e poderoso Brasil, demandavam e exigiam, imperiosamente, que a sua categoria fosse inabalavelmente firmada com a proclamação de nossa Independência e da Realeza Constitucional na pessoa do Augusto Príncipe, Perpétuo Defensor Constitucional do Reino do Brasil”. Essa afirmação de Gonçalves Ledo, aprovada e aclamada (por unanimidade), foi considerada como a Declaração da Independência, proclamada pelo Grande Oriente do Brasil. Não há dúvida de que Gonçalves Ledo, ao fazer o inflamado discurso na Sessão de 9 de setembro, já sabia, muito bem, o que poderia acontecer, pois estivera presente à reunião do Conselho de Estado, no dia 2 de setembro, porem não houve tempo hábil para o conhecimento do fato de 7 de setembro.
    Alguns fanáticos chegam a afirmar que a Maçonaria na Figura de Joaquim Gonçalves Ledo, neste ato, havia proclamado a independência antes do Príncipe Regente. Pois esta data, 9 de setembro, no calendário Maçônico datava do 20º dia do 6º mês, associando-se ao dia 20 de agosto, já que este calendário utilizado inicia-se no mês de março. Só que o Calendário Francês era diferente do Equinocial, que era utilizado (ambos Maçônicos), o qual antecipava do dia 21 para o dia 1º de março o inicio do Ano da Verdadeira Luz. Assim sendo, verdadeiramente o Dia do Maçom deveria ser no dia 9 de setembro e não 20 de agosto.
    Cabe também ressaltar que Gonçalves Ledo nada aceitou em seu proveito, tudo que almejava era em prol da democracia e da coletividade, postura, inclusive que lhe gerou problemas com D. Pedro, pois negou títulos de nobreza oferecidos por ele, sendo caçado, e tendo que se exilar no exterior.
    Sem sombra de dúvidas foi o grande articulador de todo nosso processo de Independência.

    Bibliografia:
    – Enciclopédia Wikipédia
    – José Castellani –Os Maçons na Independência do Brasil
    – Livro Constituição do Grande Oriente do Brasil
    – Revista Arte Real
    – E diversos Sites e Trabalhos de Ir.: que pesquisaram sobre Independência do Brasil e D. Pedro.

  28. BREVE ESTUDO SOBRE OS LANDMARKS
    Ir. José Geraldo de Lucena Soares ARLS Fraternidade Judiciária 3614 GOSP-GOB Um dos temas mais difícil e controvertido de toda doutrina maçônica, podemos afirmar, é o Instituto dos Landmarks, onde sabemos apenas, com certeza, que seus preceitos são imutáveis e devem ser cumpridos, embora muitos questionem.
    Seus postulados ou princípios são aplicados a todas as atividades e ritos pelos órgãos diretivos por serem inalteráveis.
    Com efeito, a expressão “Landmarks”, tem significado, ao pé da letra, na língua inglesa, de “ marcação de terra” ( land=terra e mark,marca para limites entre duas ou mais áreas de terra).
    Foi inspirada essa nomenclatura no Velho Testamento – Provérbios, 22 e 23/ 28 e 10: “Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” e “não removas os antigos limites nem entre nos campos dos órfãos”. Deuteronômios, 19,14: “não tomarás nem mudarás os limites do teu próximo que os antigos estabeleceram na tua propriedade”.
    O sentido é, portanto, figurado, e enuncia regras genéricas de âmbito substancial e espiritual para a Sublime Ordem em qualquer ponto do planeta Terra com o propósito de unidade administrativa, fraterna e êxito através dos séculos.
    Podemos conceituá-lo, pois, como sendo um conjunto de princípios imutáveis e inalteráveis do sistema para manter a unidade de essência e espírito da ORDEM de caráter imperativo para sua perpetuidade universal.
    A consciência maçônica já consagrou com o passar dos séculos, a necessidade de observá-los, ainda que contestados, pois sem essas prescrições, a Maçonaria que é universal, perderia a coesão estrutural e espiritual, expondo-se a diversidade de diretrizes, gerando uma verdadeira Torre de Babel.
    Podemos admitir o trato mesmo da sobrevivência da Instituição, conclusão que nos leva a crença de que se cuida de uma verdadeira Super-Constituição do mundo maçônico.

    Todos os modelos constitucionais das diversas Obediências devem se amoldar a essas normas, sob pena de isolamento e não reconhecimento pelas suas congêneres.
    Seriam out Law!
    A necessidade da unidade moral, fraternal e espiritual da Sociedade Operativa gerou esse sentimento de disciplina universal, alcançando também a parte administrativa impondo rumos que tomou nome de Landmarks.
    A Instituição Universal teria mesmo de ser una em sua substância, podendo variar apenas na parte formal, como os diversos ritos existentes, mas sempre conservando toda a essência que a fez surgir e prosperar até nossos dias.
    São os dogmas maçônicos, não se devendo questioná-los.
    Todavia, uma parcela maçônica critica, não raras vezes com bastante ênfase, o sistema dos Landmarks, e até refuta cada regra do conjunto de Albert Galletin Mackey (25), demonstrando o desacerto no seu entender. (Remetemos o leitor interessado a “Dogmas e Preconceitos Maçônicos” – Breno Trautwein – págs. 37 e seguintes – Ed. “A Trolha” – 1ª. edição-1997 ).
    Igualmente, Marius Lepage (“História e Doutrina da Franco-Maçonaria”- pág.107 -Ed. Pensamento ), também emite comentários e até relata um fato para ilustrar seu pensar sobre a matéria : “Isso me faz lembrar uma pequena história pessoal. Em 1938, eu viajava de automóvel pela Áustria, pouco tempo depois da Anschluss ( anexação pela Alemanha ). Ora, estabelecia-se então a mudança da direção dos carros da esquerda para a direita. Em toda parte, mesmo nos lugares mais discretos, encontravam-se folhetos explicando, em dez itens as vantagens de dirigir pela direita. Os nove primeiros itens eram exclusivamente técnicos. O décimo estava redigido assim: “Dirigirás o carro pela direita porque o führer mandou.” Eis aí um tipo de landmark em estado puro! (grifo nosso).
    Os especialistas também divergem sobre o surgimento do vocábulo “Landmark”, porém a maioria vai encontrá-lo em 1720, no Regulamento Geral coligido por George Payne e acolhido depois pela Constituição Maçônica do Bispo James Anderson de 17 de janeiro de 1723.
    Nesse código foram fixados os princípios que já vigiam e que deverão reger a vida maçônica na parte espiritual e substancial, estabelecendo muitos enfoques que até hoje são seguidos.
    Outras regras baseadas nos costumes foram consideradas também Landmarks e dependendo de interpretações dos estudiosos do tema, variam de 3 a 54 mandamentos.
    Entretanto, parte significativa do sistema da Ordem inclina-se em aceitar o ensinamento de Albert Galletin Mackey, que admite somente 25 regras de todo conjunto.
    Nessa doutrina de Albert Galletin Mackey vamos encontrar o reconhecimento maçônico; divisão dos graus simbólicos; lenda do mestre Hiram Abiff; existência e prerrogativas do Grão- Mestrado; reunião dos irmãos em unidades maçônicas; governo da loja por um Venerável Mestre e dois Vigilantes; cobertura da loja; faculdade de representação de cada irmão em reuniões da entidade; direito recursal e visitação à outra congênere; identificação do visitante; proibição de intervenção de uma unidade sobre a outra; submissão do obreiro à legislação onde residir, independentemente de filiação; proibição de ingresso na Ordem de portadores de defeitos físicos e mutilados e ainda de mulheres; crença no GADU e vida eterna; existência de um Livro da Lei; igualdade para todos dentro da loja; segredo da iniciação; implantação da Maçonaria Especulativa, e, finalmente, “é o que afirma a inalterabilidade dos anteriores, nada lhes podendo ser acrescido ou retirado, nenhuma modificação podendo ser-lhes introduzida. Assim como de nossos antecessores os recebemos, assim os devemos transmitir aos nossos sucessores”. NOLUMUS EST LEGES MUTARI!
    Vemos, pois, que ainda não queiramos, faz-se necessário que aceitemos esses mandamentos para a perpetuidade da Maçonaria que sempre foi conservadora e defensora da Moral, Ética, Fraternidade, Bons Costumes e amor ao GADU, além da crença da vida post-mortem.
    Trata-se, assim, de um empreendimento axiomático que todo maçom deve, pelo menos, refletir.
    É de se admitir por força da lógica, a continuação perpétua da Maçonaria, e, por via de conseqüência, a permanência na Instituição que nela se deposita Fé.
    Fé, não apenas, crença, confiança!
    Somos então considerados “Filhos da Luz” e aptos a ajudarmos aos nossos semelhantes independentemente de raça, sexo, religião, credo político e outras diferenças que nos marcam.
    Lembremo-nos que devemos ser tolerantes, especialmente com nossa Entidade, e sem esse sistema ora em rápido exame, estaríamos ao longo destes séculos sem direção uniforme, material e espiritual e então seria o caos para todos os maçons.
    O certo é que sem os “Landmarks” a Maçonaria já não mais existiria e, se ainda existisse, teria caminhado para rumos imprevisíveis.
    É, pois, nesse singelo cenário que apresentamos estas considerações e sugerimos a todos os IIr que meditem com o coração limpo de sempre e imparcialidade, sobre essa necessidade de continuarmos unidos, fraternos, despidos de vaidade, tolerantes e lembrando-nos que tudo isso nos levará à caminhada da nossa Sublime Ordem através dos séculos. E em sendo assim, manteremos a mesma forma como a recebemos de nossos IIr antecessores e a transmitiremos às gerações futuras.
    São esses os comentários que fazemos sobre os Landmark!

    Obras consultadas:
    – Bíblia
    – O Simbolismo da Maçonaria- Albert G. Mackey – Ed. Universo dos Livros
    – História e Doutrina da Franco-Maçonaria – Marius Lapage – Ed. Pensamento
    -Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueredo – Ed. Pensamento
    – A Franco Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento
    – Dogmas e Princípios Maçônicos – Breno Trautwein – Ed. A Trolha

  29. Breve Estudo sobre o Simbolismo Maçônico
    José Geraldo de Lucena Soares, 17°
    Capítulo “Integração e Prudência” – SP

    As dificuldades de comunicação de uma geração para outra fizeram com que o homem criasse instrumentos para essa finalidade, pois, como se sabe, todas as línguas, com o passar dos tempos, vão se alterando, especialmente o significado das palavras.
    Até mesmo as línguas consideradas mortas não se prestam para expressar o pensamento de uma época para a posteridade em sua totalidade.
    O modernismo e a tecnologia dos nossos dias não têm correspondência nesses vernáculos, eis que pararam no tempo e poucos são usados. São línguas clássicas e de estudo limitado; somente os eruditos as cultivam.
    Para se ter uma idéia, algumas palavras como rádio, televisão, cinema, avião, etc., não são encontradas na língua latina, pois na época que era falada simplesmente não existiam estes modernismos. E se não existiam não havia a necessidade de uso no cotidiano.
    Daí o surgimento desde os remotos tempos, de um meio de comunicação que atendesse essa necessidade, de uma época para outra, de forma que conservasse o verdadeiro sentido do pensamento daquela Era, evitando, assim, diferenciação ou distorção de significado de palavras, idéias, objetos e emoções.
    Instituiu-se, então, o símbolo como esse veículo de transmissão de idéias, objetos, emoções e palavras, em forma de figuras, gravuras e esculturas por ser eterno, imutável, inalterável e visível. Associou-se a idéia que representasse esse sinal à facilidade de compreensão no Futuro. Assim, a espada gera a lembrança de força e poder, enquanto uma pomba de cor branca tem o sentido de paz. A cruz, porque era um instrumento de castigo no Direito Romano, evoca um sentimento de suplício e a trolha, união, pois é com a colher do pedreiro que se coloca a massa para unir os tijolos, etc.
    A cruz, posteriormente, passou a ser a marca do cristianismo pela morte de Jesus de Nazareno, como sabemos.
    Tudo isso é a confirmação da palavra símbolo que emana do grego “sumbolon”, sugerindo a idéia de algo ser reconhecido através de um sinal ou gravura, exigindo conhecimentos técnicos, pelo menos, do observador.
    Mas para penetrar na essência dos símbolos é preciso conhecimentos mais aprofundados, pois a simbologia é endereçada para uma camada pequena da sociedade denominada na antiguidade de “escolhidos”. São escolhidos porque foram chamados para o estudo avançado dos mistérios transcendentais das diversas culturas e da Ciência Hermética (o que está em cima é o mesmo que está em baixo e vice-versa), além de outros conhecimentos correlatos.
    Só os especialistas entendem o verdadeiro significado oculto do símbolo que a geração transmissora deixou para as subseqüentes.
    Entretanto, “é mister que cada interessado procure interpretá-lo, compreendê-lo e senti-lo por seus próprios esforços para poder penetrar seus profundos significados.” (Joaquim Gervásio de Figueiredo – Dicionário de Maçonaria – págs. 477- Ed. Pensamento). Ou como também sugere Albert G. Mackey: “A maçonaria não interfere na forma peculiar ou no desenvolvimento da fé religiosa de uma pessoa. Tudo que ela pede é que a interpretação do símbolo seja feita de acordo com o que cada um supõe que será revelado pelo seu Criador. Mas exige muito rigidamente que o símbolo seja preservado e, de alguma forma racional, interpretado, excluindo peremptoriamente o Ateísmo de sua comunhão, pois se não acredita em um Ser Supremo, um arquiteto divino, necessariamente ele deve estar sem uma tábua de delinear espiritual sobre a qual os desígnios daquele Ser foram inscritos para orientá-lo.” (autor citado – O Simbolismo da Maçonaria – págs. 65 – Ed. Universo do Livro)
    A Ordem Maçônica por ser voltada para os sentimentos morais, intelectuais e espirituais não poderia deixar de adotar o simbolismo, mesmo porque sendo uma entidade milenar e universal teria de deixar sua trajetória registrada para a irmandade futura e isso só poderia se efetivar de forma imutável e inalterável através desse método, ou seja, a comunicação simbólica.
    O simbolismo maçônico, assim, divide-se em emblemático e esquemático.
    A primeira espécie tem como característica mais a moralidade e retidão de conduta e é mais facilmente compreendida no meio social, sendo assim dirigida para o indivíduo no relacionamento com seu semelhante.
    O compasso, por ser utilizado para traçar um círculo, representa o infinito por não ter começo e fim que, em última análise, é Deus. Deve-se Tê-lo sempre como nosso guia; o esquadro é justiça, retidão e equidade que junto ao compasso oferece a lembrança de que devemos evitar as tentações materiais para a aproximação com o Ser Supremo do Universo. O avental, indispensável para todos os trabalhos maçônicos, é a atividade que todo obreiro tem obrigação de exercê-la na oficina e a régua é a exigência do bom caráter e honestidade de todos.
    A pedra bruta, por outro lado, corresponde às imperfeições humanas que serão eliminadas no curso da vivência maçônica; o cinzel noticia a inteligência que ajuda a atividade laborativa dirigida para o Bem. Destina-se também para desbastar a pedra bruta. O malhete, a seguir, é a perseguição do obreiro no aperfeiçoamento de seu Ser, aliado à volição e esforço físico exercido no trabalho.
    A acácia representa a vida eterna e está vinculada à lenda de Hiram Abiff.
    O simbolismo esquemático, no entanto, refere-se mais para o sistema geomântico, intelectual ou especulativo da maçonaria.
    A predominância é a ligação da matéria com o espírito, podendo abranger também a área emblemática, como ocorre com o triângulo contendo em seu interior a letra “G” (geômetra).
    O entrelaçamento do compasso com o esquadro constitui na maçonaria azul a predominância da matéria sobre o espírito ou vice-versa, dependendo dos graus básicos.
    As Colunas Norte e Sul, inerentes a todos os Templos, têm significados outros e não apenas sustentáculos perpétuos da Ordem Maçônica.
    Na espécie emblemática as colunas recebem a nomenclatura de Jechin (ele estabelecerá) e Boaz (na força) e sua compreensão reside na conotação de religiosidade que “ele restabeleceu na força, solidamente, o Templo e a religião de que ele é o centro.”
    Vê-se, pois, a presença do GADU nesse texto e a expressão religião (re= atrás; ligião = ligare, do latim, unir = unir novamente) que deve ser entendido como convite a um elo entre o Ser Humano e o próprio GADU, se ainda não se uniu, ou voltar, se já cortou esse vínculo.
    Não se trata gramaticalmente de se adotar esta ou aquela religião ou crença, mas uma mensagem abrangente sem nenhuma preocupação de apologia religiosa no sentido vernacular. É apenas uma alegoria; falar de forma diferente para se atingir o resultado desejado.
    Por isso, é que a simbologia reclama conhecimentos e preparo intelectual do destinatário da mensagem, ou seja, gnose, para usar uma linguagem grega!
    A interpretação desse simbolismo esquemático revela a fragilidade do Homem e o convida a lembrar-se de sua efêmera peregrinação pela Terra e oportunidade de aperfeiçoamento espiritual para a verdadeira vida que é a eterna.
    Terá de atravessar o rio e pagar ao barqueiro Caronte a travessia para a outra margem e alcançar a verdadeira vida. Daí o costume de se colocar nos olhos dos mortos duas moedas que servirão de paga a essa travessia de viagem sem retorno!
    Algumas civilizações ainda hoje observam esse procedimento fúnebre.
    É uma simbologia esquemática cultuada pela maçonaria geomântica ou especulativa dirigida diretamente à espiritualidade dentro dos “Altos Graus” que estamos a exemplificar.
    O Templo sem janelas ou aberturas laterais, por sua vez, não é só para abrigar o segredo dos trabalhos que lá acontecem, mas também como recordação do Templo de Salomão na dependência que guardava a Arca da Aliança contendo os 10 Mandamentos recebidos por Moisés de Deus na Cordilheira do Sinai.
    Era um lugar sagrado e a energia divina do local não poderia de lá sair nem ser atingida por impurezas externas.
    Somente poucos sacerdotes podiam nele ingressar porque eram considerados puros de corpo e espírito pela religiosidade judaica.
    Eis outro enfoque da simbologia esquemática de grande penetração celestial do tema lembrado.
    Igualmente, referente às Colunas Jachin e Boaz, já comentadas linhas acima, outra interpretação esquemática se faz sentir.
    Segundo Jules Boucher (A Simbólica Maçônica – págs. 156 – Ed. Pensamento), ” Jamais houve contestação sobre o sexo simbólico dessas duas colunas, a primeira delas suficientemente caracterizada como masculino pelo IOD inicial que a designa comumente. Com efeito, essa letra hebraica corresponde à masculinidade por excelência. BETH, a segunda letra do alfabeto hebraico , por outro lado, é considerado como essencialmente feminina, porque seu nome quer dizer casa, habitação, de onde a idéia de receptáculo, de caverna, de útero,etc. A Coluna J é, portanto, masculina-ativa, e a Coluna B feminina-passiva. ”
    Observa-se com esse entendimento, aliado às romãs existentes em cima das colunas, que é o fenômeno da fecundidade para todos os seres vivos, demonstrando a necessidade de conservação da espécie. Aliás, esse princípio está no Antigo Testamento: Gn. 1, 28; 2, 18 e 2, 24. A romã no simbolismo maçônico representa a união para multiplicação, ensejando, assim, esse sentido de procriação.
    Podemos, portanto, afirmar que o simbolismo é uma linguagem universal e eterna, significando que enquanto houver vida humana na terra a comunicação existirá, pois é um meio de transmissão imutável e inalterável de uma geração para outra, de emoções, fatos, idéias, objetos ou princípios, através de figuras, gravuras ou imagens. E o símbolo é exatamente essa figura, essa gravura e essa imagem!!!
    Obras Consultadas:
    -Bíblia
    – O Simbolismo na Maçonaria – Albert Galletin Mackey – Ed. Universo de Livros
    – Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed.Pensamento
    – A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – Ed. Pensamento
    – A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento
    – A Vida Oculta da Maçonaria – C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento
    -

  30. Fernando disse:

    O Iluminismo e a Maçonaria

    José Geraldo de Lucena Soares
    ARLS – Fraternidade Judiciária – 36l4 – Gosp – Gob
    Capítulo “Integração e Prudência” – SP

    As idéias prevalentes e obsoletas da Idade Média, conhecida como “A Noite dos Dez Séculos”, levaram no início do Século XVII o surgimento na Europa de um movimento renovador de toda cultura da época, como reação ao considerado atraso de quase todo conhecimento então existente.
    Essa plêiade de novos pensadores espalhada por quase todo continente europeu, voltava-se contra o tradicionalismo que viera da então Era Medieval e grilhões do absolutismo da realeza, como também os benefícios que eram outorgados aos membros do clero e nobreza.
    Os freios para evolução da inteligência precisavam ser arredados, por que o Homem deveria pensar e governar-se pela Razão; livrar-se das restrições impostas pela Inquisição e buscar seu próprio destino livre de opressão.
    Poderia acreditar naquilo que sua inteligência explicasse independentemente de religiosidade ou mesmo fé. Teria liberdade de desacreditar naquilo que lhe foi imposto outrora, ou, simplesmente, questioná-lo.
    A Razão seria a bússola de sua vida, substituindo toda crença religiosa para abrir caminho a uma Nova Era de intelectualidade, gerando progresso material e moral, em oposição aos mesquinhos tempos da Idade Média.
    Toda essa evolução filosófica, científica, artística, moral e religiosa, tomou o nome de Iluminismo, ou, “Século das Luzes”, como contestação “A Noite dos Dez Séculos” ( 476-1476 ), face a pobreza cultural daqueles tristonhos tempos.
    Iluminismo, porque concedia luz à escuridão, marca do atraso de mentalidade da Idade Média.
    A doutrina iluminista preconizava que o Homem nasce puro, com bondade, e é a própria sociedade que o corrompe.
    Se houver Justiça Social, pouca desigualdade na comunidade, econômica, moral e de costumes, a paz virá, como consequência, e a felicidade aflorará para o bem de todos.
    A liberdade seria exercida com responsabilidade para o bem comum.
    Eram, em linhas gerais, os postulados do Iluminismo.
    Filósofos, políticos e cientistas, integravam esse cenário, surgindo, daí, várias correntes ou vertentes dessa política social que se instalou, em última análise, em nome da liberdade de pensar, com o propósito de progresso cultural e de espírito. Aliás, esses ideais de avanço cultural já vinham sendo desenvolvidos desde a Renascença que mais tarde também contribuiu para deflagrar a Revolução Francesa de 1789.
    O filósofo René Descartes prestou significativa contribuição a esse empreendimento intelectual, com seu adágio – cogito ergo sum – (penso, logo existo), pensamento puramente racionalista.
    Outras importantes figuras intelectuais do Século XVII foram iluministas, como Galileu Galilei, Francis Bacon, Thomas Hobbes, René Descartes, Baruch Spinoza, John Locke, Isaac Newton, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Kant, Adam Smith e tantos outros do mesmo quilate.
    Esse movimento, entretanto, começou a perder força, mais ou menos, no começo do Século XIX, com o advento de novas doutrinas e ao tempo das guerras napoleônicas – 1804 – 1815.
    Embora uma parte dos iluministas pregasse o ateísmo, a maioria acreditava na existência de um Ser Supremo do Universo, princípio admitido pela Maçonaria que foi muito influenciada por essa elite erudita.
    A religião poderia ser cultivada por cada um, sendo mera faculdade, e, sendo aceita, como efeito, a vida espiritual continuaria após a morte do corpo físico.
    Era o que a maioria entendia do aspecto divino.
    E foi nesse ambiente de sabedoria que começou a surgir a Franco-Maçonaria no começo do Século XVII, cujos maçons vieram das fileiras do Iluminismo trazendo doutrinas daquele momento histórico para oxigenar a Maçonaria Tradicional ou Simbólica, as chamadas Lojas Azuis.
    Registra a História que as dificuldades da Ordem Operativa em meados do Século XVII, em especial na Inglaterra, ensejaram sérias consequências para as guildas, chegando à decadência ou mesmo à extinção.
    Como medida de sobrevivência, o sistema maçônico daqueles tempos passou a recrutar membros da intelectualidade, nobreza e de posses econômicas, sem que antes tivessem integrado o artesanato, ou seja, a maçonaria primitiva.
    Consolidou-se, assim, no Século XVIII (1717-1724), a Franco-Maçonaria composta por cérebros que não faziam parte da Instituição do Artesanato, porém eram dotados de requisitos morais, intelectuais e econômicos, sendo aceitos pelos IIr. operativos que simbolizavam o passado maçônico.
    Esses IIr. foram chamados de “aceitos”, que mais tarde o REAA acolheu essa nomenclatura.
    Estabeleceu-se, entretanto, que seria a mesma maçonaria, apenas com departamentos próprios, mas com a mesma substância, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.
    Estava, pois, implantado o departamento especulativo ao lado do outro operativo. Mas a unidade da Ordem foi preservada em todos os sentidos.
    Pois bem, com o ingresso desse IIr. “aceitos”, oriundos em grande parte do Iluminismo, a influência era mesmo de se esperar na Instituição, especialmente no âmbito especulativo, geomântico ou ainda teórico.
    Não demorou muito e nasceram os Altos Graus, de 4 a 33 no REAA, sendo que para alguns especialistas o Grau 3 (Mestre-Maçonaria Azul ) foi criado em 1725, pouco depois da Constituição do Bispo Anglicano James Anderson de 17 de janeiro de 1723.
    Os Landmarks, por sua vez, foram estudados, classificados e ordenados por diversos estudiosos maçônicos, até que em meados do Século XIX, Albert Galletin Mackey – 1807-1881-, compilou-os, formando uma Super-Constituição Maçônica Universal, no nosso modesto entendimento.
    É, sem dúvida, a codificação mais aceita pelas diversas Obediências com os 25 princípios imutáveis e inalteráveis.
    A influência do Iluminismo na Maçonaria é evidente, principalmente, quando examinamos os artigos 6′ ao 8′, que versam sobre as prerrogativas do Grão-Mestrado.
    Trata-se de matéria atinente a Administração da Entidade que, em caso excepcional, pode o Grão-Mestrado autorizar a proposta e recepção do candidato ali mencionado.
    Essa prerrogativa emana da experiência dos políticos de Iluminismo que ingressaram na Ordem, objetivando, em tempos conturbados, que a direção tenha instrumentos eficazes para debelar, ou pelo menos, minimizar as dificuldades momentâneas.
    A faculdade de representação (art. 12) é outro avanço da época iluminista, conferindo ao obreiro esse direito quando necessitar de auxílio técnico ou para outros fins de seu interesse.
    O direito recursal (art. 13) foi inspirado no modelo profano e visa eventual correção da decisão impugnada a ser reexaminada pelo órgão superior.
    Em última análise, é resquício da doutrina contra o despotismo de que tratamos no início desta dissertação e a igualdade de todos os maçons no interior da Loja (art.22) origina-se do sentimento democrático, defendido pelo movimento iluminista de combater a descriminação.
    O princípio da Separação dos Poderes na Instituição Maçônica é cópia do modelo de Montesquieu, renomado iluminista. – “Esprit des Lois”. Criou esse sistema de Poderes do Estado, em Legislativo, Executivo e Judiciário – arts. 35, 70 e 97 – da Constituição do Grande Oriente do Brasil, dentre outros diplomas das várias Potências, cada um com atribuições previstas em lei.
    Mas de todas as influências iluministas na Ordem Maçônica, a que mais se destaca é seu Departamento Especulativo.
    Introduziu-se o estudo profundo filosófico, simbólico, esotérico, metafísico, espiritual e histórico, além de outros ramos do conhecimento humano.
    A maçonaria tradicional ou clássica ficou limitada ao simbolismo básico e o início de alegoria da lenda de Hiran Abiff.
    Esses são apenas alguns enfoques iluministas adotados pela Instituição.
    O certo é que o Iluminismo trouxe grande contribuição para o progresso maçônico, intelectual, espiritual e material.
    É o que se conclui do exame do tema em foco!

  31. CÓDIGO LANDMARKS DE MACKEY
    -ANOTADO-
    José Geraldo de Lucena Soares
    ARLS-“Fraternidade Judiciária”-3614-GOSP-GOB
    Capítulo “Integração e Prudência”-18-SP
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    PRIMEIRO ARTIGO: Os processos de reconhecimento são os mais legítimos e inquestionáveis de todos os Landmarks. Não admitem mudanças de qualquer espécie, pois, sempre que isso se deu, funestas consequências vieram demonstrar o erro cometido.
    -ANOTAÇÃO DO PRIMEIRO ARTIGO-
    A primeira regra do Grupo Landmarks refere-se ao reconhecimento maçônico de um obreiro com outro ou mesmo coletivamente.
    Essa identificação reservada ou secreta, pode ser através de sinais, contatos físicos (apertos de mão, abraços et Cetera ), desenhos,palavras, emblemas, escritas e até mesmo de sons.
    São os instrumentos exotéricos.
    Outros meios podem ser usados para essa finalidade mantendo-se a mesma discrição, preservando o sigilo da conduta endereçada a pessoa que se deseja.
    Geralmente, durante a conversação o maçom pode discretamente inserir palavras ou frases para se identificar na esperança de ser captada a mensagem pelo interlocutor.
    Se tal acontecer, o conhecimento poderá se consumar, mas o emitente deverá ter as cautelas devidas.
    Usará de outros meios para a confirmação.
    O costume é que todos esses veículos de comunicação sejam no grau básico de aprendiz para facilitar a recepção, já que todos os maçons são obrigados a conhecê-los.
    Todavia, nada impede que os instrumentos sejam de outros graus, dependendo das circunstâncias do momento e atinjam o objetivo desejado.
    Todo esse acervo de meios de reconhecimento é comum da Ordem, cabendo ao obreiro usá-los no grau que estiver.
    E isso justifica a recomendação que o meio eleito de comunicação seja no grau de aprendiz por ser obrigatório de todo maçom o conhecimento.
    A indagação ou cumprimento sonoro é outro expediente usado e sempre enviado no grau de aprendizado, como vimos.
    Todo esse conjunto de reconhecimento é inalterável e imutável.
    Desnecessária, porém essa observação proibitiva contida neste dispositivo porque no artigo 25 consagra-se o princípio – NOLONUM LEGES MUTARI – (nenhuma alteração da lei) para todos os princípios adotados no sistema dos Landmarks.
    São cláusulas pétreas.
    Modificá-los implicaria em desfigurar toda estrutura filosófica e espiritual da Ordem que é Universal.
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    SEGUNDO ARTIGO: A divisão da Maçonaria Simbólica em três graus é um Landmark que, mais do que nenhum , tem sido preservado de alterações, apesar dos esforços feitos pelo daninho espírito inovador. Certa falta de uniformidade sobre o ensinamento final da Ordem, no grau de mestre, foi motivado por ser o terceiro grau considerado como finalidade; daí o Arco Real e os Altos Graus variarem no modo de conduzirem o neófito à grande finalidade da Maçonaria Simbólica. Em 1813, a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Langmark, decretando que a Antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, incluindo o Santo Arco Real. Apesar de reconhecimento por sua antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua a ser violado.
    -ANOTAÇÃO DO SEGUNDO ARTIGO-
    A adoção de três graus na Maçonaria Simbólica, também conhecida como primitiva ou ainda azul, constitui outro Landmark, com inclusão do Santo Arco Real.
    Faz-se necessário, entretanto, para facilitar a compreensão deste Landmark um pouco de História que começa nos fins do Século XVII e se consolida no século seguinte, XVIII.
    As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no começo do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas consequências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção.
    Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.
    Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII ( 1717-1724 ), anunciando uma nova Era para a Instituição se expandir no cenário universal.
    Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas.
    Implantou-se, assim, a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.
    Verifica-se assim que se implantou a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Simbólica com os três graus, aprendiz, companheiro, mestre e ainda o Santo Arco Real.
    Os Altos Graus pertencem ao Departamento Especulativo ou Intelectual e o Santo Arco Real é estudado em oficinas especiais integrantes da parte operativa.
    Acontece, porém, que em alguns ritos, o Santo Arco Real integra uma fase que se considera um próprio rito ou um Capítulo com seu nome ” Arco Real “.
    Vê-se, pois, que a posição do Santo Arco Real encontra-se clara neste Landmark, porém obscura nesses ritos em consonância com a cláusula pétrea em comento.
    Seja como for, o certo é que ele existe, quer como operatividade, quer como pertencente à Maçonaria Especulativa, ou ainda, simplesmente como um rito.
    Mas o certo é que a Norma Maior ( segundo artigo, Landmarks ) expressamente estabelece que em ” 1813 a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Landmark, decretando que a antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de aprendiz, companheiro e mestre, incluindo o Santo Arco Real .Apesar de reconhecimento por sua antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua a ser violado “.
    Diante dessa evidência, onde o próprio Landmark observa que ” ele continua a ser violado “, deve-se considerar o Santo Arco Real como um grau da Maçonaria Azul, de CARÁTER FACULTATIVO, mas básico como os demais, aprendiz, companheiro e mestre. É a correta interpretação que se empresta a este texto!
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    TERCEIRO ARTIGO: A lenda do terceiro grau é um Landmark importante, cuja integridade tem sido respeitada. Nenhum Rito existe na Maçonaria, em qualquer país ou em qualquer idioma, e que não sejam expostos os elementos essenciais dessa lenda. As fórmulas escritas podem variar e na verdade, variam; a lenda, porém, do Construtor do Templo constitui a essência e a identidade da Maçonaria. Qualquer Rito, que a excluísse ou a alterasse, materialmente cessaria, por isso, de ser um Rito Maçônico.
    -ANOTAÇÃO DO TERCEIRO ARTIGO-
    Este dispositivo versa sobre os ritos maçônicos traçando as exigências para assim serem considerados, fazendo referências ao Grau de Mestre ( terceiro grau ), iniciando a saga de Hiram Habiff.
    O aspecto formal é possível variar, porém a substância deve ser preservada com os ditames maçônicos: crença no Ser Supremo do Universo e vida post-mortem, além de ser dotado o candidato de bons costumes, amante da liberdade com responsabilidade e ainda os atributos de moral e ético.
    Os personagens Salomão e Hiram Abiff mencionados na Bíblia são estudados em diversas etapas durante a construção do Templo que prossegue nos Altos Graus.
    Todo rito maçônico deve amoldar-se a esse sistema, principalmente exigir do pretendente de ingresso na Ordem a declaração expressa de acreditar na existência do G A D U e vida espiritual, sob pena de não ser considerado procedimento maçônico e ficar isolado.
    Os Landmarks são dogmas da Sublime Ordem e não devem ser questionados da mesma forma que outras entidades também têm seus princípios e devem ser observados por seus seguidores.
    As expressões, “a lenda, porém, do Construtor do Templo constitui a essência da maçonaria”, significa a presença do rei Salomão e Hiram Abiff e ambos tinham ligação com a divindade.
    Daí o elemento implícito presente na crença no G A D U com a vida espiritual.
    A inobservância implica na exclusão de ser considerado rito maçônico e até em casos de alteração desta norma conduz à marginalidade maçônica. Torna-se espúria!
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    QUARTO ARTIGO: O Governo da Fraternidade por um Oficial que preside, denominado Grão-Mestre, eleito pelo povo maçônico, é o quarto Landmark da Ordem. Muitas pessoas ignorantes supõem que a eleição do Grão-Mestre se pratica em virtude de ser estabelecida em lei ou regulamento da Grande Loja. Nos anais da Instituição se encontram, porém, Grão-Mestres, muito antes de existirem Grandes Lojas, e, se o atual sistema de governo legislativo por Grandes Lojas fosse abolido, sempre seria preciso a existência de um Grão-Mestre.
    -ANOTAÇÃO DO QUARTO ARTIGO-
    Este quarto artigo do conjunto de Landmarks compilado por Albert Galletin Mackey ( 1856 ), trata da Direção Institucional Maçônica.
    Faz menção da figura do Grão-Mestre como sendo o personagem supremo da Potência ou Obediência, dentro da esfera de atribuições da localidade, podendo também ser regional, nacional ou internacional.
    Esses detalhes ficam disciplinados pelas constituições editadas pelas Potências ou Obediências.
    Mas é preciso atentar que diante do Código Landmarks esses diplomas legais da Fraternidade são hierarquicamente inferior, pois os postulados expressos nos Landmarks consubstanciam uma Super-Constituição Maçônica Universal, enquanto as Potências ou Obediências elaboram apenas regras obrigatórias interna corporis.
    E é por isso que o Código Landmarks é uma SUPER-CONSTITUIÇÃO MAÇÔNICA UNIVERSAL.
    Observe-se ainda que uma Potência não pode intervir na congênere, como iremos verificar no décimo sexto artigo deste codex.
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    QUINTO ARTIGO: A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir a todas as reuniões maçônicas, feitas onde e quando se fizerem é o quinto Landmark. É em virtude desta lei, derivada de antiga usança, e não de qualquer decreto especial, que o Grão-Mestre ocupa o trono em todas as sessões de qualquer Loja subordinada, quando se ache presente.
    -ANOTAÇÃO DO QUINTO ARTIGO-
    A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir todas as sessões quando se fizer presente é uma consequência hierárquica e a fonte desse princípio emana do costume, como registra a expressão “derivada de antiga usança”.
    Como se sabe, sendo essa Autoridade Maçônica a maior da escala, é de se esperar, que comande todos os trabalhos pelo simples fato de ser o Superior Hierárquico dos presentes integrantes daquela Obediência.
    Os membros da Potência têm o duplo dever de submissão: a) estão diante de sua Autoridade Máxima Maçônica; b) obediência regulamentar ao presidente da sessão seja quem dirigir os trabalhos.
    A Unidade Maçônica subordinada tem o dever de lhe prestar todas as homenagens e auxílio por ser o chefe supremo daquele Corpo da Fraternidade.
    Observe-se que este preceito é taxativo de que esse Poder do Grão-Mestrado deriva da lei, cuja fonte é o Direito Consuetudinário como já assinalado.
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    SEXTO ARTIGO: A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para conferir graus em tempos anormais, é outro importantíssimo Landmark. Os estatutos maçônicos exigem um mês, ou mais, para o tempo que deva transcorrer entre a proposta e recepção de um candidato. O Grão-Mestre, porém, tem o direito de por de lado, ou de dispensar, essa exigência, e permitir a iniciação imediata.
    -ANOTAÇÃO DO SEXTO ARTIGO-
    O Poder do Grão-Mestrado em período conturbado que ele considere anormal, em alterar ou mesmo dispensar o interstício para autorizar a iniciação imediata, deriva de seu próprio cargo por ser o máximo dentro da Ordem.
    Sendo eleito por seus pares, implicitamente, conferem-lhe poderes para tal, pois esse Poder emana da própria Instituição que em seu nome atua.
    É de se entender que essa faculdade inerente ao Poder é da Sublime Ordem e não da pessoa física de seu titular, sendo apenas um instrumento momentâneo ou temporário que tem obrigação de zelar pelos interesses institucionais, independentemente de qualquer outro, inclusive o seu pessoalmente.
    Deve ser lembrado que o Poder é para servir e não dele se servir.
    Todo Poder, em última análise, emana do GADU e seu nome será sempre evocado.
    Entendo que esse Poder é indelegável.
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    SÉTIMO ARTIGO: A prerrogativa que tem o Grão-Mestre, de autorização, para fundar e manter Lojas, é outro importante Landmark. Em virtude dele, pode o Grão-Mestre conceder o número suficiente de Mestres Maçons, o privilégio de se reunirem e conferirem graus. As Lojas assim constituídas chamam-se “Lojas Licenciadas”. Criadas pelo Grão-Mestre, só existem enquanto ele não resolva o contrário, podendo ser dissolvidas por ato seu. Podem viver um dia, um mês ou seis meses. Qualquer, porém, que seja o tempo de sua existência, devem-na, exclusivamente, à graça do Grão-Mestre.

    -ANOTAÇÃO DO SÉTIMO ARTIGO-
    Esta prerrogativa do Grão-Mestre contida neste artigo é prolongamento dos poderes de direção que lhes são conferidos na dinâmica do sistema maçônico, como no Landmark anterior.
    Pode o Chefe Supremo da Entidade fundar e manter lojas; conceder permissão e fixar o número de Mestres Maçons para reuniões e concessão de graus e ainda criação de lojas, que ficam conhecidas como ” Lojas Licenciadas “.
    Trata-se de ato discricionário do Grão-Mestrado e, como tal, não deve ser questionado, salvo se constituir manifesta ilegalidade e absurdo a ser aferido dentro dos padrões costumeiros do homo medius da sociedade.
    Essas lojas excepcionais podem subsistir indefinidamente, pois as expressões “Podem viver um dia, um mês ou seis meses”, têm o caráter exemplificativo, e não limitativo.
    Enquanto o Grão-Mestre não extingui-las por ato expresso elas continuam existindo no mundo maçônico.
    Como no artigo anterior, essa faculdade é também indelegável, inclusive a extinção.
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    OITAVO ARTIGO: A prerrogativa, do Grão-Mestre, de criar maçons, por sua deliberação, é outro Landmark importante, que carece ser explicado, controvertida como tem sido a sua existência. O verdadeiro e único modo de exercer essa prerrogativa é o seguinte: O Grão-Mestre convoca em seu auxilio seis Mestres Maçons, pelo menos; forma uma Loja e, sem nenhuma prova prévia, confere os graus aos candidatos; findo isso, dissolve a Loja e despede os irmãos. As Lojas convocadas por esse meio são chamadas “Lojas Ocasionais” ou de “Emergência”.

    -ANOTAÇÃO DO OITAVO ARTIGO-

    Esta prerrogativa do Grão-Mestre de iniciar o candidato fora da via regulamentar na Ordem constitui uma exceção e queiram ou não, implica em pelo menos, um aparente privilégio.
    O procedimento já vem descrito na norma: O Grão-Mestre convoca pelo menos seis mestres para formar uma Loja “Ocasional” ou de ” Emergência” e a seguir se opera a iniciação sem maiores formalidades, inclusive sem a sindicância de praxe, cuja responsabilidade por eventual má escolha pelo ingresso do neófito na Fraternidade é de única e exclusiva responsabilidade daquela autoridade.
    Essa responsabilidade única e exclusiva do Grão-Mestre deve-se pela convocação que é obrigatório o atendimento pelo convocado.
    Poderá algum interessado pelas vias legais impugnar essa criação excepcional, mas enquanto não for desfeita, prevalecerá o ato de iniciação do privilegiado.
    Pode o candidato ser iniciado no primeiro grau básico e em seguida, discricionariamente, também ser elevado e exaltado nos graus seguintes, respondendo sempre a autoridade máxima maçônica pelos seus atos pessoalmente.
    A seguir essas unidades maçônicas criadas de forma excepcional e nomenclatura de “Ocasionais” ou “Emergências”, serão extintas.
    Esses novos IIr. serão considerados e tratados na Ordem normalmente, com os mesmos direitos e obrigações de todos os obreiros, sem nenhum privilégio.A única diferença é que ingressaram na Sublime Ordem através dessas lojas excepcionais, ” Ocasionais ” ou ” Emergências”.
    Todo esse expediente deverá ser escriturado nos assentamentos da oficina, quer seja com a edição de um ato ou um simples balaustre em caso de emergência.
    Não se faz necessário o Grão-Mestrado justificar a medida, por ser discricionária e prerrogativa de seu cargo, porém é aconselhável que o faça, para conhecimento reservado no futuro e aí, seria aplaudido ou reprovado.
    Não devemos esquecer que essa cláusula pétrea autoriza uma exceção, mas deve ser usada com muita cautela, zelo e sempre no interesse da Instituição.
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    NONO ARTIGO: A necessidade de se congregarem os maçons em Loja é outro Landmark. Os Landmarks da Ordem sempre prescreveram que os maçons deviam congregar-se, com o fim de se entregarem a tarefas operativas, e que essas reuniões fosse dado o nome de Loja. Antigamente, eram essas reuniões extemporâneas, convocadas para assuntos especiais e, logo dissolvidas, separando-se os irmãos para, de novo, se reunirem em outros pontos e em outras épocas, conforme as necessidades e as circunstâncias exigissem. Cartas Constitutivas, Regulamentos Internos, Lojas e Oficinas permanentes anuais, são inovações puramente modernas, de um período relativamente recente.
    -ANOTAÇÃO DO NONO ARTIGO-
    Cuida-se neste artigo das sessões da Fraternidade que embora esse dispositivo mencione o vocábulo “Loja”, deve ser entendido como Templo.
    Sobre o assunto José Castellani (“Dicionário Etimológico Maçônico”-hijl-Ed. Trolha-págs. 130), ensina que o termo “Loja” surge pela primeira vez, em 1292, num documento de uma guilda. As guildas de mercadores passaram a adotar a palavra para designar os seus locais de depósito e de venda dos produtos manufaturados, enquanto que as guildas artesanais a adotarem para designar os seus locais de trabalho; ou seja, as oficinas dos mestres artesões. Das guildas de mercadores originou-se o nome das casas comerciais, enquanto que das guildas artesanais originou-se o nome das corporações maçônicas; embora, atualmente, não tenham nada em comum, ambas têm a mesma origem”.
    Realmente, as reuniões maçônicas acontecem no Templo, o qual é uma parte do prédio onde se localiza.
    A interpretação é, portanto, que o corpo maçônico ( agrupamento dos maçons ) se reúna periodicamente num Templo, e tanto é verdade que “ao final de uma sessão, a Loja é considerada fechada, mas o Templo continua aberto, inclusive para outras lojas”. (autor citado)
    Também versa esse dispositivo das tarefas ou assuntos que serão objeto dos trabalhos maçônicos, porém isso fica a cargo da pauta da reunião elaborada previamente pela presidência do corpo maçônico.
    As contribuições (metais) são previstas para o sustento material da Loja, ficando ao livre arbítrio a fixação do valor econômico por parte da maioria da unidade maçônica.
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    DÉCIMO ARTIGO: O Governo da Fraternidade, quando congregado em Loja, por um Venerável e dois Vigilantes é também um Landmark. Qualquer reunião de Maçons, congregados sob qualquer outra direção, como por exemplo, um presidente e dois vice-presidentes, não seria reconhecido como Loja. A presença de um Venerável e dois Vigilantes é tão essencial que no dia da congregação, é considerada como uma Carta Constitutiva.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO ARTIGO-

    A Direção Suprema da Loja é composta por um Venerável Mestre, autoridade máxima do corpo maçônico, e dois auxiliares denominados Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante.
    Essas três figuras são essenciais não só para as reuniões, mas para toda Loja, pois são os dirigentes obedecendo a escala hierárquica.
    Outros membros auxiliam também o Presidente, como o Orador, Secretário, Tesoureiro e Chanceler, e todo esse grupo é chamado de Oficiais; cada um com atribuições específicas, devendo prestar contas ao Venerável Mestre quando exigidas de suas tarefas.
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    DÉCIMO PRIMEIRO ARTIGO: A necessidade de estar uma loja a coberto, quando reunida, é um importante Landmark que não deve ser descurado.Origina-se do caráter esotérico da Instituição . O cargo de Guarda do Templo que vela para que o lugar das reuniões esteja absolutamente vedado à intromissão de profanos, independe, em absoluto, de qualquer lei de Grandes Lojas ou de Lojas subordinadas. E o seu dever, por este Landmark é guardar a porta do templo, evitando que se ouça o que dentro dele se passa.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO PRIMEIRO ARTIGO-
    A preocupação deste artigo é a proteção dos segredos de tudo que acontece no interior do Templo durante as sessões.
    Estabelece esta norma expressamente a função do obreiro que ficar de guarda na “Cobertura do Templo”, evitando que pessoas estranhas aos quadros maçônicos tomem conhecimento dos trabalhos que ali se desenvolvem. Aliás, até os próprios participantes das reuniões não devem sequer comentar o acontecido lá no Templo para não correr o risco desse segredo ser violado. Em algumas sessões esse juramento de manter o segredo é renovado ao seu término.
    É oportuno observar ainda que este Landmark usa a palavra “esotérica” grafada com “s” e sobre isso o saudoso mestre Rizzardo da Camino, citando outro não menos professor renomado, José Castellani, estabelece distinção de sentido da mesma palavra, se escrita com “s” ou “x” – autor citado, “Maçonaria Esotérica”, revista ” Vida & Religião Especial “- fls.28 – e ensina: ” Esotérico – adjetivo ( do grego esoterikós, reservado apenas para os adeptos) designa aquilo que é apenas ensinado aos iniciados; diz-se que é incompreensível aos não-iniciados; é a linguagem esotérica. A Maçonaria como sociedade reservada apenas aos iniciados , possui, evidentemente, uma linguagem esotérica, referente aos seus símbolos e ensinada apenas aos iniciados. Isso não justifica o exagero de alguns maçons, pretendendo transformar toda a estrutura maçônica esotérica, confundindo o esoterismo com o ocultismo, ou hermetismo, quando os termos não são sinônimos. Exotérico – adjetivo ( do latim espertus) refere-se, em filosofia, àquilo que é exterior , vulgar, comum, trivial: a maior parte da doutrina maçônica,com seus símbolos, é esotérica, ou seja, só acessível aos iniciados; existem, todavia, símbolos e ensinamentos que podem ser divulgados publicamente, sendo, portanto, exotéricos.É o caso, por exemplo, da doutrina moral, social, política e espiritual da Maçonaria e de símbolos , como o conjunto de Esquadro e Compasso, que, para o público em geral, simboliza a Maçonaria, enquanto que o iniciado os vê mais profundamente, esotericamente ” . E prossegue o grande mestre: “O esoterismo maçônico não se limita a uma reserva ou a um sigilo. Ele diz respeito à localização espiritual, seja na mente, seja no espírito. Essa dedicação, formalizada pela constante leitura maçônica, constitui a caminhada para dentro. O maçom já passou pela cerimônia Iniciática, analisando as marchas que lhe foram impostas. O caminho para dentro significa maçonaria esotérica!”.
    E é isso que significa o “caráter esotérico da Instituição”!
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    DÉCIMO SEGUNDO ARTIGO: O direito representativo de cada Irmão, nas reuniões gerais da Fraternidade, é outro Landmark. Nas reuniões gerais, outrora chamadas Assembléias Gerais, todos os Irmãos, mesmo os simples Aprendizes, tinham o direito de tomar parte. Nas Grandes Lojas só tem direito de assistência os Veneráveis e os Vigilantes, na qualidade, porém, de representantes de todos os Irmãos das Lojas. Antigamente, cada Irmão se representava por si mesmo. Hoje são representados pelos seus Oficiais. Nem por motivo dessa concessão, feita em 1717, deixa de existir o direito de representação, firmada por este Landmark.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO SEGUNDO ARTIGO-
    Esta regra lembra que no passado todos os obreiros nas reuniões podiam participar de todos os trabalhos, inclusive os aprendizes, apresentando propostas, debates e sugestões.
    Nas Grandes Lojas essa representatividade atribuída aos Veneráveis e Vigilantes cinge-se aos interesses de todo grupo da unidade maçônica; embora possam ser representados por seus Oficiais, cada um dentro de sua esfera de atribuições, continua esse direito de representação para cada um, sem distinção de graus.
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    DÉCIMO TERCEIRO ARTIGO: O direito de recurso de maçom das decisões dos seus Irmãos, em Loja, para a Grande Loja ou Assembléia Geral dos Irmãos, é um Landmark essencial para a preservação da Justiça e para prevenir a opressão.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO TERCEIRO ARTIGO-
    Cuida-se de dispositivo da mais alta importância de toda sistemática dos Landmarks.
    Objetiva, como se verifica, corrigir o cometimento de injustiças dentro da Ordem, pois embora sua doutrina seja pura e repudie opressões, perseguições e outras mazelas, somos humanos, e, por mais que procuremos nos aperfeiçoar moral e espiritualmente, estamos sujeitos a prática de ações ou omissões incompatíveis com o que nos ensina a Fraternidade Maçônica.
    Qualquer decisão proferida que se entenda prejudicial, pode o obreiro exercer esse direito de recorrer para o Órgão Superior apontando suas razões de inconformismo de maneira respeitosa, na esperança de reverter a decisão.
    Todavia, caso não obtenha êxito no reclamo, deve conformar-se e cumprir a decisão confirmada pelo Órgão que reexaminou aquela decisão.
    O que não deve é levar o caso para o terreno pessoal, prolongando a querela que somente encerra malefício para todos e mais ainda para a própria Instituição Maçônica.
    Esses conflitos de interesses são dirimidos pelos Órgãos de Justiça Maçônica, geralmente; mas podem também ser solucionados pela Hierarquia Administrativa Maçônica com a decretação de invalidade total ou parcial do ato tido como inquinado de vício quando for o caso.
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    DÉCIMO QUARTO ARTIGO: O direito de todo maçom visitar e tomar assento em qualquer Loja é um inquestionável Landmark da Ordem. É o consagrado direito de visita, que sempre foi reconhecido como um direito inerente que todo Irmão exerce, quando viaja pelo Universo. É a consequência de encarar as Lojas como mera divisões, por conveniência da Família Maçônica Universal.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO QUARTO ARTIGO-
    Este princípio de visita do maçom a outra Loja inspirou-se na Fraternidade Universal que é da essência maçônica.
    A Sublime Ordem é regida pelo amor entre seus membros independentemente de religião, raça, crença política, regionalismo e outras diferenças que marcam nosso individualismo.
    O importante e necessário é que o maçom seja puro de coração, tenha senso de Justiça, acredite no G A D U e na vida eterna espiritual. Cultive os bons costumes, a moralidade, ética e cumpra seus deveres de cidadão onde estiver e viver. Respeitar o próximo para ser respeitado.
    Essas obrigações e direitos que são correlatos ligam todos os maçons do Universo e os conduz a essa Irmandade que gerou esse direito de visita como símbolo da amizade e união Universal.
    Vige o pensamento que existe em todo Planeta Terra apenas uma Loja em razão da Fraternidade e que essas divisões são apenas materiais, mas a Unidade espiritual é o que resplandece de toda dinâmica maçônica. Cada obreiro tem uma Loja edificada em seu coração ao lado do Templo de Salomão como nos ensina os graus básicos da Ordem.
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    DÉCIMO QUINTO ARTIGO: Nenhum visitante, desconhecido aos Irmãos de uma Loja pode ser admitido á visita, sem que, antes de tudo, seja examinado, conforme os antigos costumes. Esse exame só pode ser dispensado se o maçom for conhecido de algum irmão do quadro, que, por ele se responsabilize.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO QUINTO ARTIGO-
    Cuida-se do dever de fiscalização da Loja para evitar que profanos ou mesmo maçons irregulares ingressem em reuniões que lhes são vedadas.
    O obreiro regular e que não seja conhecido deve antes da sessão procurar um membro da Loja e identificar-se, oferecendo-lhe todos os dados para essa fiscalização confirmar, se for o caso, sua situação maçônica.
    Essa medida evita que o Irmão da Loja sinta-se constrangido em exercer seu dever e depois confirmar a regular situação do visitante.
    A vigilância contida neste artigo poderia ser denominada de Poder de Polícia Maçônica.
    Este Landmark também estabelece a dispensa de todo esse expediente de fiscalização, se algum maçom da Loja conhecer o visitante, responsabilizando-se pela sua regularidade.
    O processo de fiscalização na linguagem maçônica tem o nome “telhadura” do visitante e quem procede a essa investigação de “telhador”.
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    DÉCIMO SEXTO ARTIGO: Nenhuma Loja pode intrometer-se em assuntos que digam respeito a outras, nem conferir graus a Irmãos de outros Quadros.
    -ANATOÇÃO DO DÉCIMO SEXTO ARTIGO-
    Esta proibição deriva da autonomia relativa de cada unidade maçônica dentro da mesma Potência, já que não pertencente, não teria mesmo sentido essa interferência.
    É preciso notar, entretanto, que essa vedação de envolver-se em atividades ou assuntos de outras Lojas refere-se a nível semelhante e de Obediências diferentes.
    Quando se tratar de alguma falha grave cometida por uma Loja, a Potência a que estiver subordinada, .tem o dever de tomar providências para a correção, inclusive de intervenção que é bem diferente da expressão intromissão.
    Intromissão é o ato de interferir indevidamente em matéria ou atividade da congênere, enquanto a intervenção é o ato coercitivo do Órgão Hierárquico Superior na unidade maçônica subordinada visando sanar essa falha para o bem da Instituição considerada como um todo.
    Igualmente, a proibição de concessão de graus a obreiros de outras Lojas é consequência desse sistema de vedação.
    Mas desde que a Loja autorize expressamente essa concessão de graus a sua congênere, é viável, e, neste caso, a Loja autorizada passa agir como mandatária.
    É o sentido desse Landmark!
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    DÉCIMO SÉTIMO ARTIGO: Todo maçom está sujeito às leis e regulamentos da Jurisdição Maçônica em que residir, mesmo não sendo membro de qualquer Loja. A inafiliação é já em si uma falta maçônica.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO SÉTIMO ARTIGO-
    O conteúdo desta norma é preservar a disciplina da Ordem que incide sobre o maçom ainda que se encontre inativo, submetendo-o a jurisdição territorial onde residir.
    Embora possa encontrar-se “dormindo”, nem por isso deixa de pertencer à Instituição e, portanto, sujeito ao regime regulamentar com obrigação de observá-lo, pois para isso jurou solenemente cumpri-lo diante do GADU no Altar Sagrado.
    A inatividade pode a qualquer instante ser afastada e voltar o iniciado, depois das formalidades de praxe, ao convívio de seus irmãos para o trabalho que lhe for destinado na Loja.
    Considera ainda este preceito que a não filiação do maçom a uma unidade constitui, por si só, já um deslize, cuja sanção não mencionada, pode ser relevada pela unidade filiante e é o costume corrente.
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    DÉCIMO OITAVO ARTIGO: Por este Landmark os candidatos à iniciação devem ser isentos de defeitos ou mutilações, livres de nascimentos e maiores. Uma mulher, um aleijado, ou um escravo, não pode ingressar na Fraternidade.
    -ANATOÇÃO DO DÉCIMO OITAVO ARTIGO-
    Esta vedação é a mais criticada pelos opositores dos Landmarks, eis que traça uma verdadeira marginalização dos ali enumerados: de defeitos ou mutilados físicos, a capitis deminutio máxima, vestígio do Direito Romano que cogitava da escravatura, hoje inexistente, a maioridade e o ingresso da mulher na Fraternidade.
    De todo essas proibições somente subsistem as pessoas que necessitam de cuidados especiais e as mulheres. Os demais casos de restrição (capitis deminutio maxima e maioridade) o Tempo se encarregou de extingui-los: todos os homens são livres e não existe mais escravos no sentido da Antiguidade e quanto a maioridade, a Sublime Ordem tem como parâmetro a lei civil profana. Essas vedações perderam a razão de ser, portanto.
    Quanto à iniciação de portadores de defeitos físicos é preciso que se empreste uma interpretação dentro dos padrões razoáveis da sociedade em consonância com a ciência e a tecnologia moderna e que ao tempo de ser editada esta norma sequer se pensava que séculos a frente evoluiria, como evoluiu e continua evoluindo, todo esse modernismo, podendo-se abrandar o preceito sem que com isso gere sua violação.
    Trata-se de uma interpretação sistemática, onde se persegue o verdadeiro espírito da lei maçônica (mens legis) e adaptá-lo aos tempos modernos que afastou aquele temor de mal para a Ordem que então imperava e que não mais existe.
    Não se trata de nenhum desrespeito a este Landmark o exame se um pretendente que perdeu algum de seus membros ou assim já nasceu, verbi gratia, possa ingressar na Instituição, desde que tenha meios através desse modernismo que essa deficiência seja sanada relativamente ou mesmo diminuída, aproximando-se de uma vida normal.
    Cada caso concreto deve ser analisado, aferindo-se toda dinâmica dentro dos critérios da razoabilidade da sociedade, evitando-se essa injustiça que não foi e não é a intenção desse preceito inserido na doutrina maçônica.
    O que não se deve é apegar-se ao texto frio dessa proibição e aplicá-lo, sob alegação que vige a restrição absoluta.
    Todavia, essa hermenêutica abrandada da hipótese dos defeituosos físicos não pode ser aplicada as mulheres para iniciação na Ordem Maçônica.
    É bem sabido que forte corrente de eminentes maçons defendem com bastante ênfase, as Lojas Femininas tidas como da Instituição, porém partem de um Juízo de Valor, esquecendo-se as diversas etapas do artesanato, fonte da maçonaria primitiva.
    Em qualquer fase dos primórdios da Ordem, a força masculina sempre foi a criadora desse movimento que mais tarde veio chamar-se Maçonaria. A mulher cuidava dos afazeres domésticos enquanto, seu marido exercia sua atividade de artesão para o sustento da família.
    Não se cogitava de trabalho feminino naqueles tampos e até no Iluminismo (Século XVII), a intelectualidade e os poderosos econômicos sempre foram homens que ingressaram na Ordem e a História não registra nenhuma dama como iniciada maçônica quando surgiu o Departamento Especulativo, época da Franco-Maçonaria.
    A Maçonaria, como qualquer outra Instituição Universal, tem seus dogmas devendo seus membros aceitá-los, pois ao serem iniciados já sabiam das regras que disciplinam sua estrutura filosófica, administrativa e espiritual.
    Podem não concordar, mas devem obedecer ao comando maior que são todos os Landmarks, a Super-Constituição de todos os maçons do Universo.
    ***
    DÉCIMO NONO ARTIGO- A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos importantes Landmarks da Ordem. A negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação.
    -ANOTAÇÃO DO DÉCIMO NONO ARTIGO-
    A crença no Ser Supremo do Universo, seja o nome que se queira dar, e vida eterna depois da morte do corpo físico, são condições essenciais para a iniciação,além de outros requisitos sociais de honradez, bons costumes, cultivo da moralidade, ética e amor ao próximo.
    Qualquer rito que não exija esses requisitos essenciais do candidato não é considerado rito maçônico, fazendo-se necessário que o candidato declare solene e expressamente que realmente acredita no exigido por este Landmark. Aliás, a expressão “Grande Arquiteto do Universo” tem sua fonte na própria Bíblia: Hebreus (Novo Testamento), 11 e 10: “Porque esperava a cidade que tem fundamento, da qual o artífice e construtor é Deus”.
    Vê-se, pois, que a Sublime Ordem tem como alicerce a crença no Ser Supremo do Universo que é chamado de “Grande Arquiteto do Universo”, nomenclatura genérica para ser denominador comum de todos os elos com a Divindade, independentemente de religiosidade, embora respeite essas entidades que estão ligadas com esse Ser Supremo de Todos os Mundos, para usar uma linguagem alegórica ou de simbolismo. Também tem como essencial que se acredite na vida espiritual que prossegue após o fim do corpo físico.
    Em linguagem maçônica diz-se, “partiu para o Oriente Eterno”, quando ocorre a morte de uma pessoa.
    ***
    VIGÉSIMO ARTIGO: Subsidiariamente a essa crença, é exigida a crença em uma vida futura.
    -ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO ARTIGO-
    Landmark já foi comentado no anterior, ou seja, no décimo nono artigo. Poderia dele fazer parte e realmente o faz, mas preferiu seu criador destacá-lo para outorgar-lhe importância isolada.
    ***
    VIGÉSIMO PRIMEIRO ARTIGO: É indispensável, no Altar de um Livro da Lei, o Livro que, conforme a crença se supõe conter a verdade revelada pelo Grande Arquiteto de Universo. Não cuidando a Maçonaria de intervir nas peculariedades de fé religiosa dos seus membros, esses livros podem variar de acordo com os credos. Exige, por isso, este Landmark, que um “Livro da Lei” seja parte indispensável dos utensílios de uma Loja.
    -ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO PRIMEIRO ARTIGO-
    O que desperta atenção, ab initio, deste Landmark textualmente, é que a Maçonaria não é uma religião, nem credo e muito menos seita, mas uma Instituição de caráter filantrópica, filosófica, fraternal, universal e voltada para o Bem da Humanidade, sempre buscando o aperfeiçoamento do Ser Humano tanto no aspecto moral, como material, para aproximação com o Grande Arquiteto do Universo.
    Seus ensinamentos em qualquer etapa de estudo assim apregoam e corrigem aqueles que se distanciam de seus ditames na esperança que essa correção seja eficaz.
    Seus membros têm liberdade ampla de escolha de qualquer religião ou crença, desde que acreditem na existência do Grande Arquiteto de Universo e na vida post mortem, além de possuírem os requisitos sociais como vimos nos comentários do Artigo Décimo Nono destes Landmarks.
    A exigência do chamado “Livro da Lei” no Altar, sem, contudo especificar qual Livro demonstra, inequivocamente, que pode ser qualquer um, considerando-se, entretanto, a crença de seu conteúdo ser a “verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo”.
    Pode ser a Bíblia, composta pelo Antigo Testamento e Novo Testamento, (judeus e cristãos), o Alcorão (islamismo), Livros Sagrados das diversas religiões do Oriente, mas que sejam tidos sempre como instrumentos da Palavra do Ser Supremo do Universo que, na Maçonaria, é o Grande Arquiteto do Universo.
    É de se notar ainda que este Landmark usa as palavras “se supõe”, referindo-se a mensagem do Criador, demonstrando o respeito a outros livros considerados sagrados,que podem divergir, mas para seu adepto é a “verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo” do aspecto subjetivo.
    Para a Maçonaria basta simplesmente que o iniciado acredite no Grande Arquiteto do Universo e na vida espiritual eterna, pouco importando qual seja seu “Livro da Lei”. Este “Livro da Lei” é apenas um meio de cultuar o Grande Arquiteto do Universo e a vida espiritual, renovando e fortalecendo sua Fé nesses postulados maçônicos.
    ***
    VIGÉSIMO SEGUNDO ARTIGO: Todos os maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios, que a sociedade confere. A maçonaria a todos nivela nas reuniões maçônicas.
    -ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO SEGUNDO ARTIGO-
    O texto legal menciona “iguais”, porém o verdadeiro sentido é “semelhança” para o tratamento operar-se de maneira uniforme para todos, guardadas as diferenças pessoais, especialmente a hierárquica.
    E não poderia ser diferente.
    A maçonaria possui sua própria Hierarquia e um aprendiz tem seu assento no lugar próprio nas sessões, enquanto outro obreiro de grau mais avançado possui mais liberdade de escolher dentro de sua limitação, posição diferenciada.
    O que este Landmark quer dizer, na verdade, é que os títulos de nobreza, honraria, cargo ou função, além de outras situações que são muitas, adquiridos no mundo profano, são desconsiderados no Templo para ensejar esse nivelamento de direitos e obrigações entre os irmãos. Mas persiste a hierarquia e a boa educação social que se faz necessária para uso, em qualquer lugar e em qualquer momento, por uma pessoa civilizada. Não devemos esquecer que vivemos em sociedade e o trato respeitoso com o semelhante constitui uma obrigação de convivência, embora possa haver divergência.
    O nivelamento referido por este Landmark, pois, é relativo e deve ser interpretado dentro dos critérios de urbanidade e fraternidade. Ninguém vai à sessão para combate, mas para fortalecer seus bons princípios maçônicos e ampliar essa fraternidade institucional que é o alicerce de toda doutrina da Sublime Ordem.
    Este é o verdadeiro significado dessa “igualdade” e “nivelamento”.
    ***
    VIGÉSIMO TERCEIRO ARTIGO: Este Landmark prescreve a conservação secreta dos conhecimentos havidos por iniciação, tanto dos métodos de trabalho, como das suas lendas e tradições que só podem ser comunicadas a outros irmãos.
    -ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO TERCEIRO ARTIGO-
    Disciplina a norma o segredo que deve ser guardado por todos os obreiros desde o início na Ordem (aprendiz) até onde conseguir chegar.
    Os mistérios, acontecimentos no Templo de qualquer natureza não devem ser revelados, lições ministradas, sinais, simbologia, et cetera, nada pode ser divulgado, salvo a outro iniciado que esteja no mesmo grau ou superior.
    Mas a regra é manter silêncio e para abrir exceção como estabelece este Landmark é preciso as devidas cautelas para a comunicação ser endereçada corretamente ao obreiro, observando-se seu grau, regularidade administrativa, filiação e outras peculiaridades que o caso exigir.
    Cuida-se de uma exceção e, como tal, a cautela é necessária.
    ***
    VIGÉSIMO QUARTO ARTIGO: A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark. A preservação da lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.
    -ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO QUARTO ARTIGO-
    Quando tecemos comentários sobre o Segundo Artigo destes Landmarks, em parte fizemos anotação deste agora em exame.
    Com efeito, em linhas gerais, este preceito estabelece a Maçonaria Especulativa ou Intelectual, mantendo, como não poderia deixar de fazê-lo, a Maçonaria Operativa ou Primitiva, também conhecida como Azul.
    Não se trata de duas maçonarias, mas de uma só, com atribuições autônomas, mas com a mesma essência e cultivo das mesmas virtudes: aperfeiçoar o Ser Humano para aproximá-lo do Grande Arquiteto do Universo.
    Para comodidade e facilitar a compreensão do leitor deste vigésimo quarto artigo dos Landmarks, compilados por Alberto Galletin Mackey em 1856, e também penúltimo, vamos transcrevê-lo:
    “As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no curso do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas consequências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção. Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII (1717-1724), anunciando uma Nova Era para a Instituição se expandir no cenário universal. Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas. Implantou-se, assim, a maçonaria especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente e verso de uma mesma moeda “.
    Este artigo trata também do Templo de Salomão que está vinculado a esta própria figura real bíblica e Hiram Abiff, arquiteto da construção e que se estuda a partir do mestrado.
    ***
    VIGÉSIMO QUINTO ARTIGO: O último Landmark é o que afirma a inalterabilidade dos anteriores, nada podendo ser-lhes acrescido ou retirado, nenhuma modificação podendo ser-lhes introduzida. Assim, como de nossos antecessores os recebemos assim os devemos transmitir aos nossos sucessores. NOLONUM LEGES MUTARI.
    -ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO QUINTO ARTIGO-
    Este mandamento é o mais importante de todos os Landmarks, pois registra em seu conteúdo ser a Maçonaria Universal, reclamando unidade em todo Planeta Terra de substância e critérios administrativos para sua sobrevivência através dos séculos.
    Sem essa política estável da doutrina com seus dogmas, especialmente na admissão da existência do Grande Arquiteto do Universo e a Vida Espiritual, além do estudo aprofundado de sua filosofia e.aperfeiçoamento do Ser Humano, com o passar dos tempos, perderia todos seus ensinamentos estruturais, podendo chegar ao completo desvirtuamento de sua finalidade. Perderia, como consequência de interpretações subjetivas e regionais, sua razão de ser una, com divisão de essência, e aí não mais seria uma Maçonaria Universal, mas entidades diversificadas de cada localidade onde a fraternidade seria extinta.
    E é justamente essa continuidade perpétua que conduz a Sublima Ordem Pura a atravessar os séculos com sua glória e se fazer presente a todos os maiores acontecimentos da História de toda Humanidade.
    É esse sentimento psicológico e fraternal fincado em toda doutrina maçônica, considerada única e indivisível, que une todos os maçons do universo, independentemente de etnia, credo político, localidade, religião e outras diferenças que nos marcam.
    ***
    NOTA DO AUTOR: Este “Código Landmarks” foi compilado por Alberto Galletin Mackey em 1856. Era norte-americano e viveu entre 1807 e 1881, deixando várias obras de leitura obrigatória para todo estudioso maçônico.
    Teci ligeiros comentários sobre cada um desses mandamentos na esperança de haver contribuído modestamente para a cultura maçônica e exortar os Ilr. ao estudo da nossa Sublime Ordem Universal.
    Agradeço a todos que gostaram e peço desculpas aos descontentes com a promessa de melhoria em trabalhos futuros.
    jose geraldo de lucena soares

  32. Fernando disse:

    Cagliostro registrou sua esposa, Laurenza, Grão Mestre de uma Loja adotiva feminina; são daí iniciadas várias damas da nobreza. Em 1786, Catarina II, imperatriz da Rússia, presidiu a Loja Clio, conforme cita Vera Facciolo, soberana Grã-Mestra da Grande Loja Arquitetos de Aquário, do Grande Oriente de São Paulo, em sua tese “A mulher na maçonaria”, apresentada no V congresso Maçônico Internacional de História e Geografia, realizado no Rio de Janeiro em março de 1990. A controvertida figura do conde Calistro, ou José Bálsamo, como afirmam alguns historiadores, criou em Lyon em 1786, o rito egípcio da maçonaria andrógina, que teve a princesa Lambelle como primeira Grã-Mestre honorária.
    A revolução Francesa foi brutal para os maçons, assim como para a princesa Lambelle que foi massacrada em 1792 na prisão da forca; outras permaneceram no cadafalso; uma grande parte imigrou. Não parece Ter havido lojas no período Jacobino, mas a partir do consulado elas se reconstituem. Deu-se uma grande importância a certa tradição, segundo a qual Josephine Beauharmais, membro de uma loja adotiva, tinha sido encarregada pelo seu segundo marido, Bonaparte, de reconstruir essas lojas. Tornado-se imperatriz, assistiu pessoalmente a iniciação da condessa de Canisy, sua dama de honra, numa assembléia que teve lugar em Estrasburgo no ano de 1810. A partir daí não mais existiram lojas femininas na França até 1810.
    A criação de lojas femininas tornou-se tão presente depois de 1871, e desde então foi tão fortemente apoiada por certos maçons que ela suscita uma criação exemplar, o que vem a acontecer através de Marie Deraisme, nascida em 1828, em Bourbon. Marie Deraisme é uma excelente escritora com talento de oradora, e as belas frases tanto escritas como faladas surgem com facilidade. Esta faculdade permite-lhe servir com eficiência a causa feminista.
    Na Segunda metade do século XIX, a emancipação da mulher é uma realidade, e é nesta corrente de pensamento que Marie Deraisme se envolve. Marie é convidada para fazer uma série de conferências no Grande Oriente. Ela ia recusar quando um artigo de um jornal, que criticava as mulheres de letras, lhe chama atenção. Indignada com a afronta do masculino contra o feminino, ela muda de idéia. Sua luta pela emancipação da mulher se estende por mais 20 anos.
    Em 14 de janeiro de 1892, na loja “Les Libres Penseur”, em Pec, na Normandie, Marie Deraisme recebe a luz maçônica, e no mesmo dia recebe os graus de companheiro e mestre maçom. A Grande Loja da França, ao tomar conhecimento deste fato, expulsou esta loja e seu Venerável Mestre, Obram. Dr George Martin, persuadiu este Venerável Mestre a fundar uma organização aberta a homens e mulheres, em pé de igualdade, juntamente com a escritora e jornalista Marie Deraisme. O Franco-Maçom, George Martin, Senador da República, que vinha trabalhando pela admissão da mulher na maçonaria, ofereceu sua ajuda a Marie Deraisme, que está resolvida a ver seu sonho realizado.
    Esses três seres complementares reúnem seus conhecimentos para enfim, depois de tantos obstáculos criados por alguns franco-maçons, Marie Deraisme realiza sua grande obra; nasce oficialmente, em 04 de abril de 1893, a Grande Loja Simbólica Mista da França. A nova potência foi denominada “Le Droit Humain” (O Direito Humano). A escritora, Marie Deraisme fundou ainda a primeira loja feminista durável que levou o nome de “O Direito Humano”; é uma loja mista de rito Escocês, mas que só inicia mulheres.
    Em Portugal, o boletim oficial do Grande Oriente Lusitano, registra em 1881, a existência em Portugal de uma loja de adoção, com o título de “Filipinas de Vilhena”, aprovada pelo decreto nº 18 de 29 de dezembro de 1881, autorizando a instalação e regularização, sob os auspícios desse Grande Oriente, como filial 01 da loja “Restauração de Portugal”. Essa loja teve vida agitada dentro da maçonaria, sendo expulsa deste Grande Oriente pelo decreto 9 de 10 de junho de 1883. Ingressaram então na nova Grande Loja dos maçons livres e aceitos de Portugal.
    Esta loja feminista abandona a Grande Loja em 29 de outubro de 1884, indo a seguir, filiar-se à Grande Loja Departamentel de Fortaleza do Grande Oriente da Espanha, até que em junho de 1885, a Venerável é expulsa, acabando assim a agitada vida da 1ª loja de adoção de Portugal. Somente em 1904, é que voltam a aparecer lojas de adoção em Portugal, e pouco a pouco as senhoras conquistaram sua independência, passando a se organizar em lojas femininas independentes, tal como as lojas masculinas, com representação própria e nitidamente apoiada pela “Le Droit Humain” Francesa.
    Em São Paulo, a 4 de janeiro de 1871, irmãos das lojas “Amizade”, do Grande Oriente Beneditino, fundaram a loja feminina, “Sete de Setembro” da qual foi a primeira Grã-Mestre, Francisca Carolina de Carvalho.
    Vera Facciolo, em sua tese, cita uma relação de nove lojas femininas, fundadas sob a jurisdição do Grande Oriente Unido, e que tiveram vida entre 1874 e 1903. Em Campos, a loja “Anita Bocaiúva”; no Rio de Janeiro, “A estrela Fluminense” e as “Filhas do Progresso”; em Curitiba a loja “Filhas de Acácia”; em Juiz de Fora a loja “As Filhas de Hiran”; em Bagé, “Fraternidade”; em São João da Barra (RJ) a “Perseverança”; em Barra do Itapemirim (ES), “Teodora”. Dessas lojas, uma foi dissolvida, uma eliminada pela ordem, três simplesmente desapareceram, e uma teve o pedido de regularização indeferido, as três restantes foram dissolvidas e cassadas por ato de Grão-Mestrado em 25 de setembro de 1937. Segundo a Grã-Mestre Vera Facciolo, entre 1874 e 1903, existiu em Bagé (RS), a loja mista “Fraternidade”, portanto pode-se afirmar que as lojas mistas do Rio Grande do Sul, existiam antes de 1937. Até este ano foi encontrado provas de tais lojas.
    Em Porto Alegre, até 1937, havia uma loja mista denominada “Verdade e Justiça nº 659″, trabalhava em um prédio na rua República, e era filiada a “Le Droit Humain”, da França. Desapareceu durante o regime discricionário do Estado Novo. Ainda em Porto Alegre, a loja mista “Vanguarda”; em Santa Maria a loja “Aor”; em Santana do Livramento, trabalhava uma loja mista filiada ao “Direitro Humano”, e “Lautaro”. Quer nos parecer que estas lojas tiveram atividades até 1960. (os dados encontrados são vagos), contudo, segundo informa o maçom, José Jorge de S. Marques, que a A.R.L.S. Verdade e Justiça 659 “O Direito Humano”, ainda funciona em Porto Alegre, sob os auspícios do O.M.M.I. – Le Droit Humain.
    Em 1902, foi fundada nos Estados Unidos da América do Norte, a ordem Maçônica Mista Internacional “O Direito Humano”, e em 1919, no Rio de Janeiro, foi fundada a loja mista “Ísis”. A Federação Brasileira “O Direito Humano”, filiada a Maçonaria Mista Internacional, “Le Droit Humain”, foi fundada em 1929.
    Na França, e em outros países, existem atualmente, lojas femininas masculinas e mistas. Em nosso país, as potências masculinas regulares não reconhecem as lojas femininas e mistas e no entanto, estas aceitam como regulares as potências masculinas. O Grande Oriente do Brasil, em 1940, suprimiu de sua legislação as lojas de adoção, ficando assim evidente a sua aceitação posterior.
    Há mais de 75 anos, espalhadas pelo mundo, funciona a Ordem Internacional “As Filhas de Jó”, para jovens filhas de maçons de 11 a 20 anos, desenvolvendo em seus núcleos um ritual puramente devocional (lunar).
    Na atualidade o tema “Mulher na Maçonaria”, tem sido assunto de muita controvérsia, muitas opiniões já foram publicadas pela Imprensa Maçônica, algumas favoráveis ao ingresso da mulher na maçonaria regular masculina, e, em grande maioria são opiniões contrárias a esse procedimento.
    A revista “Acácia”, dedicou em várias edições, artigos de profundidade sobre o tema, alguns assinados por respeitáveis irmãos maçons.
    Comentários de alguns autores:
    Friedrich Nietzche, em “Oeuvres Posthumes” (Mercure de France, 1934, 156p) vê na mulher emancipada uma masculinidade, uma degeneração dos instintos femininos que arruínam seu poder.
    A Grande Loja da Suíça, publica em seu nº 30, de Cayer bleu, que a mulher deve possuir seus próprios rituais, correspondentes à sua sensibilidade.
    Em Paris, a loja Heptágono, elabora um ritual baseado nos ritos da tecelagem, com a simbólica das tramas e dos entrelaços.
    A maçonaria de 1717, só pode refletir em suas constituições de 1723, um sentimento geral de servilismo da mulher, em um século puritano, dependente de seu marido ou de seu tutor. Ela não é livre no sentido jurídico.
    Dentro desta incompreensão André Bousine define esse aporte feminino em “La Franc-Maçonnerie Anglo-Saxonne et les Femmes”. Seu texto é abundante de ensinamentos, tirados de suas próprias fontes, dos rituais, das conversas e de sua freqüência nas lojas. Em sua tese de doutorado de história, sustentado em Dijon, a 22 de janeiro de 1990, conservou mais que o pensamento tradicional, o aspecto ao mesmo tempo espiritual e histórico, baseados em valores iniciáticos, que particularmente nos Estados Unidos, se inscrevem em um contexto sociológico, no respeito de usos e costumes de um país. O maior interesse desta obra é traçar um paralelo entre as lojas de adoção Francesas do século XVIII, e nossas lojas femininas atuais, face as lojas feministas Inglesas e Americanas.
    Esta matéria foi publicada originalmente no nº 4 de 1995 da edição Francesa L’Initiation.
    “O progresso em nossos dias estabeleceu entre homens e mulheres, igualdade de direitos sociais, políticos e jurídicos. Poderá este novo status influir para a reconsideração de uma posição que faltam as bases tradicionais que colocavam a mulher sob a dependência e a tutela do homem?”

    (Por Anatoli Olynik Dyn) http://www.triplov.com/carbonaria/maconaria_feminina/esteva_krinski_02.htm

  33. A FRANCO-MAÇONARIA NA INGLATERRA DEPOIS DE 1717

    Guide des Maçons Écossais – 1804

    “Primeiro Ritual formulado para os Graus Simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito” – Albert Pike: Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho dos 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito da Jurisdição Meridional dos Estados Unidos da América ( Pórtico e a Câmara do Meio – O Livro da Loja. São Paulo: Landmark, 2002. p 10.)

    A FRANCO-MAÇONARIA NA INGLATERRA DEPOIS DE 1717

    “No início do século XVIII, a Franco-maçonaria estava em franca decomposição no sul da Inglaterra. As perturbações que se seguiram à Revolução que levara Guilherme III ao trono, a exaltação consecutiva aos sentimentos políticos que agitavam os dois partidos em causa na nação, tinham dado àquela pacífica sociedade um golpe fatal ao seu desenvolvimento…”
    Em tal clima, a Grande Loja de Londres vai sofrer as maiores dificuldades, não só para prosperar, mas, simplesmente, para viver. Na verdade, quando pensava ter-se tornado, então, a porta-voz autorizada da Franco-maçonaria para todo o universo, isso “desde tempos imemoriais”, eis que, há duzentos e cinqüenta anos, ela não passa de uma pequena organização em meio a muitas outras, e certamente não a mais forte entre todas.
    Há, também, a Grande Loja de York, que se vangloria, aparentemente com certa razão, de ser a origem da Maçonaria na Inglaterra. Desde 1725, surgem atritos entre as duas Obediências. Em 1735 houve a ruptura aberta, porque a Grande Loja de Londres criou duas Oficinas em território da Grande Loja de York.
    Isso foi apenas o começo, um pequeno começo. Alguns anos mais tarde, a situação vai tornar-se muito delicada, e a Grande Loja não poderá sobreviver senão entrando em composição com outros corpos maçônicos regulares existentes na Inglaterra.
    “É evidente que existem manchas na história da primeira Grande Loja. E por causa dessas manchas os descontentes tiveram número para formar uma nova Grande Loja, que afirmará o seu sucesso. Sua tarefa tornou-se mais fácil pela fraqueza e incompetência dos mais idosos. Nos onze anos que vão de 1742 a 1752, a primeira Grande Loja teve de proceder ao cancelamento da quarenta e cinco Lojas apenas no distrito de Londres. J. Heron Lepper, em suas estatísticas, faz notar que, em 1755, quando se procedia a uma nova numeração das Oficinas para 1756, só restavam 199 Lojas, das 271 que deveriam normalmente existir. Assim, segundo tudo faz crer, mais de um quarto das Lojas ligadas à primeira Grande Loja tinham adormecido,* embora algumas entre elas, através de algo que não podemos saber o que seja, tenham podido passar para os Antigos…”
    Outra causa de desentendimento: a falta de descrição. Os “segredos” maçônicos foram mal-guardados, as iniciações irregulares tornaram-se habituais e a tal ponto que um dia apareceu, pregada à porta de uma taverna: “Aqui, fazem-se maçons por 2 s. 6 d”. Os folhetos antimaçônicos, as caricaturas largamente difundidas, contribuem para manter em relação à Franco-maçonaria uma atitude de desconfiança, e até mesmo de desprezo.
    Enfim, nada de novo sob o triângulo, e a história contemporânea não faz senão reproduzir a do século XVIII.
    “… a Franco-maçonaria desenvolveu-se rapidamente na França, na Irlanda e na Escócia. Os Franco-maçons desses países viajavam para a Inglaterra e traziam consigo idéias que haviam germinado em solo inglês, mas que, ainda assim, eram caras e preciosas para os que elas se prendiam. É provável que a Grande Loja ficasse muito contrariada, por volta de 1730, ao ver o número de maçons não-filiados que vinham aparentemente, de toda a parte e de parte alguma, reclamando sua entrada nas Lojas. Do ponto de vista oficial, cada um desses maçons não-filiados era irregular, e, assim, a fim de tornar as coisas difíceis, se não impossíveis, a Grande Loja resolveu, em 1730, dar um grande golpe…”
    Que golpe? Oh! Isso não é muito complicado. Com sua própria autoridade – é a primeira vez e não será a última – a Grande Loja decide alterar os sinais de reconhecimento do Primeiro e do Segundo Graus. “Mas”, direis vós, “e os Landmark?” Os Landmark! Falaremos deles nos próximos capítulos. Acho suficiente prevenir-vos desde agora: quando se estuda a história da Grande Loja da Inglaterra, com toda a imparcialidade histórica, vê-se que os Landmark nada mais são do que uma palavra bem cunhada atrás da qual nada existe, mais que é muito útil para sair de uma situação embaraçosa, quando, logicamente, não se sabe mais o que responder.
    Naturalmente, a Grande Loja, com toda a boa-fé, acreditou agir bem aletrando os inalteráveis Landmark. Infelizmente, um bom número de Irmãos não entendeu assim. Não estou muito certo de que todos compreendessem exatamente o valor de suas palavras e símbolos – isso seria bom demais – porém apegaram-se a eles.
    Sob o impulso de um recém-vindo à Maçonaria, Laurence Dermott, criou-se um cisma, e uma parte dos Irmãos abandonou a Grande Loja para fundar uma nova Obediência. Que é Laurence Dermott? Um simples operário, um pintor de pardes de origem profana e maçônica irlandesa. Os velhos maçons estão mortos… desaguliers, Anderson etc. A Grande Loja enfraqueceu exatamente quando diante dela vai erguer-se um Irmão que seu contemporâneos, depois os historiadores, detestem-no ou adulem-no, reconhecerão como um dos homens mais equilibrados do seu tempo.
    Esse pintor de paredes revelasse um organizador de primeira ordem, um panfletário mordaz, um diplomata sutil. É com uma quase espécie de gênio na compreensão da natureza humana que ele monta uma nova Obediência. Dá-lhe o nome de “Antigos”, com o qual desacreditará imediatamente a primeira Grande Loja, que ele designa, com extravagante intenção, como “Modernos”. Ora, para quem conhece a mentalidade inglesa, sobretudo naquela época, os “Antigos”, embora fossem os últimos a chegar, tinham naturalmente prioridade sobre os “Modernos”. Dermott põe em dia uma Constituição, dando-lhe o nome bastante bizarro de Ahiman Rezon – palavras hebraicas mal-digeridas pelo autor – constituição essa composta de amplos empréstimos tomados às “Constituições” de Anderson, entremeados com texto de origem irlandesa.
    “… De Laurence Dermott pode dizer-se, sem receio de cair no panegírico, que foi o maçom mais notável de seu tempo. ‘Como polemista’, observa um escritor sério, ‘ele era sarcástico, amargo, não admitindo compromisso algum, porém nem sempre se mostrava sincero ou verídico. Do ponto de vista intelectual, contudo, não cedia diante de nenhum de seus adversários. No que concerne à sua concepção filosófica do caráter da Instituição Maçônica, estava avançado em relação ao espírito do seu tempo’. Talvez não fosse um autor muito escrupuloso, mas era incomparável administrador. Como escritor, foi a encarnação do ditado: “de I’audace, encore de I’audace, toujours de I’audace”. Como administrador exibiu qualidades que não encontramos reunidas em nenhum outro membro da Ordem, nem antes nem depois dele…
    Foi a alma e a vida da organização a que se associou tão intimamente…”
    A partir de 1751 – data oficial do nascimento da Grande Loja chamada dos “Antigos” – as duas Grandes Lojas que partilham entre si a maioria dos maçons ingleses vão bater-se mutuamente como duas megeras num cortiço sórdido. Nenhuma injúria será demasiado aviltadora, nenhuma imputação demasiado caluniosa, nenhum argumento demasiado ferino.
    Uma e outra podem, entretanto, alinhar em seus registros de matrículas os nomes ingleses mais famosos da época. O rumor chama a atenção, a atenção desperta a curiosidade a as pessoas fazem-se maçons como quem vai ao teatro. A menos que – quem sabe – os príncipes não considerem cômodo o exercer, com pouca despesa, fiscalização direta sobre os corpos constituídos que se tornarão seus mais fiéis agentes de propaganda e de governo… Vamos! Que idéia! Pois já não vos disseram que a Maçonaria inglesa jamais fez nem jamais fará política? Mas, no fundo, que vem a ser política? Voltaremos a falar disso.
    Essa situação dura mais de cinqüenta anos… até o dia, em 1813, em que o duque de Sussex é promovido a Grão-mestre dos “Modernos”, e seu irmão e Irmão, o duque de Kent, a Grão-mestre dos “Antigos”, oficialmente, a “União” foi realizada no dia 27 de dezembro de 1813, data que marca o nascimento da atual Grande Loja Unida da Inglaterra.
    Antes de terminar – provisoriamente – com a Grande Loja Unida da Inglaterra, quero fazer alguns comentários que, para mim, situam claramente a posição dela na história e na doutrina.
    Uma frase de Bernard Jones levou-me a devanear por muito tempo… “Os acontecimentos que, nos bastidores, levaram à União, não são conhecidos, mas toda a parte oficial é muito clara.”
    Que se passa, então, “nos bastidores”, em 1813? Nada mais, muito possivelmente, que conversas de dois irmãos príncipes de sangue, sobre o estado do reino. Esse estado nos é descrito numa frase lapidar, extraída de um excelente livro de história atualmente em uso nas escolas inglesas, e que se traduz como se segue: 1806 – 1810 – 1815. “A Nação aperta o cinto e resiste até que Napoleão seja batido.”
    E não se trata de “apertar o cinto” no sentido que nós, franceses, damos a essa expressão. Fiz uma tradução literal que não pude evitar, quando deveria ter escrito em termos mais bíblicos: “A Nação cinge seus rins!”
    União, total união de todos os ingleses contra o Ogre. Afinal, não apenas os maçons irão fornecer o penosos espetáculo de suas discórdias quando a nação exige de todos os seus filhos.
    Sentimento patriótico muito honroso, embora na ocasião fosse dirigido contra nós, mas que, sem que eu deseje criticá-lo no que quer que seja, mostra que o Franco-maçonaria inglesa não é assim tão insensível, como que mostrar, a uma certa forma de política… A “alta” política!
    Enfim, a Grande Loja da Inglaterra está fundada e reclama o título de a mais antiga Grande Loja do mundo, já que descende diretamente da Grande Loja de Londres de 1717. para ser sincero, historicamente, eu digo “Não!” Não; a Grande Loja Unida da Inglaterra não é filha de Anderson e Desaguliers. Ela os renegara, de há muitos anos já, quando transformou as velhas “Constituições” de 1732. ela é filha de Laurence Dermott, o pintorzinho irlandês. E é uma homenagem que eu presto a esse homem, porque foi esse pintorzinho que trouxe o pouco que lhe resta de verdadeira espiritualidade, foi ele quem manteve a filiação iniciática tradicional, rompida pelos “filósofos” no começo do século.
    “Se vos disserem que isso é dar atenção demais a uma questão sem importância que foi resolvida no começo do século XIX, respondereis que, se jamais se tivesse formado uma Grande Loja rival, a Franco-maçonaria inglesa seria hoje mais pobre, e nenhum dos nossos Graus azuis seria o que é. Sem ela, a cerimônia de instalação não passaria de uma simples tomada de posse da poltrona presidencial pelo Venerável que tivesse sido eleito… o livros das ‘Constituições’, segundo todas as probabilidades, seria diferente, e certamente mais pobre em certos pontos. Finalmente, um rápido estudo da querela que se acendeu no seio da Franco-maçonaria do século XVIII nos ensina muita coisa a respeito das condições sob as quais se formaram as práticas, as cerimônias e o ritual de que atualmente goza a Franco-maçonaria inglesa”.
    É uma pena – e eu digo sem ironia, antes com profunda tristeza -, pensando em meus Irmãos do outro lado do Canal, que são também meus amigos, que a Maçonaria inglesa, passados que são os maus dias não tenha levado o espírito de união até ver como se comportavam as Obediências – todas as Obediências de sua Irmã pelo espírito da Ordem, a Maçonaria francesa.
    Ela teria visto que herdamos de nossos “antigos” – os Companheiros, os Templários, os Hermetistas – um legado de riqueza ainda mais resplandecente do que aquela de que lhe fez presente Laurence Dermott, o irlandês místico e obstinado.

  34. Alferio Di Giamo Neto disse:

    Currículo Resumido de Alfério Di Giaimo Neto
    Irmão Alferio Di Giaimo Neto (MI) alferiodigiaimo@yahoo.com.br

    – Iniciado em 20/06/1998 na Loja “Jacques de Molay”, pelo M.I.: Geraldo Azevedo – GOB.

    – Elevado a Companheiro em 23/07/1999.

    – Exaltado em 18/02/2000, sempre pela Loja “Jacques de Molay” nº 2778.

    – Mestre do Sagrado Arco Real – Supremo Grande Capitulo dos Maçons do Arco Real do Brasil – GOB.

    – Venerável Cavaleiro Templário no Preceptório Visconde Mauá 35.

    – Mestre Maçom da Marca – GOB.

    – Grau 16 no Rito Escocês Antigo e Aceito.

    – Filiado a Loja “LÁquila Romana” – Loja de Pesquisas – GOSP.

    – Filiado a Loja “Solidariedade e Progresso” – Loja de Pesquisas – GOSP

    – Filiado a “Quatuor Coronati” – Loja de Pesquisas – GOB.

    – Filiado a Loja “Fraternidade e Integridade Taubateana” em Taubaté – GOSP.

    – Garante de Amizade da Nova Zelândia – GOB.

    – Mestre Instalado na Loja “Solidariedade e Progresso” – GOSP

    – Representante do Grão Mestre do Grande do Brasil – Ir. Laelson Rodrigues – em Instalação de Grão Mestre – Vitória – Austrália – 2005.

    – Acadêmico da Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras

    – Articulista do Jornal Maçônico “Nova Era” e da “Revista Cultural”, ambos do GOSP

    – Articulista do Jornal Maçônico “Lapidar” de Taubaté.

    CARGOS NO PODER EXECUTIVO

    – Coordenador Editorial da Secretaria de Cultura do GOSP – 2004 a 2005.

    – Deputado Estadual pela Loja Jacques de Molay – 2003 a 2005

    Honrarias fora dos templos:

    – Moção honrosa dada pela Câmera Municipal de Taubaté – São Paulo, recebida em 2005.

    – Comendador por Mérito pela Ordem dos Cavaleiros da Concórdia em 1998.

    Vida Profissional

    – Engenheiro Metalurgista – formada na FEI em 1970 – trabalhando em montadoras (VW e GMB).

    – Consultor Internacional em Metalurgia.

  35. Alferio Di Giamo Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA – Nº1

    O significado da palavra “BRETHREN”

    – a palavra “Brethren” é uma antiga forma do plural de “brother”, e não é usada em circunstancias normais. Ela é usada com frequencia para distinguir “irmãos de sangue” e “irmãos” membros de comunidades religiosas ou fraternais, que é o caso da Maçonaria.
    É encontrada principalmente nos Rituais ingleses (incluindo Nova Zelandia) e Rituais americanos. Outras fraternidades, distintas da Maçonaria, também a usam. Parece haver um senso comum em usá-la, e seu uso frequente e continuado, o justifica amplamente.

    M.:M.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  36. Alferio Di Giamo Neto disse:

    PILULA MAÇONICA – Nº 2

    CARTA CONSTITUTIVA

    Nos primórdios, uma Loja era formada por si só, sem nenhuma cerimônia, normalmente auxiliada por outra da vizinhança, se um numero suficiente de Irmãos decidissem formar uma delas.
    Mas, em 1722, a Grande Loja da Inglaterra recém formada em Londres, determinou que cada nova Loja na Inglaterra deveria ter uma patente, e desde aqueles tempos todos os Irmãos que resolvessem formar uma nova Loja, empenhavam-se para obter a permissão, a certificação, em forma de carta, da Grande Loja.
    Esta nova Loja ficava, então, unida à Grande Loja da Inglaterra, como uma filial, se comprometendo em trabalhar de acordo com seu sistema, e se manter dentro dos antigos landmarks.
    Então, a tal Loja era chamada justa, perfeita e regular.
    Temos hoje, conforme nos orienta o Mestre Alec Mellor, que nenhuma Loja ou Capitulo pode existir regularmente sem um título de constituição, chamado Carta Constitutiva (em inglês, Warrant ou Charter) que é ao mesmo tempo, a sua certificação de nascimento e, de certa forma, seu alvará de funcionamento.
    Henry Wilson Coil nos esclarece que não há uma essencial diferença entre Warrant e Charter, mas ambas as palavras, nos primórdios eram usadas para descrever a autorização, emitida pelo Grão Mestre, consentida pela Grande Loja, de modo oral primeiramente, em seguida por escrito, para a constituição de uma nova Loja.

    M.:M.: ALFÉRIO DI GIAIMO Neto
    CIM 196017

  37. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA – Nº 3

    OLD CHARGES (Antigas Instruções)

    Este é o nome popularmente dado a mais de 100 antigos Manuscritos em inglês ou (ocasionalmente) em escocês, de aproximadamente 600 anos atrás.
    Eles parecem ter servido nas Lojas Operativas Inglesas para alguns propósitos, como, por exemplo, no Livro das Constituições e Rituais.
    Eles são frequentemente achados escritos em pergaminhos com aproximadamente 1,8 metros de comprimento por 22,8 centímetros de largura.
    Eles geralmente consistem em três partes:
    – uma Invocação ao “Poder do Senhor no Céu”, etc
    – uma História Tradicional diferindo largamente daquelas que usamos hoje em dia, começando com Lamech, incluindo Euclides e indo até o tempo de Athestan.
    – Instruções, em Geral ou no Particular, as quais são regras para uma boa conduta da ordem (Craft) ou para a conduta dos Maçons, individualmente.

    As duas últimas versões bem conhecidas estão agora no Museu Britânico. A mais antiga, o REGIUS, é considerada datar de 1390, e o COOKE, de 1425.
    Entretanto, evidencias internas indicam que o COOKE foi transcrito de um Original, mais antigo que o REGIUS.

    M.:M.: ALFÉRIO DI GIAIMO NETO
    CIM 196017

  38. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA – Nº 4

    Fanáticos e Fanatismo

    Em termos religiosos, temos que, segundo os dicionários, fanático “é quem, ou que se julga inspirado por Deus”. De modo geral fanático “é quem, ou que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa”.
    Podemos aprofundar esta nossa pesquisa consultando trabalhos do pranteado Ir.:Nicola Aslan, dizendo que os fanáticos eram os sacerdotes antigos dos cultos de Isis, Cibele, Belona, etc., que eram tomados de delírio sagrado, e que se laceravam até fazer correr sangue. A palavra tomou, assim, o sentido de misticismo vulgar, que admite poderes ocultos, que podem intervir graças ao uso de certos Rituais. Emprega-se, também, para indicar a intolerância obstinada daquele que luta por uma posição, que considera evidente e verdadeira, e que está dis¬posto a empregar até a violência para fazer valer suas opiniões e para con¬verter a outros que não aceitam as suas idéias. Dai tomar-se o termo, por extensão, para apontar toda e qualquer crença, quer religiosa, ou não, desde que haja manifestação obstinada por parte de quem a segue.
    Esta palavra vem do latim fanum, Templo, lugar sagrado. Fanaticus era, em latim, o inspirado, o entusiasmado, o agitado por um furor divino. Pos¬teriormente, tomou o sentido de exaltado, de delirante, de frenético. E, . finalmente, o de supersticioso.
    Desse modo, podemos agora definir o Fanatismo como sendo a dedicação cega, excessiva, ao zelo religioso; paixão; adesão cega a uma doutrina ou sistema qualquer, inclusive político. Podemos afirmar que o abuso das praticas religiosas podem levar até a exaltação que impedem o fanático a praticar atos criminosos em nome da religião ou de um poder político.
    Conforme a Enciclopédia Portuguesa Ilustrada temos que: o fanatismo é uma fé cega, irrefletida, inconsciente, e a maior parte das vezes independente da própria vontade, que algumas pessoas sentem por uma doutrina ou um partido. O fanatismo é uma auto-sugestão, que se sente independente da própria vontade e que faz sentir uma paixão desordenada a que nos abandonamos. Enquanto o fanatismo não intervém nas relações sociais dos indivíduos, não deve ser considerado perigoso; mas não sucede o mesmo quando os seus efeitos se manifestam numa sociedade compacta, onde reina a diversidade de crenças e opiniões. O fanatismo cau¬sou males em todas as sociedades antigas, e na Idade Media viram-se tam¬bém excessos produzidos por ele.
    A Maçonaria condena o fanatismo com todas as suas forças. Em vários Graus, as instruções giram em torno desta execrável paixão, considerada como um dos inimigos da Ordem Maçônica.

    M.:M.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  39. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 5

    Collegia Fabrorum e as Guildas

    O Collegia Fabrorum era uma Associação romana na época (iniciada em 500a.C.) das grandes conquistas de cidades pelos romanos, até o ano aproximadamente 400 d.C. Os guerreiros destruíam as construções de todos os tipos, na subjugação dos povos e devido a selvageria das batalhas, e esse grupo de construtores, talhadores de pedras, artistas, carpinteiros, etc, iam atrás reconstruindo o que era de interesse para as tropas e aos comandantes de Roma. Tinha um caráter religioso, politeísta, adorando e oferecendo seus trabalhos, aos seus deuses protetores e benfeitores. É possível que, com a aceitação do Cristianismo pelos romanos, essa associação tenha se tornado monoteísta.
    As Guildas eram Associações corporativistas, auto protetivas, que apareceram, na Idade Média, depois de 800 d.C. Eram grupos de operários, negociantes e outras classes. Existiram, com o passar do tempo, diversos tipos de “Guildas”: religiosas, de ofício, etc, entre outras. No caso das de oficio, se auto protegiam, e protegiam seus membros e, muito importante, protegiam seus conhecimentos técnicos, adquiridos pelos membros mais velhos e experientes, e os transmitiam, oralmente, em segredo, em locais afastados e adequados, longe de pessoas estranhas ao grupo formado. Como eram grandes, precisavam de sinais de reconhecimento, palavras de passe, etc. E, obviamente, de pessoas que coordenassem, que vigiassem tudo isso. Também é obvio, que para que a Guilda tivesse continuidade, precisavam de jovens, que seriam por um determinado tempo, aprendizes desses conhecimentos. Na festa de confraternização, comiam juntos, dividiam o mesmo pão entre eles ( do latim “cum panis”, gerando, talvez, a palavra “Companheiro”). Etc, etc, etc. O leitor Maçom , já entendeu aonde eu quero chegar.
    A que mais se destacou e evolui grandemente, foi a Guilda dos Construtores em alvenaria, principalmente de igrejas e palácios. Como a Igreja Católica Apostólica Romana, na época, dominava tudo, e os padres, por dever de ofício, eram os únicos letrados, nada mais natural que os mestres (de maneira bem ampla) fossem eles. Como sacerdotes, eram venerados, e porque ensinavam, eram mestres. Há uma teoria, e é a minha também, que “Venerável Mestre” derivou disso aí explicado: Venerável por ser sacerdote e Mestre porque ensinava!
    Posteriormente, essas confrarias perderam essa predominância da Igreja, apesar de não deixarem de serem altamente religiosas, e geraram os Ofícios Francos (ou Francomaçonaria) formados por artesões com privilégios ofertados pelo Feudo e pelo Clero.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  40. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 6

    Maçonaria Especulativa

    Até 1717 d.C., quando houve a fusão de quatro Lojas inglesas, semente da Grande Loja Unida Inglaterra, a Maçonaria é chamada de “Maçonaria Operativa”, pois o “saber” era empírico, adquirido de maneira prática. As ferramentas e o manuseio estavam sempre presentes. O Maçom Operativo era um profissional da arte de construir.
    A partir dessa data, a Maçonaria começou a ser denominada de “Maçonaria Especulativa”.
    A palavra “especulação” vem do latim – specullum – cuja tradução é espelho. Como nos esclarece, IrN.Aslan: “é a ação de especular, que significar indagar, pesquisar, observar, espelhar, as coisas físicas e mentais, para estuda-las atentamente, para observa-las cuidadosamente, minuciosamente, do ponto de vista teórico. Disso extraímos idéias e formulamos hipóteses”.
    Bernard Jones nos esclarece: “os Maçons aceitos” elaborando ou adquirindo o conhecimento da Ordem, caíram sobre o termo favorito, embora fosse inadequado, pois não havia outro que melhor qualificasse suas intenções. Distinguiram-se dos talhadores de pedras, denominando-se “Maçons Especulativos”.
    Os “aceitos” começaram a fazer parte da Ordem, em torno de 1600 d.C., e nada mais justo do que chamá-los de especulativos, pois na maioria das vezes faziam parte da ala social da Maçonaria, como mecenas ou colaboradores, e, literalmente “não metiam a mão na massa”.
    O “especulativo” era o planejador, o calculista, o pesquisador, e não o homem de ação ou o profissional braçal. Na profissão de construtores, seja de qualquer época, sempre foi exigido um “trabalho especulativo”, ou seja, a teoria adquirida pelo Mestre-de-Obra, desmembrada na geometria, nas teorias dos planos, na resistência dos materiais, nas forças resultantes nas vigas e arcos de sustentação, etc. Desse modo, o trabalho que usasse de ferramentas e manuseio, era o “prático”, ou “operativo”.
    Devemos esclarecer que o termo “especular” pode significar a atividade pela qual, pessoas se propõem obter lucros ou vantagens, em negociações ou afins.
    Obviamente, não tem nenhuma ligação com o termo, semelhante, usado na Maçonaria.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  41. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 7

    “Hiram Abi” ou “Hiram Abif”?

    Hiram, é o nome do arquiteto que, segundo a lenda maçônica, foi encarregado de dirigir os trabalhos da construção do Templo de Salomão. Segundo a Bíblia, em algumas passagens, era filho de uma viúva da tribo de Dan e de um tírio chamado Ur. Em outras, era filho de uma viúva da tribo de Neftali, “porém seu pai era tírio e trabalhava o bronze”.
    Entretanto, qual o nome correto, “Hiram Abi” ou “Hiram Abif”?
    Essa dúvida é muito comum e poucas pessoas sabem qual o modo certo. Na verdade os dois estão certos, conforme explico abaixo:
    A palavra Ab, do original hebraico, significa “pai” (muitas vezes equivalente a amigo, conselheiro ou enviado) e dependendo do sufixo que recebe pode ter o significado de “meu pai” ou “seu pai”.
    Desse modo, conforme a “Encyclopaedia” de Mackey, quando usamos o sufixo “i” tem o significado de “meu” e quando usamos “if” tem o significado de “seu”. A palavra Ab, com seus sufixos é encontrada nos Livros dos Reis e nos das Crônicas, em referencia a Hiram, o Construtor. Quando o Rei Hiram de Tiro, respeitosamente fala dele, chamando-o “meu pai”, encontramos Hiram Abi e quando o escritor do Livro das Crônicas fala dele e do Rei Salomão, na mesma passagem, chama-o de “pai de Salomão” – “seu pai”, encontramos Hiram Abif.
    A única diferença resulta da diferente denominação dos pronomes meu e seu, em hebraico. Portanto, quando os Maçons escrevem ou falam dele, Hiram, o Construtor, o correto é Hiram Abif.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  42. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 8

    Aprendiz

    A palavra tem origem no tempo dos Maçons Operativos. Os Maçons da Idade Média formavam um grupo seleto, e era a mais alta classe de artesãos naquele tempo. Isso requeria boa saúde, personalidade de moral impecável, alta inteligência, para ser um excelente Maçom Operativo, permitido trabalhar nas grandes casas de Deus, as magnificentes Catedrais, que era o seu trabalho.
    Os operativos eram orgulhosos de suas habilidades, de sua reputação e da rigorosidade de suas leis.
    Para se tornar um Maçom, um jovem era escolhido para servir por aproximadamente sete anos no aprendizado, antes de ser permitido fazer e submeter aos seus superiores, sua “Peça de Mestre” e ser admitido como um “Companheiro” da Ordem.
    Antes dele começar o aprendizado, ele passava por uma prova, num curto período de tempo, onde deveria mostrar ser possuidor das qualificações necessárias de habilidade, decência e probidade. Somente depois disso é que ele era “registrado” como Aprendiz. É por isso que na Maçonaria inglesa e americana, ainda se encontra, na maneira de escrever, esse fato: “Entered Apprentice”.
    Originalmente um Aprendiz não era considerado como membro da Ordem, mesmo após ter sido registrado no livro da Loja. Somente após ter passado seu aprendizado e ter sido aceito como “Companheiro” é que ele se tornava um legítimo membro da Ordem Maçônica. Esse comportamento foi aos poucos se modificando e após 1717, Aprendizes iniciados numa Loja faziam parte do conjunto constituinte da Ordem.
    O Ritual nos ensina que o Aprendiz é o símbolo da juventude, o Companheiro é o símbolo da maturidade e o Mestre o da velhice. Provavelmente esse conceito é derivado do fato que, de modo geral, discípulos, iniciantes, são jovens; os experimentados são homens já formados na idade; e os criteriosos e informados, formam o grupo mais idoso.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  43. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    Pílula Maçônica nº 9

    Nossa tríplice aclamação HUZZÉ

    Mestre Castellani deixa bem claro em seu “Consultório Maçônico” que o “tríplice Huzzé” trata-se de uma aclamação (aplaudir, aprovar ou saudar alguém com alegria) e não uma exclamação (bradar, gritar, vociferar). Apesar de origem controversa, é muito provável que derive do vocábulo árabe Uzza, que é uma aclamação a um ente divino e um dos nomes de um dos deuses deles.
    É usado no Rito Escocês Antigo e Aceito, substituindo a palavra inglesa Huzza (mas cuja pronuncia é “huzzé”) cujo significado é uma aclamação de saudação ao Rei (Viva o Rei!). É a mesma aclamação, com outra palavra, usada pelos franceses – Vivat – também para saudar o Rei.
    Como o Rito Escocês teve sua origem na França, é possível que tenha sido introduzida no rito nessa época, obviamente usando o vocábulo inglês. Aliás, na língua inglesa existe o verbo to huzza, que significa aclamar.
    Para o historiador francês maçônico Albert Lantoine, essa palavra é sinônimo de Hurrah!, extremamente conhecida no mundo todo.
    No famoso dicionário “Michaellis” temos que: huzza – interjeição (de alegria), viva, hurra – v. gritar “hurra!”, aclamar.
    Em suma, é uma aclamação de alegria, e corresponde ao “Vivat” dos latinos.

    M.:M.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  44. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    Pílula Maçônica nº 10

    Segredo e Mistérios Maçônicos

    Segredo – fato ou circunstância mantida oculta; o que a ninguém deve ser dito (Michaelis).
    Segredo Maçônico – segundo Nicola Aslan, a Maçonaria Operativa mantinha em rigoroso segredo processos técnicos que asseguravam a sobrevivência da arte e dos Talhadores de Pedra, enquanto os modos de reconhecimento garantiam trabalho e proteção para aqueles que viajavam de um lugar para outro.
    Hoje, na Maçonaria Especulativa não há mais segredos técnicos e os mesmos Sinais, Toques e Palavras constituíram e constituem o famoso “segredo da Maçonaria” que as autoridades civis e eclesiásticas, sempre desconfiadas, nunca quiseram acreditar. Porém, segundo Alec Mellor , existe “O Segredo” que é um conceito totalmente filosófico, de conteúdo variável, concebido por alguns como o estado de iluminação interior que se alcança pela Iniciação, que a linguagem humana não poderia traduzir e, portanto, trair, pois as palavras correspondem a conceitos, enquanto o pensamento iniciático transcende o pensamento conceitual.
    Mistério – o que é inexplicado, mas que nos deixa perplexos e incita à investigação. Indica tudo que é ocultado, e que é conhecido de uns poucos, que guardam segredo.
    Mistérios – era o conjunto das cerimônias do culto religioso que, antigamente, era praticado ocultamente, e ao qual se podia assistir se fosse iniciado. Diz-se também que os mistérios eram centros de instrução e de educação da antiguidade, e que eram divididos em Pequenos Mistérios (instrução primaria) e Grandes Mistérios (instrução superior).
    Alguns livros ingleses nos dizem que “Jogos de Mistério” (peças teatrais) eram a mais popular forma de entretenimento na Idade Media. Cada Guilda (associação, corporação) ou profissão tinha seus dramas próprios preferidos. A maioria era de origem bíblica. Eles eram produzidos, encenados, e simulados pelos membros da corporação, primeiro nas igrejas, e depois nas praças públicas, para as quais eles eram expulsos quando os jogos (encenações) se tornavam muito impetuosos e irreverentes (desrespeitosos) para as autoridades sacerdotais.
    Esses dramas eram chamados mysteries, não porque eles tratavam de mistérios, magias, fantasmas ou coisas secretas, mas porque eles eram produzidos pelas associações ou mysteres . Esta palavra é uma variante da palavra francesa “mestaire” , cujo significado é: uma ordem ou associação (guilda).
    Então essas encenações ficaram conhecidas na Inglaterra como “mysteres’ ou “mysteries”, por que elas eram produzidas pelos “mestaires” ou guildas.
    A expressão “Mistérios da Francomaçonaria” significa as cerimônias ritualísticas, ou o trabalho em Loja.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  45. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 11

    ALEGORIA

    A palavra Alegoria tem sido definida como “uma descrição de um evento sob a imagem de outro”, o objetivo sendo impor uma verdade moral através de uma estória. Alegoria é exprimida em linguagem figurativa ou descritiva, conduzindo a uma abertura ou significado literal e, ou, a um dissimulado ou algo figurativo.
    Segundo Bro Nicola Aslan, temos o que segue:
    “existem duas espécies de Alegorias: uma que pode ter a extensão de um poema, a outra que pode ser contida em algumas palavras (Nas asas do Tempo voa a Tristeza). Quase todos os apólogos e os provérbios são alegorias…. sendo a Maçonaria, como a definem os anglo-saxões, “um sistema particular de moral, velado por alegorias e ilustrado por Símbolos”, quase todas as lendas maçônicas são mais ou menos alegorias, inclusive a lenda do terceiro Grau, que deve ser interpretada como ensinando a ressurreição, o que se percebe pela própria lenda, sem qualquer acordo ou convenção””.

    MMALFERIO DI GIAIMO NETO
    Cim 196017

  46. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 12

    O que é Simbolismo? Por que é importante na Maçonaria?

    Simbolismo é o uso e interpretação de símbolos e emblemas. Um Símbolo é a representação visível de algum objeto ou coisa, real ou imaginária, empregado para transmitir uma certa idéia.
    Nós não temos outro caminho para expressar idéias do que o uso de símbolos. As palavras são símbolos. No uso ordinário, entretanto, por um símbolo nós damos significado a um objeto, o qual declara uma idéia.
    A bandeira é o símbolo de um país; o leão da coragem; o carneiro da inocência; o Esquadro é símbolo da virtude Maçônica.
    Tem sido declarado que “o Simbolismo da Maçonaria é a alma da Maçonaria”. E isto tem que ficar claro ao Aprendiz, pois não deve ser encarado como uma declaração de idéias, mas deve ser dirigida com ênfase para ele, para que fique retido em sua mente.
    Simbolismo é talvez o ramo mais difícil da Francomaçonaria, e sobre ele se tem dito e escrito as mais insensatas e absurdas coisas. A Francomaçonaria é repleta de símbolos. Mas onde, muitas vezes, somente existe um genuíno simbolismo, alguns irmãos nos convidam, ou impõem, a aceitar uma grande quantidade de escondidos e profundos significados simbólicos. Muito dessa quantidade é chamado de misticismo e é justamente o absurdo mencionado acima.

    MMAlferio Di Giaimo Neto

  47. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 13

    A MAÇONARIA OPERATIVA

    Na Idade Média os maçons eram distintos. Era essa a sensação generalizada na Inglaterra, França e Europa Central, pois enquanto os outros trabalhadores trabalhavam para os senhores feudais, sem sair de seu vilarejo, os maçons eram especialistas e serviam aos reis e nobreza e viajam para todos os cantos desses paises. Trabalhavam as pedras e erigiam castelos, catedrais e abadias.

    Inglaterra

    A vida profissional era bem estabelecida. Existiam dois tipos de maçons: os “rústicos” que cortavam e moviam os blocos para o alicerce e os “especialistas” que faziam o trabalho em blocos para a arquitetura em geral, acabamento e ornamentação.
    Pertenciam a Grêmios que eram compostos pelos principais empregadores do ramo e, as vezes, controlados por um funcionário real. Tinham “deveres” (Charges) estabelecidos por esses Grêmios. O primeiro era com Deus: deviam crer na doutrina da Igreja Católica e repudiar todas as heresias. O segundo era com o Rei, cuja soberania deviam obedecer. O terceiro era para com seu mestre, o empreiteiro das obras.
    Formavam sindicatos, ilegais, pois contrariavam as determinações salariais dos grêmios, e se reuniam secretamente correndo o risco de penalidades da lei.

    França

    Os maçons eram, como na Inglaterra, a elite dos trabalhadores. Diferentemente, formaram uma organização que não tenha paralelo na Inglaterra: a “Compagnonnage”. Os “Compagnons” (companheiros), seus membros, que algumas vezes eram trabalhadores com outros ofícios, formavam uma forte organização. Os reis e governos da França não aprovavam essa situação e, por diversas vezes, ditaram leis e decretos contra a Companonnage (1498, 1506, 1539…). Em 1601, um estatuto proibia que se reunissem em mais de três nas tabernas. Em 1655, a Faculdade de Sorbone, proclamou que os compagnons eram malvados e ofendiam as leis de Deus.

    Alemanha e centro da Europa

    Os maçons eram chamados de Steinmetzen, e da mesma forma eram a elite dos trabalhadores. Suas atividades eram também reguladas por corporações do ramo. Havia Lojas importantes de Steinmetzen em Viena, Colônia, Berna e Zurich, mas todas aceitavam a liderança dos maçons de Estrasburgo. Inclusive, o imperador Maximiliano I proclamou um decreto em que dava força de lei ao seu código de conduta (diferente do que foi escrito para Inglaterra e França). Essa liderança durou até 1685, quando a cidade foi invadida pelo exercito de Luiz XIV e anexada à França.

    Escócia

    Os Grêmios de maçons eram mais antigos do que os da Inglaterra. Em 1057, o rei Malcolm III Canmore outorgou uma Carta, com o poder e obrigação de regular o oficio, à Companhia de Maçons de Glasgow.
    Infelizmente, por não haver em abundancia a pedra franca na região, tiveram menos êxito para manter a boa posição já citada. Inclusive, nesse país foi modificada a regra para os “aprendizes ingressados” de tal modo que, o aprendizado ficou com um lapso de tempo mais curto, do que na Inglaterra, por exemplo. Os mestres mais antigos, qualificados, para se protegerem profissionalmente, começaram a usar uma palavra secreta que era transmitida entre eles, para o reconhecimento entre si. Essa palavra chave ficou conhecida como a “Palavra Maçônica”.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  48. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 14

    Lojas, Ordem e Obediências Maçônicas.

    Brethren, vejam o que nos ensina o francês, IrMarius Lepage, sobre o acima mencionado:

    As Lojas podem existir sem Grandes Lojas ou Grandes Orientes, garantindo sua federação. O inverso, porém, não é verdadeiro. Nem Grande Loja, nem Grande Oriente podem existir sem as Oficinas chamadas “azuis”, que são sua base.
    Assim, fica muito claro a diferença entre a Ordem e a Obediência Maçônicas.
    A Ordem – a Franco-Maçonaria tradicional e iniciática – não tem origem historicamente conhecida. Usando a expressão habitualmente empregada, podemos dizer que ela data de “tempos imemoriais”.
    “…antes do século XIV nada encontramos que se possa ligar, com provas irrefutáveis, à Maçonaria. Todos os documentos que possuímos estabelecem que foi da Maçonaria Operativa que saiu nossa Ordem, e demonstram apenas isso, a não ser para aqueles que suplementam fatos e fontes com a imaginação…” (F.Marcy, l´Histoirie du Grand Orient de France).
    As Obediências, ao contrário, são criações recentes, das quais é possível – embora com algumas dificuldades e imperfeições – descrever o nascimento, e cuja existência, a partir daí, é bem conhecida na maior parte dos pormenores. Entretanto, se a Ordem é universal, as Obediências, sejam elas quais forem, mostram-se particularistas, influenciadas pelas condições sociais, religiosas, econômicas e políticas dos países em que se desenvolveram.
    A Ordem é, por essência, indefinível e absoluta: a Obediência está sujeita a todas as variações da fraqueza congênita ao espírito humano.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  49. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 15

    PALAVRAS

    O termo “palavra” é entendido, como sendo a expressão de uma idéia e o conjunto de sinais que esta representa graficamente.

    Palavra do Maçom – esta peculiaridade da Maçonaria Escocesa, é a que eu me refiro na “Pílula nº 13”. Supõe-se, segundo Nicola Aslan, ter consistido de duas palavras, provavelmente acompanhada de um sinal. Era claramente esotérica e usada, presumivelmente, como um meio de reconhecimento. Mackey complementa: “nas atas e nos documentos das Lojas da Escócia durante os séculos XVI, XVII e XVIII, a expressão “Mason Word” é constantemente usada. Este contínuo uso indicaria que apenas um conjunto de palavras era então conhecido”.

    Palavra de Passe – é a que se pronuncia ao dar-se os Toques e os sinais de reconhecimento.

    Palavra Perdida – continuando com o Mestre Nicola, temos que a história lendária da Maçonaria refere-se a uma lenda segundo a qual teria existido, outrora, uma Palavra de valor transcendente, objeto de grande veneração, e que teria sido conhecida apenas por alguns poucos. Com o decorrer dos tempos, esta Palavra teria sido perdida e substituida por outra. Esta lenda entrou no sistema escocês e, segundo ela, Hiram Abif, construtor do Templo, teria gravado esta palavra sobre um Triângulo de ouro, o qual era levado em seu pescoço e com o lado gravado sobre o peito… e continua a lenda que não é, no momento, objeto deste estudo.

    Palavra Sagrada – é uma palavra peculiar a cada Grau e que deve ser dita baixinho ao ouvido, como um sopro, e com muita precaução. Vejam o que diz o Bro Albert G. Mackey a respeito: é o termo aplicado à palavra capital ou mais proeminente de um Grau, indicando assim o seu peculiar caráter sagrado, em contra posição com a Palavra de Passe, que é entendida simplesmente como um mero modo de reconhecimento. Diz-se muitas vezes, por desconhecimento, “Palavra secreta”. Todas as palavras importantes da Maçonaria são secretas. Mas somente algumas são Sagradas.

    Entretanto, concordo com o Ir.Moretzsohn que o ”elo de ligação” entre Operativa e Especulativa, levantado pelo IrSenador, deva ser estudado com mais carinho.
    Vou tecer algumas considerações, expostas abaixo, que, de um ou outro modo, sem dúvida, vão por “lenha na fogueira”:

    • A Francomaçonaria possui dois ramos principais, bem distintos quando à origem e ao comportamento. O ramo Inglês e o Francês. A Francomaçonaria Brasileira, e as demais da América do Sul, são de origem francesa.
    • Na Inglaterra, a idéia de uma sociedade obreira declinava pouco a pouco, e reencontrou força e vigor graças ao acrescentamento de elementos novos, encontrados, antes de tudo na burguesia e nas profissões liberais e, posteriormente na nobreza e realeza. Aos primeiros, essa nova organização, oriunda de uma guilda quase moribunda de ofícios, estendia seus fins e sua influência, dando-lhes um novo aval entre os homens de condição social mais elevada.
    • Na França, o povo começava a despertar para idéias novas (emprestadas da Inglaterra, evidentemente) e preparava sua Revolução, enquanto a Inglaterra já fizera a sua e decapitara seus reis. Submetera a Igreja ao Estado, e aspirava repouso.
    • Desse modo, pelo exposto acima, enquanto a Lojas Inglesas reúnem, de maneira geral, pessoas extremamente respeitáveis, ponderadas, cultivando cuidadosamente, com submissão, as leis do reino e as leis da natureza, as Lojas Francesas abrigam, sob a Lei do Silencio, tudo quanto o reino pode conter de hermetistas, alquimistas, “filósofos” e “iluminados”. Desse modo, a Loja vai torna-se a veste que lhes permitirá passar despercebidas – e, em seguida, ficar ao abrigo das perseguições do poder real e do poder religioso – uma sociedade frívola que dança inconscientemente seus últimos minuetos, quando a casa, já rachada, começa a desmoronar. (Marius Lebage)

    CONCLUINDO: respondendo agora a pergunta do IrSenador, com uma maior reflexão e um parecer mais abrangente, pedido pelo IrMoretzsohn, creio que o “ELO DE LIGAÇÃO ENTRE A OPERATIVA E A ESPECULATIVA CHAMA-SE INTERESSE”.

    Na Inglaterra: INTERESSE em se misturar e contatar pessoas da alta sociedade e se sentir no mesmo nível, característica da Maçonaria.

    Na França: INTERESSE em ter base camuflada para contestar a Igreja e o governo, e ter local para expressar livremente seus pensamentos.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  50. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 16

    RETIRADA DOS METAIS NA INICIAÇÃO

    Qual seria a origem do costume de retirar o dinheiro e as substâncias metálicas do Candidato quando está sendo preparado para a sua Iniciação? A resposta é muito subjetiva, deste modo vou dar a mais lógica encontrada nos livros pesquisados.
    Muitos homens se deliciam, se encantam com metais como ouro e prata, para seu interesse próprio, não tendo nenhum outro padrão que os substituam e, para esses homens tudo gira em torno de tais metais. Como a decisão de entrar na Maçonaria é somente dele, o Candidato deve ter o desejo de renunciar a tudo isso como sendo sua prioridade, pois na Ordem o que menos importa é sua riqueza e posição.
    O IrLional Vibert, em seus escritos “Vestígios dos Antigos Dias” sugere (como pura especulação) que isso pode ser uma lembrança dos Tempos Operativos quando o mais obvio caminho de ensinamentos para um Maçom Operativo eram as lições de pobreza, caridade e humildade e que sua maior riqueza eram as ferramentas de trabalho com as quais podia obter seu sustento e da sua família.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  51. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 17

    Venerável Mestre e Vigilantes.

    Brethren, mais uma vez vamos recorrer aos conhecimentos do inesquecível Ir.:José Castellani:

    “Os poderes do Venerável Mestre são legitimados, não na eleição, mas sim, na posse, ou seja na Instalação, pois instalação é sinônimo de posse, mesmo que não haja a Cerimônia de Instalação, que é própria do Rito de Emulação (York) e que foi copiada pelos demais Ritos.
    Assim, um Vigilante, na ausência do Venerável Mestre, pode assumir o primeiro Malhete da Loja e despachar todos os assuntos administrativos. Só não pode atuar em algumas cerimônias Litúrgicas, que são privativas de quem o poder de fato e de direito: o Venerável Mestre que foi empossado (Instalado) no cargo”.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM : 196017

  52. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 18

    Esclarecendo: Tronco de Solidariedade e Reflexão no Átrio.

    – o Tronco tem origem na França, daí seu título, pois, em francês, a palavra “tronc” tanto significa tronco de árvore como caixa de esmolas. As igrejas francesas têm, logo à entrada, uma caixa de coleta, onde se lê, simplesmente a palavra TRONC. E o nome primitivo, em Maçonaria, era Tronco da Viúva, ou seja, Caixa de Esmolas da Viúva (já que os Maçons são Filhos da Viúva). Nem se sabe por que cargas d’água ele passou a ser Tronco de Beneficência ou Tronco de Solidariedade, já que “caixa de esmolas de beneficência” é redundância (Castellani).

    – no Rito Escocês Antigo e Aceito, é comum, no Átrio, antes da entrada no Templo, o Mestre de Cerimônias solicitar a um dos Obreiros presentes que faça uma oração, ou invocação, ou reflexão, ao fim da qual todos os Irmãos devem dizer “Assim Seja”. Sem criticar ou desmerecer tal ato, devo esclarecer, porém que, essa prática não pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito, mas sim, ao Rito Adoniramita.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM : 196017

  53. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº19

    LOJA

    Nos tempos da Maçonaria Operativa, quando os Maçons começavam a ereção de uma Catedral ou qualquer outra construção em pedra, eles construíam uma choupana ou galpão, o qual era referido como a “Loja”.
    Esse galpão era usado como um salão de trabalho e também como moradia temporária para os trabalhadores mais jovens. Quando eles se reuniam para discutir planos, ou qualquer outro assunto ligado à atual obra, estava constituída a Loja.
    Lionel Vibert, em seu trabalho “A Loja nos Tempos Medievais” declara que a construção contratada frequentemente tinha uma clausula que dizia que a “Loja” seria construída pelos Maçons envolvidos na referida obra. Em York no ano de 1428, Maçons recrutados em todas as regiões vizinhas eram conhecidos como os “Maçons da Loja”. Como foi dito, os jovens trabalhadores (aprendizes?) da Fraternidade, viviam e trabalhavam na Loja, obedecendo as “Antigas Regras dos Construtores”.

    A palavra “Loja” (Lodge) vem do francês “loge” significando uma estrutura temporária. A aplicação do nome do lugar, designando um evento ou fato, é comum no uso corriqueiro de qualquer língua.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM : 196017

  54. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 20

    PEDREIRO LIVRE (Free Mason)

    Qual seria a origem desse nome? Quando, onde e por que foi dado?
    Algumas supostas respostas, dadas a seguir, foram baseadas no conteúdo do livro do Ir.:Bernard Jones “The Freemason’s Guide and Compendium”.
    Na verdade, muitas explicações são dadas sobre esse assunto. O que se sabe é que nos tempos das construções das Catedrais, os Maçons eram divididos em duas categorias: os maçons “rústicos”, quebradores de pedras, que extraiam os blocos e davam uma preparação preliminar aos mesmos, e os “especialistas” cujo trabalho era o de “acabamento” das referidas pedras, dando corte, formato e acabamento conforme o requerido na etapa final da construção.
    Esses últimos eram os mais qualificados do grupo de Maçons. Podemos dizer que eram verdadeiros artistas na arte de acabamento em pedras. Estes maçons é que foram chamados de “Freemasons”. Aparentemente esse nome foi usado nos primórdios dos Operativos.
    Bernard Jones esclarece que a palavra “free” tinha muitos significados e é difícil precisar qual deles foi utilizado no termo “Freemason”. Três deles serão dados a seguir:
    1) “Free” pode indicar a pessoa que era imune a leis e regras restritivas, particularmente com a liberdade de ir e vir para diversos lugares, conforme a necessidade do seu trabalho.
    2) Muitos Maçons de hoje acham que o termo foi aplicado originalmente, àquele fisicamente livre, que não era servo, muito menos um escravo.
    3) O “Freemason” seria talvez aquele que trabalhava na pedra livre (free stone) que é um tipo de pedra calcárea, fácil de manusear, não muito dura.

    Alferio Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  55. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº21

    LANDMARKS.

    Isto é um assunto sobre o qual se pode escrever páginas e mais páginas. Isso só para definir o que é um “Landmark”.
    Mais uma vez vou recorrer ao “Compendium” do ilustríssimo Ir.:Bernard Jones.
    Landmarks podem ser definidos como “aquelas coisas que, sem a aceitação pela Maçonaria, a mesma deixa de ser a Maçonaria”.
    Nos antigos tempos, citados na Bíblia, terras planas sem marcações evidentes, marcas (landmarks) de contornos e limites eram de grande importância, e grandes esforços eram feitos devido a necessidade de respeitá-los. O Deuteronômio XXVII, 17 menciona: “maldito aquele que remover as marcas (landmarks) de seu vizinho”. Provérbios XXII, 28 temos: “Não remover as antigas marcas (landmarks) que foram fixadas por seus pais”.
    Portanto, é dessa idéia bíblica de algo que não deve ser removido, que o antigo conceito Maçônico foi erigido. Melhor do que a idéia de uma elevada quantidade de “marcas”, fixadas, das quais condutas devam ser tomadas e seguidas.
    O termo “landmarks” é encontrado em todos os Graus Simbólicos, nos quais sempre é mencionado a necessidade imperativa de obedecê-los.
    Mesmo a Grande Loja Unida da Inglaterra, enquanto possuir o poder de ditar certas leis e regulamentos, deve estar sempre atenta para que os Antigos Landmarks sejam preservados.
    Definições específicas podem ser dadas;
    1- Princípios que tem existido desde tempos imemoriais, em leis escritas ou não, os quais são identificados como a essência e forma da Ordem; os quais a grande maioria dos membros concorda, que não podem ser mudados, e os quais cada Maçom é compelido manter intactos, sob as mais solenes e invioláveis penalidades.
    2- Um limite fixado para checar qualquer inovação.
    3- Uma parte fundamental da Maçonaria que não pode ser mudada sem destruir a identidade da Maçonaria.

    Usos e costumes já aceitos por longo tempo, NÃO são necessariamente Landmarks. Observando isso, muitas listas feitas por diversos autores Maçônicos, como exemplo Albert Gallatin Mackey, seriam reduzidas nos seus itens.
    Sobre isso deve ser lido a Obra do nosso querido Ir.:Jose Castellani “Consultório Maçônico” onde é feito um “pente fino” sobre os 25 itens do Mackey, e de outros, e fica claro que, pelas definições obtidas, nem tudo que está lá, é Landmarck.
    É uma pena que pessoas capazes como nosso Ir.;Castellani, tenha que primeiro morrer para depois ser reconhecido. A inveja e o egoísmo não tem limites (nem landmarks).

    Finalizando, um escritor americano disse que “Landmarck é algo que, sem o qual, a Maçonaria não pode existir, e determina os limites até onde a Grande Loja Unida da Inglaterra pode ir. Alguma coisa na Maçonaria que a GLUI tem o direito de mudar, NÂO é um Landmark.
    O teste é: poderia a Maçonaria permanecer essencialmente a mesma se algum particular princípio for removido?

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  56. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 22

    COMPANHEIRO E COMPANONNAGE NA MAÇONARIA

    É sabido que, até o ano de 1738, quando houve a revisão da Constituição de Anderson feita em 1723, havia somente dois graus na Maçonaria: o Entered Apprentice (vide Pílula Maçônica nº 8) que é o nosso APRENDIZ e o Fellow Craft que é o nosso COMPANHEIRO.
    O grau de Master, que é o nosso MESTRE, apareceu somente após 1738, como mencionado, inclusive com o aparecimento da Simbologia, Alegorias, Lendas, etc, que na fase Operativa da Maçonaria não existiam, mesmo porque nessa fase, a Maçonaria era muito ligada à Igreja Católica e isso não era permitido.
    Por sua vez, o COMPANONNAGE, era uma Associação de Trabalhadores de uma mesma profissão que tinha, também, uma assistência mútua, e era requisitada pelos Cavaleiros Templários, para construção e/ou reconstrução de suas fortalezas ( quem tiver oportunidade visite a fortaleza de Tomar em Portugal) e seus membros também eram chamados de “companheiros”.
    E como escreveu nosso pranteado Mestre Ir.:Castellani, no livro Cartilha do Companheiro: “não se deve, todavia, confundir o Grau de Companheiro Maçom, com o Companonnage – associação de companheiros – surgido na Idade Média, em função direta das atividades da Ordem dos Templários…e existente até hoje, embora sem as mesmas finalidades da organização original, como ocorre, também, com a Maçonaria. O Companonnage foi criado porque os Templários necessitavam, em suas distantes comendadorias do Oriente, de trabalhadores cristãos; assim organizaram-nos de acordo com sua própria doutrina, dando-lhes um regulamento chamado Dever. E esses trabalhadores construíram formidáveis cidadelas no Oriente Médio e, lá, adquiriram os métodos de trabalho herdados da Antiquidade, os quais lhes permitiram construir, no Ocidente, as obras de arte, os edifícios públicos e os templos góticos, que tanto tem maravilhado, esteticamente, a Humanidade”.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  57. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 23

    APRENDIZ PODE FALAR EM LOJA?

    É sabido que, em muitas Lojas por nós conhecidas, os Aprendizes estão proibidos de se manifestarem na “Palavra ao Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular”.
    Não é o caso, felizmente, dos Aprendizes pertencentes às Lojas da ABBM.
    Mas, para sabermos o que é correto, referente a esse assunto, vamos recorrer mais uma vez, ao Mestre José Castellani, resumindo e usando nosso palavreado, o que nos diz, em seu livro “Consultório Maçônico – VIII”.
    “essa proibição não é constitucional nem regimental. Tradicionalmente, sabe-se que as sociedades iniciáticas, geralmente de cunho religioso, nas quais os Neófitos limitavam-se durante um certo tempo, a ouvir e a aprender.
    “Era o caso do Mitraismo persa – culto do deus Mitra, o Sol – que era composto de sete etapas; na primeira o neófito era o Corvo, por que o corvo, no Mitraismo, era o servo do Sol e porque ele pode imitar fala, mas não criar idéias próprias, sendo assim, mais um ouvinte, do que um participante ativo. Idem para as Escolas Pitagóricas, onde existiam três etapas: Ouvintes, Matemáticos e Físicos”.
    “em Maçonaria, todavia, não existe essa tradição, mas, sim, o Simbolismo. Ou seja, simbolicamente, o Aprendiz é uma criança, que não sabe falar, mas só soletrar. Isto é simbólico e não pode ser levado ao pé da letra. O Aprendiz pode e deve falar em assuntos inerentes ao seu Grau, ou nos que interessem a comunidade, de maneira geral”.

    O assunto pode ter controvérsias, mas me parece que essa explanação do Mestre Castellani é bem razoável e muito “pé no chão”.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  58. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 24

    LUZES

    Este é um assunto muito controverso, pois como é subjetivo, diversas opiniões são dadas, por diversos autores. Estou considerando o que há de mais razoável em uma série de livros considerados como “sérios” da Maçonaria.
    Segundo o grande Mestre Nicola Aslan, no seu “Dicionário Enciclopédico”:
    “em Maçonaria, a palavra Luz tem um significado de Verdade, Conhecimento, Ciência, Saber, instrução e prática de todas as virtudes. Diz-se que um profano “recebe a luz”, quando é Iniciado”.
    Mackey, na sua “Enciclopédia”, escreve:
    “Luz é uma palavra importante do sistema maçônico, transmitindo um sentido mais longíquo e oculto do que geralmente pensa a maioria dos leitores. É, de fato, o primeiro de todos os Símbolos apresentados ao Neófito e que continua a ser-lhe apresentado na carreira maçônica. Os maçons são enfaticamente chamados de “filhos da Luz”, porque são, ou pelo menos são julgados possuidores do verdadeiro sentido do Símbolo; ao passo que os profanos, os não Iniciados, que não receberam esse conhecimento, são, por uma expressão equivalente, considerados como estando nas trevas”.
    São consideradas, na Maçonaria inglesa principalmente, dois tipos de “Luzes”: as Luzes Emblemáticas da Maçonaria e as Luzes Simbólicas da Loja.
    As Luzes Emblemáticas se dividem em duas:
    – Luzes Maiores, que são a Bíblia, o Esquadro e o Compasso.
    – Luzes Menores representado pelo Venerável Mestre, pelo Primeiro Vigilante e pelo Segundo Vigilante.
    As Luzes Simbólicas da Loja são as velas, ou lâmpadas, que são acessas durante as Lojas: três para o grau de Aprendiz (uma no Oriente, uma no Ocidente e outra no Meio-Dia), cinco para o grau de Companheiro (três no Oriente, uma no Ocidente e uma no Meio-dia) e nove para o grau de Mestre (.três no Oriente, três no Ocidente e três no Meio-Dia).

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  59. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 25

    IDADE DA MAÇONARIA

    Não existe, realmente, uma data que possa ser dada como a data de origem da Francomaçonaria. Entretanto, sem dúvidas, pode ser dito, que ela se desenvolveu, paralelamente, nos países da Europa e nas Ilhas Britânicas durante a Idade Média. A Maçonaria atual, chamada Especulativa, também, sem duvidas, se desenvolveu nas Ilhas Britânicas (Escócia, Irlanda e, principalmente, na Inglaterra) e se espalhou para a Europa e restante do Mundo.
    Um dos primeiros registros escritos conhecido hoje em dia, é o Manuscrito de Halliwell ou Poema Regius escrito em torno de 1390 da nossa era. Muitos dos nossos Símbolos Maçônicos vieram da Maçonaria Operativa dos tempos Medievais.
    Existe a “Carta de Bolonha”, menos conhecido, mais antigo do que o citado acima, datado de 1248. Lá é citado que haviam “Sociedades de Mestres Maçons e Carpinteiros” em anos anteriores à data mencionada. Esse documento é conservado até hoje no Arquivo do Estado de Bolonha.
    A Maçonaria Moderna, dita Especulativa, como é hoje conhecida, data da formação da Grande Loja de Londres e Westminster, posteriormente, Grande Loja Unida da Inglaterra, a qual foi originada em Londres em 1717.
    Do século precedente a essa data, existem amplas evidencias da existência de Lojas Operativas, e durante os anos que antecederam 1717, essas Lojas Operativas mudaram gradualmente suas características, com a introdução de pessoas que não eram Maçons pela profissão e eram chamados de Não-Operativos ou Especulativos. Eram os Aceitos.
    O Ritual das Lojas Operativas era de característica bastante elementar, consistindo em o Candidato ser obrigado a se sujeitar “ao livro de deveres e obrigações” “the Book”, mantido pelos membros mais antigos (Elders), e concordar com as Obrigações (Charges) lidas para ele. Levou muitos anos até o Ritual ter o conteúdo e a forma que tem hoje e, de acordo com referencias e informações disponíveis, ele assumiu a presente forma em torno de 1825.
    Concluindo, de acordo com escritores sérios, incluindo o pessoal da Loja Quatuor Coronati, parece não haver dúvidas que a Maçonaria se originou na Idade Média (opinião inclusive do Mestre Castellani).
    É temeroso, por falta de provas e evidências concretas, afirmar que a Maçonaria deve origem na época do Rei Salomão, nos Antigos Egípcios, nos Essênios, etc, etc.

    Uma drástica distinção deve ser feita entre a Ordem Maçônica, como uma organização, e as Lendas e Tradições, através das quais os ensinamentos da Ordem são ensinados. Para bom entendedor, meia palavra basta. Para os fanáticos, uma Enciclopédia é insuficiente.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  60. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 26

    “Teísmo” , “Deísmo” e “Agnosticismo”

    Teísmo : é a doutrina de um Deus, Eterno, auto suficiente, Onisciente, Onipresente, impregnando toda a criação, Criador, Preservador, Protetor, e Benfeitor de todas as coisas e do Homem. É a negação, o oposto do ateísmo – a doutrina na qual não há nenhum Deus. Idem para o politeísmo – doutrina na qual se tem muitos deuses e mesmo do Deísmo, cuja definição vem no parágrafo abaixo.

    Deísmo : é a crença em Deus, com base somente na Natureza e na Razão. Ela rejeita a revelação sobrenatural e todos os elementos sobrenaturais de uma religião. Desse modo, é um sistema ou atitude dos que, rejeitando toda espécie de revelação divina, e portanto a autoridade de qualquer igreja, aceitam, todavia, a existência de um Deus, destituído de atributos morais e intelectuais, e que poderá ou não haver influído na criação do Universo
    Muitos “livres pensadores”, principalmente da Inglaterra e da França na época do século XVI e XVII foram classificados como deístas. Percebe-se claramente que na realização da primeira edição do Livro das Constituições do reverendo James Anderson, em 1723, há uma tendência de abandono ao cristianismo, liberando as crenças e o pensamento, quando afirma que “Um maçom fica obrigado por ocasião de seu ingresso, a obedecer a Lei Moral e se ele entender corretamente a Arte, ele nunca será um ateu estúpido, e nem tampouco um libertino irreligioso. Porque desde os “tempos imemoriais”, os maçons eram obrigados, em todos os países, a seguir a religião de seu país de origem, qualquer que ela fosse; mas atualmente o maçom é obrigado a ter aquela religião, com que todos ou a maioria concorda….” .

    Agnosticismo : doutrina que ensina a existência de uma ordem de realidade incognoscível. Tem posição metodológica pela qual só se aceita como objetivamente verdadeira uma proposição que tenha evidencia lógica satisfatória. Mantém a atitude que considera a metafísica como algo fútil. É diferente do Ateísmo que é a doutrina (se é que pode ser assim chamada) daqueles que não crêem em Deus ou nos deuses. São ímpios, não tendo fé em nada. Incrédulos.

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  61. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 27

    A letra “G”

    Muitas das informações abaixo relatadas foram tiradas da Coil´s Masonic Encyclopedia.
    A letra “G” é um símbolo bem conhecido na Francomaçonaria, apesar de não ser muito antigo. A época em que foi adotado é desconhecida, mas, provavelmente, não foi muito antes do meio do século XVIII.
    Não derivou das Constituições Góticas nem das Old Charges ou de qualquer outro manuscrito do tempo dos Maçons Operativos. Não foi mencionada em nenhum ritual antigo, anterior ao de Samuel Prichard – A Maçonaria Dissecada – de 1730. Assim mesmo, nesse último, o seu significado não estava totalmente desenvolvido. Esse foi o primeiro Ritual exposto que dividia os trabalhos da Maçonaria em três Graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre.
    É surpreendente que somente depois de 1850, aproximadamente, que a letra “G” começou aparecer no meio do Compasso e do Esquadro entrelaçados, como se vê hoje em dia em distintivos de lapela ou emblemas. E é suposto que tenha sido originado por projeto de algum criativo joalheiro e não por ação de alguma autoridade Maçônica.
    Anteriormente a essa data, sempre eram vistos a letra “G” num lugar e o Compasso e Esquadro em outro. Se refletirmos um pouco sobre esse “ajuntamento”, algo nos alertará que isso é uma incongruência, pois o lugar da letra “G” é suspensa, acima do 2º Vigilante (REAA) no Ocidente e o Compasso e o Esquadro estão sempre no Oriente. Além de que, os últimos mencionados são “Grandes Luzes” e a letra “G” não é.
    Percebe-se que o significado do símbolo não é esotérico, pois o mesmo é exposto em lugares público nos Templos, fazendo parte da decoração dos mesmos.
    Alguns pesquisadores acham que a letra “G”, nos locais onde a língua é de origem inglesa ou mesmo grega, simboliza Deus (God). Creio que o mesmo não se aplica em locais onde a língua é de origem latina.
    Mackey em sua “Enciclopédia” nos esclarece o que segue:
    “Não há dúvidas que a letra G é um símbolo moderno, não pertencendo a nenhum antigo sistema de origem inglesa. É, de fato, uma corruptela de um antigo símbolo Cabalístico Hebreu, a letra “yod”, pela qual o sagrado nome de Deus – na verdade o mais sagrado nome, o Tetragramaton – é expresso. Esta letra “yod” é a letra inicial da palavra “Jehovah” , e é constantemente encontrada entre os escritos Hebreus, como a abreviação ou símbolo do mais santo nome, o qual, sem a menor dúvida, não pode nunca ser escrito por inteiro.
    Primeiramente adotada pelo Cerimonial Inglês e, sem mudanças, foi transferida para a Maçonaria do Continente e pode ser achada como símbolo nos Sistemas Maçônicos da Alemanha, França, Espanha, Itália, Portugal, e em todos os outros paises onde a Maçonaria foi introduzida.”

    Muitas vezes nos vem em mente a pergunta: por que a letra “G” só aparece no Segundo Grau?
    A resposta é relativamente simples. É aceitação geral que o significado da letra “G” é “Geometria”. O Segundo Grau, de Companheiro, relaciona-se com os mistérios da Natureza e da Ciência, sendo aí o lugar correto para a Geometria.
    E a título de informação, sabe-se que o Segundo Grau foi consideravelmente modificado entre 1730 e 1813 para trazer mais harmonia entre o Primeiro e o Terceiro Grau.

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  62. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 28

    Maçonaria e os Antigos Mistérios Egípcios

    Muitas vezes nós lemos ou ouvimos afirmativas que a Maçonaria atual teve origem nos antigos Mistérios Egípcios.
    A Maçonaria Especulativa derivou das Lojas dos Maçons Operativos da Idade Média. Não será possível aqui rever toda a História, mas a opinião Maçônica reputável é que não há fundamento para a alegação que nós tivemos nossa origem nos antigos Mistérios Egípcios. É sabido que não muitos anos atrás esta versão de nossa origem era largamente mantida entre experimentados e zelosas Maçons.
    Entretanto, na certeza pode ser declarado que, para autênticos historiadores, não há nenhuma evidencia direta conhecida que possa ser aceita, fazendo a conexão.
    Vejam o que nos diz Mestre Euletério Nicolau da Conceição: “Da mesma forma como os antigos construtores procuravam suas origens fazendo-as remontar primeiro ao construtor da Torre de Babel e depois a Salomão e seu templo, alguns dos novos maçons queriam vincular sua instituição às antigas filosofias religiosas dos Orientes próximo e distante. As interpretações de origem mística acrescentadas compõem uma verdadeira colcha de retalhos simbólico/filosófica que podemos chamar de sincretismo maçônico e que foi penetrando, sendo aceito e incorporado em diferentes graus nos países para onde a Maçonaria se expandiu. O que a maioria dos autores que abordam este tema parece não compreender é que, quando descrevem os ritos egípcios, estão falando de específicas manifestações filosófico/religiosas dos egípcios, não da Maçonaria. O que existe de comum entre a Ordem Maçônica e aquelas antigas manifestações religiosas é, em certa proporção, o método iniciático e alguns elementos simbólicos, mas a Maçonaria não constitui, de maneira alguma, uma versão atualizada daquelas organizações”.
    Nicola Aslan, abordando o mesmo tema, acrescenta: “Dentro da vasta bibliografia…constam as obras de escritores que foram buscar o berço da Maçonaria nas mais variadas e inesperadas sociedades da antiguidade, do Egito, da Grécia e de Roma. Nela encontramos obras vinculadas as hipóteses mais espetaculares, tornando a Ordem Maçônica a herdeira e sucessora dos pitagóricos, essênios,iniciados nos mistérios, albigenses, maniqueus e até mesmo templários. Contudo, são meras hipóteses que não conseguem resistir a um exame mais sério”.
    Brethren, depois do exposto, que cada um tire suas conclusões.

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  63. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 29

    Estágios da Evolução da Maçonaria

    Nosso Ir.:Douglas Knoop, famoso historiador Maçônico, num de seus trabalhos para a Loja Quatuor Coronati da Inglaterra, expressa a opinião dele, descrevendo qual parece ter sido a evolução que uma Loja Maçônica sofreu através dos tempos. Ele dividiu essa evolução em três estágios descritos abaixo.
    “1) Lojas Operativas: organizações permanentes desempenhando certas funções profissionais. Entre os membros, poderia ter havido alguns “Não-Operativos” mas que não podiam se manifestar e desse modo, os “Não-Operativos” não exerciam nenhuma influência nos trabalhos e na política da Loja.
    2) Lojas de Maçons Aceitos: nos séculos XVII e XVIII, em Lojas ocasionais ou semi- permanentes, eles seguiam as práticas em voga principalmente nas Lojas Operativas Escocesas, ou seja, a leitura de uma versão das “Old Charges”, junto com as formalidades, associada com a comunicação da “Palavra do Maçom” (Mason Word). Tais Ritos de “Aceitação”, juntamente com as devidas Cerimônias, sofreram um gradual processo de modificação, e é impossível dizer exatamente em que estágio eles deixaram de ser “Aceitos” e se tornaram “Especulativos”. O principal interesse dos Maçons Aceitos era, provavelmente, a antiqüidade da Loja.
    3) Lojas de Maçons Especulativos: nas quais, a leitura dos Antigos Deveres (Old Charges) e a prática de alguns usos incipientes e frases associadas com o fornecimento da Palavra do Maçom (Mason Word) tem sido quase que inteiramente substituídas pelo ensinamento de um peculiar”Sistema de Moralidade, velado em Alegorias e ilustrado por Símbolos”. A característica fundamental dessas Lojas é “Moralização” usando a expressão do Bro Rylands.”

    Como foi dito acima, essa é a opinião desse estudioso maçônico, que após diversas pesquisas, chegou a essa conclusão exposta. Insistimos na palavra “opinião”, pois certeza mesmo, ninguém tem sobre este assunto.

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  64. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 30

    Maçonaria e Religião

    A Maçonaria, dita Especulativa, redigiu as famosas “Constituições” em 1723, tendo como principais mentores o Reverendo Anderson, que era pastor protestante e “Doutor em Divindade” e o teólogo da época, Jean Theophile Desaguiliers, que era Capelão do Príncipe de Gales.
    É interessante de se notar que a Maçonaria Operativa cresceu e prosperou sob o patrocínio e controle da Igreja Católica Romana e os dois Maçons acima descritos, apesar de possuírem pensamentos teológicos definidos, exigiram que a Maçonaria tivesse somente “um princípio Criador”, que denomina “Grande Arquiteto do Universo”, sem nada acrescentarem sobre reencarnação, ressurreição, inferno, paraíso, etc, etc, etc.
    Nosso Mestre Eleutério Nicolau da Conceição, no seu livro “Maçonaria”, pg 88, nos explica:
    “a razão é simples: a nova instituição que estava sendo moldada a partir da antiga guilda de pedreiros tinha como princípio fundamental a fraternidade – acima das divisões humanas, tendências políticas, filosóficas ou religiosas. Se optassem por uma das definições teológicas já existente na época, estariam filiando a Maçonaria à instituição que emitira aquele conceito, e desse modo, afastariam todos aqueles que pensassem de maneira diferente; se propusessem uma nova concepção, estariam dando à Ordem os contornos de uma nova religião, e assim afastariam também os sinceros adeptos de todas as outras. Como nos ensina o Landmark 21 (Mackey), a Maçonaria jamais pretendeu ser uma religião, ou favorecer qualquer daquelas já existentes. Simplesmente deixa a seus membros a decisão de escolherem o caminho religioso que mais lhe agradar. O princípio de proibir discussão de religião e política dentro dos trabalhos de Loja deve-se à necessidade de evitar confronto de idéias, que pela sua natureza envolvente venham a suscitar animosidades que acabem por prejudicar a harmonia e fraternidade das reuniões, porquanto questões religiosas e políticas tem sido historicamente motivadoras de sangrentos conflitos, às vezes entre pessoas de uma mesma nação. Assim, enquanto não se alinha com qualquer das religiões já existentes, a Maçonaria também não deseja apresentar-se como sendo uma possível substituta. Não existe no pensamento maçônico a pretensão de apresentar a instituição como detentora de verdades mais amplas, superiores e profundas do que aquelas das religiões, sendo portanto, desprovido de significado falar-se de “Deus maçônico”, ou de “conceito maçônico de Deus”.
    Contudo, mesmo sem desenvolver qualquer teologia, os landmarks estabelecem a importância fundamental de estar o Maçom vinculado a uma religião que admita um princípio criador, cuja caracterização, entretanto, é função dessas religiões, não da Maçonaria.”

    Portanto, aos fanáticos religiosos, e a todos aqueles que acham que “Maçonaria” é a palavra mágica que resolve todos os problemas do mundo, fique claro que a Maçonaria, em termos de religiosidade tem suas normas bem definidas, conforme explicado acima.

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  65. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 31

    LÚCIFER

    A palavra LÚCIFER tem uma origem tremendamente simples. Entretanto, foi e é fruto dos “oportunistas” religiosos que, normalmente visando obtenção de bens materiais, se aproveitavam e se aproveitam da ignorância das pessoas. Desse modo, devido à convenientes interpretações, tem essa palavra, hoje, diversos significados.
    A origem correta é: portador(a) da luz (do Latim lucis = luz e ferre = carregar, portar, trazer. Idem para o grego heosphoros), e era o nome dado ao planeta Vênus, que é visível antes do alvorecer e que, simbolicamente, seria o portador da luz do Sol que em breve estaria brilhando.
    Segundo o pesquisador iconográfico Luther Link, Isaias, na Bíblia fez uma designação descritiva aplicada a uma metáfora referente aos excessos de um “rei da Babilônia”, e não a uma entidade em si: “Como caíste do céu, o Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante”
    Isaias não estava falando do Diabo. Usando imagens possivelmente retiradas de um antigo mito cananeu, Isaías referia-se aos excessos de um ambicioso rei babilônico. (Wikipédia)
    Aproveitemos as informações dessa Enciclopédia: “A expressão hebraica (heilel ben-shahar) é traduzida como “o que brilha”. A tradução “Lúcifer” (portador de luz), deriva da Vulgata latina de Jerônimo e isso explica a ocorrência desse termo em diversas versões da Bíblia.
    Mas alguns argumentam que Lúcifer seja satanás e por isso, também foi o nome dado ao anjo caído, da ordem dos Arcanjos. Assim, muitos nos dias de hoje, numa nova interpretação da palavra, o chamam de Diabo (caluniador, acusador), ou Satã (cuja origem é o hebraico Shai’tan, Adversário). Os judeus o chamam de heilel ben-shachar, onde heilel significa Vênus e ben-shachar significa “o luminoso, filho da manhã”. Alguns judeus interpretam Lúcifer como uma referência bíblica a um rei babilônico. Mais tarde a tradição judaica elaborou a queda dos anjos sob a liderança de Samhazai, vindo daí a mesma tradição dos padres da Igreja.
    Segundo a igreja católica, Lúcifer era o mais forte e o mais belo de todos os Arcanjos. Então, Deus lhe deu uma posição de destaque entre todos os seus auxiliares. Segundo a mesma, ele se tornou orgulhoso de seu poder, que não aceitava servir a uma criação de Deus,”O Homem”, e revoltou-se contra o Altíssimo. O Arcanjo Miguel liderou as hostes de Deus na luta contra Lúcifer e suas legiões de anjos corrompidos; já os anjos leais a Deus o derrotaram e o expulsaram do céu, juntamente com seus seguidores. Desde então, o mundo vive esta guerra eterna entre Deus e o Diabo; de seu lado Lúcifer e suas legiões tentam corromper a mais magnífica das criaturas mortais feitas por Deus, o homem; do outro lado Deus, os anjos, arcanjos, querubins e Santos travam batalhas diárias contra as forças do Mal (personificado em Lúcifer). Que maior vitória obteria o Anticristo frente a Deus do que corromper e condenar as almas dos humanos aos infernos, sua morada verdadeira?”
    Abrindo um parenteses: dá para se perceber que a imaginação do ser humano não tem limites. Anjo… Arcanjo…o mais forte e belo dos Arcanjos…auxiliares de Deus…Caramba! é interessante como se dá um “comportamento totalmente humano” à Deus e muitos aceitam como se fosse a coisa mais natural do mundo!
    Na Enciclopédia do Mestre Nicola Aslan temos: “Entre os cristãos, esse nome acabou por ser aplicado ao espírito do Mal. Esta denominação nasceu, em certos Padres da Igreja, por alusão a várias passagens de Isaias…em que o profeta anuncia a queda do rei da Babilonia e o assombro que ela causa, nestes termos – Como é que caiste do céu, tu, Lúcifer, astro da manhã? – Os padres aplicaram a palavra ao demonio, anjo caído.”
    Sem mais comentários.

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  66. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 32

    Comportamento Ritualístico

    Existem normas básicas para postura e comportamento em Loja.
    Abusando e usufruindo mais uma vez dos conhecimentos do Mestre Castellani, vamos ver o que ele escreveu no seu “Consultório Maçônico” editado pela Trolha:

    Em Lojas Simbólicas, em qualquer Grau e em qualquer Rito, nosso comportamento ritualístico deverá ser:
    1- NÃO SE FAZ SINAL DE ORDEM, QUANDO EM CIRCULAÇÃO, pois só em pé e parado é que o Maçom pode fazer o Sinal. A exceção é a “Marcha do Grau”, para entrada no Templo. Fora disso, tanto a circulação dos Irmãos que circulam por dever de oficio, quanto a dos demais que a fazem esporadicamente, deve ser feita sem Sinal.
    2- NÃO SE FAZEM OS SINAIS COM INSTRUMENTO DE TRABALHO e isso vale tanto para o Sinal de Ordem quanto para saudação. Assim, Veneráveis e Vigilantes, na abertura e fechamento dos trabalhos, devem deixar os malhetes sobre suas mesas, fazendo os Sinais com as mãos, só usando os malhetes para as baterias. Da mesma forma, os demais portadores de instrumentos (espadas, bastões) não devem usá-los para Sinais.
    3- QUANDO SENTADOS, OS IRMÃOS NÃO FAZEM SINAIS DE ESPÉCIE ALGUMA, pois vale repetir, só em pé e parado é que o Maçom pode fazer sinais. Assim é errado os Veneráveis e Vigilantes responderem à saudação com o Sinal, devendo limitar-se a um simples aceno, com inclinação da cabeça. Estão também, duplamente errados, os Veneráveis e Vigilantes que fazem Sinais como os Malhetes e estando sentados; isso, ritualisticamente, é horrível, mas ocorre, infelizmente, na maior parte das Lojas. A única exceção a essa regra é o Banquete Ritualístico.

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    • Euripes dos Santos disse:

      Boa noite amado irmão Alfério
      Estive lendo vosso esclarecimento acerca de se usar o sinal do grau em movimento, o que deve ser feito somente na marcha do grau.
      Sou do rito Adonhiramita e além da marcha do grau, toda a circulação de irmão deve ser feito sempre á ordem do grau, jamais circulando sem este, a não ser quando portando objetos de uso.
      Espero ter contribuido com um pouco de nosso rito.
      Saudações fraternais do amado irmão Euripes.

  67. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 33

    Como Entender e Estudar o Simbolismo

    Deve ser lembrado, antes de mais nada, que o Maçom deve ter um comportamento essencialmente pratico em suas ações e idéias, principalmente quanto à origem de certos objetos ligados à Maçonaria.
    Em outras palavras, uma explanação simples e obvia de um símbolo Maçônico, é preferível a uma explanação fantástica, altamente imaginativa ou romântica.

    Seis pontos devem ser considerados:

    1- A Ordem (Francomaçonaria) tem origem nas Guildas Maçônicas na fase Operativa, na Idade Média.
    2- As várias referências Egípcias e Orientais nos rituais maçônicos representam acréscimos ou adições, feitas de tempos em tempos nos rituais originais, mais antigos.
    3- O Simbolismo só se transformou em algo proeminente, notório, na Maçonaria, em tempo passado, relativamente curto.
    4- A posse de nossos Símbolos por outros corpos organizacionais, Sociedades e Ritos, e vice-versa, não indica, por si, nenhuma conexão entre essas organizações e a Maçonaria, ou, de nenhuma maneira, indica a origem da nossa Ordem Maçônica.
    5- A influência que possa ter existido na Maçonaria, de Rituais de antigos Ritos Iniciáticos, na certeza, não ocorreu antes da terceira década do século XVIII.
    6- Com respeito a alguns Maçons que acham que a Maçonaria é derivada dos “mistérios” do Antigo Egito e que todos nossos símbolos são de origem egípcia, deve ser ficar esclarecido que esses “mistérios” não são bem conhecidos e muitos deles estão totalmente perdidos.

    Finalmente deve ser dito que alguns objetos encontrados na Maçonaria, que numa primeira visão parecem ser Símbolos Maçônicos, mas que, com uma analise mais rigorosa, veremos que não são. É necessário o devido cuidado para distinguir entre genuínos Símbolos Maçônicos daquelas coisas chamadas “Símbolos”, devido uma fértil imaginação e/ou um super entusiasmo maçônico.

    ( livre tradução de livros ingleses e neo-zelandeses)

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  68. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 34

    Tenha orgulho de ser Maçom!

    O candidato quando é Iniciado, Elevado e Exaltado, fica enlevado com as “histórias” mostradas nos Rituais, baseadas na Bíblia. Fica encantado com os fatos enevoados ligando a Maçonaria com os acontecimentos Bíblicos. Fica convencido e soberbo de saber que, como Maçom, é um descendente direto dos construtores do Templo do Rei Salomão!
    De Aprendiz passa para Companheiro e depois para Mestre e, raramente, pergunta quem planejou o Templo ou quem acompanhou todos os trabalhos feitos em ouro, prata e pedras preciosas. Quem esculpiu, quem decorou as obras de arte. Fica plenamente satisfeito em saber que tudo foi feito por Hiram , que era o filho de uma viúva da tribo de Naftali.
    Com o passar do tempo, ele lê alguns livros maçônicos idôneos, e fica assombrado e chocado ao aprender que, sem dúvida alguma, os atuais Maçons são descendentes dos construtores das catedrais, na Idade Média, da Inglaterra, Alemanha, França, etc, etc.
    Seu panorama mental sobre a Maçonaria fica nublado, seu orgulho fica abalado e sua admiração, contentamento no seu curto sonho maçônico fica minimizado.
    Isto é um retrato real e frequentemente ocorre!
    O que deve ficar claro para todos nós é que os Maçons não são descendentes de simples trabalhadores. Nossos ancestrais não eram simples talhadores de pedras, pedreiros, escultores, etc. Eles eram os maiores artistas, especialistas em trabalhar e construir em pedras na Idade Média.
    Poucos homens podem construir um galpão usando serrote, martelo e pregos. Mas, a maioria deles não consegue construir a sua própria moradia. Eles não sabem como ler uma planta. Eles nada sabem sobre resistência dos materiais. Eles nada sabem sobre códigos de construções. Para obter sua casa eles precisam empregar um arquiteto e um construtor, os quais tenham o conhecimento especializado requerido.
    Hoje em dia nós temos a eletrônica e os computadores, mas na Idade Média, todo esculpido era obra da experiência e da habilidade manual. Não havia livros e desenhos especializados.
    Mesmo hoje, as modernas construções dificilmente se igualam na beleza das proporções, no vigor, na suntuosidade e na magnificência das Catedrais, dos Castelos, dos Mosteiros, das Abadias feitas pelos Mestres Construtores dos quais a Maçonaria é descendente.
    Pessoas simples não fariam esse tipo de construção, cuja estrutura, grandeza, resistência e beleza, desafiam os séculos, nas intempéries e nas guerras.
    Nossa Ordem escolhe hoje em dia, os futuros Aprendizes, com bastante critério. Os construtores de Catedrais da Idade Média também procuravam e escolhiam aqueles que tinham conhecimento, caráter e habilidade para aprender. Quando se tornavam Companheiros, tinham orgulho de seu trabalho. Sabiam que não podia falhar e davam o melhor de si, por toda sua vida.
    Não é este, para todos nós, o maior motivo de orgulho, em sermos descendentes desses homens especiais?

    (livre tradução e adaptação da MAS – Bulletin 1951 – USA)
    MMAlfério Di Giaimo Neto
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  69. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 35

    GUILDAS E CORPORAÇÕES DE OFÍCIO

    A Idade Média, que vai do Século V ao Século XV, da nossa era, teve um período conhecido como Era do Obscurantismo, que apesar do nome, teve um desenvolvimento na agricultura, no comércio e na vida urbana. As cidades se desenvolveram, principalmente no final da Idade Média, e isso fez com que um grande número de artífices a elas se dirigisse e se associasse, formando primeiramente as Guildas e depois as Corporações de Oficio.
    Conforme nos esclarece o Ir.: Joaquim R.P.Cortez, em “Maçonaria, Origem, Teoria e Prática”, a definição de Feudo seria:
    “Um marco tradicional nesse período, é a concentração de algumas atividades dentro e nas proximidades de um castelo. Estes são geralmente de pedras, bastante fortificados, empoleirados nos altos de um morro para permitir uma visão privilegiada de seus arredores, muitas vezes cercados por um fosso e pertencentes a um senhor local. Neles se concentram todos os materiais necessários à guerra ou à sua própria defesa. Temos, então, perfeitamente delineado o feudo, com o seu senhor, o seu castelo e sua área de dominio.
    À volta desses lugares fortificados, e que se tornaram pon¬tos de referência, passou a se acumular um agrupamento huma¬no que prestava serviços ao castelo. Esses foram os primeiros núcleos de formação das cidades. Com a derrocada do Feudalis¬mo, houve um constante deslocamento das populações, que se viram livres dos trabalhos nos campos, para as aglomerações urbanas que passaram a experimentar uma época de grande crescimento.”
    A pesquisadora Anne Fremantle nos esclarece no seu livro “A Idade da Fé”:
    “Cresciam as cidades e cresciam as Guildas, que eram associações formadas pelos comerciantes e artesãos. O diretório das Guildas, escolhido por eleição, esforçava-se para manter a boa qualida¬de e preços dos produtos locais. Uma prova do seu crescente poder pode ser dada, por exemplo, pelo monopólio usufruído pelos tintureiros de Derby, na Inglaterra, onde ninguém podia tingir panos até a distância de dez léguas de Derby, senão em Derby.”
    Durante o decorrer da Idade Média, as Guildas foram evoluindo passando para Corporações de Mercadores, posteriormente para Corporações de Artífices e, nos primórdios do Renascimento, transformou-se em Corporações de Oficio. O pesquisador Edward McNall Burns em “História da Civilização Oriental”, nos deixa bem claro esses eventos, relatando o segue abaixo.
    “Tanto as Corporações de Ofício como as de Mercadores, de¬sempenhavam outras funções, além das relacionadas direta¬mente com a produção ou o comércio. Desempenhavam o papel de associações religiosas, sociedades beneficentes e clubes sociais. Cada corporação tinha seu santo padroeiro e seus membros comemoravam juntos os principais dias santificados e festas da igreja. Com a secularização gradual do teatro, as representa¬ções de milagres e mistérios* foram transferidas para a feira e as corporações assumiram o encargo de apresenta-Ias. Além disso, cada organização acudia as necessidades de seus membros que adoecessem ou se encontrassem em dificuldades de qualquer espécie. Destinavam fundos a socorrer viúvas e órfãos. Um membro que já não fosse capaz de trabalhar ou tivesse sido posto na prisão pelos seus inimigos, poderia contar com os colegas para ajuda-lo. Até as dívidas de um confrade sem sorte poderiam ser assumidas pela corporação se fosse sério o estado de suas finanças.”
    E, resumindo o que nos diz o Ir. Joaquim R.P.Cortez sobre a origem da Maçonaria Operativa, no seu livro a “Maconaria Escocesa” pg35-36 – Editora Trolha, do qual esta Pilula foi extraida:
    Nos diz que, no final da Idade Média, as Corporações de Oficio já estavam bastante evoluidas e cumpriam todas as suas finalidades.e haviam diversas Corporações de Oficio. A associação dessas Corporações poderia ter gerado a Maçonaria Operativa, crescendo e se aperfeiçoando com o passar do tempo.
    Qualquer outro ponto de origemda Maçonaria, fora das Corporações de Oficio, ao final da Idade Média, será, sem duvidas, mera suposição ou puramente lendário.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
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    * – mistérios – vide Pílula Maçônica nº 10 sobre este assunto.

  70. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 36

    Loja Regular

    Segundo Mackey, na “Encyclopedia of Freemansory” está definido o que segue abaixo:
    “uma Loja trabalhando sob autoridade de uma Carta Constitutiva legal, é dita regular. Essa palavra foi primeiramente usada nas Constituições de Anderson, em 1723.”
    Alec Mellor complementa:
    “a noção de Regularidade aplica-se às Potencias, às Lojas e aos Maçons. Um Maçom é regular quando ele passa por uma Iniciação em uma Loja justa, perfeita e regular”.
    Percebe-se claramente que somente é “regular” a Potencia que tem a chancela da Inglaterra, ou então, a chancela da Maçonaria Norte Americana (que a Maçonaria Inglesa teve que aceitar, muito a contragosto).
    No mundo, hoje, conforme relatado no livro “Ramos da Acácia – Editora A Trolha”, existem dois blocos maçônicos: o “bloco regular” que são reconhecidos pela Grande Loja Unida da Inglaterra, ou pelas Grandes Lojas dos EUA, e o “bloco irregular”, no caso de não ser reconhecido.
    Desse modo, a Inglaterra, por ter sido a primeira obediência institucionalizada, arroga-se o direito de ser a única do poder de emitir Warrants de reconhecimento, aceitando, por tabela, que a poderosa Maçonaria Norte Americana, que também os emita.
    No Brasil, a única Potência Maçônica reconhecida pela Maçonaria Inglesa é o GOB ( em 06 de maio de 1935). As Grandes Lojas (1927) são tidas como “regulares” através das Grandes Lojas Americanas.
    E, para finalizar e para que cada um tire as suas próprias conclusões, vou citar mais um parágrafo do “Ramos da Acácia”, citado acima, na página 38:
    Na Maçonaria, a norma fundamental é a Constituição de Anderson (1723) e suas fontes são os Landmarks, institutos nos quais foi baseada. Os antigos postulados, as Old Charges, os Landmarks, são anteriores à norma fundamental (Constituições) e não expressam qualquer noção de submissão a qualquer instituição e nem mesmo nas Constituições inexistem afirmativas de que uma Loja Regular é aquela que pertença à Grande Loja de Londres. Portanto, a Maço¬naria Regular, do ponto de vista LEGAL, é a que observa, impera¬tivamente, os critérios tradicionais. Já a Maçonaria “Regular”, politicamente, é aquela que tem o tratado de reconhecimento com a Grande Loja Unida da Inglaterra.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  71. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 37

    Origem do REAA e do Supremo Conselho

    A Inglaterra, no fim da Idade Média, se antecipou do restante do “mundo” ocidental, tanto industrial como socialmente. Assim, enquanto a França, no século XVII, ainda tinha um regime absolutista de Direito Divino aos reis, ela já havia feito suas revoluções para liquidar esse regime.
    Durante o período de 1558 a 1603 ocorreu o reinado de Elizabeth I, da Dinastia Tudor, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, e como não teve descendentes, teve como sucessor Jayme I, da Dinastia Escocesa Stuart. Este tornou-se rei da Inglaterra Escócia e Irlanda, que havia sido submetida ao domínio inglês.O novo rei tornou-se impopular, forçando o exílio voluntário dos Ingleses, que migraram para as Colônias Americanas. Seu filho Carlos I reinou de 1625 até 1649 e era, também, absolutista. No fim desse período, começaram as guerras civis, e Carlos I foi executado. Tivemos um período de Republica, dirigida por um Conselho de Estado, presidido por Cromwell.
    O que é importante saber, é que a esposa de Carlos I, Rainha Henriette, juntamente com seu filho, Carlos II, refugiaram-se na França, e com todos os partidários e parasitas da Corte, porque ela era prima irmã do Rei Luiz XIV, na época Rei da França. Posteriormente, em 1660, Carlos II e seu filho Jaime II, voltaram a reinar na Inglaterra, pois os ingleses ficaram descontentes com Cromwell, até que no reinado de Jaime II, em 1688, houve a famosa Revolução Gloriosa e, novamente a Corte inglesa se refugiou na França.
    E, como nos relata Irmão Joaquim R.P.Cortez: ”Entende-se perfeitamente, a formação de diversos batalhões de tropas fiéis a eles e a formação de Lojas Maçônicas ligadas aos Regimentos Militares. Essas Lojas teriam sido o núcleo fundador da Maçonaria Escocesa. É evidente que essa Maçonaria, de Escoceses e Irlandeses, era totalmente desvinculada da Maçonaria Inglesas, mesmo porque, segundo consta, em seus encontros, sob sigilo maçônico, tramava-se a restauração dos Stuarts no trono inglês. Essa Maçonaria passou por uma série de transformações posteriores, ganhando um caráter elitista, aderindo a um grande misticismo e simbolismo, derivados do Hermetismo e Ocultismo, divulgando-se por toda a França. Com o aparecimento dos chamados “Altos Graus” e do primeiro Supremo Conselho, nos EUA em 1801, ela tomou um caráter internacional e difundiu-se para todo o mundo, transformando-se naquilo que conhecemos hoje por Rito Escocês Antigo e Aceito.”

    O Supremo Conselho do Grau 33.

    O Maçom André Michel de Ramsay, nascido na Escócia, sonhava alto e dizia ser aristocrata (apesar de não ser) e foi escorraçado da Maçonaria da Escócia, por insistir em criar graus cavalheirescos. Na França, realizou seu sonho e foi aristocratizado como Cavaleiro da Ordem de São Lázaro. Preparou um discurso em 1737, onde pretendia, de acordo com suas antigas idéias, aristocratizar a Maçonaria, reformulando-a com a adoção de um sistema de Altos Graus, ligando-a aos Templários e aos nobres das famosas Cruzadas. Não se sabe se ele leu ou não esse discurso, mas, aparentemente, a semente vaidosa dos Altos Graus estava plantada e, em 1754, em Paris, surgiu o Capítulo de Clermont, de curta duração, que propunha-se a desenvolver os Altos Graus na Maçonaria
    Conforme nos relata Mestre Castellani: “em 1758, a semente germinaria, e esse sistema “escocês”, em Paris, França, fundou o “Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente”, ou, conhecido como “Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém”. Nesse mesmo ano, o “Conselho” criou um Sistema de Altos Graus, num total de 25 graus. Em 1762, esse sistema foi oficializado e esses graus superiores foram chamados de “Graus de Perfeição” e essa escala de 25 graus foi chamada de “Rito de Perfeição” ou “Rito de Héredom”. Em 1761, o Maçom Etienne Morin, membro do Conselho, conseguiu autorização para fundar lojas de Altos Graus na América do Norte e isso foi feito. Entretanto, a Historia Maçônica nos conta que ele havia sido precedido, o que não impediu que esses Altos Graus, no Novo Mundo, progredissem e prosperassem. Entretanto, sem um poder moderador, para disciplinar e organizar o sistema, o mesmo se transformou num verdadeiro caos. Diante desse caos existente, um grupo de Maçons, reunidos a 31 de maio de 1801, na cidade de Charleston, no estado de Carolina do Sul, por onde passa o Paralelo 33 da Terra, resolveu acrescentar alguns graus e criar o “Supremo Conselho do Grau 33” que, por ser o primeiro do mundo, denominou-se “Mother Council of the World”. Marcando o inicio de uma fase de organização e método de concessão dos Altos Graus. Esse primeiro Conselho adotou a divisa “Ordo ab Chao”, o ordem no caos que se havia transformado o emaranhado de Altos Graus, concedidos sem critério lógico, e sem que houvesse um poder organizador e disciplinador”.

    Conclusão.

    O Rito Escocês Antigo e Aceito é um Rito especial, o primeiro a ter seus Altos Graus e, principalmente, no que diz respeito às suas origens, pois é dito “Escocês” e nasceu, como vimos na França. Os seus Altos Graus teve o motivo de criação, muito provavelmente, devido à vaidades pessoais dos membros da aristocracia em busca de títulos, apesar que, outros historiadores achem outros motivos para tal.
    O que é importante considerar é que no seu nascimento, esse Rito era católico e o mesmo foi aristocratizado, motivos pelo qual a cor do Rito é vermelha (púrpura) que distingue os Cardeais, príncipes da Igreja, e os nobres e a realeza, com o uso do manto vermelho, que os dignificam.

    M.:M.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  72. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 38

    Supremos Conselhos do REAA

    Comentamos em “Pilula Maçônica” nº 37, sobre a regularidade e legitimidade de Lojas Simbólicas. Estabeleceu-se, como vimos, que é legítimo o que é reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra; mas, diante da importância mundial da Maçonaria norte-americana, também é considerado legítimo o que é reconhecido pelas suas principais Grandes Lojas, como as de Nova lorque, Ohio, Texas, Massachussets, Virgínia, entre outras).
    Já foi dito anteriormente: “os ingleses criaram a moderna Maçonaria, registraram a patente e abriram “franchising” (franquia); e que quem quis a franquia, tem que agir de acordo com o franqueador”
    No caso de Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceito, a coisa é um pouco diferente. Conforme declarado, alguns anos atrás, pelo Mestre José Castellani, no “Consultório Maçônico” – Editora Trolha” temos:
    “convencionou-se em Congressos dos Supremos Conselhos e por consenso, que só pode haver um Supremo Conselho por país. A exceção está nos Estados Unidos, onde são admitidos dois: um na jurisdição Sul (é o primeiro Supremo Conselho do mundo) e o outro na jurisdição Norte. Afinal de contas foram os norte-americanos que criaram o Supremo Conselho, a 31 de maio de 1801, pondo Ordem no caos (ordo ab chao), o caos que era a concessão indiscriminada de Altos Graus, sem um poder moderador, que disciplinasse essa concessão. Diga-se, a bem da verdade, que eles sabem o que fazem, pois são raríssimos os Maçons colados no 33 Grau, que representa o mais alto galardão do Rito; existem, inclusive, Estados norte-americanos que possuem apenas um Maçom colado no Grau 33, pois o Grau 32 é o máximo e o 33 só é concedido aos realmente fora de série, por méritos extraordinários. Bem diferente, portanto, do que ocorre no Brasil, onde há a maior concentração de Graus 33 por milímetro quadrado, do mundo. E muitos são tão desconhecedores do Rito, que deveriam reverter ao Grau de Aprendiz por toda a eternidade.
    No Brasil existem dois Supremos Conselhos Nacionais, ambos disputando, ainda, a legitimidade. Um – que podemos rotular como “de Jacarepaguá” – nasceu em 1927, de uma dissidência no Supremo Conselho Original (fundado a 12 de novembro de 1832); e o outro ¬que podemos rotular como “de São Cristóvão” – que em 1927 foi reconstituído, a partir dos membros remanescentes, que não participaram da dissidência. O primeiro acabou sendo reconhecido na Convenção de Paris, em 1929, onde não faltaram os lances de bastidores; o segundo, julgando-se prejudicado por essa decisão, luta, baseado em documentação da época, pelo reconhecimento internacional, com a conseqüente biterritorialidade no país. Nesse caso, é claro que os “Supremos Conselhos Estaduais” – surgidos após a cisão de 1973, da qual se originaram os Grandes Orientes Independentes, não têm a mínima chance de qualquer reconhecimento por Supremos Conselhos considerados regulares e legítimos”.

    Devo deixar bem claro que não atingi ainda o Grau 33 e estou transmitindo a opinião e os fatos colhidos pelo Mestre Castellani, tempos atrás.
    Muita coisa pode ter sido mudada e não é do meu conhecimento.
    Como o intuito das “Pílulas Maçônicas” é esclarecer os IIr.: do Sistema Barão de Mauá sobre assuntos Maçônicos, peço aos Obreiros do mesmo que, caso tenham informações mais atualizadas e queiram colaborar, que as mandem via email.

    M.:M.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  73. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 39

    Bandeira Pirata dos Templários

    A história da Ordem dos Templários já foi mencionada em diversos livros e é do conhecimento da maioria dos maçons. Resumindo, podemos dizer que teve um grande poder, um enorme prestígio, acumulou uma grande quantidade de conhecimentos e técnicas, principalmente referentes à navegação, além de uma incontável fortuna.
    A maioria sabe, também, que o Símbolo representado por um crânio (ou caveira) sobre duas tíbias cruzadas pertence à Ordem dos Templários. Inclusive, quem teve a felicidade de ter assistido a palestra proferida pelo nosso querido Irmão Jamil El Chehimi (hoje no Orinte Eterno) sobre esse assunto, viu claramente esse Símbolo.
    Condensando um capítulo do livro “Regnum” do Ir.:Carlos Alberto Gonçalves – Editora “A Trolha”, citando o historiador Juan Atieza, temos o que segue abaixo:
    “A Ordem dos Templários nasce, desenvolve-se, alcança seu zênite, decai e desaparece após um período de duzentos anos (1118 – 1312).”
    “O Rei Felipe, que já vinha desviando seus olhares e sua cobiça para o imenso patrimônio e a enorme fortuna templária em solo francês, contava com as condições perfeitas para levar a cabo suas idéias e executar o seu ambicioso plano: A extinção da ordem dos Templários, com o apoio do Papa.”
    “Na noite de 13 de outubro de 1307, Felipe desencadeou um forte ataque surpresa a todas as dependências templárias francesas, capturando 15 mil homens, além do seu Grão Mestre Jacques de Molay e sua guarda de 60 homens. Porém, apesar dos esforços de Felipe, nem todos os templários foram aprisionados, tendo logrado escapar 24 homens e toda a frota naval templária existente em portos franceses.”
    Afinal que aconteceu com essa frota que navegou para locais desconhecidos? Muitos historiadores concordam que tenha incorporado as frotas portuguesas (talvez pela afinidade entre Portugal e a Grã Bretanha) e as frotas Escocesas.
    Baigent e Leigt, em “O Templo e a Loja” afirmam:
    “a frota templária escapou em massa dos diversos portos do Mediterraneo e do norte da Europa e partiu para um misterioso destino onde poderia encontrar asilo político e segurança. Esse destino seria a Escócia, via Portugal, onde uma parte dela seria incorporada.”
    “coincidência ou não, a pirataria européia começou nessa época e seu padrão sugere que muitos piratas não eram meros flibusteiros que atacavam qualquer um, mas “piratas” muito curiosos que limitavam sua atenção aos navios do Vaticano e outros, leais ao catolicismo (espanhóis, franceses, italianos, etc)”
    “quando a Inquisição espanhola foi estabelecida no Novo Mundo, depois de 1492, os “piratas templários” estenderam seus ataques ao Caribe e, até mesmo, aos portos do pacífico, do Peru e do México, tudo em nome de uma guerra naval que foi travada por mais de 200 anos.”

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  74. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 40

    Loja Quatuor Coronati

    Esta Loja, registrada sob o nº 2076 na Grande Loja Unida da Inglaterra, tem o orgulho de manter o lugar de primeira Loja de Pesquisa Maçônica do mundo. Está localizada em Londres e seus membros são todos reconhecidos como sendo os mais notáveis conhecedores de assuntos sobre Maçonaria.
    Os tratados, os artigos da Loja, ou seja, os “Arts Quatuor Coronatorum” são totalmente aceitos como os mais competentes no assunto. Há um Circulo de Correspondentes no mundo todo
    A Loja tem também prestado enorme serviço à Ordem através de publicações de cópias exatas de importantes manuscritos, os Old Charges, etc.
    Os “quatuor coronati” (os quatro mártires coroados, apesar de que na verdade eram nove (09) na estória relatada) tem sido por longo tempo considerados como os Santos Patronos da Ordem Maçônica.
    A breve estória sobre eles é a seguinte: o Imperador Dioclesiano visitou as pedreiras de Pannonia onde haviam quatro profissionais altamente qualificados na “Arte de Esquadrejar Pedras”. Eles eram Cristãos e mantinham isso em segredo, fazendo todos seus trabalhos em Nome do Senhor. A eles foi unido um outro profissional, de igual comportamento, inspirado no exemplo dos outros quatro.
    Esses trabalhadores recusaram os pedidos do Imperador de fazerem uma estátua do deus pagão Aesculapius. Foram martirizados sendo colocados em caixões de chumbo e jogados no rio.
    Dioclesiano tinha um Templo erigido a esse deus pagão e ordenou a seus soldados de fazerem oferendas a esse deus. Quatro soldados também cristãos se recusaram e, consequentemente, foram martirizados por açoitamento até a morte.
    Alguns anos mais tarde, uma Igreja foi erigida e dedicada aos “Quatro Mártires Coroados” (Four Crowned Martyrs), apesar de comemorarem o total de nove mártires.
    A referencia de estarem sendo “coroados” se presume estar ligado com o dito popular “a coroação do mártir” dando a entender as ricas gratificações para todos aqueles que morrem pela fé.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  75. ALFÉRIO DI GIAIMO Neto disse:

    PILULA MAÇONICA Nº 41

    DESCRISTIANIZAÇÃO DA MAÇONARIA

    As “Old Charges” mostram que na Maçonaria Operativa os maçons eram, sem dúvidas, Cristãos Trinitários. Entretanto após a formação da Grande Loja de Londres e Westminster, em 1717, na Inglaterra, houve uma “descristianização” durante a formação da Maçonaria Especulativa.
    A mudança se concretizou em 1723 na Constituição de Anderson, onde, no Capítulo referente a “Deus e Religião” ficou estabelecido que as opiniões religiosas seriam particulares e a Ordem (Craft) teria a Religião que todos os homens concordam.
    Isto, obviamente, era baseado na política dessa nova Grande Loja para evitar discussões religiosas e políticas, sendo estas os principais motivos de discórdia e destruição da harmonia na época.
    Devemos observar que os maçons já tinham conhecimento, naqueles tempos, dos perigos apresentados nas discussões sobre religião e política. A Grande Loja foi formada logo após a rebelião abortiva de James Stuart, o “Antigo Pretendente” (filho de James II).
    Opiniões políticas e religiosas eram conduzidas de modo duro e amargo, e a desunião entre os Whigs (Hanoverianos) e os Toris (Stuarts) era muito profunda. O primeiro grupo era, na maioria, Protestantes e o segundo grupo, Católicos Romanos.
    Uma introdução de qualquer tendência na Política e/ou Religião na Francomaçonaria, naquele estágio, poderia ser desastrosa.
    Consequentemente, essa alteração na base religiosa da Ordem permitiu que Judeus, Muçulmanos, Budistas e outros não-Cristãos, mas que acreditam em um Supremo Criador, se torne membros da francomaçonaria.

    Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  76. Lúcio Balbi disse:

    Bom Ir.: Alfério

    Lí, com muita atenção, suas “Pilulas”.
    Agradeço pelos ensinamentos. Mantenha-me, por favor, no
    ról de seus alunos.
    Fraternalmente,
    Lucio Balbi
    CIM 236511 – Or. Quatis-RJ

  77. Pinho disse:

    Tal qual o Irmão Lucio manifestou-se… também gostaria de cumprimentar o Irmão Alfério.

    as Pílulas são muito boas!

    também quero fazer parte dos eternos aprendizes… sempre que houver novas Pílulas, por favor, me envie.

    minhas cordiais e fraternais saudações,
    Manoel Pinho Filho
    manoelpinho@uol.com.br
    ARGBLS Roosevelt – Bauru, SP
    Rito Moderno – GOSP/GOB

  78. Constancio de Andrade Mélo disse:

    Caro Ir.’.Alfério

    Muito feliz a idéia de publicação das suas “pílulas”, são muito bem condensadas, objetivas e de fácil compreensão. Com toda certeza já estão ajudando e ajudarão ainda muito mais a tantos IIr.’. que necessitam de uma fonte prática para se enveredarem pelos vastos caminhos do conhecimento maçônico. Gostaria de continuar recebendo e, se possível, ter acesso a copiá-las para divulgação em nossa Lj.’..

    Um T.’.F.’.A.’.

    Constancio

  79. PILULA MAÇÔNICA Nº 42

    Arquitetura

    Brethren,

    Vejam o que nos diz o Bro Robert Macoy no seu “A Dictionary of Freemasonry”:
    “arquitetura é uma das primeiras profissões que o homem tornou propícia para si, e como consequencia, foi o primeiro passo no desenvolvimento de sua mente. Surpreendentemente, tem a ciência da Arquitetura crescido e tem sempre honrado e tornado respeitável um arquiteto experiente!
    A ciência começou com a construção de simples cabanas; o próximo passo foi erigir “altares” nos quais se ofereciam sacrifícios para os deuses ( na minha opinião, a situação aqui é invertida: me parece que o homem primeiro construiu os altares e, posteriormente, para se proteger, construiu as barracas ou cabanas). De sua fértil e própria imaginação seguiram-se moradas e casas mais complexas, após as quais, em rápida sucessão, vieram os palácios para suas princesas, pontes sobre rios de fortes correntezas, para que pudessem, cada vez mais, manter contatos com seus vizinhos e amigos. Piramides e torres, orgulhosamente apontando para os céus
    Catacumbas de enormes dimensões para o sepultamento de seus mortos, e o mais deslumbrante Templo em honra do Grande Arquiteto do céu e da terra.
    Nós, então, adotamos o título de “Maçons” para nossa nossa antiga Ordem, em alusão a mais antiga e honrável ocupação profissional do ser humano. As ferramentas de trabalho da Maçonaria Operativa se tornaram nossos Símbolos, por que não acharíamos nada melhor, nem mais expressivas do que elas.
    Nenhuma outra ocupação é tão extensa e que tem tão estreita ligação com as outras. Tem inumerávéis caminhos, nos quais faz tremendo esforço, para entrar no Templo Imperecível dos conhecimentos.”

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  80. PILULA MAÇÔNICA Nº 43

    Possível Origem Das Três Batidas

    O uso de batidas para chamar a atenção de pessoas presentes em uma reunião é um antigo costume. Tanto é verdade que, numa fabrica de tecidos, em 1335, em York Minster, Inglaterra, foi registrado os detalhes de uma construção que estava sendo feita nessa fabrica, por um grupo de Maçons Operativos. Ali é mencionando o trabalho em si, descanso, etc, e menciona, também, que os Maçons eram chamados após a refeição para assumirem novamente o trabalho, por batidas dadas na porta da Loja. Esta Loja, como já foi dito em outras Pílulas, sem duvida, deveria ser um abrigo coberto perto da referida construção.
    Hoje em dia, na Maçonaria Especulativa, as batidas foram deliberadamente variadas para distinguir os três Graus Simbólicos, uns dos outros.
    Muitas das praticas maçônicas tem forte semelhança com as praticas Eclesiásticas, apesar que, muitas vezes, falta uma evidencia definitiva. Entretanto, é fato que a Maçonaria Operativa foi empregada largamente nas construções de Catedrais e outras construções para a Igreja, onde podemos supor que as praticas e costumes dos monges, abades, etc, não eram inteiramente desconhecidas dos integrantes da Maçonaria Operativa, da qual a Maçonaria Especulativa derivou.
    Um exemplo do uso eclesiástico de batidas é visto quando um novo Bispo esta sendo entronado. Ele se aproxima da porta Leste da Catedral e com três pancadas nesta, com o seu Bastão Pastoral, obtém a atenção do Deão e dos membros do Capitulo, dos quais ele obterá permissão para entrar na conclusão da Cerimônia para sua total introdução no Episcopado.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  81. PILULA MAÇÔNICA Nº 44

    Esotérico e Exotérico

    Brethren,

    Vejam duas palavras muito semelhantes, mas de significado totalmente diferente. O “Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa – Aurélio” nos relata:

    – ESOTÉRICO: 1)diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antiguidade grega, era reservado aos discípulos completamente instruídos. 2) todo ensinamento ensinado a circulo restrito e fechado de ouvintes. 3) diz-se de ensinamento ligado ao ocultismo. 4) compreensível apenas por poucos; obscuro; hermético.
    – EXOTÉRICO: 1)diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antiguidade grega, era transmitido ao publico sem restrição, dado o interesse generalizado que suscitava e a forma acessível em que podia ser exposto, por se tratar de ensinamento dialético, provável, verossímil.

    Referente à Maçonaria, temos alguns relatos de conceituados Mestres:
    Octaviano Bastos: “na Maçonaria, a parte esotérica ou interna só é conhecida dos estudiosos e compreendida dos homens de alma e faculdades privilegiadas, e por isso o esoterismo da Ordem constitui a Iniciação íntima em todos os segredos e tendências Maçônicas”.
    Albert G. Mackey: “as palavras esoterikós, interno, e exoterikós, externo, derivam do grego e foram usadas, em primeiro lugar, por Pitágoras, cuja filosofia foi dividida em exotérica, isto é, aquela que ensinava a todos; e a esotérica, ou aquela ensinada a alguns poucos selecionados; dessa forma, os seus discípulos foram divididos em duas classes, de acordo com o grau de Iniciação que tinham atingido … esse modo dúplice de instrução foi imitado por Pitágoras dos sacerdotes egípcios, cuja teologia eram de duas espécies – uma exotérica dirigida para o público em geral e a outra esotérica, e limitada a um número selecionado de sacerdotes e aos que possuíam ou estavam para receber o poder real. Dois séculos mais tarde, Aristóteles adotou o sistema de Pitágoras, e no Liceu de Atenas, de manhã, comunicava aos discípulos selecionados as suas sutis e ocultas doutrinas., e a tarde, ensinava sobre assuntos elementares a uma assistência indistinta”.
    Nicola Aslan: “como em todas as escolas filosóficas e iniciáticas são inúmeros aqueles que não passam do umbral. Por isso, inúmeros Maçons, que não passaram do estudo do aspecto social da Maçonaria, não tendo conseguido compreender ou se interessar ao aspecto esotérico e iniciático da Instituição, tem-se mostrado desiludidos. Porem, se por seus próprios esforços conseguirem retirar a venda que tem sobre os olhos, há de lhes aparecer uma visão deslumbrante da “Luz” iniciática e maçônica”.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  82. Liberdade de Pensamento e Externação na Maçonaria
    José Geraldo de Lucena Soares, 18
    ARLS Fraternidade Judiciária – Gosp – Gob

    O tema que ora me proponho a dissertar é um dos mais importantes na Fraternidade, pois muitos não diferenciam a liberdade de pensamento com sua manifestação no mundo exterior ou externação dessa idéia.
    Com efeito, a liberdade de pensar é livre e não encontra limites, podendo a pessoa criar idéias das mais variadas, boas, más, úteis, inúteis, viáveis, inviáveis, lícitas, ilícitas, etc., ficando essas idéias ou pensamentos em seu interior, sem, contudo externá-los, mantendo-os só para si. Esses pensamentos ou idéias, portanto, mantêm-se no âmbito exclusivamente subjetivo, quer dizer, não são divulgados de forma alguma no mundo material.
    Ainda que essa volição pensativa seja má, na vida social é de total irrelevância, eis que não revelada, tentada ou consumada no mundo físico, é o NIHIL, tendo apenas repercussão na vida psíquica de seu autor a prestar contas à Divindade pelo cometimento do pecado, caso cultive alguma religião, seita ou algo similar.
    Outra situação é a manifestação ou externação dessas idéias ou pensamentos na Sociedade.
    Uma vez divulgados pode ocorrer efeito atingindo interesses individuais ou coletivos, favoráveis ou desfavoráveis, podendo gerar, daí, conforme o caso, responsabilidades para o divulgador; penal, civil, administrativa ou em outras áreas do Direito, ou ainda simplesmente reprovação da comunidade sem grandes consequências.
    Seja como for, haverá uma alteração no mundo físico em razão dessa externação na vida social.
    Assim, como vemos, a liberdade de pensamento é livre e ilimitada, porém sua externação na vida em sociedade é limitada pela legislação vigente profana local, pela Moral, Ética, Costumes e outros parâmetros de comportamento adotados pela sociedade.
    Em se tratando da Sublime Ordem, entretanto, essa liberdade de pensamento é relativa em consonância com o pensar do profano.
    É que não deve o maçom não admitir em pensamento que o GADU E A VIDA ETERNA não existem, pois estes elementos são inerentes e substanciais a toda doutrina maçônica desde sua criação, exigindo-se para a iniciação do candidato o juramento solene e declaração expressa de sua crença nesse SER SUPREMO DOS UNIVERSOS E VIDA ESPIRITUAL POST-MORTEM , seja o nome que se queira dar, nomenclaturado na Maçonaria de GADU.
    Aliás, a própria legislação maçônica assim determina, sendo até um dos Landmarks (Super Constituição Universal Maçônica) que na compilação de Mackey, reza: “A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos importantes Landmarks da Ordem. A negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação. “( art.19) E mais, “Subsidiariamente a essa crença, é exigida a crença de uma vida futura. “(art.20)
    Em trabalho anterior, comentei ligeiramente esses dispositivos e naquela oportunidade escrevi: “A crença no Ser Supremo do Universo, seja o nome que se queira dar e vida eterna depois da morte do corpo físico, são condições essenciais para a iniciação, além de requisitos sociais de honradez, bons costumes, cultivo da moralidade, ética e amor ao próximo.
    “Qualquer rito que não exija esses elementos essenciais do candidato não é considerado rito maçônico, fazendo-se necessário que o candidato declare solene e expressamente que realmente acredita no exigido por este Landmark.” E prossigo: “Vê-se, pois, que a Sublime Ordem tem como alicerce a crença no SER SUPREMO DO UNIVERSO que é chamado de “Grande Arquiteto do Universo”, nomenclatura genérica por ser um denominador comum de todos os elos com a Divindade, independentemente de religiosidade, embora respeite essas entidades que estão ligadas a esse Ser Supremo de Todos os Mundos, para usar uma linguagem alegórica ou de simbolismo. “Também tem como essencial que se acredite na vida espiritual que prossegue após o fim do corpo físico.”
    Igualmente e como não poderia ser diferente, a Constituição do Grande Oriente do Brasil promulgada em 17 de março de 2007, E.V., estabelece em seu art. 1; inc.IV, o direito de liberdade de expressão de pensamento do obreiro, mas com “CORRELATA RESPONSABILIDADE”, significando que não pode questionar os Postulados Universais da Maçonaria, que estão descritos no art. 2, sendo o primeiro, “A EXISTÊNCIA DE UM PRINCÍPIO CRIADOR: O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.”
    São regras proibitivas e o art. 30 da mesma Carta Magna do Grande Oriente do Brasil é taxativo: “São direitos dos Maçons: II – a livre manifestação do pensamento em assuntos NÃO VEDADOS PELOS POSTULADOS UNIVERSAIS DA MAÇONARIA”. Vê-se, pois, que através de um processo interpretativo de caráter extensivo ou analógico, ou ainda sistemático, desse preceito maçônico, que o maçom não deve questionar a existência do GADU, pois assim jurou e declarou expressamente sua crença anteriormente; fica também proibido de pensar em contrário, resultando em uma liberdade de pensamento relativa. Em outras palavras: como aceitar essa liberdade de pensamento absoluta quanto à existência do Criador, se a própria Instituição Maçônica proíbe até manifestações contrárias ao assunto (art.30, inc. II, Constituição GOB) e o próprio iniciado já declarara sua crença solene e anteriormente?
    Seria uma incoerência ou mesmo falsidade consigo próprio alguém assim proceder.
    Daí chega-se a conclusão tirada de todo sistema doutrinário maçônico que essa liberdade de pensamento do iniciado é relativa, ao contrário do profano, que é absoluta.
    Embora o pensamento seja incontrolável e até ignorado no mundo físico, quando eivado de impurezas, o pensador está sujeito a julgamento pelas Leis do Universo, pois até os incrédulos, de alguma forma, aceitam a Natureza com toda sua grandeza, beleza e vida.
    Portanto, colocadas essas premissas, entendo que o maçom não tem liberdade de pensamento a ponto de negar a existência de Deus e da vida eterna, ensejando, portanto, uma liberdade limitada ou relativa.
    Esta exposição objetiva reforçar a convicção do leitor da existência do GADU e vida post-mortem.
    É o meu desejo!

  83. José Orestes de SOUZA NERY disse:

    Meu caro e preclaro Irmão Lucena:
    Como de costume teu raciocínio é impecável. Concordo em gênero, número e grau com o que dissestes acerca da liberdade de pensamento e com as restrições impostas à respectiva manifestação.
    E, no que respeita à nossa Sublime Ordem, nada mais correto do que afirmar que aquele que nega (ou renega) a crença no G.A.D.U. não pode ingressar na Ordem ou, se nela já se encontrar, deve, obrigatoriamente, ser excluído.

  84. PILULA MAÇÔNICA Nº 45

    O que a Maçonaria não é…

    Brethren,

    Na maioria dos livros maçônicos nós temos uma série de afirmativas dizendo o que é a Maçonaria. Vamos fazer um caminho paralelo e fazer algumas afirmativas para esclarecer o que a Maçonaria não é ( extraído de livros Neo Zelandeses).

    1) A Maçonaria não é uma Instituição de Caridade, apesar de que ela realmente pratica Caridade. Devemos deixar claro que “Caridade” não consiste necessariamente somente de doação em dinheiro.
    2) A Maçonaria não se ocupa somente de providenciar benefícios por doença ou morte de seus Obreiros. Isso é uma função especifica da área “fraternal” da nossa Ordem. Igualmente, a Maçonaria, como regra geral, não providencia assistência para maçons idosos ou maçons enfermos. Nada impede que ela o faça, inclusive, que dê assistência em causas meritórias na comunidade, como um todo.
    3) A Maçonaria não é uma religião. Ela tem uma filosofia própria, a qual está em harmonia com todas as crenças, e que transcende a fé sectária. Cada Irmão deverá venerar conforme sua própria opinião e devoção.
    4) A Maçonaria não existe, nem deve ser usada, para promover os Obreiros em si, muito menos para promover interesses de negócios ou atividades comerciais.
    5) A Maçonaria não é um “Clube Social”, apesar de ter uma vida social entre seus membros. Alguns Irmãos tendem, realmente, a fazer disso a maior parte de suas vidas Maçônicas. É um erro que deve ser corrigido, quando ocorre.

    Enfim, a Maçonaria é um peculiar Sistema de Moralidade velada em Alegorias e ilustrada por Símbolos.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

    • Antônio Celso Leite de Assumpção disse:

      V.’.M.’. Fernando

      Sempre entendi vossas palavras e aceitei. Contudo, gostaria de entender melhor o que foi escrito. Devemos deixar um Ir.’. sofrendo dores que podem ter suas nascente no mundo jurídico, financeiro ou por questões de saúde?

      Já tive oportunide de ajudar IIr.’. com dificuldades financeiras e após ser vitorioso com a ação este pagou todos seus débitos no mundo profano e com a maçonaria e nada cobrei.

      Desculpe por não entender e rogo, mui respeitosamente, maiores esclarecimentos pois venho assistindo diversas atitudes maçonicas dentro do judiciário que com o devido respeito afrontam tudo aquilo que aprendi como advogado e maçom.

      T.’.F.’.A.’.

      Antônio Celso Leite de Assumpção.’.
      CIM: 1984 – GOIRJ

  85. Avides Faria disse:

    Caro ir:.
    Gostaria de postar em “trabalhos maçonicos”, no tema ESOTERICO / Cabala no seu blog, mas não encontro o caminho. Como faze-lo?
    Triplice
    Avides Faria
    Lj tiradentes
    GL PR
    41-9107-5734

  86. Avides Faria disse:

    A Maçonaria, a Kabbalah, a Astrologia e o Livre-Arbítrio
    Ref: http://cabalamaconaria.blogspot.com/

    Temos apontado neste BLOG muitas coincidências entre o REAA e a Árvore da Vida [Kabbalah]. Como a Kabbalah também é codificada em ‘biombos’ com simbologias da ASTROLOGIA, é inevitável que surjam associações que vinculam os símbolos de expressão comuns. Por exemplo, quando vemos nas lojas do REAA a posição dos oficiais, identificamos logo algumas similaridades com a estrutura da Árvore da Vida, assim como identificamos os signos astrológicos nas colunas e em outros símbolos das lojas.

    Com referencia à ‘Astrologia’, existem muitas dúvidas e questionamentos quanto à aceitação ‘científica’ dos conceitos milenarmente disseminados. Ainda que seja fácil perceber o efeito da proximidade da LUA, nas atividades de pesca e em muitas outras atividades. Também percebemos diretamente os efeitos da presença do SOL em nosso dia-a-dia. Mas não temos a percepção da presença dos demais planetas sentida com a mesma facilidade. Nesta matéria, aborda-se o estudo da presença do SOL nas casas 10,11 e 12 dos mapas natais, e do efeito desta presença no seres afetos. A abordagem é polemica se considerarmos que as ‘interpretações’ astrológicas divergem em diferentes publicações. Em especial, não se pode deixar de considerar que os seres humanos submetem-se, individualmente e em diferentes intensidades ao ‘livre-arbítrio’.

    Nosso ir:।Otmanu nos apresenta no site abaixo, uma visão pela astrologia do ZODIACO Corporal Evolutivo, onde cada um de nós se posiciona.

    Na figura confrontam-se a KABBALH e a ASTROLOGIA, indicando os ciclos que marcam nossa existência. As influências energéticas astrológicas produzem de forma cíclicas inúmeras reações, umas positivas e outras negativas, tudo em função do trânsito orbital de cada astro incidindo sobre os astros natais de cada pessoa. Decompõem-se daí os MAPAS NATAIS, muito conhecidos no âmbito da astrologia. Não podemos deixar de citar que sempre existirá o LIVRE-ARBÍTRIO, como opção de escolha individual de cada um de nós. Exatamente aí surgem as diferenças entre as pessoas. Algumas buscam o conhecimento, e dele se utilizam para mudar os rumos traçados pela forças invisíveis que nos regem desde o nosso nascimento. Outras deixam, como folhas ao vento e por toda a vida, que suas forças intimas desenhem o contorno das ações em suas vidas.

    Então temos aqui uma reflexão, que traça diretivas para a escolha de indivíduos podem ser mais adequados, ou menos ajustados aos requisitos exigidos ao bom maçom. Também pode justificar o porquê a maçonaria escolhe os seus membros, e não os indivíduos escolhem a maçonaria, como um “norte” para suas escolhas e evoluções. Astrologicamente, então, podemos ter indivíduos que se adéquam mais facilmente às exigências dos estudos e pela busca da sabedoria oculta nos conhecimentos.

    A figura a seguir, em sua parte de baixo, mostra na estrutura da Árvore da Vida, a evolução humana focada em bases da astrologia. Destaca nitidamente o horário das 6:00 da manhã às 12:00 horas, como horário de nascimento que incide sobre as casas 10,11 e 12, da roda zodiacal. Aponta para indivíduos mais sujeitos a ingenuidade, a lascividade e a agressividade. Estas tendências, se não administradas adequadamente pelo LIVRE-ARBITRIO de cada um que nasceu neste horário, podem levar ou facilitar situações de conflito, não desejáveis nos convívios fraternos.

    E você? A que horas nasceu? Reflita! Aplique e maximize o seu livre-arbítrio em pról da fraternidade!

    E tem muito mais, certamente!

    “O conhecimento só tem valor quando compartilhado”. Acesse:

  87. PILULA MAÇÔNICA Nº 46

    Soberano ou Sereníssimo?

    Brethren,

    Muitas vezes recebemos informações através da Rede Colméia ou de outras fontes, sobre os Grãos Mestres das Grandes Lojas brasileiras e o titulo é de “Sereníssimo”. Quando se relata algo sobre o Grão Mestre do Brasil, o título usado é de “Soberano”. Na maioria das Obediências do mundo o título é “Sereníssimo”.
    Não há nada de errado, somente acontecimentos ao longo da historia da Maçonaria brasileira, que vou procurar elucidar, conforme o que segue abaixo.

    Tempos atrás, aqui no Brasil e em mais alguns outros países, existia uma única autoridade máxima para o Supremo Conselho dos Altos Graus e para o Grão Mestre das Lojas Simbólicas. Seu titulo era de “Soberano Grande Comendador Grão Mestre”.
    Houve um encontro Maçônico em Lausane, Suíça, em 1925, onde ficou decidido que uma única pessoa não poderia ocupar os dois cargos ao mesmo. Posteriormente, o Brasil, acatando essa decisão, fez a devida correção, porem o titulo de “Soberano” continuou sendo usado para o Grão Mestre das Lojas Simbólicas, ao invés de “Sereníssimo”, o que era de se esperar.
    Posteriormente foi oficializado e assim ficou até hoje.

    NOTA: esta pequena pesquisa foi baseada em historiadores brasileiros, principalmente no maior deles, que foi o Mestre Castellani.
    Como a finalidade das Pílulas Maçônicas é transmitir conhecimentos, se alguém tiver uma outra versão, ou detalhes, para o que foi descrito acima, queira, por favor, nos comunicar. Como já dissemos, não somos dono da verdade.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  88. Fernando disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 47

    Ahiman Rezon

    Vamos falar de um assunto pouco comentado, mesmo porque não é do interesse dos descendentes dos ingleses fundadores da Grande Loja de Londres em 1717, que se tornou a “Loja Mãe” de toda comunidade Maçônica mundial. Ou seja, se uma Obediência quer ser reconhecida no meio Maçônico mundial, tem que ser reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI). Apesar de que, e são pedras no sapato da GLUI, as grandes Lojas dos EUA, estão reconhecendo as Obediências com o mesmo valor da GLUI.
    Ahiman Rezon foi um caprichoso nome dado por Laurence Dermott para o “Livro da Constituição” da Grande Loja dos Antigos, primeiramente publicado em 1756. Muita tinta e papel tem sido gasto para se saber a origem, o significado e a interpretação desse titulo, apesar de que atualmente não tem tido tanta importância, como teve no passado. Essa importância se diluiu com a formação da Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813.
    Abrindo parênteses sobre essa “união” da Grande Loja dos Antigos (1751) e da Grande Loja dos Modernos (1717), não se iludam os mais afoitos, pois o fato de que os Grãos Mestres das duas Grandes Lojas, apesar de irmãos de sangue, tenham se unido, não foi, aparentemente, um rasgo de fraternidade. O que realmente ocorreu foi que Napoleão estava nos calcanhares da Inglaterra e toda e qualquer união deveria ser feita para enfrentar o “Grande Conquistador”. Dessa união foi formada a Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

    Voltando ao nosso Ahiman Rezon, é interessante notar que esse titulo tem sido explicado numa grande variedade de interpretações, tais como: “A Vontade de Irmãos Selecionados”; “A Lei para Irmãos Preparados”; “Segredos de um Irmão Preparado”, etc, e nenhuma decisão satisfatória foi obtida até agora. O nome é supostamente de origem hebraica, provavelmente inspirada em alguma tradução Bíblica, na qual Dermott esteve interessado. Mas há diversas outras hipóteses.
    Nicola Aslan nos revela em seu “Grande Dicionário Enciclopédico”:
    “Foi esse o nome dado ao Livro das Constituições da Grande Loja dos Antigos Maçons da Inglaterra, que resultou da dissidência iniciada, por volta de 1745, pelo irlandês Laurence Dermott, autor do “Ahiman Rezon”, contra a primeira Grande Loja da Inglaterra que ele passou a chamar “dos Modernos”. Essa dissidência teve como finalidade o reerguimento da Maçonaria Britânica, que, felizmente, após varias décadas, conseguiu realizar.
    O livro cuja primeira edição foi lançada em 1756 tinha, segundo o costume da época, o seguinte título prolixo e propagandístico: “Ahiman Rezon: ou um Auxílio a um Irmão; mostrando a excelência do segredo, e a primeira causa ou motivo da Instituição da Maçonaria; os Princípios da Ordem; e os benefícios que se obtém da estrita observância dos mesmos; também os antigos e novos regulamentos. Pelo irmão Laurence Dermott, Secretário”
    Assim, no próprio titulo do livro, o autor dá a verdadeira interpretação de Ahiman Rezon, o seja, “um auxilio a um Irmão”.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  89. PILULA MAÇÔNICA Nº 48

    Quem inventou a Maçonaria?

    Algumas Organizações, de um modo geral, semelhantes ou não à nossa Ordem, foram idealizadas, projetadas e, finalmente, estabelecidas. Por exemplo, podemos citar a o “Escotismo” que foi fruto de uma pequena experiência com um grupo de jovens, planejada, por seu fundador Lord Robert Baden Powell, na Inglaterra em 1907. Com o êxito dessa experiência, foi planejado e desenvolvido um movimento sem fins lucrativos, agora totalmente estruturado, com suas leis, símbolos, deveres, etc, que é um sucesso até hoje.
    E quem inventou ou planejou a Maçonaria?
    Baseado em pesquisas feitas em livros ingleses e neo-zelandeses, pode ser dito que ninguém ou qualquer grupo de indivíduos descobriu, planejou ou inventou a Maçonaria. Ela é uma Instituição que se desenvolveu gradualmente ao longo de um período de anos, e muitas pessoas tomaram parte e colaboraram com seu crescimento.
    A nossa Ordem criou raízes dentro das Lojas dos Maçons Operativos e nós podemos seguir seu curso desde o começo através do “Cerimonial” (Iniciação, Colação de Grau, Instalação, etc).
    Muito simbolismo tem sido enxertado no “Ritual” (Inglaterra) em tempos mais ou menos recentes e mesmo a eminência do Templo do Rei Salomão e a Lenda de Hiram Abif, aparecem, com já dito, em tempos comparativamente recentes.
    A Grande Loja de Londres e Westminster (posteriormente transformada na Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813) foi fundada em 1717, mas a Lenda de Hiram Abif somente aparece imprimida em 1730 no “livro” de Samuel Prichard denominado “A Maçonaria Dissecada”. Uma Lenda alternativa referente aos “Filhos de Noé” foi achada nos Manuscritos de Graham em 1726.
    A maneira de se expressar, a “linguagem” do “Ritual”, foi extraída da Literatura Inglesa da época compreendida entre 1790 e 1820 e, a partir desse período, o “Ritual” assume a presente forma. Ele foi, também, enxertado com passagens da Bíblia e pensamentos de escritores ingleses famosos na época. Em torno de 1825, o “Ritual” foi praticamente estabelecido e somente pequenas alterações foram feitas. Relíquias da antiga forma do “Ritual” são ainda encontradas em livros catequéticos, na forma de perguntas e respostas.
    Uma das maiores mudanças foi o abandono desse tipo de ensinamento (perguntas e respostas) e estabelecendo o tipo encontrado no atual “Ritual”.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  90. Luiz Carlos B. de Freitas disse:

    Ir. M:.M:. Alfério Di Giaimo Neto
    Saudações. Tomei ciência de seu trabalho na Rede Colméia. Você diz que a origem da maçonaria foi gradual, de forma natural. Quando nos referimos a questão do Ritual, na Maçonaria fica uma dúvida em minha mente. O que nos leva a praticar semanalmente e de forma constante, rituais de 1790, agora no século XXI, desconsiderando a evolução e os atuais meios de comunicação existentes?

  91. PILULA MAÇÔNICA Nº 49

    Simbolismo da “Luz” na Maçonaria

    Já comentamos sobre Simbolismo e sobre alguns Símbolos pertencentes à Maçonaria. Vamos agora comentar sobre o termo simbólico “LUZ”, que foi traduzido e adaptado da “Masonic Holy Bible” dos EUA, Wichita, Kansas.
    “LUZ é de longe o mais importante e misterioso termo na Maçonaria, que é assim aceito pela maioria dos membros da Fraternidade. É o primeiro dos símbolos apresentado ao Iniciado, e continua sendo apresentado a ele com varias modificações através de todo seu futuro progresso na vida Maçônica.
    Ela representa, como é geralmente aceito, “Conhecimento, Verdade ou Sabedoria, mas ela contem dentro de si uma alusão muito mais difícil de compreender dentro da essência da Maçonaria Especulativa, e abraça, dentro dela, o significado de todos os outros símbolos contidos na Ordem.
    Maçons são enfaticamente chamados de “filhos da Luz” porque eles estão, ou deveriam estar, na posse do verdadeiro significado do símbolo; enquanto os profanos ou não-iniciados estão, pela analogia da expressão, na “Escuridão”.
    Em todas as antigas religiões e em todos os “antigos mistérios”, a reverencia para a LUZ, como uma emblemática representação do ETERNO PRINCIPIO DO BEM, é predominante.
    Isto foi verdade no Hebraísmo e Judaísmo, e é verdade no Cristianismo; isto é verdade do começo ao fim do Ritual da Maçonaria. no sentido mais predominante.
    A maior LUZ da Maçonaria é a Palavra de Deus; maçons são empenhados em solicitar dessa fonte de verdadeira luz e dos princípios da Ordem e crescer avançando na LUZ.
    A fonte original de toda verdadeira LUZ MAÇONICA é Deus; somente os homens que caminham nessa luz podem evitar a “escuridão”; somente esses homens são ditos ‘filhos da Luz””.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  92. PILULA MAÇÔNICA Nº 50

    Liberdade, Igualdade e Fraternidade

    Nós sabemos que a Maçonaria no mundo teve duas vertentes principais: a Inglesa e a Francesa. No Brasil, apesar de estarmos estritamente ligados com a Grande Loja Unida da Inglaterra, e reconhecidos por ela, a nossa origem é francesa, igualmente como todas as Obediências Maçônicas dos paises da América Latina.
    É, portanto, muito comum ouvirmos nas Lojas brasileiras a trilogia “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, o que não é comum nas Lojas dos EUA, ou na Nova Zelândia, por exemplo, locais onde a origem foi inglesa.
    Muitos Maçons alegam que essa divisa maçônica., foi usada durante a Revolução Francesa, em 1789, provando que esta última foi articulada e planejada pela Maçonaria.
    Nada mais falso! Vejamos o que nos diz o historiador maçônico Alec Mellor, francês, em seu “Dicionário da Francomaçonaria e dos Francomaçons”:
    “é inteiramente falso que essa divisa republicana seja de origem maçônica. Louis Blanc e outros autores pretenderam que o seu inventor teria sido Louis Claude de San Martin, o “filosofo desconhecido”. O historiador mais autorizado da vida e do pensamento desse ultimo, Robert Amadou, mostrou que ele não o foi”.
    “A senhora B.F.Hyslop examinou uma boa quantidade de diplomas maçônicos emitidos de 1771 a 1799 na Biblioteca Nacional. Encontrou somente dois nos quais as três palavras encontram-se reunidas. Quase todos comportam: “Salvação-Força_Uniao”, ou falam do Templo onde reinam “o Silencio, a União e a Paz” (ver Anais da Ver. Francesa, jan. 1951)”.
    “A 1ª Republicana empregou bastante a divisa: “Liberdade, Igualdade ou a Morte”, mas não é preciso dizer que tal programa ideológico jamais foi o da Francomaçonaria. Somente na 2ª Republica apareceu a “divisa tripla””.
    “Não foi a Republica que tomou a divisa emprestada da Maçonaria, mas sim esta ultima que a tomou emprestada da Republica”.

    O Mestre Castellani nos diz, em seu “Consultório Maçônico”, editora A Trolha:
    “A trilogia foi tomada da 2ª Republica Francesa, instalada após a revolução de 1848, e não como muitos pensam, da 1ª Republica, proclamada em 1893, algum tempo depois da Revolução Francesa, já que a divisa era “Liberdade, Igualdade, ou a Morte””.
    “Não é verdade, portanto, como costumam afirmar Maçons ufanos, que essa divisa republicana tenha origem maçônica, já que ocorreu foi exatamente o contrario: a divisa maçônica é que tem origem na Republica Francesa”.

    Seria muito bom para todos os Maçons do mundo:
    • Se a Liberdade fosse melhor entendida e que se respeitasse os limites do próximo, pois nossa liberdade termina onde começa os direitos de nosso Irmão.
    • Se a Igualdade fosse disseminada com mais intensidade e a diferença entre os Obreiros fosse minimizada e que todos ficassem no mesmo Nivel.
    • Se a Fraternidade, esteio básico para que possa existir a Maçonaria, fosse bem entendida e aplicada.

    M.:M.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  93. Roberto da Costa Gomes disse:

    Gostei muito dos trabalhos publicados. Estão de parabéns e rogo ao G.A.D.U. iluminá-los para que possam sempre enviarem trabalhos excelentes.
    Vai um pedido sobre “Maçonaria Salomonica” se puderem ajude-me.
    Faternalmente,
    Roberto Gomes.
    Loja Vinte de Agosto n. 3897 REAA – CIM 246722.

  94. Os hinos que se seguem são interessantes e foram escritos pelo irmão John M. Thearle, primeiro secretário da Loja de St Marks, nº1, de Inglaterra:

    ——————————————————————————–
    Hino de Abertura
    Favorece esta Loja, Grande Supervisor,
    Com toda a Tua verdade pura e sincera.
    Que possa florescer através dos tempos
    Sempre em completa juventude
    Abençoa os que esta noite são avançados.
    Que na sua vida progridam sempre
    Marcando o seu progresso pela luz
    Acendida e derivada de Ti.
    A sua marca na mão, a Tua no coração
    Oh, possam sempre ser aprovados
    Em qualquer época ou circunstância
    Unidos na fraternidade e amor.

    ——————————————————————————–

    Hino de Encerramento
    Marcámos bem, Grande Supervisor
    Uma obra para durar além dos tempos
    Cada tarefa distribuída cumprida
    A Tua glória e o Teu elogio

    Neste grau encontramos a verdade
    Em baixo na terra, alto no céu
    A pedra angular de todo o trabalho
    Deve ser altruísta, amor eterno.

    Continuaremos a trabalhar, e trabalhando, rezando
    Confiantes de que numa terra melhor
    Os nossos Muros fundamentais sejam elevados
    E colocados pela Tua Mão de Mestre.

    ——————————————————————————–

    » Hino da Maçonaria

    Da Luz que de si difunde
    Sagrada filosofia
    Surgiu no mundo assombrado
    A pura maçonaria

    Coro: Maçons, alerta,
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Da razão suntuoso templo,
    Sacros cultos merecia ,
    Altos heróis adoraram
    A pura Maçonaria .

    Coro: Maçons, alerta ,
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Da nação suntuoso templo ,
    Um grande rei regia ,
    Foi então instituída
    A pura Maçonaria

    Coro : Maçons, alerta ,
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Nobre intento não morre ,
    Venceu do tempo a porfia
    Há de os séculos afrontar
    A pura Maçonaria .

    Coro : Maçons, alerta ,
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Humanos sacros direitos
    Que calcarão a tirania ,
    Vão ufanos restaurando
    A pura Maçonaria .

    Coro : Maçons, alerta
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Da luz depósito augusto ,
    Recantando a hipocrisia ,
    Guarda em si com zelo santo
    A pura Maçonaria .

    Coro : Maçons, alerta ,
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Cautelosa esconde e nega
    A profana gente ímpia
    Seus mistérios majestosos
    A pura Maçonaria .

    Coro : Maçons, alerta ,
    Tende firmeza :
    Vingai direitos
    Da natureza

    Do Mundo o Grande Arquiteto .
    Que o mesmo mundo alumia ,
    Propício , protege , ampara
    A pura Maçonaria .

    Letra e Música: D.Pedro I

    ——————————————————————————–

    O Canto dos Aprendizes
    O Canto dos Aprendizes

    I
    Vinde, vamos preparar,
    Nós Irmãos que estamos
    Reunidos nesta alegre Ocasião;
    Bebamos, riamos, e cantemos;
    Nosso Vinho vem da fonte;
    À Saúde d’um Mason Aceito.

    II
    O Universo está prestes
    A conhecer nossos Segredos,
    Mas deixemo-lo se admirar e continuar observando;
    Ele não poderá nunca advinhar
    A Palavra ou o Sinal
    De um Livre e Aceito Mason.

    III
    É isto, é Aquilo,
    Eles não podem dizer O Que,
    Porque tantos GRANDES HOMENS da Nação
    Usam Aventais,
    Para fazer de todos apenas um
    Com um Livre e Aceito Mason.

    IV
    Grandes REIS, DUQUES, e SENHORES,
    Depuseram sua Espada,
    Para honrar nossos Mistérios,
    E nunca se envergonharam
    De ouvir seus nomes chamados
    Com um Livre e Aceito Mason

    V
    O Orgulho da Antiguidade
    O temos ao nosso lado,
    E isso faz homens no Lugar Justo:
    Nada existe senão o que é bom
    Para ser entendido
    Por um Livre e Aceito Mason.

    VI
    Então unamo-nos Mão na Mão
    Seguremos firmes uns aos outros,
    Sejamos alegres, e mostremos Faces francas:
    Que Mortal pode se gabar
    De UM TÃO NOBRE BRINDE,
    Do que um Livre e Aceito Mason

    Constituições de Anderson – 1723

    ——————————————————————————–

    O Canto dos Companheiros
    I
    SALVE ARTE DE CONSTRUIR! Tu divino Ofício!
    Glória da Terra, vinda do Céu;
    Brilho de Jóias preciosas,
    Vendado aos Olhos de todos menos os dos Masons

    Coro
    Teus devidos louvores quem pode repeti-los
    Em Prosa vigorosa, ou em fáceis Versos?

    II
    Como os Homens dos Brutos se distinguem,
    Um Mason excede os outros Homens;
    Pois o que em Conhecimento escolhido e raro
    Não mora seguramente em seu Peito?

    Coro
    Seu Peito silencioso e seu fiel Coração
    Conservam os segredos da Arte

    III
    Contra o Calor abrasador, e o Frio penetrante;
    Contra as Bestas, cujo rugido devasta a Floresta;
    Contra os Assaltos de Guerreiros temerários
    A arte dos Masons defende a Humanidade

    Coro
    Que se renda Honra devida a essa Arte,
    Da qual a Humanidade recebe tal ajuda.

    IV
    Insígnias do Estado, que alimentam nosso Orgulho,
    Distinções importunas, e vãs!
    Pelos verdadeiros Masons são deixados de lado:
    Os Filhos da Arte nascidos livres desdenham tais Ninharias;

    Coro
    Enobrecidos pelo Nome que usam;
    Distinguidas pelas ALFAIAS que trazem

    V
    Doce Companheirismo, livre de Inveja:
    Amigável Conversa de Fraternidade;
    Seja a Loja o Cimento Durável!
    Que através dos tempos resistiu firme.

    Coro
    Uma Loja, assim construída, nos Tempos passados
    Durou, e sempre durará

    VI
    Então em nossos Cantos façamos Justiça
    Àqueles que enriqueceram a Arte,
    Desde Jabal até Burlington,
    E que cada Irmão leve sua parte.

    Coro
    Que circulem os brindes aos nobre Masons;
    E que seus Louvores ressoem na altiva Loja

    Pelo Ir.’. CARLOS DELAFAYE
    Extraído das Constituições de Anderson – 1723

    ——————————————————————————–

    O Canto dos Mestres Parte I
    Parte I

    I

    ADÃO, o primeiro do Gênero humano,
    Criado com a GEOMETRIA
    Gravada em seu Espírito Real,
    Instruiu logo sua Progenitura
    CAIM e SETH, que estão aperfeiçoaram
    A ciência liberal na Arte
    Da ARQUITETURA, que eles amavam,
    E que comunicaram a seus Descendentes.

    II

    CAIM construiu primeiro uma Cidade bela e poderosa,
    Que chamou Consagrada,
    Do Nome de ENOCH, seu Filho mais velho,
    E toda sua Raça o imitou:
    Mas o piedoso ENOCH, saído dos Flancos de Seth,
    Construiu duas Colunas com grande Habilidade:
    E reuniu toda sua Família
    Para construir verdadeiras Colunatas.

    III

    Nosso Pai NOÉ surgiu em seguida,
    Um Pedreiro também divinamente instruído;
    E sob Ordens divinas construiu
    A ARCA, que tinha uma enorme Carga:
    Ela foi construída segundo a verdadeira Geometria,
    E foi uma bela Peça de Arquitetura;
    Noé ajudado por seu filhos, em número de TRÊS,
    Concorreram juntos para o grande Projeto.

    IV

    Assim do Dilúvio universal ninguém
    Foi salvo, menos os Pedreiros e suas Esposas;
    E toda Humanidade só deles sendo
    Descendentes, fez prosperar a Arquitetura;
    Pois eles, capazes de se multiplicarem rapidamente,
    Aptos a se dispersar e povoar a Terra,
    No largo e soberbo Planalto de SHINAR,
    À ARTE DE CONSTRUIR deram um segundo Nascimento.

    V

    Pois a maioria da Humanidade foi empregada,
    Em construir a Cidade e a Torre;
    A Loja Geral ficou arrebatada de alegria,
    Com tais Efeitos do Poder dos pedreiros;
    Até que sua orgulhosa Ambição provocou
    Seu Criador a confundir a Conjura;
    Contudo se bem que em Línguas confusas falaram,
    Não esqueceram jamais a sábia Arte.

    CORO

    Quem pode revelar a Arte Real?
    Ou cantar seus Segredos em um Canto?
    Eles estão bem guardados no CORAÇÃO do Pedreiro,
    E pertencem à antiga Loja.

    (Faz-se aqui uma pausa para beber à Saúde do atual GRÃO-MESTRE)

    Fonte:
    Este cântico maçônico esta contido nas Constituições de
    James Anderson, impressa em 1723 por solicitação da Grande Loja
    da Inglaterra, que fora fundada em 1717.

    Tradução feita pelo Irmão João Nery Guimarães em 1982
    Livro: “Coluna de Harmonia” – Autor: Zaly Barros de Araújo
    Editora Maçônica “A TROLHA”

  95. A MAÇONARIA EM PORTUGAL (1727-1820)

    A origem da Maçonaria Brasileira tem muito de comum com a da Maçonaria Portuguesa, que por sua vez sofreu enorme influência das Maçonarias Francesa e Inglesa. Daí ser importante conhecermos a nossa raiz maçônica lusitana, para melhor compreendermos a nossa. Como para mim foi interessante descobrir que pelo menos dois governadores da Amazônia Colonial, foram maçons, durante o período pombalino. Por hora resta-nos esclarecer que seguimos de um modo geral, nessas anotações, os dados da Historia da Maçonaria em Portugal, da autoria de A. H. de Oliveira Marques, publicada em Lisboa, Portugal, pelo Editorial Presença, do irmão José Castellani, na História do Grande Oriente do Brasil..

    AS DUAS PRIMEIRAS LOJAS EM PORTUGAL

    Em 1717, a feitoria britânica de Lisboa contava com 90 comerciantes, que, em 1755, cresceram para mais de 150, havendo assim uma forte colônia inglesa, em Portugal. Desde aquele primeiro ano citado, a Maçonaria Inglesa estruturara-se sob a forma da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), iniciando a sua expansão mundial com a fundação da sua primeira Loja, no exterior, a nº50, em Madri, no ano de 1728. Seguiram-se as Lojas:

    51 Gibraltar

    72 Calcutá

    90 Paris

    124 Hamburgo

    126 Boston

    127 Valenciennes

    131 Haia

    133 Aubigny, na França.

    139 Savanah, Estados Unidos

    Essas eram as oficiais e regulares, embora muitas outras tenham sido criadas sem a chancela da UGLE, despreocupadas com reconhecimentos, inglesas ou não inglesas. O fato é que, em 1725, apareceu a Grande Loja da Irlanda, em Dublin, e, em 1736, a da Escócia, em Edimburgo.

    Geralmente considera-se 1727, como o ano da introdução da Maçonaria, em terras portuguesas, relacionada com a França ou a Inglaterra, sendo a data de 1728, citada por Coustos, um mártir da Maçonaria Portuguesa, perseguido pela Inquisição, citando ter ela sido fundada pelo inglês William Dugood, que já fora venerável, em sua terra. A Loja tomou força e vigor, quando foi reconhecida pela UGLE, a 17 de abril de 1735, sendo regularizada por George Gordon, matemático e escritor, no mesmo ano com a presença dos lordes George Graham e Forrester, o apoio da feitoria e da frota inglesa surta no porto de Lisboa, para apoiar Portugal contra a Espanha. A Loja tomou o nº135, e mais tarde 120, sendo criada pelo grão-mestre o conde de Weymouth. Logo foi apelidada de Loja dos Hereges Mercantes, pois era exclusivamente freqüentada por protestantes, tendo sido abatida, pela UGLE, em 1755. Havia uma outra Loja de católicos irlandeses e ingleses, fundada, em 1735, chamada de Casa Real dos Pedreiros Livres da Lusitânia, que durou até 1738. Destacava-se nessa Loja o arquiteto Carlos Mardel, húngaro de nascimento, um dos ancestrais de frei José do Santos Inocentes, um missionário do vale do rio Negro, do início do século XIX.

    Em 1738, a Maçonaria expandira-se e possuía 270 oficinas, em todo o Mundo, sendo, a seguinte, a sua distribuição::

    Inglaterra 149

    Irlanda 35

    Escócia 33

    França 15

    Colônias Americanas da Inglaterra, Toscana e Veneza 4 cada.

    Holanda Saxônia, Paises Baixos Austríacos, Turquia e Sardenha 3 cada.

    Portugal e Índia Inglesa 2 cada

    Espanha, Gibraltar, Hamburgo, Prússia, Suíça, Milão, Estados da Igreja,

    Nápoles, Dinamarca, Suécia, Polônia e Rússia 1 cada.

    A BULA IN EMINENTI APOSTOLATUS SPECULA

    Nessa época a Maçonaria foi condenada, pela primeira vez, em muitos países, por que dentro dela confraternizavam-se as religiões e se disseminavam idéias anti-absolutistas. Por esses motivos foram fechadas as lojas de Amsterdã, em 1735, da Suécia e a de Hamburgo, em 1738, e se registraram perseguições, na França.

    A Santa Sé agiu, pela primeira vez, em 28 de abril de 1738, pelos motivos já acima citados, através da Bula IN EMINENTI APOSTOLATUS SPECULA, da autoria do papa Clemente XII. Assim a Maçonaria passou a ser considerada contrária à segurança dos estados absolutistas e à Puridade religiosa de seus componentes. A Bula condenava a entrada de católicos nas Lojas, com a pena de excomunhão e determinava aos bispos e inquisidores de todos os países, que enquadrassem os maçons e procedessem às penalidades, pelo seu braço secular.

    A Bula ficou conhecida, em Lisboa, a partir 24 de junho de 1738, mas só foi divulgada a 28 de setembro, do mesmo ano, por edital, em cujo texto admoestava e dava o prazo de trinta dias, para que todos denunciassem os maçons e as lojas que conhecessem, sendo publicado nas portas de todas as Igrejas e comunicado individualmente a todo clero português. Em outros países ela foi esquecida e até mesmo, em Portugal, D. João V, que estivera em atrito com a Santa Sé, não a incluiu na legislação do Estado Português, fato que muitas vezes serviu de proteção para os mações. A Bula serviu para a criação de mais um crime sujeito à Inquisição, a de se praticar a Maçonaria, embora dubiamente não proibisse as iniciações, apenas a freqüência às Lojas.

    O FECHAMENTO DA LOJA CATÓLICA IRLANDESA

    O seu resultado imediato foi o fechamento da Loja Irlandesa de Lisboa, de formação católica. A 18 de julho de 1738, depuseram junto à Inquisição o padre Charles O’Kelly, que não sendo maçom, descreveu o que sabia, no que foi secundado pelo sargento-mor do exército Maurício Luis Magno. A 1º de agosto denunciaram-se o tenente de cavalaria Denis Hogan e o coronel de infantaria Hugh O’Kelly, venerável da Loja Casa Real dos Pedreiros Livres da Lusitânia, além de mais cinco integrantes. Suas declarações foram aceitas e, a 30 de setembro, o inquisidor cardeal Firrao declarava que nada ali se praticava contra a Fé. No acórdão final de 18 de outubro todos os inquisidores contentaram-se com o fechamento da referida Loja. A Loja protestante inglesa continuaria a funcionar, e assim permaneceria o Oriente de Lisboa até 1741.
    GRÄO-MESTRE ESTADUAL – AM ANTÔNIO JOSÉ SOUTO LOUREIRO

  96. A LOJA FRANCESA

    Neste tempo começou uma emigração de profissionais franceses: relojoeiros, ourives, alfaiates, livreiros, cabeleireiros e entre eles muitos maçons, como Jean Coustos, suíço de origem francesa, mas que se criara na Inglaterra, de nacionalidade britânica, lapidador de diamantes. Anteriormente fundara e fora venerável de uma Loja, em Paris e depois, em 1741, de outra, em Lisboa, com 30 obreiros, dos quais 75% franceses. O padre agostinho João Evangelista fez campanha contra essa Loja, conseguindo difama-la como seita herética, através de dois livros de sua autoria.

    Em outubro de 1742, a Loja foi denunciada ao Santo Ofício. Entre março e abril de 1743 foram presos Jean Coustos e numerosos irmãos. Os processos arrastaram-se, sendo os indiciados interrogados e torturados, até a realização do auto de fé de domingo, dia 21 de junho de 1744. Coustos foi condenado a quatro anos de galés e cinco anos de degredo, e os demais deixados em paz. Por instâncias do embaixador inglês, em setembro de 1744, junto aos cardeais Mota e Nuno da Cunha, o Inquisidor, Coustos foi liberado, e viajou para a Inglaterra, onde escreveu um livro sobre o que passou nas garras da Inquisição, um dos poucos escritos sobre essa terrível instituição.

    A BULA PROVIDAS ROMANORUM

    Em 1751, o papa Benedito XIV emitiu a Bula PROVIDAS ROMANORUM, com um novo texto muito semelhante à bula de Clemente XII. Mesmo não tendo o beneplácito real, para a perseguição, foi um forte motivo para que não se iniciassem muitos católicos.

    Logo tudo iria mudar com a escolha de Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e marquês de Pombal, para o cargo de Primeiro Ministro do Reino.

    Discute-se até hoje se Pombal foi ou não maçom. Ele jamais deixou que a Inquisição perseguisse qualquer maçom e isto poderia ser por vários motivos:

    1. Por não aceitar a ingerência de outros poderes, que não o do Estado, na liberdade e segurança de seus súditos.

    2. Um melhor conhecimento da Maçonaria, por ter ele e seus colaboradores observado que a Maçonaria não perturbava o Estado, mercê do juramento de fidelidade ao soberano.

    3. Por ser mesmo filiado à ordem maçônica, o que poderia ter ocorrido na Inglaterra, entre 1738 e 1744, ou na Áustria, entre 1745 e 1749, onde visitou a Loja Aux Trois Canons.

    4. Vários de seus descendentes e de seus colaboradores foram mações declarados.

    A ÉPOCA POMBALINA E O CONDE DE LIPPE

    O certo é que a Maçonaria desenvolveu-se em sua administração, graças à ação do conde reinante de Schaumburg-Lippe Friedrich Wilhelm Ernst, contratado para reorganizar o Exército Português, chegado a Portugal, 3 de julho de 1762, a convite de Pombal, ali residindo até 20 de setembro de 1764 e, de 16 de setembro de 1767 a 1º de março de 1768. O conde de Lippe foi maçom como o seu pai Albert Wolfgang também o fora, iniciado na Alemanha. Rodeou-se de oficiais maçons e os trouxe para Portugal.

    Entre eles figuravam o duque de Mecklemburg Strelitz, o barão Ruxleben e os oficiais James Ferrier, Simon Fraser, Michael Kinselach e outros. Esses mercenários fundaram lojas em Lisboa, Valença e Funchal e outras em Coimbra, Almeida, Elvas, Olivença e Estremós. O nome de Lippe ainda era lembrado em pleno século XIX, como o do grande incentivador da Maçonaria em terras lusitanas.

    O CONDE DE LIPPE

    A Maçonaria desse tempo era diferente da dos tempos anteriores, quando se compunha de pequenos comerciantes e artesãos, agora estava composta por oficiais militares pensantes. A primeira, a joanina não possuía muita importância social, a josefina era norteada pelas questões filosóficas religiosas, mas ainda não era liberal.

    Um dos últimos atos do consulado pombalino foi o Regulamento da Inquisição, de 14 de agosto de 1774, onde se omitiu qualquer referência à Maçonaria e aos maçons, na lista de crimes sob a alçada do Santo Ofício, ficando neutralizadas as duas bulas papais até aqui citadas, por ferirem a autoridade do Estado e do Príncipe.

    CONCORDIA FRATRUM E O TOQUE

    (PAULO, SEBASTIÃO JOSÉ E FRANCISCO XAVIER)

    GRÄO-MESTRE ESTADUAL – AM ANTÔNIO JOSÉ SOUTO LOUREIRO

  97. A VIRADEIRA

    A queda do Marques de Pombal, com a morte de D. José I, a 24 de fevereiro de 1777, ensejou uma nova perseguição à Maçonaria agora pela perspectiva de seita libertina, de maus costumes e de más idéias. Logo foram abertos inquéritos na loja militar de Valença, de onde saíram condenados no auto de fé de 11 de outubro de 1778, cerca de dez maçons. Apenas três ou quatro Lojas funcionavam no País, sendo duas, na Madeira.

    Em 1779, fundava-se a primeira organização paramaçônica, com estatutos de 24 de dezembro, a Academia Real das Ciências.

    Em 1789, com a Revolução francesa, as suspeitas contra a Maçonaria cresceram. O intendente geral de polícia de Lisboa Pina Manique combatia os pedreiros desde os anos anteriores, quando, em maio de 1787, desejou prender Giuseppe Balsamo, o conde Cagliostro, oculto pelo nome conde Stefen, foi impedido pelo seu largo prestígio na sociedade em geral..

    Os anos seguintes foram de florescimento para a Maçonaria, com a chegada dos emigrados franceses, entre os quais o duque de Luxemburgo, marechal de campo e maçom ilustre.

    A PERSEGUIÇÃO DE PINA MANIQUE (1791-92)

    Pina Manique e sua polícia preocupavam-se com o desenvolvimento das chamadas idéias libertinas, subversivas, revolucionárias vindas da França. Em Lisboa, entre outubro de 1791 e julho de 1792 foram presas algumas dezenas de pessoas da plebe e da pequena burguesia, sem grandes importâncias e entre elas alguns maçons, embora houvesse denúncias contra Martinho de Melo e Castro, secretário da Marinha e Ultramar, 2º Marquês de Pombal, e Dom José de Noronha, juiz da Mina e da Índia.

    Como sempre, policiais e inquisidores nada de mais encontraram contra a autoridade do Príncipe e a pureza da Fé, no que se recusavam a acreditar. Depois do Edital do Santo Ofício de 12 de fevereiro de 1792. Em Lisboa as denúncias foram poucas, mas na ilha da Madeira subiram a 126, envolvendo 133 pedreiros-livres dos mais variados grupos sociais, inclusive o governador da ilha Dom Diogo Pereira Forjaz Coutinho.

    Na verdade ninguém foi preso, com o Santo Ofício registrando a penas as pessoas e mantendo-as sob vigilância. Mas disso não sabiam os maçons madeirenses. Na noite de 18 para 19 de abril de 1792, saiu de Funchal, o bergantim Dois Amigos, pertencente a dois maçons, içando uma bandeira branca com os dizeres Asylum querimus, que aportou a Nova Iorque, onde foram recebidos pelos irmãos americanos. Seriam ao todo onze maçons e suas famílias, muitos dos quais retornaram cessadas as denúncias.

    A Madeira era então um grande centro maçônico, tendo duas lojas portuguesas e uma inglesa, com mais de 200 obreiros. Apesar das perseguições do bispo D. José da Costa Torres, os maçons continuaram as reuniões em suas casas e sítios.

    Em 1797, entrou no Tejo, uma esquadra de 39 navios e 6000 homens, para apoiar Portugal na guerra contra Napoleão. No fim de 1800, esta tropa reduzira-se a três regimentos de emigrados franceses e um regimento de cavalaria inglês, que tiveram uma grande influencia nas mudanças da Maçonaria Portuguesa, principalmente os franceses.

    O GRANDE ORIENTE LUSITANO

    Em 1801, reuniu-se, no palácio de Gomes Freire de Andrade, uma Assembléia de mais de 200 maçons, presidida pelo venerável da Loja Concórdia, José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira, para constituir uma Grande Loja. Em janeiro de 1802, a comissão responsável constituída por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça. O padre José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira e o prior José Ferrão de Mendonça e Souza estiveram com o ministro Rodrigo de Souza Coutinho, maçom, de quem obtiveram a promessa de que a Maçonaria não seria perseguida. Hipólito partiu para Londres, em abril de 1802, para negociar com a UGLE, o reconhecimento de uma Grande Loja Portuguesa e já em maio os registros britânicos informavam a existência de quatro lojas estruturadas em um Grande Oriente Lusitano. Após este acordo foi assinado, a 25 de abril de 1804, o Tratado com o Grande Oriente da França. Antes foi eleito primeiro Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa o desembargador Sebastião de Sampaio.

    Foi nessa época que começaram a ser fundadas as primeiras Lojas, no Brasil, das quais iremos ocupar-nos em artigo próximo.

    Apesar da Maçonaria Portuguesa estar em franco crescimento, contando em suas colunas membros da alta nobreza, como os duques de Lafões e do Cadaval, os marqueses de Alegrete, Alvito, Anjeja, Lavradio. Loulé, Minas, Nisa, Ponte do Lima e Sabugosa, dos condes de Almada, Castro Marim, Mafra, Redinha, Resende, Rio Maior, Sabugal e São Miguel, viscondes de Asseca, Bahia e Balsemão e o barão de Manique, do clero, ao ponto de se dizer que a sede do Grande Oriente estava no Mosteiro de São Vicente de Fora, dos cônegos regrantes de Santo Agostinho, da fidalguia menor, das letras, e das ciências, uma nova perseguição iniciou-se, em maio de 1806. Com o andar das investigações, logo parou, quando verificaram que a Maçonaria tinha gente de peso. No Brasil, o conde dos Arcos fez violenta perseguição, naquele ano, ao ponto de cessarem as atividades maçônicas.

    Neste ano, a Maçonaria Lusitana possuía oito Lojas em Lisboa (União, Regeneração, Virtude, Fortaleza, Amizade, Concórdia, Amor da Razão e Beneficência), três no Brasil (Virtude e Razão, na Bahia, e a Constância e a Filantropia, no Rio), uma em Tomar (Fidelidade), uma no Porto, uma em Coimbra, uma em Setúbal e uma em Funchal na Madeira, com mais de 500 obreiros. Essas Lojas estavam voltadas para as duas tendências maçônicas de então: a francesa e a inglesa. Essas diretrizes se chocaram, em 1803, quando da rixa entre a Real Guarda de Polícia de Lisboa, comandada pelo maçom francês conde de Novion e o 4º Regimento de Infantaria, comandado pelo general Gomes Freire de Andrade, auxiliado pela Legião de Alorna, de tendências britânicas. D.João ficou ao lado dos franceses e transferiu o Regimento para Cascais, prendendo Gomes Freire. Isto iria repercutir alguns anos depois. Ainda em 1806, foi aprovada a primeira Constituição Maçônica Portuguesa.

    GRÄO-MESTRE ESTADUAL – AM ANTÔNIO JOSÉ SOUTO LOUREIRO

  98. AS INVASÕES NAPOLEÔNICAS – A MAÇONARIA FRANCÓFILA

    No dia 30 de novembro de 1807, o general Andoche Junot e suas tropas entraram em Lisboa, que ficou nas suas mãos até 15 de setembro de 1808, iniciando uma longa ocupação até maio de 1811.

    A maior parte dos mações simpatizava com o ideário e os objetivos da Revolução Francesa, além dos invasores dizerem que vinham como protetores e amigos. As ações do exército franco-espanhol, porém eram outras, destruindo, aprisionando, matando e vigiando a Maçonaria. Junot pretendeu assumir o Grande Oriente Lusitano, em 1808, mas a grande maioria dos obreiros rejeitou a sua pretensão e todos os trabalhos maçônicos foram suspensos.

    As invasões francesas comandadas por Junot, Soult e Massena não trouxeram benefícios à Maçonaria, pois ela ficou dividida em patriotas e francófilos, e mesmo depois da derrota dos franceses o povo considerava indistintamente os maçons como traidores e colaboracionistas. Entre os francófilos chegou a ser formada a Legião Portuguesa, para combater ao lado da França, que teve uma loja, a Cavaleiros da Cruz, em Grenoble, dirigida pelo venerável Gomes Freire de Andrade.

    O resultado dessa situação foram as perseguições de 1809. Os mações indiscriminadamente ou foram presos nas masmorras do Santo Ofício, do Limoeiro e do Castelo, ou desterrados, muitos perderam os seus empregos, e alguns morreram naquelas prisões.

    A maior ação foi a da Quinta Feira Santa, 30 de março de 1809, quando, por denúncia de Maurício José Moreira, um maçom mais fraco, a polícia fez buscas e apreensões em residências e apreendeu os arquivos do Grande Oriente Lusitano. Foram presos 17 pedreiros-livres, sendo o delator solto, os civis, com prisão domiciliar fixa e os militares, como Felipe Alberto Patroni, oficial da Marinha, natural do Pará, continuaram encarcerados por mais algum tempo. Patroni, como deputado pela Capitania do Pará, em 1820, lutaria pela aprovação da Constituição Portuguesa.

    As perseguições de 1810 foram ainda mais graves. Entre 10 e 13 de setembro daquele ano, na chamada Setembrizada foram presos uns 50 mações, sendo todos deportados para a ilha Terceira e depois distribuídos pelo arquipélago dos Açores.. Entre eles estavam alguns dos prisioneiros de 1809, inclusive o nosso amazônico Felipe Patroni.

    Por muito tempo a Maçonaria permaneceu latente. Como o Grão-Mestre Sebastião de Sampaio fora deportado para os Açores e depois mandado para a Inglaterra, pelos mações ingleses, foi substituído pelo tenente-coronel de Infantaria Fernando Romão da Costa de Ataíde e Teive de Souza Coutinho. Ataíde e Teive era filho de Fernando da Costa de Ataíde e Teive de Souza Coutinho, governador do Estado do Grão Pará e do Rio Negro e Comandante de Armas do Alentejo, no tempo de Pombal.

    Com a presença das forças militares inglesas, nas lutas pela manutenção de Portugal, fora do domínio de Napoleão, a maçonaria do tipo inglês voltou a ter prestígio.

    A VOLTA DA MAÇONARIA INGLESA

    Estando a Família Real no Brasil, desde 1808, Portugal ficou sob a proteção das forças armadas inglesas. E logo a Maçonaria cresceu sob a sua proteção. Fato inusitado foi o desfile de 27 de dezembro de 1809, feito pela Loja Militar do 2º Batalhão do 58º Regimento de Infantaria, ligado a Loja Two Parallel, de Jersey. Os maçons paramentados passearam, em procissão, pelas ruas de Lisboa, entre o Castelo de São Jorge até à casa da Nação Britânica, com estandarte, painel e insígnias, o que foi considerado um insulto aos portugueses. Daí para frente o general Wellington, em 1810, proibiu os referidos passeios e reuniões dentro do exército sob seu comando.

    Os prisioneiros franceses chegaram a formar uma loja, na cidadela de Cascais, preocupando a Polícia.

    Em 1810, Hipólito José da Costa fundou a Loja Lusitana, em Londres, e a Maçonaria Brasileira cresceu bastante, sendo formadas novas Lojas.

    Contra tudo o que estava previsto na Maçonaria, a viscondessa de Juromenha, tida por amante do Lorde Beresford, o regente inglês, foi iniciada, para saber das intimidades do general e das suas intenções quanto à Maçonaria.

    O RETORNO DOS EXILADOS

    A partir de 1814 e 1815, começaram a retornar os exilados que haviam ficado do lado francês. O grão-mestre Sebastião de Sampaio voltou da Inglaterra, com Gomes Freire de Andrade, eleito Grão-Mestre, no final de 1815. Foi então a Maçonaria reorganizada, novas Lojas criadas. Dizia-se que existiam de 3 a 4.000 maçons, em Portugal, e uns 6.000, no Brasil, onde talvez nem ultrapassassem os 600.

    Em maio de 1817, a Polícia invadiu uma casa onde funcionara uma Loja Foi apreendido o mobiliário: colunas J e B, balaustrada, panos pretos, triângulos, etc.

    A movimentação política agitou-se nesse ano. A 6 de março eclodiu a revolta republicana de Pernambuco, o maior centro maçônico do Brasil, onde após 74 dias de lutas, muitos foram presos, e treze condenados à morte. A rebelião fora apoiada pelo Grão-Mestre do Grande Oriente Brasileiro Antonio Carlos Ribeiro de Andrada e outros mações.

    Quase ao mesmo tempo, o descontentamento contra a Regência e as tropas inglesas tomou vulto, com os mações conspirando, em Lisboa. Em maio, três irmãos traidores, atemorizados com os acontecimentos de Pernambuco, denunciaram uma conjura, no seio do Grande Oriente Lusitano, visando à derrubada da Regência. A Polícia atuou rapidamente com muitas prisões, inclusive a do Grão-Mestre Gomes Freire de Andrade. Também os processos correram céleres. Gomes Freire foi sentenciado, a 15 de outubro de 1817, e enforcado a 18 do mesmo mês, junto à fortaleza de São Julião da Barra, enquanto outros onze foram suspensos na forca do Campo de Santana, em Lisboa, três foram deportados, um expulso do País e os três delatores, absolvidos. Do grupo dos enforcados cinco eram sem dúvida mações, além do expulso do País.

    Na prisão Gomes Freire foi sempre apoiado pelos mações ingleses, ao ponto da Polícia ter acusado o comandante da fortaleza de São João o maçom marechal Archibald Campbell, e o tenente-coronel do regimento 19º Robert Haddock, de tentarem obstruir a Justiça.

    GOMES FREIRE DE ANDRADE

    Antecipando-se ao que poderia acontecer, após as prisões de numerosos obreiros, a Ordem mandou suspender todos os trabalhos, as reuniões passaram a ser informais e foi criada a Loja Segurança, como centro comum, tudo isto em maio de 1817.

    A 30 de março de 1818, foi promulgado, no Brasil, o primeiro Alvará Antimaçônico. O Inquisidor Geral Dom José Maria de Melo regozijou-se e convocou a todos para uma caçada às feras maçônicas inimigas do Altar e do Trono. E completava dizendo que todos os mações deveriam ser excluídos dos serviços públicos e eclesiásticos, como já fora feito com judeus, mouros e mulatos. A partir de então pertencer à Maçonaria significava perder os seus bens, ter em seu poder livros, símbolos, estampas, selos, medalhas, catecismos (rituais) e impressos relativos à prática maçônica. Os mações passavam a incorrer em crime de lesa majestade, sendo traidores e condenados à morte cruel.

    De 1817 a 1820 a Maçonaria ficou quase inativa, em Portugal, embora continuasse a existir medrosamente a Loja Segurança Regeneradora, centralizando toda a atividade maçônica. Apesar disto surgiram as Lojas Sapiência, de Coimbra, e a Liberalidade, loja militar de Elvas. A Loja Regeneração levantou colunas.

    O SINÉDRIO

    Foi constituído no Porto, em 22 de janeiro de 1818, com quatro membros, todos mações e foi crescendo até se tornar um capitulo maçônico. Foi ele que organizou a Revolução de 24 de agosto de 1820, no Porto, logo secundada em Lisboa. Foi um movimento liberal, que levou muitos mações ao poder e a transformar, em Monarquia Constitucional, a Monarquia Absolutista Portuguesa..

    GRÄO-MESTRE ESTADUAL – AM ANTÔNIO JOSÉ SOUTO LOUREIRO

  99. PILULA MAÇÔNICA Nº 51

    Os Três Pontos

    A data de 1717 é tida como a divisória entre a Maçonaria Operativa e a Maçonaria Especulativa. Houve, nesta última, a partir dessa data, um incremento na Ritualística com novos eventos na Iniciação e nos demais acontecimentos.
    Essa Ritualística tinha sua “fala” decorada e era proibido fazer cópias manuscritas. Com o passar dos anos, houve uma perda do controle e começaram a aparecer cópias no ambiente maçônico do mundo todo.
    Para dificultar o entendimento, caso essas cópias caíssem em mãos de profanos, as palavras foram abreviadas. Essa supressão de fonema ou de sílaba no final da palavra denomina-se “APOCOPE”.
    Esse sistema era, e é ainda, usado também em documentos transferidos entre Potências Maçônicas. Na Inglaterra, EUA, Nova Zelândia e Austrália essa abreviação é feita por um ponto, somente. Na França, e paises da América Latina, que é o caso do Brasil, a abreviação é tripontuada.
    Nos países onde houve influencia da Maçonaria Francesa, é comum colocar os três pontos no final da assinatura, ou entremeados na mesma. Não se sabe bem o motivo de tal comportamento. Provavelmente, uma maneira, não oficial, de reconhecimento entre Maçons.
    O conjunto de três pontos não é um Símbolo e nem representa nada na Maçonaria, e é usado somente em alguns países. Mesmo assim, não faltaram Maçons de mente fértil que inventaram representações para eles como o Delta Sagrado, as Três Luzes da Loja, etc, etc. Mackey em sua Enciclopédia deixa isso bem claro: “não é um Símbolo; simplesmente uma abreviatura. Qualquer coisa fora desse sentido é futilidade”.

    M.’.I.’. Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  100. Euripes dos Santos disse:

    Boa noite amado irmão
    Estive lendo vosso esclarecimento acrca de se usar o sinal do grau em movimento, o que deve ser feito somente na marcha do grau.
    Sou do rito Adonhiramita e além da marcha do grau, toda a circulação de irmão deve ser feito sempre á ordem do grau, jamais circulando sem este, a não ser quando portando objetos de uso.
    Espero ter contribuido com um pouco de nosso rito.
    Saudações fraternais do amado irmão Euripes.

  101. Código da Moral Maçônica

    01 – Adora o G.’.A.’.D.’.U.’. que é Deus.
    02 – Ama a teu próximo como a ti mesmo.
    03 – Ama a Pátria e a Família.
    04 – A tolerância não vai ao ponto de proteger imorais.
    05 – Dizei a verdade e proceda com retidão.
    06 – Escuta sempre a voz de tua consciência.
    07 – Educa, ensina e moraliza pelo Exemplo.
    08 – Fazei o bem pelo próprio bem.
    09 – Foge a contendas, evita insultos.
    10 – Lê e medita, vê e imita o que é bom, reflete e trabalha.
    11 – Não te envergonhes do teu ofício, nem de confessar os teus erros.
    12 – Não faças mal a ninguém.
    13 – Respeita a mulher e nunca abuse de sua fraqueza.
    14 – Sofre com resignação e confia no futuro.
    15 – Tem por divisa a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

    Extraído do site http://www.lojahugosimas.com.br/?q=node/160

  102. Fernando disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 52

    Lembrando aos Aprendizes que…

    Trono e Altar são coisas diferentes. Trono é uma cadeira ou poltrona, normalmente num nível elevado, onde o Venerável Mestre da Loja senta. Altar é uma mesa, ou pedestal quadrado, onde são realizadas certas cerimônias. O Altar do Venerável Mestre (ou de Salomão) fica em frente do Trono. É onde fica a Espada Flamígera, o castiçal para três velas e onde, antigamente, eram feitos alguns juramentos. Sólio é sinônimo de trono.
    Existem três tipos de Altares no Templo (R.E.A.A.): Altar do Venerável Mestre, Altar dos Juramentos e o Altar dos Perfumes. Os Vigilantes não têm altares. Eles têm mesas, sem a mínima necessidade de serem triangulares, comumente encontradas nos nossos Templos.
    Telhar e Trolhar são coisas totalmente diversas. Trolhar, na Maçonaria, é alisar as asperezas, aparar as diferenças entre os Obreiros. A Trolha, que é uma “colher de pedreiro”, é usada para alisar a argamassa. Telhar, na Maçonaria, é verificar, através de perguntas, se uma pessoa é realmente Maçom e se está no Grau requerido. Ou para verificar se um Maçom está inteirado de conhecimentos num determinado Grau.
    Cobrir o Templo é protegê-lo de tal forma que, pessoas que estão fora não saibam o que está ocorrendo dentro dele. É um erro crasso pedir aos Aprendizes, ou Companheiros, ou Mestres, cobrirem o templo temporariamente. O Templo é que será coberto para eles. Ou seja, eles não saberão o que ocorrerá dentro desse Templo, num determinado período de tempo. Quem cobre o Templo é o Cobridor Externo.
    No local onde está escrito (inclusive em alguns rituais), referindo-se ao Salmo 133: “ …; como o orvalho de Hermon, que desce sobre…”, está errado! Hermon não é um tipo de orvalho. Hermon é uma montanha que produz orvalho nas suas encostas. Portanto, o correto é: “… ;como o orvalho do Hermon, que desce sobre….”.
    Aclamação é aprovar, saudar, através de brados. Diferente, portanto, de exclamação.

    MMAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  103. Princípios e Postulados Maçônicos

    José Geraldo de Lucena Soares

    ARLS Fraternidade Judiciária – 3614- Gosp – Gob

    Kadosch 2 – SP.

    A Maçonaria como qualquer Instituição possui seus princípios e postulados que servem para seu governo e sobrevivência ao longo dos séculos.
    Sem essas medidas iniciais não teria nenhuma chance de atravessar os tempos desde sua criação até nossos dias com seus ensinamentos puros de moralidade, ética, crença no GADU, vida eterna, filosóficos, esotéricos, simbólicos, alegóricos, amor ao próximo e tantos outros sentimentos nobres que devem ser cultivados pelos seres humanos, especialmente os iniciados na Ordem.
    Todo esse acervo de virtudes e conhecimentos consubstancia a doutrina maçônica que com o passar da vida o maçom deve aprender e executá-lo, na esperança de ser um bom obreiro honrando a si mesmo e homenageando a Fraternidade da qual é um membro.
    Assim, podemos afirmar que princípio é o ponto inicial que algo tem sua origem ou o instante em que uma ação ou omissão desencadeia um processo de conhecimento objetivando um resultado.
    Na Sublime Ordem esses princípios são iniciático, filosófico, filantrópico, progressista e evolucionista, cuja finalidade suprema nos conduz a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, reminiscência da Revolução Francesa que, por sua vez, inspirou-se no Iluminismo do Século XVII.
    Além desses princípios e objetivos, a Ordem preconiza quatorze cultivos para auxiliar sua caminhada no âmbito social que são: prevalência do espírito sobre a matéria; pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade; proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um; declara a plena liberdade de expressão do pensamento, como direito fundamental do ser humano, observada correlata responsabilidade; reconhece o trabalho como dever social e direito inalienável; considera Irmão todos os Maçons, quaisquer que sejam suas raças, nacionalidades, convicções ou crenças; afirma que os Maçons têm os seguintes deveres essenciais: amor à família, fidelidade e devotamento à Pátria e obediência à lei; determina que os maçons estendam e liberalizem os laços fraternais que os unem a todos os homens esparsos pela superfície da terra; recomenda a divulgação de sua doutrina pelo exemplo e pela palavra e combate, terminantemente, o recurso à força e à violência para a consecução de quaisquer objetivos; adota sinais e emblemas de elevada significação simbólica; defende que nenhum Maçom seja obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei; condena a exploração do homem, os privilégios e as regalias, enaltecendo, porém, o mérito da inteligência e da virtude, bem como o valor demonstrado na prestação de serviços à Ordem, à Pátria e à Humanidade; declara que o sectarismo político, religioso e racial são incompatíveis com a universalidade do espírito maçônico e, por fim, combate a ignorância, a superstição e a tirania.
    Estes são, portanto, os princípios, fins e cultivos ou recomendações sociais que o sistema maçônico enumera para cumprimento de sua comunidade.
    Por outro lado, os postulados são afirmações consideradas verdadeiras e que não precisam ser comprovadas face às evidências.
    Esses postulados a seguir enumerados são os adotados pela Maçonaria Universal e, assim, temos a existência de um Ser que não teve começo e não terá fim, que é o Grande Arquiteto do Universo; o sigilo que é da essência da entidade maçônica em se tratando de matéria esotérica; o simbolismo que é uma comunicação de uma geração para outra; a Maçonaria Azul dividida em três graus, também conhecida como Simbólica ou ainda Operativa; a Lenda do Terceiro Grau e sua incorporação aos Rituais; exclusividade de iniciação masculina; proibição de discussão ou controvérsia sobre matéria político-partidária, religiosa e racial, dentro dos templos ou fora deles, em seu nome; manutenção das Três Grandes Luzes da Maçonaria: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, sempre à vista, em todas as sessões das Lojas e o uso de avental durante as sessões.
    Esses princípios, fins, cultivos sociais e postulados estão previstos nos artigos primeiro e segundo da Constituição do Grande Oriente do Brasil promulgada em 25 de junho de 2007.
    Observe-se ainda que esta Carta Magna Maçônica vige somente no âmbito da Maçonaria Operativa Brasileira e se amolda expressa e implicitamente ao “Código Landmarks de Mackey.”
    O Decreto número 0879 da mesma data da promulgação (25/6/2007, E.V.) editado pelo Grão-Mestrado Geral do Grande Oriente do Brasil reza na parte que ora interessa a esta exposição a comunicação “a todos Grandes Orientes Estaduais, Delegacias, Lojas e Maçons da Jurisdição, para que cumpram e façam cumprir, que a Assembléia Federal Constituinte adotou e promulgou a Nova Constituição do Grande Oriente do Brasil, pela qual passará a reger-se a Maçonaria Simbólica Brasileira, com validade a partir de 25 de junho de 2007 da E. V., ficando o Grande Secretário Geral de Administração incumbido da notificação.”
    Estes preceitos constituem todo alicerce da Instituição Maçônica Universal inspirados nos Landmarks compilados por Albert Galletin Mackey em 1856.
    Oportunamente poderemos tecer algumas considerações sobre essas regras maçônicas.

  104. Antonio Carlos Cavalheiro da Silva disse:

    Muito bom. Deveríamos ter mais artigos publicados demonstrando as diferenças. sempre atuais.

  105. PILULA MAÇÔNICA Nº 53

    As Duas Colunas Externas dos Templos

    Desde as épocas mais remotas da Civilização, a mente humana se volta para os “deuses” na procura de esclarecimentos e auxílio divino para a vida cotidiana.
    Temerosos e, consequentemente, devotos, os primitivos ofertavam comidas, objetos e sacrifícios para aplacar a ira dos “deuses” que se manifestava pela intempérie e animais selvagens. O local onde eles faziam essas oferendas era “solo sagrado”, provavelmente, num recanto sombrio de uma floresta, e só os mais “esclarecidos” podiam fazê-las.
    Com a evolução e certa estabilidade, o ser humano rudimentar tornou-se observador do céu e do horizonte. E ele começou a perceber que o Sol (sem dúvidas um dos deuses) nem sempre sumia no horizonte no mesmo local. Percebeu que o Sol se deslocava para a direita por um determinado tempo. Parava por um período e retrocedia no sentido contrário e parava novamente, agora no lado oposto. E repetia tudo novamente.
    Percebeu, também, que a claridade (horas de sol) variava com esse deslocamento. E, mais importante, associou o tempo frio, a neve, a alta temperatura, as chuvas, etc com esse deslocamento, e com a melhor época de plantio, de enchente dos rios, etc.
    Com isso, o “solo sagrado” foi deslocado para o cume de um pequeno monte, onde o sacerdote podia observar o horizonte e verificar onde o Sol estava se pondo e fazer seus presságios dos sinais observados. Para melhor controle, os sacerdotes colocaram nos dois extremos atingidos pelo Sol, duas estacas, que posteriormente se transformaram em colunas.
    O “solo sagrado”, agora fixo num determinado local, recebeu para melhor proteção dos sacerdotes (augures) uma cobertura, e posteriormente, paredes feitas de pedras, transformando-se num Templo do passado.
    Devo esclarecer que a palavra Templum vem do latim e era a denominação dada a essa faixa do horizonte, entre as duas colunas, onde as adivinhações eram feitas. O Sacerdote contemplava aquela região e tirava as conclusões.
    Com o passar dos tempos, os Templos, locais agora onde os adoradores iam rezar e fazer suas oferendas, mantinham na frente, na parte externa, as duas colunas. Virou tradição. Todos os Templos construídos, mesmo sem saber o “por que” daquilo, tinham que ter as duas colunas.

    Hoje nós sabemos que o deslocamento do Sol é aparente (quem se desloca é a Terra) e os pontos assinalados pelas estacas são os Solstícios (de Inverno e de Verão) e o meio deles assinala o Equinócio.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  106. Fernando disse:

    A Astronomia e a Astrologia são ciências extremamente importantes, mas não é de nosso interesse, e nem tenho capacidade de fazer um tratado sobre os Solstícios e os Equinócios.

    Vou simplesmente dar algumas definições e conclusões, da maneira mais pratica possível e, no final, fazer uma observação, que ao meu ver é de extrema importância pois definiu eventos religiosos importantes.

    É sabido que a Terra tem movimento de rotação em torno de seu próprio eixo e gira em torno do Sol num trajeto com formato de uma elipse. Entretanto, se tomarmos um ponto da Terra como “referência”, aparentemente, o Sol nasce no Leste e se põe no Oeste. Só que não nasce sempre no mesmo local. Ele caminha num sentido (para a direita, por exemplo), permanece parado por um período, e volta no sentido contrário até atingir o outro extremo. Permanece parado por um período e recomeça tudo outra vez. Leva seis meses para ir de um extremo a outro e, portanto, um ano para voltar ao mesmo extremo.

    Essas aparentes “paradas”, que são as posições da Terra nos extremos mais longos da elipse, são chamados de “Solstícios” de Verão e de Inverno. Abaixo da Linha do Equador ocorrem em 24 de dezembro e em 24 de junho, aproximadamente. Acima da Linha do Equador, as datas são as mesmas, e onde é Verão é Inverno e vice-versa.

    O “Equinócio” é quando o Sol encontra-se no meio dos dois extremos. E, obviamente, temos também dois: o de Outono e da Primavera.

    O mais interessante de tudo que foi escrito é que, nos Solstícios, a quantidade de horas de sol (claridade) e de escuridão varia durante o período de 24h do dia , e se alterna.

    Desse modo, no Solstício de Verão a quantidade de horas de claridade é muito maior que a escuridão, durante as 24h de um dia. E ao contrário no Solstício de Inverno.

    Como o Sol, nas religiões das civilizações antigas era considerado como um dos “deuses”, essa variação crescente da sua presença durante seis meses nos dias, foi base de uma religião muito antiga chamada “Solis Invictus” (e também do Mitraismo).

    Recapitulando, o Solstício de Inverno, acima da Linha do Equador, que foi onde as civilizações mais se desenvolveram, no dia 24 de dezembro tinha uma quantidade maior de horas de escuridão do que as de claridade. E, a partir desse dia, essa religião comemorava sua festa máxima que era o “Natalis Solis Invictus” que era quando o Sol começava a aumentar sua presença ao longo dos dias, até o próximo Equinócio quando as horas de escuridão e claridade seriam iguais. Esse dia era de extrema importância para os adeptos dessa religião: era quando o “Sol nascia e crescia em força e vigor”.

    O cristianismo, na época de Constantino, o Grande, foi alçada à condição de religião de Estado, apesar de que ele próprio, até próximo a sua morte, pertenceu a religião “Solis Invistus”. A festa máxima era o nascimento de Jesus Cristo, que era comemorada em 06 de janeiro.

    Entretanto, como foi uma religião “imposta” pelos governantes, as convicções antigas permaneceram e eram também comemoradas. Para resolver esse problema, as festas católicas tiveram as datas trocadas, coincidindo com as antigas festas do “Solis Invictus”.

    Inclusive, a data de nascimento de Jesus que era comemorada em 06 de janeiro, foi trocada para a data de 24 de dezembro, por Constantino em 521 d.C.

    Desse modo, a atitude de um déspota daquela época, que por interesses político e temporal, influenciou, e continua a influenciar, no comportamento de milhares de pessoas, no tocante as suas convicções religiosas.

    M.:M.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

    P.S.: de um lugar fixo do meu quintal, desde 12/05/2009, venho obtendo fotos, duas vezes ao mês, do “pôr” do Sol para registrar essa caminhada aparente do mesmo. É muito interessante, pois é algo que ocorre continuadamente e não nos damos conta.

  107. PILULA MAÇÔNICA Nº 55

    A Loja de York

    A cidade de York, apesar de nos seus primórdios ter tido outro nome, já nasceu famosa pois essa província foi escolhida pelos romanos para conter as residências dos Imperadores e dos altos comandantes durante a estadia deles no norte da Inglaterra. O antigo nome era Eboracum e foi considerada a capital do norte desse país por muito tempo (estamos falando da época aproximada de 50 a.C).
    Referente à Maçonaria, conta-se muita coisa, e não se sabe se é lenda ou história verdadeira. É dito que no ano 926 d.C, nessa cidade, teria sido realizada uma Assembléia Geral de Maçons, convocada pelo príncipe Edwin, irmão ou filho do Rei Saxão Athelstan.
    A finalidade desta Assembléia era a de gerar uma Constituição que serviria de lei única para a Fraternidade dos Maçons. Essa Constituição, também chamada de “Manuscrito de Krauser” (foi dito ele ter feito a tradução do original) foi acreditada por muitos durante muito tempo, porém dúvidas apareceram sobre sua existência e veracidade. Em 1864, J.G.Findel foi designado pela Maçonaria alemã para descobrir o documento original, mas nada encontrou.
    A Loja de York era de considerável idade tendo originalmente sido uma Loja Operativa. Sabe-se que em 1705, essa Loja e outras fundaram uma espécie de Federação. Em 1725, estimulada pelo sucesso da Grande Loja de Londres e Westminster , essa Federação transformou-se em uma Grande Loja sob o título de “Grande Loja de Toda a Inglaterra”, com sede em York e redigiu 19 artigos que deveriam ser seguidos.
    De 1740 até 1760 esse corpo ficou mais ou menos dormente, mas em 1761 a Grande Loja dos Modernos deu uma Carta Constitutiva a uma Loja em New York o que estimulou o interesse da Grande Loja original, resultando então na formação de 14 Lojas em Yorkshire, Lancashire e Cheshire.
    Em 1790 a “Grande Loja de Toda Inglaterra” abateu Colunas (foi extinta), tendo seus antigos registros preservados, até hoje, pela Loja de York nº 236.
    Não se sabe com certeza como que foi seu Ritual ainda que numerosas Lojas americanas se dizem hoje do Rito de York, o qual permanece em vigor nos EUA.
    Entretanto, isso é assunto para uma próxima “Pílula Maçônica”.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  108. PILULA MAÇÔNICA Nº 56

    As Seis Grandes Lojas da Inglaterra

    Nos séculos XVIII e inicio do século XIX ocorreu na Inglaterra uma formação simultânea de “Grandes Lojas”, começando pela primeira em todo o mundo, que foi a Grande Loja de Londres e Westminster, em 1717. Posteriormente, algo semelhante ocorreria, também, nos demais países.
    Baseando-me em livros de origem inglesa, inclusive um pequeno livro editado pela Grande Loja Unida da Inglaterra, a mim ofertado pelo meu Irmão gêmeo Pedro Américo (The History of English Freemasonry), vou expor abaixo um resumo das seis Grandes Lojas que apareceram na Inglaterra naquela época.
    • A primeira delas foi a “Grande Loja de Londres e Westminster”, de 1717, a mãe de todas as Grandes Lojas do mundo, que permaneceu ativa ao longo dos anos, transformando-se, em 1813, na Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).
    • A segunda delas, apareceu em 1725: a antiga Loja da cidade de York, norte da Inglaterra, transformou-se na “Grande Loja de Toda a Inglaterra”. Entretanto, sua influencia se restringia nas províncias de York, Cheshire, e Lancashire. Ela existiu por algumas décadas, elegendo seus próprios Grãos Mestres, erigindo também suas próprias oficinas de Royal Arch e Cavaleiros Templários.
    Dessa Grande Loja apareceu uma outra em 1779, que será a 4ª em nossa seqüência..
    • A terceira Grande Loja foi a “Grande Loja dos Antigos” em 1751, a qual, juntando-se, em 1813, com a primeira mencionada acima, também conhecida como a dos “Modernos”, formou a “Grande Loja Unida da Inglaterra” (GLUI).
    • A quarta foi formada em 1779. Com a responsabilidade e autoridade da Grande Loja de Toda Inglaterra foi formada a “Grande Loja do Sul do Rio Trent”, constituída de antigas Lojas que estavam em desacordo com as diretrizes da primeira Grande Loja.
    Em 1788, ajuntou-se com a terceira das Grandes Lojas, a “Grande Loja dos Antigos” e parou de existir.
    • A quinta delas, e é a que existe hoje, foi formada em 1813. A primeira Grande Loja juntou-se com a “Grande Loja dos Antigos” para dar ao mundo maçônico a “Grande Loja Unida dos Antigos Maçons, Livres e Aceitos da Inglaterra”, conhecida por todos hoje em dia como a “Grande Loja Unida da Inglaterra” (GLUI)
    • A sexta e ultima apareceu e sumiu da seguinte forma: após a união, descrita acima, em 1813, houve dificuldades com algumas Lojas e quatro delas, afastadas da GLUI, formaram em1823, estabelecida em Wigan, a “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de acordo com as Antigas Constituições” depois de dois anos ficou inativa até 1838. Em 1844, teve uma aceleração das atividades até 1858, e depois foi decaindo aos poucos, sendo que em 1866 foi o ano em que suas ultimas Atas foram registradas.

    M.:I.:Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  109. PILULA MAÇÔNICA Nº 57

    Aquisição e desenvolvimento de um Mestre Maçom

    No caso de uma Loja Maçônica querer adquirir um novo membro na Ordem, o primeiro passo é a Sindicância.
    Como é sabido, o conjunto de informações conseguidas sobre um profano, denomina-se “Sindicância”. É extremamente importante a seriedade com que os Sindicantes deverão fazer esse trabalho exigido pela Loja. Mais importante ainda, é a indicação feita pelo proponente. Se o candidato foi indicado por ser amigo do proponente e não por ter qualidades e virtudes que o transformarão em um bom Maçom, segue-se uma Sindicância imperfeita.
    O proponente, antes de mais nada, deve saber muito sobre a Maçonaria para poder esclarecer o candidato que fará, sem duvidas, uma série de perguntas: o que é; para que serve; sua história; metas; etc, etc.
    Se o proponente não responde com clareza e certeza, o candidato poderá se tornar um Maçom, sem saber o principal, confiando no amigo que disse que a Maçonaria é uma “coisa legal! Você vai gostar!”.
    O processo de Iniciação é importantíssimo. O candidato, vendado, é conduzido em diversas passagens e deve estar confiante, sem temor, crendo que está entre pessoas nobres e diferenciadas. Cerimônias com passagens bisonhas, gracejos, brincadeiras perigosas ou de mau gosto, fazem que ocorra uma má Iniciação, gerando um Maçom que nunca levará a sério a nossa sublime Ordem.
    Uma vez Aprendiz Maçom, receberá este, uma série de Instruções sobre a Simbologia, sobre as Ferramentas do Grau, etc, para que processe o desbaste da “pedra bruta”.
    Enfim, Maçonaria é estudo…estudo…estudo…
    E o Aprendiz mal instruído devido a didática pobre do instrutor, da falta de leitura dos clássicos maçônicos, da falta de conhecimento e cumprimento da Legislação Maçônica, das pavonices e vaidades em Loja, das incoerências ritualísticas, etc, dará um Companheiro despreparado e desmotivado. Tudo pode ser agravado pela pressa no “aumento de salário”.
    Ensinar, é transmitir conhecimento. Conhecimento sólido, abrangente que se transformará no alicerce de um verdadeiro Mestre Maçom.
    Instruções mal dadas, transmissão precária de conhecimentos, não exigir trabalhos sérios e bem pesquisados, farão um mau Aprendiz, que será um péssimo Companheiro e um Mestre ridículo.

    MIFernando Tullio Colacioppo Sobrinho
    CIM 205702

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  110. Fernando disse:

    PILULA MAÇÔNICA – Nº 58

    Tradição Maçônica

    A manutenção da Tradição de nossa Ordem faz com que a pratiquemos, agora no século XXI, periodicamente e de forma constante, conforme Rituais estabelecidos em 1790, aproximadamente.
    É por meio da Tradição que grupos humanos mantém seus costumes, seus hábitos, suas conquistas morais e sociais, entre outras coisas. A cultura adquirida é assim mantida. Desse modo, a manutenção dos parâmetros estabelecidos nesses Rituais é que permite que a Maçonaria seja secular. Se assim não fosse nossa Ordem já teria se pulverizado.
    Ao contrário do que muitos pensam, nossa Ordem não desconsidera a evolução e os atuais meios de comunicação e a tecnologia. Repare que, mantendo a Tradição, e ao mesmo tempo, a tecnologia é aplicada na medida do possível. Vamos dar alguns exemplos: o Pavimento de Mosaicos permanece o mesmo, porém o material do qual é feito muda. O que antigamente era somente feito de granito preto e mármore branco, hoje existe variedade enorme de materiais sintéticos que os substituem.
    A função do Secretário era antigamente executada totalmente através de manuscritos. Hoje nos usamos os recursos dos computadores. Inclusive, existem Lojas nas quais as Atas são enviadas pela Internet e a concordância é feita na próxima Loja.
    O “Tempo de Estudos” era feito somente através da leitura do Trabalho. Hoje nós temos uma série de recursos fornecidos pela mais alta tecnologia, como o uso de computadores e projeção em tela, comandados a distancia. Além de outros recursos áudio visuais.
    As Colunas “J” e “B” antigamente eram fundidas em metal, e posteriormente feitas em pedras e gesso. Hoje a tecnologia do Plástico está adiantadíssima e nos permite que as mesmas sejam feitas com esse material extremamente leve e durável.
    A manutenção imutável do Ritual através da Tradição, faz com que a Ordem também seja imutável ao longo dos séculos. Isso não quer dizer que ficará ou está obsoleta.
    Mesmo assim, pequenas mudanças ocorrem. Apesar do rigor em manter a tradição, o GOB reconhece hoje seis Ritos. Ou seja, pequenas mudanças foram feitas no Ritual original e geraram derivativos, cuja única finalidade, ao meu ver, foi satisfazer a vaidade de pessoas, pois a essência desses Ritos são iguais.
    Qual a necessidade do GOB ser reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra? O GOB não funcionaria do mesmo modo sem esse reconhecimento? A resposta é sim. Entretanto, esse reconhecimento, mantém a Tradição, e não permite mudanças radicais, fazendo com que o Sistema permaneça imutável, não descambe e nem se modifique alterando as características originais.
    Por que o MacDonald´s é igual no mundo todo? Se você quiser montar um no seu bairro, vai ter que fazer exatamente conforme descrito no contrato do franchise, e nada poderá ser mudado, ou não será feito. Por que? Porque essa é a maneira de preservar algo que deu certo, é bom e teve sucesso!

    M.:I.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  111. Aparecido Rodrigues de Souza disse:

    Parabéns, querido ir.: Alfério, porque é desta forma enteligente de enfocar a essência dos ensinamentos de nossa ordem, que a tornam forte e permanente, inclusive apesar de uns pseudos iir.: mostrarem ou piblicarem, nossos mistérios, eles jamais poderão serem assimilados por profanos ou até mesmos por esses falsos maçons, porque só é permitido absorverem os mistérios de nossa ordem, aos iir.: preparados pelo coração e com a elevação da alma. bbs. cidão Loj.: Rangel Pestana.

  112. PILULA MAÇÔNICA – Nº 59

    TERIA SIDO JESUS, UM ESSÊNIO?

    Teria, realmente, Jesus pertencido à seita judaica dos Essênios?
    Aparentemente, de acordo com as opiniões, dadas abaixo, de alguns escritores famosos sobre o fato, escritores historiadores, que são os que se aplicam neste caso, tudo nos leva a crer que, não. Em caso afirmativo, a conclusão mais razoável é que se Jesus conviveu com os Essênios, tendo assimilado algumas de suas figuras e idéias, deles se afastou, divergindo em pontos fundamentais.
    Vamos abrir parênteses para dar uma excelente definição de “historiador”, de Cervantes: “Os historiadores devem ser precisos, verídicos e totalmente imparciais; nem o interesse, nem o medo, o ódio ou a afeição poderiam afastá-los da senda da verdade, da qual a história é a mãe, a conservadora das grandes ações, o testemunho do passado, o exemplo e o ensinamento para o presente e a advertência para o futuro”.
    Deste modo, vejam a opinião de Eleutério Nicolau da Conceição, no livro “Maçonaria – Raízes Históricas e Filosóficas”, pg 177 : “Certos livros afirmam que Jesus e Batista tinham sido Essênios, mas que Jesus era um grau superior ao de João. Por ocasião de seu batismo, Jesus se teria dado a conhecer por sinal, toque e palavra….etc. Parece incrível que histórias desse tipo sejam repetidas sem que aqueles que o fazem, tenham levantado perguntas óbvias: como aquela informação teria chegado ao escritor? Os autores desses artigos não exercitaram seu pensamento critico para perguntar como o autor original teria acesso a essas informações desconhecidas de todos os estudiosos do tema, que buscam avidamente referencias palpáveis, verificáveis na arqueologia e documentos antigos, da passagem pela Terra do Jesus histórico”
    Continuemos obtendo mais depoimentos de escritores, como, por exemplo, James H. Charleswort – no livro “Jesus dentro do Judaísmo”, pg 74 : “….Assim como não existem dados sustentando a idéia de Jesus ter sido Essênio, já que não há qualquer referencia a ele nos documentos conhecidos, não se pode tampouco afirmar que nunca houve contato entre ambos os grupos, cristãos e Essênios. Existem, contudo, oposições evidentes nos ensinamentos e praticas de Jesus comparados com os da seita zadokita: os Essênios eram rigorosos cumpridores da lei, guardando o sábado com maior rigor até do que os fariseus. Jesus ensinava: “o sábado foi feito por causa do homem, não o homem por causa do sábado”. Em certas ocasiões mandou seus discípulos que colhessem espigas (trabalhassem) para se alimentar no sábado.Os Essênios superiores praticavam todo um ritual, mantendo rigor ainda maior em relação a estranhos, e o compartilhar de refeições era para eles um ato sagrado, apenas com os membros de seu grupo; Jesus era acusado pelos fariseus de comer com publicanos e pecadores, a ralé da época, o que, se feito por um Essênio, provocaria sua expulsão da Ordem.Por último, os Essênios tinham uma cerimônia na qual amaldiçoavam seus inimigos; enquanto Jesus ensinava: “Amai vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem”.
    Igualmente, o historiador John P. Meir – no livro “Um Judeu Marginal”, Imago, 1993, pg 100, nos relata, com muita sabedoria: “Seja como for (e não há como verificar tal afirmação), não existem indicações de que Jesus tenha tido contato direto com a comunidade de Qumrãn, em qualquer tempo. Ele não é mencionado nos documentos encontrados em Qumrãn, ou próximo a ele, e sua atitude independente com relação à interpretação estrita da Lei Mosaica é a própria antítese dos rigorosos membros da seita Qumrãn, que consideravam até os fariseus muito indulgentes. Tudo isso não evitou que alguns escritores imaginosos vissem Jesus e Batista em alguns textos de Qumrãn, o que apenas mostra que a fantasia intelectual não conhece limites!”

    M.:I.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  113. Videos:- Os Cavaleiros Templários / O Santo Graal / Maçonaria Revelada / O Sepulcro Perdido de Jesus / O Evangelho Proibido de Judas

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    Os Cavaleiros Templários

    Os Cavaleiros Templários – V http://www.youtube.com/watch?v=JkTAe-cGGv4

    Os Cavaleiros Templários – IV http://www.youtube.com/watch?v=8tdd9QLXtQ0

    Os Cavaleiros Templários – III http://www.youtube.com/watch?v=2qtCopbyUWg

    Os Cavaleiros Templários – II http://www.youtube.com/watch?v=kFlObfv6LV4

    Os Cavaleiros Templários – I http://www.youtube.com/watch?v=nmOKHvQq7_o

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    O Santo Graal

    O Santo Graal – Parte 5 http://www.youtube.com/watch?v=SSmuVR7d4Ng

    O Santo Graal – Parte 4 http://www.youtube.com/watch?v=0u0z_EHn7pM

    O Santo Graal – Parte 3 http://www.youtube.com/watch?v=rEKAXOxNtXw

    O Santo Graal – Parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=ASeW3fjA0WM

    O Santo Graal – Parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=FKO530Er-hU

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    Maçonaria Revelada

    O documentário Maçonaria Revelada, produzido pela National Geographic em 2007, aborda com profundidade os principais e mais excitantes aspectos da Maçonaria. Além de expor os rituais secretos, símbolos, regras e hierarquia maçom, o documentário traça uma possível conexão entre religiosidade, política e misticismo; tornando-se uma excelente referência de estudo e pesquisa sobre os mistérios maçons.

    Maçonaria Revelada – I – http://www.youtube.com/watch?v=nWHnbRbNwtg

    Maçonaria Revelada – II – http://www.youtube.com/watch?v=gB53-aklfyo

    Maçonaria Revelada – III – http://www.youtube.com/watch?v=aC2_F2MMRXg

    Maçonaria Revelada – IV – http://www.youtube.com/watch?v=WfdD1fbT__8

    Maçonaria Revelada – V – http://www.youtube.com/watch?v=8u5BGOEhVmY

    Maçonaria Revelada – VI – http://www.youtube.com/watch?v=PjJ7OFQYX1E

    Maçonaria Revelada – VII – http://www.youtube.com/watch?v=nd0ReZyW058

    Maçonaria Revelada – VIII – http://www.youtube.com/watch?v=A9J_SJv9IwA

    Maçonaria Revelada – IX – http://www.youtube.com/watch?v=NK69oz7b0tY

    Maçonaria Revelada – X – http://www.youtube.com/watch?v=LXVfIC0gbSQ

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    O Sepulcro Perdido de Jesus

    O Sepulcro Perdido de Jesus – IX http://www.youtube.com/watch?v=_s2lh9Albjs

    O Sepulcro Perdido de Jesus – VIII http://www.youtube.com/watch?v=j4elZhemq0Y

    O Sepulcro Perdido de Jesus – VII http://www.youtube.com/watch?v=4dSl108vNxY

    O Sepulcro Perdido de Jesus – VI http://www.youtube.com/watch?v=5JoewTgHwCs

    O Sepulcro Perdido de Jesus – V http://www.youtube.com/watch?v=AKf72_2ky3U

    O Sepulcro Perdido de Jesus – IV http://www.youtube.com/watch?v=-YcfOgvE3UY

    O Sepulcro Perdido de Jesus – III http://www.youtube.com/watch?v=YTxd1XNhhhg

    O Sepulcro Perdido de Jesus – II http://www.youtube.com/watch?v=7pRHNMtLEK8

    O Sepulcro Perdido de Jesus – I http://www.youtube.com/watch?v=cJm-7KxOaKA

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    O Evangelho Proibido de Judas

    O Evangelho Proibido de Judas – Parte V http://www.youtube.com/watch?v=gYJibWuxXxk

    O Evangelho Proibido de Judas – Parte IV http://www.youtube.com/watch?v=mRSMs8M07os

    O Evangelho Proibido de Judas – Parte III http://www.youtube.com/watch?v=m0-kGriHSK0

    O Evangelho Proibido de Judas – Parte II http://www.youtube.com/watch?v=YgKlr1vZ4uk

    O Evangelho Proibido de Judas – Parte I http://www.youtube.com/watch?v=1NE-Uuj_fM4

  114. PILULA MAÇÔNICA Nº 60

    Viver de modo Maçônico

    Desde a época do aparecimento do Homem na Terra, tem havido a necessidade de um serviço humanitário – um serviço fraternal que pode beneficiar a todo ser humano. Hoje, em todo país civilizado do mundo, o bem social do indivíduo tem se tornado a preocupação mundial. A Francomaçonaria com a sua historia, tradição e as lições administradas em seus vários graus, preenche essa necessidade.
    Cada pessoa vem a este planeta com um propósito. Como Maçons, nós temos uma missão a cumprir. Nós estamos cientes que nossa vida é por tempo limitado, e é nosso dever e responsabilidade completar esta missão nesse terminado espaço de tempo.
    Como Maçons nós projetamos diariamente uma imagem sobre pessoas que estão em contato conosco, e as influenciamos.
    A Fraternidade Maçônica está alicerçada no rochedo da dignidade humana. Este é o conceito básico de todas as lições em todos os Rituais da Ordem. O principio fundamental da Fraternidade é que cada homem é individual e deve ser tratado como tal. Em cada homem há uma qualidade que merece respeito.
    A teoria da Maçonaria Especulativa é que o maior esforço deve ser direcionado na direção do desenvolvimento do caráter e no aperfeiçoamento da vida mental, espiritual, ética e moral do Obreiro. Esta teoria é sensacional e eterna, mas deve ser repartida ou ela para de fluir.
    Deste modo, lideranças maçônicas dedicadas podem levar para longe essa teoria e prestar grande serviço para a humanidade. O mundo está pronto e esperando por isso. Será um remédio para o vírus da ilegalidade e corrupção que está afetando o corpo inteiro da humanidade nos dias de hoje.
    Maçonaria não é para qualquer pessoa. Nós guardamos muito bem nossos portais e aceitamos somente aqueles que nós acreditamos que somarão mais vigor. Tanto o pobre como o rico, bate em nossas portas, e são admitidos, pois temos aprendido que “a vida de um homem não consiste na abundancia das coisas que possui”.
    A Maçonaria escolhe homens bons, educa e os prepara para atuarem na vida profana, repletos de intenção de construir uma nova e melhor sociedade – um monumento que crescerá em perfeição com o passar dos anos e constituir um crescimento legal para o futuro.
    Nossa caridade não é avaliada inteiramente em termos de dinheiro corrente. Caridade vem do coração do individuo e é uma das grandes lições ensinada em todos os graus da Ordem. Como maçons, é nosso dever pratica-la atenciosamente todos os dias de nossa vida, não somente para os membros de nossa grande Fraternidade, mas a todos, indistintamente.
    Nossa Ordem é educacional e caridosa, cuja estrutura é derivada dos construtores medievais das grandes catedrais. Com conhecimento e habilidade eles erigiram as superestruturas que maravilharam a todos. Como construtores de melhores homens nesta era de conflitos e confusões que estão transtornando o mundo de hoje, nós podemos fazer a Maçonaria um modo de vida e uma mais valorosa contribuição para todos.
    Então, o que tem inspirado homens de todos os tipos, presidentes de países, de grandes indústrias, de grandes instituições de ensino, comerciantes, liberais, pesquisadores, e pessoas simples como eu e você, nestes últimos trezentos anos, a dar seu tempo e talento para promover esta antiga Ordem?
    É a elevação moral e espiritual que recebemos do fato de fazermos alguma coisa valer a pena. É a satisfação do trabalho fecundo um com outro, lado a lado, como membros da mais antiga Fraternidade do mundo. É a concordância da necessidade de servir a humanidade, o estado e o país onde vivemos – e mais importante de tudo, é aquele espírito fraternal, repleto de amor e afeição que nos une e cimenta, como pedras vivas, para a construção do Grande Templo.

    P.S.: este artigo foi baseado e adaptado dos discursos do M.W. Bro Roger White nas Lojas de Maine, EUA.

    M.:I.: Alfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  115. PILULA MAÇÔNICA Nº 61

    Trolhar e Telhar

    É interessante, na Maçonaria, como certas coisas realizadas, praticadas, ou palavras ditas ou interpretadas erradamente por Veneráveis Mestres, se espalham numa velocidade vertiginosa e tendem a se tornarem verídicas. Desse modo, é muito comum, Veneráveis e Vigilantes saudarem Obreiros, cruzando o Malhete no peito. Ou então, em Lojas no R.:E.:A.:A.:, o Mestre de Cerimônia andar em esquadria, parecendo “robot”, devido “achismo” do Venerável que confundiu os Ritos.
    Nesta Pílula, vamos aprofundar nosso estudo nas palavras TELHAR e TROLHAR, que tendo significados, na Maçonaria, totalmente diferentes, na maioria das vezes, são ditas uma substituindo a outra, como se fossem iguais.
    Nos Dicionários, temos que o substantivo “trolha” é definido como uma “colher de pedreiro”, que é usada para colocar e/ou alisar a argamassa que está sendo usada. É utilizada para estender a argamassa e cobrir todas as irregularidades, fazendo que o edifício construído fique parecido como se formado por um único bloco.
    O substantivo “telha” é definido como peça, geralmente de barro cozido, usada na cobertura de edifícios. A palavra telha vem do latim: “tegula”. Daí temos “telha” em português; “tuille” em francês; “tyle” em inglês. Temos em inglês, “tyler” como cobridor. Temos em francês, “tuileur” como cobridor. Em português, apesar de existir a palavra “telhador” o mais comum foi não usar a raiz da palavra e ficou “cobridor”, denominação para aquele que coloca telhas, cobre, oculta, protege uma área de um edifício.
    Entretanto, na Maçonaria, os verbos derivados dessas duas palavras, têm os significados dados abaixo.
    Trolhar: é esquecer as injúrias, as desavenças entre os Irmãos. É perdoar um agravo, dissimular um ressentimento, perdoar uma falta de outro Obreiro. É reforçar os sentimentos de fraternidade, de bondade e de afeto, que unem todos os membros da família maçônica. Esses sentimentos devem ser contínuos, sem falhas, sem asperezas e sem rugosidades. Se isso ocorre em uma Loja, o Venerável Mestre deve se inteirar do que está ocorrendo e “trolhar” os envolvidos. Por isso que, na Inglaterra, o Símbolo com o formato de uma “colher de pedreiro” é usada pelos Mestres Instalados.
    Telhar: é verificar, através de perguntas, se uma pessoa é realmente Maçom e se está no Grau requerido. Ou para verificar se um Maçom está inteirado de conhecimentos num determinado Grau. Visitantes são “telhados” pelo Cobridor, com essa finalidade. Cobrir o Templo é protegê-lo de tal forma que, pessoas que estão fora não saibam o que está ocorrendo dentro dele. É um erro crasso pedir aos Aprendizes, ou Companheiros, ou Mestres, cobrirem o templo temporariamente, em Colação de Grau ou Instalação. O Templo é que será coberto para eles. Ou seja, eles não saberão o que ocorrerá dentro desse Templo, num determinado período de tempo.
    Quem cobre o Templo é o Cobridor Externo, não o Aprendiz ou o Companheiro ou o Mestre.

    MIFernando Tullio Colacioppo Sobrinho CIM 205.702 e MIAlfério Di Giaimo Neto CIM 196017

  116. Fernando disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 62

    Antimaçonaria – Leo Taxil

    Gabriel Jogang Pagés, francês nascido em 1854, com o pseudônimo de Leo Taxil, tornou-se origem das acusações de luciferismo e cultos satânicos contra a Maçonaria, acentuando a discordância entre esta última e o Clero.
    Leo Taxil teve uma juventude turbulenta, estudando em diversos colégios católicos dos Jesuítas, sendo expulso de alguns deles e sai da casa paterna antes dos 16 anos.
    Dedicado inteiramente ao jornalismo, em 1871 já com o pseudônimo de Leo Taxil, para ludibriar seu severo pai, ingressa no “A Igualdade”; funda posteriormente o “La Marote”, a “Jovem República” e em 1874 dirige “O Furacão”.
    Em todas essas ocasiões, seus artigos eram uma seqüência de folhetins anticlericais, dos mais violentos, sofrendo diversos processos por excesso de linguagem. Em 1876, foge para a Suiça, voltando posteriormente a Paris. Tinha 24 anos e começa uma carreira vertiginosa uma vez que os republicanos e anticlericais triunfavam. Em 1879 funda a Biblioteca Anticlerical e alimenta a França com uma enxurrada de panfletos sensacionalistas. Ganhou, com o passar dos anos, muito dinheiro e diversos processos movidos pelo Clero.
    Em 1881, Taxil havia sido Iniciado na Loja Maçônica “Os Amigos da Honra Francesa”, da qual foi expulso após dez meses, ainda na fase de Aprendiz.
    O interesse pela sua literatura sensacionalista decai, as vendas sofreram brusca queda, o que fez que, em 1885, após intensa atividade anticlerical, Leo Taxil declara-se “convertido”, repentinamente, sem transição alguma. Confessa-se e passa a viver com os clericais freqüentando bibliotecas religiosas e aplica um novo golpe: começa a escrever contra a Maçonaria.
    Assim, na condição de “católico penitente”, dedica-se, a partir de 1885 à publicações antimaçônicas. Seus livros descreviam rituais maçônicos entremeados de fantasias mirabolantes, passando posteriormente, a inventar e descrever rituais fantásticos, cultos luciferinos, satânicos. Esses livros eram devorados pelos leitores ávidos de sensacionalismo, tornando-se um grande e lucrativo negócio.
    O negócio floresceu e chegou ao ponto culminante com a invenção de “Miss Diana Vaughan” no seu livro “As Irmãs Maçons”, onde tal personagem era a sacerdotisa de um culto demoníaco feminino a que chamou de Palladismo. Tal personagem queria livrar-se das garras do satanismo e voltar à Santa Igreja Católica mas era impedida pelos Maçons.
    As autoridades eclesiásticas apoiavam de público e através de cartas as “revelações” do autor, chegando algumas delas a oferecer auxílio à fictícia Diana Vaughan. Em visita ao Vaticano, Leo Taxil foi cordialmente recebido por Cardeais e teve uma entrevista pessoal com o próprio Leão XIII.
    As obras de Taxil foram traduzidas em diversos idiomas e seus artigos publicados em revistas e jornais católicos. Outros autores, influenciado pelo sucesso de Taxil, e tomando-o como referência, começaram também a explorar o mesmo tema. Durante doze anos toda essa miscelânea de imbecilidades forjadas por Leo Taxil foi devorada por um público cativo.
    Apesar da desconfiança de algumas autoridades de tudo não passar de um embuste, os livros de Taxil continuavam a ser vendidos. Sua influência crescia também em outras nações, a ponto de na Espanha e Bélgica serem formadas comissões especiais para investigação da Maçonaria.
    Até que finalmente, na Itália, em setembro de 1896, realizou-se um Congresso Antimaçônico em Trento, incentivado pelo Papa Leão XIII. Lá, algumas manifestações de descrédito dos exageros de Taxil começavam a aparecer. O monsenhor alemão Gratzfeld, provou que Miss Diana Vaughan era um embuste, mas não foi levado a sério.
    Comissões foram criadas e aí começaram a aparecer dúvidas sobre a veracidade dos escritos e das personagens. Começava, assim, o fim de uma mistificação.
    Depois de muito relutar, na Sociedade Geográfica de Paris, Taxil denunciou sua própria fraude, gabando-se de ter conseguido iludir as autoridades eclesiásticas por doze anos. A reação às declarações de Taxil foi de tal ordem que ele teve de deixar o local sob proteção policial. Não mais se ouviu falar sobre Taxil que veio a falecer em 1907.
    Eleutério N. Conceição esclarece: “todavia, aplica-se a este caso a conhecida figura do travesseiro de penas sacudido ao vento: é impossível recolher todas as penas”. De tempos em tempos, aparecem livros antimaçônicos, inspirados nas idiotices de Leo Taxil, ou de outro autor inspirado por ele.
    E, assim, os Maçons norte americanos, que periodicamente sofrem campanhas movidas por igrejas fundamentalistas, repisando sempre as mesmas teclas de Leo Taxil, referem-se à fraude como “The lie that will never die” – a mentira que nunca morrerá.

    MIAlfério Di Giaimo Neto CIM 196017

  117. INICIAÇÃO MAÇÔNICA
    José Geraldo de Lucena Soares
    ARLS-Fraternidade Judiciária 3614-GOSP-GOB Kadosch 2-SP
    O ingresso do candidato na Instituição Maçônica constitui o princípio mais importante previsto em toda sua legislação, pois é o passo primeiro para sua vivência na Fraternidade até onde desejar ou, em alguns casos, tornar-se um anátema. Mas mesmo assim será sempre um maçom! Uma vez iniciado, jamais deixará de ser maçom. Haja o que houver!
    Reza o Artigo 28 da Constituição do Grande Oriente do Brasil que “Não poderá ser admitido na Ordem maçônica nenhum candidato que não se comprometa, formalmente e por escrito, a observar os princípios da Ordem”. Os postulados também devem ser cumpridos e todos esses preceitos estão contidos nos Artigos 1. e 2. da citada Carta Magna e foram elencados em trabalho denominado “Princípios e Postulados Maçônicos” publicado anteriormente.
    Sendo a Maçonaria uma sociedade milenar e universal, possui suas próprias peculiaridades que são observadas desde seus primórdios e nenhum pretendente nela ingressa sem que seja convidado por um maçom regular que será seu “avalista moral” e ficará conhecido como “padrinho”, surgindo daí sua responsabilidade perante seus pares.
    Nenhum Ser Humano Masculino integra a Sublime Ordem ex officio, ou seja, sem que algum maçom regular o apresente e afiance seus predicados morais, além de outras exigências contidas no Artigo Terceiro do Código Landmarks de Mackey: crença do Ser Supremo do Universo, vida post-mortem, bons costumes, amante da liberdade com responsabilidade e cultivo da moral e ética.
    São exigências que integram a substância maçônica figurando como Landmarks de Albert Galletin Mackey admitidos pela quase unanimidade da consciência maçônica.
    Até mesmo o recrutamento de obreiros através de outros métodos mais abrangentes, como divulgação da doutrina exotérica da Ordem, conferências abertas ao público em geral ou publicidades em livros e revistas especializadas, o candidato que se apresentar estimulado por esses meios, será submetido a uma investigação que pode levar meses e a equipe investigatória afinal apresentará seu relatório ao colegiado da Loja que proferirá a decisão que julgar acertada. Sendo aprovado, será nomeado “um padrinho” que dará ciência ao postulante e a data da cerimônia de iniciação. O mesmo acontecerá em caso contrário.
    Etimologicamente, a palavra iniciar, do latim “initiare” – in, para o interior e ire, ir, caminhar – exprime a idéia de caminhar para dentro de algo, ir em direção ao seu interior para começar uma nova atividade que, na Sublime Ordem é tornar-se um Filho da Luz, saindo das trevas que é a vida profana. Este momento de ingresso faz surgir para o iniciado uma nova vida voltada para seu aperfeiçoamento espiritual, intelectual e material, mas também direcionado ao amor fraterno, ajuda aos necessitados na medida do possível (filantropia), tolerância, respeito ao próximo, especialmente quando se defrontar com situações onde suas idéias sejam rejeitadas. Na vida profana essas virtudes são também exigidas, mas na Maçonaria assumem o caráter de obrigações legais com o respeito “as convicções e dignidade de cada um;” – Art. 1., Parágrafo Único, Inc.III, Constituição do Grande Oriente do Brasil.
    Essas exigências genéricas acima mencionadas são especificadas pela Lei Maçônica n. 0099 de 9 de dezembro de 2008, E.’. V.’., editada obviamente pelo Grão Mestrado Geral do Grande Oriente do Brasil que instituiu o Regulamento Geral da Federação que em seu 1. artigo estabelece os requisitos formais para a admissão do candidato na Ordem e o respectivo processo para essa eventual finalidade.
    Realmente, o citado dispositivo legal exige a comprovação de requisitos abaixo enumerados para o pretendente alcançar o acesso a nossa Fraternidade: ser maior de 18 anos de idade e do sexo masculino; estar em pleno gozo da capacidade civil; ser de bons costumes e ter reputação ilibada; possuir, no mínimo, instrução de ensino fundamental completo ou equivalente e ser capaz de compreender, aplicar e difundir os ideais da instituição; ter profissão ou meio de vida lícito, devendo auferir renda que permita uma condição econômico-financeira que lhe assegure subsistência própria e de sua família, sem prejuízos dos encargos maçônicos; não apresentar limitação ou moléstia que o impeça de cumprir os deveres maçônicos; residir, pelo menos há um ano, no município onde funciona a Loja em que for proposto, ou dois anos em localidades próximas; aceitar a existência de Princípio Criador; contar com a concordância da esposa ou companheira; se solteiro, obter a concordância dos pais ou responsáveis, se deles depender e comprometer-se, por escrito, a observar os princípios da Ordem. E estes princípios são a própria iniciação, estudos filosóficos, filantropia, progresso e o processo evolucionista, como citados anteriormente – “Princípios e Postulados Maçônicos”.
    Os Lowtons, os De Molay, os Apejotistas e os estudantes de curso superior de graduação serão admitidos como maçons na forma da Constituição.
    Reza ainda o artigo 2. desse diploma legal que “A falta de qualquer dos requisitos do artigo anterior, ou sua insuficiência, impede a admissão”.
    Vemos, assim, que a preocupação legislativa de um modo geral, desde os Landmarks, Constituições das diversas Potências, Regulamentos e outras normas legais esparsas, é proceder um bom recrutamento de obreiros para o reforço das Colunas da Entidade Fraternal.
    O princípio seguinte a este de Iniciação é o filosófico, previsto no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil e que poderá ser objeto de outras observações oportunamente.

  118. Fernando disse:

    O Poema Regius é composto pelas seguintes partes:

    A Fundação da Maçonaria segundo Euclides;
    Introdução da Maçonaria na Inglaterra sob o reinado de Athelstan;
    Os Deveres: quinze artigos;
    Os Deveres: quinze pontos adicionais
    Relato de “os Quatuor Coronati”
    Relato de Torre de Babel
    As Sete Artes Liberais
    Exortação sobre a missa e como se conduzir na igreja;
    Introdução sobre as boas maneiras.
    Aqui começam os Estatutos da Arte da Geometria segundo Euclides
    Aquele que quiser ler e pesquisar
    Pode encontrar, contada em um livro antigo,
    A história de grandes senhores e belas damas
    Que tinham um grande número de filhos muito sensatos,
    Mas nenhum dinheiro para criá-los,
    Na cidade, nos campos e na floresta,
    Fizeram uma assembleia.
    Por amor a seus filhos para decidir
    Como ganhariam a vida
    Sem preocupação nem angústia com o futuro
    De seus numerosos descendentes
    Que iriam nascer quando eles mesmos fossem apenas cinzas.
    Eles iriam buscar os grandes sábios
    Para que lhes fossem ensinados bons ofícios.

    Nós rezamos, por amor a nosso Senhor,
    Para que nossos filhos façam belos e bons trabalhos
    Para ganharem a vida,
    Sem dificuldade, mas sim com honestidade e sem medo do dia de amanhã.
    Naquele tempo, por meio da geometria,
    Esse honesto ofício que é a maçonaria
    Foi concebido
    E organizado por uma nobre assembleia de sábios.
    Esses sábios, conforme o desejo dos senhores, inventaram a geometria
    E a denominaram maçonaria
    Para que ela se tornasse o mais belo dos ofícios.
    Os filhos dos senhores foram para junto do sábio
    Para que ele lhes ensinasse o ofício da geometria.
    Tarefa que desempenhou muito bem.

    Respondendo às súplicas dos pais e mães,
    Ele os iniciou no ofício.
    Quem aprendia melhor o ofício que os outros
    E se mostrava honesto
    Tinha mais direito à consideração.
    Euclides era o nome do grande sábio.
    Célebre ele se tornou.
    Ele fez com que aquele que soubesse muito
    Instruísse aquele que sabia menos
    Para que todos fossem perfeitos no ofício.
    Sim, eles deviam instruir uns aos outros
    E amar-se como se amam Irmãos e irmãs.

    Ele disse que aquele que fosse mais bem formado
    Seria chamado Mestre.
    Para que fosse reverenciado
    É assim que devia ser chamado.
    Um maçom nunca deveria chamar
    Alguém do ofício
    A não ser de Irmão,
    Mesmo que ele não seja muito hábil.
    Entre os maçons deve reinar o amor,
    Pois todos são de nobre linhagem.
    O ofício da maçonaria teve seu início
    Quando o sábio Euclides em sua grande sabedoria
    Fundou o ofício nas terras do Egipto.

    Foi em terras do Egipto que ele transmitiu
    Seu ensinamento.
    Isso durou um longo tempo
    Até que o ofício viesse para nosso país.
    O ofício chegou na Inglaterra
    Quando reinava o rei Athelstan.
    Ele mandou construir castelos e edificações,
    Altos templos extraordinários
    Para deleitar-se, de dia ou à noite,
    E para reverenciar Deus com toda a sua alma.
    O bom senhor amava o ofício
    E empenhava-se em fortalecê-lo,
    Pois ele havia observado uma certa fraqueza.
    Ele ordenou, portanto, que se buscasse no país

    Os maçons de ofício
    Que foram até ele
    Para corrigir essas imperfeições de seus conselhos.
    Reuniram-se homens de diferentes classes,
    Duques, condes, barões,
    Cavaleiros, escudeiros e muitos outros,
    Do mesmo modo, os burgueses da cidade.
    Todos estavam lá, conforme sua classe,
    Para definir os estatutos dos maçons.
    Eles uniram seus espíritos
    E desempenharam bem sua tarefa.
    Anunciaram quinze artigos
    E determinaram quinze pontos.

    ARTIGO PRIMEIRO
    O primeiro artigo da geometria:
    Podemos confiar em um Mestre maçom
    Pois ele é firme, sincero e verdadeiro.
    Ele não será contestado
    Se pagar os Companheiros após a refeição
    Conforme o valor habitual.
    Ele deverá remunerá-los equitativamente segundo a boa-fé
    E os méritos deles
    Sem nunca levar vantagem.
    Eles gastarão o que ganharem
    E não economizarão por avareza ou por medo da falta.
    Eles não terão mais
    De um senhor ou de um companheiro.
    Deles não tome nada
    Seja como um juiz, aja dentro da justiça,
    Assim você dará a cada um de acordo com seu mérito.
    Faça isso da melhor forma que puder
    Para sua honra e seu proveito.

    ARTIGO SEGUNDO
    O segundo artigo da boa maçonaria
    é característico.
    Todo MESTRE maçom
    Deve comparecer às assembleias gerais.
    Ele deve portanto dizer
    Onde a assembleia será realizada.
    A essa reunião ele assistirá
    Excepto em caso de justificativa válida,
    Sob pena de ser reputado rebelde ao ofício
    E sem honra.
    Se uma doença vier a se apoderar dele
    E ele não puder vir
    Isso será uma justificativa válida
    Que a assembleia aceitará como tal, se ela for verdadeira.

    ARTIGO TERCEIRO
    O artigo terceiro, em verdade,
    É que o MESTRE não aceitará nenhum Aprendiz
    Que ele não tenha certeza de empregar durante ao menos
    Sete anos.
    Duração que não pode ser inferior.
    Ela não poderá ser de nenhum proveito para o senhor
    Nem para ele próprio.
    Isso se compreende facilmente
    Por menos que se raciocine a respeito.

    ARTIGO QUARTO
    O quarto artigo é
    Que o MESTRE não poderá
    Tomar um servo como Aprendiz
    Ou empregá-lo como engodo do lucro,
    Pois seu senhor poderá buscar o Aprendiz
    Onde quer que vá.
    Se ele fosse recrutado na LOJA,
    Poderia haver desordem.
    Um caso desses prejudicaria a todos.
    Todos os maçons seriam atingidos.
    Se tal homem assumisse o ofício
    Muitas desordens ocorreriam.
    Para a paz e a harmonia,
    Admitam um Aprendiz de boa condição.
    Antigamente, é o que estava escrito,
    O Aprendiz deveria ser de alta linhagem.
    Assim, filhos de grandes senhores
    Aprenderam a geometria, fonte de benefícios.

    ARTIGO QUINTO
    O quinto artigo é deliciosamente bom.
    O Aprendiz não pode ser bastardo.
    O MESTRE nunca admitirá
    Como Aprendiz uma cabeça perturbada.
    Assim vocês compreendem
    Que ele deve ter os membros em bom estado.
    O ofício padeceria
    Se entrasse um amputado, um coxo,
    Pois um homem enfraquecido
    Não poderia cumprir sua tarefa.
    Cada um de vocês compreenderá
    Que o ofício demanda homens fortes.
    Um homem mutilado não tem força suficiente.
    Isso vocês sabem há muito tempo.

    ARTIGO SEXTO
    Ninguém deve esquecer o artigo sexto
    Que diz que o M.1, não pode prejudicar o senhor,
    Solicitando ao senhor para seu Aprendiz
    O que ele dá aos Companheiros,
    Pois estes são formados,
    Enquanto o outro ainda não é.
    Seria contrário à razão
    Dar-lhe o salário dos Companheiros.
    Este artigo diz que o Aprendiz deve solicitar
    Menos que os Companheiros, que conhecem o ofício.
    Em muitas disciplinas, é preciso que se saiba,
    O MESTRE pode instruir seu Aprendiz
    Para que seu salário possa ser aumentado.
    Quando ele tiver cumprido seu tempo,
    Seu salário será aumentado.

    ARTIGO SÉTIMO
    Eis agora o artigo sétimo
    Que diz claramente, Companheiros,
    Que nenhum MESTRE, por favor ou medo,
    Deverá vestir ou alimentar um ladrão.
    Ele nunca acolherá um ladrão,
    Nem um assassino,
    Nem alguém com reputação duvidosa,
    Pois isso envergonharia o ofício

    ARTIGO OITAVO
    O artigo oitavo lhes mostra aqui
    O que o MESTRE deve fazer
    Se ele tiver diante de si um homem do ofício
    Que não tenha capacidade suficiente.
    Ele pode substituí-lo
    E colocar em seu lugar alguém mais competente.
    Pois um homem que tenha fraquezas
    Pode prejudicar o oficio.

    ARTIGO NONO
    É claro,
    O MESTRE deve ser ao mesmo tempo escutado e temido.
    Ele não iniciará nenhum trabalho
    Se não estiver certo de conduzi-lo bem.
    Isso para o benefício do senhor
    E do ofício.
    Ele verificará as fundações
    E zelará para que não oscilem nem desabem

    ARTIGO DÉCIMO
    O artigo décimo ensina a vocês,
    Que estão no alto ou debaixo na escala do ofício,
    Que nenhum MESTRE deve sobrepujar um outro,
    Mas construir em conjunto
    Sob a direcção do MESTRE.
    Ele não intrigará um Companheiro
    Que tiver realizado um trabalho.
    Se isso ocorrer,
    Ele pagará uma multa de dez libras,
    Excepto se aquele que chefiava a obra
    For julgado culpado.
    Nenhum maçom poderá assumir o trabalho de um outro,
    Excepto se este ameaçar a obra.
    Um maçom pode então assumir a obra
    Para o benefício do senhor.
    Nesse caso,
    Nenhum maçom poderá se opor.
    É verdade que, aquele que escavou as fundações,
    Se for um verdadeiro maçom,
    Certamente conduzirá a obra a bom termo.

    ARTIGO DÉCIMO PRIMEIRO
    O artigo décimo primeiro,
    eu lhes digo,
    É justo e sem rodeios.
    Ele diz com vigor
    Que nenhum maçom deve trabalhar durante a noite,
    Excepto para dedicar-se ao estudo
    Pelo qual poderá aperfeiçoar-se.

    ARTIGO DÉCIMO SEGUNDO
    O artigo décimo segundo diz que todo maçom
    Deve ser honesto.
    Ele nunca deve criticar o trabalho dos Companheiros
    Se quiser manter sua honra.
    Seu comentário será honesto.
    Pois o saber vem de Deus.
    Todos os Companheiros devem trabalhar juntos
    Para aperfeiçoar o ofício.

    ARTIGO DÉCIMO TERCEIRO
    O artigo décimo terceiro, que Deus me guarde,
    Diz que, se o MESTRE admitir um Aprendiz,
    Ele o instruirá da melhor forma que puder,
    Transmitindo-lhe seu saber.
    Assim ele conhecerá o oficio e poderá
    Trabalhar, não importa em que lugar da terra.

    ARTIGO DÉCIMO QUARTO
    O artigo décimo quarto diz com razão
    Como deve se comportar o MESTRE.
    Ele não admitirá um Aprendiz
    Se não tiver utilidade para ele.
    Durante o aprendizado,
    Ele lhe ensinará os diferentes pontos.

    ARTIGO DÉCIMO QUINTO
    O artigo décimo quinto, o último,
    Diz que o MESTRE não deve ter para com os outros homens
    Um comportamento hipócrita,
    Nem seguir os Companheiros no caminho do erro,
    Qualquer que seja o benefício que possa ter.
    Ele nunca deverá fazer um falso juramento e
    Com amor deverá preocupar-se com sua alma,
    Sob pena de trazer para o ofício a vergonha
    E para si a repreensão.

    PRIMEIRO PONTO
    Nesta assembleia, grandes senhores e MESTRES
    Adoptaram diversos pontos.
    Quem quiser aprender o ofício e abraçá-lo
    Deverá amar a Deus e a Santa Igreja.
    Seu MESTRE também,
    E igualmente seus Companheiros
    É o que deseja o ofício.

    SEGUNDO PONTO
    O segundo ponto diz
    Que o maçom trabalhará nos dias úteis
    Da melhor forma possível,
    A fim de merecer seu salário e os dias de repouso.
    Pois quem tiver feito bem seu trabalho
    Merecerá grande reconforto.

    TERCEIRO PONTO
    O terceiro ponto é muito claro
    Com relação ao Aprendiz, saibam bem.
    De boa vontade ele deverá guardar segredo sobre os ensinamentos
    De seu MESTRE e de seus Companheiros.
    Ele nunca trairá as decisões da câmara
    Nem o que se faz na Loja
    O que quer que possa ser dito ou feito,
    Nada será dito.
    Tudo o que você ouvir, na Loja, ou na floresta,
    Guarde para si, honradamente,
    Sem o que, você mereceria uma repreensão
    E grande vergonha abater-se-ia sobre o ofício.

    QUARTO PONTO
    O quarto ponto nos diz
    Que ninguém deve mostrar-se pérfido para com o ofício.
    Se cometer um erro que possa prejudicar o ofício,
    Ele deverá cessar.
    Ele não fará nenhum dano
    Ao MESTRE ou aos Companheiros.
    O Aprendiz com respeito
    Obedecerá às mesmas leis.

    QUINTO PONTO
    O quinto ponto não é contestável.
    Quando o maçom receber seu salário
    Do MESTRE, como foi acertado,
    Ele o receberá humildemente.
    Mas o Mestre terá um grande cuidado
    Em avisá-lo antes do meio-dia
    Se não quiser mais empregá-lo,
    Como tinha o costume de fazer.
    Assim, se a ordem for respeitada,
    As coisas irão bem.

    SEXTO PONTO
    O sexto ponto será conhecido por todos
    Do mais alto ao mais baixo degrau da escala.
    Pode acontecer
    Que alguns maçons, por inveja ou ira,
    Deixem surgir uma disputa.
    O MESTRE, se isso estiver em seu poder,
    Deverá lhes fixar uma data, após a jornada de trabalho,
    Para que possam se explicar.
    Eles só tentarão fazer as pazes
    Após o término de sua jornada de trabalho.
    Durante os dias de licença, vocês poderão
    Usar o tempo livre para se reconciliar.
    Se vocês marcarem a conciliação fora de um dia de licença,
    Isso acabará por perturbar o trabalho.
    Façam de modo com que eles cheguem a um acordo
    Para que permaneçam sob a lei de Deus.

    SÉTIMO PONTO
    O sétimo ponto ensina como manter honesta
    A vida que Deus nos dá.
    Assim como Ele ordena,
    Você não dormirá com a mulher de seu MESTRE
    Nem de seus Companheiros, não é digno de um homem.
    Isso prejudicaria o ofício.
    Nem com a concubina de seus Companheiros,
    Pois você não gostaria que fizessem o mesmo com a sua.
    A punição para essa falta
    Será permanecer Aprendiz durante sete anos completos.
    Quem esquecer um desses pontos
    Será duramente castigado,
    Pois a infelicidade poderia resultar
    De tal pecado mortal

    OITAVO PONTO
    O oitavo ponto não deixa nenhuma dúvida.
    Se você receber uma tarefa, qualquer que seja ela,
    Ao MESTRE permaneça fiel.
    Você nunca será desiludido.
    Seja um leal intermediário
    Entre o Mestre e os Companheiros
    Aja equitativamente tanto com um quanto com os outros.
    Isso será uma boa coisa.

    NONO PONTO
    O nono ponto refere-se
    Ao intendente da casa.
    Se vocês dois estiverem em casa,
    Um deverá servir o outro com moderação e dedicação.
    Companheiros, vocês devem saber
    Que na sua vez vocês serão intendentes,
    Não há nenhuma dúvida.
    Ser intendente
    É servir os outros
    Como irmãs e Irmãos
    Nunca tente
    Escapar dessa tarefa.
    Todos devem exercê-la
    Como se deve.
    Não se esqueça de pagar convenientemente
    Quem lhe vendeu provisões
    Para que não possam ter queixas contra você
    Nem contra seus Companheiros, homem ou mulher.
    Deverão ser pagos de acordo com seus méritos.
    Além disso, você dará ao companheiro
    O detalhe do seu salário,
    A fim de evitar qualquer confusão.
    Assim você não será repreendido.
    Por sua vez, ele deverá manter controle exacto
    Dos bens que tiver recebido,
    Das despesas feitas para os Companheiros,
    Das quais você prestará contas
    Quando os Companheiros lhe solicitarem.

    DÉCIMO PONTO
    O décimo ponto explica como viver bem
    Sem confusão nem discussão.
    Se algum dia um maçom for colocado em posição difícil,
    Se ele cometer um engano em sua obra
    E inventar desculpas,
    Ele não hesitará em desonrar seus Companheiros.
    Por causa de tais infâmias
    O ofício poderá ser censurado.
    Se ele aviltar o oficio
    Não lhe poupem de nada
    E tentem afastá-lo do vício,
    Sob pena de verem nascer guerras e conflitos.
    Não lhe permitam nenhum repouso. Até que o tenham convencido
    A comparecer diante de vocês
    De boa ou má vontade.
    Durante a assembleia, ele comparecerá
    Diante de todos os seus Companheiros reunidos.
    Se ele se recusar,
    Ele será excluído do oficio
    E castigado de acordo com o código de nossos anciãos.

    DÉCIMO PRIMEIRO PONTO
    O décimo primeiro ponto recorre à discrição.
    Com razão vocês podem compreendê-lo.
    Um maçom que conhece o oficio,
    Que vê seu companheiro talhar uma pedra
    E ameaçar desperdiçá-la,
    Deve corrigi-lo se puder
    E ensiná-lo como realizar o talhe
    Para que não seja maltratada a obra do Senhor.
    Mostre-lhe como terminá-la
    Com palavras calorosas que Deus lhe dá.
    Por amor por Aquele que está lá no alto,
    Por meio de palavras cultive a amizade.

    DÉCIMO SEGUNDO PONTO
    O décimo segundo ponto não pode ser mais realista.
    No local onde será realizada a assembleia
    Haverá Mestres, Companheiros,
    Grandes senhores.
    Haverá também o xerife,
    O prefeito da cidade,
    Cavaleiros e escudeiros
    E almotacéis.
    Todas as ordens dadas por eles
    Serão respeitadas ao pé da letra
    Pelos homens do oficio.
    Se ocorrer alguma contestação,
    Eles têm poder de decisão.

    DÉCIMO TERCEIRO PONTO
    O décimo terceiro ponto é muito útil.
    Um maçom nunca deve roubar
    Nem auxiliar um ladrão
    Com o objectivo de receber uma parte do roubo.
    Ao cometer esse pecado, ele prejudicaria
    A si e a sua família.

    DÉCIMO QUARTO PONTO
    O décimo quarto ponto é boa lei
    Para aquele que tem medo.
    Ele deve prestar juramento
    Diante de seu MESTRE e seus Companheiros.
    Ele obedecerá com zelo
    Às ordens,
    A seu senhor, ao rei,
    Aos quais será fiel.
    Todos os pontos que acabamos de enumerar
    Você deve respeitar
    E prestar juramento, queira ou não.
    Todos os pontos
    Foram ditados pela razão.
    É preciso saber que será verificado
    Que os Companheiros os coloquem em prática.
    Se alguém vier a esquecê-los,
    Qualquer que seja sua posição,
    Ele será detido
    E conduzido diante desta assembleia.

    DÉCIMO QUINTO PONTO
    O décimo quinto ponto é de grande proveito
    Para aqueles que prestaram juramento.
    Esta ordem é obra
    Dos senhores e Mestres citados acima.
    Ela foi redigida para impedir que se prejudique
    Aqueles que recusarem esta constituição
    E seus artigos escritos
    Pelos senhores e maçons.
    Se suas faltas forem provadas
    Diante desta assembleia,
    E eles não quiserem emendar-se,
    Deverão renunciar ao ofício
    E jurar abandoná-lo.
    A menos que reconheçam sua culpa,
    Eles não farão mais parte do oficio.
    E se recusarem-se a obedecer
    O xerife os deterá imediatamente
    E os lançará em uma escura prisão.
    Seus bens e seu gado serão confiscados
    Pelo tempo que aprouver ao rei.

    Um outro regulamento da Arte da Geometria

    Ordenou-se que anualmente
    Uma assembleia seja realizada
    Para verificar e rectificar os erros
    Do ofício no país.
    Todos os anos ou a cada três anos,
    Conforme o caso, será assim
    No local por eles escolhido.
    Data e local serão fixados, assim como
    A localização exacta.
    Todos os homens do ofício assistirão a ela
    Assim como os senhores
    Para corrigir os erros do ofício.
    Todos aqueles que pertençam ao ofício
    Deverão jurar manter puros
    Os estatutos do ofício
    Tal como foram redigidos pelo rei Athelstan.
    Esses estatutos, por mim encontrados,
    Devem ser respeitados no território,
    Fiéis à realeza que devo a minha
    Dignidade.
    Em cada assembleia,
    Venham sentar-se junto de seu rei,
    A fim de encontrar nele a graça
    Para que ela permaneça em vocês.
    Eu confirmo os estatutos do rei Athelstan
    Que os ditou para o ofício.
    A arte dos Quatro Coroados.

    Supliquemos a Deus Todo-Poderoso
    E à Virgem Maria
    Para que sejam protegidos esses artigos
    E esses pontos,
    Como esses quatro mártires
    Que no ofício foram considerados com grande honra
    Eles eram os melhores maçons da Terra,
    Escultores em madeira, fabricantes de imagens.
    O imperador que tinha alta estima
    Por esses nobres operários
    Ordenou-lhes que criassem uma estátua à sua imagem
    Que seria venerada.
    Ele queria assim desviar
    O povo da lei de Cristo.
    Esses homens tinham fé na lei de Cristo
    E em seu ofício, que não desejavam desonrar.
    Eles adoravam Deus e seu ensinamento,
    E desejavam permanecer a seu serviço.
    Eles eram homens puros e sinceros
    Que viviam segundo a lei divina,
    Não queriam de forma alguma criar ídolos,
    Apesar do beneficio que podiam obter com isso.
    Recusaram-se a criar uma imitação de Deus.
    Não queriam renunciar a sua fé
    E se perder nos caminhos de uma falsa lei.
    O imperador irado ordenou que fossem detidos
    E mantidos em um profundo calabouço.
    Quanto mais ele os detinha prisioneiros,
    Mais eles viviam na graça do Cristo.
    Quando o rei viu que era impotente,
    Ele ordenou que os matassem.
    Se vocês quiserem saber mais
    Vocês encontrarão no livro
    Da Lenda dos santos.
    Os nomes dos Quatro Coroados
    São conhecidos por todos.
    Sua festa ocorre no oitavo dia após
    O Dia de Todos os Santos.
    Escutem agora o que pude ler.
    Bem depois que o Dilúvio de Noé,
    Que angustiou todos, secasse,
    Os homens construíram a torre da Babilónia,
    De cal e pedra, de uma tal altura
    Que nenhum homem havia visto antes disso.
    O edifício era tão comprido e tão grande
    Que fazia com sua altura uma sombra de sete milhas.
    O rei Nabucodonosor o fez robusto
    Para que, se um outro dilúvio acontecesse,
    Não destruísse a obra.
    Os homens tinham tanto orgulho
    E faziam tanto alvoroço
    Que a obra foi destruída
    Quando um anjo a atingiu.
    O anjo diversificou tanto as línguas
    Que os homens não se compreendiam mais.
    Depois de muitos anos, o bom sábio Euclides
    Andou pelo mundo para ensinar geometria.
    E ele fez outras coisas,
    Diferentes ofícios, em grande número.
    Pela graça do Cristo nos Céus
    Ele fundou as sete ciências.
    Gramática é a primeira, se não me engano.
    Dialéctica é a segunda, sejamos abençoados.
    Retórica é a terceira, não há contestação.
    Como lhes digo, Música é a quarta.
    Astronomia é a quinta, por minhas barbas.
    Aritmética é a sexta, não há nenhuma dúvida.
    Geometria, a sétima, encerra essa lista.
    Feita de doçura e cortesia,
    Gramática é uma raiz,
    Todos a encontram nos livros.
    Mas o ofício ultrapassa esse nível
    Como o fruto vai além da raiz da árvore.
    A retórica orna a palavra
    E a música é um canto melodioso.
    A astronomia faz a soma dos planetas.
    A aritmética permite mostrar que uma coisa
    É igual a outra.
    Geometria, sétima ciência,
    Permite distinguir o que é falso do que é verdadeiro,
    Estou convicto.
    Eis as sete ciências.
    Quem bem as usa pode atingir o céu.
    Filho, tenha bom senso
    Para deixar para trás o orgulho e a inveja.
    Oriente seu espírito para uma sadia sobriedade,
    Para que caminhe na boa direcção.
    Agora eu lhes digo, prestem atenção
    Ao que vem a seguir, que será muito útil.
    O que está escrito aqui
    Não é suficiente.
    Se a inteligência lhe faltar,
    Reze a seu Deus para que ele o ajude.
    O Cristo nos disse,
    Que a Santa Igreja é a casa de Deus.
    O Livro da Lei diz em verdade
    Que ela é feita para a prece.
    É lá que o povo deve ir
    Rezar e reconhecer seus pecados.
    Nunca chegue atrasado na igreja,
    Depois de se divertir diante da porta.
    Quando você for para a igreja,
    Tenha no espírito
    Que você deve honrar seu Senhor,
    Tanto de dia quanto à noite,
    Com seu espírito e sua energia.
    Na porta da igreja
    Apanhe a água benta.
    Cada gota sobre sua fronte
    Perdoará um pecado venial.
    Não esqueça de baixar seu capuz
    Pelo amor por Aquele que morreu na cruz.
    Na igreja
    Você elevará seu coração em fraternidade para o Cristo.
    Levante o olhar para a cruz
    E fique de joelhos.
    Que Ele o apoie em seu trabalho
    Como deseja a Santa Igreja
    E que Ele guarde os dez mandamentos
    Que Deus ditou aos homens.
    Suplique a Ele com humildade
    Para o proteger dos sete grandes pecados
    Para que em sua vida
    Não haja nem preocupações nem guerras.
    Peça a Ele
    Um lugar no Céu.
    Na Santa Igreja, abandone a subtileza,
    A luxúria e a obscenidade,
    Assim como sua vaidade.
    E reze seu Pater noster e sua Ave.
    Não reze ostensivamente
    Mas esteja em suas súplicas.
    Se um dia você não puder mais rezar
    Não perturbe os outros em suas devoções.
    Sobretudo não fique nem sentado nem em pé,
    Mas sim de joelhos no chão.
    Quando eu ler o Evangelho
    Você se levantará sem se apoiar sobre a parede
    E você fará o sinal da cruz, se lhe tiverem ensinado.
    Quando ecoar a Glória,
    Quando o Evangelho for dito,
    Você se ajoelhará.
    Com os dois joelhos no chão,
    Você adorará Aquele que nos remiu.
    Quando soar o sino
    Antes da Elevação
    Jovens e velhos, vocês se ajoelharão
    E elevando suas duas mãos
    Vocês dirão:
    Senhor Jesus, por seu nome que é santo,
    Livre-me do pecado e da vergonha.
    Absolve meus pecados e dê-me a comunhão.
    E poderei seguir purificado
    Para que eu não morra em estado de impureza.
    Você, nascido de uma virgem,
    Faça com que eu nunca esteja perdido.
    Quando eu deixar este mundo,
    Dê-me a felicidade eterna.
    Amém, amém, assim seja.
    Agora, graciosa dama, reze por mim.
    Quando vier a Elevação, ajoelhe-se
    E agradeça com fervor Àquele que tudo moldou.
    Feliz é aquele que pôde ver um único dia
    O Senhor.
    É um bem precioso
    Ao qual ninguém pode atribuir um preço.
    Esta visão faz um bem tão grande,
    Como disse Santo Agostinho no passado.
    No dia em que você vir Deus,
    Bebida e comida lhe serão concedidos.
    Nada o poderá prejudicar,
    Nem os insultos nem as zombarias,
    Deus o acolherá no instante da morte.
    Não tema a morte.
    Quando o momento chegar, eu lhe juro,
    Você terá os olhos abertos
    E seus passos o guiarão
    Para uma santa visão.
    O Anjo Gabriel estará a seu lado
    E manterá seus olhos abertos.
    Dito tudo isso, é hora de terminar
    Com relação à missa.
    Assista ao ofício a cada dia.
    Mas, se seu trabalho o impede,
    Quando soarem os sinos,
    Reze a seu Deus de todo o coração
    E esteja com Ele em pensamento
    Na cerimónia.
    Eu lhe recomendo,
    A você e seus Companheiros, escutar o que eu digo.
    Diante de um senhor, em sua casa, na sala ou à mesa,
    Tire o chapéu ou o capuz antes de falar.
    Fica bem se inclinar duas ou três vezes
    Diante desse senhor
    Colocando o joelho direito no chão.
    Você manterá sua honra.
    Não cubra a cabeça
    Enquanto não lhe disserem para fazê-lo.
    Quando falar com ele,
    Seja amável e franco.
    Faça como diz o Livro da Lei
    Fite-lhe os olhos amavelmente
    E examine seus pés e mãos.
    Evite se coçar ou tropeçar.
    Não cuspa jamais, nem assoe o nariz.
    Espere estar sozinho para fazê-lo.
    Você tem grandes qualidades em você,
    Mas aja humildemente.
    Quando estiver na casa de um senhor
    Seja simples.
    Não faça alarde de seu nascimento
    Ou de seus conhecimentos.
    Não assoe o nariz e não se apoie na parede.
    Uma educação honesta
    Não pode permitir tais comportamentos.
    A perfeição de seus gestos abrirá portas.
    Pouco importa quem eram seu pai e sua mãe,
    Digno é o filho que se comporta bem.
    Onde quer que você vá, são as boas maneiras
    Que fazem o homem.
    Conheça seu próximo
    A fim de lhe render a homenagem que lhe é devida.
    Nunca cumprimente todas as pessoas ao mesmo tempo,
    A menos que você as conheça.
    À mesa, Coma sem gula.
    Suas mãos estão limpas,
    Sua faca afiada?
    Não desperdice o pão pela carne
    Que você não comerá.
    Se o homem próximo a você for de condição superior,
    Ele se servirá
    Antes de você.
    Não pegue o melhor pedaço,
    Aquele que você prefere.
    Suas mãos devem estar limpas.
    Não suje o guardanapo,
    Ele não serve para você assoar o nariz.
    Não limpe seus dentes à mesa.
    Não esvazie sua taça,
    Mesmo que tenha muita sede.
    Não fique com a boca cheia
    Quando falar ou quando beber.
    E se um homem próximo a você
    Se puser a beber mais que o razoável,
    Interrompa seu discurso,
    Esteja ele bebendo vinho ou cerveja.

    Tome cuidado para não magoar ninguém
    Mesmo que ele pareça disposto a magoar você.
    Não maltrate ninguém
    Se você quiser manter sua honra.
    Palavras podem ser ditas
    Que seriam lamentadas.
    Guarde seu sangue frio,
    Você não terá arrependimentos.
    Na sala, em companhia de graciosas damas,
    Fique calado e observe.
    Evite rir ruidosamente
    E gritar como um libertino.
    Fale somente com seus pares
    E não conte tudo que você ouviu.
    Não é necessário dizer o que você faz
    Por ostentação ou por interesse.
    Maravilhosos discursos podem auxiliá-lo,
    Mas também levá-lo à sua perdição.
    Se você encontrar um homem de valor,
    Mantenha a cabeça nua.

    Na igreja, no mercado ou nos bairros,
    Cumprimente-o de acordo com sua linhagem.
    Quando caminhar com um homem
    De linhagem mais alta,
    Caminhe ligeiramente atrás dele.
    É sinal de bom gosto.
    Deixe-o falar, mantendo sua calma.
    Quando ele tiver terminado, diga o que tem a dizer,
    Com prudência e moderação.
    Nunca o interrompa,
    Mesmo que ele esteja bebendo vinho ou cerveja.

    Que Cristo, em sua grande graça,
    Dê-lhes o tempo e o espírito
    Para ler e compreender este livro,
    Para que o Céu lhes seja a recompensa.
    Amen, amen, assim seja.
    Digamos isso em uníssono, por caridade

    Manuscrito Regius
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    O Manuscrito Regius (poema maçônico, manuscrito real ou manuscrito Halliwell), data de 1390 e é composto de 794 versos com rima emparelhada em inglês arcaico, e tratam de como os mistérios maçônicos eram praticados na Inglaterra do Século XIV.

    Sua autoria não é totalmente esclarecida, sendo atribuído a um sacerdote que provavelmente tenha sido capelão ou de secretário da maçonaria.

    Foi publicado pela primeira vez em 1840 por James O. Halliwell com o título The erly History of freemasonry in England, sendo sua existência mencionada já em 1670, num inventário da biblioteca de John Seller, vendido posteriormente à Robert Scott, onde voltou a figurar em um novo inventário realizado em 1678.

    Atualmente o manuscrito encontra-se no Museu Britânico, transferido da biblioteca real (quando passou a ser conhecido por manuscrito regius) em 1757 por doação do rei Jorge II.

    [editar] Bibliografia
    BLUMENTHAL, Maurice. Antigos Textos Maçônicos e Rosacruzes. Editora Isis, 2006 (ISBN 85-88886-24-3).

  119. O mais antigo documento maçônico A Carta de Bolonha, de 1248

    O “Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis” ou “Carta de Bolonha” foi redigido originalmente em latim por um escrivão público de Bolonha, a partir das ordens do prefeito de Bolonha, Bonifacii di Cario, no dia 8 de agosto de 1248. O original é conservado atualmente no Arquivo de Estado de Bolonha, Itália.

    Tão importante documento tem sido incompreensivelmente ignorado pelos estudiosos da História da Maçonaria, por mais que as causas de seu esquecimento sejam óbvias, dado o empenho generalizado em ressaltar somente as origens inglesas da Maçonaria, e ainda assim foi publicado A. Gaudenzi no nº 21, correspondente a 1899, do Boletim do Instituto Histórico Italiano, titulando seu trabalho: “As Sociedades das Artes de Bolonha. Seus Estatutos e suas Matrículas”.

    Os autos correspondentes à “Carta de Bolonha” está integrado por documentos datados em 1254 e 1256 e têm sido reproduzidos integralmente e com fotografias do original em um livro com o título “In Bologna. Arte e società dalle origini al secolo XVIII”, publicado em 1981 – hoje já fora de catálogo – pelo “Collegio dei costruttori edili di Bologna”.

    Consciente da importância maçônica de tal documento, o Ir Eugenio Bonvicini o editou em 1982 juntamente com um Ensaio de sua autoria, apresentado oficialmente por ocasião do “Congresso Nacional dos Sublimes Areópagos da Itália do Rito Escocês Antigo e Aceito”, reunido em Bolonha naquele mesmo ano. Do trabalho do Ir Bonvicini publicou-se um resumo na Revista Pentalfa (Florença, 1984). Além disso, foi reproduzido em um capítulo de “Massoneria a Bologna”, de Carlo Manelli (Editorial Atanor, Roma, 1986) e em “Massoneria di Rito Scozzese”, Eugenio Bonvicini. (Editorial Atanor, Roma, 1988).

    Está bem claro que a “Carta de Bolonha” é, para todos os efeitos, o documento maçônico (original) sobre a Maçonaria Operativa mais antigo encontrado até hoje. É anterior em 142 ao “Poema Regius” (1390), 182 anos ao “Manuscrito de Cooke” (1430/40), 219 anos ao “Manuscrito de Estrasburgo” reconhecido no Congresso de Ratisbona de 1459 e autorizado pelo Imperador Maximiliano em 1488, e 59 anos ao “Preambolo Veneziano dei Taiapiera” (1307).

    O conhecido historiador espanhol, especializado em Maçonaria, padre Ferrer Benimeli, SJ, em seu comentário sobre a “Carta de Bolonha” diz (traduzido do italiano):
    “Tanto pelo aspecto jurídico, quanto pelo simbólico e representativo, o Estatuto de Bolonha de 1248 com seus documentos anexos nos coloca em contato com uma experiência construtiva que não foi conhecida e que interessa à moderna historiografia internacional, sobretudo da Maçonaria, porque situa-se, pela sua cronologia e importância, até agora não conhecida, à altura do manuscrito britânico “Poema Regius”, do qual é muito anterior e que até hoje tem sido considerado a obra mais antiga e importante”.

    A “Carta de Bolonha” confirma o texto das Constituições de Anderson, 1723, quando diz tê-las redigido após consultar antigos estatutos e regulamentos da Maçonaria Operativa da Itália, Escócia e muitas partes da Inglaterra. Revisando o texto do “Statuta et ordinamenta societatis magistrorum tapia et lignamiis”, não resta a menor dúvida de que este foi um dos estatutos e regulamentos consultados por Anderson. Os estatutos de 1248 foram seguidos pelos de 1254/1256, publicados em 1262, 1335 e 1336. Este último esteve vigente e inalterado até que em 1797 a “Società dei maestri muratori” foi dissolvida por Napoleão Bonaparte.

    Em 1257 foi decidida a separação entre os Mestres do Muro e os Mestres da Madeira, que até então eram uma única Corporação, mas separados desde antes nos trabalhos das correspondentes Assembléias tendo, porém, os mesmos Chefes.

    No mesmo Arquivo de Estado da Bolonha, conserva-se uma “lista de matrícula” datada em 1272 e ligada à “Carta de Bolonha”, que contém 371 nomes de Mestres Maçons (Maestri Muratori), dos quais 2 são escrivães públicos , outros 2 são freis e 6 são nobres.

    Nota do Tradutor

    Eis aqui um texto que representa um verdadeiro desafio a qualquer profissional das línguas, pelo seu conteúdo, vocabulário e expressões com cerca de 8 séculos de idade.
    O maior desafio, no entanto, seria encontrar-se com o texto original, “cara-a-cara”, e poder ler suas letras manuscritas por aqueles maçons operativos do século 13. No entanto, uma primeira pesquisa realizada na imensa biblioteca virtual que felizmente existe em nossos dias – a Internet – só encontrei a versão já previamente traduzida ao espanhol da Carta de Bolonha.

    O que fiz, portanto, foi fazer a “tradução da tradução”, consciente dos pecados que um tradutor pode cometer nesse sentido, pois não estando de posse do material (ou do texto) original, é obrigação de quem traduz “descobrir e adivinhar” o pensamento do autor original através de uma outra mente – a que a traduziu em outra língua e que me serviu agora como fonte.

    Há ainda muito a ser feito, mas o principal é um pedido que faço a todos os que puderem ler este documento: se algum Irmão for até Bolonha, na Itália, e conseguir visitar o Arquivo de Estado da Bolonha, fotografe, digitalize ou tente tirar cópias desse documento, e nos brinde a todos nós, investigadores da História e da verdade, com um material digno de ser estudado e colocado em nossas coleções. Dessa forma, os próximos tradutores e revisores deste modesto trabalho poderão ter o material original que lhes confira um melhor resultado.

    Independente disso, espero sinceramente que este texto, na forma em que está modestamente traduzida para a nossa língua portuguesa, possa servir como material de estudo a todos os Irmãos que investigam a História de nossa querida Maçonaria. Outubro de 2005. – Luc Bonneville
    Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis
    Carta de Bolonha, 1248 e.v.
    Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
    O ano do Senhor de 1248, indicção sexta.
    Estatutos e Regulamentos dos Mestre do Muro e da Madeira
    Eis aqui os estatutos e regulamentos da sociedade dos mestres do muro de da madeira, feitos em honra a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo, à Bem-Aventurada Virgem Maria e a todos os santos, e para a honra e bem estar da cidade de Bolonha e da sociedade de ditos mestres, respeitando a honra do podestade e capitão de Bolonha que a governa ou governam ou governarão no futuro, e respeitando os estatutos e regulamentos da comuna de Bolonha feitos e por fazer. E que a todos os estatutos que se seguirem se apliquem a partir do dia de hoje, o ano 1248, indicção sexta, o oitavo dia de agosto.

    I – Juramento dos supracitados mestres

    Eu, mestre da madeira e do muro que sou, ou serei, da sociedade de ditos mestres, juro, em honra a nosso Senhor Jesus Cristo, à Bem-Aventurada Virgem Maria e a todos os santos, e em honra ao podestade e capitão que é agora ou serão no futuro, e para a honra e bem estar da cidade de Bolonha, aceitar e obedecer as ordens do podestade e capitão de Bolonha e de todos os que sejam governantes da cidade de Bolonha, aceitar e obedecer todas e cada uma das ordens que me dêem o maceiro e os oficiais da sociedade dos mestres da madeira e do muro, ou um deles, pela honra e bom nome da sociedade, e conservar e manter a sociedade e os membros da sociedade em bom lugar, e de guardar e manter os estatutos e regulamentos da sociedade tal e como estão regulados agora ou serão no futuro, com respeito a tudo aos estatutos e regulamentos da comuna de Bolonha, estando preciso que estarei obrigado [e ele] a partir da [minha] entrada, e que serei livre após [minha] saída.

    E se sou chamado a dirigir a sociedade, não recusarei, mas aceitarei a direção e em consciência dirigirei, conduzirei e preservarei a sociedade e os membros da sociedade. E repartirei equitativamente as tarefas entre os membros da sociedade segundo o que eu e o conselho de mestres julgarmos conveniente. E darei e farei dar as sanções que comportam os estatutos da sociedade e, na ausência de regras estatutárias, imporei as sanções segundo a vontade do conselho. E todas as sanções que inflija por qualquer feito que seja, as farei por escrito em um caderno e as transmitirei e darei ao maceiro da sociedade. E as sanções, os fundos ou soldos da sociedade, os estatutos, e tudo o que dos fundos da sociedade estiver em seu poder, e todos os escritos ou escrituras referidas à sociedade, o maceiro está obrigado, nos termos que estabelecem os estatutos, a transmiti-los e entregá-los ao maceiro sucessor na assembléia da sociedade, sob pena de uma multa de vinte soldos bolonheses. E os inspetores de contas estão obrigados a controlar isso e a pronunciar uma sanção na assembléia da sociedade a menos que seja impedido por uma decisão do conselho da sociedade unânime ou por maioria, ou porque exista uma boa razão. E se, como oficial, quero impor uma contribuição para os gastos da sociedade, exporei em primeiro lugar a razão ao conselho, e esta será imposta tal como decidir o conselho unanimemente ou por maioria.

    II – Das palavras injuriosas contras os oficiais ou o maceiro

    Estatuímos e ordenamos que se alguém da sociedade disser palavras injuriosas contra os oficiais ou o maceiro ou contra o escrivão, ou se os acusar de mentir, que seja sancionado em o pagamento de 10 soldos bolonheses.

    III – Das sanções aos que não se apresentarem tendo sido convocados para o local fixado

    Estatuímos e ordenamos que se alguém for convocado pelos oficiais, pelo maceiro ou pelo núncio a vir ao lugar onde a sociedade se congrega, está obrigado a vir cada vez e tão freqüentemente quanto se lhe peça ou ordene, sob pena de uma multa de seis denários. Estatuímos e ordenamos que cada um está obrigado a vir ao lugar onde a sociedade se congrega cada vez e tão freqüentemente quanto lhe seja ordenado ou pedido pelos oficiais ou pelo maceiro ou pelo núncio, sob pena de uma multa de seis denários. E se não for requerido, que cada um esteja obrigado a vir no penúltimo domingo do mês, sem convocatória, de boa fé, sem engano nem fraude. Que não somente esteja obrigado a isso por juramento, senão que incorra em pena inclusive se não lhe for ordenado a vir. E se tiver chegado a um lugar onde a sociedade se reúne e entra sem autorização do maceiro ou dos oficiais, que pague a título de multa doze denários bolonheses. A não ser que, em ambos casos, tenha tido um impedimento real, ou a menos que tenha estado enfermo ou fora da cidade ou [em serviço] para a comuna de Bolonha, em cujos casos, e em outros casos também, pode invocar como escusa o juramento de obrigação de serviço. E se ele se escusa enganadoramente, que seja sancionado em 12 denários.

    IV – Da eleição dos oficiais e do maceiro e das reuniões da sociedade

    Estatuímos e ordenamos que a sociedade dos mestres da madeira e do muro está obrigada a ter oito oficiais, assim como dois maceiros, a saber, um para cada ofício da sociedade; e devem ser repartidos equitativamente entre os bairros, e eleitos por listas na assembléia da sociedade de maneira que em cada bairro da cidade existam dois oficiais, a saber um para cada arte. E que os oficiais, com o maceiro, permaneçam seis meses e não mais. E que estejam obrigados a fazer que a sociedade se reúna e se congregue no segundo domingo do mês sob pena de uma multa de três soldos bolonheses cada vez que transgredirem, a menos que não estejam impedidos por um caso real de força maior. Acrescentamos que o filho de um mestre da sociedade não deve nem pode ser inscrito nas listas eleitorais se não tiver 14 anos no mínimo. E seu pai não está obrigado a introduzi-lo na sociedade antes do dito tempo e o filho não deve ser recebido na sociedade antes do dito tempo. E que ninguém tome um aprendiz que tenha menos de 12 anos, sob pena de uma sanção de 20 soldos e que o contrato feito assim fique sem valor.

    V – Que não se possa eleger alguém que seja seu filho ou irmão

    Estatuímos e ordenamos que não se possa eleger oficial ou maceiro alguém que seja irmão ou filho do votante, e que o voto emitido para este efeito não tenha valor.

    VI – Que os mestres obedeçam aos oficiais e ao maceiro

    Estatuímos e ordenamos que se alguém da sociedade dever a outro mestre uma certa soma de dinheiro por causa do ofício, ou se um mestre tiver uma discussão com outro por causa do ofício ou dos ofícios supracitados, que os mestres que tiverem esta discordância entre si estejam obrigados a obedecer os preceitos que os oficiais dos mestres do muro e da madeira estabeleçam entre ambos, sob pena de uma multa de dez soldos bolonheses.

    VII – Como e de que maneira os mestres entram na sociedade e quanto devem pagar para sua entrada

    Estatuímos e ordenamos que todos os mestres que queiram entrar na sociedade dos mestres do muro e da madeira paguem à dita sociedade dez soldos bolonheses se estes são da cidade ou do condado de Bolonha; se não são da cidade nem do condado de Bolonha, que paguem à sociedade vinte soldos bolonheses. E que os oficiais trabalhem com a consciência a fim de que todos os mestres que não são da sociedade devem entrar nela. E que esta prescrição seja irrevogável, que [ninguém] possa estar isento de nenhum modo nem maneira, salvo se assim decidir pelo menos uma décima parte da sociedade, ou salvo se for o filho de um mestre, o qual pode entrar na supramencionada sociedade sem nenhum pagamento. E se o maceiro ou um oficial apoiar no conselho ou na assembléia da sociedade [...] alguém que quiser que fique isento dos dez ou vinte soldos bolonheses para doá-los à sociedade, que ele seja sancionado em dez soldos bolonheses. E se alguém da sociedade, estando sentado na sociedade ou no conselho, se levantar para dizer de alguém que se lhe deveria isentar dos dez ou vinte soldos bolonheses, que ele seja sancionado em cinco soldos bolonheses. E se um mestre tiver um filho ou mais de um que conheçam as artes dos mestres supracitados, ou que tenha permanecido durante dois anos aprendendo com seu pai uma das ditas artes, então seu pai deve fazê-lo entrar para a sociedade sem nenhuma recepção, pagando à sociedade como se tem dito mais acima, sob pena de uma multa de 20 soldos. E uma vez paga, está obrigado a fazê-lo entrar para a sociedade. E que os oficiais e o maceiro estejam obrigados a recolher todas as somas devidas por aqueles que têm entrado para a sociedade, e os quatro denários para as missas, e as sanções impostas durante seu tempo [de funções]. E que eles lhes façam prestar juramento na sociedade. E que o maceiro esteja obrigado a receber do mestre que entrar para a sociedade uma boa garantia de que em um prazo de menos de um mês após sua entrada na sociedade, pagará dez soldos se for da cidade ou do condado de Bolonha, como está dito mais acima. E se for de outro distrito, vinte soldos bolonheses. E se o maceiro e os oficiais no recolherem estas somas, que estejam obrigados a pagar à sociedade de seu [dinheiro] e a dar-lhe uma compensação suficiente em dinheiro ou em prendas, para que a sociedade esteja bem garantida, antes de oito dias depois do fim do mês. E que os inquisidores das contas sejam encarregados de controlar tudo tal como está dito mais acima e, se isto não for observado, a condenar segundo o que está contido nos estatutos da sociedade. Acrescentamos que qualquer um que entrar para a sociedade, que pague pela sua entrada 20 soldos bolonheses à sociedade. Isto ordenamos àqueles que em seguida se empenhem em aprender a arte, e que isto valha a partir de hoje, 1254, indicção décima-segunda, oitavo dia de março. Por outra parte, ordenamos que os que não tiveram mestre para aprender a arte, paguem pela sua entrada na sociedade três libras bolonhesas.

    VIII – Que nenhum mestre deve prejudicar outro mestre em seu trabalho

    Estatuímos e ordenamos que nenhum mestre do muro e da madeira deve prejudicar outro mestre da sociedade de mestres aceitando uma obra por período fixo depois que lhe tenha sido assegurada e formalmente prometida ou que tenha obtido esta obra de algum outro modo ou maneira. Salvo se algum mestre intervir antes de que [a obra] lhe tenha sido formalmente prometida e assegurada e aquele lhe pede uma parte, este está obrigado a dar-lhe uma parte se [o outro] a quiser. Mas se já tiver sido feito um pacto para dita obra, não está obrigado a dar-lhe uma parte se não quiser. E quem intervier, que pague a modo de multa três libras bolonhesas cada vez que assim transgredir. E os oficiais devem entregar as multas contidas nos estatutos no prazo de um mês depois de que a [infração] for clara e manifesta a eles, respeitando os estatutos e ordenamentos da comuna de Bolonha. E que as multas e penas ingressem na junta da sociedade e permaneçam nela.

    IX – Das contas que o maceiro entregar e do desempenho de seu ofício

    Estatuímos e ordenamos que o maceiro da sociedade dos mestres esteja obrigado a prestar contas aos inquisidores das contas no prazo de um mês depois de entregar seu cargo, a não ser que tenha licença dos novos oficiais e do conselho da sociedade, ou esteja impedido por um caso real de força maior. E que o dito maceiro esteja obrigado a prestar contas de todos os seus ingressos e gastos tidos e feitos durantes seu tempo [de funções]. E que todos os mestres que tenham entrado para a sociedade durante seu tempo sejam anotados em um caderno especial a fim de que se saiba se têm pago ou não. E ordenamos que todas as escrituras devem ficar em poder do maceiro. E que todas as escrituras referidas à sociedade e tudo o que tenha relação com os bens da sociedade, que o maceiro esteja obrigado a entregá-las e transmiti-las por escrito na assembléia da sociedade ao maceiro seguinte, de maneira que os fundos da sociedade não possam de nenhuma maneira ser objeto de fraude. E se o maceiro omitir fraudulentamente o supramencionado e não observar o anterior, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses. E se retiver em seu poder fraudulentamente fundos da sociedade, que restitua o dobro à sociedade. Assim mesmo, que o antigo maceiro, depois de sua saída do cargo, esteja obrigado a dar e ceder ao novo maceiro todos os fundos da sociedade, tanto as escrituras referidas à sociedade como o tesouro desta mesma sociedade no primeiro ou segundo domingo do mês. E o novo maceiro não deve prolongar o prazo para o antigo maceiro para mais de 15 dias. E que esta prescrição seja irrevogável. E se for transgredido por algum dos maceiros, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses pagos à sociedade.

    X – Da eleição dos inquisidores das contas

    Estatuímos e ordenamos que os inquisidores das contas sejam eleitos ao mesmo tempo que os oficiais, e que sejam dois, a saber, um para cada [ofício]. Que estes inquisidores estejam obrigados a examinar com diligência o maceiro e os oficiais que estarão [em função] ao mesmo tempo que o maceiro. E se descobrirem que o maceiro e os oficiais têm delinqüido em seu cargo e que têm cometido fraude ou dolo, que os condenem à restituição do dobro dos fundos descobertos em seu poder e, além disso, que os condene a restituir o equivalente da retribuição que têm recebido. E que estejam obrigados a agir assim e a examinar e condenar ou absolver no prazo de um mês depois do encerramento da função do maceiro e dos oficiais. E sendo que assim condenem ou absolvam, que estejam obrigados a fazê-lo por escrito na assembléia da sociedade. E se os inquisidores transgredirem e não observarem estas [prescrições], que cada um deles seja sancionado em dez soldos e que sejam expulsos de seu cargo, a não ser por um verdadeiro caso de força maior ou se tiverem a licença dos oficiais e do conselho da sociedade.

    XI – Da transcrição das reformas do conselho
    A fim de que nenhuma discórdia se desenvolva jamais entre os sócios, ordenamos que todas as reformas da sociedade dos mestres do muro e da madeira ou do conselho de dita sociedade estejam transcritas em um caderno especial, e que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a fazê-las cumprir sob pena de uma multa de cinco soldos bolonheses.

    XII – Que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a prestar contas de seu cargo uma só vez e nenhuma mais

    Estatuímos e ordenamos que o maceiro e os oficiais da sociedade estejam obrigados a prestar contas uma só vez de todos os ingressos e gastos. E depois de que tenham sido examinados uma vez acerca das contas a prestar, que não estejam obrigados a mais prestações de contas, a menos que forem denunciados ou acusados de ter cometido dolo ou fraude, ou de ter-se apoderado injustamente do tesouro da comuna e da sociedade, em cujo caso, que seja escutado qualquer que desejar escutar-lhes. E aqueles que têm sido examinados uma vez não devem ser examinados novamente. E que esta prescrição se aplique tanto para o passado quanto para o futuro.

    XIII – Ordens a dar pelos oficiais e pelo maceiro

    Estatuímos e ordenamos que todos os preceitos que sejam estabelecidos pelos oficiais e pelo maceiro ou um deles acerca do tesouro ou de outras coisas relativas à arte que um mestre deve dar ou fazer a outro mestre, que estas ordens sejam dadas e ordenadas em 10 dias. E se o mestre a quem se tenha dado uma ordem não a cumprir em 10 dias, que os oficiais e o maceiro estejam então obrigados nos cinco dias após estes dez dias a dar ao credor uma hipoteca sobre os bens de seu devedor, a fim de que seja pago completamente o que lhe corresponde e seus gastos. E que, além disso, seja sancionado em cinco soldos bolonheses, se os oficiais o julgarem oportuno. E que isto seja irrevogável.
    E o que deve dinheiro a outro mestre ou outra pessoa, se tiver sido convocado ou citado pelos oficiais ou pelo núncio da sociedade e não tiver comparecido diante dos oficiais ou do maceiro, que seja sancionado cada vez em doze soldos bolonheses se for encontrado e, se não for achado ao ser citado uma segunda vez, que seja sancionado na mesma soma.

    XIV – Se um mestre toma outro para trabalhar

    Estatuímos e ordenamos que, se um mestre tem uma obra por período fixado ou pago ou de qualquer outro modo ou maneira e quer ter consigo outro mestre para fazer esta obra e trabalhar com ele, o mestre que contratou o outro está obrigado a satisfazer seu preço, a menos que seja um oficial ou o maceiro da sociedade quem puser este mestre ao trabalho para a comuna de Bolonha. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado à vontade dos oficiais.

    XV – Quanto devem ter por retribuição os mestres oficiais e o maceiro

    Estatuímos e ordenamos que os oficiais e o maceiro que estarão [em função] em seguida devem ter cada um cinco soldos bolonheses por retribuição em seis meses. E que os ditos oficiais e o maceiro estejam obrigados a recolher todas as multas, sanções e contribuições antes de deixarem seu cargo, a saber, cada um por seu bairro. E se não os tiverem recolhidos antes do tempo prescrito, que sejam obrigados a pagar à sociedade de seu próprio dinheiro uma soma igual ao que não tiverem recolhido. E que os oficiais e o maceiro estejam afastados de seus cargos durante um ano depois de deixá-los. E prescrevemos que os oficiais não recebam soldo nem dinheiro, senão que o maceiro receba integralmente a totalidade dos soldos e do dinheiro e, que antes de sua saída [do cargo], pague aos oficiais sua retribuição com os fundos dos membros da sociedade.

    XVI – Dos círios que são necessários colocar por [conta da] sociedade dos mestres aos defuntos

    Estatuímos e ordenamos que sejam comprados dois círios por conta dos membros da sociedade, os quais deverão ficar na presença do maceiro da sociedade. E que sejam de dezesseis libras de cera no total, e deverão ser colocados junto ao corpo quando algum dos mestres faleça.

    XVII – Que todos os mestres estejam obrigados a acudir junto a um associado defunto quando forem convocados

    Estatuímos e ordenamos que se algum de nossos associados for chamado ou citado pelo núncio, ou por outro em seu lugar, a fim de acudir a um associado seu defunto e não se apresentar, que pague a título de multa doze denários bolonheses, a menos que tenha uma autorização ou um real impedimento. E o corpo deve ser levado por homens de dita sociedade. E o núncio da sociedade deve obter da assembléia da sociedade 18 denários bolonheses pela morte dos haveres da sociedade. E se o núncio não for nem acudir à reunião dos associados, que pague a título de multa 18 denários à sociedade. E que os oficiais e o maceiro estejam obrigados a recolher estas somas.

    XVIII – Que os oficiais estejam obrigados a assistir os associados enfermos e a lhes dar conselho

    Estatuímos e ordenamos que se um de nossos associados estiver enfermo que os oficiais tenham o dever de visitá-los se se inteirarem disso, e de lhes dar conselho e audiência. E se falecer e não tiver como ser enterrado, que a sociedade o faça enterrar honrosamente às suas expensas. E que o maceiro possa gastar até a soma de 10 soldos bolonheses e não mais.

    XIX – Que os núncios se desloquem às custas daqueles que tenham sido sancionados e que se negam a dar fiança

    Estatuímos e ordenamos que os oficiais e os maceiros que estiverem [em função] no futuro, se fixarem fianças a algum mestre por contribuições ou sanções ou outros motivos, percebam dele todos os gastos que fizerem ao [recorrer] aos núncios da comuna de Bolonha ou a outro modo para recuperá-las, afim de que a sociedade não tenha nenhum gasto. E os oficiais ou o maceiro que fizerem os gastos por isso, que os façam por sua conta, a não ser que façam este gasto segundo a vontade da sociedade ou de seu conselho. E se aquele que deve abonar o dinheiro para isso não deixar que o núncio da sociedade o empenhe, que seja sancionado em três soldos bolonheses cada vez que transgredir [esta regra].

    XX – Dos que se comprometem por contrato

    Estatuímos e ordenamos que se alguém se comprometer com outro por contrato sem que tenha permanecido nem cumprido seu tempo ao lado de seu mestre ou patrão, que não seja recebido antes do término por nenhum mestre da sociedade, e que nenhuma ajuda nem assistência lhe seja dada por nenhum mestre que tenha se inteirado disso ou a quem lhe tenha sido denunciado. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 20 soldos bolonheses.

    XXI – Que ninguém receba a bênção mais que uma só vez

    Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade receba a bênção mais que uma só vez. E quem o transgredir, que seja sancionado cada vez em seis denários bolonheses.

    XXII – Que ninguém receba a bênção de sua própria autoridade

    Estatuímos e ordenamos que se alguém receber a bênção de sua própria autoridade, seja penalizado em seis denários bolonheses cada vez que o transgredir.

    XXIII – Que ninguém deve estar além da esquina do altar

    Estatuímos e ordenamos que nenhuma pessoa deva estar junto à esquina do altar, voltado em direção à igreja, sob pena de uma multa de três denários cada vez que o transgredir.

    XXIV – Da partilha eqüitativa das tarefas entre os mestres

    Estatuímos e ordenamos que se um oficial ordenar a um mestre de seu bairro a entregar um trabalho para o município, tratando-o equitativamente com relação aos outros mestres, e este não o acode, que seja sancionado em 10 soldos bolonheses.
    E nenhum mestre deve eleger um mestre qualquer do muro e da madeira para trabalho algum da comuna de Bolonha ou outro lugar; e quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 20 soldos bolonheses. E os oficiais que estiverem no futuro, ou seja, os oficiais que estiverem presentes na cidade quando se fizer a eleição, devem fazer dita eleição repartindo equitativamente os mestres por bairro.
    E se um oficial não tratar equitativamente um mestre, cometendo dolo ou fraude, ou se agir por ódio que tiver com ele, e sendo isto claro e manifesto, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses, salvo se for convocado pelo podestade, ou por algum de seu círculo, com o fim de ocupar-se de uma obra para o município de Bolonha, e poderá associar-se a ela à sua vontade, sem pena nem multa.

    XXV – Que não se deve levantar em uma reunião de mestres para dar seu parecer mais que sobre o que for proposto pelos oficiais ou pelo maceiro

    Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade deva se levantar para falar e dar sua opinião em uma reunião mais que sobre o que for proposto pelos oficiais ou pelo maceiro. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 12 soldos bolonheses, e que pague sem restrição esta soma ou que se lhe empenhe.

    XXVI – Que não se deve fazer ruído nem gritar quando alguém falar ou fazer uma proposição na assembléia da sociedade dos supracitados mestres

    Estatuímos e ordenamos que se alguém fizer ruído em uma reunião depois que um oficial, ou oficiais, ou o maceiro, ou qualquer outro tiver feito uma proposição ou tiver tomado a palavra entre os membros da sociedade, se transgredir [esta regra], que seja sancionado em três denários e que os pague sem restrição. E que os oficiais e o maceiro assim ajam por juramento. E se não os perceberem, que paguem o equivalente à sociedade.

    XXVII – Da retribuição do núncio

    Estatuímos e ordenamos que a sociedade tenha um núncio, ou seja [um por dois bairros e] outro para os [outros] dois bairros; e devem ter, para cada um deles, 30 soldos bolonheses anuais. E devem levar os círios se alguém falecer e ir buscá-los no domicílio do maceiro. E [eles devem receber] um denário para cada comissão da parte daqueles que os encarregarem.

    XXVIII – Como e de que maneira os membros da sociedade devem se reunir por um membro falecido e em quais lugares

    Estatuímos e ordenamos que se o defunto for do bairro da porta de Steri, os membros da sociedade se reunirão em São Gervásio. Se o defunto for do bairro de São Próculo, que os membros se reúnam em São Ambrósio. Por outro lado, se o defunto for do bairro da porta de Rávena, que os membros se reúnam em São Estevão. E se o defunto for do bairro da porta de São Pedro, que os membros se reúnam na igreja de São Pedro. E que os núncios estejam obrigados a dizer de que bairro é o defunto quando convocarem os membros da sociedade. E se não o disserem, que sejam penalizados em dois soldos bolonheses cada vez que transgredirem [esta regra].

    XXIX – Que cada membro da sociedade esteja obrigado a pagar a cada ano quatro [denários] para as missas

    Estatuímos e ordenamos que cada membro da sociedade esteja obrigado a pagar a cada ano quatro denários para as missas, e que os oficiais sejam os encarregados de recolher estas somas.

    XXX – Que ninguém possa tomar um aprendiz por um tempo inferior a quatro anos

    Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade deva, de modo algum nem maneira, tomar nem amparar um aprendiz por um tempo inferior a quatro anos, e isso [com a condição de lhe dar] um par de pães a cada [semana] e um par de capões na festa de Natal e vinte soldos bolonheses em cinco anos. E quem trangredir o prazo de quatro [anos], que seja penalizado em três libras bolonhesas. E quem transgredir os vinte soldos bolonheses e os pães e os capões, que seja sancionado em vinte soldos bolonheses cada vez que transgredir cada um [destes itens]. E prescrevemos que, a partir de hoje e de agora em diante, todas as atas sejam feitas pelo escrivão da sociedade na presença de, pelo menos, dois oficiais, e devem ser transcritas em um caderno que estará sempre em poder do maceiro. E quem transgredir [esta regra], que pague a título de multa três libras bolonhesas. E que isto seja irrevogável.

    XXXI – Que cada um esteja obrigado a mostrar aos oficiais o contrato de seu aprendiz em [prazo de] um ano a partir do momento que o tenha

    Estatuímos e ordenamos que cada [membro] da sociedade esteja obrigado no [prazo] de um ano a partir do momento em que tenha tomado um aprendiz, a mostrar a ata aos oficiais da sociedade. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em cinco soldos bolonheses cada vez que transgredir.

    XXXII – Que ninguém possa tomar alguém que não seja da cidade ou do condado de Bolonha ou [que seja] um doméstico de alguém

    Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade possa amparar nem deve tomar como aprendiz alguém que seja um criado ou [que seja] de outro território. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 100 soldos bolonheses cada vez que transgredir [esta regra]. E prescrevemos que se alguém da sociedade tomar uma criada por mulher, pague a título de multa 10 libras bolonhesas e que seja excluído da sociedade. E que isto seja irrevogável.

    XXXIII – Que os mestres estejam obrigados a fazer o ingresso dos aprendizes na sociedade ao final de dois anos

    Estatuímos e ordenamos que cada mestre esteja obrigado a fazer o ingresso na sociedade de seu aprendiz, depois que este tenha permanecido ao seu lado durante dois anos, e a receber deste aprendiz uma boa e idônea garantia com relação à sua entrada na sociedade. E quem transgredir [esta regra], que seja sancionado em 20 soldos bolonheses cada vez que a transgrida, a menos que não receba dita [garantia].

    XXXIV – Que ninguém da sociedade deve trabalhar para alguém deve alguma coisa a um mestre

    Estatuímos e ordenamos que ninguém da sociedade deva trabalhar por pagamento ou por período para alguém que deve dar ou pagar dinheiro a um mestre por causa de sua arte, tão logo o tenha sabido que a questão lhe tenha sido denunciada por esse mestre ou pelos oficiais da sociedade. E quem transgredir [esta regra], que seja penalizado em 20 soldos bolonheses por mestre cada vez que a transgrida, e que pague aos mestres [as indenizações] por seu trabalho. E que os oficiais estejam obrigados a impor as multas dentro dos oitos dias posteriores a que a coisa se lhes tenha feito clara e manifesta, e a pagar aos mestres [as indenizações].

    XXXV – Que a sociedade dure 10 anos

    Do mesmo modo estatuímos e ordenamos que a sociedade deva durar nos próximos dez anos, no total, ou mais tempo segundo decida a sociedade ou a maioria por escrutínio.

    XXXVI – Que não se queixe dos oficiais diante do podestade ou de seu tribunal

    Assim mesmo estatuímos e ordenamos que um mestre da sociedade não possa nem deva de nenhum modo nem maneira comparecer diante do podestade ou de seu tribunal para se queixar dos oficiais ou de um deles. E quem transgredir [esta regra], que pague a título de multa três libras bolonhesas cada vez que a transgrida. E que isto seja irrevogável.

    XXXVII – Publicação dos estatutos

    Estes estatutos têm sido lidos e tornados públicos na assembléia da sociedade reunida pelos núncios da maneira acostumada no cemitério da Igreja de São Próculo, no ano do Senhor de 1248, indicção sexta, dia oitavo de agosto, no tempo do senhor Bonifácio di Cario, podestade de Bolonha.

    XXXVIII – Que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a recolher as contribuições

    Estatuímos e ordenamos que o maceiro dos mestres da madeira tenha a obrigação de recolher todas as contribuições impostas e as sanções pronunciadas por [ele], e as multas [imposta] durante [seu] tempo.
    E se não as recolher, que pague de seu próprio dinheiro, a título de multa, o dobro.
    E que o escrivão tenha a obrigação de recolher com o maceiro ditas contribuições, sanções e multas.
    E o núncio da sociedade deve ir com o maceiro, e se não forem, que sejam sancionados cada um em 5 soldos bolonheses cada vez que transgredirem [esta regra].

    XXXIX – Que o núncio da sociedade deve permanecer em sua função durante um ano

    Estatuímos e ordenamos que o núncio da sociedade deva permanecer [em sua função] um ano, e que tenha por retribuição 40 soldos bolonheses.

    XL – Do escrivão da sociedade

    Estatuímos e ordenamos que os oficiais e o maceiro devam tomar um bom escrivão para a sociedade, e que deve permanecer [em sua função] um ano; deve inscrever os ingressos do maceiro e seus gastos e fazer todas as escrituras, alterações e estatutos da sociedade, e deve ter por retribuição 40 soldos bolonheses.

    XLI – Que se devem fazer dois livros de nomes dos mestres da madeira

    Estatuímos e ordenamos que se devam fazer dois livros de nomes dos mestres da madeira, e o que estiver [contido] em um caderno, seja o mesmo no outro. E que o maceiro deve guardar um deles e outro mestre deve guardar o outro. E se um mestre morrer, que seja apagado destes livros.

    XLII – Das contas a prestar pelos oficiais e pelo maceiro

    Estatuímos e ordenamos que os oficiais e o maceiro devam prestar contas no penúltimo domingo do mês sob o altar de São Pedro.

    XLIII – Da confecção de um quadro

    Estatuímos e ordenamos que os oficiais que estarão [em funções] no futuro estejam obrigados cada um de fazer realizar um quadro dos nomes dos mestres da madeira segundo o que se contenha na matrícula. E se os oficiais enviarem alguém a serviço da comuna de Bolonha, ele deverá ir a seu turno com o fim de que ninguém fique prejudicado, sob pena de uma multa de 5 soldos para cada vez que transgredir [esta regra].

    XLIV – Que ninguém deve caluniar a sociedade

    Estatuímos e ordenamos que, se alguém da sociedade disser vilanias ou injúrias a respeito da sociedade, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses cada vez. E que isto seja irrevogável. E que os oficiais estejam encarregados de recolhê-las. E se não as recolherem, que paguem o dobro de seu próprio dinheiro.

    XLV – Que os oficiais devem cessar

    Estatuímos e ordenamos que os oficiais que estarão [em funções] no futuro devem abandoná-las, finalizando seu mandato.
    Adições aos estatutos dos mestres.

    XLVI – Que as sociedades devem se reunir à parte

    Estatuímos e ordenamos que a sociedade dos mestres da madeira deva se reunir à parte onde decidam os oficiais desta sociedade, e que a sociedade dos mestres do muro deva se reunir à parte onde decidam os oficiais dessa sociedade, e isso de tal forma que não possam se reunir conjuntamente. Isto, salvo se os oficiais das sociedades decidirem reuni-las conjuntamente; então, elas poderão se reunir. E os oficiais das sociedades devem estar juntos para prestar contas a todos os mestres do muro e da madeira que desejarem solicitá-las duas vezes por mês, a saber, dois domingos.

    XLVII – Da retribuição dos redatores dos estatutos

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que os quatro comissionados para os estatutos que estarão [em funções] no futuro tenham, cada um, dois soldos bolonheses por retribuição.

    XLVIII – Da confecção de um círio

    E, além disso, estatuímos que se faça a cargo da sociedade um círio de uma libra que sempre deverá arder nas missas da sociedade.

    XLIX – Dos círios a dar a cada ano na Igreja de São Pedro

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que, a cargo da sociedade, se dêem a cada ano, à Igreja de São Pedro, catedral da Bolonha, na festa de São Pedro, no mês de junho, 4 círios de uma libra. E que os oficiais que estarão [em funções] no futuro estejam obrigados a cumpri-lo sob pena de uma multa de 5 soldos bolonheses para cada um deles.
    L Que um mestre que outorgue licença a seu aprendiz antes do término não possa receber outro
    Estatuímos e [ordenamos] que se um mestre da sociedade dos maçons outorgar licença a um aprendiz seu antes do término de cinco anos, não poderá ter outro aprendiz até que atinja o prazo de 5 anos sob pena e multa de 40 soldos bolonheses.

    LI – Da compra de um manto pela sociedade

    Estatuímos e ordenamos que o maceiro e os oficiais que estiverem em [funções] no novo ano, estejam obrigados a comprar um bom manto para a sociedade a cargo dos fundos da sociedade. Que o manto seja usado sobre os [membros] da sociedade que morrerem assim como sobre os [membros] da família daqueles que são da sociedade para quem o manto foi comprado, mas não sobre alguém que não seja da sociedade.

    LII – Da retribuição do conselho de anciãos

    Estatuímos e ordenamos que o conciliário que for dado aos anciãos da sociedade dos mestres do muro seja eleito pelos oficiais desta sociedade. E que tenha como retribuição 5 soldos bolonheses a cargo dos fundos da sociedade dos que dispõem os oficiais, se durar e permanecer [em funções] durante seis meses. E se permanecerem três meses, que perceba somente dois soldos e seis moedas bolonhesas.

    LIII – Que o maceiro e os oficiais estejam obrigados a prestar contas

    Estatuímos que os oficiais e o maceiro da sociedade que estarão [em funções] no futuro, estejam obrigados a prestar contas a cada [membro] da sociedade dos maçons, a toda pessoa alheia à sociedade que o demande com relação à arte dos maçons.
    LIV Que não se deve fazer ruído em uma assembléia
    E, além disso, estatuímos e ordenamos que não se deve fazer ruído nem rir em uma assembléia da sociedade e quem o transgredir, que seja sancionado em 20 soldos bolonheses.

    LV – Que a sociedade deve se reunir na Igreja de São Pedro

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que a sociedade deve se reunir para todos os seus assuntos na Igreja de São Pedro ou sobre o palácio do senhor bispo. E que os oficiais da sociedade dêem à Igreja de São Pedro 3 círios de uma libra. E que a missa da sociedade seja celebrada nessa Igreja.

    LVI – Que deve haver vários núncios quando alguém da sociedade falecer

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que quando alguém da sociedade falecer, os oficiais da sociedade podem ter um ou mais núncios para fazer congregar os membros da sociedade junto ao corpo do defunto, e compensá-lo ou compensá-los como lhes pareça com encargo aos fundos da sociedade.

    LVII – Daqueles que não entregarem o dinheiro das missas

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que se alguém não pagar os 4 denários bolonheses pelas missas no prazo fixado pelos oficiais, que entregue o dobro ao núncio, que irá ao seu domicílio para recolher esta soma.

    LVIII – Das cópias dos estatutos da sociedade

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que todos os estatutos da sociedade sejam copiados de novo e que ali onde [se diz] os oficiais ‘do muro e da madeira’, diga só ‘do muro’, de modo que os estatutos da sociedade do muro sejam distintos dos [da sociedade] da madeira. E que isto seja irrevogável.

    LIX – Da fiança que deve dar ao núncio da sociedade

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que se [um membro] da sociedade não der ao núncio da sociedade uma fiança quando esta se lhe for solicitada por parte dos oficiais, ninguém deve trabalhar com ele, sob pena de uma multa de 20 soldos bolonheses cada vez que trabalhar com ele, a menos que se reconcilie ao mandado dos oficiais.

    LX – Da retribuição do escrivão da sociedade

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que o escrivão da sociedade tenha por retribuição, ao fim de seis meses, uma retribuição de 20 soldos bolonheses e não mais.

    LXI – Da retribuição dos inquisidores de contas

    E, além disso, estatuímos e ordenamos que os inquisidores de contas devam ter por retribuição 5 soldos bolonheses e não mais.

  120. PILULA MAÇÔNICA Nº 63

    PRANCHETA

    A “Prancheta”, também chamada de “Tábua de Delinear”, “Prancha a Traçar” ou “Prancha de Delinear”, é constituída por duas figuras e um ponto, móvel, desenhadas (ou esculpidas, ou pintadas, etc) sobre uma placa retangular de madeira, ou outro material semelhante. As dimensões usuais desse retângulo é de, aproximadamente, 40cm x 50cm,, nada impedindo que tenha outros valores.
    Uma das figuras é constituída por duas linhas paralelas horizontais e duas linhas paralelas verticais, também chamada de Cruz Quádrupla, e por duas retas que se cruzam em angulo reto, ou não, formando um “X”. Essas figuras estão uma ao lado da outra, podendo ser tanto na horizontal como na vertical. Nas pesquisas, tanto do Mestre Nicola Aslan, bem como nas do Mestre Jules Boucher, nada é mencionado sobre isso.

    A “Prancheta” é uma das “Jóias Fixas” da Loja (as outras são a “Pedra Bruta”, onde trabalham os Aprendizes, e a “Pedra Cúbica”, onde trabalham os Companheiros) e é nela (Prancheta) onde trabalham os Mestres.
    São “Esquadros” colocados de forma simples, outras vezes sobrepostos formando quadrados, constituindo o Alfabeto Maçônico, e reproduzindo, desse modo, o equivalente às letras do nosso alfabeto. Um item bastante importante é o “ponto” que é usado com critério, para diferenciar a letra “a” da letra “b”, ou letra “o” da letra “p”, como exemplos. Na verdade, existem dois tipos com origens diferentes, com pequenas diferenças entre si: um sistema denominado “Alemão” e outro denominado “Inglês”. Ambos são lidos, sempre, da direita para a esquerda,
    Em Loja, a Prancheta fica apoiada no Altar, na parte inferior, na direita do Venerável Mestre quando sentado no Trono.
    Segundo Jules Boucher, ignora-se a origem desse alfabeto maçônico.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
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  121. PILULA MAÇÔNICA Nº 64

    Grade do Oriente

    As igrejas católicas foram, sem dúvidas, juntamente com o Parlamento Inglês, os principais arquétipos dos Templos Maçônicos, sendo o primeiro deles erigido na Inglaterra, em 1776.
    Esses Templos tem a orientação dirigida do Ocidente para o Oriente, tendo a direita, de quem entra, o Sul, e na esquerda, o Norte.
    Normalmente, mas nem sempre é obedecido, o Ocidente é uma vez e meia maior do que o Oriente, no comprimento. Nos Templos onde se praticam alguns Ritos, como o R.:E.:A.:A.:, por exemplo, existe uma grade baixa, conhecida como Balaustrada, ou Gradil, ou Grade do Oriente, com uma passagem no meio dela, separando o Oriente do Ocidente (nos templos onde se praticam os Ritos de York e Schroeder, ela não existe).
    Nesses Templos onde existe a Grade do Oriente, ela nada mais é, do que uma separação física, delimitando as duas áreas citadas acima. Nas Igrejas, existe algo semelhante, a qual separa o Presbitério da Nave, e que a Maçonaria, sabiamente copiou.
    Assim, o Oriente dos Templos Maçônicos onde ficam o Venerável Mestre, autoridades Maçônicas, Mestres Instalados, etc, assemelha-se ao Presbitério, onde ficam os Sacerdotes. O Ocidente, onde ficam os demais Obreiros, assemelha-se à Nave, onde ficam os fiéis.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
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  122. PILULA MAÇÔNICA Nº 65

    Free Masons

    Por que será que apareceu o termo “Free Mason – Maçom livre”? Esse termo foi originado na época dos Maçons Operativos, na Inglaterra, Escócia ou Irlanda .
    Há muitas teorias: um homem era um Maçom livre porque seus antecedentes não eram escravos e ele não era um escravo
    Ele era assim chamado porque ele era livre dentro da Guilda a qual pertencia ou era livre das leis da Guilda a qual pertencia e podia, então, viajar e trabalhar em outros locais ou outros países, conforme suas necessidades, desejos ou quando era requisitado. Isso nos leva a conclusão que havia dois tipos de Maçons: o Maçom que fazia um serviço mais rústico e um outro tipo que fazia um serviço que requeria mais habilidade, mais conhecimentos, mais destreza. Era este último que dava o acabamento, a beleza, a arte nas construções: era o artesão especializado, o artista! E era requisitado, obviamente, pelos reis, alto clero e nobres. Esse era, provavelmente, o Free Mason.
    Pessoas com essas habilidades não são feitas. Elas nascem artistas e se desenvolvem, ou não. Não se produz um Michelangelo, ou um Leonardo da Vinci, ou um Rafael. Eles aparecem independentemente de nossos desejos (que fique claro que não estou afirmando que esses últimos citados fossem maçons operativos. São somente exemplos de artistas).
    O Free Mason podia ter sido assim chamado porque ele trabalhava um tipo de pedra, adequada e fácil de se trabalhar manualmente, chamada “freestone”, existente nas Ilhas Britânicas. Elas podem ser cortadas, cinzeladas e esculpidas facilmente.
    Ele podia ser sido chamado de “livre” quando tinha terminado seu aprendizado, na fase de Aprendiz e se tornado um Companheiro dentro da Ordem (Fellow).
    Ele podia ter sido chamado de “livre” quando saiu do estado de servo feudal e legalmente se tornado livre.

    Em algum tempo, os Maçons foram chamados de “ Free Mason – Maçom livre” por alguma dessas razões mencionadas acima, ou talvez devido a todas elas.
    O consenso, conforme dou a entender no terceiro parágrafo, tende para a teoria de que o termo Free Mason era devido a sua habilidade, seu conhecimento e sua destreza que o tornavam livre de determinadas condições, leis, regras e costumes, as quais limitavam maçons com menores habilidades, na época das construções das grandes Catedrais.

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  123. Fernando disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 66

    Maçom Aceito

    O termo “Aceito” aparece muitas vezes nos documentos atuais da Maçonaria Simbólica e, obviamente, é de total interesse dos maçons.
    Membros da “Companhia de Maçons de Londres” e da antiga “Companhia da Cidade” foram “aceitos na Ordem” e considerados e mantidos como Maçons nas Lojas. Após essa “Aceitação”, homens se tornavam Maçons, conforme anotações na seção de procedimentos das citadas companhias. Elias Ashmole, por exemplo, foi um dos “Aceitos”.
    O Maçom Aceito do século XVII na Inglaterra, era essencialmente diferente de um membro operativo, e talvez até, mais importante. Nessas companhias de Maçons deveria ter, nessa época, maçons operativos, juntamente com os “aceitos”, que eram homens que nunca haviam tocado numa ferramenta de trabalho em toda sua vida. Eram aristocratas, cavalheiros, que foram admitidos devido seu patrimônio ou pela gentileza dos demais sócios. Mas, o Maçom Aceito era, originalmente, tanto em caráter, como para todos os propósitos práticos, um Maçom como qualquer outro.
    Dessa pratica em uso, cresceu ao longo do tempo, o uso das palavras “Aceito” ou “Adotado” para indicar um homem que tinha sido admitido dentro da irmandade dos maçons simbólicos. Existem poucas referencias históricas, entretanto, não há nenhuma duvida que os maçons, mais geralmente conhecidos como Maçons Aceitos, foram se tornando bem conhecidos no ultimo quarto do século XVII.
    Nas Lojas da Maçonaria Escocesa Operativa era comum o uso do termo “Admitido” entre os seus membros. Aliás, na pequena nobreza e nas famílias conceituadas, também era comum o uso desse termo.

    Livre e Aceito.

    Apesar do termo “Maçom” estar em uso nos dias da idade média e candidatos serem “aceitos” na Francomaçonaria, na metade do século XVII, a primeira vez que apareceu a frase “Maçom Livre e Aceito” foi em 1722, cinco anos após a Primeira Grande Loja ter sido fundada. Isso ocorreu no título de um panfleto, que hoje é conhecido como “Roberts´ Pamphlet”, imprimido em Londres em 1722. O título era: “As Antigas Constituições pertencentes a Antiga e Respeitável Sociedade dos Maçons Livres e Aceitos ”. Oficialmente, a frase foi usada pelo Dr.Anderson na segunda edição das Constituições em 1738 e ao longo do tempo, foi adotada pelas Grandes Lojas da Irlanda, Escócia e grande numero das Grandes Lojas dos EUA.
    A teoria admitida é que as duas palavras entraram em conjunção para um objetivo comum, pois muitas antigas Lojas tinham entre seus membros, “Maçons Aceitos” e outros que eles chamavam de “Freemasons – Maçons Livres”.
    Isso, tanto na Maçonaria Operativa, como na Especulativa. Então, foi razoável aceitar o termo “livre e aceito” para cobrir os dois grupos que se expandiam rapidamente e que estavam em fusão.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
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  124. A CASA DO ESPÍRITO SANTO

    José Marcelo Braga Sobral – F.R.C

    O grau 18 do Rito Escocês recebeu vários nomes: Sublime Príncipe Rosa-Cruz, Cavaleiro Rosa-Cruz e Cavaleiro da Águia Branca e do Pelicano. Também receberam o título de Rosa-Cruz o grau 4 do Rito Escocês Filosófico de 15 graus, o grau 8 do Rito Escocês Filosófico de 18 graus, o grau 18 do Rito Escocês Primitivo de 25 graus, o grau 22 do Rito Escocês Primitivo de Namur, o grau 7 do Rito Francês, o grau 9 do Rito de Adoção, o grau 46 do Rito de Mizraim, o grau 12 do Rito Adonhiramita etc. Por que um grau Rosa-Cruz em todos os ritos maçônicos? Seria para homenagear a irmandade dos antigos Rosa-Cruz pelo inestimável serviço que prestou à primitiva maçonaria ou é uma alusão ao mais elevado “estado” de evolução que o homem, enquanto homem, pode atingir? Se considerarmos a primeira como verdadeira, está implícito um autêntico espírito ecumênico na maçonaria por abrir espaço para outras Organizações na sua liturgia; a segunda é indicadora do mais alto grau de evolução que o homem encarnado pode atingir: o estado de Rosa-Cruz, de plena Realização, o estado Crístico, a esfera Tiphereth da Cabala, o ômega da evolução humana. Coincidentemente o grau de Cavaleiro Rosa-Cruz preserva a essênciada Tradição Cristã (a Tradição Ocidental) cujo expoente maior é Jesus, o Cristo, Ele (o Cristo) é o verdadeiro e Sublime Príncipe Rosa-Cruz. Em sua direção, caminhamos (aliás Ele é o Caminho…) e aspiramos atingir, um dia, ao seu estado divino de elevadíssima evolução. Todos os Cavaleiros que estão trilhando a Senda realiza, ao seu nível, o experimento de Jesus, para que o Cristo Interno seja despertado. Essa é a meta de todas as iniciações autênticas.

    Quanto à Organização que leva o nome de Rosa-Cruz, a AMORC, ela, simplesmente, prepara seus adeptos, segundo determinada técnica, para a finalidade acima mencionada: o estado de Rosa-Cruz. Na verdade, a Organização externa funciona como suporte para proteger esse Princípio Superior, quando se exterioriza aqui, na Terra, por força de determinados ciclos cósmicos.

    A liturgia do grau 18, conserva além da tradição cristã, outras tradições como a hindu, a budista, a judaica, a islâmica e outras. Isto é significativo no contexto do estado Crístico a que nos referimos, porque todos os caminhos levam ao referido “estado”. O grau é um traço de união entre às diversas expressões da Tradição Primordial.

    Após essa introdução, enfocaremos algo muito significativo que se encontra no Ritual do Grau 18: A CASA DO ESPÍRITO SANTO onde os Cavaleiros Rosa-Cruz reuniam-se uma vez por ano, no Dia C, na Quinta-Feira Santa.

    Essa citação a “Domus Sancti Spiriti” foi retirada do famoso Manifesto Rosa-Cruz, FAMA FRATERNITATIS o qual fora publicado em 1615. O estudo desses Manifestos é importante para compreendermos aspectos profundos do grau e dos ciclos de renascimento que regem a Rosa-Cruz.

    Ao todo foram quatro os Manifestos: O primeiro, A REFORMA UNIVERSAL, surgiu na Alemanha em 1614; ele retratava a deplorável situação da época com seus conflitos desafiadores. Usando de inteligente sátira, relata as sugestões dos sete sábios da Grécia para resolver aqueles conflitos.

    FAMA FRATERNITATIS anunciava a abertura de um novo ciclo da Rosa-Cruz para o aprimoramento da humanidade, purificação da religião, reforma da igreja, progresso do conhecimento e da Ciência. O manuscrito conta a história simbólica de Christian Rosenkreutz e dos demais personagens que esse nome encobre e de como eles partiram em busca da sabedoria das antigas iniciações. Depois do périplo que empreenderam, reuniram-se na Domus Sancti Spiriti onde organizaram os ensinamentos da Fraternidade que revolucionariam a mentalidade da época.

    Esse segundo Manifesto traz os nomes (apenas as iniciais) dos 12 personagens que fundaram a primeira CASA DO ESPÍRITO SANTO do Continente europeu e entre eles, destacaremos o verdadeiro autor dos Manifestos: Fra. F.B.M.P.A. (Frater Franciscus Baco Magister Provinciallis Anglicus = irmão Francis Bacon Mestre Provincial para a Inglaterra). Não é interessante o fato do ritual do grau 18 mencionar justamente o nome de Francis Bacon?

    Muitos autores não iniciados na Ordem Rosa-Cruz, AMORC, ousaram escrever sobre esses Manifestos e principalmente sobre Christian Rosenkreutz e como era de se esperar tiraram conclusões apressadas… Há conhecimentos que continuam, até hoje, reservados a um pequeno número de buscadores e nunca foram impressos em livros.

    CONFESSIO FRATERNITATIS (ou Confissão da insigne Confraria da Mui louvável Rosa-Cruz), o terceiro Manifesto, revelou os objetivos da Fraternidade.

    AS NÚPCIAS ALQUÍMICAS é o maior e o mais importante desses escritos místicos. Ele aborda, simbolicamente, o processo para atingir o “estado” Crístico. De uma maneira insólita Christian Rosenkreutz recebe, na véspera do Dia da Páscoa, a visita de uma criatura alada e misteriosa que o convida para o CASAMENTO ALQUÍMICO. Em sete jornadas ele enfrentou duras provas, ultrapassou portais, câmaras de iluminação em sua alta iniciação até ser sagrado Cavaleiro da Pedra Áurea.

    Devido ao surgimento da imprensa, esses Manifestos causaram um impacto enorme na mentalidade da época, uma verdadeira revolução cultural que abalou as bases da igreja e do estado.Até mesmo a forma de propaganda usada foi revolucionária, considerando a intolerância religiosa e política. Imaginemos, por uns instantes, os franceses lendo em cartazes (out-doors?) espalhados pelos ruas de Paris a seguinte proclamação: “Nós, delegados do nosso Colégio principal de Irmãos da Rosa-Cruz, residimos visíveis e invisíveis, nesta cidade, mercê do Altíssimo, para quem se voltam os corações dos justos…”

    Mas o que significaria a CASA DO ESPÍRITO SANTO, onde os Cavaleiros se reuniam em conclaves secretos na Quinta-feira de Endoenças? Isto é um mistério que não pode ser traduzido pela linguagem do intelecto. Os grandes sábios reconheceram que os maiores mistérios do universo estão refletidos na consciência humana. O problema é que estamos num estágio evolutivo que nossa mente objetiva não reage às freqüências superiores da alma.

    Os místicos aprenderam a se harmonizar com os níveis hierárquicos superiores da consciência; por isso têm profunda compreensão de Deus, da natureza e do homem.

    “Este dia, este Dia este Dia

    É o Dia das Núpcias Reais

    Se teu o nascimento no convida

    Se Deus te predestinou a alegria…” (As Núpcias Alquímicas )

  125. GOB-SP n.º 1522 – À G.˙.D.˙.G.˙.A.˙.D.˙.U.˙. – Aug.˙. Resp.˙. e Benf.˙. Loj.˙. Maç.˙. “FRANCISCO GLICÉRIO” – 1522
    Jurisdicionada ao G.˙.O.˙.S.˙.P.˙. e Federada ao G.˙.O.˙.B.˙.

    A VIDA DE JESUS SEGUNDO A BÍBLIA
    CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

    A verdadeira história, vive apenas de fatos e não de especulações, todavia, aqueles que relatam a realidade desses fatos históricos de sua época, agem muitas vezes por interesses pessoais, emoções, talvez até para preservar a sua integridade física: Quando a liberdade de expressão é controlada pelo poder, leva o historiador a relatar fatos não verdadeiros.

    A arte de pensar é a manifestação mais sublime da inteligência humana.
    Muitos homens deixaram registrados ao longo da história a sua sabedoria, que hoje nos valemos desses ensinamentos para construirmos o nosso mundo das idéias no campo científico, cultural, filosófico e espiritual.

    Hoje existem grandes pesquisadores, revolucionando o mundo da literatura, publicando pesquisas que contradizem os pensamentos religiosos, políticos, sociais, bem como, a vida de homens que até então eram idolatrados pelo mundo.

    Houve um homem que viveu ha muitos séculos, e que mostrou a sua inteligência, entretanto, deixou resquício de mistério em alguns momentos fundamentais da vida terrena, esse homem era Jesus Cristo.

    A sua trajetória abalou os alicerces da história humana. Sua vida sempre foi difícil, sem nenhum privilégio social e econômico.

    O sistema político e religioso, foi sempre tolerante e dócil com todos , porém, não foi tolerante com ele. Cristo vivenciou sofrimentos e perseguições desde sua infância, que sempre recebeu com resignação.

    Cristo foi amado por muitos, mas na mesma proporção foi perseguido, rejeitado e odiado pelos homens que detinham o poder político e religioso de sua época.

    PARTE – 01

    D E S C E N D Ê N C I A DE J E S U S:

    SÍNTESE DA GENEALOGIA DE JESUS

    · Roboão
    · Abias
    · Asa
    · Josafá Jorão
    · Uzias
    · Joatão
    · Acaz
    · Ezequias
    · Manasses
    · Amon
    · Josias
    · Jeconias (Joaquim) – 609 a 598 A .C
    · Salatiel
    · Zorobabel
    · Abiúde
    · Aquim
    · Azor
    · Sadoque
    · Eliaquim
    · Eluíde
    · Eleazar
    · Mata
    · Jacó
    · José
    · Jesus

    O QUE PASSAMOS A RELATAR – ESTÁ ESCRITO:

    · A BIBLIA EM – ISAIAS – 07

    Está escrito:
    14 – Eis que uma virgem conceberá, e dará a “luz um filho”, será o seu nome
    “EMANUEL”

    · MATEUS – 1

    Está escrito:
    23 – Eis que a virgem conceberá e dará à “luz um filho” , e chama-lo-ão pelo nome de “EMANUEL” , que traduzido é: Deus conosco.

    S E G U N D O
    O NOVO TESTAMENTO

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 3

    Os pais procuravam o menino Jesus por toda a Jerusalém.

    46 – E aconteceu que, passados três dias o acharam no templo, assentado no
    meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.

    47 – Todos os que ouviram admiravam a sua inteligência e respostas.

    Depois disso só há registro de sua vida pública, cerca de vinte anos depois, quando ele iniciou a sua pregação e a divulgação de suas idéias, como se pode ver no Evangelho segundo Mateus.

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 23

    8 – E Herodes, quando viu Jesus, alegrou-se muito; porque havia muito que
    desejava vê-lo, por ter ouvido dele muitas coisas, e esperava que lhe
    veria fazer algum sinal:

    9 – E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia.

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 24

    A Sepultura de Jesus – José de Arimatéia

    52 –Esse chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus.

    53 –E,havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro escavado
    numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto.

    55 –E as mulheres, que tinham vindo, com ele da Galiléia, seguiram também e
    viram o sepulcro, e como foi posto o corpo.

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 24

    A Ressurreição

    24 – 1) No primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao
    sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado.

    24 – 2) E acharam a pedra revolvida do sepulcro.

    24 – 3) E entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus.

    JESUS APARECE AOS DISCIPULOS:

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 24

    36 – E, falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio,
    deles, e disse-lhes: Paz seja convosco.

    37 – E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito.

    38 – E, ele lhes disse: Porque estais perturbados, e porque sobem tais
    pensamentos aos vossos corações ?

    39 – Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: apalpai-me e
    vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu
    tenho.

    40 – E dizendo isto, mostrou-lhes, as mãos e os pés.

    41 – E, não o crendo eles, ainda por causa da alegria, e estando maravilhados,
    disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer ?

    42 – Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel.

    43 – O que ele tomou, e comeu diante deles.

    · A BÍBLIA EM – EPÍSTOLAS AOS HEBREUS – 5, 6, 7

    A Bíblia descreve Jesus como sacerdote da Ordem Melquisedeque.

    5 – Assim também Cristo não glorificou a si mesmo, para se fazer sumo
    sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu filho, hoje te gerei.

    6 – Como também, diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a
    Ordem de Melquisedeque.

    20 –Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo
    sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

    · MELQUISEDEQUE

    Título dado ao grau 5 do Rito dos Irmãos iniciados da Ásia, na Europa eram chamados os Sacerdotes Reais ou Verdadeiros Irmãos Rosa-Cruzes.

    Enciclopédia Maçônica – David Caparelli – Editora Madras

    PARTE – 02

    A VIDA DE JESUS
    SEGUNDO A LITERATURA APÓCRIFA

    PERGAMINHOS DO MAR MORTO

    J U D A Í S M O

    O domínio estrangeiro, provocou no judaísmo uma profunda crise de identidade, não havendo pensamento único.

    A Palestina onde nasceu Jesus, era uma terra de muitas nações, muitas línguas e de muitos interesses diferentes entre si, portanto, a paz e a harmonia entre esses povos eram impossíveis.

    Entre os hebreus, seguidores da fé judaica, havia alguns que não reconheciam outros da mesma fé, visto que as distinções por eles estabelecidas, era ordenada por Deus.

    No mundo financeiro, comerciais, as grandes riquezas e negócios, pertenciam aos judeus, que detinham um considerável poder no mundo da política.

    A classe dominante dos hebreus, tinha como hábito desprezar tudo que o cercava.

    Nas sinagogas, locais de reunião das classes dominante dos hebreus, a separação de classes era estritamente observadas, sendo as mulheres consideradas incapazes.

    Os judeus se dividiam em três escolas filosóficas:

    · SADUCEUS: teólogos literalistas e conservadores, discordavam dos demais israelitas, eram os grandes proprietários de terras e membros da elite sacerdotal. Esse grupo seguia uma política de conciliação com os dominadores romanos.

    · FARISEUS: Viviam isolados do resto da comunidade, pertenciam à classe dos artesãos e pequenos comerciantes: ZELOTES: Constituía-se em dissidentes radicais dos fariseus, eram pequenos camponeses, eram ferozmente perseguidos pelos romanos. Entre os discípulos de Jesus, havia pelo menos dois zelotes – Simão e Judas Iscariotes.

    · ESSÊNIOS: A partir de 1947, com a descoberta dos manuscritos do Mar Morto, que muitos passaram a atribuir aos essênios um papel na formação de Jesus Cristo.

    Os essênios eram um grupo de dissidentes do clero de Jerusalém. Viviam monasticamente, seus bens eram divididos por todos, celebravam comunitariamente a ceia sagrada, não praticavam o comércio e não aceitavam nenhuma forma de violência. Eles habitavam o MOSTEIRO MONTE CARMELO , que ficava próximo a Cesaréia, banhado pelo Mar Mediterrâneo.

    Sua tradição teve sua origem no templo do profeta Elias, que era formado por módulos concêntricos que se originavam num núcleo central, separado dos demais por altos muros que o mero visitante não tinha autorização para transpor. No seu interior, processavam-se os rituais mais sagrados, apenas acessíveis aos iniciados, sendo essa seita instituída em 150 e 140 a. C.

    Ali se estudava e se aprofundava, sempre e exclusivamente em função da busca da verdade e da prática ética. Essa filosofia só era aplicada na comprovação da existência do Gr.˙.Arq.˙.do Universo

    Os essênios de Qumrã se consideravam os únicos religiosos de Israel, e acreditavam que através do seu fundador sacerdotal, conhecido nos manuscritos como “O MESTRE DA RETIDÃO”

    Segundo consta: Os essênios foram responsáveis na formação de Emanuel, que com doze anos de idade, procurou ingressar na Ordem, como não era permitida iniciação com aquela idade, os sacerdotes essênios levaram-no para educá-lo numa escola na Alexandria e na Ásia. Ao completar 17 anos , Emanuel foi iniciado na Ordem dos Essênios que recebeu o nome simbólico de JESUS que quer dizer JUSTO, e na Exaltação recebeu o nome simbólico de CRISTO, que significa PERFEITO. Até a idade de dezessete anos só era conhecido pelo seu nome profano Emanuel.

    Os essênios, foram bem conhecidos, historicamente, graças a Flávio Josefo e Filon, historiadores contemporâneos de Jesus, que se tornaram mais conhecidos a partir da descoberta dos manuscritos de Cumrán, ou manuscritos do Mar Morto, cujo conteúdo mostra a participação importante na vida de Jesus Cristo:

    A VIDA MÍSTICA DE JESUS
    SEGUNDO O ESCRITOR E PESQUISADOR H. SPENCER LEWIS

    A VIDA DE MARIA

    No tempo das seitas místicas e cultos sagrados da Grande Fraternidade Branca do Oriente, houve certo Joaquim, alto SACERDOTE DO SAGRADO TEMPLO DE HÉLIOS, que ficava fora dos portões de Jerusalém, Ana esposa de Joaquim deu à luz a uma criança, uma menina, como haviam predito os astrólogos (MAGOS) do Templo.

    Ana purificou-se e amamentou a criança, chamando-a Maria.

    Quando Maria fez doze anos, o Sumo Sacerdote escolheu 144 bastões sagrados, purificou diante do Altar e entregou a cada viúvo, disse a José: Foste escolhido para receber a virgem dedicada a Hélios, José ficou temeroso, entretanto, concordou levar a Virgem da Fraternidade

    Maria deu à Luz a seu filho primogênito Jesus.

    DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Seu nascimento e infância são descritos nos evangelhos, principalmente no de Lucas, terminando no regresso da família à Nazaré, depois da fuga para o Egito.
    Segundo o escritor Laurence Gardner, no livro “A Linhagem do Santo Graal”, afirma que o nascimento de Jesus foi ao dia 1º de Março. O imperador romano Constantino, o Grande mudou arbitrariamente a data oficial do aniversário de Jesus para 25 de dezembro e muitas pessoas continuam acreditando que seu nascimento físico se deu no dia 25.

    Para confirmar essa suposição, os pastores que o visitaram no dia do nascimento, estavam no campo cuidando dos rebanhos, entretanto, em dezembro as condições da Palestina seria impossível nessa época os pastores cuidarem dos rebanhos.

    No antigo Egito, o dia 25 de dezembro foi celebrado por muitos séculos como aniversário de muitos deuses.

    Na Pérsia, as cerimônias mais esplêndidas eram em honra a Mítra, cujo nascimento ocorrera em 25 de dezembro, segundo a tradição.

    QUEM ERAM OS MAGOS ?

    Os MAGOS, que a Bíblia se refere, pertenciam a uma casta Sacerdotal: Eram instrutores sábios e altos representantes das grandes academias e escolas de mistérios do Oriente.

    O título de MAGO era concedido depois de provado ser um mestre em artes, ciências, medicina, além de místico desenvolvido em todos os sentidos.

    Os MAGOS eram consultados pelos Reis e pessoas cultas de todas as terras, sobre assuntos astrológicos, medicina, lei natural, lei espiritual e outros assuntos que requeriam raciocínio e notável cultura. Chegavam a ocupar cargos de grandes conselheiros em cortes e tribunais de última instância para disputas de toda natureza.

    Os REIS MAGOS pertenciam a Fraternidade Branca. Não estiveram presente no nascimento de Emanuel e sim na sua Exaltação da Ordem dos Essênios (Fraternidade Branca), que ocorreu no dia 25 de dezembro: Vieram para lhe prestar homenagem, por ser ELE O AVATAR do novo ciclo: Este reconhecimento indica que Jesus era aguardado pela Fraternidade Branca.

    QUEM ERAM OS AVATARES ?

    O dicionário da Língua Portuguesa de Antonio Houaiss: diz que o AVATAR na crença INDUÍSTA, refere-se à descida de um ser divino a terra, em forma materializada ( cultuados pelos hindus são: Krishna e Rama; Avatares do deus Vixnu ( Índia). Os Avatares podem assumir a forma humana ou a de um animal).

    O escritor Spencer Lewis, quando relaciona Jesus a um AVATAR, está focando sua idéia na cultura HINDUÍSTA. Para os hinduístas os AVATARES eram os mensageiros DIVINOS, nascido de uma virgem.

    “O escritor busca os ensinamentos da cultura HINDUÍSTA, para afirmar
    que Jesus era um mensageiro divino, por ter nascido
    de uma virgem, portanto, uma colocação
    extremamente folclórica”.
    Grifo Nosso

    Os nomes simbólicos dos MAGOS, eram: Gaspar (Rei da Índia), Melchior (Rei do Egito) e Baltazar (Rei da Babilônia).

    Na Pérsia, as cerimônias mais esplêndidas eram em honra a Mítra, cujo nascimento ocorrera em 25 de dezembro, segundo a tradição.

    A VIDA DE JESUS DOS 13 AOS 30 ANOS

    Emanuel foi o nome dado a Jesus ao vir ao mundo. Era um menino possuidor de alta inteligência e Q. I. bastante alto, pela maneira como se conduziu e discutiu com os Doutores.

    Jesus com 13 anos de idade, ao discutir com os Doutores no Templo, que eram conhecedores tradicionais da sua própria fé e desconheciam as idéias novas e mais elevadas ensinadas nas escolas da Fraternidade. Esse foi o motivo que Jesus surpreendeu aos Eruditos do Grande Sinédrio (Oficiais, Sumos Sacerdotes e Professores Eruditos).

    Essa fase oculta na vida de Jesus, não é abordada pelos historiadores contemporâneos, nem pelos evangélicos.

    Jesus esteve na ÁSIA na, PÉRSIA, na CALDÉIA, na GRÉCIA, na ÍNDIA (centro do budismo), e no EGITO: (aperfeiçoando seus conhecimentos).

    PASSAMOS A RELATAR A TRAJETÓRIA DE JESUS:

    O jovem Jesus foi entregue aos cuidados de dois MAGOS, que vieram ao Carmelo, para acompanhá-lo para JAGANNATH, na Índia (centro do budismo), onde Jesus permaneceu pouco mais de um ano no mosteiro como estudante, e se tornou totalmente familiarizado com os antigos ensinamentos e rituais de aperfeiçoamento da fé budista, sendo o seu mestre LAMAAS.

    Depois de um ano, foi visitar outras partes da índia, com o simples objetivo de conhecer a arte, a lei e a cultura daqueles povos.

    Jesus retornou ao mosteiro de JAGANNATH ( Índia), sendo seu nome atual PURI, onde ficou por mais dois anos na pequena cidade de KATAK. Um professor lhe ensinou a arte de instruir e ensinar pelo uso de parábolas ou histórias.

    Depois de passar um ano na Pérsia, Jesus e seus guias prosseguiram em direção ao Eufrates e passou bastante tempo nas cidades e vilas da Caldéia.

    A seguir Jesus foi para Grécia, onde ficou sob os cuidados pessoais de Apolônio.

    Passado pelos testes e por outros exames realizados diante dos conclaves de Sumos Sacerdotes, e após ter completado toda preparação que a Fraternidade prescrevera, foi finalmente admitido na categoria de Mestre da Grande Fraternidade Branca.

    O título de Mestre sempre foi usado pelos Essênios quando se referiam a Jesus.

    E assim todos os povos foram devidamente avisados, e iniciou-se o grande trabalho de Jesus.

    O escritor H. Spencer Lewis, afirma que a metade do poder de Jesus era Divino, nascido com ele: A outra metade foi adquirida ao longo do estudo, treinamento e experiência.

    Jesus foi um modernista, portanto, contrariava os costumes e ensinamentos da época.

    Consta que Pilatos havia se beneficiado de um trabalho místico de Jesus, o qual resultaria na cura de um mal em sua mão.

    Jesus aprendeu a falar HEBRAICO, ARAMAICO e GREGO. Esse conhecimento foi adquirido na educação terrena; não podemos conceber que Deus tenha inspirado o conhecimento dessas línguas na consciência de Jesus, portanto, essa é a racionalidade da sua educação.

    No pátio externo da Esfinge da Pirâmide de Quéops, Jesus foi vestido de púrpura (antigo tecido riqueza simbólica ou alta dignidade social) para cerimônia preliminar que era realizada a meia-noite, em seguida foi escoltada pelas passagens secretas até a sala de recepção sob a Pirâmide, onde começou a sublime cerimônia de sua elevação, sobre sua cabeça foi colocado o diadema real, para indicar que ele não era um Neófito, nem mesmo igual entre os Mestres da Fraternidade.

    Quando tudo terminou os oficiais e membros do Conselho Supremo, seguiram em marcha cerimonial para as câmaras inferiores (Câmara Secreta), onde foi realizado a primeira Ceia do Senhor (Uma festa Simbólica).

    No dia seguinte, foram enviados mensageiros do Egito para todas as terras onde havia ramos da Fraternidade. Entres os mensageiros estava João da Fraternidade Essênia da Palestina.

    CONSTRUINDO A GRANDE PIRÂMIDE

    O
    ENTRADA E DIVISÃO INTERNA DA GRADE PIRÂMIDE

    ACESSO A

    > A estreita Passagem Asdente (aprox.
    PASSAGEM DE ACESSO À GRADE GALERIA CÂMARA DA RAINHA. NO CENTRO EXATO DA PIRÂMIDE.

    A Pirâmide de Quéops (ou Khufu), também conhecida como a Grande Pirâmide, foi construída para ser a tumba do FARAÓ QUÉOPS da QUINTA DINASTIA.

    Este monumento marca o auge da época dessas construções, tanto no que se refere ao tamanho quanto à complexidade da estrutura. Tendo uma superfície que cobre quase 53 mil metros quadrados, é sem dúvida um dos monumentos mais polêmicos de toda Antiguidade.
    CESSO A GRANDE GALERIA

    FRATERNIDADE BRANCA

    Os Nazarenos, Nazaritas e Essênios uniram seus interesses e mantinham uma grande escola no MOSTEIRO DE MONTE CARMELO. Após a iniciação cada membro passava a usar uma veste branca composta de uma só peça de pano, entre o povo eram conhecidos como os Irmãos de Branco ou FRATERNIDADE BRANCA. Essa fraternidade construiu abrigos em várias comunidades, para alojar e cuidar dos pobres e doentes. As equipes especiais ligadas a esse trabalho passaram a ser conhecidas pelo nome de HOSPITALEIROS.

    No tempo do nascimento de Jesus, existia na Galiléia, uma grande comunidade que tinha hospitais e casas de refúgios em várias partes da Palestina e Egito que através dos HOSPITALEIROS cuidavam dos pobres e necessitados.

    A Grande Fraternidade Branca, era uma organização não sectária (não pertencente a nenhuma seita), formada primitivamente pelos ancestrais de AMENÓFIS IV, faraó do Egito, mais conhecido como AKHENATON.

    MONOTEÍSMO NO ANTIGO EGITO

    AKHENATON FUNDADOR DA FRATERNIDADE BRANCA

    Akhenaton ( bisneto de Tutemés III), da XVII Dinastia – O filho do Sol – (1372 – 1354 – a . C .), tinha apenas 13 anos por ocasião da morte do seu pai.

    A rainha-mãe Teje continuou a exercer o poder, como havia feito nos últimos anos do reinado do seu marido, que a velhice havia, particularmente enfraquecido. Esse jovem Faraó assumiu o império sendo coroado com 15 anos, acreditava que o ideal justo sempre triunfa, tendo cultivado a idéia de um Deus Universal para todos os homens, associado ao Sol – (Deus Sol e único) – fonte da vida em todas as manifestações, acreditando que o sol da justiça e do amor jamais se curvaria.

    Tinha a concepção de que um fluxo divino passando obrigatoriamente pela estrutura familiar, revelando e confirmando a importância da família na estrutura da sociedade.

    Para Akhenathon, o Sol que ilumina a vida, faz com que os seres vivos coexistam sem se destruírem, procurando viverem em harmonia, porque todos são iguais, fiéis em seus princípios. Ele recusava tomar atitudes de guerra, acreditando poder conquistar seus inimigos com o poder do amor, bastando agir com RETIDÃO para com seus semelhantes. Provavelmente o reinado de Akhenaton tenha sido o melhor de todo Egito, talvez um dos melhores de todas as civilizações da humanidade, por ser baseado na RETIDÃO DE CARÁTER E JUSTIÇA , almejando que todos vivessem em plena harmonia e paz.

    Foi o criador do Atonismo, (Crença no Deus Único): “Akaton”

    O movimento também lutava no Egito para banir uma teocracia injusta, com seu politeísmo, até conquistar com o Deus Sol, o início da longa jornada do monoteísmo.

    De acordo com seus conceitos, não há nenhuma divindade que deseje ser adorado por meio de sangue.

    Já somos filhos de um só Deus, não temos o direito de odiar nem de destruir, visto que os sentimentos de nosso Criador tem origem na Verdade e no Amor.

    O Faraó Akhenathon, dizia sabiamente “Sejamos iguais agora, antes que a morte nos iguale”, já que somos filho de um só Deus, não temos o direito de odiar, nem de destruir, visto que os sentimentos de nosso Criador, têm origem na Verdade e no Amor: dessas palavras concluímos o seguinte:

    Ao nascermos se diz, dar a Luz, é neste momento que temos o primeiro contato com a Luz, que nos acompanha toda a vida, nos dando a força e o poder para sermos diferente, se assim o quisermos, sendo que após a morte nos igualaremos, isto é, retornaremos à escuridão.
    (grifo nosso)

    A história de Akhenathon mostra, que um homem melhor, faz um meio melhor.

    Que a força da convicção e seus objetivos e sua RETIDÃO, alteram a vida e o meio onde vivemos, tal qual a Maçonaria: Instituição que visa tornar a humanidade feliz pelo amor, pela tolerância, pela lisura, pelo respeito, pela igualdade, pela integridade de caráter.

    As considerações acima, nos mostra que C.a. de 3.000 anos, o poder era exercido de forma ditatorial, entretanto, existiu alguém chamado Akhenathon, com um comportamento humano digno, com relação ao seu semelhante.

    · Teocracia – forma de governo em que a autoridade, emanada dos Deuses ou de Deus, sendo exercida por seus representantes na terra.
    · Politeísmo – religião em que há vários Deuses.
    · Monoteísmo – crença em um só Deus.

    VOLT A DE JESUS Á JERUSALÉM

    Jesus era temido pelos Romanos, segundo os artigos que se refere a esta fase da história, visto que seus ensinamentos simples se opunham aos ensinamentos e doutrinas oficiais dos romanos.

    Caifás, segundo consta foi o espião do governo romano, pelos relatórios secretos que fez a Roma referentes às atividades de Jesus, objetivando dificultar o trabalho dele.

    Há noticias de que Caifás chegou ao ponto de oferecer grandes somas em dinheiro, com a finalidade de obter provas e assegurar-se de que Roma emitiria um mandato de prisão e julgamento de Jesus.

    Caifás era considerado o inimigo maior de Jesus, superando o próprio Judas.

    Naquele tempo as revoltas e disputas que eram comuns na Palestina, foram propositadamente atribuídas a Jesus e seus seguidores..

    Na época em que Jesus entrou em Jerusalém para realizar a fase culminante do seu trabalho, após uma jornada longa e bem sucedida nas regiões próximas, já havia um mandato de prisão nas mãos dos oficiais de Jerusalém

    Por ter Jesus chegado às vésperas do período das festas, as autoridades não acharam aconselhável interferir na quietude e na sagrada paz dos dias de festa dos judeus.

    Caifás temia um levante na hora que fosse feita a prisão, o que seria desastroso para as tradições da igreja, pois perturbaria as celebrações dos peregrinos e também prejudicaria a grande coleta de fundos, que ocorria quando havia milhares de visitantes em Jerusalém.

    A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS

    As palavras ditas por Jesus na Cruz: “Eloi, Eloi, lame Sabachthani” ? não podia significar “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes ?

    Os registros antigos dos arquivos religiosos, as palavras são “Heloi, Heloi, LAMA Sabachthani” ? Jesus disse: “Meu Templo de Hélios, Meus Irmãos de Hélios, porque me abandonastes ? , refere-se aos Irmãos do Templo de Hélios, onde havia sido iniciado.

    No momento que o sol lançava seus verdadeiros raios no horizonte ameaçando uma tempestade, no palácio Pilatos, um mensageiro havia chegado, trazendo um documento com o selo particular de Tibério, que instruía Pilatos a suspender o mandado de prisão e paralisar todos os procedimentos até que Cirênio pudesse fazer uma investigação completa. Enquanto isso Jesus deveria ser posto em liberdade e aguardar que se fizesse um relatório completo.

    As instruções diziam que, caso ainda houvesse vida no corpo de Jesus, ele deveria ser tirado da cruz e enviado a um abrigo para ser tratado.

    A tempestade começou, retardando a remoção do corpo de Jesus por algumas horas, mas ele recebeu alimento e bebida, e foram colocados suportes sob seu corpo para evitar que os cravos que o torturavam rasgassem ainda mais a sua carne.

    A cruz foi baixada e o corpo ainda com vida foi removido da cruz e levado para um jazigo de propriedade de José de Arimatéia. O corpo foi colocado em um local especial do tumulo, previamente arrumado para este fim, e então terapeutas ligados à Fraternidade Essênia, prestaram toda assistência possível no tratamento das feridas de Jesus. O corpo foi vestido com roupas brancas, para que ele pudesse dormir um pouco.

    Quando os oficiais chegaram, puderam testemunhar o fechamento das câmaras e apuseram seus selos sobre as lajes e sobre a porta.

    Nicodemos temia que alguma coisa pudesse ter sido planejada, pois sabia que algumas pessoas tinham conhecimento da tradição de Caifás e que o ressentimento dos seguidores de Jesus poderia levar a alguma forma de burlar a lei. Foi por esse motivo que ele exigiu que o tumulo fosse guardado, para satisfazer Caifás e à Lei.

    Antes do nascer do sol, José de Arimatéia e outros Essênios que haviam se ocultado por perto, aproximaram-se do jazigo, enquanto os guardas se protegiam da chuva em alguns abrigos para gado, a uma certa distância, tirando vantagem da negligência dos oficiais que não haviam lacrado adequadamente a entrada, eles retiraram a laje e abriram o jazigo. Quando entraram encontraram Jesus descansando tranquilamente, recobrando rapidamente as forças e a vitalidade. Uma hora depois, a tempestade havia serenado o suficiente para que os Essênios o escoltassem para fora do sepulcro.

    Os essênios colocaram o seu corpo sobre um potro e o cobriram com mantos pesados e o levaram pela densa escuridão até um local afastado pertencente à Fraternidade Branca, próximo aos muros da cidade.

    Os soldados encarregados da guarda e proteção do túmulo de Jesus, é que tinham se afastado para um local mais abrigado durante a noite e só voltaram ao posto pela manhã. Para não admitirem sua própria negligência e para evitar punição severa seguida de prisão, declararam que, no auge da tempestade, uma luz ofuscante envolveu o túmulo de Jesus e que tinham visto figuras misteriosas escoltando Jesus, que havia voltado à vida.

    Como Pilatos compreendeu que o corpo de Jesus havia sido regatado e que as histórias eram apenas uma explicação para satisfazer os curiosos, e visto que Roma havia autorizado a libertação de Jesus, pouco se importava com seu paradeiro, portanto, não mandou fazer qualquer investigação.

    Diante dos fatos acima relatados, na literatura Apócrifa, podemos constatar que Jesus sobreviveu, e para afirmar essa teoria, passamos a relatar o que diz a Bíblia sobre o assunto:

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 24

    A Sepultura de Jesus – José de Arimatéia

    52 – Esse chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus.

    53 – E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro
    escavado numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto.

    55 – E as mulheres, que tinham vindo, com ele da Galiléia, seguiram também e
    viram o sepulcro, e como foi posto o corpo.

    · A BÍBLIA EM – S. LUCAS – 24

    Jesus Apareceu aos Discípulos:

    36 – E, falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio,
    deles, e disse-lhes: Paz seja convosco.

    37 – E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito.

    38 – E ele, lhes disse: Porque estais perturbados, e porque sobem tais
    pensamentos aos vossos corações ?

    39 – Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: apalpai- me
    e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que
    eu tenho.

    40 – E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.

    MOTIVOS DA CONDENAÇÃO DE JESUS ?

    Os fariseus e escribas na época de Cristo eram especialistas na ditadura do preconceito. Para eles suas verdades eram eternas, e o mundo era apenas do tamanho de sua cultura.

    Não admitiam a arte da dúvida, ou outra forma de pensar. Por isso, não aceitavam alguém como Cristo, que rompia todos os dogmas da época e introduzia uma nova maneira de ver a vida e compreender o mundo.

    Esse pensamento de Cristo, e o confronto direto com a estrutura do poder constituído, foi o motivo da sua condenação..

    Afirma-se que nessa época essa instituição era, o centro da vida econômica, política e religiosa do país. Os animais sacrificados passavam por um controle de qualidade, baseado nas regras bíblicas de pureza. Isso fazia com que a maior parte daqueles animais trazidos pelos pequenos produtores fossem recusados.

    Em seu lugar, fiéis eram obrigados a comprar animais criados por grandes proprietários de terra ligados às famílias sacerdotais e oferecidos a preços exorbitantes. Durante as festas religiosas, um pombo ( o animal mais barato) alcançava cem vezes o preço normal, custando o equivalente ao salário de um dia de trabalho. Além dos sacrifícios, o Templo lucrava com os impostos.

    Os pagamentos não deveriam ser feitos na moeda local, mas trocados pela tetra dracma tíria. Escandalosa também era a comissão de 8% (oito por cento) cobrada na conversão de outras moedas .

    · A BÍBLIA EM – S. MATEUS – 21

    12 – Entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos que vendiam
    e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as
    cadeiras dos que vendiam pombas:

    13 – E disse-lhes: Esta escrito: A minha casa será chamada casa de oração
    mas vós a tendes convertidos em covil de ladrões.

    Por isso ao expulsar cambista e vendedores de animais, Jesus não afrontou um bando de camelôs – bateu de frente com a elite dominante. Os principais chefes saduceus, Anás e Caifás, incitaram as massas a exigir a morte do homem que, dias antes, havia irritado os Sacerdotes.

    Para dar legitimidade ao processo, convocaram o Sinédrio. Essa assembléia, era presidida pelo sumo sacerdote, e, composta por 70 membros proeminentes da sociedade, incluindo o presidente, que era o sumo sacerdote em exercício.

    Na época de Jesus, a jurisdição do Sinédrio limitava-se à Judéia , não abrangendo a Galiléia. Seu sumo sacerdote Caifás, genro de Anás, foi nomeado por Valério Grato.

    O Sinédrio era também considerado como tribunal civil e religioso. Foi também responsável pelo julgamento de Jesus e de vários apóstolos.

    Contava com polícia própria, não detendo o poder, para ordenar a execução de pena de morte.

    Anás era um homem honesto e discreto, enquanto o seu genro Caifás, era arrogante na sua posição de Sumo Pontífice. Os romanos o elegeram ao cargo para servir de espião em meio ao clero judeu.

    PESQUISAS RECENTES

    Os autores Michael Baigente, Henri Lincolm e Richard Leigt, relataram em seus estudos que Jesus sobreviveu à crucificação e foi viver na França com Maria Madalena, cujo propósito era restabelecer o trono daquela dinastia. Esses registros foram protegidos pelo Priorado do Sião, que teve como seu braço armado os Cavaleiros Templários.

    OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS

    Os Cavaleiros Templários, era uma Ordem Religiosa e Militar, fundada em 1.118 pelo cavaleiro francês Hughes de Payens.

    Os Templários serviam como protetores dos peregrinos que viajavam da Europa para Jerusalém. Essa ordem Monástica dispunha de enorme poder e riqueza.

    Os Cavaleiros Templários, eram conhecidos por sua participação nas cruzadas, e participaram de campanhas militares autorizadas pela igreja Católica, para recuperar a Terra Santa e Jerusalém das mãos dos Muçulmanos. Trabalhavam como protetores das pessoas durante suas peregrinações pela Terra Santa.

    Em torno de 1.135 os Cavaleiros Templários introduziram uma política de emprestar dinheiro aos peregrinos que viajavam para a Terra Santa, criando o primeiro sistema bancário.

    O rei Francês Felipe IV (devedor da Ordem dos Templários) e o papa Clemente V entendiam que a Ordem era uma ameaça ao reino da França e a igreja.

    Diante disso se juntaram para destruir os Cavaleiros Templários, se apoderando da riqueza e do poder da Ordem.

    No dia 13 de outubro de 1307 ( sexta-feira ), o Rei Felipe IV ( Felipe, o Belo), obrigou o comparecimento na França de todos os Templários, encerrando-os em masmorras e torturando-os para se declararem culpados de heresia, para poder se apoderar dos bens da Ordem.

    Por determinação do Rei Felipe IV e do papa Clemente V, Jacques de Molay, Grão Mestre dos Templários foi queimado na fogueira em Paris na Sexta-Feira de 13 de Março de 1.314, surgindo à superstição moderna ligado a sexta-feira 13.

    CONCLUSÃO FINAL:

    A Maçonaria é uma instituição fundamentalmente filosófica, que trabalha pelo advento da justiça, na solidariedade e na paz entre os homens, sempre se colocando a favor da liberdade de expressão: É contrária a qualquer tipo de opressão.

    Essa igualdade de expressão e fraternidade, entregues ao mundo profano pela Maçonaria, devem ser reforçadas para que o homem torne-se sempre um membro útil da comunidade, da Pátria e da humanidade, cujo pensamento esteja sempre voltado em prol da sobrevivência e do bem estar da família, pelo engrandecimento do nosso País, da Ordem Maçônica e para a Glória do Gr.˙.Arq.˙.do Universo

    Quero deixar registrado, que na qualidade de Maçom, a minha pesquisa não visa em momento algum contradizer os ensinamentos da igreja, entretanto, o meu pensamento será sempre o de conservar a disposição firme da busca do conhecimento, da prática do bem e da qualidade moral.

    O meu sistema de vida sempre voltado ao meu Deus a quem devo a força e a alegria de viver, e, aos meus familiares que complementam o berço maravilhoso em que nasci, portanto, me considero um privilegiado do criador. Sabe por quê ?

    Porque quando olho ao meu redor, vejo injustiça, gente passando humilhação e necessidade. Ai me pergunto! Por quê ? Será que isso é justo? Não sei responder. O que sei, é que Cristo tentou corrigir essas diferenças, quando esbarrou, no egoísmo, na ganância, na falsidade, na intolerância, e no despotismo dos poderosos que obstavam a liberdade dos homens, e como exemplo de humildade, expôs a sua própria vida, para mostrar ao mundo que a crença num ser superior, e a igualdade, a tolerância nos momentos de adversidades, e o respeito mútuo entre as pessoas, se fazia necessário, para dar equilíbrio ao mundo onde vivemos.

    Passaram-se dois mil anos, não podemos negar. Os homens evoluíram sim, nos seus conhecimentos, na sua cultura, na sua riqueza material, todavia, o desrespeito ao seu semelhante, a arrogância, o orgulho, o egoísmo, permaneceram arraigados no coração dos homens, até os nossos dias.

    Portanto, o meu pensamento será sempre o de conservar a disposição firme da busca do conhecimento, da prática do bem e da qualidade moral.

    Assim sendo, não pretendo ser dono da verdade, entretanto, tenho a certeza absoluta que o mundo e o ser humano, são obras Gr .˙. Arq .˙. do Univ .˙. , que devemos respeitar e reverenciá-lo por toda vida.

    MANOEL LAURO DE PONTES
    CIM 233.482 – GRAU – 3 – MM
    São Paulo, 13 de Março de 2010

    Bibliografia:

    A testemunha – Diário de uma Essênia – Marlene Porto -Editora Letraviva.
    Uma Testemunha do Tempo dos Apóstolos – Flávio Josefo – Editora Paulinias.
    Revista Época – Edição nº 304 de 15 de março de 2004.
    Maçonaria, Loja Maçônica e Maçom – http: Mictmr.blogspot.com
    Análise da Inteligência de Cristo – O Mestre dos Mestres – Augusto Cury – Editora Parma Ltda.
    O Livro de Hiram – O Mestre dos Mestres – Ed. Madras.
    Enciclopédia Maçônica David Caparelli – Editora Madras.
    O Livro Completo dos Maçons – Barb Karg e John K. Young – Editora Madras.
    · A Linhagem do Santo Graal – Laurence Gardner – Editora Masdras.
    · A Vida Mística de Jesus – H. Spencer Lewis – Biblioteca Rosacruz.
    · Revista Universo Maçônico – Ano II – Nº 4 – 2008.
    · Fundamentos da Maçonaria – Joaquim Roberto Pinto Cortez – Madras Editora Ltda.
    · Grandes Civilizações Desaparecidas – Jean-Marc Brissaud – Otto Pierre Editores – 1977.
    · As Origens da Família de Jesus – João Baptista do Vale – Editora Nova Luz.
    · Nossa Herança do Egito Antigo – Biblioteca Rosacruz Amorc – Editora Renes Primeira Edição.

  126. Aug.˙. Resp.˙. e Benf.˙. Loj.˙. Maç.˙. “FRANCISCO GLICÉRIO” – 1522
    Jurisdicionada ao G.˙.O.˙.S.˙.P.˙. e Federada ao G.˙.O.˙.B.˙.

    CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

    A arte de pensar é a manifestação mais sublime da inteligência humana.

    Muitos homens deixaram registrado ao longo da história a sua sabedoria, que hoje nos valemos desses ensinamentos para construirmos o nosso mundo das idéias no campo científico, cultural, filosófico e espiritual.

    Existem hoje grandes pesquisadores, revolucionando o mundo da literatura, publicando pesquisas que contradizem os pensamentos religiosos, políticos, sociais.

    O JUDAÍSMO

    Segundo os grandes historiadores, o Judaísmo, o Catolicismo e a Maçonaria, se completaram ao assimilarem os ensinamentos importantes, ao longo da história da humanidade.

    O povo Hebreu viveu sob o julgo dos Egípicios por mais de cinco séculos, portanto, se deduz que essa convivência tenha incorporado hábitos daquele povo.

    Após uma longa permanência no deserto depois da saída do Egito, os israelista mostram uma sequência histórica sobre a construção do Templo de Jerusalém, das Igrejas Cristãs e dos Templos Maçônicos.

    A Bíblia, na versão dos setenta, deu o nome de “ARITMOT”: palavra , em grego que significa “NÚMEROS”

    O livro de números relata com detalhes a história dos filhos de Israel em sua longa estada no deserto por quarenta anos, até chegarem a Terra Prometida.

    As profecias previam que Israel deveria ser um povo Santo, porque em seu meio reinaria a vontade de Deus, sendo que essa santidade deveria basear-se no culto, na justiça, na adoração de um Deus único e eterno, portanto,voltado ao monoteísmo, e na“IGUALDADE ENTRE OS HOMENS”, princípio esse adotado pela Maçonaria de hoje.

    A Lei de Moisés ou Pentateuco é conhecida em hebraico, pelos nomes de HUMASH – HAMISHA – HUMSHÉ ou simplesmente TORAH.

    · PENTATEUCO = A coleção dos cinco primeiros livros do Velho Testamento (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, e Deuteronômio)

    Os príncípios e preceitos da TORAH serviam de modelo para toda humanidade posterior a civilização judaica.

    O direito Romano que é ministrado até hoje em nossas universidades foi estruturado na legislação judaica que evoluiu do Oriente para Grécia, daí para Roma e depois para todo mundo ocidental.

    O Professor Miguel Reale – No Livro Filosofia do Direito, diz: “Ora, sendo o homem uma criatura de Deus, participa da lei eterna na medida relativa da sua razão, de seu discernimento para distinguir o bem do mal, para saber aquilo que deve ser feito e aquilo que deve ser evitado”.

    A IGREJA CRISTÃ

    Do ponto de vista religioso, a influência do Pentateuco na Igreja Cristã Universal, foi de grande relevância.

    Na igreja Cristã a Páscoa tomou um sentido místico muito maior, pois o cordeiro oferecido passou a ser o próprio Cristo (Cordeiro de Deus).

    Moisés liberou o povo hebreu da escravidão física e espiritual do cativeiro.

    No Novo Testamento Cristo passou a ser o novo Moisés que veio para libertar toda humanidade da escravidão do pecado.

    O que existiu entre Abraão, Isac e Jacó, renovado com Moisés no Sinai, era chamada da “ANTIGA ALIANÇA”, enquanto que no novo Testamento o Cristo passa ser a “ NOVA ALIANÇA”

    O próprio Cristo tomou o cuidado de manter a importância dos livros sagrados dos Israelitas.

    Do ponto de vista Maçônico encontramos no Pentateuco, especificamente no “LIVRO ÊXODO”, a construção do Tabernáculo, onde eram celebrado os ofícios religiosos no deserto, cuja a ritualística é patente, além de fazer parte integrante da Bíblia – que é o Livro Sagrado de toda cristandade.

    O Velho Testamento para Igreja Cristã é a figura perpétua (Eterna) do Novo Testamento que é interpretado em função das realidades contidas neste último.

    A construção do Tabernáculo , onde eram celebrados os ofícios religiosos, cuja ritualística , disposição e utensílios serviu de modelo para a construção do futuro Templo de Jerusalém, das igreja Cristãs e posteriormente o próprio Templo Maçônico.

    · TABERNÁCULO – ( cabana, casa, feita de tábuas) – santuário portátil, onde os hebreus guardavam e transportavam a Arca da Aliança e demais objetos sagrados, ao qual só tinha acesso os sacerdotes.

    LUGAR SANTO

    OS ESSÊNIOS

    Os essênios eram um grupo de dissidentes do clero de Jerusalém, que viviam monasticamente. Seus bens eram divididos por todos; celebravam comunitariamente a ceia sagrada; não praticavam o comércio e não aceitavam nenhuma forma de violência. Eles habitavam o MOSTEIRO MONTE CARMELO, que ficava próximo a Cesaréia, banhado pelo Mar Mediterrâneo.

    Suas tradições remontam o tempo do profeta Elias. O templo era formado por módulos concêntricos que se originavam num núcleo central, separado dos demais por altos muros que o mero visitante não tinha autorização para transpor. No seu interior, processavam-se os rituais mais sagrados, apenas acessíveis aos iniciados, sendo essa seita instituída em 150 e 140 a. C.

    Ali se estudava e se aprofundava, sempre e exclusivamente em função da busca da verdade e da prática ética. Essa filosofia só era aplicada na comprovação da existência de um único Deus.

    Era comum na antiguidade, colunas e obeliscos, serem erigidos para se “louvar” os deuses e destes angariar favores.

    Os diversos obeliscos do Egito, da Síria, da Fenícia quase todos monolíticos, eram construídos com o mesmo objetivo, ou seja, agradar os deuses.

    O REI DAVID

    SINTESSE DA GENEALOGIA DO REI SALOMÃO

    David, filho de Jessé, um lavrador de Judá, ganhou fama ao derrotar o gigante filisteu Golias.

    A popularidade de David aumentou quando ele retornou de uma batalha. Casou-se com a filha de Saul, que no fim do seu reinado, ficou obcecado pela popularidade de David, por esse motivo passou a persegui-lo:

    Para preservar a sua vida, David fugiu para sua cidade natal nas montanhas de Judá, onde viveu durante alguns anos como se fora um proscrito.

    David enfrentou os filisteus, após importantes vitórias, derrotando o inimigo que partiu em retirada de toda região.

    Com a retirada dos filisteus inimigos número um de Israel e dos Cananeus, estava resgatada a dignidade da nação e ratificada a liderança de um monarca guerreiro chamado David.

    Todos os países vizinhos o reconheceram como rei, desde a fronteira do Golfo de Ákaba até as margens do rio Eufrates, na Mesoptâmia.

    Apesar de grande chefe militar e grande estadista, conseguiu uma organização política, social, econômica para toda a nação.

    Os últimos anos do seu reinado, foram muito agitados por intrigas e ciúmes no seio da família real.

    Em uma batalha contra os amonitas, David pede a Urias, (um de seus comandante) para conduzir as tropas de Israel contra os amonitas, na qual acabou morrendo.

    DAVID casa-se com a viúva Betsabá e tem um filho chamado SALOMÃO.

    O Rei David em seu leito de morte, preparou o seu sucessor escolhendo o seu filho mais moço e de sua esposa favorita Betsabá – (SALOMÃO).

    A BÍBLIA EM – 1 – Reis -32 -33

    O Rei DAVID ordenou: Chamem o sacerdote Zadoque, e o profeta Natã, que ungirão rei sobre Israel. Depois acompanhem-no, e ele virá assentar-se no meu trono e reinará em meu lugar.

    Por determinação do Rei DAVID, Salomão passou a reinar Israel.

    Salomão se casou com a filha do Faraó, recebendo como dote a cidade de Gezer, que situava-se na fronteira com o Egito. Podemos perceber que a influência da civilização Egípcia, se fez presente na vida do Rei Salomão.

    Seu casamento com a filha do Faraó (Psuneses ou Psabenet II), foi essencialmente político, pois a cidade de Gezer, era ponte importante para abrir o caminho para o Mediterrâneo.

    O TEMPLO DE SALOMÃO

    O templo de Salomão era um edifício relativamente pequeno, mas luxuosamente decorado e centralmente localizado.

    Ficava no topo de uma montanha com seu portal faceando o leste na direção do sol nascente, e porque estava colocado na fronteira entre as duas terras, uma ao norte e uma ao sul, os pilares desse portal representavam a harmonia e o equilíbrio do reino unido.

    Essa era uma criação do conceito egípcio de estabilidade política através da unidade.

    A BÍBLIA EM – 2 – Crônicas -3 -17
    Está Escrito:

    “Levantou as colunas na frente do templo, uma ao sul, outra ao norte; à que ficava ao sul deu o nome de Jaquim, e à que ficava ao norte, Boaz”

    A BÍBLIA EM –- 1 – Reis -6 -21

    Está Escrito:

    “Levantou as colunas na frente do pórtico do templo. Deu o nome de Jaquim (Jachim) à coluna do sul e Boaz à coluna do norte”

    BOAZ, o pilar da esquerda, ficava ao sul representando a terra de Judá e significava a Força.

    JACHIM, ficava à direita representando a terra de Israel, significando a Estabilidade (como no antigo Egito).

    Enquanto as duas terras estivessem unidas pelos pilares apropriados a estabilidade política se perpetuaria (conceito esse utilizado no Egito)

    AS DUAS COLUNAS DA ENTRADA

    A exemplo do Templo de Jerusalém, as “COLUNAS VESTIBULARES” do Templo Maçônico (B e J) estão no átrio (na entrada), ladeadas à Porta do Templo: São do estilo egípcias. As duas colunas são desenhadas com mais originalidade, ora no estilo egípcio, ora no estilo desproporcional, babilônico, sempre na cor de bronze.

    As colunas marcam a passagem dos trópicos de Câncer ao Norte, e de Capricórnio ao Sul.

    A linha que passa no centro, entre as colunas, estende-se até o Delta, no Oriente é o Equador do Templo.

    “Segundo – Mario Name – No livro o Templo de Salomão nos Mistérios da Maçonaria”

    · As Colunas J e B, são dois elementos simbólicos que a Maçonaria buscou no Templo de Salomão. A Bíblia diz taxativamente que essas colunas estavam no Pórtico do Templo, uma colocada à direita e outra à esquerda, e, no Templo Maçônico, elas estiveram em posição invertidas e situadas dentro do Templo. Se no modelo elas estavam colocadas J à direita e B à esquerda, porque não coloca-las no portal de entrada do Templo, como estava no modelo ?

    · A palavra àtrio (do hebraico Aulê), significa “recinto aberto”. No Templo de Salomão foi substituido pela designação de “PÁTIO”, também chamado de interno.

    · O Templo de Salomão era rodeado por um muro construido com três fileiras de pedras e existiam três portões de bronze, sendo um na entrada oriental e outros dois ao norte e sul. A parte ocidental (fundos) era quase toda ocupada pelo Templo.

    PARTE EXTERNA DO TEMPLO

    No Templo de Salomão existia o “ALTAR DO HOLOCAUSTO”. Era o local onde se oferecia um sacrifício, através de animai, para agradecimentos ou expiação de pecados em louvor a Deus.

    · Expiação (purificação de crimes ou faltas cometidas)

    PÁTIO INTERNO DO TEMPLO

    A MAÇONARIA

    Na Maçonaria esse Altar é chamado de Altar dos Compromissos, onde o iniciado assume obrigações por toda sua vida.

    O Juramento deve compreender deveres para com a Ordem, seus Membros, com a Potência Maçônica, com a Loja e todas Autoridades.

    No juramento Maçônico o iniciado se oferece em sacrifício para vencer sua paixão e com isso renasce para uma vida limpa e sem máculas.

    O Altar do Juramento do Templo Maçônico está localizado no MEIO do ocidente, consequentemente no MEIO do “povo maçônico”, entre a colunas do norte e do sul, onde se exibe o livro da lei o esquadro e o compasso. No Templo de Salomão era localizada no MEIO do Átrio, isto é, no meio do povo que ali participava dos sacrifícios ou ofícios sagrados.

    O entendimento do Dr. João Nery Guimarães, firmado na tradição nacional, é manter o altar dos Compromissos no Oriente, diante da mesa do venerável.

    CONCLUSÃO FINAL:

    Primeiramente queremos registrar, que o Templo de Salomão estava circundado por muros de proteção, sendo as colunas edificadas na frente do templo, o mesmo não ocorrendo com os Templos Maçônicos.

    Esse estudo mostrou que o Judaísmo, a Igreja Católica, e a Maçonaria, buscou no Templo de Salomão, conhecimentos arquitetônicos para as construões do Templo de Jerusalém, das Igrejas e dos Templos Maçônicos, herdando também parte das tradições dessas civilizações.

    O Templo Maçônico, está dividido em Oriente e Ocidente, sendo que os irmãos que, tomam assento na coluna Norte e Sul, uns de frente para os outros: podemos citar como exemplo a Igreja Católica Romana, que adotou a mesma disposição do clero.

    O “ALTAR DO HOLOCAUSTO”, do Templo de Salomão, que passou a ser chamado de ‘ALTAR DOS COMPROMISSOS”, onde o iniciado assume seu compromisso com a Ordem, entendo que tem uma conotação simbólica, onde o candidato se oferece para o sacrifício.

    A purificação era feita pela ÁGUA, pelo FOGO, fato esse adotado também pela Igreja, no batísmo cristão , nada mais do que a purificação do homem pelas águas.

    Na Maçonaria a purificção do neófito não se restringe apenas à ação purificadora da água, por se tratar de uma Instituição Iniciática. O sitema ritualistico exige que se purifique também pelo ar e pelo fogo.

    As especulações e as polêmicas que giram em torno das Colunas do Templo de Salomão, estão sedimentados na história e na TRADICÃO, das antigas civilizações, onde a Maçonaria herdou, como exemplo: a venda dos olhos do recipiendário (iniciante), que é do LAMAÍSMO (budismo), a caminhada dentro do Templo, respeitando o sentido horário, cuja a origem é do judaísmo.

    Alguns autores são criticos contumazes, e, extremamente contrários as mudanças desses rituais: posicionamento em loja, das estruturas dos Templos, entretanto, não podemos negar que a evolução da sociedade contribuiu fortemente para que isso viesse a ocorrer.

    Passaram-se dois mil anos, não podemos negar, os homens evoluíram sim: nos seus conhecimentos, na sua cultura, na sua riqueza material, portanto, as mudanças estão vinculadas ao desenvolvimento cultural do homem, bem como as dificuldades financeiras, para se contruir Templos de acordo com modelo salomônico.

    Para concluir este trabalho, não poderia deixar de registrar, que a parte nobre da nossa Ordem é mostrar sempre que Maçonaria é uma instituição fundamentalmente filosófica, que trabalha pelo advento da justiça, na solidariedade, na paz, na evolução cultural do homem e da sociedade: sempre se colocando a favor da liberdade de expressão, sendo contrária a qualquer tipo de opressão, portanto, os posicionamentos dos autores são sempre bem-vindos, porque nos trazem a essência do conhecimento da nossa Ordem.

    MANOEL LAURO DE PONTES
    CIM 233.482 – GRAU – 3 – MM
    São Paulo, 13 de Janeiro de 2010

    Bibliografia:

    A testemunha – Diário de uma Essênia – Ed. Letraviva – Marlene Porto.
    Dr. Jorge Adoum – El Compañro Y sus Mistérios – Segundo Grado – Editora Kier S/A
    Portal Maçônico – http://www.maçonaria.net.prencha
    Z. Rodrix – Diário de Um Construtor do Templo – Editora Record
    Mario Name – O Templo de Salomão nos Mistérios da Maçonaria – Editora A Gazeta
    Maçônica.

    COMENTÁRIOS

    1. A palavra “PROFANO”, é vista com antipatia quando usada por Maçons a respeito dos não-Maçons
    Na forma antiga a palavra “PROFANO”, o prefixo latino “PRO”
    significa antes, e “FANUM” significa Templo. Pode-se, portanto,
    traduzir como “Fora do Templo”

    O novo Dicionário da Língua Portuguesa – Aurélio, define a palavra “PROFANO”
    Não pertencente a religião;
    Contrário ao respeito devido as coisas sagradas;
    Estranho ou alheio a idéias ou conhecimento sobre determinado assunto.

  127. PILULA MAÇÔNICA Nº 67

    O Ritual na Maçonaria

    Um “Ritual” é a forma de conduzir, com procedimentos e cerimoniais anteriormente estabelecidos, todas as cerimônias de um determinado Rito Maçônico.
    Portanto, na Maçonaria, é o livro que contem as fórmulas e demais instruções necessárias para a prática uniforme e regular dos Trabalhos Maçônicos em geral. Cada grau tem o seu Ritual particular e também cada espécie de cerimônia, havendo Rituais de Iniciação, de Banquete, etc. A forma de abrir e fechar os Trabalhos, assume a forma de um diálogo com a repetição de certos fatos relativos à Ordem (Nicola Aslan – Grande Dicionário Enciclopédico – Ed. Trolha).
    E por que se usa um Ritual na Maçonaria? Por que há uma forma fixada para abrir e fechar uma Loja? Por que não fazer isso tudo com um golpe do Malhete?
    A Maçonaria usa o ritual pelo mesmo motivo que um ator usa o “script”: para estar seguro que cada Oficial da Loja saiba, na certeza, o que tem para falar e fazer, e, muito importante, o que os demais Oficiais falarão e farão.
    O Ritual está enraizado na tradição da Maçonaria. A repetição dos acontecimentos e das “falas” está em linha com a Natureza – o surgimento e o pôr do Sol – o fluxo e refluxo das marés – as mudanças das estações do ano, etc.
    As repetições nos dão a oportunidade de ver, mais e mais as belezas das nossas Cerimônias. É possível que, sem o uso do Ritual, a Maçonaria Simbólica, pararia de existir.
    Na Inglaterra, EUA, Nova Zelândia e Austrália, o Ritual é decorado, exigindo muito trabalho e força de vontade dos Oficiais da Loja. Com isso, apesar de exigir mais sacrifício, esse comportamento valoriza e dignifica um pouco mais as funções dos Oficiais.
    A prática do uso do Ritual parece ser um instinto profundo enraizado na natureza humana. Desse modo, o Ritual está presente nas cerimônias religiosas, nas preces, e em outras cerimônias com as quais estamos acostumados no nosso dia-a dia, incluindo: Batismo, Casamento, Funeral, Júri e muitas outras.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  128. Fernando disse:

    PILULA MAÇÔNICA Nº 68

    Lance o balde onde você está!

    Brethren,

    Saindo um pouco da nossa seqüência de assuntos Maçônicos, quero apresentar uma tradução de um pequeno artigo, que em 1961 era comentado pelo Past Máster da “Cortage Grove Lodge nº51”, Oregon, EUA, Mr. Elbert Bede.
    Dizia ele que Booker T. Washington, famoso educador da raça negra, quando queria encorajar seu povo, contava a estória de um veleiro, parado devido à calmaria reinante no litoral norte da América do Sul. A tripulação da embarcação estava em desespero devido à falta de água potável. Todos estavam com sede, necessitando tomar água o mais rápido possível.
    Nisso, uma outra embarcação se aproximou e o capitão da embarcação necessitada mandou mensagens explicando a necessidade de água fresca. Ele obteve como resposta: “lance o balde onde você está!”. O capitão não entendeu porque deveria lançar o balde no mar e trazer água salgada.
    Por mais três vezes mandou mensagens mostrando a necessidade de água potável. E por mais três vezes recebeu como resposta: “lance o balde onde você está!”. Finalmente, ele mandou que lançassem o balde e o mesmo veio cheio de água fresca e potável.
    Milagre! Foi o primeiro pensamento de todos na embarcação necessitada. Não. Simplesmente eles estavam na foz do rio Amazonas, que lança milhares de toneladas de água fresca mar adentro, e eles não haviam se apercebido de tal fato. Ali, as margens são tão distantes que se tem a impressão de estar em mar aberto.
    Todos tinham tido a oportunidade de matar a sede, mas a oportunidade não havia sido reconhecida.

    Mr. Bede complementava seu comentário: “não está aqui uma lição para nossa vida na Maçonaria e na nossa vida do dia-a-dia? Muitos reclamam que as oportunidades nunca aparecem onde eles estão. A verdade é que falhamos em reconhece-las. Se trabalhamos numa firma grande, achamos que as oportunidades estão nas firmas pequenas. E vice versa. Nas Lojas a mesma coisa. Se me dessem chance eu faria isso, ou seria aquilo, etc. O segredo é esse: LANCE O SEU BALDE ONDE VOCE ESTÁ!
    E você verá as coisas acontecerem. Os exemplos estão em todas as partes do mundo. Em todas as áreas.

    Pois é…podíamos ao menos pensar sobre isso.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  129. PILULA MAÇÔNICA Nº 69

    Justa, Perfeita e Regular

    Por que são usados os termos “Justa, Perfeita e Regular” para descrever uma Loja Simbólica? Muitas vezes nós ouvimos essa expressão e nos passa despercebidos seu significação e a consideração devida. Muitas vezes são pronunciadas em bom tom, para enfatizar algo e repercutir de maneira adequada.
    Essa expressão é usada para descrever uma Loja Simbólica e garantir que seus membros, Aprendizes, Companheiros e Mestres, são verdadeiramente membros da Pura e Antiga Maçonaria.

    Uma Loja é JUSTA quando as Três Grandes Luzes Emblemáticas estão presentes.

    Uma Loja é PERFEITA quando o número de obreiros está dentro do requerido constitucionalmente.

    Uma Loja é REGULAR quando está trabalhando na presença de Carta Constitutiva, emitida por uma autoridade maçônica legal.

    Dessa maneira, como afirma Nicola Aslan no “Grande Dicionário Enciclopédico”, a Loja Justa, Perfeita e Regular é a que goza de pleno uso de todos os seus direitos Maçônicos, completamente independente de qualquer outra Loja e sem outras limitações a não ser aquelas estabelecidas na Constituição e nos Regulamentos Gerais da Obediência da qual é jurisdicionada.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  130. PILULA MAÇÔNICA Nº 70

    Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

    Uma boa parte dos Maçons do Brasil, principalmente aqueles com o peito cheio de ufanismo, com um desvanecimento típico dos que vêm a Maçonaria em todas as coisas e causadora de tudo que ocorre, acha que a Revolução Francesa, em 1789, usou essa divisa maçônica.
    Inclusive, esse pessoal acha que a Maçonaria promoveu e articulou a Revolução Francesa. Sabe-se hoje que isso não é verídico.
    Na verdade, a história nua e crua é bem diferente. Na época da Revolução Francesa existiu a trilogia: “Liberdade, Igualdade ou a Morte (Liberte, Égalité ou la Mort)”. Os detalhes de como apareceu, encontram-se em livros de história e não serão citados. Somente em 1848, portanto quase 60 anos depois, no momento político na França, denominado pelos franceses de “2ª Republica” é que a trilogia citada se transforma em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
    Aí, nessa época, é que ocorreu o inverso do que boa parte dos Maçons pensa: a Maçonaria Francesa adotou essa divisa e, devido a influencia e a disseminação da mesma em todo o mundo maçônico, a divisa foi junto, chegando ao Brasil e em toda América Latina.
    Alec Mellor, conceituado historiador francês, no “Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco Maçons” (Coleção Arcanum, primeira edição brasileira em 1989, pela Livraria Martins Fontes Editora Ltda) deixa bem claro aos leitores que na 1ª Republica Francesa apareceu a divisa “Liberdade, Igualdade ou a Morte” e que não foi ideologia maçônica.
    Na 2ª Republica se transformou em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e que a Maçonaria tomou tal divisa emprestada à Republica.
    Esse hábito que a Maçonaria tem em adotar Símbolos, Emblemas, Divisas, etc, é muito salutar, no sentido de incutir força moral em seus ensinamentos.
    Desse modo, como exemplo, ela foi buscar e adotou a “Estrela de Cinco Pontas” e promove, através dela, todo esoterismo cabível e adequado. Esse Símbolo é muito antigo e muitos Maçons acham que a Maçonaria, por possuí-lo, é tão antiga quanto ele.
    Ledo engano: esquecem que esse Símbolo só apareceu na Maçonaria na sua Fase Especulativa, de 1717 para cá.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  131. PRINCÍPIO FILOSÓFICO NA MAÇONARIA

    José Geraldo de Lucena Soares

    ARLS “FRATERNIDADE JUDICIÁRIA” – 3614 – GOSP – GOB
    KADOCSH 2 – SP

    A Instituição Maçônica desde sua fase de nascimento passou a cultivar a Filosofia, pois sem essa medida não poderia mesmo, com o passar dos tempos, progredir,
    especialmente no início do Século XVIII quando se instalou o Departamento Especulativo, época da Franco-Maçonaria.
    Naquela fase todos os ramos do conhecimento humano tiveram grande expansão e a Filosofia dos clássicos gregos (Sócrates, Platão e Aristóteles ) serviu de modelo principal para o rumo intelectual não só da Fraternidade, mas consolidar todo acervo cultural que já vinha se desenvolvendo desde a Antiguidade.
    Sócrates marcou sua doutrina com o “Conhece-te a ti mesmo” para que gere sua felicidade com correção de suas falhas e harmonia na comunidade. Com esse autoconhecimento o Ser Humano irá refletir e será capaz de chegar ao ideal divino. Platão com o estudo das Idéias servindo para construção de uma sociedade justa e pacífica e Aristóteles com a criação da Lógica, cujos fundamentos ainda hoje são incontroversos.
    Mas outros Sistemas Filosóficos também foram recepcionados pela Fraternidade Maçônica.
    O ceticismo que elege a dúvida como resultado na investigação da verdade; o cinismo, criado por Antístenes, apregoando que os valores da vida deveriam amoldar-se à natureza e não somente as regras da sociedade; o estoicismo, proclamava uma blindagem no homem para torná-lo forte a suportar e revolver as dificuldades vividas com firmeza e pureza de caráter; o epicurismo, buscando o prazer pelo exercício da virtude e a escolástica, pensamento cristão medieval que enaltecia a Razão em consonância com a Fé.
    Na Era Moderna adotou-se também o racionalismo que realça o pensamento na razão e a lógica aristotélica como instrumentos para cognição e descoberta da verdade. Só com estes elementos a inteligência humana é capaz de produzir um resultado correto da realidade. O empirismo doutrinando que todo conhecimento emana da experiência que se adquire com a vivência ao longo do tempo, surgindo daí o subjetivismo; o iluminismo do Século XVIII caracterizado pela concentração científica e da racionalidade com rejeição dos modelos políticos e religiosos daquela época; o liberalismo, preconizando a defesa da liberdade individual sobre questões econômicas, políticas, religiosas e intelectuais da intromissão indevida do poder público; o positivismo de Augusto Comte (Século XIX) que entende a predominância das ciências experimentais na investigação da verdade, como modelo, afastados conceitos ou versões metafísicas e teológicas dos temas estudados; Bentham e Stuart Mill (Século XIX) desenvolveram a teoria do utilitarismo, segunda a qual, as boas ações e regras de conduta conduziam a um prazer de utilidade para o seu próprio autor e, por via de regra, para toda comunidade e o pragmatismo, doutrinado por Charles Sanders Peirce (1839-1914), que somente a aplicação de conceitos e princípios na vida real levaria ao êxito do empreendimento, pois seria a prova concreta dessas idéias de conceitos e princípios postas em prática.
    Outros ramos da filosofia são também aceitos, em maior ou menor extensão, dependendo da matéria em debate e a preferência do obreiro.
    Entretanto, o maior destaque estudado na Ordem é a Filosofia Hermética (O Caibalion) atribuida a Hermes Trimegistro, o “Três Vezes Grande”.
    Segundo essa teoria, “o Hermetismo acabou derivando da alquimia, que buscava transmutar chumbo em ouro. No entanto, o sentido do hermetismo é mais profundo. Trata-se de transformar tudo o que é grosseiro em algo sutil. Assim, seu significado maior é transformar não os metais, mas os homens… O primeiro princípio hermético descrito no “O Cabalion” é o do mentalismo: “tudo é mente”. De acordo com esse princípio, todo o mundo fenomenal é simplesmente uma criação mental do Todo “- (por Cláudio Blanc – Revista “Vida & Religião” – Ano 1 – Número 1 – Ed.On Line – págs. 29/31).
    Ainda seguindo a explanação desse especialista Cláudio Blanc, a Filosofia Hermética reuniu sete fundamentos ou princípios sendo o primeiro o já enunciado “Mentalismo” e o segundo o da Correspondência, consistente na linguagem de alquimia – “o que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima.”, significando que tudo se origina da mesma fonte que em última análise, no meu entender, é a própria Natureza, podendo ser interpretado como o G.’. A.’. D.’. U.’.
    O terceiro fundamento da Filosofia Hermética é o da Movimentação exprimindo a idéia que tudo está em movimento ou vibração; nada se encontra inerte ou parado. Tudo que imaginamos abrangendo o corpo físico e o espírito é o resultado de vibrações ou movimentos diferenciados; o quarto princípio refere-se à duplicidade das coisas com pólos distintos e opostos. Os opostos se diferenciam apenas em escalas ou graus e os extremos se tocam. Este quarto princípio tomou o nome de Polaridade. O quinto fundamento é o do Ritmo: tudo o que sobe, desce; tudo o que entra sai; o ritmo é o elemento de compensação para justificar essas movimentações.
    A Causa e Efeito marcam o sexto princípio hermético. Nada acontece por acaso e no mundo espiritual existe a máxima de que “colhe-se o que se planta”. Se a plantação é de Bondade, a colheita é, obviamente, de Bondade. Se o plantio é de Maldade, colher-se-á Maldade.
    Finalmente, o sétimo fundamento refere-se ao Gênero.
    “Ele atesta que o gênero não é característica apenas do plano físico, mas se manifesta também nos planos mental e espiritual. “Todas as coisas machos têm também o elemento feminino; todas as coisas fêmeas têm o elemento masculino”, afirma O CABALION. “Somados aprofundados os princípios herméticos permitiram ao estudante de ocultismo transmutar a mente: a razão da nossa evolução”. (autor e obra já citadas).
    Este modesto trabalho é o terceiro de uma pretendida série sobre o primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 17 de março de 2007, E.‘. V.’., mas com vigência a partir de 25 de junho de 2007,E.’.V.’., conforme Decreto número 0879 de 25 de junho de 2007,E.’.V.’. emitido pelo Grão-Mestrado Geral do Brasil – Brasília – DF.
    O princípio seguinte é o da Filantropia e poderá ser objeto de outras considerações.

  132. PILULA MAÇÔNICA Nº 71

    Fênix e Ouroboros

    O elemento mitológico “Fênix” e o símbolo esotérico “Ouroboros”

    O “mito”, em geral, é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura. É um fenômeno cultural complexo e que pode ser encarado de vários pontos de vista. Como os mitos se referem a um tempo e lugar extraordinários, bem como a deuses e processos sobrenaturais, têm sido considerados com aspectos de religião.
    A Maçonaria, entre outros, refere-se com freqüência, a um mito e a um símbolo, que descreveremos a seguir:
    “Fênix” – ave lendária na região da Arábia, era consumida pelo fogo a cada período de tempo, e a mesma Fênix, nova e jovem, surgia de suas próprias cinzas. Deste modo, quando sentia próximo o seu fim, ela juntava em seu ninho, madeira bem seca e palha, que exposto aos raios solares se incendiava e, juntamente com a ave, ardia em chamas. Confiante e a espera da própria ressurreição, pois o fogo que a consumia não lograva matá-la, surgia do resíduo da combustão de seus ossos, uma larva, cujo crescimento ocasionava o aparecimento, novamente, da própria Fênix. Assim, a Fênix é o símbolo da imortalidade de nossa alma e da materialidade de nossos corpos. Fixa a idéia de que o “corpo” se reduz a cinzas, enquanto que a “alma” é eterna.
    Há quem vê nesse mito, o caráter cíclico dos acontecimentos, mas existe um símbolo esotérico, mais apropriado para essa interpretação, que é o que descrevo a seguir:
    “Esoterismo”, vocábulo arcaico grego, referia-se aos ensinamentos reservados, normalmente obras de grandes filósofos, sobre a origem do mundo, nossa origem e nosso fim, transformando-se em verdadeiros tratados, dados a pessoas preparadas, ou em preparação, com condições de absorve-los, conhecidos como “adeptos” ou “iniciados”. É o oposto de “Exoterismo”, que referia-se ao conhecimento comum, transmitido ao público, em geral.
    “Ouroboros” – importantíssimo símbolo esotérico, de origem muito antiga, representada pela serpente que morde a própria cauda, nos dá a entender o caráter cíclico de todas as coisas. Significando que, como afirmava IrCastellani, “todo começo contém em si o fim e todo fim contém em si o começo”. É o símbolo do tempo e a continuidade da vida.
    Os “ciclos” se completam, e conforme os ocultistas, os retornos promovem a renovação perpétua. Deste modo, como nos dizia o IrVaroli Filho “É possível que tudo o que existe já tenha existido”. O “Eclesiastes” já proclamou que não há nada de novo sob o sol. Escavações arqueológicas, descobertas de áreas semelhantes a campos de aviação, mapas antigos como os do almirante turco Piri Reis, revelando verdades surpreendentes, nos faz crer, que um ciclo semelhante ao nosso tempo atual, nos precedeu. O Universo está em expansão. Tudo nos leva a crer (não existe confirmação, só hipótese) que após ela, o Universo irá se contrair. E depois? Provavelmente, novo “Big Bang” e nova expansão!

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  133. PILULA MAÇÔNICA Nº 73

    Instalação do Venerável Mestre

    É uma cerimônia Maçônica, repleta de simbolismo e alegorias, tendo por finalidade a transmissão do cargo de Venerável Mestre, que é a autoridade máxima de uma determinada Loja. Ao ocupar o “Trono de Salomão”, alegoricamente falando, o obreiro deverá ficar revestido de poder e sabedoria e, durante um ou dois anos, assumirá o veneralato da referida Loja.
    Segundo alguns historiadores maçônicos essa cerimônia foi, a princípio, típica do Rito praticado na Inglaterra, metade do século XVIII, quando ainda haviam lá duas emergentes Obediências: a dos Modernos e a dos Antigos, que posteriormente, em 1813, se uniram e formaram a GLUI.
    Segundo Mackey, a Instalação é mais antiga, surgindo juntamente com as Constituições de Anderson, em 1723, elaborada por Desaguliers
    Inclusive, em 1827, devido à pequenos desvios que começaram a surgir, foi criado, pelo Grão Mestre, na Inglaterra, um “Conselho de Mestres Instalados” com a finalidade de coordenar todas as atividades contidas no Ritual de Instalação.
    Com o passar dos tempos, todos os demais Ritos, como o R.:E.:A.:A.:, por exemplo, copiaram e adotaram essa prática Maçônica.
    O novo Venerável Mestre é “Instalado” pelo Mestre Instalador, que pode ser um Grão Mestre, ou um ex- Venerável Mestre, e sua comitiva. Em seguida, o novo Venerável Mestre instala todos os Oficiais de sua Loja que realizarão suas funções, sob juramento, até que sejam substituídos por outros, instalados da mesma forma.
    Na verdade, esse ato de dar posse de um cargo, dando o direito de exercer os privilégios inerentes, é bem antiga e já era praticada pelos antigos romanos, que instalavam seus novos sacerdotes, normalmente pelos Augures (sacerdotes que prediziam o futuro).
    A origem do nome “instalação”, em português, vem da palavra francesa installer que por sua vez vem do latim medieval Installare (stallum significa cadeira, e in é estar dentro, adentrar).
    Outras associações iniciáticas, também possuem Instalações. Os padres da Igreja Católica, por exemplo, também são instalados em suas paróquias.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  134. PILULA MAÇÔNICA Nº 74

    Erro não! Tentativa de acerto.

    Na Maçonaria, os Aprendizes, por alguns meses ficam calados, quietos na sua Coluna, absorvendo os modos e maneiras de se comportarem em Loja de acordo com o Rito usado, e isso e é totalmente normal.
    Entretanto, com o passar desses meses, esses Aprendizes devem se liberar da inibição inicial e começar a expressar suas opiniões sobre Peças de Arquitetura, que são os Trabalhos apresentados por outros Aprendizes. Além do mais, devem apresentar também suas Peças de Arquitetura, além daquelas exigidas pelo regulamento da Loja.
    O que ocorre é que, muitas vezes, com medo de errarem e de serem criticados, esses Maçons se retraem e geram uma auto castração da criatividade e da iniciativa, na participação dos trabalhos da Loja. Ficam como passarinhos na muda das penas: quietos e calados!
    Entretanto, existe uma diferença muito grande em “errar” deliberadamente e “fazer uma tentativa de acerto”. Ninguém gosta de cometer erros ou de fazer trabalhos inadequados. Entretanto, quando fazemos algo de modo bem intencionado, convicto de estarmos certo e, assim mesmo, ficar provado que algo era inverídico, isso não deve ficar caracterizado como um erro, mas como uma tentativa de acerto. Devemos aprender com as nossas tentativas de acerto. Com as dos outros, também! É por isso que estudamos História. Para aprendermos, ou deveríamos aprender, o que não deve ser repetido e como não deve ser repetido.
    Se encararmos o “erro” como uma “tentativa de acerto” veremos que, mesmo ocorrendo fatos ou trabalhos inadequados, nossa auto estima e confiança aumentam, fazendo com que continuemos trabalhando, tomando decisões, dando opiniões.
    Temos que ter em mente que é humanamente impossível “acertarmos” todas as vezes. Portanto, essas “tentativas de acerto” devem ser como uma aprendizagem. Em cada “tentativa de acerto” faremos cada vez melhor o que foi proposto. Thomas Edson falava e fazia exatamente o que está descrito acima
    É isso que a vida, em geral, nos tem mostrado. As grandes descobertas não foram realizadas de uma única vez, mas, passo a passo, aprendendo com falhas anteriores e, inclusive, falhas dos outros.
    Por isso, meus Irmãos Aprendizes, façam Trabalhos, participem, colaborem com suas idéias e opiniões pois, não trabalhar, não participar e ficar calado é improdutivo e menos gratificante.
    Pessoas que não tentam fazer ou falar algo, com medo de errar, não se desenvolvem!
    Todos os Aprendizes bem intencionados devem parar de pensar que podem estar cometendo “erros” e, sim, pensar que estão fazendo “tentativas de acerto”.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  135. PILULA MAÇÔNICA Nº 75

    Cores na Maçonaria.

    O estudo do significado das cores, na Maçonaria, é de vital importância pois permite facilidades e melhor entendimento no estudo do Simbolismo. Elas figuram e estão presentes em todos os Ritos e em todos os Graus. É muito importante que se estude, também, o simbolismo das cores para que possamos entender o seu significado nos nossos paramentos, painéis e estandartes. Na natureza, o “Arco Iris” formado pelas gotículas de água refletindo a luz solar tem as seguintes cores (de dentro para fora): violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.
    No Rito Escoces Antigo e Aceito percebemos que há uma estreita ligação entre suas cores usadas e o que está descrito acima. Assim, nesse Rito, que é composto de 33 Graus, o mesmo é dividido em cinco secções. Nelas é que aparecem as definições das cores na Maçonaria, conforme descrito abaixo:
    – A “Maçonaria Azul” compreende os Graus Simbólicos, ou seja, Aprendiz, Companheiro e Mestre.
    – A “Maçonaria Verde” que refere-se às Lojas de Perfeição, que compreende os grau do 4 ao 14.
    – A “Maçonaria Vermelha” que refere-se às Lojas Capitulares (Capítulos Rosa-Cruz), que compreende os grau do 15 ao 18.
    – A “Maçonaria Negra” que refere-se às Lojas do Conselho Kadosh, que compreende os grau do 19 ao 30.
    – A “Maçonaria Branca” que que refere-se às Lojas do Consistório e Supremo Conselho, que compreende os graus do 30 ao 33.
    De acordo com Mestre Nicola Aslan, em seu Dicionário Enciclopédico, temos:
    – AZUL: é simbolicamente, na Maçonaria, a cor do céu no seu infinito, como infinita deve ser a tolerãncia condicionada nas atitudes dos Maçons nos tres primeiros graus – Aprendiz, Companheiro e Mestre.
    – VERDE: essa cor simboliza, precisamente, a transição, a passagem da “pedra cúbica” para a “pedra polida”. Esse polimento é a abertura da mente do Mestre para novos e surpreendentes conhecimentos.
    – VERMELHO: é a cor do elemento fogo. É a cor do sacrificio e do ardor que deve animar o comportamento dos Rosa-Cruzes.
    – PRETA: é a cor do luto e da tristeza que atormentam o Iniciado quando acredita que o seu desejo de excelsitude, o seu sacrifício e o seu ardor têm sido vãos.
    – BRANCA: é a cor que simboliza a paz e a serenidade do Iniciado que alcançou a plenitude da Iniciação, quando desenvolveu em si a espiritualidade pura, livre de toda sentimentalidade.
    Infelizmente, é comum se ouvir em trabalhos de Mestres, sobre “Maçonaria Azul” e “Maçonaria Vermelha” informando que a vertente da Maçonaria oriunda da França, com tendências revolucionárias, é a “Maçonaria Vermelha” e a vertente mais conservadora, mais comportada, oriunda da Inglaterra, é a “Maçonaria Azul”. Entretanto, essas afirmativas não encontram respaldo dos historiadores maçônicos, sérios.
    MIAlfério Di Giaimo Neto CIM: 196017

  136. PILULA MAÇÔNICA Nº 76

    A Colméia e a Maçonaria.

    A Colméia, e consequentemente a ação das abelhas, teve seu aparecimento anteriormente no Egito, Roma antiga e no mundo Cristão, antes de fazer parte do Simbolismo da Francomaçonaria.
    No antigo Egito, nos esclarece o Mestre Nicola Aslan, “a Colméia tinha interpretações místicas. Representava as leis da natureza e princípios divinos. Lembrava que o homem devia construir um lugar onde pudesse trabalhar, e isto era representado pelo Templo. Dentro desse Templo todos devemos estar ocupados numa produção cooperativa e mútua”.
    No século XVIII a Francomaçonaria adotou a Colméia como um símbolo do trabalho, ou seja, como símbolo da diligência, assiduidade, esforço, da atividade constante.A Colméia e suas abelhas simbolizam também a Sabedoria, a Obediência e o Rejuvescimento.
    Desde então, este simbolo maçônico tem aparecido, e antigamente com mais frequencia, nas ilustrações maçônicas.
    Na “Enciclopédia da Francomaçonaria” de Albert G. Mackey, é dito que os maçons devem “observar as abelhas e aprender como são laboriosas e que notável trabalho elas produzem, prevalecendo os valores da sabedoria, apesar de serem frágéis e pequenas”.
    Em outras literaturas, temos encontrado também que: “a Colmeia é um emblema do trabalho assíduo, ensinando-nos um comportamento racional e inteligente, laborioso e nunca descansarmos enquanto tivermos ao nosso redor Irmãos necessitados, aos quais podemos ajudar, sem prejuizo para outros”.
    E, para finalizar, podemos citar Ralph M. Lewis, na sua interpretação mística desse Simbolo: “o homem deve modelar suas ações e seu corpo fisico de modo que possa conter e preservar as riquezas, doçuras e frutos de seu trabalho e experiências, não para um uso egoísta, mas para ajudar e fortalecer aos outros”.

    MIAlfério Di Giaimo Neto CIM: 196017

    P.S.: este pequeno trabalho é uma homenagem ao meu apoiador e incentivador, Irmão Fernando Tullio Colacioppo Sobrinho, idealizador, e “abelha incansável” da REDE COLMÉIA, que muito tem colaborado para a Maçonaria do Brasil.

  137. PILULA MAÇÔNICA Nº 77

    Lembrando aos Maçons que…

    Filosofismo, palavra cuja raiz vem de “filosofia” (estudo geral sobre a natureza de todas as coisas e suas relações entre si; os valores, o sentido, os fatos e princípios gerais da existência, bem como a conduta e destino do homem) é muitas vezes usada designar os Altos Graus de alguns Ritos, principalmente o REAA. A aplicação está errada, pois filosofismo tem como significado: mania filosófica ou falsa filosofia.
    Venerança, termo muitas vezes usado designar o cargo do Venerável Mestre de uma Loja está errado, pois apesar supormos ser um neologismo do linguajar maçônico, o correto é Veneralato, tendo similaridade com as palavras terminadas em “el”. Coronel – Coronelato. Venerável – Veneralato.
    Escocismo, palavra usada para nos referirmos ao REAA. Esse uso está errado, pois o correto é pegarmos a palavra e acrescentarmos o sufixo “ismo” (formador de nomes seitas, doutrinas, vícios, etc). Assim : ingles – inglesismo. Portugues – portuguesismo. Escocês – Escocesismo.
    Kadosch, palavra designando a Oficina Litúrgica que trabalha nos graus 19 a 30 do REAA, está com a grafia errada, pois o correto é Kadosh (sagrado, em hebraico). Igualmente para Conselho Kadosh (e não Conselho de Kadosh).
    O Primeiro Conselho do REAA teve sua fundação em Charleston, no estado da Carolina do Sul, EUA, em 31 de maio de 1801, liderada por Frederic Dalcho, usando a divisa “Ordo ab Chao” (Ordem no Caos) tirando a Maçonaria da anarquia em que se encontrava, nos Altos Graus.. Há uma versão histórica de que esse Primeiro Conselho foi organizado por Frederico II, rei da Prússia, em 1786. Não há nada de verídico nisso, pois em 1786, Frederico já estava bastante doente, e velho para a época, vindo a falecer nesse mesmo ano. Além disso, por que motivo esse fato ficaria oculto na Europa até 1802, quando começou a aparecer nos EUA.? A verdade é a Europa nunca aceitou esse importante episódio maçônico ser fruto de um país “selvagem” como os EUA, na época, e criou mais uma “lenda”.
    Elias Ashmole não redigiu os Rituais de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom em 1646, 1647 e 1649, respectivamente. Isso é balela do ultrapassado escritor maçônico Jean-Marie Ragon (1781-1862). A Grande Loja Unida da Inglaterra não menciona isso. O próprio Ashmole, em seu “Diário” assinala somente duas passagens maçônicas: uma em 1646 e outra em 1682. Portanto, 36 anos depois. O grau de Mestre, cujo Ritual se diz ter sido feito por Ashmole em 1649, só apareceu cerca de oitenta anos depois! Além disso, Ashmole foi Iniciado em 16 de outubro de 1646. Como poderia ter escrito o Ritual de Aprendiz, nesse mesmo ano?
    ( esta Pilula foi baseada em diversos livros e Trabalhos do Mestre Castellani)

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  138. PRINCÍPIO FILANTRÓPICO NA MAÇONARIA

    José Geraldo de Lucena Soares
    ARLS “Fraternidade Judiciária” – 3614 – GOSP – GOB
    Kadosh 2 – SP.

    A Filantropia é o terceiro princípio previsto no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil conforme assinalamos em trabalho anterior (Princípio Filosófico na Maçonaria) e publicado neste veículo de divulgação.
    Sendo a Sublime Ordem caracterizada pelo amor ao próximo, dentre outros elementos de bondade, não poderia mesmo deixar de cultivar essa virtude que integra a essência de toda sua doutrina.
    Por filantropia podemos entender o sentimento de amor à humanidade sem nenhuma discriminação ou interesse de recompensa pelo bem que possa ser oferecido ao destinatário considerado merecedor para atender suas necessidades naquele momento ou ainda de caráter temporário. Faz-se necessário que o benefício seja espontâneo e que seja inspirado na caridade sem o propósito de deixar o beneficiário exposto ao desconforto de humilhação ou mesmo qualquer outro constrangimento, mas em situação que possa superar as dificuldades vividas e prosseguir no futuro sua caminhada independente. Aliás, a própria etimologia encerra esse pensamento quando a palavra emana do latim (philanthropia, ae), significando amizade, profundo amor ao próximo, generosidade para com o semelhante, caridade, desprendimento, beneficência.
    A História registra que já as guildas medievais costumavam exigir de seus membros uma parte de seus ganhos para auxiliar os necessitados da comunidade, em especial aos da mesma profissão, pedreiros, pintores, cortadores de pedra, lapidadores, encanadores, etc., evidenciando que sempre a filantropia foi exercida pela Ordem desde seus primórdios independentemente de acentuadas preferências desde que os beneficiados sejam realmente merecedores. E a avaliação deste merecimento é medida de conformidade com os critérios de moralidade, ética, honradez, seriedade, legalidade, crença no GADU e vida eterna, além de outros parâmetros adotados pela doutrina maçônica.
    Igualmente, a Maçonaria Especulativa consolidada pelo Bispo anglicano James Anderson e responsável pela Constituição Maçônica de 1723, realçou esse princípio, especialmente na fase do Iluminismo quando personagens de expressão intelectual e econômica passaram a integrá-la.
    Inúmeros restauros de monumentos da Europa foram custeados pela Fraternidade e auxílios a nosocômios dos mais variados beneficiaram-se com essa dádiva. Entidades que abrigavam crianças, idosos e desafortunados também viram-se contemplados.
    Na verdade, toda filantropia origina-se do Amor e Caridade lembrando que todas estas virtudes nos conduzem a Fé e também a Esperança, formando o trio – Fé, Esperança e Caridade, importante alicerce espiritual da Ordem.
    Sobre o assunto Raul Silva (Maçonaria Simbólica – Ed. Pensamento – págs. 50 e seguintes) lembra a Escada de Jacó contendo três lances que simbolizam a Fé, Esperança e Caridade. E prossegue: “A Fé é o traço de união que liga a criação ao Criador; portanto, a base da eterna Justiça, o laço de amizade e principal sustentáculo da sociedade humana. Vivemos e agimos alimentados pelo sentimento da confiança que uns aos outros inspiramos, que também nos proporciona esperança, alenta-nos a alma com a convicção que nos dá da existência de um Ser Supremo. A Fé justifica nossos atos de amor pelas coisas incriadas; é como que a evidência psíquica das coisas que escapam aos nossos sentidos físicos…. É pela Fé, tal nos mostra a Maçonaria, que alcançamos as mansões supremas onde nos integralizaremos com o Supremo Arquiteto do Universo… a Esperança é a âncora da alma humana: imóvel e poderosa, firme e consoladora.Tenhamos, pois confiança absoluta no Grande Arquiteto,esforçando-nos por nos manter dentro dos limites de suas sacratíssimas promessas, e alcançaremos nosso alvo.” Por sua vez , continua o autor citado, “A Caridade é uma das mais brilhantes jóias com que, mui justamente, se adorna a Sublime Ordem Maçônica. É a pedra de toque e a mais segura prova de sinceridade entre os maçons. A benevolência , acompanhada pela Caridade, honra a Ordem Maçônica, no seio da qual esta soberana Virtude floresce constantemente, por ser um dos escopos que mais preocupa e com maior esmero cumprem os verdadeiros maçons.”
    Estes são alguns enfoques do tema filantrópico que a Ordem adota em toda sua plenitude juntamente como tantos outros baseados no amor a todos os seres viventes da Terra na esperança de que se aproximem da Divindade.
    O princípio seguinte é o progressista e poderá ser objeto de outras observações oportunamente.

  139. PILULA MAÇÔNICA Nº 78

    Sessão Magna

    As Sessões de uma Loja, de acordo com o Regulamento Geral da Federação (RGF) estão regulamentados pelos artigos 108 a 113.
    Para melhor elucidação, transcreve-se o art. 108:
    “Art. 108. As sessões das Lojas serão ordinárias, magnas ou extraordinárias.
    As magnas se subdividem em : sessões magnas privativas de Maçons e sessões magnas admitida a presença de não-maçons (conferencias, palestras, como exemplo).
    Essa última, admitindo a presença de não-maçons, tem uma ritualística própria que está descrita abaixo, juntamente com alguns esclarecimentos:
    Essa sessão é chamada também de Magna Pública. Muitas Lojas chamam-na de “Sessão Branca” o que é um erro, pois dá a entender que existe uma “Sessão Negra” o que não é verdade.
    Essa Sessão deverá ser aberta sempre no Grau de Aprendiz, estando presentes os Irmãos do quadro da Loja e Irmãos visitantes de outras Lojas, se for o caso. A rigor deveria ser aberta ritualisticamente com os membros da Loja e, só depois disso liberar a entradas dos Irmãos visitantes.
    Em seguida, após golpe de malhete, advertir a todos que será feita a entrada dos visitantes não-maçons e que todos os sinais maçônicos estão suspensos.
    O Mestre de Cerimonias obedecendo os protocolos próprios (espadas, etc), dá entrada do pessoal, orientará e colocará, como é costume em nossas Lojas, as mulheres nos assentos do lado direito de quem entra (Coluna da Beleza – 2º Vigilante) e os homens nos assentos da esquerda (Coluna da Força – 1º Vigilante).
    Após isso, caso exista altas autoridades Maçônicas, elas deverão entrar e, em seguida entra a Bandeira Nacional, considerada a maior autoridade. Isso tudo obedecendo os protocolos do Rito praticado.
    Após as solenidades, faz-se o inverso, terminando com o encerramento Ritualístico da Sessão.

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM 196017

  140. PILULA MAÇÔNICA Nº 79

    Escada de Jacó e Escada em Caracol

    Apesar das duas serem Símbolos Maçônicos, e se tratar de escadas, na verdade, são bem distintos um do outro.
    A Escada de Jacó é um Símbolo Iniciático, com forte caráter religioso, é usado em outras Ordens, inclusive religiosas. A Maçonaria, apesar de não ser uma religião, a utiliza na Simbologia, para transmitir seus ensinamentos.
    Ela se se origina na Bíblia, referindo-se ao sonho que Jacó, filho de Isaac e de Rebeca e irmão de Esaú, teve um dia, no campo. Lá diz que, Jacó temendo a cólera de seu pai, pois havia comprado os direitos de primogênito de Esaú, seu irmão, fugiu para a Mesopotâmia. No caminho, em Betel, enquanto dormia com a cabeça apoiada numa pedra, sonhou com uma escada fixa na terra e a outra extremidade tocando o céu. Por ela os anjos subiam e desciam e ele ouvia Deus dizendo que sua descendência seria extremamente numerosa. Obviamente, pode-se dar inúmeras interpretações a esse sonho. Vai depender somente da nossa imaginação.
    A interpretação que a Maçonaria dá para essa lenda é de que o conhecimento de todas as coisas é adquirido de forma gradual, como se estivéssemos subindo uma escada, degrau por degrau. Aparentemente isso parece ser fácil, mas não é. Exige sacrificios, constancia e persistencia. Aliás, pensar que tudo é fácil, é uma característica do ser humano. Uma vez eu ouvi em Loja que fazer uma piramide, como as dos Egito é muito simples…só precisa colocar as pedras uma em cima das outras. Realmente muito simples!
    Conforme Nicola Aslan (Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria), esse símbolo está contido no painel do Grau de Aprendiz, com sete degraus, representando as sete virtudes cardeais: Temperança, Fortaleza da alma, Prudência, Justiça, Fé, Esperança e Caridade. Ë comum, pois, depois da Iniciação, dizer-se que o Aprendiz subiu o primeiro degrau da Escada de Jacó, ou seja, deu o primeiro passo no caminho de seu aperfeiçoamento moral.
    A Escada em Caracol, como o próprio nome diz, é uma escada em espiral, e é o Símbolo do Companheiro. No Grau de Companheiro é onde o Obreiro adquire o máximo de conhecimentos, e isso é típico desse grau, preparando-se para entrar no Grau de Mestre. Simbolicamente, nesse grau, ele deve girar em torno de si , absorvendo tudo a sua volta e atingindo, além disso, níveis superiores, cada vez mais aperfeiçoados. Assim, ao atingir o Grau de Mestre que é o esplendor da sua carreira maçônica, o Obreiro poderá começar a transmitir seus conhecimentos adquiridos, ou iluminar, clarear, a mente dos novos Aprendizes e de todos com os quais convive. Ser Mestre Maçom não é ser o dono da Verdade! Mas é ser dono da própria vontade e buscá-la, sem esmorecer e mostra-la ao
    MIAlfério Di Giaimo Neto

  141. PILULA MAÇÔNICA Nº 80

    O significado de “loja” na Idade Média.

    Conforme explicação no artigo escrito “Irmãos na Idade Média” do Irmão N.B.Spencer, da Nova Zelandia, 1944, temos que:
    “os Maçons da Idade Média, usavam a Loja (ver Pilula Maçônica nº 19) como um local de trabalho, reservado aos olhares de curiosos. A pedra não trabalhada, disforme, era trazida das pedreiras e era trabalhada, conformada e colocada no esquadro, dentro dessa área coberta, chamada de “Loja”. Essa Loja era colocada, evidentemente, ao longo das grandes construções e podia ter janelas somente em tres dos seus lados”.

    Na antiga Maçonaria Especulativa já era comum serem feitas as perguntas:
    – quantas Luzes Fixas há na Loja? “Três” é a resposta.
    – Para que são usadas? “Para ser a fonte de luz aos homens e iluminar o seu trabalho” é a outra resposta.
    Desse modo, o Venerável Mestre e os dois Vigilantes, que fazem o trabalho que exige maior habilidade, devem estar sentados abaixo das janelas no Leste, Sul e Oeste, e os Aprendizes que fazem trabalhos mais simples, não necessitam da mesma quantidade de luz, se sentam ao Norte, onde não há janela.

    MIAlfério Di Giaimo Neto CIM: 196017

  142. PILULA MAÇÔNICA Nº 81

    O que é o “Poema Regius”

    Como o próprio nome diz, é um poema, muitas vezes chamado de “Manuscrito Regius” ou “Manuscrito Halliwell”. É considerado o mais antigo documento manuscrito dos “Antigos Deveres” (Old Charges) da Francomaçonaria.
    É datado de aproximadamente 1390 e está escrito em ingles arcaico, sendo, portanto, difícil de ser lido sem ajuda de especialistas. Está preservado no Museu Britânico para qual foi presenteado pelo Rei George II.
    Sua importância não foi reconhecida até 1840 quando a primeira versão foi imprimida por J.O Halliwell. A razão de ter sido, por longo tempo, não reconhecido como um documento Maçônico, foi porque ele estava indexado com o título de “Um Poema de Deveres Morais”.
    O Manuscrito Regius foi recentemente reimprimido por Knoop, Jones e Hamer no artigo “Os Dois Mais Antigos Manuscritos”. A tradicional história nessa versão, começa com a estória de Euclides e em adição, instruções Maçônicas que contêm muita orientação, em geral, comportamental e algumas de cunho religioso.
    O Manuscrito Regius contém, também, a lenda do “Quatuor Coronati” versando sobre os quatro mártires coroados (ver Pílula Maçônica nº 40).
    (artigo extraido de livros Neo Zelandeses).

    MIAlfério Di Giaimo Neto
    CIM: 196017

  143. PILULA MAÇÔNICA Nº 82

    Abraço Fraternal Maçônico

    Segundo o grande Mestre Nicola Aslan, no “Dicionário Enciclopédico da Maçonaria, editora “A Trolha” , o Abraço Fraternal, ou Tríplice Abraço, dos Maçons consiste em passar o braço direito por cima do ombro esquerdo do Irmão e o braço esquerdo por baixo do braço direito do mesmo. Estando os dois nessa posição, batem brandamente com a mão direita as pancadas que constituem a bateria do Aprendiz. Feito isso, invertem a posição dos braços. Por fim, invertem-se novamente, voltando a primeira posição, repetindo-se sempre, a formalidade da bateria. Dá-se o abraço toda vez que um Oficial titular de um cargo retornar ao seu lugar, provisoriamente ocupado por um substituto.
    Além do mencionado acima, o Abraço Fraternal maçônico é dado também no Ritual da Iniciação
    O abraço dado sinceramente prova, melhor do que tudo, a verdadeira fraternidade maçônica.

    Seguramente, e já fui questiomado sobre isso, o Abraço Fraternal Maçônico não tem nada a ver com os “cinco pontos da perfeição”. Somente dois movimentos são semelhantes. Inclusive, no primeiro caso o abraço é dado ao Recipiendário pelo Venerável Mestre na Iniciação do mesmo. No segundo caso, estamos nos referindo ao Grau de Mestre. Portanto, se tivessem algum relacionamento, o Triplice Abraço só poderia ser dado aos Irmãos que tivessem chegado ao terceiro Grau Simbólico, o que não ocorre.

    ALFÉRIO DI GIAIMO NETO
    CIM 196017

  144. Os PRIMÓRDIOS DA MAÇONARIA EM SÃO PAULO
    — José Castellani —

    Em relação a outras Províncias brasileiras, como Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, a atividade maçônica na Província de S. Paulo começou relativamente tarde. Enquanto, nas Províncias citadas, os primeiros anos do século XIX já viam um grande desenvolvimento de Lojas e a fundação da primeira Obediência maçônica do território nacional, o Grande Oriente Brasílico, São Paulo só teria a sua primeira Loja em 1831. Sem embargo desse nascimento tardio, o florescimento da Maçonaria paulista, a partir da segunda metade do século, seria evidente, fazendo com que ela se tornasse, no século XX, o mais importante agrupamento maçônico do país, tanto em número de Lojas quanto em número de obreiros.
    No primeiro quartel do século XIX, porém, a Província de São Paulo apresentava, em relação a outros pontos do país, um pequeno desenvolvimento, tendo, inclusive, uma capital ainda bastante acanhada. Na realidade, a cidade de São Paulo, nessa época, tinha pouco mais de 10.000 habitantes na cidade e cerca de 13.000 no município, restringindo o seu espaço físico a um raio de um quilômetro a partir do seu centro, como ocorria cem anos antes, limitando-se à colina de origem, ocupada pelo triângulo urbano delimitado pelos riachos Anhangabaú, Tamanduateí e Bexiga; seus bairros, localizados além desses riachos, eram arrabaldes sem edificações, pontilhados por esparsas chácaras. Sua iluminação urbana, escura e malcheirosa, era feita com azeite de peixe, por meio de lampiões suspensos a postes de madeira, ou diretamente presos às paredes das casas; não havia canalização de água, a não ser a do córrego Saracura, afluente do rio Anhangabaú, e a da represa do tanque do Bexiga, que abastecia de água o chafariz do Largo da Misericórdia e uma bica do Largo da Memória.
    A cidade, todavia, tomaria um grande impulso desenvolvimentista, a partir de 1827, com a criação, a 11 de agosto, de um dos dois primeiros cursos jurídicos do país — o outro foi em Olinda (PE) — o qual se tornou um centro de ensino procurado por jovens de todo o país, colocando São Paulo no cenário cultural brasileiro e permitindo o intercâmbio com os principais centros culturais do Brasil e do Exterior. As idéias liberais, que haviam atingido o seu apogeu, na Europa, no último quartel do século XVIII e chegado ao Brasil nos últimos anos daquele século, através de brasileiros que estudavam na França, encontrava terreno fértil nas novas Academias de Direito e, daí, se estenderia à nascente Maçonaria paulista. E, embora, ainda durante algum tempo, fosse pequeno o desenvolvimento urbano, o impulso cultural, que foi dado a partir de 1827, iria contribuir para incrementá-lo, nos anos posteriores.
    A primeira Loja da Província e S. Paulo foi a Inteligência, de Porto Feliz, fundada a 19 de agosto de 1831, no Rito Moderno e na jurisdição do Grande Oriente Brasileiro, um dos troncos — depois desaparecido — juntamente com o Grande Oriente do Brasil, surgidos do primitivo Grande Oriente Brasílico, que havia sido fundado a 17 de junho de 1822 e fechado a 25 de outubro do mesmo ano (1). Essa Loja duraria muito pouco, vindo a abater colunas antes de 1850, depois de ter passado à jurisdição do Grande Oriente do Brasil, a 19 de agosto de 1832.
    Logo depois, surgiria a primeira Loja da capital paulista, a Amizade, fundada a 13 de maio de 1832, a qual adotou o Rito Moderno, passando, depois, para o Escocês Antigo e Aceito — cuja primeira Loja, no país, é de 1829 — e se colocou sob a jurisdição do Grande Oriente Brasileiro, só passando para o Grande Oriente do Brasil em 1861, recebendo o número 141, no Registro Geral da Obediência. Foram sete os fundadores da Loja Amizade: José Augusto Gomes de Menezes e Vasconcellos Drumond — em cuja residência ocorreu a reunião de fundação — Constâncio José Xavier Soares, Bento Joaquim de Souza, João Manoel Lopes Pimentel, Luiz Fortunato de Brito, Bernardino José de Queiroga e Manoel de Jesus Valdetaro. Desses sete, cinco eram estudantes de Direito, mostrando, bem, a importância que a nova Academia teve no desenvolvimento da Maçonaria em S. Paulo, principalmente na capital (2).
    Pouco depois da fundação da Loja Amizade, era criado, a 12 e novembro de 1832, o Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para o Império do Brasil, com patente fornecida pelo Supremo Conselho dos Países Baixos, por Francisco Gomes Brandão, que, na onda nativista, alterara o seu nome para Francisco Gê Acayaba de Montezuma (gê, de um grupo indígena brasileiro; acayaba, de uma palmeira do Brasil; e montezuma, alusivo a um antigo imperador azteca), futuro visconde de Jequitinhonha. Esse foi um fato importante, porque, em pouco anos, a maior parte das Lojas da Província de S. Paulo, adotava o Rito Escocês Antigo e Aceito, apesar deste ter ingressado no país quase trinta anos após os ritos Moderno e Adonhiramita.
    A partir daí, houve um período de grande atividade maçônica, com a fundação de diversas Lojas na Província, embora a maior parte delas tivesse efêmera existência, já que ainda não havia o suporte suficiente para um grande número de Lojas, numa região que, na época, apresentava uma baixa densidade demográfica. Assim, no ano seguinte ao da fundação da Amizade, eram criadas as Lojas Firmeza e Caráter, de Bragança Paulista, na jurisdição do Grande Oriente Brasileiro e no Rito Escocês; Fraternidade, de S. Paulo, do Grande Oriente Brasileiro e do Rito Escocês; Harmonia, de São Carlos, do G. O. Brasileiro e do Rito Escocês; União do Ypiranga, de S. Paulo, do G.O. Brasileiro e do Rito Escocês; Imparcialidade, do Grande Oriente Brasileiro e do Rito Escocês; Beneficência Ituana, do Grande Oriente Brasileiro e do Rito Escocês; Harmonia, de Areias, do Grande Oriente do Brasil e do Rito Moderno; Amor da Sabedoria, de S. Paulo, do G.O. Brasileiro e do Rito Escocês.
    Todas essas Lojas teriam vida muito curta, vindo a abater colunas em curto espaço de tempo; algumas duraram menos de cinco anos e a que teve existência mais duradoura foi a Harmonia, que abateu colunas em 1860. O fato de a maioria das Lojas ter sido fundada na jurisdição do Grande Oriente Brasileiro é explicável, já que este, criado um pouco antes do reerguimento do Grande Oriente do Brasil (Ver Nota 1), cuidara de instalar Lojas em diversas Províncias, para tentar firmar sua supremacia sobre o Grande Oriente do Brasil, já que ambos disputavam o direito de sucessão do Grande Oriente Brasílico de 1822. Quando do declínio e extinção do Grande Oriente Brasileiro, suas Lojas foram incorporadas ao G. O. do Brasil.
    Apesar desse grande surto de 1833, os anos restantes da década iriam ser parcimoniosos em criação de novas Oficinas e iriam mostrar uma reação do Grande Oriente do Brasil. Assim, foram criadas apenas cinco Lojas, que eram: União e Fraternidade, de Bananal, fundada em 1834, na jurisdição do G.O. do Brasil e no Rito Moderno; Amor da Ordem Respeitada, de Ubatuba, fundada em 1837, na jurisdição do G.O. do Brasil e no Rito Moderno; União Paranagüense, de Paranaguá, no Paraná (então pertencente à Província de S. Paulo), fundada em 1837, na jurisdição do G. O. do Brasil e no Rito Escocês; Cruzeiro do Sul, de Bananal, fundada em 1838, na jurisdição do G.O. do Brasil e no Rito Moderno; Sete de Setembro, de Santos, fundada em 1840, na jurisdição do G.O. Brasileiro e no Rito Escocês. Tais Lojas, também pouco duraram: a União e Fraternidade abateu colunas cerca de dezesseis anos após a fundação; a Amor da Ordem Respeitada durou doze anos; a Cruzeiro do Sul resistiu cerca de vinte anos; a Sete de Setembro, menos de doze anos; e a União Paranaguense, cerca de treze anos.
    A década seguinte, embora agitada, em termos políticos, com a Revolução Liberal de 1842, em S. Paulo — sob a liderança de maçons paulistas, como o padre Diogo Antônio Feijó (iniciado na Loja Amizade) e o senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, o primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente Brasileiro, do Passeio — e a instabilidade dos primeiros anos do Segundo Império, foi de marasmo para a Maçonaria paulista, com criação de poucas Lojas. Assim, depois da Sete de Setembro, só a 17 de junho de 1844 é que seria criada nova Loja, a Asilo da Virtude, de Capivari, da jurisdição do Grande Oriente do Brasil e do Rito Escocês, a qual duraria cerca de dezesseis anos; depois dela, veio a Loja Paz, fundada na jurisdição do Grande Oriente Brasileiro, em 1845 e desaparecida antes de 1860; também em 1845, seria fundada a Loja Fraternidade Curitibana, de Curitiba, que então pertencia à Província de S. Paulo; e, encerrando a paupérrima atividade da década, era fundada, a 15 de junho de 1847, na Capital da Província, a Loja Ypiranga, na jurisdição do Grande Oriente do Brasil e no Rito Escocês, a qual viria a abater colunas seis anos depois, tendo reerguidas e novamente abatidas suas colunas, posteriormente, em várias ocasiões.
    Em compensação, o início da década seguinte viu a fundação da Loja Piratininga, tão importante quanto a Amizade, na História de S. Paulo; e esse foi o começo de um surto de Lojas importantes, por toda a Província, as quais teriam, nos anos subseqüentes, ativa participação nos movimentos abolicionista e republicano.
    ——— NOTAS ——–
    1. Depois de fechado o Grande Oriente Brasílico, a 25 de outubro de 1822, a Maçonaria brasileira passou por um período de relativo adormecimento, devido a uma legislação cerceadora das atividades das sociedades ditas secretas. A partir do novo Código Criminal, sancionado a 16 de dezembro de 1830, com disposições bem mais brandas, em relação a essas sociedades, e, também, a partir da abdicação de D. Pedro I, a 7 de abril de 1831, os maçons começaram a se reagrupar.
    Assim, seria fundado, em 1830, mas só instalado a 24 de junho de 1831, o Grande Oriente Nacional Brasileiro,o qual foi conhecido, no início, como Grande Oriente da rua de Santo Antônio, e, depois, como Grande Oriente da rua do Passeio, ou, simplesmente, do Passeio, em alusão aos locais em que se acomodou. Ao ser instalado, passou a se intitular, apenas, Grande Oriente Brasileiro, formado pelas Lojas União, Vigilância da Pátria e Sete de Abril, às quais se juntou a Razão, de Cuiabá. Menos de dois meses depois, a essas Lojas, juntava-se a Inteligência, a primeira Loja da Província de S. Paulo.
    Já o Grande Oriente do Brasil, que se conside