Jose Geraldo de Lucena Soares

Lucena Textos de José Geraldo de Lucena Soares nasceu em Recife-PE em 1935 e se formou em Direito pela então Universidade do Recife, atualmente Universidade Federal de Pernambuco em 1959 ; Foi Delegado de Polícia, por concurso de provas e títulos de 1961 a 1974 do Estado de São Paulo, quando ingressou na Magistratura Paulista também por concurso de provas e títulos; É Desembargador aposentado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Foi iniciado na Sublime Ordem em 1976 e exerceu o Veneralato da ARLS Fraternidade Judiciária 3614 – GOSP-GOB de 2011 a 2013 tendo se desligado dessa presidência para assumir o cargo de Juiz do Tribunal Eleitoral do Grande Oriente de São Paulo- Grande Oriente do Brasil;
É articulista de veículos de divulgação sobre temas maçônicos.

A SIGNIFICAÇÃO DE JUSTIÇA NO ÂMBITO MAÇÔNICO
  José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33”    
 ARLS – Fraternidade Judiciária – GOB – 3614 – GOSP

A matéria ora em foco é fruto de observação na vida maçônica e merecedora de alguns comentários.

A concepção de Justiça na Ordem Fraternal é o resultado de interpretação que pode ser tanto do aspecto subjetivo como objetivo.

Em se tratando do subjetivismo adota-se um critério pessoal interpretativo conferindo- se um entendimento daquele instituto, preceito ou sistema, muitas vezes ignorando-se seu verdadeiro alcance social para justificar um sentido ali não contido.

É a projeção da personalidade do intérprete para encontrar seu próprio significado de Justiça.

Interpreta-se o conceito de Justiça no interesse próprio movido por sentimentos que fogem à realidade e que colidem com os interesses do Poder Público e da Sociedade pelo simples desejo de se proteger uma situação ilegal, injusta, mas que poderia ser relegada a impunidade ou esquecida. A finalidade da Justiça que é a coexistência harmônica e pacífica  social não é observada e se deturpa a concepção dessa mesma Justiça na comunidade. Diziam já os romanos desde a antiguidade que “ justitia est constam et perpetua voluntas jus suuam cuique tribuendi “ ( a Justiça é a vontade constante e perpétua de dar a cada um o que é seu ).

Esta afirmação encerra uma grande sabedoria e contém em sua substância todos os elementos para o encontro da significação de Justiça que também é concebida pela nossa Sublime Ordem.

Convém ser lembrado que o próprio Jesus de Nazareno, o Cristo, também a repetiu de forma indireta quando proferiu a célebre frase “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus, ou mais precisamente:“ E Jesus lhes perguntou: de quem é essa imagem e inscrição? Responderam eles: de César. Então Jesus lhes disse: pois daí a César  o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ao ouviram isto ficaram maravilhados, e deixando-o foram embora “( Mateus,22 – O tributo devido a César ).

É bem verdade que a máxima “sumum jus summa injuria(justiça excessiva conduz a uma injustiça), revela que nem sempre a aplicação do ordenamento jurídico  a um caso concreto constitui o ideal do justo em seu verdadeiro sentido,faltando a caridade nesses casos,virtude essencial para ensejar o senso de Justiça na concepção maçônica. Esta ausência de caridade na visão da nossa Instituição Fraternal viola o Princípio  de Proporcionalidade  eis que o efeito é excessivo em relação a causa e deve existir um equilíbrio entre um e outro considerado como um todo.

Assim, o cometimento de uma ilicitude deve ser punido de conformidade com a extensão do dano gerado por essa ação ou omissão. Se a punição (efeito) excede a causa (ação ou omissão do ilícito) teremos uma injustiça punitiva apenas, mas o cometimento desse ilícito persiste e aí correta a aplicação de Justiça na causa e a desproporção no efeito que é o castigo.

É a concepção de Justiça no âmbito maçônico que vigora, embora algumas vezes se confunda essas duas etapas da dinâmica para a compreensão de Justiça.

Por outro lado, o processo interpretativo objetivo constitui o entendimento da norma de conduta sem a preocupação naquele momento de aplicá-la a algum fato.

Busca-se o verdadeiro alcance do preceito e seu conteúdo. Nesta fase pode acontecer apenas que, em tese, essa regra seja tida como justa ou injusta, mas ainda não incidiu sobre um fato que reclamasse sua aplicação.

Todo esse sistema interpretativo é que gera a opinião de cada um sobre se algo é justo ou injusto. Afere-se a Justiça ou injustiça do acontecido. Mas o que prevalece é a decisão calcada na lei voltada sempre para o interesse da coletividade e proferida de conformidade com os mandamentos  do G.’.A.’.D.’.U.’., sem nenhuma preocupação religiosa, seita, crença ou algo similar.

É a significação do senso de Justiça maçônico nestes tempos, 6014, E.’.M.’.

 

     Hierarquia Maçônica
     José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. – 33”
     ARLS Fraternidade Judiciária 3614 – GOSP – GOB

A palavra “Hierarquia” é composta por dois vocábulos gregos (hierós = sagrado e arkhe´=autoridade) e exprime a ideia de poder oriundo da divindade fundada na doutrina mística de que todo poder lícito, moral e ético emana de Deus.

Os Estados Teocráticos são demonstrações desse pensamento e essa corrente de seguidores alcança grande aceitação em nossos dias.

Mas esse poder gera responsabilidade e longe de ser motivação de orgulho e vaidade, é um sacrifício para aquele que tem a consciência de servir aos interesses comuns e não dele se servir. Esse poder é exercido pela autoridade que é o instrumento que enseja utilidades coletivas e bem-estar aos administrados na medida das possibilidades materiais que estejam ao seu alcance. Poder e responsabilidade são dois elementos que integram o conceito de hierarquia. Subordinação é outro e gera as posições de superior e inferior com a escala de  graduação adotada pelo sistema estrutural da entidade pública ou privada.

Daí o adágio popular: manda quem pode e obedece quem tem juízo!

Em linhas gerais esta é a dinâmica do Instituto da Hierarquia em todos os tempos e em todos os lugares.

Hierarquia é, portanto, a escala de poderes e responsabilidades adotada por um agrupamento de pessoas onde o Superior subordina o Inferior a um comando legal no interesse da entidade. E dentro desse enfoque é a autoridade que exercita esse comando nos limites de sua gradação de poder previstos na legislação da instituição comandada.

A nossa Ordem Fraternal como todas as organizações possui também sua hierarquia que abrange não só sua administração como também a disciplina e outorga de seus graus aos seus membros seja qual for o rito que use em seus trabalhos.

As Obediências possuem o governo central e são dirigidas pelo Grão Mestre Geral ou outra denominação similar sempre como órgão supremo. Editam normas para todas as unidades inferiores versando sobre matéria administrativa e instruções atinentes aos diversos graus de lojas e câmaras que deverão ser observadas para validade maçônica de seus atos.

Quanto ao “aumento de salário”, inicia-se na Maçonaria Primitiva ou Azul com seus 3 graus básicos por todos conhecidos: aprendiz, companheiro e mestre maçom – segundo artigo do Código Landmarks de Mackey. São grau básicos, conditio sine qua non , para o acesso aos Altos Graus ou Graus Superiores com os ensinamentos graduais para todos os estágios, operativo e especulativo – vigésimo quarto artigo do Código Landmarks de Mackey.

Em se tratando do R.’. E.’. A.’. A.’ nos Altos Graus temos 30 que se inicia no 4 e termina no 33, este último somente concedido pelo Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 da Obediência correspondente divididos em 6 etapas: lojas de Perfeição, Capitulares, Areópagos – Conselhos Filosóficos de Kadosch, Tribunais, Consistórios e Supremos Conselhos.

As Unidades de Perfeição abrangem os Graus 4 a 14; as Capitulares de 15 a 18; os Aerópagos – Conselhos Filosóficos de Kadosch de 19 a 30; os Tribunais Grau 31; Consistórios Grau 32 e, finalmente, os Supremos Conselhos, o último Grau e o mais elevado da hierarquia maçônica que é o 33.

Os graus acima mencionados são concedidos aos obreiros após frequência às sessões e dissertações sobre temas atinentes a Ordem para avaliação intelectual do pretendente no sistema de elevações ou simplesmente por comunicações, dependendo das normas internas sempre editadas pelos Supremos Conselhos das diversas Obediências correspondentes.

Por outro lado, essas Obediências elaboram suas próprias constituições que seguem preceitos comuns a todas congêneres, acolhendo os 3 graus básicos, ritos e graus diversos, mas sempre inspiradas na fonte de toda Maçonaria Universal – os Landmarks de compilação predominante de Albert Galletin Mackey em 1856 que viveu entre 1807 a 1881.

Na verdade, o Código Landmarks de Mackey é o diploma de maior hierarquia da Sublime Ordem que ostenta o título de milenar e universal.

 

ASPECTOS  DA  INTELECTUALIDADE  MAÇÔNICA
JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES,   MI.’.  33”
ARLS   FRATERNIDADE   JUDICIÁRIA     3614   GOSP   –   GOB

A Maçonaria como qualquer outra entidade cultivadora da Moral, Ética, Legalidade e Virtudes, também exige de seus adeptos conhecimentos que possam engrandecê-la e também enriquecê-los em todas as áreas, disciplinar, material, espiritual e intelectual.

Seu objetivo dentre muitos outros, é prestigiar o  estudo em busca da Verdade para continuação da caminhada através dos séculos, aproximando seus membros do GADU.’., que, por sua vez, alcança também toda a humanidade.

Para atingir essa finalidade possui sua própria doutrina consubstanciada em princípios e postulados fundada em símbolos e alegorias, oferecendo uma visão celestial, intelectual e também de matéria para que o obreiro encontre seu próprio rumo  para compreendê-la e possa executar todos seus ensinamentos.

Toda essa dinâmica repousa em várias ciências, em especial  na Filosofia, escalonadas em graus nas etapas onde o estudo anterior prossegue no posterior

É a escada de Jacó.

Podemos afirmar assim, que a Sublime Ordem exorta o maçom a um estudo progressivo  e dividido em graus com o propósito de facilitar a compreensão de cada tema, quer seja filosófico, simbólico, alegórico, espiritual ou esotérico ou ainda físico no momento oportuno.

Esse sistema é adotado em qualquer rito maçônico que seja reconhecido em maior ou menor dimensão.

Cada grau tem sua própria história e relata um momento da vida maçônica começando pela aprendizagem até o último grau do rito eleito e executado na oficina imposto pela Potência correspondente.

Em se tratando do REAA.’., é de se notar, que todo esse critério é aceito, como não poderia deixar de ser, nos Altos Graus ou Graus Superiores, que se inicia no 4” e vai até o 33”, dividido em Perfeição, Capítulo, Kadosh, Consistório  e o final 33” – Supremo Conselho –  Grande Inspetor Geral (33”)

Daí para frente é o Infinito e cada maçom procurará seu próprio método para o aumento de pureza, tolerância e conhecimento da matéria e do espírito até o dia da viagem para o Or.’. Et.’.

Aquele que sempre trilhou na doutrina maçônica, por certo, encontrará a feliz morada celestial  eterna !

Na verdade, com a implantação da Maçonaria Especulativa ou Intelectual no começo do Século XIII  (1717-1724), a consciência da época dirigiu-se  para os estudos aprofundados de todas as ciências, especialmente as humanas, filosofia, política, literatura,psicologia e afins, sempre com a  preocupação de aumentar o acervo de sabedoria da Ordem.

Buscou aquele movimento figuras de cultura  comprovada  para suas fileiras gerando um clima na sociedade de respeito e de alta relevância  no cenário da elite intelectual da época.

A Sublime Ordem cresceu e passou a ter grande destaque no meio social e foi naqueles tempos que iluministas famosos ingressaram na Fraternidade espalhando sabedoria com  o detalhe conhecido por  “ Iir.’. Aceitos ”, pois não vieram da Maçonaria Primitiva e por esta foram acolhidos,  surgindo  o Departamento Especulativo a que se refere o vigésimo quarto artigo do Código Landmarks de Mackey, assim disposto: “ A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmarks. A preservação da lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.”

Percebe-se  assim, que esses grandes pensadores clássicos  como  Francis Bacon, René Descarte, Montesquieu,John Locke, Voltaire, Rousseau, Baruch Spinoza, Kant e tantos outros  influenciaram a cultura maçônica que foi  ampliada  especificamente  por autores renomados  da  Fraternidade como  C. W.  Leadbeater, Jules Boucher, Jean Palou, Jorge Adoum,  Marius Lepage ,etc.  No Brasil encontramos rica bibliografia da Ordem com realce para  Rizzardo da Camino, David Caparelli, Nicola Aslan, Sergio Pereira Couto, José  Castellani, Xico Trolha, Alfério Di Giaimo Neto  e muitos outros do mesmo quilate que acenderam  e acendem  luzes nos conhecimentos da Ordem.

São doutrinadores e interpretes dos mistérios maçônicos,  integrantes de boa parte da intelectualidade da  Ordem Fraternal e de grande utilidade pela divulgação da nossa cultura.

São merecedores de nossa  gratidão !

 

O LUXO NA VISÃO MAÇÔNICA
José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. – 33”
ARLS FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614  – GOSP –GOB

A palavra “Luxo” emana do latim ( luxus, us – s.m.) e exprime a ideia de suntuosidade, magnificência e tudo que impressiona como demonstração de riqueza material.

O luxo está vinculado a algo que nos seduz e poucos têm a força de resistir aos seus encantos, pois provoca um sentimento de beleza no cenário onde se encontra instalado, porque também nos conduz à contemplação da Arte.

Esse exame do Belo que encerra geralmente o Luxo, nem sempre é bem visto pelos desafortunados eis que provoca um sentimento de desequilíbrio de riquezas entre o ostentador luxuoso e aquele que não tem condições de cultivá-lo pela falta de recursos materiais para nivelar-se.

Daí a maneira ou forma de vivência luxuosa trazer algumas ou mesmo muitas vezes  a inveja e recalque, e, como consequência, conflitos sociais deflagrados, cujos desfechos nem sempre são satisfatórios.

A História está repleta de contos luxuosos e até nossa Sublime Ordem também o adota em sua vida administrativa com prédios ou palácios suntuosos e outros objetos dos mais valiosos que os adornam.

Evidencia-se a importância dessa ostentação como expressão artística e até mesmo de Poder. Aliás, o Poder Terreno sempre esteve ligado ao luxo, separando seu detentor perpétuo ou temporário das camadas sociais que lhes são submissas.

Na verdade, grande parte da sociedade admira o fausto e outra se mostra indiferente mas a maioria gostaria de usufruí-lo, embora possa não demonstrar.

Todavia, a vida luxuosa  contém uma grande parcela de utilidade. Além de representar às Belas Artes como estímulo para os olhos eruditos e também para a audição musical, como quadros de Rafael, Rembrandt, Da Vince, Michelangelo,Van Gogh, Portinari e tantos outros, propiciam igualmente os sonhos e poesias das musicas de Franz Schubert,  Wagner, Claude Debussi e Chopin. Monumentos de Michelangelo e do próprio Leonardo Da Vince e outros renomados clássicos sempre encantaram os sentimentos artísticos dos amantes do Belo.

Registra um dos ensinamentos maçônicos que o luxo significa pompa, viço, esplendor sendo a expressão daquele sentimento que nos faz  amar o Belo; é também a perfeição da higiene que torna o corpo digno da alma que o rege. Ao invés de corromper os costumes, se praticado com dignidade, o luxo pode até recuperá-los, pois serve muitas vezes de contrapeso a avareza, impulsionando o progresso e amor a vida física e espiritual.

O luxo é, pois, uma forma  marcada pelo apreço a beleza com o propósito de despertar um grande sentimento de satisfação pessoal.

É como vejo a aceitação do luxo na Maçonaria, smj.’.

 

A BÍBLIA SAGRADA, A BONDADE EVANGÊLICA E O R.’.E.’.A.’.A.’.
José Geraldo de Lucena Soares, MI.’., 33”
ARLS  FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614 – GOSP – GOB

O Rito Escocês Antigo e Aceito é marcado pela Bíblia Sagrada, em maior ou menor dimensão nas diversas etapas do estudo gradual e sequenciado de seus graus.

Os dois primeiros graus estão voltados para o aperfeiçoamento básico do Ser Humano, demonstrando a necessidade do desprendimento mais da matéria e o ligamento com a parte espiritual.

Exorta e ensina o cultivo da virtude de um modo geral, servindo esse chamamento como alicerce para uso nos graus subsequentes com uma construção alegórica que constitui a teoria desta fase.

A saga de Hiram Abiff bem reflete a dinâmica de todo esse acervo filosófico que  desemboca sempre no campo espiritual na medida que se encaminha para o estudo aprofundado do sistema maçônico.

Na fase inefável é focalizada a perseguição dos matadores do mestre Hiram Abiff e sua morte sendo condenadas a vindita e aplicação de Justiça pelas próprias mãos. Toda essa alegoria prossegue no estudo capitular com a reconstrução do Templo de Salomão surgindo as figuras de Zorobabel, Ciro e Dario.

Toda essa narrativa é retirada do Antigo Testamento confirmando que este rito é essencialmente bíblico como já registrado no início desta exposição.

Mas no último grau do capítulo aparece o cristianismo simbolizado pelo crucifixo que não se deve confundir com a cruz. Esta sempre lembra uma reprimenda, enquanto o crucifixo é a expiação concreta e consumada dos três crucificados no Gólgata: Jesus de Nazaré, Dimas, o bom ladrão e Gestas, o malfeitor não arrependido.

A cruz ocupada torna-se crucifixo e quando isolada e sem ocupação é simplesmente um instrumento que foi usado no Direito Romano como castigo de morte.

Jesus de Nazareno, visto como homem, é  perfeição, Dimas, o bom ladrão, o arrependimento para alcançar o perdão e Gestas, a continuação da maldade que é o oposto da bondade.Esses três crucifixos são partes integrantes deste último estudo do capitulo conforme interpretações filosóficas e teológicas.

A boa doutrina desse momento realça a Rosa-Cruz e consagra a vitória da luz sobre a escuridão implicando no cultivo evangélico que exprime o sentimento de humanidade pelo amor e pela verdade gnóstica.

Este sentimento repousa nos Evangelhos com destaque de liberdade de emitir pensamentos no seio da sociedade com o propósito de progresso material e espiritual.

E todas essas lições originam-se de Jesus de Nazareno que nos conduz a Bondade Evangélica. Essa bondade inicia a felicidade e justiça dos ensinamentos cristãos levando ao aprimoramento da alma e o encanto das ações voltadas para a ajuda do semelhante. Remove o ódio dos pecadores e transforma a tristeza em alegria. Combate a intolerância e aguça  o sentimento de irmandade que é a marca da Maçonaria.

Esse conjunto de virtudes da Bondade Evangélica gerou a Bondade Maçônica.

 

A Circum-Ambulação no Templo
José Geraldo de Lucena Soares, 16°
Capítulo “Integração e Prudência”- SP

A expressão “circum” significa “em volta de”, “em redor de” e “ambulação”, de origem latina, tem o sentido de “andar, passear, caminhar”: ambulatio, onis, f. Daí os substantivos “ambulatório, ambulância, ambulante”, etc…
Juntando as duas palavras temos que é andar, caminhar, em redor de algo que, no caso, é circular no Templo, tendo um ponto de referência que é o Painel do Grau.
Caminha-se em redor desse referencial mencionado.
Assim entende-se por circum-ambulação, a conduta de circular corretamente no interior do Templo de conformidade com o rito ali adotado.
Mas, como andar naquele lugar sagrado, considerando sua forma geralmente retangular?
O obreiro ao ingressar no Templo fica de frente ao Oriente (Leste), na parte Ocidental (Oeste), tendo ao seu lado esquerdo a Coluna Setentrião (Norte) e à direita, a Coluna do Meio-Dia (Sul).
Qual caminho deverá seguir? Pela esquerda ou pela direita, seguindo a Coluna Setentrião (Norte) ou pela Coluna do Meio-Dia (Sul)?
Isso depende do ritual eleito pela Potência ou Obediência que determina o cumprimento às lojas subordinadas.
O critério pode ser um ou outro. O necessário é a obrigatoriedade da circulação pelo lado escolhido pela Hierarquia Maçônica, esquerda ou direita. Mas uma vez determinado pela Potência, as oficinas filiadas ficam vinculadas ao cumprimento do lado indicado.
O que é proibido é a faculdade de escolha de cada loja.
Vige o princípio da Unidade Administrativa da Sublime Ordem que impera como em outros casos similares.
É preciso comando ditando regras visando continuidade da Instituição sem o qual estaria fadada ao declínio e a anarquia imperaria. Faz-se necessário a ordem para que a disciplina e progresso sejam conservados interna-corporis.
É a Maçonaria Branca ou Administrativa (33°) de que estamos a falar do REAA.

SISTEMAS DE CIRCULAÇÃO

Dois são os sistemas que disciplinam a circulação no interior da Oficina: dextrocêntrico ou solar e sinistrocêntrico, também conhecido por polar.
O primeiro (dexter, latim=direita), consiste em caminhar pela direita voltada diretamente para o lado interno do ponto de referência que é o Painel do Grau, isto é, a direita fica do lado interior de um círculo imaginário, enquanto a esquerda fica do lado exterior desse círculo que se imagina, obviamente.
A caminhada, portanto, é no sentido dos ponteiros do relógio ou sentido horário.
Ao ingressar no Templo, o maçom anda em direção ao Oriente (Leste), estando “entre colunas”, pela esquerda, passando pelo Setentrião (Norte), tendo a sua direita direcionada ao centro desse círculo imaginário, cujo ponto central é o Painel do Grau.
Retornando do Oriente (Leste) para o Ocidente (Oeste), fará o inverso.
Terá sua direita voltada para o centro desse círculo imaginado e sua esquerda próxima ou voltada para a coluna do Meio-Dia (Sul).
Em qualquer parte que se encontre o maçom no Templo, sempre fará o percurso tomando como base a direção dos ponteiros do relógio.
No Oriente (Leste), entretanto, não se exige qualquer regra de caminhada; pode-se andar da esquerda para a direita ou vice-versa, livremente.
O outro sistema sinistrocêntrico (latim, sinister=esquerda), é o inverso do dextrocêntrico.
O obreiro na mesma posição “entre colunas”, de frente para o Oriente (Leste), para reforçar o entendimento, começa seu giro pela direita que corresponde sua esquerda direcionada para o ponto central desse círculo que se imagina. Sua direita volta-se para a coluna do Meio-Dia (Sul), observadas as mesmas regras do dextrocêntrico, como o sinistrocêntrico.
É que essa faculdade outorgada às Potências não é regulada por Landmarks para a escolha.
Trata-se de simples discricionariedade conferida às Obediências de conformidade com o entendimento admitido e inspirado em interpretações diversas, inclusive de ocultismo e costumes locais. Vige a legislação maçônica ordinária editada pela Hierarquia Diretiva competente.
Se a escolha recair sobre o sistema sinistrocêntrico acompanhará as movimentações da Terra em relação ao SOL, isto é, em sentido contrário ao andamento dos ponteiros do relógio: rotação e translação.
É um modelo que pode justificar essa preferência de sistema da Potência e, nesse caso, todas as unidades maçônicas filiadas ficam obrigadas ao cumprimento, como já assinalamos. O que não pode é ficar ao desejo da loja subordinada eleger o sistema e adotá-lo, repita-se.
Por outro lado, eleito o Sistema Dextrocêntrico pelas Autoridades da Obediência, o caminho será pela esquerda acompanhando a andança dos ponteiros do relógio ou sentido horário, como vimos
Qual seria o motivo que autoriza a circulação pelo lado esquerdo?
Muitas explicações existem, porém a mais aceita ou, pelo menos, razoável, é inspirada nos sentimentos positivos com o G A D U.
Amor, bondade, caridade, perdão, piedade e compaixão são emoções ligadas à Divindade e, como o coração é tido como o guarda de sentimentos, por uma metáfora, a esquerda nesse aspecto, é eleita para a circulação no Templo.
Não se deve esquecer que o coração está localizado mais para o lado esquerdo que do centro do abdômen.
Esta é uma indicação para justificar o sistema dextrocêntrico, baseado no elo do Ser Humano com a Força Suprema Celestial.
Sentimentos puros e exigidos para a vida com Deus. Aliás, essa alegoria é usada no matrimônio, onde os cônjuges usam a aliança no dedo anular da mão esquerda como sinal que a lembrança de seu bem amado ou amada está guardada no seu coração.
No Islã, por sua vez, usa-se o sistema sinistrocêntrico na peregrinação a Meca, em redor da C A A B A (cubo) sagrada no ritual religioso.
Poder-se-ia, entretanto, invocar-se a aparente incoerência do Sistema Dextrocêntrico, pois, sendo marcado pela direita, como sugere sua própria etimologia, a caminhada é pelo lado esquerdo do obreiro no Templo, no sentido dos ponteiros do relógio e aí seria incompatível com essa posição de direita.
Essa incoerência é, realmente, apenas aparente.
Foi esclarecido que o centro do Templo é marcado pelo Painel do Grau e este ponto é a referência da circulação do aspecto objetivo.
O percurso pelo lado esquerdo do maçom na Câmara corresponde seu lado direito ao Painel do Grau, significando dois aspectos da problemática: subjetivo e objetivo.
Considerando o modelo dextrocêntrico, no sentido dos ponteiros do relógio (Solar), temos o lado esquerdo do caminhante e surge o subjetivismo, eis que se tem em conta sua esquerda. Seu lado direito está direcionado para o Painel do Grau e, nesse caso, quando levamos em conta o ponto referencial que é este Painel do Grau, encontramos o outro critério que é o objetivo.
Assim, quando falamos que a circulação é pelo lado esquerdo, implicitamente apontamos que é o lado do maçom, surgindo essa qualidade subjetiva.
Por outro lado, quando se fala do Sistema Sinistrocêntrico (Polar), ao contrário dos ponteiros do relógio, a esquerda do circulante fica do lado do Painel do Grau e sua direita para a coluna do Sul (Meio-Dia) e aí temos a compreensão objetiva.
Doutrinando sobre a matéria, Jules Boucher prefere a circulação sinistrocêntrica, “mas não nos oporíamos a que uma Loja admita a circulação inversa, com a condição de que exponha bem suas razões e que estas sejam válidas. De qualquer modo, é preciso adotar um dos sentidos e obrigar a sua adoção. É inadmissível que a circulação se faça indiferentemente num sentido ou outro. É necessário, é imprescindível que se adote um sentido ritual de circulação” (autor citado-“A Simbólica Maçônica”- pág.129-Ed. Pensamento). A propósito, o mesmo doutrinador observa que no ritual antigo operativo, “ele foi “polar”; de acordo com esse ritual, aliás, o “Trono de Salomão” era colocado a Ocidente, e não a Oriente, a fim de permitir que seu ocupante “contemplasse o Sol a Nascer”.
Verificamos assim, a prevalência da marca objetiva do Painel do Grau, pois integra toda substância da Instituição Maçônica, considerada in abstracto , mais importante que seus membros que são efêmeros e irão mais cedo ou mais tarde para o Or . . Et . .
A Ordem Maçônica é perpétua.
Portanto, quando se fala da via pelo lado esquerdo do maçom, entendemos o elemento subjetivo. Quando se tem com referência o Painel do Grau, encontramos o critério objetivo.
São esses os princípios que regem a circulação no Templo Maçônico.
Obras consultadas:
– A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – Ed. Pensamento
– Enciclopédia Esotérica – David Caparelli – Ed. Madras
– As origens do ritual na Igreja e na Maçonaria- H. P. Blavatsky – Ed. Pensamento
– Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento

A BÍBLIA SAGRADA, A BONDADE EVANGÊLICA E O R.’.E.’.A.’.A.’.

José Geraldo de Lucena Soares, MI.’., 33”

ARLS  FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614 – GOSP – GOB

O Rito Escocês Antigo e Aceito é marcado pela Bíblia Sagrada, em maior ou menor dimensão nas diversas etapas do estudo gradual e sequenciado de seus graus.

Os dois primeiros graus estão voltados para o aperfeiçoamento básico do Ser Humano, demonstrando a necessidade do desprendimento mais da matéria e o ligamento com a parte espiritual.

Exorta e ensina o cultivo da virtude de um modo geral, servindo esse chamamento como alicerce para uso nos graus subsequentes com uma construção alegórica que constitui a teoria desta fase.

A saga de Hiram Abiff bem reflete a dinâmica de todo esse acervo filosófico que  desemboca sempre no campo espiritual na medida que se encaminha para o estudo aprofundado do sistema maçônico.

Na fase inefável é focalizada a perseguição dos matadores do mestre Hiram Abiff e sua morte sendo condenadas a vindita e aplicação de Justiça pelas próprias mãos. Toda essa alegoria prossegue no estudo capitular com a reconstrução do Templo de Salomão surgindo as figuras de Zorobabel, Ciro e Dario.

Toda essa narrativa é retirada do Antigo Testamento confirmando que este rito é essencialmente bíblico como já registrado no início desta exposição.

Mas no último grau do capítulo aparece o cristianismo simbolizado pelo crucifixo que não se deve confundir com a cruz. Esta sempre lembra uma reprimenda, enquanto o crucifixo é a expiação concreta e consumada dos três crucificados no Gólgata: Jesus de Nazaré, Dimas, o bom ladrão e Gestas, o malfeitor não arrependido.

A cruz ocupada torna-se crucifixo e quando isolada e sem ocupação é simplesmente um instrumento que foi usado no Direito Romano como castigo de morte.

Jesus de Nazareno, visto como homem, é  perfeição, Dimas, o bom ladrão, o arrependimento para alcançar o perdão e Gestas, a continuação da maldade que é o oposto da bondade.Esses três crucifixos são partes integrantes deste último estudo do capitulo conforme interpretações filosóficas e teológicas.

A boa doutrina desse momento realça a Rosa-Cruz e consagra a vitória da luz sobre a escuridão implicando no cultivo evangélico que exprime o sentimento de humanidade pelo amor e pela verdade gnóstica.

Este sentimento repousa nos Evangelhos com destaque de liberdade de emitir pensamentos no seio da sociedade com o propósito de progresso material e espiritual.

E todas essas lições originam-se de Jesus de Nazareno que nos conduz a Bondade Evangélica. Essa bondade inicia a felicidade e justiça dos ensinamentos cristãos levando ao aprimoramento da alma e o encanto das ações voltadas para a ajuda do semelhante. Remove o ódio dos pecadores e transforma a tristeza em alegria. Combate a intolerância e aguça  o sentimento de irmandade que é a marca da Maçonaria.

Esse conjunto de virtudes da Bondade Evangélica gerou a Bondade Maçônica.

 

“ARTE REAL” – BREVE COMENTÁRIO

 

JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES

ARLS “Fraternidade Judiciária”

3614 – Gosp – Gob

 

A execução dos conhecimentos técnicos e espirituais durante a vivência nos três graus básicos, em sua fase final, é, segundo a boa doutrina maçônica, o que se chama ARTE REAL.

É, em poucas palavras, a aplicação prática dessa cognição, considerada como um todo.

Realmente, o obreiro se inicia na aprendizagem, que no passado se familiarizava com a tarefa mais elementar e braçal e, aos poucos ia conquistando progresso profissional, galgando o degrau seguinte de companheiro até atingir o mestrado.

Toda essa trajetória consumia tempo considerável e dependia também do interesse do artesão que poderia encurtá-lo através de seu mérito demonstrado pelo desempenho aprimorado do trabalho.

O Mestre já dirigindo o grupo subalterno constituído de companheiros e aprendizes, era considerado um “Dirigente Perfeito” dentro dos padrões da atividade exercida de construções nas diversas áreas que o empreendimento reclamava. Era “o que mais sabia”; o “magister”, no verdadeiro sentido etimológico.

A chefia que era confiada ao mestrado, exigia de seu titular a qualidade de diretor incontestável, talentoso, competente e dotado de boa psicologia para o comando daquela massa operária.

A lenda de Hiran Abiff reflete toda essa dinâmica durante a construção do Templo de Salomão.

O mestre Hiran Abiff sempre norteou sua conduta profissional e pessoal nesse sentido de perfeição – matéria e espírito –, tanto que foi assassinado por não revelar a “senha dos mestres” dos diversos estágios do artesanato à pessoas indignas. O significado dessa alegoria representa a ambição, inveja, ignorância e fanatismo desses malfeitores. São sentimentos malévolos que nenhum Ser Humano deve cultivá-los, especialmente o maçom.

Esse enfoque de natureza material atinente a ARTE REAL, foi observado por Henri Gray, citado por Jules Boucher (A Simbólica Maçônica – págs. 268 – 11ª. Edição – Editora Pensamento), para explicar sua aparição no mundo da Sublime Ordem: “Os Canteiros” haviam trabalhado para levantar suas obras-primas a mandado dos reis e dos príncipes da Igreja. Por mais privados de instrução que se possa imaginá-los na Idade Média, suas tradições escritas não lhes deixavam ignorar que sempre havia sido assim em todos os tempos e entre todos os povos em que Reis e Padres haviam honrado a Arquitetura. Esse é o motivo pelo qual as palavras “ARTE REAL”, que servem para designar, impropriamente, a Franco-Maçonaria, aplicam-se, na realidade, “Arte de Construir”.

Todavia, o mesmo Henri Gray, ainda citado por Jules Boucher (mesma obra), sustenta que “Os apreciadores das Ciências ocultas pretendem que essas ciências constituíam monopólio exclusivo dos Reis e Padres da antiguidade, e que foi porque elas encontraram refúgio na Franco-Maçonaria que essa Sociedade merece ser chamada de “ARTE REAL”.

Vê-se, assim, que a “ARTE REAL”, por uma interpretação histórica surgiu realmente na maçonaria azul, principalmente na época medieval e foi recepcionada pela Franco-Maçonaria que a consolidou através de seu prestígio conquistado a partir do Século XVIII.

Na verdade, a doutrina que abraça esse entendimento favorável a Franco-Maçonaria, parte do princípio que a intelectualidade e erudição estavam presentes na realeza e no sacerdócio e, assim, eram qualidades dessa elite, propiciando que todos esses movimentos e manifestações de sabedoria tomassem o nome de “ARTE REAL”. Era “ARTE” porquê era Sublime e “REAL” pela origem da Realeza.

Daí ser considerada a Franco-Maçonaria – ARTE REAL –, estendendo-se esta denominação para os “ALTOS GRAUS”, como conseqüência, no século XVIII.

É de se lembrar, entretanto, que na Idade Média, o artesanato, além do cultivo da hierarquia maçônica, havia o preparo espiritual de grande dimensão prestigiado pelas guildas. E tanto assim que os grandes monumentos construídos na Europa foram catedrais e castelos financiados pelos Nobres ou a Igreja, cuja convivência com os artesãos era harmônica e perfeita.

Com o passar dos tempos continuou a maçonaria operativa a desempenhar essas atividades com toda maestria, impulsionada pela crença espiritual com apoio da Igreja cristã. Só em meados do Século XVII é que começaram suas dificuldades de subsistência na Inglaterra.

A partir daí é que começa lenta e continuamente o que depois veio a ser conhecido como Franco-Maçonaria e aí as atividades da Ordem passaram a ser chamadas de          “ARTE REAL”, absorvendo o acervo de grandes realizações da operatividade pretérita.

O progresso da Especulação foi fator preponderante da transferência do nome “ARTE REAL” para essa Nova Era Maçônica quando foi, na verdade, simples continuação dos ensinamentos da ordem na época medieval.

Acresce ainda que com a implantação dos    “ALTOS GRAUS” no Século XVIII essa novidade fez reforçar esse entendimento, que não correspondia a realidade e consolidou a crença atualmente adotada por expressiva parcela doutrinária.

Sobre esse enfoque da “ARS REGIA”, é digno de referência o pensamento de Joaquim Gervásio de Figueiredo (Dicionário de Maçonaria – pág. 51/55 – 14ª Edição – Editora Pensamento), quando assinala que “Uns têm remontado a origem dessa denominação ao fato de se basearem seus símbolos em atos do rei Salomão; outros a têm atribuído à circunstância de haver sido ela patrocinada por Carlos II, no Século XVII, que dela se serviu para reconquistar o trono da Inglaterra, e outros ainda, à sua reorganização e proteção, no Século XVIII por parte de Frederico II, rei da Prússia. No entanto, parece-nos mais acertada a justificação apresentada por Gédalge no “Dictionnaire Rhéa”, verb. “Art Royal”: “A prática do processo iniciático tem sido sempre denominada ARTE REAL, sem dúvida porque essa arte faz do iniciado um Rei, ‘um Mestre” (SENHOR) de si e da natureza”. E prossegue: “Teoricamente, autêntico Mestre Maçom, grau 3º, é aquele que possui e pratica todos os segredos da ARTE REAL, isto é, da Maçonaria Azul. Em 27 de dezembro de 1774 o Grande Oriente da França substituiu essa antiga denominação por “ORDEM MAÇÔNICA”.

A exposição supra, como se observa, demonstra que o termo “ARTE REAL” surgiu nos primórdios da maçonaria, crescendo na Idade Média e consolidando-se no Século XVIII com a Franco-Maçonaria ou Free-Mason, se desejarem.

O certo é que, como anotado pelo autor citado, desde 27 de dezembro de 1774, o “Grande Oriente da França” substituiu essa antiga denominação por “Ordem Maçônica”. Mas, seja como for, o que importa é que essa aplicação prática das lições maçônicas adquiridas em qualquer fase da vida, sirva para que cada um de nós construa dentro de si um Templo repleto de Bondade e Amor na esperança de aproximação com o GADU .

É uma mensagem esotérica, oculta.

É o que se extrai desse tema maçônico!

 

– A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – Ed. Pensamento.

– Grau de Mestre Maçom e seus Mistérios – Jorge Adorm – Ed. Pensamento.

– Dicionário da Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento.

– O Código da Maçonaria – Pedro Silva – Ed. Universo dos Livros.

– A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento.

 

ASPECTOS  DA  INTELECTUALIDADE  MAÇÔNICA

JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES,   MI.’.  33”

ARLS   FRATERNIDADE   JUDICIÁRIA     3614   GOSP   –   GOB

 

A Maçonaria como qualquer outra entidade cultivadora da Moral, Ética, Legalidade e Virtudes, também exige de seus adeptos conhecimentos que possam engrandecê-la e também enriquecê-los em todas as áreas, disciplinar, material, espiritual e intelectual.

Seu objetivo dentre muitos outros, é prestigiar o  estudo em busca da Verdade para continuação da caminhada através dos séculos, aproximando seus membros do GADU.’., que, por sua vez, alcança também toda a humanidade.

Para atingir essa finalidade possui sua própria doutrina consubstanciada em princípios e postulados fundada em símbolos e alegorias, oferecendo uma visão celestial, intelectual e também de matéria para que o obreiro encontre seu próprio rumo  para compreendê-la e possa executar todos seus ensinamentos.

Toda essa dinâmica repousa em várias ciências, em especial  na Filosofia, escalonadas em graus nas etapas onde o estudo anterior prossegue no posterior

É a escada de Jacó.

Podemos afirmar assim, que a Sublime Ordem exorta o maçom a um estudo progressivo  e dividido em graus com o propósito de facilitar a compreensão de cada tema, quer seja filosófico, simbólico, alegórico, espiritual ou esotérico ou ainda físico no momento oportuno.

Esse sistema é adotado em qualquer rito maçônico que seja reconhecido em maior ou menor dimensão.

Cada grau tem sua própria história e relata um momento da vida maçônica começando pela aprendizagem até o último grau do rito eleito e executado na oficina imposto pela Potência correspondente.

Em se tratando do REAA.’., é de se notar, que todo esse critério é aceito, como não poderia deixar de ser, nos Altos Graus ou Graus Superiores, que se inicia no 4” e vai até o 33”, dividido em Perfeição, Capítulo, Kadosh, Consistório  e o final 33” – Supremo Conselho –  Grande Inspetor Geral (33”)

Daí para frente é o Infinito e cada maçom procurará seu próprio método para o aumento de pureza, tolerância e conhecimento da matéria e do espírito até o dia da viagem para o Or.’. Et.’.

Aquele que sempre trilhou na doutrina maçônica, por certo, encontrará a feliz morada celestial  eterna !

Na verdade, com a implantação da Maçonaria Especulativa ou Intelectual no começo do Século XIII  (1717-1724), a consciência da época dirigiu-se  para os estudos aprofundados de todas as ciências, especialmente as humanas, filosofia, política, literatura,psicologia e afins, sempre com a  preocupação de aumentar o acervo de sabedoria da Ordem.

Buscou aquele movimento figuras de cultura  comprovada  para suas fileiras gerando um clima na sociedade de respeito e de alta relevância  no cenário da elite intelectual da época.

A Sublime Ordem cresceu e passou a ter grande destaque no meio social e foi naqueles tempos que iluministas famosos ingressaram na Fraternidade espalhando sabedoria com  o detalhe conhecido por  “ Iir.’. Aceitos ”, pois não vieram da Maçonaria Primitiva e por esta foram acolhidos,  surgindo  o Departamento Especulativo a que se refere o vigésimo quarto artigo do Código Landmarks de Mackey, assim disposto: “ A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmarks. A preservação da lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.”

Percebe-se  assim, que esses grandes pensadores clássicos  como  Francis Bacon, René Descarte, Montesquieu,John Locke, Voltaire, Rousseau, Baruch Spinoza, Kant e tantos outros  influenciaram a cultura maçônica que foi  ampliada  especificamente  por autores renomados  da  Fraternidade como  C. W.  Leadbeater, Jules Boucher, Jean Palou, Jorge Adoum,  Marius Lepage ,etc.  No Brasil encontramos rica bibliografia da Ordem com realce para  Rizzardo da Camino, David Caparelli, Nicola Aslan, Sergio Pereira Couto, José  Castellani, Xico Trolha, Alfério Di Giaimo Neto  e muitos outros do mesmo quilate que acenderam  e acendem  luzes nos conhecimentos da Ordem.

São doutrinadores e interpretes dos mistérios maçônicos,  integrantes de boa parte da intelectualidade da  Ordem Fraternal e de grande utilidade pela divulgação da nossa cultura.

São merecedores de nossa  gratidão !

 

 

Breve Estudo sobre o Simbolismo Maçônico

José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33

ARLS   Fraternidade Judiciária   –  GOB  –  3614  –  GOSP

As dificuldades de comunicação de uma geração para outra fizeram com que o homem criasse instrumentos para essa finalidade, pois, como se sabe, todas as línguas, com o passar dos tempos, vão se alterando, especialmente o significado das palavras.

Até mesmo as línguas consideradas mortas não se prestam para expressar o pensamento de uma época para a posteridade em sua totalidade.

O modernismo e a tecnologia dos nossos dias não têm correspondência nesses vernáculos, eis que pararam no tempo e poucos são usados. São línguas clássicas e de estudo limitado; somente os eruditos as cultivam.

Para se ter uma idéia, algumas palavras como rádio, televisão, cinema, avião, etc., não são encontradas na língua latina, pois na época que era falada simplesmente não existiam estes modernismos. E se não existiam não havia a necessidade de uso no cotidiano.

Daí o surgimento desde os remotos tempos, de um meio de comunicação que atendesse essa necessidade, de uma época para outra, de forma que conservasse o verdadeiro sentido do pensamento daquela Era, evitando, assim, diferenciação ou distorção de significado de palavras, idéias, objetos e emoções.

Instituiu-se, então, o símbolo como esse veículo de transmissão de idéias, objetos, emoções e palavras, em forma de figuras, gravuras e esculturas por ser eterno, imutável, inalterável e visível. Associou-se a idéia que representasse esse sinal à facilidade de compreensão no Futuro. Assim, a espada gera a lembrança de força e poder, enquanto uma pomba de cor branca tem o sentido de paz.  A cruz, porque era um instrumento de castigo no Direito Romano, evoca um sentimento de suplício e a trolha, união, pois é com a colher do pedreiro que se coloca a massa para unir os tijolos, etc.

A cruz, posteriormente, passou a ser a marca do cristianismo pela morte de Jesus de Nazareno, como sabemos.

Tudo isso é a confirmação da palavra símbolo que emana do grego “sumbolon”, sugerindo a idéia de algo ser reconhecido através de um sinal ou gravura, exigindo conhecimentos técnicos, pelo menos, do observador.

Mas para penetrar na essência dos símbolos é preciso conhecimentos mais aprofundados, pois a simbologia é endereçada para uma camada pequena da sociedade denominada na antiguidade de “escolhidos”. São escolhidos porque foram chamados para o estudo avançado dos mistérios transcendentais das diversas culturas e da Ciência Hermética (o que está em cima é o mesmo que está em baixo e vice-versa), além de outros conhecimentos correlatos.

Só os especialistas entendem o verdadeiro significado oculto do símbolo que a geração transmissora deixou para as subseqüentes.

Entretanto, “é mister que cada interessado procure interpretá-lo, compreendê-lo e senti-lo por seus próprios esforços para poder penetrar seus profundos significados.” (Joaquim Gervásio de Figueiredo – Dicionário de Maçonaria – págs. 477- Ed. Pensamento). Ou como também sugere Albert G. Mackey: “A maçonaria não interfere na forma peculiar ou no desenvolvimento da fé religiosa de uma pessoa. Tudo que ela pede é que a interpretação do símbolo seja feita de acordo com o que cada um supõe que será revelado pelo seu Criador. Mas exige muito rigidamente que o símbolo seja preservado e, de alguma forma racional, interpretado, excluindo peremptoriamente o Ateísmo de sua comunhão, pois se não acredita em um Ser Supremo, um arquiteto divino, necessariamente ele deve estar sem uma tábua de delinear espiritual sobre a qual os desígnios daquele Ser foram inscritos para orientá-lo.” (autor citado – O Simbolismo da Maçonaria – págs. 65 – Ed. Universo do Livro)

A Ordem Maçônica por ser voltada para os sentimentos morais, intelectuais e espirituais não poderia deixar de adotar o simbolismo, mesmo porque sendo uma entidade milenar e universal teria de deixar sua trajetória registrada para a irmandade futura e isso só poderia se efetivar de forma imutável e inalterável através desse método, ou seja, a comunicação simbólica.

O simbolismo maçônico, assim, divide-se em emblemático e esquemático.

A primeira espécie tem como característica mais a moralidade e retidão de conduta e é mais facilmente compreendida no meio social, sendo assim dirigida para o indivíduo no relacionamento com seu semelhante.

O compasso, por ser utilizado para traçar um círculo, representa o infinito por não ter começo e fim que, em última análise, é Deus. Deve-se Tê-lo sempre como nosso guia; o esquadro é justiça, retidão e equidade que junto ao compasso oferece a lembrança de que devemos evitar as tentações materiais para a aproximação com o Ser Supremo do Universo. O avental, indispensável para todos os trabalhos maçônicos, é a atividade que todo obreiro tem obrigação de exercê-la na oficina e a régua é a exigência do bom caráter e honestidade de todos.

A pedra bruta, por outro lado, corresponde às imperfeições humanas que serão eliminadas no curso da vivência maçônica; o cinzel noticia a inteligência que ajuda a atividade laborativa dirigida para o Bem. Destina-se também para desbastar a pedra bruta. O malhete, a seguir, é a perseguição do obreiro no aperfeiçoamento de seu Ser, aliado à volição e esforço físico exercido no trabalho.

A acácia representa a vida eterna e está vinculada à lenda de Hiram Abiff.

O simbolismo esquemático, no entanto, refere-se mais para o sistema geomântico, intelectual ou especulativo da maçonaria.

A predominância é a ligação da matéria com o espírito, podendo abranger também a área emblemática, como ocorre com o triângulo contendo em seu interior a letra “G” (geômetra).

O entrelaçamento do compasso com o esquadro constitui na maçonaria azul a predominância da matéria sobre o espírito ou vice-versa, dependendo dos graus básicos.

As Colunas Norte e Sul, inerentes a todos os Templos, têm significados outros e não apenas sustentáculos perpétuos da Ordem Maçônica.

Na espécie emblemática as colunas recebem a nomenclatura de Jechin (ele estabelecerá) e Boaz (na força) e sua compreensão reside na conotação de religiosidade que “ele restabeleceu na força, solidamente, o Templo e a religião de que ele é o centro.”

Vê-se, pois, a presença do GADU nesse texto e a expressão religião (re= atrás; ligião = ligare, do latim, unir = unir novamente) que deve ser entendido como convite a um elo entre o Ser Humano e o próprio GADU, se ainda não se uniu, ou voltar, se já cortou esse vínculo.

Não se trata gramaticalmente de se adotar esta ou aquela religião ou crença, mas uma mensagem abrangente sem nenhuma preocupação de apologia religiosa no sentido vernacular. É apenas uma alegoria; falar de forma diferente para se atingir o resultado desejado.

Por isso, é que a simbologia reclama conhecimentos e preparo intelectual do destinatário da mensagem, ou seja, gnose, para usar uma linguagem grega!

A interpretação desse simbolismo esquemático revela a fragilidade do Homem e o convida a lembrar-se de sua efêmera peregrinação pela Terra e oportunidade de aperfeiçoamento espiritual para a verdadeira vida que é a eterna.

Terá de atravessar o rio e pagar ao barqueiro Caronte a travessia para a outra margem e alcançar a verdadeira vida. Daí o costume de se colocar nos olhos dos mortos duas moedas que servirão de paga a essa travessia de viagem sem retorno!

Algumas civilizações ainda hoje observam esse procedimento fúnebre.

É uma simbologia esquemática cultuada pela maçonaria geomântica ou especulativa dirigida diretamente à espiritualidade dentro dos “Altos Graus” que estamos a exemplificar.

O Templo sem janelas ou aberturas laterais, por sua vez, não é só para abrigar o segredo dos trabalhos que lá acontecem, mas também como recordação do Templo de Salomão na dependência que guardava a Arca da Aliança contendo os 10 Mandamentos recebidos por Moisés de Deus na Cordilheira do Sinai.

Era um lugar sagrado e a energia divina do local não poderia de lá sair nem ser atingida por impurezas externas.

Somente poucos sacerdotes podiam nele ingressar porque eram considerados puros de corpo e espírito pela religiosidade judaica.

Eis outro enfoque da simbologia esquemática de grande penetração  celestial do tema lembrado.

Igualmente, referente às Colunas Jachin e Boaz, já comentadas linhas acima, outra interpretação esquemática se faz sentir.

Segundo Jules Boucher (A Simbólica Maçônica – págs. 156 – Ed. Pensamento), ” Jamais houve contestação sobre o sexo simbólico dessas duas colunas, a primeira delas suficientemente caracterizada como masculino  pelo IOD inicial que a designa comumente. Com efeito, essa letra hebraica corresponde à masculinidade por excelência. BETH, a segunda letra do alfabeto hebraico , por outro lado, é considerado como essencialmente feminina, porque seu nome quer dizer casa, habitação, de onde a idéia de receptáculo, de caverna, de útero,etc. A Coluna J é, portanto, masculina-ativa, e a Coluna B feminina-passiva. ”

Observa-se com esse entendimento, aliado às romãs existentes em cima das colunas, que é o fenômeno da fecundidade para todos os seres vivos, demonstrando a necessidade de conservação da espécie. Aliás, esse princípio está no Antigo Testamento: Gn. 1, 28; 2, 18 e 2, 24. A romã no simbolismo maçônico representa a união para multiplicação, ensejando, assim, esse sentido de procriação.

Podemos, portanto, afirmar que o simbolismo é uma linguagem universal e eterna, significando que enquanto houver vida humana na terra a comunicação existirá, pois é um meio de transmissão imutável e inalterável de uma geração para outra, de emoções, fatos, idéias, objetos ou princípios, através de figuras, gravuras ou imagens. E o símbolo é exatamente essa figura, essa gravura e essa imagem!!!

Obras Consultadas:

-Bíblia

– O Simbolismo na Maçonaria – Albert Galletin Mackey – Ed. Universo de Livros

– Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed.Pensamento

– A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – Ed. Pensamento

– A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento

– A Vida Oculta da Maçonaria – C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento

BREVE ESTUDO SOBRE OS LANDMARKS

José Geraldo de Lucena Soares                                                                                           Arls “ Fraternidade Judiciária “ 3614                                                                                            Gosp   – Gob

 

Um dos temas mais difícil e controvertido de toda doutrina maçônica, podemos afirmar, é o Instituto dos Landmarks, onde sabemos apenas, com certeza, que seus preceitos são imutáveis e devem ser cumpridos, embora muitos questionem.

Seus postulados ou princípios são aplicados a todas as atividades e ritos pelos órgãos diretivos por serem inalteráveis.

Com efeito, a expressão “Landmarks”, tem significado, ao pé da letra, na língua inglesa,  de “ marcação de terra” ( land=terra  e mark,marca para limites entre duas ou mais áreas de terra).

Foi inspirada essa nomenclatura no Velho Testamento – Provérbios, 22 e 23/ 28 e 10: “Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” e “não removas os antigos limites nem entre nos campos dos órfãos”.  Deuteronômios, 19,14: “não tomarás nem mudarás os limites do teu próximo que os antigos estabeleceram na tua propriedade” .

O sentido é, portanto, figurado, e enuncia regras genéricas de âmbito substancial e espiritual para a Sublime Ordem em qualquer ponto do planeta Terra com o propósito de unidade administrativa, fraterna e êxito através dos séculos.

Podemos conceituá-lo, pois, como sendo um conjunto de princípios imutáveis e inalteráveis do sistema para manter a unidade de essência e espírito da ORDEM de caráter imperativo para sua perpetuidade universal.

A consciência maçônica já consagrou com o passar dos séculos, a necessidade de observá-los, ainda que contestados, pois sem essas prescrições, a Maçonaria que é universal, perderia a coesão estrutural e espiritual, expondo-se a diversidade de diretrizes, gerando uma verdadeira Torre de Babel.

Podemos admitir o trato mesmo da sobrevivência da Instituição, conclusão que nos leva a crença de que se cuida de uma verdadeira Super-Constituição do mundo maçônico.

 

Todos os modelos constitucionais das diversas Obediências devem se amoldar a essas normas, sob pena de isolamento e não reconhecimento pelas suas congêneres.

Seriam out Law!

A necessidade da unidade moral, fraternal e espiritual da Sociedade Operativa gerou esse sentimento de disciplina universal, alcançando também a parte administrativa impondo rumos que tomou nome de Landmarks.

A Instituição Universal teria mesmo de ser una em sua substância, podendo variar apenas na parte formal, como os diversos ritos existentes, mas sempre conservando toda a essência que a fez surgir e prosperar até nossos dias.

São os dogmas maçônicos, não se devendo questioná-los.

Todavia, uma parcela maçônica critica, não raras vezes com bastante ênfase, o sistema dos Landmarks, e até refuta cada regra do conjunto de Albert Galletin Mackey (25), demonstrando o desacerto no seu entender. (Remetemos o leitor interessado a “Dogmas e Preconceitos Maçônicos” – Breno Trautwein – págs. 37 e seguintes – Ed. “A Trolha” – 1ª. edição-1997 ).

Igualmente, Marius Lepage (“História e Doutrina da Franco-Maçonaria”-  pág.107 -Ed. Pensamento ), também emite  comentários e até relata um fato para ilustrar seu pensar sobre a matéria : “Isso me faz lembrar uma pequena história pessoal. Em 1938, eu viajava de automóvel pela Áustria, pouco tempo depois da Anschluss ( anexação pela Alemanha ). Ora, estabelecia-se então a mudança da direção dos carros da esquerda para a direita. Em toda parte, mesmo nos lugares mais discretos, encontravam-se folhetos explicando, em dez itens as vantagens de dirigir pela direita. Os nove primeiros itens eram exclusivamente técnicos. O décimo estava redigido assim: “Dirigirás o carro pela direita porque o führer mandou.” Eis aí um tipo de landmark em estado puro! (grifo nosso).

Os especialistas também divergem sobre o surgimento do vocábulo “Landmark”, porém a maioria vai encontrá-lo em 1720, no Regulamento Geral coligido por George Payne e acolhido depois pela Constituição Maçônica do Bispo James Anderson de 17 de janeiro de 1723.

Nesse código foram fixados os princípios que já vigiam e que deverão reger a vida maçônica na parte espiritual e substancial, estabelecendo muitos enfoques que até hoje são seguidos.

Outras regras baseadas nos costumes foram consideradas também Landmarks e dependendo de interpretações dos estudiosos do tema, variam de 3 a 54 mandamentos.

Entretanto, parte significativa do sistema da Ordem inclina-se em aceitar o ensinamento de Albert Galletin Mackey, que admite somente 25 regras de todo conjunto.

Nessa doutrina de Albert Galletin Mackey vamos encontrar o reconhecimento maçônico; divisão dos graus simbólicos; lenda do mestre Hiram Abiff; existência e prerrogativas do Grão- Mestrado; reunião dos irmãos em unidades maçônicas; governo da loja por um Venerável Mestre e dois Vigilantes; cobertura da loja; faculdade de representação de cada irmão em reuniões da entidade; direito recursal e visitação à outra congênere; identificação do visitante; proibição de intervenção de uma unidade sobre a outra; submissão do obreiro à legislação onde residir, independentemente de filiação; proibição de ingresso na Ordem de portadores de defeitos físicos e mutilados e ainda de mulheres; crença no GADU e vida eterna; existência de um Livro da Lei; igualdade para todos dentro da loja; segredo da iniciação; implantação da Maçonaria Especulativa, e, finalmente, “é o que afirma a inalterabilidade dos anteriores, nada lhes podendo ser acrescido ou retirado, nenhuma modificação podendo ser-lhes introduzida. Assim como de nossos antecessores os recebemos, assim os devemos transmitir aos nossos sucessores”. NOLUMUS EST LEGES MUTARI!

Vemos, pois, que ainda não queiramos, faz-se necessário que aceitemos esses mandamentos para a perpetuidade da Maçonaria que sempre foi conservadora e defensora da Moral, Ética, Fraternidade, Bons Costumes e amor ao GADU, além da crença da vida post-mortem.

Trata-se, assim, de um empreendimento axiomático que todo maçom deve, pelo menos, refletir.

É de se admitir por força da lógica, a continuação perpétua da Maçonaria, e, por via de conseqüência, a permanência na Instituição que nela se deposita Fé.

Fé, não apenas, crença, confiança!

Somos então considerados “Filhos da Luz” e aptos a ajudarmos aos nossos semelhantes independentemente de raça, sexo, religião, credo político e outras diferenças que nos marcam.

Lembremo-nos que devemos ser tolerantes, especialmente com nossa Entidade, e sem esse sistema ora em rápido exame, estaríamos ao longo destes séculos sem direção uniforme, material e espiritual e então seria o caos para todos os maçons.

O certo é que sem os “Landmarks” a Maçonaria já não mais existiria e, se ainda existisse, teria caminhado para rumos imprevisíveis.

É, pois, nesse singelo cenário que apresentamos estas considerações e sugerimos a todos os IIr que meditem com o coração limpo de sempre e imparcialidade, sobre essa necessidade de continuarmos unidos, fraternos, despidos de vaidade, tolerantes e lembrando-nos que tudo isso  nos levará à caminhada da nossa Sublime Ordem  através dos séculos. E em sendo assim, manteremos a mesma forma como a recebemos de nossos IIr antecessores e a transmitiremos às gerações futuras.

São esses os comentários que fazemos sobre os Landmark!

 

 

Obras consultadas:

– Bíblia

– O Simbolismo da Maçonaria- Albert G. Mackey – Ed. Universo dos Livros

– História e Doutrina da Franco-Maçonaria – Marius Lapage – Ed. Pensamento

-Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueredo – Ed. Pensamento

– A  Franco Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento

– Dogmas e Princípios Maçônicos – Breno Trautwein – Ed. A Trolha

 

Calendário Maçônico

JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES

 

O vocábulo “calendário” emana do latim – calendae, calendarum, f., e significava para os romanos o primeiro dia de cada mês.

Calendário, portanto, é a contagem da passagem dos tempos com o registro de fatos que cada um pode emprestar importância ou a comunidade local, nacional ou universal, confere valor, mérito ou interesse para comemorar, homenagear ou observar outras atividades.

Este é o sentido do sistema de marcação, em seqüência, dos dias e noites desde que o homem aqui chegou.

Com a expansão do Império Romano, inclusive na Grécia, sua cultura levou até aquela região seu calendário, e, como os helênicos não tinham “calendas”, criou-se a idéia de que esses tempos nunca viriam, pois, tudo que era enviado as “calendas gregas”, estava fadado à perpetuidade. Como inexistia “calendas” na Grécia, nada aconteceria: ad calendas graecas! Para o dia de S. Nunca!

Daí a origem da expressão – enviar ou remeter algo para as “calendas gregas”, sugerindo o entendimento de que se destina ao sem-fim, ao nada.

Foi no governo do Imperador Júlio César (ano 46, a.C.), entretanto, que se adotou o calendário atualmente usado no mundo ocidental, inspirado no similar egípcio e que em 04 de outubro de 1582, o então Papa Gregório XIII, efetuou sua atualização.

Verificou-se a necessidade de ser ajustado ao sistema solar e o astrônomo Luigi Lilio orientou o pontífice sua correção e assim foi editado a Bula Gravíssima de 24 de fevereiro daquele ano. Ocorreu que o dia seguinte a 04 de outubro de 1582, passou a ser o 15 daquele mesmo mês e ano, operando-se o ajuste naquela época até que outro seja feito, eis que já passou período superior a quatro séculos.

O calendário romano de Júlio César passou então a ser conhecido como gregoriano como lembrança do Papa Gregório XIII que o corrigiu. O Concílio de Trento de 1563 já havia acolhido essa exigência de correção de conformidade com os movimentos de rotação e translação da Terra.

Todavia o calendário gregoriano contém uma falha em sua contagem, considerando-se seu início o nascimento de Jesus de Nazareno, o Cristo.

“Como ponto de partida, no uso da era vulgar ou cristã, enquanto o ano 1 deveria ser o do nascimento de Jesus, cumpre dizer, de fato que, por causa de um erro inicial de cálculo cometido pelo primeiro que introduziu essa era no cômputo das datas (o monge Dionísio, o Pequeno, no ano 525; conf. Migne, Patrologia Latina – 67, 497-502), deve-se transportar aquele memorável e fundamental acontecimento para alguns anos atrás. Com efeito, consta, com certeza do Evangelho (Mt. 2, 1-15; Lc. 1, 5), que Jesus nasceu antes da morte de Herodes, o Grande, que caiu (como devemos deduzir por vários fios de História profana) no início de abril do ano 750 de Roma, que corresponde ao 4º antes da Era Vulgar. No ano precedente, colocamos o nascimento de Jesus Cristo, embora permanecendo incerto, quantos meses se passaram, desde o seu nascimento até à morte do tirano. Outro caso grave de incerteza é a duração da vida pública de Jesus. A opinião que mais respeita os dados do texto evangélico é a que fixa em dois anos e alguns meses.” (Novo testamento – 9ª Edição – Edições Paulinas – págs. 8/9)

Vê-se, pois, que o apontado erro do monge Dionísio, o Pequeno, teria desconsiderado quatro ou cinco anos, implicando na crença, se verdadeiro o erro, que quando os Reis Magos foram visitar Jesus, este já poderia contar com quatro ou cinco anos de idade, e, portanto, não seria mais o bebê que aprendemos nos catecismos de infância.

E dentro dessa linha histórica, é admissível até estarmos vivendos nos anos 2.011 ou 2.012 do calendário gregoriano, conforme esse referencial, se aceito.

 

Surgimento da Franco-Maçonaria

As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no começo do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas conseqüências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção.

Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.

Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII (1717-1724), anunciando uma nova Era para a Instituição se expandir no cenário universal. Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas.

Implantou-se, assim, a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.

Com o advento da especulação maçônica no Século XVIII, as correntes da Inglaterra (Reino Unido da Grã-Bretanha, atual), e da França, sentiram a necessidade de traçar rumos, direção e atualização sem perder, porém, o elo com o passado histórico da Instituição.

Várias assembléias efetuaram-se com esse objetivo, sempre precedidas de egrégoras, versando sobre temas variados como ritos, regras de condutas para os obreiros, oficinas, hierarquia, etc., culminando em 1724 com a Constituição do Bispo Anglicano James Anderson que marcou a História Maçônica até nossos dias.

Dentre os assuntos tratados, o calendário maçônico foi analisado e ficou decidido que também seria adaptado à modernidade, pois datava de pretérito muito distante.

Indagou-se, inicialmente, qual modelo deveria ser eleito, ou seja, o gregoriano, o hebraico, o muçulmano ou critérios de outras culturas para essa alteração.

Ficou decidido, após lúcidos debates, um modelo misto: gregoriano e hebraico.

Adotou-se o calendário gregoriano com predominância, porém a contagem inicial seria o Gênesis do Antigo Testamento, cujo autor foi Moisés, com acréscimo de 4.000 anos. Assim, o ano maçônico passou a ser contado semelhante ao calendário gregoriano somado a 4.000 anos, significando que o ano 2.007 da marcação gregoriana, verbi gratia, corresponde a 6.007 – E M . Não se considerou o erro de quatro ou cinco anos que teria cometido Dionísio, o Pequeno, como noticiado linhas acima, por conveniência.

Estabelecido esses ajustes e critérios ao antigo calendário maçônico, surgiu um problema no sentido de que aceito o referencial gregoriano predominante, deveria também o ano maçônico iniciar-se no primeiro dia de janeiro de cada ano?

Muitas propostas foram apresentadas, porém a vitoriosa foi a de que não seria o início do ano maçônico no primeiro dia do mês de janeiro, pois isso prestigiaria mais ainda o calendário gregoriano.

Poderia ser interpretado como sinal de religiosidade com a cristandade, ferindo o princípio absoluto maçônico de não ser religião ou seita, mas método, em última análise, de crença no GADU e admitir vida post-mortem, no OR ET

Mais uma vez a Ordem, com o costumeiro acerto, fugiu dessa possibilidade de interpretação errônea e escolheu como paradigma a época do equinócio de verão na Europa que ocorre no mês de março.

O ano maçônico, então, se inicia no mês de março e vai até fevereiro do ano seguinte.

Traçadas essas diretrizes, a assembléia maçônica daquele momento, fixou a nomenclatura dos meses maçônicos que tem como fonte raízes persas (época de Zoroastro), passando pelas civilizações da Índia, Egito e Hebraica.

Mencionamos os nomes dos meses maçônicos:

Março – Niçan                       Setembro – Etramon

Abril – Içar                             Outubro – Maskevan

Maio – Sivan                          Novembro – Crisleu

Junho – Tamuz                       Dezembro – Thebet

Julho – AB                             Janeiro – Sabet

Agosto – Elul                         Fevereiro – Adar.

 

– História e Doutrina da Franco-Maçonaria – Marius Lepage – Ed. Pensamento.

– A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento.

– Pequena História de Maçonaria – C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento.

– A Vida Oculta da Maçonaria – C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento.

– Novo Testamento – 9ª Edição – Edições Paulinas.

– Dicionário da Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento.

 

 

CÓDIGO LANDMARKS DE MACKEY

-ANOTADO-

José Geraldo de Lucena Soares

ARLS-“Fraternidade Judiciária”-3614-GOSP-GOB

Capítulo “Integração e Prudência”-18-SP

.        .       .        .       .        .        .                                                                         A .  . U .  . T .  . O .  . S .  . A .  . G .  .

 

***

PRIMEIRO ARTIGO: Os processos de reconhecimento são os mais legítimos e inquestionáveis de todos os Landmarks. Não admitem mudanças de qualquer espécie, pois, sempre que isso se deu, funestas consequências vieram demonstrar o erro cometido.

-ANOTAÇÃO DO PRIMEIRO ARTIGO-

A primeira regra do Grupo Landmarks refere-se ao reconhecimento maçônico de um obreiro com outro ou mesmo coletivamente.

Essa identificação reservada ou secreta, pode ser através de sinais, contatos físicos (apertos de mão, abraços et Cetera ), desenhos,palavras, emblemas, escritas e até mesmo de sons.

São os instrumentos exotéricos.

Outros meios podem ser usados para essa finalidade mantendo-se a mesma discrição, preservando o sigilo da conduta endereçado a pessoa que se deseja.

Geralmente, durante a conversação o maçom pode discretamente inserir palavras ou frases para se identificar na esperança de ser captada a mensagem pelo interlocutor.

Se tal acontecer, o conhecimento poderá se consumar, mas o emitente deverá ter as cautelas devidas.

Usará de outros meios para a confirmação.

O costume é que todos esses veículos de comunicação sejam no grau básico de aprendiz para facilitar a recepção, já que todos os maçons são obrigados a conhecê-los.

Todavia, nada impede que os instrumentos sejam de outros graus, dependendo das circunstâncias do momento e atinjam o objetivo desejado.

Todo esse acervo de meios de reconhecimento é comum da Ordem, cabendo ao obreiro usá-los no grau que estiver.

E isso justifica a recomendação que o meio eleito de comunicação seja no grau de aprendiz por ser obrigatório de todo maçom o conhecimento.

A indagação ou cumprimento sonoro é outro expediente usado e sempre enviado no grau de aprendizado, como vimos.

Todo esse conjunto de reconhecimento é inalterável e imutável.

Desnecessária, porém essa observação proibitiva contida neste dispositivo porque no artigo 25 consagra-se o princípio – NOLONUM LEGES MUTARI – (nenhuma alteração da lei) para todos os princípios adotados no sistema dos Landmarks.

São cláusulas pétreas.

Modificá-los implicaria em desfigurar toda estrutura filosófica e espiritual da Ordem que é Universal.

***

SEGUNDO ARTIGO: A divisão da Maçonaria Simbólica em três graus é um Landmark que, mais do que nenhum , tem sido preservado de alterações, apesar dos esforços feitos pelo daninho espírito inovador. Certa falta de uniformidade sobre o ensinamento final da Ordem, no grau de mestre, foi motivado por ser o terceiro grau considerado como finalidade; daí o Arco Real e os Altos Graus variarem no modo de conduzirem o neófito à grande finalidade da Maçonaria Simbólica. Em 1813, a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Langmark, decretando que a Antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, incluindo o Santo Arco Real. Apesar de reconhecimento por sua antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua a ser violado.

-ANOTAÇÃO DO SEGUNDO ARTIGO-

A adoção de três graus na Maçonaria Simbólica, também conhecida como primitiva ou ainda azul, constitui outro Landmark, com inclusão do Santo Arco Real.

Faz-se necessário, entretanto, para facilitar a compreensão deste Landmark um pouco de História que começa nos fins do Século XVII e se consolida no século seguinte, XVIII.

As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no começo do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas consequências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção.

Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.

Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII ( 1717-1724 ), anunciando uma nova Era para a Instituição  se expandir no cenário universal.

Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas.

Implantou-se, assim, a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.

Verifica-se assim que se implantou a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Simbólica com os três graus, aprendiz, companheiro, mestre e ainda o Santo Arco Real.

Os Altos Graus pertencem ao Departamento Especulativo ou Intelectual e o Santo Arco Real é estudado em oficinas especiais integrantes da parte operativa.

Acontece, porém, que em alguns ritos, o Santo Arco Real  integra uma fase que se considera um próprio rito ou um Capítulo com seu nome ” Arco Real “.

Vê-se, pois, que a posição do Santo Arco Real encontra-se clara neste Landmark, porém obscura nesses ritos em consonância com a cláusula pétrea em comento.

Seja como for, o certo é que ele existe, quer como operatividade, quer como pertencente à Maçonaria Especulativa, ou ainda, simplesmente como um rito.

Mas o certo é que a Norma Maior ( segundo artigo, Landmarks ) expressamente estabelece que em ” 1813 a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Landmark, decretando que a antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de aprendiz, companheiro e mestre, incluindo o Santo Arco Real .Apesar de reconhecimento por sua antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua a ser violado “.

Diante dessa evidência, onde o próprio Landmark observa que ” ele continua a ser violado “, deve-se considerar o Santo Arco Real   como um grau da Maçonaria Azul, de CARÁTER FACULTATIVO, mas básico como os demais, aprendiz, companheiro e mestre.

É a correta interpretação que se empresta a este texto!

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TERCEIRO ARTIGO: A lenda do terceiro grau é um Landmark importante, cuja integridade tem sido respeitada. Nenhum Rito existe na Maçonaria, em qualquer país ou em qualquer idioma, e que não sejam expostos os elementos essenciais dessa lenda. As fórmulas escritas podem variar e na verdade, variam; a lenda, porém, do Construtor do Templo constitui a essência e a identidade da Maçonaria. Qualquer Rito, que a excluísse ou a alterasse, materialmente cessaria, por isso, de ser um Rito Maçônico.

-ANOTAÇÃO DO TERCEIRO ARTIGO-

Este dispositivo versa sobre os ritos maçônicos traçando as exigências para assim serem considerados, fazendo referências ao Grau de Mestre ( terceiro grau ), iniciando a saga de Hiram Habiff.

O aspecto formal é possível variar, porém a substância deve ser preservada com os ditames maçônicos: crença no Ser Supremo do Universo e vida post-mortem, além de ser dotado o candidato de bons costumes, amante da liberdade com responsabilidade e ainda os atributos de moral e ético.

Os personagens Salomão e Hiram Abiff mencionados na Bíblia são estudados em diversas etapas durante a construção do Templo que prossegue nos Altos Graus.

Todo rito maçônico deve amoldar-se a esse sistema, principalmente exigir do pretendente de ingresso na Ordem a declaração expressa de acreditar na existência do G A D U e vida espiritual, sob pena de não ser considerado procedimento maçônico e ficar isolado.

Os Landmarks são dogmas da Sublime Ordem e não devem ser questionados da mesma forma que outras entidades também têm seus princípios e devem ser  observados por seus seguidores.

As expressões, “a lenda, porém, do Construtor do Templo constitui a essência da maçonaria”, significa a presença do rei Salomão e Hiram Abiff e ambos tinham ligação com a divindade.

Daí o elemento implícito presente na crença no G A D U com a vida espiritual.

A inobservância implica na exclusão de ser considerado rito maçônico e até em casos de alteração desta norma conduz à marginalidade maçônica. Torna-se espúria!

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QUARTO ARTIGO: O Governo da Fraternidade por um Oficial que preside, denominado Grão-Mestre, eleito pelo povo maçônico, é o quarto Landmark da Ordem. Muitas pessoas ignorantes supõem que a eleição do Grão-Mestre se pratica em virtude de ser estabelecida em lei ou regulamento da Grande Loja. Nos anais da Instituição se encontram, porém, Grão-Mestres, muito antes de existirem Grandes Lojas, e, se o atual sistema de governo legislativo por Grandes Lojas fosse abolido, sempre seria preciso a existência de um Grão-Mestre.

-ANOTAÇÃO DO QUARTO ARTIGO-

Este quarto artigo do conjunto de Landmarks compilado  por Albert Galletin Mackey ( 1856 ), trata da Direção Institucional Maçônica.

Faz menção da figura do Grão-Mestre como sendo o personagem supremo da Potência ou Obediência, dentro da esfera de atribuições  da localidade, podendo também ser regional, nacional ou internacional.

Esses detalhes ficam disciplinados pelas constituições editadas pelas Potências ou Obediências.

Mas é preciso atentar que diante do Código Landmarks esses diplomas legais da Fraternidade são hierarquicamente inferior, pois os postulados expressos nos Landmarks consubstanciam uma Super-Constituição Maçônica Universal, enquanto as Potências ou Obediências elaboram apenas regras obrigatórias interna corporis.

E é por isso que o Código Landmarks é uma SUPERCONSTITUIÇÃO MAÇÔNICA UNIVERSAL.

Observe-se ainda que uma Potência não pode intervir na congênere, como iremos verificar no décimo sexto artigo deste codex.

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QUINTO ARTIGO: A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir a todas as reuniões maçônicas, feitas onde e quando se fizerem é o quinto Landmark. É em virtude desta lei, derivada de antiga usança, e não de qualquer decreto especial, que o Grão-Mestre ocupa o trono em todas as sessões de qualquer Loja subordinada, quando se ache presente.

-ANOTAÇÃO DO QUINTO ARTIGO-

A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir todas as sessões quando se fizer presente é uma consequência hierárquica e a fonte desse princípio emana do costume, como registra a expressão “derivada de antiga usança”.

Como se sabe, sendo essa Autoridade Maçônica a maior da escala, é de se esperar, que comande todos os trabalhos pelo simples fato de ser o Superior Hierárquico dos presentes integrantes daquela Obediência.

Os membros da Potência têm o duplo dever de submissão: a) estão diante de sua Autoridade Máxima Maçônica; b) obediência regulamentar ao presidente da sessão seja quem dirigir os trabalhos.

A Unidade Maçônica subordinada tem o dever de lhe prestar todas as homenagens e auxílio por ser o chefe supremo daquele Corpo da Fraternidade.

Observe-se que este preceito é taxativo de que esse Poder do Grão-Mestrado deriva da lei, cuja fonte é o Direito Consuetudinário como já assinalado.

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SEXTO ARTIGO: A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para conferir graus em tempos anormais, é outro importantíssimo Landmark. Os estatutos maçônicos exigem um mês, ou mais, para o tempo que deva transcorrer entre a proposta e recepção de um candidato. O Grão-Mestre, porém, tem o direito de por de lado, ou de dispensar, essa exigência, e permitir a iniciação imediata.

-ANOTAÇÃO DO SEXTO ARTIGO-

O Poder do Grão-Mestrado em período conturbado que ele considere anormal, em alterar ou mesmo dispensar o interstício para autorizar a iniciação imediata, deriva de seu próprio cargo por ser o máximo dentro da Ordem.

Sendo eleito por seus pares, implicitamente, conferem-lhe poderes para tal, pois esse Poder emana da própria Instituição que em seu nome atua.

É de se entender que essa faculdade inerente ao Poder é da Sublime Ordem e não da pessoa física de seu titular, sendo apenas um instrumento momentâneo ou temporário que tem obrigação de zelar pelos interesses institucionais, independentemente de qualquer outro, inclusive o seu pessoalmente.

Deve ser lembrado que o Poder é para servir e não dele se servir.

Todo Poder, em última análise, emana do GADU e seu nome será sempre evocado.

Entendo que esse Poder é indelegável.

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SÉTIMO ARTIGO: A prerrogativa que tem o Grão-Mestre, de autorização, para fundar e manter Lojas, é outro importante Landmark. Em virtude dele, pode o Grão-Mestre conceder o número suficiente de Mestres Maçons, o privilégio de se reunirem e conferirem graus. As Lojas assim constituídas chamam-se “Lojas Licenciadas”. Criadas pelo Grão-Mestre, só existem enquanto ele não resolva o contrário, podendo ser dissolvidas por ato seu. Podem viver um dia, um mês ou seis meses. Qualquer, porém, que seja o tempo de sua existência, deve-na, exclusivamente, à graça do Grão-Mestre.

 

-ANOTAÇÃO DO SÉTIMO ARTIGO-

Esta prerrogativa do Grão-Mestre contida neste artigo é prolongamento dos poderes de direção que lhes são conferidos na dinâmica do sistema maçônico, como no Landmark anterior.

Pode o Chefe Supremo da Entidade fundar e manter lojas; conceder permissão e fixar o número de Mestres Maçons  para reuniões e concessão de graus e ainda criação de lojas, que ficam conhecidas como “Lojas Licenciadas”.

Trata-se de ato discricionário do Grão-Mestrado e, como tal, não deve ser questionado, salvo se constituir manifesta ilegalidade e absurdo a ser aferido dentro dos padrões costumeiros do homo medius da sociedade.

Essas lojas excepcionais podem subsistir indefinidamente, pois as expressões “Podem viver um dia, um mês ou seis meses”, têm o caráter exemplificativo, e não limitativo.

Enquanto o Grão-Mestre não extingui-las por ato expresso elas continuam existindo no mundo maçônico.

Como no artigo anterior, essa faculdade é também indelegável, inclusive a extinção.

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OITAVO ARTIGO: A prerrogativa, do Grão-Mestre, de criar maçons, por sua deliberação, é outro Landmark importante, que carece ser explicado, controvertida como tem sido a sua existência. O verdadeiro e único modo de exercer essa prerrogativa é o seguinte: O Grão-Mestre convoca em seu auxilio seis Mestres Maçons, pelo menos; forma uma Loja e, sem nenhuma prova prévia, confere os graus aos candidatos; findo isso, dissolve a Loja e despede os irmãos. As Lojas convocadas por esse meio são chamadas “Lojas Ocasionais” ou de “Emergência”.

 

 

-ANOTAÇÃO DO OITAVO ARTIGO-

 

Esta prerrogativa do Grão-Mestre de iniciar o candidato fora da via regulamentar na Ordem constitui uma exceção e queiram ou não, implica em pelo menos, um aparente privilégio.

O procedimento já vem descrito na norma: O Grão-Mestre convoca pelo menos seis mestres para formar uma Loja “Ocasional” ou de “Emergência” e a seguir se opera a iniciação sem maiores formalidades, inclusive sem a sindicância de praxe, cuja responsabilidade por eventual má escolha pelo ingresso do neófito na Fraternidade é de única e exclusiva responsabilidade  daquela autoridade.

Essa responsabilidade única e exclusiva do Grão-Mestre deve-se pela convocação que é obrigatório o atendimento pelo convocado.

Poderá algum interessado pelas vias legais impugnar essa criação excepcional, mas enquanto não for desfeita, prevalecerá o ato de iniciação do privilegiado.

Pode o candidato ser iniciado no primeiro grau básico e em seguida, discricionariamente, também ser elevado e exaltado nos graus seguintes, respondendo sempre a autoridade máxima maçônica pelos seus atos pessoalmente.

A seguir essas unidades maçônicas criadas de forma excepcional e nomenclatura de “Ocasionais” ou “Emergências”, serão extintas.

Esses novos IIr. serão considerados e tratados na Ordem normalmente, com os mesmos direitos e obrigações de todos os obreiros, sem nenhum privilégio.A única diferença é que  ingressaram na Sublime Ordem através dessas lojas excepcionais, “Ocasionais” ou “Emergências”.

Todo esse expediente deverá ser escriturado nos assentamentos da oficina, quer seja com a edição de um ato ou um simples balaustre em caso de emergência.

Não se faz necessário o Grão-Mestrado justificar a medida, por ser discricionária e prerrogativa de seu cargo, porém é aconselhável que o faça, para conhecimento reservado no futuro e aí, seria aplaudido ou reprovado.

Não devemos esquecer que essa cláusula pétrea autoriza uma exceção, mas deve ser usada com muita cautela, zelo e sempre no interesse da Instituição.

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NONO ARTIGO: A necessidade de se congregarem os maçons em Loja é outro Landmark. Os Landmarks da Ordem sempre prescreveram que os maçons deviam congregar-se, com o fim de se entregarem a tarefas operativas, e que a essas reuniões fossem dadas o nome de Loja. Antigamente, eram essas reuniões extemporâneas, convocadas para assuntos especiais e, logo dissolvidas, separando-se os irmãos para, de novo, se reunirem em outros pontos e em outras épocas, conforme as necessidades e as circunstâncias exigissem. Cartas Constitutivas, Regulamentos Internos, Lojas e Oficinas permanentes anuais, são inovações puramente modernas, de um período relativamente recente.

-ANOTAÇÃO DO NONO ARTIGO-

Cuida-se neste artigo das sessões da Fraternidade que embora esse dispositivo mencione o vocábulo “Loja”, deve ser entendido como Templo.

Sobre o assunto José Castellani (“Dicionário Etimológico Maçônico”-hijl-Ed. Trolha-págs. 130), ensina que o termo “Loja” surge pela primeira vez, em 1292, num documento de uma guilda. As guildas de mercadores passaram a adotar a palavra para designar os seus locais de depósito e de venda dos produtos manufaturados, enquanto que as guildas artesanais a adotarem para designar os seus locais de trabalho; ou seja, as oficinas dos mestres artesões. “Das guildas de mercadores originou-se o nome das casas comerciais, enquanto que das guildas artesanais originou-se o nome das corporações maçônicas; embora, atualmente, não tenham nada em comum, ambas têm a mesma origem”.

Realmente, as reuniões maçônicas acontecem no Templo, o qual é uma parte do prédio onde se localiza.

A interpretação é, portanto, que o corpo maçônico (agrupamento dos maçons) se reúna periodicamente num Templo, e tanto é verdade que “ao final de uma sessão, a Loja é considerada fechada, mas o Templo continua aberto, inclusive para outras lojas”. (autor citado)

Também versa esse dispositivo das tarefas ou assuntos que serão objeto dos trabalhos maçônicos, porém isso fica a cargo da pauta da reunião elaborada previamente pela presidência do corpo maçônico.

As contribuições (metais) são previstas para o sustento material da Loja, ficando ao livre arbítrio a fixação do valor econômico por parte da maioria da unidade maçônica.

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DÉCIMO ARTIGO: O Governo da Fraternidade, quando congregado em Loja, por um Venerável e dois Vigilantes é também um Landmark. Qualquer reunião de Maçons, congregados sob qualquer outra direção, como por exemplo, um presidente e dois vice-presidentes, não seriam reconhecidos como Loja. A presença de um Venerável e dois Vigilantes é tão essencial que no dia da congregação, é considerada como uma Carta Constitutiva.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO ARTIGO-

 

A Direção Suprema da Loja é composta por um Venerável Mestre, autoridade máxima do corpo maçônico, e dois auxiliares denominados Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante.

Essas três figuras são essenciais não só para as reuniões, mas para toda Loja, pois são os dirigentes obedecendo a escala hierárquica.

Outros membros auxiliam também o Presidente, como o Orador, Secretário, Tesoureiro e Chanceler, e todo esse grupo é chamado de Oficiais; cada um com atribuições específicas, devendo prestar contas ao Venerável Mestre quando exigidas de suas tarefas.

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DÉCIMO PRIMEIRO ARTIGO: A necessidade de estar uma loja a coberto, quando reunida, é um importante Landmark que não deve ser descurado.Origina-se  do caráter esotérico da Instituição . O cargo de Guarda do Templo que vela para que o lugar das reuniões esteja absolutamente vedado à intromissão de profanos, independe, em absoluto, de qualquer lei de Grandes Lojas ou de Lojas subordinadas. E o seu dever, por este Landmark é guardar a porta do templo, evitando que se ouça o que dentro dele se passa.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO PRIMEIRO ARTIGO-

A preocupação deste artigo é a proteção dos segredos de tudo que acontece no interior do Templo durante as sessões.

Estabelece esta norma expressamente a função do obreiro que ficar de guarda na “Cobertura do Templo”, evitando que pessoas estranhas aos quadros maçônicos tomem conhecimento dos trabalhos que ali se desenvolvem. Aliás, até os próprios participantes das reuniões não devem sequer comentar o acontecido lá no Templo para não correr o risco desse segredo ser violado. Em algumas sessões esse juramento de manter o segredo é renovado ao seu término.

É oportuno observar ainda que este Landmark usa a palavra “esotérica” grafada com “s” e sobre isso o saudoso mestre Rizzardo da Camino, citando outro não menos professor renomado, José Castellani, estabelece distinção de sentido da  mesma palavra, se escrita com “s” ou “x” – autor citado, “Maçonaria Esotérica”, revista ” Vida & Religião Especial “- fls.28 – e ensina: ” Esotérico – adjetivo ( do grego esoterikós, reservado apenas para os adeptos) designa   aquilo que é apenas ensinado   aos iniciados; diz-se que é incompreensível aos não-iniciados; é a linguagem esotérica.  A Maçonaria como sociedade reservada apenas aos iniciados , possui, evidentemente, uma linguagem esotérica, referente aos seus símbolos e ensinada apenas aos iniciados. Isso não justifica o exagero de alguns maçons, pretendendo transformar toda a estrutura maçônica esotérica, confundindo o esoterismo com o ocultismo, ou hermetismo, quando  os termos não são sinônimos. Exotérico – adjetivo ( do latim espertus) refere-se, em filosofia, àquilo que é exterior , vulgar, comum, trivial: a maior parte da doutrina maçônica,com seus símbolos, é esotérica, ou seja, só acessível aos iniciados; existem, todavia, símbolos e ensinamentos que podem ser divulgados publicamente, sendo, portanto, exotéricos.É o caso, por exemplo, da doutrina moral, social, política e espiritual da Maçonaria e de símbolos , como o conjunto de Esquadro e Compasso, que, para o público em geral, simboliza a Maçonaria, enquanto que o iniciado os vê mais profundamente, esotericamente ” . E prossegue o grande mestre: “O esoterismo maçônico não se limita a uma reserva ou a um sigilo. Ele diz respeito à localização espiritual, seja na mente, seja no espírito. Essa dedicação, formalizada pela constante leitura maçônica, constitui a caminhada para dentro. O maçom já passou pela cerimônia Iniciática, analisando as marchas que lhe foram impostas. O caminho para dentro significa maçonaria esotérica!”.

E é isso que significa o “caráter esotérico da Instituição”!

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DÉCIMO SEGUNDO ARTIGO: O direito representativo de cada Irmão, nas reuniões gerais da Fraternidade, é outro Landmark. Nas reuniões gerais, outrora chamadas Assembléias Gerais, todos os Irmãos, mesmo os simples Aprendizes, tinham o direito de tomar parte. Nas Grandes Lojas só tem direito de assistência os Veneráveis e os Vigilantes, na qualidade, porém, de representantes de todos os Irmãos das Lojas. Antigamente, cada Irmão se representava por si mesmo. Hoje são representados pelos seus Oficiais. Nem por motivo dessa concessão, feita em 1717, deixa de existir o direito de representação, firmada por este Landmark.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO SEGUNDO ARTIGO-

Esta regra lembra que no passado todos os obreiros nas reuniões podiam participar de todos os trabalhos, inclusive os aprendizes, apresentando propostas, debates e sugestões.

Nas Grandes Lojas essa representatividade atribuída aos Veneráveis e Vigilantes cinge-se aos interesses de todo grupo da unidade maçônica; embora possam ser representados por seus Oficiais, cada um dentro de sua esfera de atribuições, continua esse direito de representação para cada um, sem  distinção de graus.

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DÉCIMO TERCEIRO ARTIGO: O direito de recurso de maçom das decisões dos seus Irmãos, em Loja, para a Grande Loja ou Assembléia Geral dos Irmãos, é um Landmark essencial para a preservação da Justiça e para prevenir a opressão.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO TERCEIRO ARTIGO-

Cuida-se de dispositivo da mais alta importância de toda sistemática dos Landmarks.

Objetiva, como se verifica, corrigir o cometimento de injustiças dentro da Ordem, pois embora sua doutrina seja pura e repudie opressões, perseguições e outras mazelas, somos humanos, e, por mais que procuremos nos aperfeiçoar moral e espiritualmente, estamos sujeitos a prática de ações ou omissões incompatíveis com o que nos ensina a Fraternidade Maçônica.

Qualquer decisão proferida que se entenda prejudicial, pode o obreiro exercer esse direito de recorrer para o Órgão Superior apontando suas razões de inconformismo de maneira respeitosa, na esperança de reverter a decisão.

Todavia, caso não obtenha êxito no reclamo, deve conformar-se e cumprir a decisão confirmada pelo Órgão que reexaminou aquela decisão.

O que não deve é levar o caso para o terreno pessoal, prolongando a querela que somente encerra malefício para todos e mais ainda para a própria Instituição Maçônica.

Esses conflitos de interesses são dirimidos pelos Órgãos de Justiça Maçônica, geralmente; mas podem também ser solucionados pela Hierarquia Administrativa Maçônica com a decretação de invalidade total ou parcial do ato tido como inquinado de vício quando for o caso.

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DÉCIMO QUARTO ARTIGO: O direito de todo maçom visitar e tomar assento em qualquer Loja é um inquestionável Landmark da Ordem. É o consagrado direito de visita, que sempre foi reconhecido como um direito inerente que todo Irmão exerce, quando viaja pelo Universo. É a consequência de encarar as Lojas como mera divisões, por conveniência da Família Maçônica Universal.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO QUARTO ARTIGO-

Este princípio de visita do maçom a outra Loja inspirou-se na Fraternidade Universal que é da essência maçônica.

A Sublime Ordem é regida pelo amor entre seus membros independentemente de religião, raça, crença política, regionalismo e outras diferenças que marcam nosso individualismo.

O importante e necessário é que o maçom seja puro de coração, tenha senso de Justiça, acredite no G A D U e na vida eterna espiritual. Cultive os bons costumes, a moralidade, ética e cumpra seus deveres de cidadão onde estiver e viver. Respeitar o próximo para ser respeitado.

Essas obrigações e direitos que são correlatos ligam todos os maçons do Universo e os conduz a essa Irmandade que gerou esse direito de visita como símbolo da amizade e união Universal.

Vige o pensamento que existe em todo Planeta Terra apenas uma Loja em razão da Fraternidade e que essas divisões são apenas materiais, mas a Unidade espiritual é o que resplandece de toda dinâmica maçônica. Cada obreiro tem uma Loja edificada em seu coração ao lado do Templo de Salomão como nos ensina os graus básicos da Ordem.

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DÉCIMO QUINTO ARTIGO: Nenhum visitante, desconhecido aos Irmãos de uma Loja pode ser admitido á visita, sem que, antes de tudo, seja examinado, conforme os antigos costumes. Esse exame só pode ser dispensado se o maçom for conhecido de algum irmão do quadro, que, por ele se responsabilize.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO QUINTO ARTIGO-

Cuida-se do dever de fiscalização da Loja para evitar que profanos ou mesmo maçons irregulares ingressem em reuniões que lhes são vedadas.

O obreiro regular e que não seja conhecido deve antes da sessão procurar um membro da Loja e identificar-se, oferecendo-lhe todos os dados para essa fiscalização confirmar, se for o caso, sua situação maçônica.

Essa medida evita que o Irmão da Loja sinta-se constrangido em exercer seu dever e depois confirmar a regular situação do visitante.

A vigilância contida neste artigo poderia ser denominada de Poder de Polícia Maçônica.

Este Landmark também estabelece a dispensa de todo esse expediente de fiscalização, se algum maçom da Loja conhecer o visitante, responsabilizando-se pela sua regularidade.

O processo de fiscalização na linguagem maçônica tem o nome “telhadura” do visitante e quem procede a essa investigação de “telhador”.

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DÉCIMO SEXTO ARTIGO: Nenhuma Loja pode intrometer-se em assuntos que digam respeito a outras, nem conferir graus a Irmãos de outros Quadros.

-ANATOÇÃO DO DÉCIMO SEXTO ARTIGO-

Esta proibição deriva da autonomia relativa de cada unidade maçônica dentro da mesma Potência, já que não pertencente, não teria mesmo sentido essa interferência.

É preciso notar, entretanto, que essa vedação de envolver-se em atividades ou assuntos de outras Lojas refere-se a nível semelhante e de Obediências diferentes.

Quando se tratar de alguma falha grave cometida por uma Loja, a Potência  a que estiver subordinada, .tem o dever de tomar providências para a correção, inclusive de intervenção que é bem diferente da expressão intromissão.

Intromissão é o ato de interferir indevidamente em matéria ou atividade da congênere, enquanto a intervenção é o ato coercitivo do Órgão Hierárquico Superior na unidade maçônica subordinada visando sanar essa falha para o bem da Instituição considerada como um todo.

Igualmente, a proibição de concessão de graus a obreiros de outras Lojas é consequência desse sistema de vedação.

Mas desde que a Loja autorize expressamente essa concessão de graus a sua congênere, é viável, e, neste caso, a Loja autorizada passa agir como mandatária.

É o sentido desse Landmark!

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DÉCIMO SÉTIMO ARTIGO: Todo maçom está sujeito  às leis e regulamentos da Jurisdição Maçônica em que residir, mesmo não sendo membro de qualquer Loja. A inafiliação é já em si uma falta maçônica.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO SÉTIMO ARTIGO-

O conteúdo desta norma é preservar a disciplina da Ordem que incide sobre o maçom ainda que se encontre inativo, submetendo-o a jurisdição territorial onde residir.

Embora possa encontrar-se “dormindo”, nem por isso deixa de pertencer à Instituição e, portanto, sujeito ao regime regulamentar com obrigação de observá-lo, pois para isso jurou solenemente cumpri-lo diante do GADU no Altar Sagrado.

A inatividade pode a qualquer instante ser afastada e voltar o iniciado, depois das formalidades de praxe, ao convívio de seus irmãos para o trabalho que lhe for destinado na Loja.

Considera ainda este preceito que a não filiação do maçom a uma unidade constitui, por si só, já um deslize, cuja sanção não mencionada, pode ser relevada pela unidade filiante e é o costume corrente.

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DÉCIMO OITAVO ARTIGO: Por este Landmark os candidatos à iniciação devem ser isentos de defeitos ou mutilações, livres de nascimentos e maiores. Uma mulher, um aleijado, ou um escravo, não pode ingressar na Fraternidade.

-ANATOÇÃO DO DÉCIMO OITAVO ARTIGO-

Esta vedação é a mais criticada pelos opositores dos Landmarks, eis que traça uma verdadeira marginalização dos ali enumerados: de defeitos ou mutilados físicos, a capitis deminutio máxima, vestígio do Direito Romano que cogitava da escravatura, hoje inexistente, a maioridade e o ingresso da mulher na Fraternidade.

De todo essas proibições somente subsistem as pessoas que necessitam de cuidados especiais e as mulheres.  Os demais casos de restrição (capitis deminutio maxima e maioridade) o Tempo se encarregou de extingui-los: todos os homens são livres e não existem mais escravos no sentido da Antiguidade e quanto à maioridade, a Sublime Ordem tem como parâmetro a lei civil profana.                                  Essas vedações perderam a razão de ser, portanto.

Quanto à iniciação de portadores de defeitos físicos é preciso que se empreste uma interpretação dentro dos padrões razoáveis da sociedade em consonância com a ciência e a tecnologia moderna e que ao tempo de ser editada esta norma sequer se pensava que séculos a frente evoluiria, como evoluiu e continua evoluindo, todo esse modernismo, podendo-se abrandar o preceito sem que com isso gere sua violação.

Trata-se de uma interpretação sistemática, onde se persegue o verdadeiro espírito da lei maçônica (mens legis) e adaptá-lo aos tempos modernos que afastou aquele temor de mal para a Ordem que então imperava e que não mais existe.

Não se trata de nenhum desrespeito a este Landmark o exame se um pretendente que perdeu algum de seus membros ou assim já nasceu, verbi gratia, possa ingressar na Instituição, desde que tenha meios através desse modernismo que essa deficiência seja sanada relativamente ou mesmo diminuída, aproximando-se de uma vida normal.

Cada caso concreto deve ser analisado, aferindo-se toda dinâmica dentro dos critérios da razoabilidade da sociedade, evitando-se essa injustiça que não foi e não é a intenção desse preceito inserido na doutrina maçônica.

O que não se deve é apegar-se ao texto frio dessa proibição e aplicá-lo, sob alegação que vige a restrição absoluta.

Todavia, essa hermenêutica abrandada da hipótese dos defeituosos físicos não pode ser aplicada as mulheres para iniciação na Ordem Maçônica.

É bem sabido que forte corrente de eminentes maçons defendem com bastante ênfase, as Lojas Femininas tidas como da Instituição, porém partem de um Juízo de Valor, esquecendo-se as diversas etapas do artesanato, fonte da maçonaria primitiva.

Em qualquer fase dos primórdios da Ordem, a força masculina sempre foi a criadora desse movimento que mais tarde veio chamar-se Maçonaria. A mulher cuidava dos afazeres domésticos enquanto, seu marido exercia sua atividade de artesão para o sustento da família.

Não se cogitava de trabalho feminino naqueles tampos e até no Iluminismo (Século XVII), a intelectualidade e os poderosos econômicos sempre foram homens que ingressaram na Ordem e a História não registra nenhuma dama como iniciada maçônica quando surgiu o Departamento Especulativo, época da Franco-Maçonaria.

A Maçonaria, como qualquer outra Instituição Universal, tem seus dogmas devendo seus membros aceitá-los, pois ao serem iniciados já sabiam das regras que disciplinam sua estrutura filosófica, administrativa e espiritual.

Podem não concordar, mas devem obedecer ao comando maior que são todos os Landmarks, a Super-Constituição de todos os maçons do Universo.

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DÉCIMO NONO ARTIGO- A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos importantes Landmarks da Ordem. A negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação.

-ANOTAÇÃO DO DÉCIMO NONO ARTIGO-

A crença no Ser Supremo do Universo, seja o nome que se queira dar, e vida eterna depois da morte do corpo físico, são condições essenciais para a iniciação, além de outros requisitos sociais de honradez, bons costumes, cultivo da moralidade, ética e amor ao próximo.

Qualquer rito que não exija esses requisitos essenciais do candidato não é considerado rito maçônico, fazendo-se necessário que o candidato declare solene e expressamente que realmente acredita no exigido por este Landmark. Aliás, a expressão “Grande Arquiteto do Universo” tem sua fonte na própria Bíblia: Hebreus (Novo Testamento), 11 e 10: “Porque esperava a cidade que tem fundamento, da qual o artífice e construtor é Deus”.

Vê-se, pois, que a Sublime Ordem tem como alicerce a crença no Ser Supremo do Universo que é chamado de “Grande Arquiteto do Universo”, nomenclatura genérica para ser denominador comum de todos os elos com a Divindade, independentemente de religiosidade, embora respeite essas entidades que estão ligadas com esse Ser Supremo de Todos os Mundos, para usar uma linguagem alegórica ou de simbolismo. Também tem como essencial que se acredite na vida espiritual que prossegue após o fim do corpo físico.

Em linguagem maçônica diz-se, “partiu para o Oriente Eterno”, quando ocorre a morte de uma pessoa.

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VIGÉSIMO ARTIGO: Subsidiariamente a essa crença, é exigida a crença em uma vida futura.

-ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO ARTIGO-

Landmark já foi comentado no  anterior, ou seja, no décimo nono artigo. Poderia dele fazer parte e realmente o faz, mas preferiu seu criador destacá-lo para outorgar-lhe importância isolada.

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VIGÉSIMO PRIMEIRO ARTIGO: É indispensável, no Altar de um Livro da Lei, o Livro que, conforme a crença se supõe conter a verdade revelada pelo Grande Arquiteto de Universo. Não cuidando a Maçonaria de intervir nas peculariedades de fé religiosa dos seus membros, esses livros podem variar de acordo com os credos. Exige, por isso, este Landmark, que um “Livro da Lei” seja parte indispensável dos utensílios de uma Loja.

-ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO PRIMEIRO ARTIGO-

O que desperta atenção, ab initio, deste Landmark textualmente, é que a Maçonaria não é uma religião, nem credo e muito menos seita, mas uma Instituição de caráter filantrópica, filosófica, fraternal, universal e voltada para o Bem da Humanidade, sempre buscando o aperfeiçoamento do Ser Humano tanto no aspecto moral, como material, para aproximação com o Grande Arquiteto do Universo.

Seus ensinamentos em qualquer etapa de estudo assim apregoam e corrigem aqueles que se distanciam de seus ditames na esperança que essa correção seja eficaz.

Seus membros têm liberdade ampla de escolha de qualquer religião ou crença, desde que acreditem na existência do Grande Arquiteto de Universo e na vida post mortem, além de possuírem os requisitos sociais como vimos nos comentários do Artigo Décimo Nono destes Landmarks.

A exigência do chamado “Livro da Lei” no Altar, sem, contudo especificar qual Livro demonstra, inequivocamente, que pode ser qualquer um, considerando-se, entretanto, a crença de seu conteúdo ser a “verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo”.

Pode ser a Bíblia, composta pelo Antigo Testamento e Novo Testamento, (judeus e cristãos), o Alcorão (islamismo), Livros Sagrados das diversas religiões do Oriente, mas que sejam tidos sempre como instrumentos da Palavra do Ser Supremo do Universo que, na Maçonaria, é o Grande Arquiteto do Universo.

É de se notar ainda que este Landmark usa as palavras “se supõe”, referindo-se  a mensagem do Criador, demonstrando o respeito a outros livros considerados sagrados,que podem divergir, mas para seu adepto é a  “verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo” do aspecto subjetivo.

Para a Maçonaria basta simplesmente que o iniciado acredite no Grande Arquiteto do Universo e na vida espiritual eterna, pouco importando qual seja seu “Livro da Lei”. Este “Livro da Lei” é apenas um meio de cultuar o Grande Arquiteto do Universo e a vida espiritual, renovando e fortalecendo sua Fé nesses postulados maçônicos.

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VIGÉSIMO SEGUNDO ARTIGO: Todos os maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios, que a sociedade confere. A maçonaria a todos nivela nas reuniões maçônicas.

-ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO SEGUNDO ARTIGO-

O texto legal menciona “iguais”, porém o verdadeiro sentido é “semelhança” para o tratamento operar-se de maneira uniforme para todos, guardadas as diferenças pessoais, especialmente a hierárquica.

E não poderia ser diferente.

A maçonaria possui sua própria Hierarquia e um aprendiz tem seu assento no lugar próprio nas sessões, enquanto outro obreiro de grau mais avançado possui mais liberdade de escolher dentro de sua limitação, posição diferenciada.

O que este Landmark quer dizer, na verdade, é que os títulos de nobreza, honraria, cargo ou função, além de outras situações que são muitas, adquiridos no mundo profano, são desconsiderados no Templo para ensejar esse nivelamento de direitos e obrigações entre os irmãos. Mas persiste a hierarquia e a boa educação social que se faz necessária para uso, em qualquer lugar e em qualquer momento, por uma pessoa civilizada. Não devemos esquecer que vivemos em sociedade e o trato respeitoso com o semelhante constitui uma obrigação de convivência, embora possa haver divergência.

O nivelamento referido por este Landmark, pois, é relativo e deve ser interpretado dentro dos critérios de urbanidade e fraternidade. Ninguém vai à sessão para combate, mas para fortalecer seus bons princípios maçônicos e ampliar essa fraternidade institucional que é o alicerce de toda doutrina da Sublime Ordem.

Este é o verdadeiro significado dessas “igualdade” e “nivelamento”.

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VIGÉSIMO TERCEIRO ARTIGO: Este Landmark prescreve a conservação secreta dos conhecimentos havidos por iniciação, tanto dos métodos de trabalho, como das suas lendas e tradições que só podem ser comunicadas a outros irmãos.

-ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO TERCEIRO ARTIGO-

Disciplina a norma o segredo que deve ser guardado por todos os obreiros desde o início na Ordem (aprendiz) até onde conseguir chegar.

Os mistérios, acontecimentos no Templo de qualquer natureza não devem ser revelados, lições ministradas, sinais, simbologia, et cetera, nada pode ser divulgado, salvo a  outro iniciado que esteja no mesmo grau ou superior.

Mas a regra é manter silêncio e para abrir exceção como estabelece este Landmark é preciso as devidas cautelas para a comunicação ser endereçada corretamente ao obreiro, observando-se seu grau, regularidade administrativa, filiação e outras peculiaridades que o caso exigir.

Cuida-se de uma exceção e, como tal, a cautela é necessária.

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VIGÉSIMO QUARTO ARTIGO: A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos  operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark. A preservação da lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.

-ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO QUARTO ARTIGO-

Quando tecemos comentários sobre o Segundo Artigo destes Landmarks, em parte fizemos anotação deste agora em exame.

Com efeito, em linhas gerais, este preceito estabelece a Maçonaria Especulativa ou Intelectual, mantendo, como não poderia deixar de fazê-lo, a Maçonaria Operativa ou Primitiva, também conhecida como Azul.

Não se trata de duas maçonarias, mas de uma só, com atribuições autônomas, mas com a mesma essência e cultivo das mesmas virtudes: aperfeiçoar o Ser Humano para aproximá-lo do Grande Arquiteto do Universo.

Para comodidade e facilitar a compreensão do leitor deste vigésimo quarto artigo dos Landmarks, compilados por Alberto Galletin Mackey em 1856, e também penúltimo, vamos transcrevê-lo:

“As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no curso do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas consequências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção. Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII (1717-1724), anunciando uma Nova Era  para a Instituição se expandir no cenário universal. Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas. Implantou-se, assim, a maçonaria especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente  e  verso  de uma mesma moeda “.

Este artigo trata também do Templo de Salomão que está vinculado a esta própria figura real bíblica e Hiram Abiff, arquiteto da construção e que se estuda a partir do mestrado.

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VIGÉSIMO QUINTO ARTIGO: O último Landmark é o que afirma a inalterabilidade dos anteriores, nada podendo ser-lhes acrescido ou retirado, nenhuma modificação podendo ser-lhes introduzida. Assim, como de nossos antecessores os recebemos assim os devemos transmitir aos nossos sucessores. NOLONUM LEGES MUTARI.

-ANOTAÇÃO DO VIGÉSIMO QUINTO ARTIGO-

Este mandamento é o mais importante de todos os Landmarks, pois registra em seu conteúdo ser a Maçonaria Universal, reclamando unidade em todo Planeta Terra de substância e critérios administrativos para sua sobrevivência através dos séculos.

Sem essa política estável da doutrina com seus dogmas, especialmente na admissão da existência do Grande Arquiteto do Universo e a Vida Espiritual, além do estudo aprofundado de sua filosofia e.aperfeiçoamento do Ser Humano, com o passar dos tempos, perderia todos seus ensinamentos estruturais, podendo chegar ao completo desvirtuamento de sua finalidade. Perderia como consequência de interpretações subjetivas e regionais, sua razão de ser una, com divisão de essência, e aí não mais seria uma Maçonaria Universal, mas entidades diversificadas de cada localidade onde a fraternidade seria extinta.

E é justamente essa continuidade perpétua que conduz a Sublima Ordem Pura a atravessar os séculos com sua glória e se fazer presente a todos os maiores acontecimentos da História de toda Humanidade.

É esse sentimento psicológico e fraternal fincado em toda doutrina maçônica, considerada única e indivisível, que une todos os maçons do universo, independentemente de etnia, credo político, localidade, religião e outras diferenças que nos marcam.

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NOTA DO AUTOR: Este “Código Landmarks” foi compilado por Alberto Galletin Mackey em 1856. Era norte-americano e viveu entre 1807 e 1881, deixando várias obras de leitura obrigatória para todo estudioso maçônico.

Teci ligeiros comentários sobre cada um desses mandamentos na esperança de haver contribuído modestamente para a cultura maçônica e exortar os Ilr. ao estudo da nossa Sublime Ordem Universal.

Agradeço a todos que gostaram e peço desculpas aos descontentes com a promessa de melhoria em trabalhos futuros.

José Geraldo de Lucena Soares

FINS SUPREMOS DOS PRINCÍPIOS MAÇÔNICOS

José Geraldo de Lucena Soares, MI

ARLS Fraternidade Judiciária 3614 – GOSP – GOB

 

Consistório 2 – SP.

 

Em trabalhos anteriores divulgados neste blog estudamos ligeiramente os conceitos de princípios e postulados maçônicos, especificando-os, e ainda comentamos isoladamente, cada um destes cinco princípios.

Toda esta matéria encontra-se inserida no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 17 de março de 2007, E.’.V.’.

Apenas para relembrar o leitor podemos observar que este primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil é composto de cinco princípios, três fins supremos e quatorze cultivos ou recomendações abrangendo praticamente toda substância da Ordem cuja fonte é o Código Landmarks.

Sobre os Landmarks dissertamos e foram também divulgados neste blog.                                                                                                             Nesta oportunidade examinaremos rapidamente esses fins supremos – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – do dispositivo constitucional aludido e que abrangem todos os cinco princípios enunciados e comentados.                                                                                                            Liberdade, Igualdade e Fraternidade são três institutos que formam o lema de anseio de toda Humanidade em todos os tempos, especialmente quando se formou a comunidade política e social a que se refere Rousseau (1712/1778) em seu “Do Contrato Social” com a estrutura também científica e filosófica de John Locke (1632/1704), além de outros doutrinadores de épocas e nacionalidades diversas.                                                                                                             Mas este lema, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como muitos pensam, não foi criado pela Maçonaria e muito menos pela Revolução Francesa de 1789.                                                                                                            Em rápida pesquisa encontramos fragmentos em documento escrito de concessão de liberdade na Idade Média, mais precisamente na Magna Carta de João-Sem-Terra, de 15 de junho de 1215, quando ali constou a expressão “homens livres”, exprimindo a idéia de que a partir daquela data a nobreza e o clero seriam beneficiados com uma liberdade relativa, mas que deveriam em troca oferecer mais lealdade a Coroa.                                                                                                             Igualmente, foram encontrados vestígios em 1694 nos ensinamentos da seita “Comunismo Cristão” criada por Johanes Kelperès,consistente na crença de três entidades reunidas em uma só : distribuidor ou espalhador de Justiça, sugerindo o sentimento de Igualdade; o chefe, conhecido com irmão-mestre, representando a Fraternidade e o doador da liberdade, surgindo, assim, esta última figura do lema: Liberdade.                                                                                                             Na verdade, o lema da Revolução Francesa de 1789 era “Liberté, Égalité ou la Mort” (Liberdade,Igualdade ou a Morte). Somente em 1848 com a Segunda República Francesa é que as palavras “ou la Mort” foram substituidas pela atual “Fraternidade”. Foi aí que a Maçonaria Francesa passou a usar esse lema completo e alterado – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – e como suas lojas influenciaram as demais na Europa, espalhou-se pelo mundo a pseuda idéia de autoria maçônica.                                                                                                             Por outro lado e a título de ilustração histórica, o pensamento de três entidades em uma só, da seita “Comunismo Cristão”, foi inspirado no dogma do Mistério da Santíssima Trindade do cristianismo romano, debatido no Concílio de Nicéia I no ano 325 d.c.(E.’.V.’.), convocado pelo Imperador Constantino.

Ficou deliberado naquela assembléia que Jesus foi gerado de Deus e dele faz parte juntamente com o Espírito Santo. Formou-se o dogma, assim, do Mistério da Santíssima Trindade descrito na oração “Credo” até hoje rezada: Pai, Filho e Espírito Santo.                                                                                       O sinal da cruz do cristão romano quando inicia uma oração levando a mão direita na testa seguindo para o peito e depois para a esquerda e terminando no lado direito, pronunciando “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, também faz referência à Divindade composta por três entidades, mas considerada em uma só.                                                                                                             Retornando ao assunto que é objeto deste trabalho, a Liberdade a que se refere à Sublime Ordem é também aquele ideal que consiste em fazer ou deixar de fazer alguma coisa nos limites da lei. Nasce com o próprio indivíduo e constitui também um direito natural, podendo exercitá-lo tendo também como limite o direito do semelhante e com observância do ordenamento jurídico da época e do local.                                                                                                            É um conceito simples do Direito Profano e adotado também pela Ordem Maçônica.                                                                                                             Deve-se ainda e com mais realce obedecer-se a legislação maçônica que é o diploma específico e próprio para disciplinar todas as relações entre os obreiros dentro da Instituição.                                                                                                             Todavia, tratando-se de liberdade no âmbito maçônico exige-se algo mais, ou como doutrinava o saudoso Ir.’.José Castellani ( “Maçonaria e Astrologia” – Ed. Madras – 1997 – págs.150), o cultivo da busca da Verdade, ” realizando esforços para trilhar o caminho da Virtude, dominando os vícios, os hábitos negativos e as paixões destrutivas.”                                                                                                             A igualdade por sua vez, deve ser entendida em tratar desigualmente as pessoas desiguais na medida dessas desigualdades, como ensinava o grande Ruy Barbosa.                                                                                                             Esta igualdade é de ser aceita como relativa, pois o sentido é de que todos os obreiros são tratados no mesmo nível em princípio, mas guardadas as diferenças que nos marcam.

Quem comete um erro e dele faz seu meio de vida deve ser apenado em maior extensão que o outro incidente da mesma ilicitude, mas que tem passado normal e cominha espontaneamente para uma vida honesta e social.

O tema de liberdade é complexo e se presta a várias interpretações e por mais que se escreva jamais esgotará o assunto.

O vigésimo segundo artigo do Código Landmarks de Mackey versa sobre a igualdade absoluta dos obreiros no interior da Loja,” sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios, que a sociedade confere. A Maçonaria a todos nivela nas reuniões maçônicas”.

Todavia, o vocábulo “igualdade” deve ser entendido como “semelhança” para o tratamento operar-se uniforme para todos,guardadas  as diferenças pessoais, especialmente a hierárquica.

A Maçonaria possui sua própria Hierarquia e um aprendiz tem seu assento no lugar próprio nas sessões, enquanto outro obreiro de grau mais avançado possui mais liberdade de escolher dentro de sua também limitação, posição diferenciada.

É a hermeneutica que se faz deste preceito.                                                                                                                                                         A Fraternidade, último instituto do lema, é a marca da Ordem Maçônica.                                                                                                                     É o sentimento que governa o coração de todo o obreiro e inspirado no amor despido de interesse, voltado para a tolerância e caridade, sempre pronto a ajudar o próximo na medida do possível, respeitando o ordenamento jurídico profano e também maçônico.                                                                                                             Complementa a liberdade e igualdade, oferecendo a imagem de bondade material e espiritual que somente engrandece o maçom e a Maçonaria.                                                                                                              Lembra a Fraternidade que todos emanam da mesma fonte o – G.’. A.’.D.’.U – e que aqui estamos neste Planeta Terra de passagem para evoluirmos espiritualmente até o dia da chamada para o Or.’. Et.’.                                                                                                              Esta singela explanação finda uma série de rápidos comentários sobre os principais temas contidos nos artigos primeiro e segundo da atual Constituição do Grande Oriente do Brasil.

Oportunamente trataremos de outros assuntos maçônicos.

Hierarquia Maçônica

José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. – 33”

ARLS Fraternidade Judiciária 3614 – GOSP – GOB

A palavra “Hierarquia” é composta por dois vocábulos gregos (hierós = sagrado e arkhe´=autoridade) e exprime a ideia de poder oriundo da divindade fundada na doutrina mística de que todo poder lícito, moral e ético emana de Deus.

Os Estados Teocráticos são demonstrações desse pensamento e essa corrente de seguidores alcança grande aceitação em nossos dias.

Mas esse poder gera responsabilidade e longe de ser motivação de orgulho e vaidade, é um sacrifício para aquele que tem a consciência de servir aos interesses comuns e não dele se servir. Esse poder é exercido pela autoridade que é o instrumento que enseja utilidades coletivas e bem-estar aos administrados na medida das possibilidades materiais que estejam ao seu alcance. Poder e responsabilidade são dois elementos que integram o conceito de hierarquia. Subordinação é outro e gera as posições de superior e inferior com a escala de  graduação adotada pelo sistema estrutural da entidade pública ou privada.

Daí o adágio popular: manda quem pode e obedece quem tem juízo!

Em linhas gerais esta é a dinâmica do Instituto da Hierarquia em todos os tempos e em todos os lugares.

Hierarquia é, portanto, a escala de poderes e responsabilidades adotada por um agrupamento de pessoas onde o Superior subordina o Inferior a um comando legal no interesse da entidade. E dentro desse enfoque é a autoridade que exercita esse comando nos limites de sua gradação de poder previstos na legislação da instituição comandada.

A nossa Ordem Fraternal como todas as organizações possui também sua hierarquia que abrange não só sua administração como também a disciplina e outorga de seus graus aos seus membros seja qual for o rito que use em seus trabalhos.

As Obediências possuem o governo central e são dirigidas pelo Grão Mestre Geral ou outra denominação similar sempre como órgão supremo. Editam normas para todas as unidades inferiores versando sobre matéria administrativa e instruções atinentes aos diversos graus de lojas e câmaras que deverão ser observadas para validade maçônica de seus atos.

Quanto ao “aumento de salário”, inicia-se na Maçonaria Primitiva ou Azul com seus 3 graus básicos por todos conhecidos: aprendiz, companheiro e mestre maçom – segundo artigo do Código Landmarks de Mackey. São grau básicos, conditio sine qua non , para o acesso aos Altos Graus ou Graus Superiores com os ensinamentos graduais para todos os estágios, operativo e especulativo – vigésimo quarto artigo do Código Landmarks de Mackey.

Em se tratando do R.’. E.’. A.’. A.’ nos Altos Graus temos 30 que se inicia no 4 e termina no 33, este último somente concedido pelo Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 da Obediência correspondente divididos em 6 etapas: lojas de Perfeição, Capitulares, Areópagos – Conselhos Filosóficos de Kadosch, Tribunais, Consistórios e Supremos Conselhos.

As Unidades de Perfeição abrangem os Graus 4 a 14; as Capitulares de 15 a 18; os Aerópagos – Conselhos Filosóficos de Kadosch de 19 a 30; os Tribunais Grau 31; Consistórios Grau 32 e, finalmente, os Supremos Conselhos, o último Grau e o mais elevado da hierarquia maçônica que é o 33.

Os graus acima mencionados são concedidos aos obreiros após frequência às sessões e dissertações sobre temas atinentes a Ordem para avaliação intelectual do pretendente no sistema de elevações ou simplesmente por comunicações, dependendo das normas internas sempre editadas pelos Supremos Conselhos das diversas Obediências correspondentes.

Por outro lado, essas Obediências elaboram suas próprias constituições que seguem preceitos comuns a todas congêneres, acolhendo os 3 graus básicos, ritos e graus diversos, mas sempre inspiradas na fonte de toda Maçonaria Universal – os Landmarks de compilação predominante de Albert Galletin Mackey em 1856 que viveu entre 1807 a 1881.

Na verdade, o Código Landmarks de Mackey é o diploma de maior hierarquia da Sublime Ordem que ostenta o título de milenar e universal.

 

INICIAÇÃO MAÇÔNICA

José Geraldo de Lucena Soares

ARLS-Fraternidade Judiciária                                       3614-GOSP-GOB                                                                                               Kadosch 2-SP

O ingresso do candidato na Instituição Maçônica constitui o princípio mais importante previsto em toda sua legislação, pois é o passo primeiro para sua vivência na Fraternidade até onde desejar ou, em alguns casos, tornar-se um anátema. Mas mesmo assim será sempre um maçom! Uma vez iniciado, jamais deixará de ser maçom. Haja o que houver!

Reza o Artigo 28 da Constituição do Grande Oriente do Brasil que “Não poderá ser admitido na Ordem maçônica nenhum candidato que não se comprometa, formalmente e por escrito, a observar os princípios da Ordem”. Os postulados também devem ser cumpridos e todos esses preceitos estão contidos nos Artigos 1. e 2. da citada Carta Magna  e  foram elencados em trabalho denominado “Princípios e Postulados Maçônicos” publicado anteriormente.

Sendo a Maçonaria uma sociedade milenar e universal, possui suas próprias peculiaridades que são observadas desde seus primórdios e nenhum pretendente nela ingressa sem que seja convidado por um maçom regular que será seu “avalista moral” e ficará conhecido como “padrinho”, surgindo daí sua responsabilidade perante seus pares.

Nenhum Ser Humano Masculino integra a Sublime Ordem ex officio, ou seja, sem que algum maçom regular o apresente e afiance seus predicados morais, além de outras exigências contidas no Artigo Terceiro do Código Landmarks de Mackey: crença do Ser Supremo do Universo, vida post-mortem, bons costumes, amante da liberdade com responsabilidade e cultivo da moral e ética.

São exigências que integram a substância maçônica figurando como Landmarks de Albert Galletin Mackey admitidos pela quase unanimidade da consciência maçônica.

Até mesmo o recrutamento de obreiros através de outros métodos mais abrangentes, como divulgação da doutrina exotérica da Ordem, conferências abertas ao público em geral ou publicidades em livros e revistas especializadas, o candidato que se apresentar estimulado por esses meios, será submetido a uma investigação que pode levar meses e a equipe investigatória afinal apresentará seu relatório ao colegiado da Loja que proferirá a decisão que julgar acertada. Sendo aprovado, será nomeado “um padrinho” que dará ciência ao postulante e a data da cerimônia de iniciação. O mesmo acontecerá em caso contrário.

Etimologicamente, a palavra iniciar, do latim “initiare” – in, para o interior e ire, ir, caminhar – exprime a idéia de caminhar para dentro de algo, ir em direção ao seu interior para começar uma nova atividade que, na Sublime Ordem é tornar-se um Filho da Luz, saindo das trevas que é a vida profana. Este momento de ingresso faz surgir para o iniciado uma nova vida voltada para seu aperfeiçoamento espiritual, intelectual e material, mas também direcionado ao amor fraterno, ajuda aos necessitados na medida do possível (filantropia), tolerância, respeito ao próximo, especialmente quando se defrontar com situações onde suas idéias sejam rejeitadas. Na vida profana essas virtudes são também exigidas, mas na Maçonaria assumem o caráter de obrigações legais com o respeito “as convicções e dignidade de cada um;” – Art. 1., Parágrafo Único, Inc.III, Constituição do Grande Oriente do Brasil.

Essas exigências genéricas acima mencionadas são especificadas pela Lei Maçônica n. 0099 de 9 de dezembro de 2008, E.’. V.’., editada obviamente pelo Grão Mestrado Geral do Grande Oriente do Brasil que instituiu o Regulamento Geral da Federação que em seu 1. artigo estabelece os requisitos formais para a admissão  do candidato na Ordem e o respectivo processo para essa eventual finalidade.

Realmente, o citado dispositivo legal exige a comprovação de requisitos abaixo enumerados para o pretendente alcançar o acesso a nossa Fraternidade: ser maior de 18 anos de idade e do sexo masculino; estar em pleno gozo da capacidade civil; ser de bons costumes e ter reputação ilibada; possuir, no mínimo, instrução de ensino fundamental completo ou equivalente e ser capaz de compreender, aplicar e difundir os ideais da instituição; ter profissão ou meio de vida lícito, devendo auferir renda que permita uma condição econômico-financeira que lhe assegure subsistência própria e de sua família, sem prejuízos dos encargos maçônicos; não apresentar limitação ou moléstia que o impeça de cumprir os deveres maçônicos; residir, pelo menos há um ano, no município onde funciona a Loja em que for proposto, ou dois anos em localidades próximas; aceitar a existência de Princípio Criador; contar com a concordância da esposa ou companheira; se solteiro, obter a concordância dos pais ou responsáveis, se deles depender e comprometer-se, por escrito, a observar os princípios da Ordem. E estes princípios são a própria iniciação, estudos filosóficos, filantropia, progresso e o processo evolucionista, como citados anteriormente – “Princípios e Postulados Maçônicos”.

Os Lowtons, os De Molay, os Apejotistas e os estudantes de curso superior de graduação serão admitidos como maçons na forma da Constituição.

Reza ainda o artigo 2. desse diploma legal que “A falta de qualquer dos requisitos do artigo anterior, ou sua insuficiência, impede a admissão”.

Vemos, assim, que a preocupação legislativa de um modo geral, desde os Landmarks, Constituições das diversas Potências, Regulamentos e outras normas legais esparsas, é proceder um bom recrutamento de obreiros para o reforço das Colunas da Entidade Fraternal.

O princípio seguinte a este de Iniciação é o filosófico, previsto no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil e que poderá ser objeto de outras observações oportunamente.

 

                        Liberdade de Pensamento e Externação na Maçonaria

José Geraldo de Lucena Soares, 18

ARLS Fraternidade Judiciária – Gosp – Gob

 

O tema que ora me proponho a dissertar é um dos mais importantes na Fraternidade, pois muitos não diferenciam a liberdade de pensamento com sua manifestação no mundo exterior ou externação dessa idéia.

Com efeito, a liberdade de pensar é livre e não encontra limites, podendo a pessoa criar idéias das mais variadas, boas, más, úteis, inúteis, viáveis, inviáveis, lícitas, ilícitas, etc., ficando essas idéias ou pensamentos em seu interior, sem, contudo externá-los, mantendo-os só para si.                                                                  Esses pensamentos ou idéias, portanto, mantêm-se no âmbito exclusivamente subjetivo, quer dizer, não são divulgados de forma alguma no mundo material.

Ainda que essa volição pensativa seja má, na vida social é de total irrelevância, eis que não revelada, tentada ou consumada no mundo físico, é o NIHIL, tendo apenas repercussão na vida psíquica de seu autor a prestar contas à Divindade pelo cometimento do pecado, caso cultive alguma religião, seita ou algo similar.

Outra situação é a manifestação ou externação dessas idéias ou pensamentos na Sociedade.

Uma vez divulgados pode ocorrer efeito atingindo interesses individuais ou coletivos, favoráveis ou desfavoráveis, podendo gerar, daí, conforme o caso, responsabilidades para o divulgador; penal, civil, administrativa ou em outras áreas do Direito, ou ainda simplesmente reprovação da comunidade sem grandes consequências.

Seja como for, haverá uma alteração no mundo físico em razão dessa externação na vida social.

Assim, como vemos, a liberdade de pensamento é livre e ilimitada, porém sua externação na vida em sociedade é limitada pela legislação vigente profana local, pela Moral, Ética, Costumes e outros parâmetros de comportamento adotados pela sociedade.

Em se tratando da Sublime Ordem, entretanto, essa liberdade de pensamento é relativa em consonância com o pensar do profano.

É que não deve o maçom não admitir em pensamento que o GADU E A VIDA ETERNA não existem, pois estes elementos são inerentes e substanciais a toda doutrina maçônica desde sua criação, exigindo-se para a iniciação do candidato  o juramento solene e declaração expressa de  sua  crença  nesse SER SUPREMO DOS UNIVERSOS E VIDA ESPIRITUAL POST-MORTEM , seja o nome que se queira dar, nomenclaturado na Maçonaria de GADU.

Aliás, a própria legislação maçônica assim determina, sendo até um dos Landmarks (Super Constituição Universal Maçônica) que na compilação de Mackey, reza: “A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos importantes Landmarks da Ordem. A negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação. “( art.19) E mais, “Subsidiariamente a essa crença, é exigida a crença de uma vida futura. “(art.20)

Em trabalho anterior, comentei ligeiramente esses dispositivos e naquela oportunidade escrevi: “A crença no Ser Supremo do Universo, seja o nome que se queira dar e vida eterna depois da morte do corpo físico, são condições essenciais para a iniciação, além de requisitos sociais de honradez, bons costumes, cultivo da moralidade, ética e amor ao próximo.

“Qualquer rito que não exija esses elementos essenciais do candidato não é considerado rito maçônico, fazendo-se necessário que o candidato declare solene e expressamente que realmente acredita no exigido por este Landmark.” E prossigo: “Vê-se, pois, que a Sublime Ordem tem como alicerce a crença no SER SUPREMO DO UNIVERSO que é chamado de “Grande Arquiteto do Universo”, nomenclatura genérica por ser um denominador comum de todos os elos com a Divindade, independentemente de religiosidade, embora respeite essas entidades que estão ligadas a esse Ser Supremo de Todos os Mundos, para usar uma linguagem alegórica ou de simbolismo. “Também tem como essencial que se acredite na vida espiritual que prossegue após o fim do corpo físico.”

Igualmente e como não poderia ser diferente, a Constituição do Grande Oriente do Brasil promulgada em 17 de março de 2007, E.V., estabelece em seu art. 1; inc.IV, o direito de liberdade de expressão de pensamento do obreiro, mas com “CORRELATA RESPONSABILIDADE”, significando que não pode questionar os Postulados Universais da Maçonaria, que estão descritos no art. 2, sendo o primeiro, “A EXISTÊNCIA DE UM PRINCÍPIO CRIADOR: O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.”

São regras proibitivas e o art. 30 da mesma Carta Magna do Grande Oriente do Brasil é taxativo: “São direitos dos Maçons: II – a livre manifestação do pensamento em assuntos NÃO VEDADOS PELOS POSTULADOS UNIVERSAIS DA MAÇONARIA”.                                                                                                                                      Vê-se, pois, que através de um processo interpretativo de caráter extensivo ou analógico, ou ainda sistemático, desse preceito maçônico, que o maçom não deve  questionar a existência do GADU, pois assim jurou e declarou expressamente sua crença anteriormente; fica também proibido de pensar em contrário, resultando em uma liberdade de pensamento relativa. Em outras palavras: como aceitar essa liberdade de pensamento absoluta quanto à existência do Criador, se a própria Instituição Maçônica proíbe até manifestações contrárias ao assunto (art.30, inc. II, Constituição GOB) e o próprio iniciado já declarara sua crença solene e anteriormente?

Seria uma incoerência ou mesmo falsidade consigo próprio alguém assim proceder.

Daí chega-se a conclusão tirada de todo sistema doutrinário maçônico que essa liberdade de pensamento do iniciado é relativa, ao contrário do profano, que é absoluta.

Embora o pensamento seja incontrolável e até ignorado no mundo físico, quando eivado de impurezas, o pensador está sujeito a julgamento pelas Leis do Universo, pois até os incrédulos, de alguma forma, aceitam a Natureza com toda sua grandeza, beleza e vida.

Portanto, colocadas essas premissas, entendo que o maçom não tem liberdade de pensamento a ponto de negar a existência de Deus e da vida eterna, ensejando, portanto, uma liberdade limitada ou relativa.

Esta exposição objetiva reforçar a convicção do leitor da existência do GADU e vida post-mortem.

É o meu desejo!

O Iluminismo e a Maçonaria

 

José Geraldo de Lucena Soares

ARLS – Fraternidade Judiciária – 36l4 – Gosp – Gob

Capítulo “Integração e Prudência” – SP

 

 

As idéias prevalentes e obsoletas da Idade Média, conhecidas como “A Noite dos Dez Séculos”, levaram no início do Século XVII o surgimento na Europa de um movimento renovador de toda cultura da época, como reação ao considerado atraso de quase todo conhecimento então existente.

Essa plêiade de novos pensadores espalhada por quase todo continente europeu, voltava-se contra o tradicionalismo que viera da então Era Medieval e grilhões do absolutismo da realeza, como também os benefícios que eram outorgados aos membros do clero e nobreza.

Os freios para evolução da inteligência precisavam ser arredados, por que o Homem deveria pensar e governar-se pela Razão; livrar-se das restrições impostas pela Inquisição e buscar seu próprio destino livre de opressão.

Poderia acreditar naquilo que sua inteligência explicasse independentemente de religiosidade ou mesmo fé. Teria liberdade de desacreditar naquilo que lhe foi imposto outrora, ou, simplesmente, questioná-lo.

A Razão seria a bússola de sua vida, substituindo toda crença religiosa para abrir caminho a uma Nova Era de intelectualidade, gerando progresso material e moral, em oposição aos mesquinhos tempos da Idade Média.

Toda essa evolução filosófica, científica, artística, moral e religiosa, tomou o nome de Iluminismo, ou, “Século das Luzes”, como contestação “A Noite dos Dez Séculos” (476-1476), face a pobreza cultural daqueles tristonhos tempos.

Iluminismo, porque concedia luz à escuridão, marca do atraso de mentalidade da Idade Média.

A doutrina iluminista preconizava que o Homem nasce puro, com bondade, e é a própria sociedade que o corrompe.

Se houver Justiça Social, pouca desigualdade na comunidade, econômica, moral e de costumes, a paz virá, como consequência, e a felicidade aflorará para o bem de todos.

A liberdade seria exercida com responsabilidade para o bem comum.

Eram, em linhas gerais, os postulados do Iluminismo.

Filósofos, políticos e cientistas, integravam esse cenário, surgindo, daí, várias correntes ou vertentes dessa política social que se instalou, em última análise, em nome da liberdade de pensar, com o propósito de progresso cultural e de espírito. Aliás, esses ideais de avanço cultural já vinham sendo desenvolvidos desde a Renascença que mais tarde também contribuiu para deflagrar a Revolução Francesa de 1789.

O filósofo René Descartes prestou significativa contribuição a esse empreendimento intelectual, com seu adágio – cogito ergo sum – (penso, logo existo), pensamento puramente racionalista.

Outras importantes figuras intelectuais do Século XVII foram iluministas, como Galileu Galilei, Francis Bacon, Thomas Hobbes, René Descartes, Baruch Spinoza, John Locke, Isaac Newton, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Kant, Adam Smith e tantos outros do mesmo quilate.

Esse movimento, entretanto, começou a perder força, mais ou menos, no começo do Século XIX, com o advento de novas doutrinas e ao tempo das guerras napoleônicas – 1804 – 1815.

Embora uma parte dos iluministas pregasse o ateísmo, a maioria acreditava na existência de um Ser Supremo do Universo, princípio admitido pela Maçonaria que foi muito influenciada por essa elite erudita.

A religião poderia ser cultivada por cada um, sendo mera faculdade, e, sendo aceita, como efeito, a vida espiritual continuaria após a morte do corpo físico.

Era o que a maioria entendia do aspecto divino.

E foi nesse ambiente de sabedoria que começou a surgir a Franco-Maçonaria no começo do Século XVII, cujos maçons vieram das fileiras do Iluminismo trazendo doutrinas daquele momento histórico para oxigenar a Maçonaria Tradicional ou Simbólica, as chamadas Lojas Azuis.

Registra a História que as dificuldades da Ordem Operativa em meados do Século XVII, em especial na Inglaterra, ensejaram sérias consequências para as guildas, chegando à decadência ou mesmo à extinção.

Como medida de sobrevivência, o sistema maçônico daqueles tempos passou a recrutar membros da intelectualidade, nobreza e de posses econômicas, sem que antes tivessem integrado o artesanato, ou seja, a maçonaria primitiva.

Consolidou-se, assim, no Século XVIII (1717-1724), a Franco-Maçonaria composta por cérebros que não faziam parte da Instituição do Artesanato, porém eram dotados de requisitos morais, intelectuais e econômicos, sendo aceitos pelos IIr. operativos que simbolizavam o passado maçônico.

Esses IIr. foram chamados de “aceitos”, que mais tarde o REAA acolheu essa nomenclatura.

Estabeleceu-se, entretanto, que seria a mesma maçonaria, apenas com departamentos próprios, mas com a mesma substância, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.

Estava, pois, implantado o departamento especulativo ao lado do outro operativo. Mas a unidade da Ordem foi preservada em todos os sentidos.

Pois bem, com o ingresso desses IIr. “aceitos”, oriundos em grande parte do Iluminismo, a influência era mesmo de se esperar na Instituição, especialmente no âmbito especulativo, geomântico ou ainda teórico.

Não demorou muito e nasceram os Altos Graus, de 4 a 33 no REAA, sendo que para alguns especialistas o Grau 3 (Mestre-Maçonaria Azul ) foi criado em 1725, pouco depois da Constituição do Bispo  Anglicano James Anderson de 17 de janeiro de 1723.

Os Landmarks, por sua vez, foram estudados, classificados e ordenados por diversos estudiosos maçônicos, até que em meados do Século XIX, Albert Galletin Mackey – 1807-1881-, compilou-os, formando uma Super-Constituição Maçônica Universal, no nosso modesto entendimento.

É, sem dúvida, a codificação mais aceita pelas diversas Obediências com os 25 princípios imutáveis e inalteráveis.

A influência do Iluminismo na Maçonaria é evidente, principalmente, quando examinamos os artigos 6′ ao 8′, que versam sobre as prerrogativas  do Grão-Mestrado.

Trata-se de matéria atinente a Administração da Entidade que, em caso excepcional, pode o Grão-Mestrado autorizar a proposta e recepção do candidato ali mencionado.

Essa prerrogativa emana da experiência dos políticos de Iluminismo que ingressaram na Ordem, objetivando, em tempos conturbados, que a direção tenha instrumentos eficazes para debelar, ou pelo menos, minimizar as dificuldades momentâneas.

A faculdade de representação (art. 12) é outro avanço da época iluminista, conferindo ao obreiro esse direito quando necessitar de auxílio técnico ou para outros fins de seu interesse.

O direito recursal (art. 13) foi inspirado no modelo profano e visa eventual correção da decisão impugnada a ser reexaminada pelo órgão superior.

Em última análise, é resquício da doutrina contra o despotismo de que tratamos no início desta dissertação e a igualdade de todos os maçons no interior da Loja (art.22) origina-se do sentimento democrático, defendido pelo movimento iluminista de combater a descriminação.

O princípio da Separação dos Poderes na Instituição Maçônica é cópia do modelo de Montesquieu, renomado iluminista. – “Esprit des Lois”. Criou esse sistema de Poderes do Estado, em Legislativo, Executivo e Judiciário – arts. 35, 70 e 97 – da Constituição do Grande Oriente do Brasil, dentre outros diplomas das várias Potências, cada  um com atribuições previstas em lei.

Mas de todas as influências iluministas na Ordem Maçônica, a que mais se destaca é seu Departamento Especulativo.

Introduziu-se o estudo profundo filosófico, simbólico, esotérico, metafísico, espiritual e histórico, além de outros ramos do conhecimento humano.

A maçonaria tradicional ou clássica ficou limitada ao simbolismo básico e o início de alegoria da lenda de Hiran Abiff.

Esses são apenas alguns enfoques iluministas adotados pela Instituição.

O certo é que o Iluminismo trouxe grande contribuição para o progresso maçônico, intelectual, espiritual e material.

É o que se conclui do exame do tema em foco!

 

O LUXO NA VISÃO MAÇÔNICA

José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. – 33”

ARLS FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614  – GOSP –GOB

 

A palavra “Luxo” emana do latim ( luxus, us – s.m.) e exprime a ideia de suntuosidade, magnificência e tudo que impressiona como demonstração de riqueza material.

O luxo está vinculado a algo que nos seduz e poucos têm a força de resistir aos seus encantos, pois provoca um sentimento de beleza no cenário onde se encontra instalado, porque também nos conduz à contemplação da Arte.

Esse exame do Belo que encerra geralmente o Luxo, nem sempre é bem visto pelos desafortunados eis que provoca um sentimento de desequilíbrio de riquezas entre o ostentador luxuoso e aquele que não tem condições de cultivá-lo pela falta de recursos materiais para nivelar-se.

Daí a maneira ou forma de vivência luxuosa trazer algumas ou mesmo muitas vezes  a inveja e recalque, e, como consequência, conflitos sociais deflagrados, cujos desfechos nem sempre são satisfatórios.

A História está repleta de contos luxuosos e até nossa Sublime Ordem também o adota em sua vida administrativa com prédios ou palácios suntuosos e outros objetos dos mais valiosos que os adornam.

Evidencia-se a importância dessa ostentação como expressão artística e até mesmo de Poder. Aliás, o Poder Terreno sempre esteve ligado ao luxo, separando seu detentor perpétuo ou temporário das camadas sociais que lhes são submissas.

Na verdade, grande parte da sociedade admira o fausto e outra se mostra indiferente mas a maioria gostaria de usufruí-lo, embora possa não demonstrar.

Todavia, a vida luxuosa  contém uma grande parcela de utilidade. Além de representar às Belas Artes como estímulo para os olhos eruditos e também para a audição musical, como quadros de Rafael, Rembrandt, Da Vince, Michelangelo,Van Gogh, Portinari e tantos outros, propiciam igualmente os sonhos e poesias das musicas de Franz Schubert,  Wagner, Claude Debussi e Chopin. Monumentos de Michelangelo e do próprio Leonardo Da Vince e outros renomados clássicos sempre encantaram os sentimentos artísticos dos amantes do Belo.

Registra um dos ensinamentos maçônicos que o luxo significa pompa, viço, esplendor sendo a expressão daquele sentimento que nos faz  amar o Belo; é também a perfeição da higiene que torna o corpo digno da alma que o rege. Ao invés de corromper os costumes, se praticado com dignidade, o luxo pode até recuperá-los, pois serve muitas vezes de contrapeso a avareza, impulsionando o progresso e amor a vida física e espiritual.

O luxo é, pois, uma forma  marcada pelo apreço a beleza com o propósito de despertar um grande sentimento de satisfação pessoal.

É como vejo a aceitação do luxo na Maçonaria, smj.’.

 

 

 

 

 

PRINCÍPIO EVOLUCIONISTA MAÇÔNICO

José Geraldo de Lucena Soares

ARLS Fraternidade Judiciária 3614 – Gosp – Gob

 

O evolucionismo é o quinto e último princípio estabelecido no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 17 de março de 2007 e os quatro anteriores, juntamente com os conceitos e espécies de princípios e postulados da Sublime Ordem, foram objetos de breves comentários publicados neste blog.

Na verdade, podemos entender por evolução todo procedimento que desenvolva, aperfeiçoe e aumente o conhecimento objetivando uma utilidade para a causa a que se destina.

Na Insitutição Maçônica esse evolucionismo dirige-se a todos os ramos do conhecimento humano, mas tem uma conotação especial que é a finalidade de engrandecer o Ser Humano no cultivo de virtudes para purificá-lo e aproximá-lo do G.’. A.’. D.’. U.’.

A História registra que desde seus primórdios a Fraternidade Maçônica sempre procurou evoluir através dos tempos e na época medieval a técnica das construções cada vez mais se aperfeiçoava em razão de estudos que buscavam melhoria na mão de obra artesanal.

Toda essa evolução tinha como estímulo as guildas que ministravam para cada ramo da especialidade novas medidas ou métodos para seu desenvolvimento.

Materiais não raras vezes eram substituídos por outros mais resistentes ou mesmo mais vantajosos, ensejando um benefício para a obra em construção evidenciando uma evolução que sempre foi perseguido pela Ordem.

E foi nesse cenário que o pensamento evolutivo da Maçonaria cresceu fazendo com que se estendesse também no âmbito espiritual proclamando a prevalência do espírito sobre a matéria, exortando o aperfeiçoamento moral, intelectual e social, “por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade;” (art.1. Parágrafo Único. I e II da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 2007). Outras recomendações inseridas em textos infraconstitucionais também abrilhantam o panorama fraterno, espiritual e nobre da Ordem.

Por outro lado, os usos e costumes adotados durante os séculos pela maçonaria sempre foram marcados pelo avanço de melhorias em todos os níveis que podemos considerá-los como manifestações evolucionistas. Os Landmarks que são compilações dessas regras de conduta ainda não escritas trouxeram a sedimentação dos valores maçônicos e foram mais um marco desse desenvolvimento e aperfeiçoamento da Ordem. Ampliou-se também a doutrina que era apenas Operativa com a implantação da Maçonaria Especulativa mantendo-se, entretanto, a mesma unidade tanto formal como material.

Assim é que o art. 24. do Código Landmarks de Mackey dispõe textualmente da Maçonaria Especulativa como representação do evolucionismo de que estamos a tratar.

“A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark. A preservação da lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.”, reza o referido art.24 do Código Landmarks de Mackey.

Realmente, a criação desse departamento intelectual ou especulativo da Fraternidade conferiu-lhe uma nova dinâmica propiciando oportunidade para estudos aprofundados de filosofia, especialmente hermética, história diversificada, misticismo, esoterismo, teologia, conhecimento de livros tidos como sagrados de outras culturas, idiomas e muitos outros ramos de sabedoria.

Sobre a Maçonaria Especulativa foi dito que o preceito citado (art.24 do C.L.M.) “estabelece a Maçonaria Especulativa ou Intelectual, mantendo, como não poderia deixar de fazê-lo, a Maçonaria Operativa ou Primitiva, também conhecida como Azul. Não se trata de duas maçonarias, mas de uma só, com atribuições autônomas, mas com a mesma essência e cultivo das mesmas virtudes: aperfeiçoar o Ser Humano para aproximá-lo do Grande Arquiteto do Universo.” (Código Landmarks de Mackey- Anotado-2009 – págs. 70/71 – José Geraldo de Lucena Soares).

Igualmente, o Iluminismo do começo do Século XVII que se estendeu por toda Europa fez com sua influência evoluir o mundo maçônico recrutando inúmeros pensadores e cientistas que ainda hoje a cultura ocidental adota seus ensinamentos. “Filósofos, políticos e cientistas integravam esse cenário, surgindo daí, várias correntes ou vertentes dessa política social que se instalou, em última análise, em nome da liberdade de pensar, com o propósito de progresso cultural e de espírito. Aliás, esses ideais de avanço cultural já haviam sendo desenvolvidos desde a Renascença que mais tarde também contribuiu para deflagrar a Revolução Francesa de 1789.” (obra e autor já citados).

Figuras da alta intelectualidade da época passaram a ditar novas doutrinas e podemos citar René Descartes, Galileu Galilei, Francis Bacon, Thomas Hobbes, Baruch Spinoza, John Locke, Isaac Newton, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Kant, Adam Smith e tantos outros gênios da sabedoria. Estes mestres inovaram o pensamento da época nos diversos ramos do conhecimento e a Maçonaria Especulativa muito evoluiu no âmbito intelectual e também de espiritualidade.

De todo o exposto podemos afirmar que a evolução a que se refere o dispositivo constitucional ora em comento é da própria essência de qualquer empreendimento baseado na moral, ética, legalidade, honradez e outros elementos que possam elevar o Homem para o encontro da paz e felicidade com o auxílio do G.’.A.’.D.’.U.’.

E a Instituição Maçônica Universal e Milenar sempre adotou essas virtudes e muitas outras para purificação de seus membros e da humanidade.

Voltaremos oportunamente a dissertar sobre os Fins Supremos destes princípios, iniciático, filosófico, filantrópico, progressista e evolucionista: Liberdade, Igualdade e Fraternidade – art.1. caput, Constituição do Grande Oriente do Brasil de 2007.

PRINCÍPIO FILANTRÓPICO NA MAÇONARIA

 

José Geraldo de Lucena Soares

ARLS “Fraternidade Judiciária” – 3614 – GOSP – GOB

Kadosh 2 – SP.

 

A Filantropia é o terceiro princípio previsto no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil conforme assinalamos em trabalho anterior (Princípio Filosófico na Maçonaria) e publicado neste veículo de divulgação.

Sendo a Sublime Ordem caracterizada pelo amor ao próximo, dentre outros elementos de bondade, não poderia mesmo deixar de cultivar essa virtude que integra a essência de toda sua doutrina.

Por filantropia podemos entender o sentimento de amor à humanidade sem nenhuma discriminação ou interesse de recompensa pelo bem que possa ser oferecido ao destinatário considerado merecedor para atender suas necessidades naquele momento ou ainda de caráter temporário. Faz-se necessário que o benefício seja espontâneo e que seja inspirado na caridade sem o propósito de deixar o beneficiário exposto ao desconforto de humilhação ou mesmo qualquer outro constrangimento, mas em situação que possa superar as dificuldades vividas e prosseguir no futuro sua caminhada independente. Aliás, a própria etimologia encerra esse pensamento quando a palavra emana do latim (philanthropia, ae), significando amizade, profundo amor ao próximo, generosidade para com o semelhante, caridade, desprendimento, beneficência.

A História registra que já as guildas medievais costumavam exigir de seus membros uma parte de seus ganhos para auxiliar os necessitados da comunidade, em especial aos da mesma profissão, pedreiros, pintores, cortadores de pedra, lapidadores, encanadores, etc., evidenciando que sempre a filantropia foi exercida pela Ordem desde seus primórdios independentemente de acentuadas preferências desde que os beneficiados sejam realmente merecedores. E a avaliação deste merecimento é medida de conformidade com os critérios de moralidade, ética, honradez, seriedade, legalidade, crença no GADU e vida eterna, além de outros parâmetros adotados pela doutrina maçônica.

Igualmente, a Maçonaria Especulativa consolidada pelo Bispo anglicano James Anderson e responsável pela Constituição Maçônica de 1723, realçou esse princípio, especialmente na fase do Iluminismo quando personagens de expressão intelectual e econômica passaram a integrá-la.

Inúmeros restauros de monumentos da Europa  foram custeados pela Fraternidade e auxílios a nosocômios dos mais variados beneficiaram-se com essa dádiva. Entidades que abrigavam crianças, idosos e desafortunados também viram-se contemplados.

Na verdade, toda filantropia origina-se do Amor e Caridade lembrando que todas estas virtudes nos conduzem a Fé e também a Esperança, formando o trio – Fé, Esperança e Caridade, importante alicerce espiritual da Ordem.

Sobre o assunto Raul Silva (Maçonaria Simbólica – Ed. Pensamento – págs. 50 e seguintes) lembra a Escada de Jacó contendo três lances que simbolizam a Fé, Esperança e Caridade. E prossegue: “A Fé é o traço de união que liga a criação ao Criador; portanto, a base da eterna Justiça, o laço de amizade e principal sustentáculo da sociedade humana. Vivemos e agimos alimentados pelo sentimento da confiança que uns aos outros inspiramos, que também nos proporciona esperança, alenta-nos a alma com a convicção que nos dá da existência de um Ser Supremo. A Fé justifica nossos atos de amor pelas coisas incriadas; é como que a evidência psíquica das coisas que escapam aos nossos sentidos físicos…. É pela Fé, tal nos mostra a Maçonaria, que alcançamos as mansões supremas onde nos integralizaremos com o Supremo Arquiteto do Universo… a Esperança é a âncora da alma humana: imóvel e poderosa, firme e consoladora.Tenhamos, pois confiança absoluta no Grande Arquiteto,esforçando-nos por nos manter dentro dos limites de suas sacratíssimas  promessas, e alcançaremos nosso alvo.” Por sua vez , continua o autor citado, “A Caridade é uma das mais brilhantes jóias com que, mui justamente, se adorna a Sublime Ordem Maçônica. É a pedra de toque e a mais segura prova de sinceridade entre os maçons. A benevolência , acompanhada pela Caridade, honra a Ordem Maçônica, no seio da qual esta soberana Virtude floresce constantemente, por ser um dos escopos que mais  preocupa e com maior esmero cumprem os verdadeiros maçons.”

Estes são alguns enfoques do tema filantrópico que a Ordem adota em toda sua plenitude juntamente como tantos outros baseados no amor a todos os seres viventes da Terra na esperança de que se aproximem da Divindade.

O princípio seguinte é o progressista e poderá ser objeto de outras observações oportunamente.

 

 

 

 

PRINCÍPIO PROGRESSISTA MAÇÔNICO

 

José Geraldo de Lucena Soares

ARLS Fraternidade Judiciária 3614 – GOSP – GOB

 

Dando sequência as considerações sobre os princípios maçônicos previstos no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 2007, passemos nesta oportunidade a examinar rapidamente o Progresso na Sublime Ordem, penúltimo de um total de cinco.

Os comentários dos outros três e temas correlatos já foram publicados em números anteriores (de 6 a 13) desta conceituada revista.

E de logo podemos afirmar que progresso é todo avanço que produz benefícios materiais ou espirituais, através de condutas de pessoas físicas ou coletivas para satisfação de necessidades.

O progresso material se faz necessário em todo empreendimento para o sustento da atividade desenvolvida, gerando riquezas que é própria da finalidade a que se propõe.

Quando se instala uma empresa econômica o propósito é que produza no final o lucro desejado, pois se isso não ocorrer estará fadada ao malogro, implicando em prejuízo para todos os envolvidos, inclusive para o Erário que deixa de arrecadar tributos.

Esta pretensão de lucratividade é lícita e moral por ser o resultado da junção do Capital e Trabalho, criando riquezas na sociedade que pode também ser prestação de serviços a quem dela necessitar.

É a dinâmica, em linhas gerais, do mundo econômico e até mesmo entidades filantrópicas ou religiosas, embora não visem lucro, direcionam seus esforços para o progresso material objetivando obter recursos para cumprimento de suas obrigações sociais, mantendo a credibilidade que é um elemento importante no seio da comunidade. E essa credibilidade conduz a uma boa reputação com segurança para quem com elas se relacionar.

Esse anseio salutar de progresso material é importante na vida social e sem ele a vida ficaria vazia e o Ser Humano estático, perdendo a razão de ser.

A Maçonaria Milenar e Universal, como qualquer outra Ordem também adota o progresso material moral, lícito, ético e necessário para sua sobrevivência neste mundo físico.

Mas ao lado dessa materialidade a nossa Ordem cultiva em maior dimensão o progresso espiritual que é sua maior preocupação e finalidade, começando pela desbastação da Pedra Bruta até onde o obreiro consiga chegar para aproximar-se do G.’.A.’.D.’.U.’.

A fase simbólica básica encerra toda doutrina maçônica, sempre marcada pela espiritualidade e desenvolvida com profundidade na Maçonaria Especulativa ou Intelectual, estabelecida no artigo vigésimo quarto do “Código Landmarks de Mackey” que assim dispõe: “A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark. A preservação da Lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.”

Na verdade, no primeiro grau o espírito está na aprendizagem, eliminando as impurezas e buscando as virtudes, aprendendo que a Ordem ensina a prevalência dessa espiritualidade sobre as coisas materiais, pugnando pelo aperfeiçoamento da moralidade, da intelectualidade, para o Bem da Humanidade.

Somente através do cumprimento do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação da verdade é que se alcança um estágio elevado para se relacionar com a Divindade. Começa aprender o iniciado a construir em seu coração um Templo de Virtudes que se estende por toda sua existência maçônica.

Neste grau primeiro o sistema maçônico impõe que se exonere de explorar seu semelhante e se omita dos privilégios e de regalias; enalteça o mérito da inteligência e cultive o civismo.

Todos esses ensinamentos são princípios espirituais consagrados já no aprendizado da nossa Ordem com a exortação de progresso para o maçom.

No companheirismo exalta-se o Trabalho, transformando-se a Pedra Bruta em Pedra Cúbica evidenciando um progresso espiritual que se atinge em maior escala com o Mestrado onde o Espírito se sobrepõe totalmente sobre a Matéria.

O convite ao progresso está sempre presente em todas as etapas da vida maçônica, portanto.

Vê-se, assim, que o progresso no Estágio Azul é predominantemente espiritual sendo estudado mais profundamente nos Altos Graus.

Observe-se que toda essa doutrina emana de Landmarks (artigos décimo nono e vigésimo do Código Landmarks de Mackey) que rezam: “A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos importantes Landmarks da Ordem… A negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação” e “Subsidiariamente a essa crença é exigida a crença em uma vida futura.”

Sobre o assunto supra comentei em monografia, que “A crença no Ser Supremo do Universo, seja o nome que se queira dar, e vida eterna depois da morte do corpo físico, são condições essenciais para a iniciação, além de outros requisitos sociais de honradez, bons costumes, cultivo da moralidade, ética e amor ao próximo. Qualquer rito que não exija esses requisitos essenciais do candidato não é rito considerado maçônico, fazendo-se necessário que o candidato declare solene e expressamente que realmente acredita no exigido por este Landmark. Aliás, a expressão “Grande Arquiteto do Universo” tem sua fonte na própria Bíblia: Hebreus (Novo Testamento), 11 e 10: “Porque esperava a cidade que tem fundamento, da qual o artífice e construtor é Deus.” (Código Landmarks de Mackey – Anotado – págs. 64/65 – 2009 – José Geraldo de Lucena Soares)

De todo o exposto fácil é de se compreender que esse progresso no seio maçônico é mais do espírito que de matéria, sendo a interpretação correta, eis que visa à aproximação de todos os seres viventes com a Divindade, sem nenhuma preocupação de religiosidade, embora estimule sua adoção, desde que sejam observados os princípios e postulados estabelecidos nos Landmarks e legislações ordinárias.

O último princípio a ser apreciado é o evolucionista e poderá ser também objeto de algumas anotações no futuro.

PRINCÍPIO FILOSÓFICO NA MAÇONARIA

 

José Geraldo de Lucena Soares

 

ARLS “FRATERNIDADE JUDICIÁRIA” – 3614 – GOSP – GOB

KADOCSH 2 – SP

 

 

A Instituição Maçônica desde sua fase de nascimento passou a cultivar a Filosofia, pois sem essa medida não poderia mesmo, com o passar dos tempos, progredir,

especialmente no início do Século XVIII quando se instalou o Departamento Especulativo, época da Franco-Maçonaria.

Naquela fase todos os ramos do conhecimento humano tiveram grande expansão e a Filosofia dos clássicos gregos (Sócrates, Platão e Aristóteles ) serviu de modelo principal para  o rumo intelectual  não só da Fraternidade, mas consolidar todo acervo cultural que já vinha se desenvolvendo desde a Antiguidade.

Sócrates marcou sua doutrina com o “Conhece-te a ti mesmo” para que gere sua felicidade com correção de suas falhas e harmonia na comunidade. Com esse autoconhecimento o Ser Humano irá refletir e será capaz de chegar ao ideal divino.  Platão com o estudo das Idéias servindo para construção de uma sociedade justa e pacífica e Aristóteles com a criação da Lógica, cujos fundamentos ainda hoje são incontroversos.

Mas outros Sistemas Filosóficos também foram recepcionados pela Fraternidade Maçônica.

O ceticismo que elege a dúvida como resultado na investigação da verdade; o cinismo, criado por Antístenes, apregoando que os valores da vida deveriam amoldar-se à natureza e não somente as regras da sociedade; o estoicismo, proclamava uma blindagem no homem para torná-lo forte a suportar e revolver  as dificuldades vividas com firmeza e pureza de caráter; o epicurismo, buscando o prazer pelo exercício da virtude e a escolástica, pensamento cristão medieval que enaltecia a Razão em consonância com a Fé.

Na Era Moderna adotou-se também o racionalismo que realça o pensamento na razão e a lógica aristotélica como instrumentos para cognição e descoberta da verdade. Só com estes elementos a inteligência humana é capaz de produzir um resultado correto da realidade. O empirismo doutrinando que todo conhecimento emana da experiência que se adquire com a vivência ao longo do tempo, surgindo daí o subjetivismo; o iluminismo do Século XVIII caracterizado pela concentração científica e da racionalidade com rejeição dos modelos políticos e religiosos daquela época; o liberalismo, preconizando a defesa da liberdade individual sobre questões econômicas, políticas, religiosas e intelectuais da intromissão indevida do poder público; o positivismo de Augusto Comte (Século XIX) que entende a predominância das ciências experimentais na investigação da verdade, como modelo, afastados conceitos ou versões metafísicas e teológicas dos temas estudados; Bentham e Stuart Mill (Século XIX) desenvolveram a teoria do utilitarismo, segunda a qual, as boas ações e regras de conduta conduziam a um prazer de utilidade para o seu próprio autor e, por via de regra, para toda comunidade e o pragmatismo, doutrinado por Charles Sanders Peirce (1839-1914), que somente a aplicação de conceitos e princípios na vida real levaria ao êxito do empreendimento, pois seria a prova concreta dessas idéias de conceitos e princípios postas em prática.

Outros ramos da filosofia são também aceitos, em maior ou menor extensão, dependendo da matéria em debate e a preferência do obreiro.

Entretanto, o maior destaque estudado na Ordem é a Filosofia Hermética (O Caibalion) atribuida a Hermes Trimegistro, o “Três Vezes Grande”.

Segundo essa teoria, “o Hermetismo acabou derivando da alquimia, que buscava transmutar chumbo em ouro. No entanto, o sentido do hermetismo é mais profundo. Trata-se de transformar tudo o que é grosseiro em algo sutil. Assim, seu significado maior é transformar não os metais, mas os homens… O primeiro princípio hermético descrito no “O Cabalion” é o do mentalismo: “tudo é mente”. De acordo com esse princípio, todo o mundo fenomenal é simplesmente uma criação mental do Todo “- (por Cláudio Blanc – Revista “Vida & Religião” – Ano 1 – Número 1 – Ed.On Line – págs. 29/31).

Ainda seguindo a explanação desse especialista Cláudio Blanc, a Filosofia Hermética reuniu sete fundamentos ou princípios sendo o primeiro o já enunciado “Mentalismo” e o segundo o da Correspondência, consistente na linguagem de alquimia – “o que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima.”, significando que tudo se origina da mesma fonte que em última análise, no meu entender, é a própria Natureza, podendo ser interpretado como o G.’. A.’. D.’. U.’.

O terceiro fundamento da Filosofia Hermética é o da Movimentação exprimindo a idéia que tudo está em movimento ou vibração; nada se encontra inerte ou parado. Tudo que imaginamos abrangendo o corpo físico e o espírito é o resultado de vibrações ou movimentos diferenciados; o quarto princípio refere-se à duplicidade das coisas com pólos distintos e opostos. Os opostos se diferenciam apenas em escalas ou graus e os extremos se tocam. Este quarto princípio tomou o nome de Polaridade. O quinto fundamento é o do Ritmo: tudo o que sobe, desce; tudo o que entra sai; o ritmo é o elemento de compensação para justificar essas movimentações.

A Causa e Efeito marcam o sexto princípio hermético. Nada acontece por acaso e no mundo espiritual existe a máxima de que “colhe-se o que se planta”. Se a plantação é de Bondade, a colheita é, obviamente, de Bondade. Se o plantio é de Maldade, colher-se-á Maldade.

Finalmente, o sétimo fundamento refere-se ao Gênero.

“Ele atesta que o gênero não é característica apenas do plano físico, mas se manifesta também nos planos mental e espiritual. “Todas as coisas machos têm também o elemento feminino; todas as coisas fêmeas têm o elemento masculino”, afirma O CABALION. “Somados aprofundados os princípios herméticos permitiram ao estudante de ocultismo transmutar a mente: a razão da nossa evolução”. (autor e obra já citadas).

Este modesto trabalho é o terceiro de uma pretendida série sobre o primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 17 de março de 2007, E.‘. V.’., mas com vigência a partir de 25 de junho de 2007,E.’.V.’., conforme Decreto número 0879 de 25 de junho de 2007,E.’.V.’. emitido  pelo Grão-Mestrado Geral do Brasil – Brasília – DF.

O princípio seguinte é o da Filantropia e poderá ser objeto de outras considerações.

Princípios e Postulados Maçônicos

 

José Geraldo de Lucena Soares

 

ARLS Fraternidade Judiciária – 3614- Gosp – Gob

 

Kadosch 2 – SP.

 

 

A Maçonaria como qualquer Instituição possui seus princípios e postulados que servem para seu governo e sobrevivência ao longo dos séculos.

Sem essas medidas iniciais não teria nenhuma chance de atravessar os tempos desde sua criação até nossos dias com seus ensinamentos puros de moralidade, ética, crença no GADU, vida eterna, filosóficos, esotéricos, simbólicos, alegóricos, amor ao próximo e tantos outros sentimentos nobres que devem ser cultivados pelos seres humanos, especialmente os iniciados na Ordem.

Todo esse acervo de virtudes e conhecimentos consubstancia a doutrina maçônica que com o passar da vida o maçom deve aprender e executá-lo, na esperança de ser um bom obreiro honrando a si mesmo e homenageando a Fraternidade da qual é um membro.

Assim, podemos afirmar que princípio é o ponto inicial que algo tem sua origem ou o instante em que uma ação ou omissão desencadeia um processo de conhecimento objetivando um resultado.

Na Sublime Ordem esses princípios são iniciático, filosófico, filantrópico, progressista e evolucionista, cuja finalidade suprema nos conduz a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, reminiscência da Revolução Francesa que, por sua vez, inspirou-se no Iluminismo do Século XVII.

Além desses princípios e objetivos, a Ordem preconiza quatorze cultivos para auxiliar sua caminhada no âmbito social que são: prevalência do espírito sobre a matéria; pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade; proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um; declara a plena liberdade de expressão do pensamento, como direito fundamental do ser humano, observada correlata responsabilidade; reconhece o trabalho como dever social e direito inalienável; considera Irmão todos os Maçons, quaisquer que sejam suas raças, nacionalidades, convicções ou crenças; afirma que os Maçons têm os seguintes deveres essenciais: amor à família, fidelidade e devotamento à Pátria  e obediência à lei; determina que os maçons estendam e liberalizem os laços fraternais que os unem a todos os homens esparsos pela superfície da terra; recomenda a divulgação de sua doutrina pelo exemplo e pela palavra  e combate, terminantemente, o recurso à força e à violência para a consecução de quaisquer objetivos; adota sinais e emblemas de elevada significação simbólica; defende que nenhum Maçom seja obrigado  a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei; condena a exploração do homem, os privilégios e as regalias, enaltecendo, porém, o mérito da inteligência e da virtude, bem como o valor demonstrado na prestação de serviços à Ordem, à Pátria e à Humanidade; declara que o sectarismo político, religioso e racial são incompatíveis  com a universalidade do espírito maçônico e, por fim, combate a ignorância, a superstição e a tirania.

Estes são, portanto, os princípios, fins e cultivos ou recomendações sociais que o sistema maçônico enumera para cumprimento de sua comunidade.

Por outro lado, os postulados são afirmações consideradas verdadeiras e que não precisam ser comprovadas face às evidências.

Esses postulados a seguir enumerados são os adotados pela Maçonaria Universal e, assim, temos a existência de um Ser que não teve começo e não terá fim, que é o Grande Arquiteto do Universo; o sigilo que é da essência da entidade maçônica em se tratando de matéria esotérica; o simbolismo que é uma comunicação de uma geração para outra; a Maçonaria Azul dividida em três graus, também conhecida como Simbólica ou ainda Operativa; a Lenda do Terceiro Grau e sua incorporação aos Rituais; exclusividade de iniciação masculina; proibição de discussão ou controvérsia sobre matéria político-partidária, religiosa e racial, dentro dos templos ou fora deles, em seu nome; manutenção das Três Grandes Luzes da Maçonaria: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, sempre à vista, em todas as sessões das Lojas e o uso de avental durante as sessões.

Esses princípios, fins, cultivos sociais e postulados estão previstos nos artigos primeiro e segundo da Constituição do Grande Oriente do Brasil promulgada em 25 de junho de 2007.

Observe-se ainda que esta Carta Magna Maçônica vige somente no âmbito da Maçonaria Operativa Brasileira e se amolda expressa e implicitamente ao “Código Landmarks de Mackey.”

O Decreto número 0879 da mesma data da promulgação (25/6/2007, E.V.) editado pelo Grão-Mestrado Geral do Grande Oriente do Brasil reza na parte que ora interessa a esta exposição a comunicação “a todos Grandes Orientes Estaduais, Delegacias, Lojas e Maçons da Jurisdição, para que cumpram e façam cumprir, que a Assembléia Federal Constituinte adotou e promulgou a Nova Constituição do Grande Oriente do Brasil, pela qual passará a reger-se a Maçonaria Simbólica Brasileira, com validade a partir de 25 de junho de 2007 da E. V., ficando o Grande Secretário Geral de Administração incumbido da notificação.”

Estes preceitos constituem todo alicerce da Instituição Maçônica Universal inspirados nos Landmarks compilados por Albert Galletin Mackey em 1856.

Oportunamente poderemos tecer algumas considerações sobre essas regras maçônicas.

 

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14 Responses to Jose Geraldo de Lucena Soares

  1. Ilustre irmão Jose Geraldo de Lucena Soares

    Parabéns, pela sua iniciativa em publicar os seus trabalhos.

    Um tríplice fraternal abraço,
    Ir.’. Fernando Colacioppo (Coordenador da Rede Colmeia)
    Secretário Geral de Comunicação e Informática Adj. do Grande Oriente do Brasil.

  2. GOSTEI CARO LUCENA MEU AMIGO DE LONGA DATA-
    NO MEU VER – A HIERARQUIA NA NOSSA ORDEM É IMPORTANTE DESDE QUE DIRIGIDA COM RESPONSABILIDADE SOB O PERIGO DA INCONTINÊNCIA DE CONDUTA. TEMOS QUE DEIXAR DE DAR OUVIDOS DE OUTRAS ORDENS QUE MUITO TEM DEIXADO O REAA DE SOBREAVISO – ESTAMOS PERDENDO COM ISSO – DEVEMOS PERPETUAR NOSSA MAÇONARIA BRASILEIRA E DEIXAR DE PREOCUPARMOS OU ATENDER COISAS VÃNS DE OUTRAS POTÊNCIAS INTERNACIONAIS – SOMENTE NO BRASIL TEMOS OS TRÊS PODERES E JAMSI TEMOS QUE NOS SUJEITARMOS A OUTROS QUE ESTÃO NOS COLOCANDO DE ESCANTEIOS. ABRAÇOS SUCESSO IRMÃO LUCENA – GRANDE JUIZ QUE CONHECI. CINELLI-SP

  3. walter de oliveira lima teixeira disse:

    O Irmão CInelli tem razão. Temos que valorizar nosso REAA. Saber praticar aquilo que os graus filosóficos nos ensinaram, em todos os momentos de nossa vida. Não basta andar de preto, gravata preta e camisa branca, para se dizer maçom. É necessário ter postura ética em todos os momentos da vida. Abraços e continue a escrever sobre nossa ORDEM. Divulgar seus trabalhos e dividir CULTURA. Quiça os leitores aprendam e pratiquem o que aprenderam. Walter de Oliveira Lima Teixeira – MI 33º – ARLS OS INCONFIDENTES 2.788

  4. Q.´.Ir.´.
    Lucena
    Quero parabeniza-lo por mais esta obra prima do Irmão.
    TFA do Ir.´.
    ERALDO FERRAZ 33 MI São Paulo
    ARLS ARTES LIBERAIS 3781 e ARLS ESTRELA HEPTALFA 3431

  5. calgp disse:

    Parabéns Ir.’. Lucena pela iniciativa, sabemos que é um trabalho laborioso e que o Ir.’. dedica muito do seu tempo em prol da Ordem.

    Continue enriquecendo as nossas colunas.

    Carlos Luca
    ARLS Acácia de Perus 3758

  6. Rede Colmeia disse:

    A POSIÇÃO DO SANTO ARCO REAL NA CONSTITUIÇÃO DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL DE 17 MARÇO DE 2007, E.’.V.’.
    JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES, MI.’. ,33’
    ARLS FRATERNIDADE JUDICIÁRIA,3614 – GOB – GOSP
    Examinando-se o Santo Arco Real na Ordem Constitucional do GOB em relação ao art. segundo da compilação dos Landmarks de Albert Galletin Mackey (1856) , que expressamente estabelece a existência, além dos três graus básicos ( aprendiz, companheiro e mestre) o Santo Arco Real integrante do grupo, perfazendo, assim, quatro graus e não apenas três como prescreve o art. segundo, inciso IV da citada Constituição do GOB.
    Para facilitar a compreensão do aparente conflito de normas citaremos os disposi-tivos mencionados, considerando-se que também a própria Constituição do GOB de 17 de março de 2007,E.’.V.’. em seu artigo 4’, parágrafo único, ordena ainda que “ serão respeitados os LANDMARKS , os postulados universais e os princípios da Instituição Maçônica. “, não mencionando quais seriam esses Landmarks, deixando um vazio para interpretação, eis que não se pode distinguir aonde o legislador não distinguiu, especialmente quando se trata de norma constitucional.
    E não sendo especificado os princípios consagrados nos Landmarks, sabendo-se que são muitos e variam de conformidade com as doutrinas dos especialistas maçônicos como Mackey, Pike, Findel, Pound, Berthelon,etc., a conclusão é que todos esses Landmarks prevalecem, adotando-se uma hermenêutica sistemática, lembrando-se que em se tratando de interpretação de normais aparentemente conflitantes, usa-se o sistema de harmonia, pois o Direito é lógico e não se presta a incoerências, conciliando-se os preceitos para o encontro da mens legis que se acha oculta.
    Poderia uma norma jurídica maçônica regulamentar este dispositivo constitucional (art.4’, parágrafo único, Constituição Federal –GOB) de forma expressa para evitar o entendimento de aparente conflito de normas – art. segundo da compilação dos Landmarks de Mackey, art. segundo, inciso IV e art. 4’, parágrafo único, estes da Constituição do GOB de 17 de março de 2007.
    O art. segundo dos Landmarks compilados por Mackey, reza expressamente, em sua parte final, que “ Em 1813, a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Landmark decretando que a antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, INCLUINDO O SANTO ARCO REAL (sic). Apesar de reconhecimento por sua antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua a ser violado.”
    Em trabalho anterior, comentei esta regra maçônica de que foi adotado “ três graus na Maçonaria Simbólica, também conhecida como primitiva ou ainda azul, constituindo outro Landmark, com inclusão do Santo Arco Real. …Os Altos Graus pertencem ao Departamento Especulativo ou Intelectual e o Santo Arco Real é estudado em oficinas especiais integrantes da parte operativa. Acontece, porém, que em alguns ritos, o Santo Arco Real integra uma fase que se considera um próprio rito ou um capítulo com seu nome “ Arco Real .“ Vê-se, pois , que a posição do Santo Arco Real encontra-se clara neste Landmark, porém obscura nesses ritos em consonância com a cláusula em comento. Seja como for, o certo é que ele existe, quer como operativo, quer como pertencente à Maçonaria Especulativa ou ainda simplesmente um rito.
    Mas o certo é que a norma maior ( segundo artigo, Landmarks de Mackey) expressamente estabelece que em “ 1813 a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Landmark, decretando que a antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de aprendiz, companheiro e mestre, INCLUINDO O SANTO ARCO REAL (sic). Apesar de reconhecimento por sua antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua sendo violado.”
    Diante desta evidência, onde o próprio Landmark observa que ”ele continua sendo violado”, deve-se considerar o Santo Arco Real como um grau da Maçonaria Azul, de CARÁTER FACULTATIVO, mas básico como os demais, aprendiz, companheiro e mestre.”
    É como penso, smj.

  7. Rede Colmeia disse:

    A Reforma Religiosa e a Maçonaria

    JOSÉ GERALDO DE LUCENA SOARES, MI.’. 33’
    ARLS Fraternidade Judiciária, 3614 – GOB – GOSP

    As idéias superadas em sua grande maioria da Idade Média (476-1476), conhecida como a “Noite dos Dez Séculos” geraram a necessidade de grandes alterações na sociedade ocidental européia com o propósito de extinção de pensamentos absolutistas, erradicar a corrupção e fazer com que cada Ser Humano passasse a pensar com liberdade livrando-se dos grilhões que até então o aprisionava.
    Novos tempos começaram a surgir nos Séculos XIII e XIV em todas as áreas de atividade em especial a intelectual, moral e espiritual com personagens de grande prestígio da época iniciando um movimento lento e contínuo para modificar o pensamento que imperava cuja frutificação somente veio séculos após, XV e XVI.
    Na verdade, a Era Medieval se caracterizava pela obscuridade e a sociedade adotava o sistema feudal com métodos agrários primitivos que o progresso cada dia almejava extingui-los e nela instalar-se.
    O cristianismo romano representava quase tudo e a realeza teria de se submeter para sua sobrevivência governamental, oferecendo-lhe benefícios dos mais variados, inclusive tolerando o latifúndio do papado, sob pena de no caso de inconformismo ter grande dificuldade administrativa e principalmente financeira no reinado. Com o Papa Gregório I (590-604) aumentou essa hegemonia do Bispo de Roma embora seu pontificado tenha sido marcado pelo progresso e pureza da Igreja Católica juntamente com o de Leão I, seu antecessor na Antiguidade (440-461).
    Rodrigo de Borja que séculos mais tarde se tornou o Papa Alexandre VI (1492-1503) implantou um dos mais corrupto e sanguinário governo relatado pela História. Era pai de Lucrezia Borgia (1480-1519) e dentre muitas outras ilicitudes cometidas, a fez casar várias vezes por razões políticas apesar da indissolubilidade do matrimônio.Uma morte misteriosa de um dos seu genros nunca foi esclarecida.
    Os historiadores registram ainda que a Igreja Cristã Romana nesse período medieval, “tornou-se um misto de superstição, ambição política, especulação vazia, imoralidade chocante e prepotência absurda. O papado, as cruzadas, as relíquias, a Inquisição, a venda de indulgências e as práticas religiosas, de um modo geral, são apenas algumas referências de como uma instituição divina pôde se corromper, a ponto de abandonar a direção do padrão infalível das Sagradas Escrituras.”(Curso Interdenominacional de Teologia – Módulo IV – Instituto Cristão de Pesquisa- págs.35).
    Nesse período a supremacia do catolicismo de Roma era tão grande que sua doutrina apregoava que o poder espiritual era superior ao temporal e quem se atrevesse a desobedecê-la estaria sujeito ao castigo da excomunhão e se tal acontecesse o excomungado ficaria um marginal da vida civil e política.

    E com essas ameaças os papas elegiam e destituíam os imperadores tornando-os seus dependentes com pouca expressão política. Caso fossem excomungados seus seguidores ficariam libertos dos juramentos de obediência e fidelidade aumentando ainda mais a reprimenda eclesiástica.
    Por sua vez, a Inquisição mostrou-se marcada de sangue, crueldade e vergonha que até hoje é reprovada pelo mundo civilizado.
    Foi criada em 1231 no papado de Gregório IX e seu apogeu alcançou o final deste mesmo Século XIII espalhando terror por toda Europa, com destaque para a Espanha na pessoa do frade Torquemada (1420-1428),o perverso e responsável por torturas e mortes de mais de dez mil intelectuais da época.Só na Espanha cerca de trinta e dois mil cristãos não católicos foram exterminados, quase trezentos mil torturados e dois milhões banidos, segunda a obra já citada no curso desta exposição.
    Em 1252 o Papa Inocêncio IV que se chamava Sinibaldo de Fieschi e também ostentava o título de Conde de Lavagna, editou o documento “Ad exstirpanda” declarando que “os hereges devem ser esmagados como serpentes venenosas”.As autoridades civis que não cumprissem a ordem sofreriam excomunhão e isso desencadeou um morticínio tão grande que a História não conseguiu esquecer.
    Diante desse triste panorama que assolava a Era Medieval em todos os setores da sociedade, fatores político, econômico, intelectual, moral e o não menos importante espiritual, começaram a despertar na consciência popular que algo deveria ser feito para estancar aquele cenário de ilicitudes e vergonha para a Fé Cristã. “A corrupção atingira todos os escalões da hierarquia eclesiástica-prostituição, suborno, corrupção, assassinatos, cobranças de indulgências…Enfim,a conjuntura dos fatos mostrava o quanto a Igreja Católica estava em trevas.De todos os fatores que poderiam levar à Reforma protestante, nenhum deles foi mais significativo do que a moral.”(obra citada, págs.19)
    Mas todas essas mazelas causaram o descontentamento de poucos inicialmente que mais tarde tornaram-se muitos. E logo começou um movimento com o intuito de reformar a Igreja de Jesus Cristo com sede em Roma, pois era a prioridade por ser a instituição mais importante daqueles tempos.
    Esta fase inicial de reforma do cristianismo romano ficou conhecida como “Igreja Deformada” e logo surgiu a figura de John Tauler que muito inspirou o mais famoso personagem da reforma religiosa: Martinho Lutero (1483-1546) nascido em Eisleben-Alemanha em 10 de novembro de 1483.
    O Padre Martinho Lutero portador de alta cultura especialmente teológica e de grande porte moral contestou aquele comportamento corrupto do papado como era de esperar e em pouco tempo concederam-lhe a excomunhão, tornando-se um Catão da decência, honradez, intelectual e cultivador incondicional da Fé Cristã tirada da Bíblia.
    Outro reformista religioso foi João Calvino (1509-1564) nascido na cidade francesa de Nóyon em 10 de julho de 1509, além de outros muitos reformistas não menos importantes: Huldreich Zwíngglio (1484-1531) e ainda John Knox (1514-1572).
    E foi nesse triste cenário que se espalhou naqueles tempos por toda a Europa que a Maçonaria Primitiva com seus membros artesões nas construções dos grandes monumentos europeus estimulou silenciosa e continuamente o combate à corrupção desenfreada que imperava na administração da cristandade com exemplos de honradez, fraternidade, amor e abnegação ao trabalho.
    A Sublime Ordem como tinha como patrocinadores dessas construções, geralmente, ordens ligadas ao papado, demonstrava sua reprovação junto aos religiosos que eram responsáveis pelos empreendimentos, os quais embora temerosos pela repressão de Roma,apoiavam a reforma que se aproximava liderada pelo frei Martin Lutero.

    Deflagrada a Reforma Religiosa pouco tempo depois surgiu a Contra-Reforma e Carlos V, Imperador da Alemanha e Rei da Espanha e Nápoles minimizou a reforma protestante através do Concílio de Trento em etapas (1545-1563) fazendo com que o próprio papado se corrigisse de forma orgânica e oficial instaurando sua própria Reforma Católica.
    A eficácia trouxe desse conflito de interesses de valores econômicos, políticos, morais e espirituais, inequivocamente benefícios para toda comunidade européia e por via de conseqüência para todo mundo ocidental.
    A Reforma Religiosa como se percebe, somente projetou benefícios para o futuro e até hoje sentimos a evolução da ciência em todos seus departamentos e o avanço constante da tecnologia.
    O aparecimento do movimento iluminista na Europa Ocidental foi o resultado dessa alteração de mentalidade do povo que não mais pretendia ver-se preso no seu pensar exigindo dos governantes a liberdade que até então não existia ou era muito limitada.
    Escrevi em trabalho anterior sobre o Iluminismo emanado de certa forma da evolução intelectual e espiritual da reforma religiosa que se tratou do entendimento que o Ser Humano “poderia acreditar naquilo que sua inteligência explicasse independentemente de religiosidade ou mesmo fé.Teria liberdade de desacreditar naquilo que lhe foi imposto outrora, ou, simplesmente questioná-lo. A Razão seria a bússola de sua vida, substituindo toda crença religiosa para abrir caminho a uma Nova Era de intelectualidade, gerando progresso material e moral, em oposição aos mesquinhos tempos da Idade Média.Toda essa evolução filosófica, científica, artística, moral e religiosa, tomou o nome de Iluminismo, ou, “Século das Luzes”, como contestação “A Noite dos Dez Séculos”(476-1476), face a pobreza cultural daqueles tristonhos tempos. Iluminismo, porque concedia luz à escuridão, marca do atraso de mentalidade da Idade Média. “
    São esses os principais elementos do sistema iluminista nascido no Século XVII decorrentes da dinâmica dos tempos da reforma religiosa.
    Igualmente, o positivismo de Augusto Comte (1798-1857) constituiu outra gama oriunda de toda trajetória da reforma religiosa.
    Doutrinava esse filósofo que as ciências experimentais eram modelos para o conhecimento humano em detrimento das especulações metafísicas ou teológicas impondo-se para o encontro da compreensão três fases ou etapas: os fenômenos são considerados como resultado da ação de uma vontade livre; os fenômenos são atribuídos a abstrações que são as causas e a compreensão do conhecimento de ser encontrada na lei que relaciona os fatos que a constituem.
    Outros seguimentos filosóficos se seguiram sempre com liame a evolução cultural que surgiu após a reforma religiosa significando o mérito daquele movimento político e religioso para os séculos seguintes.
    O cristianismo dividido em outras vertentes com a reforma religiosa foi outra vitória propiciando uma liberdade interpretativa da Bíblia alterando toda estrutura medieval seguindo os princípios do iluminismo até então proibidos.
    Finalizando, podemos afirmar que a reforma religiosa foi benéfica para toda humanidade com a proclamação de liberdade com responsabilidade em todos os setores da sociedade, com o progresso da ciência, arte e desenvolvimento material e espiritual do nosso próprio Ego.

  8. Rede Colmeia disse:

    A VISÃO MAÇÔNICA DO GADU.’.
    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33°
    ARLS Fraternidade Judiciária – 3614 – GOB – GOSP
    A Maçonaria, como não poderia ser, admite a existência de um Ser Supremo de Todo o Universo e ainda a vida eterna depois da morte do corpo físico do ser humano.
    Tanto os Landmarks exigem esta crença para o ingresso na Instituição Maçônica, como também as constituições das diversas Potências.
    Mas qual o significado desta admissão de um Ser Supremo e vida post mortem eterna e ainda como deve ser interpretado e tratado o GADU.’., como é chamado no seio maçônico ?
    Deve, inicialmente, ser lembrado que esta convicção não tem conotação religiosa, eis que a Sublime Ordem não é nenhuma religião,seita ou algo similar, embora até incentive o iniciado a cultuar alguma delas, desde que se ajuste a sua doutrina.
    Assim, o sentimento e cultivo a este Deus diferem da concepção religiosa, surgindo daí um afeto especial no mundo maçônico que podemos resumir no LOUVOR que conduz a GLORIFICAÇÃO do Grande Arquiteto do Universo.
    Convém lembrar que nos graus básicos nos foram ensinados que cada um de nós constrói, lenta e continuamente, no nosso interior um Templo que simbolicamente representa nosso aperfeiçoamento moral e espiritual durante toda caminha na Fraternidade. Desta mesma forma simbólica, a glorificação e a submissão devidas ao GADU.’. encerra que este Grande Arquiteto desse Templo imaginário necessita de outros arquitetos e também de pedreiros para execução do empreendimento. Em decorrência, cada um de nós é um pequeno arquiteto-pedreiro para construção desse Templo noticiado.
    Toda essa Fé repousa também nos demais princípios e postulados maçônicos, evocando todo sentimento que se empresta ao GADU.’. de louvor, glória, submissão, respeito, obediência, abnegação e afeto.
    Difere, pois, a devoção da Ordem Fraternal da religiosidade no tocante a Deus, prevalecendo um sentimento especial de louvor e glória, sem relatos de alegados feitos como mencionados em diversos livros sagrados de diversas religiões.
    A visão da Sublime Ordem do GADU.’., portanto, está relecionada às Leis da Natureza que na verdade foram editadas pelo próprio GADU.’. e antecederam o recebimento dos 10 mandamentos por Moisés na Cordilheira de Sinai, conforme registra a Biblia no Antigo Testamento.
    Igualmente, a Ordem Maçônica não admite o dogma da Santíssima Trindade do cristianismo romano como também outras pregações vinculadas a entidades ligadas a Divindade.
    Observe-se que visão maçônica sobre o GADU.’. não reprova nenhum entendimento em contrário, apenas possui uma concepção própria desligada de qualquer religiosidade, seita, crença ou algo parecido.

  9. Rede Colmeia disse:

    PRINCÍPIO DE IGUALDADE MAÇÔNICA
    O Código Landmarks de Mackey ( 1807 – 1881 ) adota o princípio de igualdade absoluta entre os obreiros dentro das lojas e nas reuniões maçônicas ( art.22 ).
    Como menciona APENAS ESTES DOIS AMBIENTES (numerus clausus), é de se interpretar que este Instituto da Igualdade Maçônica segue o critério do Direito Profano do local, em outros ambientes, desde que este ordenamento jurídico não viole os princípios e postulados da Sublime Ordem.
    É o Sistema de Compatibilidade Legal, que confere ao particular em tudo fazer ou não fazer, desde que a lei não proíba ou ordene.
    Este princípio foi inspirado na doutrina francesa do jurista Charles Eisenmann que, ao contrário do particular, o governante só pode fazer o que a lei prever, surgindo daí o outro princípio conhecido como Conformidade Legal.
    Fixadas estas premissas, a Maçonaria Brasileira seguindo a legislação vigente, acolhe, em síntese, a igualdade entre os seres humanos do aspecto material, tratando desigualmente os desiguais na medida que se desigualam e igualdade de tratamento para os iguais.
    Este pensamento foi ditado pelo grande Ir.’. Ruy Barbosa em 1920 no famoso discurso intitulado “ Oração aos Moços “, em São Paulo.
    Assim sendo, podemos entender que quando o landmark mencionado acima estabelece – igualdade absoluta – refere-se , na verdade, que os títulos de nobreza, honrarias, cargos ou funções, além de outras situações que são muitas, adquiridas no mundo profano,devem ser desconsideradas nos próprios Templos e Lojas para ensejar esse nivelamento entre os Iir.’. nos locais e momentos mencionados.
    Mas persiste a Hierarquia Maçônica, como verbi gratia, um aprendiz sabe seu lugar próprio nas sessões, enquanto outro obreiro de grau mais avançado, possui mais liberdade de escolher dentro também de sua limitação, posição diferenciada.
    Esta igualdade, portanto, como se observa, é relativa, pois caso fosse absoluta, ocorreria um tratamento igual para situações diferentes.
    Em linhas gerais são estes informes que disciplinam o tema sucintamente apresentado.

    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33°
    ARLS Fraternidade Judiciária – 3614 – GOB – GOSP

  10. Rede Colmeia disse:

    Simbologia da Corda de 81 Nós

    É confeccionada com fios em espaços, exprimindo a ideia que isolados são frágeis, mas que unidos tornam-se fortes.
    É o convite para que os maçons sejam unidos para o progresso Moral,Intelectual,Material e Espiritual de cada um e, por via de consequência, também a ORDEM torna-se forte e útil para a feitura do BEM para a HUMANIDADE.
    É também a lembrança da Cadeia da União.
    Os espaços entre um Nó e outro indicam que o maçom continua com sua própria individualidade, embora unidos para o propósito benéfico comum.
    Também lembra ao maçom as dificuldades de vida que para superá-las deve desatar o Nó.
    Este desate representa a necessidade de lutar honestamente para vencer essas dificuldades com o pedido ao GADU.’. de ajuda.
    Finalmente, o número 81 é a multiplicação de 9X9, resultando em 81, cuja somatória é 8 mais 1 = 9, número que simboliza o fim do corpo físico, mas gera a vida eterna do espírito em outra dimensão do UNIVERSO.
    Daí a necessidade da crença do maçom na existência do GADU.’. e na vida eterna espiritual.

    Jose Geraldo de Lucena Soares

  11. Rede Colmeia disse:

    A VISÃO MAÇÔNICA DO GADU.’.
    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33°
    ARLS Fraternidade Judiciária – 3614 – GOB – GOSP

    A Maçonaria, como não poderia ser, admite a existência de um Ser Supremo de Todo o Universo e ainda a vida eterna depois da morte do corpo físico do ser humano.
    Tanto os Landmarks exigem esta crença para o ingresso na Instituição Maçônica, como também as constituições das diversas Potências.
    Mas qual o significado desta admissão de um Ser Supremo e vida post mortem eterna e ainda como deve ser interpretado e tratado o GADU.’., como é chamado no seio maçônico ?
    Deve, inicialmente, ser lembrado que esta convicção não tem conotação religiosa, eis que a Sublime Ordem não é nenhuma religião,seita ou algo similar, embora até incentive o iniciado a cultuar alguma delas, desde que se ajuste a sua doutrina.
    Assim, o sentimento e cultivo a este Deus diferem da concepção religiosa, surgindo daí um afeto especial no mundo maçônico que podemos resumir no LOUVOR que conduz a GLORIFICAÇÃO do Grande Arquiteto do Universo.
    Convém lembrar que nos graus básicos nos foram ensinados que cada um de nós constrói, lenta e continuamente, no nosso interior um Templo que simbolicamente representa nosso aperfeiçoamento moral e espiritual durante toda caminhada na Fraternidade. Desta mesma forma simbólica, a glorificação e a submissão devidas ao GADU.’. encerra que este Grande Arquiteto desse Templo imaginário necessita de outros arquitetos e também de pedreiros para execução do empreendimento. Em decorrência, cada um de nós é um pequeno arquiteto-pedreiro para construção desse Templo noticiado.
    Toda essa Fé repousa também nos demais princípios e postulados maçônicos, evocando todo sentimento que se empresta ao GADU.’. de louvor, glória, submissão, respeito, obediência, abnegação e afeto.
    Difere, pois, a devoção da Ordem Fraternal da religiosidade no tocante a Deus, prevalecendo um sentimento especial de louvor e glória, sem relatos de alegados feitos como mencionados em diversos livros sagrados de diversas religiões.
    A visão da Sublime Ordem do GADU.’., portanto, está relecionada às Leis da Natureza que na verdade foram editadas pelo próprio GADU.’. e antecederam o recebimento dos 10 mandamentos por Moisés na Cordilheira de Sinai, conforme registra a Biblia no Antigo Testamento.
    Igualmente, a Ordem Maçônica não admite o dogma da Santíssima Trindade do cristianismo romano como também outras pregações vinculadas a entidades ligadas a Divindade.
    Observe-se que visão maçônica sobre o GADU.’. não reprova nenhum entendimento em contrário, apenas possui uma concepção própria desligada de qualquer religiosidade, seita,crença ou algo parecido.

    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33°

  12. Rede Colmeia disse:

    PATRONO MAÇÔNICO
    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33”
    GOSP – GOB ARLS.’. Fraternidade Judiciária – 3614
    Sabe-se que o santo patrono da maçonaria é São João, mas qual deles foi o eleito, já que conhecemos três santos com este nome : São João Batista, São João Evangelista e São João Esmoleiro, conhecido também como São João da Escócia ou ainda São João de Jerusalém ?
    Sobre o assunto, Claudio Blanc esclarece, ipsis literis, que “ Por ter sido dedicado com tanto afinco à causa da Igreja, foi canonizado com o nome de são João Esmoleiro ou São João de Jerusalém. Os maçons que lutavam nas cruzadas, tocados pelo exemplo de São João Esmoler, acabaram por acolhê-lo como patrono. No entender desses maçons é São João da Escócia com sua abnegação e sacrifício em prol de uma causa maior que melhor espelha seu mais findo ideal. “ ( autor citado-Grande Livro da Maçonaria –pag. 69-ON Line-Editora).
    Portanto, esta corrente doutrinária histórica maçônica, considera São João de Jerusalém, conhecido como São João da Escócia ou ainda São João Esmoler, como patrono da Sublime Ordem.
    Entretanto, outra vertente histórica sustenta que os verdadeiros patronos da maçonaria são mesmos os Santos João Batista e João Evangelista ,pois o entendimento do Oriente Médio considerou sua região esquecendo as passagens bíblicas mencionando João Batista e João Evangelista com grande aceitação na Europa onde se desenvolveram as guildas e corporações de artícifes e prossegue o historiador, “ A única relação entre São João, o Hospitaleiro ou Esmoler, e os maçons operativos é um fato relatado por Rohrbacher. Lê-se, com efeito, nesse autor, que São João Esmoler, Patriarca de Alexandria, enviou imensos recursos a Modesto, abade de São Teodoro, na Palestina, para reconstruir as igrejas destruídas pelos árabes em 615. Na verdade, os santos patronos da Ordem Maçônica são São João, o precursor (Batista) e São João Evangelista, estando um e outro em estreita relação com Janus, deus dos romanos, deus da corporações de artífices ou Collegia fabroram que celebravam em sua honra as duas festas solsticiais do inverno e do verão.” ( Jean Palou-A Franco –Maçonaria Simbólica e Iniciática-pag.68- Editora Pensamento-2009)
    Vê-se, assim, que o tema é controvertido sobre o verdadeiro patrono da Instituição Maçônica e não conheço qualquer manifestação oficial de qualquer Potência que tenha se posicionado.. E é por isso que nos rituais as perguntas são feitas ao Ir.’. visitante sem que este especifique qual São João se refere : – Meu irmão de onde vindes ? – Da Loja de São João, Venerável Mestre. – Que se faz na Loja de São João ? –etc.
    De toda exposição, podemos concluir que na ausência de especificação oficial da Ordem Maçônica, é lícito considerar-se todos os três santos como patronos, como só um deles ou só os dois, Batista e Evangelista ou ainda outra dupla que se desejar !

    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33”

  13. Rede Colmeia disse:

    Assim comentei o texto intitulado- ” Para ser católico é proibido apoiar e seguir : MAÇONARIA “, com o devido respeito que se impõe em civilidade : ” A Instituição Maçônica não é religião, seita, crença ou algo similar. Exige para nela ingressar que o pretendente acredite e respeite um SER SUPREMO DE TODOS OS UNIVERSOS E NA VIDA ESPIRITUAL, como conditio sine qua non, para iniciação, além de outras exigências sociais.É uma Entidade milenar e universal e respeita todas as religiões e tem como marca a paz, caridade e amor ao próximo. Não hostiliza nenhum credo ou seita e cultiva a sabedoria de todas as ciências, especialmente filosofia e tudo que aumente o SER HUMANO a afastar-se do MAL e se aproximar do BEM. Estuda-se muito e não é um clube mundano, mas uma escola de honradez, ética, legalidade e método de se viver em paz e falicidade consigo mesmo e também com o semelhante. Convive com os diferentes inspirada pela tolerância ,mas não com aceitação se sua doutrina não for cumprida. Ama quem lhe lança pedras na esperança que descubra a VERDADE e no futura possa ser seu aliado. Não chama ninguém para suas fileiras e para nela iniciar-se, nem todos conseguém. Respeita e se entristece quem lhe agride, porém não revida Sabe que todos nós somos irmâos, pois vimos da mesma fonte que é o Grande Arquiteto do Universo, nomenclatura tirada da própria Bíblia – Hebreus – Novo Testamento – 11 e 10. Por fim, seja abençoado pela Divindade quem hostiliza a Maçonaria e também perdoado pela ausência de conhecimentos ! “.

    José Geraldo de Lucena Soares, MI.’. 33”

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